16º Capítulo
Te vejo amanhã
Há quanto tempo estava ali? As horas passaram e Hermione não se dera conta. Pela janela, viu que o céu já estava escuro.
Depois de sair da Penseira e botar seu único alimento no estômago para fora, Hermione deitara no chão, sem mexer, sem sentir, sem pensar. Sua visão era seu próprio vômito, mas nem isso a incomodava.
Seu corpo parecia morto. Se não fosse pelas batidas constantes de seu coração era isso que teria pensado, que estava morta.
Sua cabeça latejava e toda vez que sua mente voltava para as cenas assistidas e que tentava dar um sentido para tudo, uma dor sufocante a tomava, fazendo-a entrar em total desespero como se o ar ali não fosse suficiente para seus pulmões e precisasse lutar por sua vida. Com isso, ela simplesmente deixou-se ficar ali, na letargia, e esquecer.
E ali estava ela, horas depois, após ter caído no sono, acordando apenas com o brilho das estrelas, mergulhada em completa confusão. Continuou na mesma posição, sentindo-se mais fraca do que quando acordara naquela manhã. E quando olhou para a Penseira sobre a mesa, as cenas voltaram como flashes bem vívidos. Sabia o que havia presenciado, mas os últimos momentos pareciam borrões em sua cabeça. O que, afinal, acontecera naqueles minutos finais? Estava desorientada. E sem pensar duas vezes, ergueu-se com dificuldade e mergulhou na Penseira.
Hermione assistiu a tudo uma, duas três vezes. Na vigésima vez, caiu novamente no chão da sala, em prantos.
Quando viu tudo pela segunda vez, pensou que houvesse algum truque e que Rony modificara as lembranças. Dessa forma, ela assistira vez após outra procurando por vestígios, alguma prova de aquilo tudo era uma mentira. E a cada vez, se sentia mais desesperada.
Então, quando se deu conta de que não havia falsificação, continuou assistindo, tentando entender, tentando assimilar o que realmente acontecera. Até que, finalmente, sua mente aceitou a realidade: Rony não matara Rose.
Essa realidade tão assustadora fez com que sentisse um desespero sem fim. Seus soluços se tornaram gritos agudos que irritavam sua garganta. Mas ela não se importava. Suas mãos derrubavam o que via pela frente, sem ter qualquer noção ou consciência do que fazia. Até que seus pés tropeçaram e ela caiu exausta.
Seu choro era incessante e com ele veio a tosse forte, fazendo-a se curvar sobre o corpo e vomitar nada além de água e sangue.
-O que eu fiz? –questionou-se quase sem voz alguma, sem dar importância ao seu estado tão deplorável e doentio.
Agora ela sabia, cometera um dos maiores erros de sua vida. Um erro terrível, que não tinha mais volta.
Todo esse tempo acreditando que Rony era o errado, que Rony era o assassino. E como não acreditar? Ela estava lá, vira tudo! Presenciara a cena e fora ele a deferir o feitiço sobre a própria filha! Ela não tinha dúvidas! Ele era o culpado! Ele estragara tudo!
Mas, após tanto tempo, Hermione nunca pensou que seria ela o monstro da história.
A primeira coisa que pensou em fazer foi sair por aquela porta e procurar Rony e pedir perdão. Mas seu corpo estava colado ao chão e, além de tudo, não tinha coragem para olhá-lo. Eram quatro anos de distância, raiva, ódio, acusações e acima de tudo um amor sufocante que nunca acabava. Pois independente do que ela acreditava que Rony fizera, o amor estava intacto e não tinha como mudar isso. E agora, uma pequena faísca queria se ascender em seu coração, mas ela não podia permitir. Rony a odiava, ela o odiara por anos... como superar tudo? Se Rony ainda a amava, ela não sabia dizer. Na verdade ela nunca se fizera aquela pergunta. Mais do que nunca havia uma barreira entre eles que talvez nunca pudesse ser ultrapassada.
Hermione puxou-se para o sofá, sentindo-se tonta. Tudo o que queria era deitar. Puxou a manta sobre o corpo e se encolheu. Pensou em seus pais, em sua casa... as lágrimas voltaram.
-Eu o abandonei. –sussurrou. E então pensou em Harry, o único que poderia ajudá-la.
-Então estamos prontos. Cada um sabe o que fazer. Amanhã nos encontramos no horário marcado. Caso precisem de algo, vou ficar por aqui. –Rony falou enquanto se levantava da mesa de reunião. Sua equipe o seguiu, se dispersando aos poucos.
-Eu sei o que você está fazendo. –Harry falou quando viu o amigo entrar na sala que dividiam.
-E não vai me impedir?- perguntou indiferente.
-Não. Não há nada que eu possa fazer porque é o seu trabalho. Você não cometeu nenhum erro, seu plano parece estar bem amarrado, não recebi nenhuma queixa. Ou seja, tudo parece estar caminhando bem e não posso te dar uma advertência ou algo parecido.
Rony parou o que fazia e olhou cético para o amigo.
-É, Rony, eu sou seu superior e eu posso fazer isso. Nós somos amigos, parentes, mas aqui eu tenho vidas em minhas mãos. Então pense nisso.
-Eu vou pensar. –falou seco.
-Pode ter certeza que, se eu tivesse sabido que você achou esse grupo com antecedência, eu o teria parado. Mas, ao mesmo tempo, sei que você precisa desse final. Então eu só peço para que pense na sua família, pense em você acima de tudo. E também quero dizer que eu vou estar lá.
Rony arregalou os olhos, assustado. Apesar de tudo e da experiência na profissão, ambos estavam cientes de que o grupo não era um bando de fanfarrões como viam todos os dias. Eles eram profissionais que conseguiram se manter na clandestinidade por anos. Eles estavam preparados para tudo. E, bom, Rony não tinha nada a perder, já o caso de Harry era um assunto completamente diferente.
-Não, você não vai!
-Não é você quem decide isso! Você achou que ia conseguir esconder tudo e evitar que eu fosse? Acha que eu não acompanhei todos os casos envolvendo esses caras? Acha que eu não sei o buraco no qual estamos nos enfiando? –questionou alterado e respirou fundo. - E você achou mesmo que eu ia te deixar sozinho depois de tudo? – perguntou mais calmo. Rony não respondeu.
-Vejo você amanhã. –se despediu e saiu.
N/A: Oiiii, meu povo lindooo! Rsrs
Sei que estão sentindo o que o bicho vai pegar, e vai mesmo!
Esse é um capítulo curtinho, mas preparem-se, pois a coisa vai esquentar e muito! A fic está chegando ao fim com muitas emoções e surpresas!
Eu estou escrevendo sem parar e estou postando o mais rápido que posso! Se eu conseguir, essa semana ainda tem mais!
THE MAGIC, você sempre vem, comenta, participa e eu não consigo responder seus coments! Rsrsrs... Então vim deixar um beijo para você e dizer que eu não quero matá-la do coração! Kkkkk ... As coisas estão se revelando e vamos ver o que dá! Obrigada pelo carinho! *-*
