Capítulo 14

Dias...

Dias haviam passado desde a conversa com Hermione. Harry sentia-se inquieto a cada resposta que ela lhe mandava a sua simples pergunta: "Já viu?" O não vinha sempre abandonado no pequeno pedaço de pergaminho.

- Por que não vai vê-la? –Gina perguntou.

-Isso é o que eu queria fazer, mas não é o que ela quer.

-Então se acalme! Ela precisa de tempo. Você sabe como ela é.

-Eu sei, eu sei. É só que...-jogou-se na cama e respirou fundo.

-O que?

-E se for tarde demais? E se nada tiver mais volta? Rose já não tem mais volta, Gina.

-O que você quer dizer com isso?

-Estou querendo dizer que talvez o tempo que ela precisa não exista mais. Talvez esteja tudo acabado.

-Onde é que você está querendo chegar com isso tudo, Harry? –perguntou preocupada.

-Não é nada. –disfarçou. –Vamos dormir. Temos que ir cedo para a Toca amanhã. –falou puxando as cobertas para o pé da cama.

Gina se levantou de um salto, empurrou Harry deitado na cama e subiu em seu colo, prendendo-o.

-Harry Potter. –falou com a voz ameaçadoramente baixa. – Não tente mudar de assunto. O que você está escondendo? O que você não quer me dizer.

-Gina...

-Não enrola! –falou alto.

Harry retirou os óculos, esfregou os olhos e voltou a pousar o acessório no nariz. Gina apenas ergueu a sobrancelha, esperando.

-Você não viu Hermione, eu vi. Ela não é quem você conhecia. E eu digo isso tanto interna e exteriormente.

-Você já me disse isso! E isso tem solução! Nós vamos cuidar dela, descobrir o que está errado e...

-Gina... –interrompeu-a.

-O que é? –perguntou desafiadora. –Você acha que ela está sentenciada à morte, é isso? –as temíveis palavras simplesmente saíram.

Harry ficou em silêncio. Temia ser sincero e, além de tudo, temia por Hermione. Se ela viveria muito tempo ou não, não era algo que Harry gostava de ao menos imaginar, ainda mais estando tão longe e inapto para ajuda-la.

-Eu só sei que ela não está se tratando e o que ela tem não parece ser só uma gripe. E...- hesitou.

-Tem mais? –perguntou alarmada.

-Eu não consigo mais esconder minhas suspeitas. É o Rony.

-O que tem ele? Também está doente?

-Não, não. Ele só... está estranho novamente. Fica trancado horas com a equipe que ele supervisiona.

-E o que isso quer dizer? Isso não é normal? Ele tem que dá suporte, organizar táticas. –Gina falou tentando achar alguma outra desculpa para seu comportamento, mas ela sabia a verdade. Apenas não queria aceita-la.

-Gina, eu sou o Chefe dos Aurores e sei que não tem nada movimentado nesse momento no departamento. Eu já perguntei a ele o que ele tanto tem para fazer, e ele só diz que é um treinamento que está organizando para a equipe.

-Então... –engoliu em seco já sabendo a resposta.

-Então, eu acho que isso significa que Rony achou o grupo que invadiu sua casa, há quatro anos, incluindo a pessoa que assassinou Rose.


Mais uma vez Rony se encontrava naquele pequeno cômodo de sua casa tão conhecido. Como sempre, a sala estava repleta de papeis, mapas, dentre outros objetos. Porém, a única diferença da noite tão familiar, era que dessa vez ele dispensara a bebida. Sua atenção estava totalmente voltada para o que seus olhos liam com extrema avidez.

Finalmente chegara o momento e tudo teria que ser bem planejado.

Rony precisava agir rápido, porém com precisão. Ele sabia que Harry estava desconfiado e não podia permitir que ele ou qualquer outra pessoa o impedisse. Não podia parar agora, não agora que estava tão próximo. Afinal, já não tinha nada a perder: esposa, filhos, um lar. A não ser... Isso não vem ao caso. –pensou atordoado.

Ao contrário do que muitas pessoas pensavam, ele não se dedicara a essa busca sem fim por sacrifício, por dó de si próprio ou mesmo por vontade de uma morte rápida. Rony fazia isso para continuar respirando, para continuar sobrevivendo, porque viver ele não vivia mais.

Ele não poderia permitir que outras famílias passassem pelo o que ele passou. O que já aconteceu. Tudo se encaixava agora! Os casos sem solução, as vítimas... Ele precisa dar um fim a isso. Rose fora apenas a fagulha e agora a fogueira estava prestes a ser apagada.

E além de tudo, fazia por Rose. Era um divida que tinha para com ela, divida por não protegê-la em vida. E acima de tudo, Rony precisava, tinha necessidade de encerrar aqueles longos quatro anos e cinco meses de sua sobrevivência e começar a viver.

O dia estava próximo, e, então, estaria livre.

Rony largou os papéis e suspirou de olhos fechados. Seu cansaço era nítido e precisava estar preparado e disposto.

Abriu a última gaveta e viu sua grafia em um envelope: "Para Harry Potter".

Tudo ficaria bem.

Levantou-se e se encaminhou para mais uma noite de sono.


Hermione não se sentia muito bem naquele dia. A verdade era que não se sentia bem há alguns dias. Estava sempre cansada, sem energia, com sono, a febre que sedia e voltava e as dores de cabeça. Nunca era um dia normal. Mas, hoje, parecia estar sendo o pior de todos os dias.

Estava infiltrava num breu total, sem comer não sabia há quanto tempo, debaixo das cobertas. Precisava fazer um esforço e se levantar, alimentar seu estômago sensível.

Sem pensar duas vezes, ergueu seu corpo fraco, esperando o latejar da cabeça e a tontura passar.

Vagarosamente, enrolou-se no roupão e seguiu para cozinha. A única coisa que conseguiria engolir seria uma sopa bem quente. Preparou tudo e sentou-se num banco perto do fogão esperando o caldo esquentar.

Foi nesse momento que Hermione viu de relance o pequeno frasco que Harry lhe entregara. Desviou o olhar e analisou o calendário pregado na antiga geladeira.

-Pelo visto hoje é dia 26 de julho de 2013. –falou com a voz rouca devido a sua falta de uso.

Como fazia todos os dias, Hermione riscava no calendário o dia que passava e lá estava o 26 intacto.

Então ela sabia que fazia exatamente um mês que Harry viera lhe visitar. E o frasco continuava lá, intocado.

Harry deve estar arrancando os cabelos! –pensou e riu voluntariamente.

Sua atenção voltou-se para a sopa, que já fervia, e colocou uma pequena quantidade numa caneca.

Encaminhou-se para o sofá gasto e sentou de frente para o frasco. De certa forma, não sentia curiosidade alguma em saber o que tinha ali dentro. Na verdade, queria destruir seu conteúdo e fingir que ele nunca existira. Mas Harry a esperava. Ela prometera. A única coisa que ainda podia manter era sua palavra. E eu devo isso a ele, não é mesmo? –pensou.

Hermione deu a primeira colherada e lutou com a ânsia de botar o conteúdo para fora, assim que chegou a sua garganta. Fechou os olhos com força e o líquido desceu quente pelo seu corpo. Seu estômago reclamou por um instante, mas logo se acalmou e pediu mais, de forma que as colheradas desceram mais fáceis.

Quando sentiu que já era o suficiente, deixou a caneca de lado e encarou o frasco. Afinal de contas, o que estava esperando? O que estava querendo adiar? A magia? Alguma lembrança ruim? Nada poderia ser pior do que sua própria vida.

Harry podia ter me contado, seja lá o que tiver ai dentro, ao invés de me forçar a ter que ver! –pensou. –Mas, provavelmente, ele sabia que eu não iria escutar ou acreditar no que dissesse. Ele precisava que eu visse com os meus próprios olhos. Esperto!

Suspirou resignada desencadeando um acesso de tosse e falta de ar.

Dez minutos depois, Hermione respirava calmamente e decidida.

-Da próxima vez você vai receber um sim! Olha que maravilha, Harry! –falou para o nada.

Primeiro precisava achar sua Penseira. Não se recordava onde a guardara e sua visão era só caixas e pacotes fechados sem identificação. Provavelmente coisas com as quais não valiam a pena perder tempo.

Sentindo-se totalmente desgostosa e ciente de que não tinha energia nem capacidade para vasculhar cada pacote e caixa, pegou a esquecida varinha que sabia estar na caixa ao lado.

Sua mão tremeu quando tocou o pedaço de madeira, mas, além disso, ela pode sentir como o objeto ainda parecia fazer parte do seu corpo, adequando-se a sua mão perfeitamente.

Sem deixar essas emoções tomar mais sua consciência, ergueu a varinha e falou para o ar:

-Accio Penseira.

Por sorte, a caixa que a guardava estava em um canto isolada e nenhum incidente aconteceu.

Com a Penseira na mesa e o frasco nas mãos, Hermione estava pronta para mergulhar naquelas lembranças.

N/A: Olá, meus queridossssss!

Mais um capítulo! Agora mais rápido!

Preparem-se para grandes emoções!

E por cada comentário eu agradeço e fico muitooo feliz!

Beijo enormeee!