17º Capítulo

Imprevistos - parte 1

Era sábado e Harry estava deitado no sofá com sua pequena Lílian, de apenas três anos, em seu peito. Lílian era muito apegada a ele e os carinhos que fazia em seus cabelos sempre a acalmava. Ela não dormira bem à noite, estava agitada e chorosa e apenas Harry com suas mãos mágicas proporcionava-lhe o consolo necessário.

Se fosse um sábado normal, provavelmente não precisaria trabalhar e poderia ficar ali, o dia todo, alisando os fios ruivos da filha. Mas esse em especial, representava um dia de apreensão, medo e, além de tudo, preparação.

Harry chegou a pensar que talvez fora isso que causara essa inquietude no ânimo de Lily. Às vezes ela ficava manhosa sem motivos e, por coincidência ou não, era sempre quando algo estava para acontecer. Era difícil vê-la assim, tão vulnerável. Mas quando a sentia aninhada em seu peito, corações batendo juntos e sua voz infantil dizendo que o amava, esquecia-se de tudo e sorria sentindo o calor do amor incondicional.

James e Alvo, sete e seis anos respectivamente, também eram muito próximos aos pais, mas já estavam na fase de se envergonharem com um beijo ou um abraço, achando que já eram bem grandinhos para aquele tipo de carinho. James na verdade era mais largado, tinha uma alma mais livre. Alvo, por sua vez, ainda tinha um apego maior com os pais, mas tentava manter isso escondido devido às brincadeiras do irmão mais velho. Mas Harry acreditava que com Lily seria diferente, apesar de que, com tão pouca idade, já apresentava uma personalidade forte.

-Ela dormiu. –Gina sussurrou, chegando o mais silenciosamente na sala. Beijou-o nos lábios e os cabelos da filha. Sentou-se na ponta do sofá e começou a alisar seus cabelos negros.

-Onde estão os meninos?

-Zoneando o jardim. –riu. Harry a olhou e apenas com esse pequeno ato soube que ela queria lhe dizer algo.

-Vou colocar Lily na cama. –levantou-se e tentou tirar a ruivinha do peito do pai. Mas, mesmo em sono profundo, ela se agarrou a ele com toda a força fazendo os pais rirem baixinho.

-Parece você. –Harry comentou partilhando um sorriso cumplice com Gina. –Deixe ela aqui.

-Você precisa descansar. –falou carinhosa.

-Não tem forma mais prazerosa de descansar. –sorriu. Gina sorriu e sentou-se no chão ao lado dos dois.

-Pode dizer, ela não vai escutar. –falou alisando o rosto da esposa.

-Você vai se cuidar, não vai? –estava preocupada. E como não ficar? Era um dia tenso, cheio de expectativas.

-Eu sempre me cuido. Não vou fazer nada imprudente. –tentou tranquilizá-la, mas sabia que não tinha palavras para acalmá-la.

-Jura?

-Juro. Eu nunca faria nada para arriscar a perder isso. –apontou para Lily dormindo. Gina parecia mais tranquila aos seus olhos, mas ele sabia que era apenas para lhe deixar tranquilo e ficar com a cabeça sem preocupações. –E pode deixar que eu vou tomar conta do Rony.

-Eu sei que vai. – suspirou. Gina nunca responsabilizaria a vida de Rony a Harry. Isso é ridículo. Mas saber que Harry estaria lá, dando apoio ao irmão, lhe dava um pouco mais de segurança.

Lílian se remexeu choramingando e voltou a dormir chamando a atenção dos dois.

-Você acha que ela está sofrendo? Sei lá, acho um pouco estranho as reações dela. –falou preocupado.

-Ela não está sofrendo, não se preocupe. Ela apenas sente o clima tenso, sente que estamos preocupados com algo.

Harry suspirou aliviado e olhou curioso para a esposa.

-Ela puxou a mim. –explicou. –Mamãe me contou que eu tinha algo parecido quando criança. Eu me recordo vagamente. Acho que nunca te contei isso.

-Não. –riu. –Bom, se for assim, ela será uma mulher muito forte. –ambos sorriram.

Gina ergueu o corpo chegando bem perto do ouvido de Harry e sussurrou:

-Vai atrapalhar se me der um beijo antes de ir?- ela se afastou e Harry pode ver seus olhos brilharem de ansiedade e seus dentes mordiscarem seu lábio inferior.

-Você ainda pergunta? É claro que não vai atrapalhar! –sussurrou e logo uma coruja entrou pela janela assustando-os.

Lílian acordou assustada e se agarrou ao pescoço do pai que se sentou no sofá.

-Está tudo bem, ruivinha. Tudo bem. –a acalmou, enquanto Gina foi até à pequena coruja.

-Tadinha! Parece que veio de longe. –retirou o envelope que trazia.

-Espere ai! –prestou mais atenção. – Essa é a coruja que dei para Hermione!

Ouvindo isso, Gina apressou-se em dar assistência à coruja e levou o envelope para Harry.

-Pode ler. –falou com Lílian ainda nos braços.

Gina abriu o envelope e pegou o pequeno pedaço de papel e leu com a voz tensa:

"Harry, venha me ver."

H.G.

-Só isso?

Gina confirmou.

-Isso não está me cheirando bem, Harry. Mas hoje não é um bom dia. –falou pesarosa.

-Não mesmo.

Harry sabia que mesmo não tendo indicação de data, que era o costume de Hermione, ele não poderia adiar aquela visita, apesar do que o dia lhe reservava.

-Mas se ela não marcou data, é por que deve ser sério. Então não tem outro jeito, acho.

-Também acho que não.

-Eu levo Lily para o quarto enquanto você se arruma. –Gina falou tirando os bracinhos da filha do pescoço do pai. Ela não gostou de sair do conforto dos braços de Harry e subiu para o quarto chorando, nos braços de Gina, que a consolava.

Harry correu para seu quarto, tomou banho e vestiu uma roupa confortável. Minutos depois Gina entrou no quarto.

-Ela dormiu de novo?

-Eu também tenho meus truques com ela. -brincou fazendo Harry sorrir. –Mas ela não pode dormir o dia todo. Vou deixa-la descansar só mais um pouco. Os meninos vão distraí-la enquanto você não chega.

-Dia longo! –suspirou terminando de arrumar seus cabelos rebeldes e pegou sua varinha. Gina o abraçou.

-Vou ter que deixar aquele beijo para outro dia. –brincou Harry.

-Se cuida. –beijou-o longamente.

-Sempre.

Harry se despediu dos meninos e desaparatou.


Quando Harry parou em frente à porta, bateu e escutou a voz fraca de Hermione o pedindo para entrar.

-Hermione? –chamou fechando a porta atrás de si.

-Aqui.

Harry seguiu sua voz e, poucos passos depois, a viu sentada no chão, recostada ao sofá. Um mês parecia ter piorado e muito a situação da amiga. Mas não foi só naquela imagem fragilizada que ele notou mudanças. O lugar estava um caos. Além das caixas que já estavam ali quando descobrira seu esconderijo, havia coisas quebradas e jogadas ao chão. Olhou mais atentamente e viu o vômito e o sangue seco.

-Eu sei que estou um caco, Harry. –tentou sorrir, sem ter a real noção do seu estado.

-O que está fazendo no chão? –perguntou, tentando parecer natural. Atravessou os obstáculos e a ajudou a sentar-se no sofá.

-Sinceramente, eu não sei. Acho que devo ter caído. Não consegui voltar para o sofá. Obrigada.

Harry sentou-se ao seu lado, em silêncio, observando-a. Suas olheiras estavam mais escuras, seus olhos estavam vermelhos e inchados como se tivesse chorado toda a noite. Sua pele estava mais pálida do que se lembrava e seus cabelos estavam mais ralos e emaranhados. Seu corpo parecia pele e osso e tremia, apesar de perceber que Hermione tentava controlar o tremor.

-Você me assustou com a carta. Você sempre marca datas, horários metódicos.

-Eu imaginei. Desculpe pelo susto e por te chamar aqui, nessa bagunça. –falou tentando deixar sua voz soar mais firme. Harry meneou a cabeça sem se importar com isso. –Mas eu realmente precisava de alguém. Eu só tenho você...

-Isso não é verdade. –cortou-a. - Você tem pessoas que gostam de você, que pensam em você todos os dias, basta você aceitar ajuda.

Hermione engoliu em seco, tentando segurar as lágrimas. Como contradizer a verdade?

-Eu estou preocupado com você, Hermione. Eu estou... assustado. –falou sincero.

-Eu sei. –soltou um meio sorriso.

-O que aconteceu aqui? O que você tem? O que é esse sangue?

Em resposta, ela apenas apontou para a mesinha no centro, o que certamente Harry não havia notado.

Harry olhou e sentiu todo seu corpo gelar. Então a verdade fora revelada. Olhou-a novamente e Hermione não segurou o choro. Ele a abraçou, sentindo a fragilidade de seu corpo em seus braços e isso doeu mais do que sua imagem.

-Eu não devia ter mostrado. Eu devia ter esperado, devia... –suspirou.

-Devia o que? Esperar eu melhorar?- riu sarcástica entre as lágrimas. –Você fez o que tinha que ser feito e ponto. –falou alterada.

-Poderia ter sido diferente. –tentou acalma-la.

-Por favor, Harry! –tentou gritar, mas sua voz não alcançava o tom. O esforço só fazia com que ficasse sem fôlego. –Diferente de que? Não banque o herói culpado agora! –falou consternada, afastando-se de Harry. Seu peito subia e descia rapidamente e logo começou a tossir como se estivesse sufocando. Ela se curvou sobre o corpo e em pleno desespero mais sangue saiu pela sua boca.

Harry correu até a cozinha, pegou um copo d'água e um pedaço de papel. Quando voltou, Hermione ainda estava curvada e sem forças. Recostou a amiga no sofá, limpou seus lábios e a ajudou a beber um pouco de água. Hermione tentou dizer algo, mas ele a impediu.

-Não diga nada. Respire fundo.

Hermione agarrou sua mão, com lágrimas nos olhos.

-Me perdoe, eu não queria dizer aquilo. –falou com a respiração pesada. –Eu só estou...

-Eu sei. –sorriu. –Não se preocupe. –beijou sua testa. - Quando você comeu pela última vez? –perguntou preocupado, depois de alguns minutos.

-Acho que ontem. Mas não durou muito tempo.

-Você está fraca e com febre. –sentiu sua temperatura. –Precisa de um banho morno e comer alguma coisa. Hermione, eu preciso te levar para o St. Mungus.

-Não. Não.

-Hermione...

-Por favor.

Harry respirou fundo. O que fazer?

-Você precisa se cuidar. Eu estou aqui para te ajudar, mas não posso fazer isso sozinho.

-Eu sei.

-Sabe, mas não está cooperando.

Hermione ficou em silêncio por alguns minutos ponderando. Não poderia ir para o hospital. Não agora. Mas por outro lado, sabia que precisava de ajuda. Quando decidiu e voltou a falar, viu o espanto no olhar de Harry.

-Gina, chame Gina. –falou sem pestanejar.

-Gina? –questionou num fio de voz.

- Sim. –é injusto, ela sabia. Tantas tentativas, tantos pedidos para que deixasse ir vê-la e agora era ela quem requisitava sua presença.

Harry ficou totalmente confuso com sua escolha. Ela podia chamar por sua mãe, que já era uma pessoal parcialmente presente em sua vida nos últimos anos. Será que, enfim, ela estava abrindo as portas para as pessoas? Independe do motivo que motivou sua decisão, ele não quis pensar muito sobre o assunto. Afastou-se um pouco, vendo Hermione fechar os olhos e segundos depois seu Patrono se foi ao encontro de Gina.


Quinze minutos depois, o que para ele fora segundos, Gina desceu pela lareira carregando uma bolsa. Harry a recebeu com um abraço.

-Desculpe por isso. –Harry falou, ainda afastado de Hermione.

-Não tem que se desculpar. Só que eu ainda não estou entendendo nada.

-E as crianças?

-Por sorte Fred e Jorge deram uma passada lá em casa e puderam ficar com elas.

-Isso foi ótimo.

-Harry... –falou aflita.

-Ela quis te ver. Chamou por você. Eu também não entendi nada. Estou tão surpreso quanto você. Mas eu preciso te lembrar, ela não é mais a Hermione que conheceu.

-Certo. –respirou fundo. –Eu trouxe algumas coisas a mais diante do que você falou.

-Isso é bom. Vem. –falou a encaminhando para onde Hermione estava. Gina agarrou sua mão com mais força que o necessário, sentindo seu coração pular no peito. Assim como Harry fizera, passou o olho pelo lugar se assustando com a bagunça e principalmente com o sangue no chão. Quando a viu dormindo no sofá, tão fragilizada, tão diferente da Hermione de quatro anos atrás, Gina sentiu as lágrimas inundarem seus olhos. Parou abruptamente, se recompondo. Harry secou suas lágrimas e beijou sua bochecha. A ruiva respirou fundo mais uma vez, acenou e seguiu em frente, dessa vez mais firme que nunca.

Gina sentou-se ao lado da cunhada e alisou seus cabelos.

-Hermione. –sussurrou com um sorriso.

Hermione abriu os olhos e sorriu sentindo seu coração acelerar. Queria poder segurar as lágrimas e parar de chorar por um minuto. Mas aquela era a primeira vez que seu choro valia realmente a pena. Gina estava ali, bem na sua frente.

-Gina. –sorriu se deliciando em ver aquele rosto novamente. Abraçou-a, mas não tinha forças para manter o abraço de forma que se deixou ficar no colo da amiga. Gina olhou para Harry tentando ganhar forças.

-Vem, vamos tomar um banho. Vamos cuidar de você. –falou sorrindo. Apesar de tudo, era um sonho realizado, ver Hermione novamente.

Harry pegou-a no colo e a levou para o banheiro e a sentou na cadeira que havia levado mais cedo.

-Enquanto isso vou limpando a sala e fazer algo para ela comer. –falou e deixou as duas sozinhas.

Gina começou a tirar as roupas da amiga com cuidado. Hermione queria apenas deitar, era tudo o que queria, mas apesar do cansaço, seus olhos estavam fixos em Gina tentando decifrar se ela estava realmente ali. Na verdade, eram vários sentimentos travando uma batalha dentro de si, que não havia como coloca-los em palavras.

-O que foi? –Gina perguntou com um sorriso.

-Me desculpe. Não é o suficiente, mas eu peço mesmo assim.

-Mione, esquece isso. –falou ligando o chuveiro e sentindo a temperatura da água.

-Não posso. Não é justo com você. Depois de tantas cartas, de tantos pedidos...

-Você não estava pronta. –falou condescendente.

-Eu nunca estaria, Gina. Nunca estaria se... –sua fala morreu.

Hermione sentiu a água morna descer pelo seu corpo e arrepiou.

-Eu respondi a todas elas. –falou depois de um tempo.

-Como? –perguntou parando com o sabonete na mão.

-Eu respondi a todas as suas cartas, apenas não as enviei.

Gina virou de costas, fingindo que mexia em algo na prateleira e enxugou as lágrimas que desciam. Como se manter forte diante de uma situação dessas? Tinha tantas coisas que gostaria de saber, tantas coisas que gostaria de perguntar, mas sabia que não era hora, sabia que não podia, mas era inevitável.

-Porque você não falou nada na época? Porque não veio até nós e contou o que estava acontecendo? Nós éramos uma família, lembra? Você apenas guardou esse peso para você, não nos deixou fazer parte da sua vida e...

-Estraguei tudo. Não é? –perguntou assistindo em seus olhos a dor, o sofrimento que causara.

Gina não negou sua pergunta. Não poderia negar uma verdade que estava diante de seus olhos e nos de Hermione também. Eram duas mulheres adultas e maduras o suficiente para encarar a verdade, então deveriam conversar como tal.

-Vocês resolveram nos deixar de escanteio. Decidiram o que acharam que era o melhor para vocês. Cada um para o seu lado e a família no meio, sem saber o que fazer, o que pensar. Você não foi a única que ocultou o ocorrido e nos deixou de mãos atadas, Hermione. –suspirou. -Vem, vamos vestir uma roupa fresca e comer alguma coisa. –falou antes que ela falasse algo. Não queria pressiona-la. Na verdade nem devia ter iniciado o assunto.

Gina pegou roupas limpas em seu quarto, penteou-a e a vestiu. Um pouco mais revigorada, Hermione apoiou-se em seu braço e caminhou de volta para a sala já limpa.

Gina remexeu em sua bolsa e tirou dois frascos.

-Para febre e para ajudar seu estômago a segurar algum alimento. –explicou e Hermione os tomou.

Minutos depois Harry retornou da cozinha trazendo um cozido de carne com legumes bem frescos que Gina havia trago.

-Eu tenho comida em casa, Harry. –Hermione falou pela primeira vez sentindo uma ponta de vergonha pelo seu estado, pela sua situação.

-Comida passada e vencida você quer dizer. Aproveita, porque eu cozinho muito bem! –brincou.

Gina pegou o prato e deu algumas colheradas para a amiga, mas logo Hermione não conseguia mais comer.

-Você precisa comer mais, está muito fraca.

-Eu não consigo. –falou lutando contra o enjoo.

-Acho que a poção não fez muita diferença. –falou Harry.

-Não. –confirmou Gina pesarosa.

-Quando é que você vai deixar de ser teimosa e nos deixar te levar para o hospital? –Harry perguntou.

-Harry... – sussurrou meneando a cabeça. Harry bufou transtornado. –Todos já sabem? –perguntou depois de um tempo. – Meus pais... os Weasley?

-Eu não podia mentir para seus pais. Eu precisava contar. Eles estão preocupados com você. –Harry falou. Hermione ergueu o olhar assustado para ele.

-Você os vê? Você os visita com frequência? –perguntou alarmada.

-Não muito.

Hermione sustentou seus olhar. Ele sabia! Ele sabia! Desviou o olhar e secou as lágrimas. E Harry pode ter a certeza que precisava. Gina por sua vez olhou intrigada de um para o outro. Tinha algo estranho ali.

-Seus pais querem lhe ver.

-Eu não posso vê-los agora. Não agora. –falou ainda sem olhar para Harry. Ele não discutiu.

-E os outros? –Hermione perguntou despertando-os de seus pensamentos.

-Todos sabem o que está acontecendo. Estão preocupados. –Gina falou. –Eles não entendem o seu afastamento e o do Rony. Não entendem como as coisas chegaram a esse ponto. –foi sincera. Hermione a olhou intrigada.

-Rony... –falou com dificuldade. –afastamento...

-Muita coisa mudou depois daquele dia, Mione. – Gina tentou não entrar em detalhes e Hermione ficou em silêncio esperando que dissesse.

-Diz!

-Não é hora para falarmos disso. Isso pode esperar.

-Não! Não pode! –falou num fio de voz. –Foram quase cinco anos! Eu fui um monstro por quase cinco anos! Vocês viram o estado dessa casa quando chegaram. Eu surtei quando eu vi tudo. E eu precisei assistir a tudo vinte vezes, Gina. Vinte vezes para me dar conta de que a errada todo esse tempo fui eu. –desabafou.

Harry e Gina se assustaram com sua sinceridade. Pela primeira vez, desde que chegaram ali, ela parecia realmente consciente de tudo ao seu redor e disposta a dizer tudo, ou pelo menos quase tudo.

-Eu destruí a vida de várias pessoas e quero saber. –continuou. - Eu fiz coisas imperdoáveis. Coisas que nunca pensei que um dia faria. Meu Deus!, não existe palavras para explicar ou dar razão as minhas atitudes. –falou com as emoções a flor da pele. –Só me diz, Gina, por favor. O que aconteceu com ele? –implorou em meio às lágrimas. Gina olhou para Harry e ambos viram que não tinha jeito.

-No início Rony ficou confuso e acreditou que realmente tinha matado Rose. –Harry falou por Gina e recebeu seu olhar de agradecimento. – Nós só ficamos sabendo disso quando ele nos mostrou a memória, é claro. Mas ainda na época, quando ele se deu conta que não fora ele, e que não conseguia conversar com você, ele começou a se afastar. De tudo e de todos. Eu só o via no trabalho e mesmo assim poucas vezes porque ele sempre estava em campo. Nós sempre perguntávamos o que havia acontecido naquela noite e ele só dizia que com a morte de Rose tudo havia desmoronado. Ele não era mais o Rony, nós não tínhamos mais você e Rose se fora. Ele se culpava e se culpa pela morte de Rose. Ele pensa que não a protegeu, que não protegeu você.

-Ele ainda am...

-Não. –cortou-a. –Não diga isso, Gina. Não diga. –pediu recuperando o ar. –Não diga. Eu... eu o abandonei, o chamei de assassino. O chamei de covarde, pois ele não havia contado a verdade. Eu destruí a família de vocês! –falou em prantos. Gina a abraçou sem conter sua emoção.

-Hermione, você faz parte dessa família! Nós estamos todos com você. Estão todos preocupados com você. Isso tudo tem solução. As coisas podem se resolver.

-Não, não tem solução! O que eu fiz não tem perdão! Eu não me perdoaria! Não existe confiança, cumplicidade. Eu construir uma barreira! Eu! Ele tentou, ele tentou me mostrar a verdade, tentou mostrar que ainda existia um futuro, mas eu estava mergulhada na minha ignorância! Eu estou impregnada pelos meus erros, impregnada! –falou com dificuldade, sentindo o ar lhe faltar.

-Fique calma, fique calma. –Harry falou afagando seu rosto.

-Não é justo eu aparecer agora, Harry, não depois de tudo. Eu não posso fazer isso.

-Respire fundo. –falou ajudando Gina a deitá-la no sofá. –Descanse e não pense em nada agora. –beijou sua testa.

-Nós estamos com você, Hermione. –sorriu.

Harry olhou para o relógio, quase cinco da tarde. Ainda dava tempo para decidir o que fazer até o momento de encontrar Rony no local marcado. Puxou Gina para um canto, enquanto observava Hermione fechar os olhos novamente.

-O que vamos fazer, Harry?

-Nós vamos levar ela para o St. Mungus mesmo ela não querendo. –falou decidido. Mas antes que Harry pudesse formular qualquer outra ideia um barulho chamou sua atenção e alguém chamou seu nome.

-Fred! –falou se agachando na lareira.

-Harry, acho melhor você vir para cá. É urgente. –Fred falou com um olhar sério, o que não era o seu normal.

-Aconteceu alguma coisa com as crianças? –Gina perguntou alarmada.

-Não, não. Alguém do Ministério veio te procurar, Harry. Não quis dizer o que era, eu falei que ia passar o recado.

-Certo, certo. –falou pensando rápido. –Faço o seguinte. Peça a Tayla para se arrumar e preparar algumas coisas, comida e algumas poções e vir para a casa da Hermione, ok?

-Ok.

-Peça para ela vir o mais rápido possível.

-Certo. –falou e sumiu nas chamas.

-Acho que vamos ter que adiar nossos planos. –Harry falou.

Dez minutos depois, Tayla apareceu.

-Senhor Harry Potter chamou! –falou com seus olhos brilhando.

-Tayla, preciso de um grande favor. Hermione não pode ficar sozinha e está doente, preciso que cuide dela e a ajude a comer e tudo o que for necessário, ok?

-Tayla faz com prazer!

-Qualquer coisa fale comigo, Tayla. Eu estarei em casa ou na Toca. –Gina falou.

A pequena Elfa acenou e saiu cantarolando para a cozinha.

Hermione que havia adormecido, abriu os olhos quando Gina a chamou delicadamente.

-Hermione, precisamos ir. Mas vamos voltar assim que der, ok? –tentou soar tranquilamente.

-O que aconteceu, Harry? –perguntou vendo a tensão nos olhos do amigo.

-Nada com o que deva se preocupar. Tayla veio fazer companhia. E por favor, se cuide.

-Tudo bem.

-Voltamos assim que puder, Mione. Não esqueça que te amamos. –Gina falou e beijou sua testa. Deram as mãos e sumiram no ar.

N/A: Oláaaa, meu povo!

Esse capítulo veio grande, espero que não se cansem! Rsrs...

Mas, enfim, Hermione apareceu e abriu seu coração! Mas algo aconteceu! O que será? Mistério!

Espero que gostem e logo nos vemos no próximooo!

Obrigada, obrigada, obrigada pelos comentários e pelo carinho!

Mil beijos!