18º Capítulo

Imprevistos–parte 2

-Como assim já foram? Nós tínhamos um plano traçado! –Harry falava praticamente cuspindo as palavras. Estava agachado de frente à lareira conversando com Jared, um dos aurores da equipe de Rony.

-Foi o que eu expliquei, chefe. –falou paciente. –A equipe "olho" que estava na base nos avisou de uma movimentação suspeita e confirmou que hoje eles mudariam de esconderijo à noite. Então Rony reuniu todos, passou as últimas coordenadas e me deixou para avisa-lo. –falou desgostoso com a ideia. –Você sabe que não podemos perder essa chance. Eles estão vulneráveis agora, talvez não peguemos todos, mas os chefões vão estar lá.

-Droga! Droga! –falou irritado. – Ok. Ok. –suspirou colocando as ideias em ordem. –Jared reúna a equipe de apoio, todos! Não quero corpo mole! Quero você em campo comigo, com metade deles, o restante fica no Ministério. Quero todos atentos!

-Certo.

-Vejo você lá. –despediu-se e a cabeça de Jared sumiu.

Gina, que andava de um lado para o outro escutando tudo em silêncio, parou e o encarou, aflita.

-Eu já disse mil vezes que não gosto que escute esse tipo de conversa. –Harry falou correndo escada acima em direção ao quarto com Gina ao seu encalço.

-Não é hora para discutir isso. –retrucou ela, já separando o uniforme de Harry, apressadamente. Ele a olhou por um segundo censurando-a com o olhar. Poucos minutos depois, Harry estava pronto.

-Te vejo mais tarde, certo? – Gina falou com um sorriso nervoso.

-É claro que sim! – falou tentando tranquilizá-la e a beijou longamente. –Eu te amo.

-Eu te amo.

Desceram as escadas e Harry se despediu dos filhos e dos dois cunhados.

-Eu amo vocês. –abraçou os filhos.

-Nós também, pai. –falou James com sua pose de homem da casa. Harry sorriu com essa imagem e desaparatou.

Gina deixou-se cair na cadeira, enquanto via James e Alvo levar Lily para o jardim.

-Gina, o que está acontecendo? –Jorge perguntou preocupado.

-Porque Harry saiu apressado? –completou Fred.

-Acho melhor irmos para a Toca. Não vou suportar ficar aqui, sozinha, esperando alguma notícia.


Quando Harry aparatou no ponto de encontro, Jared estava lá, junto a sua equipe, o esperando.

-Como estão as coisas? –perguntou analisando o local. No meio via-se um galpão relativamente grande rodeado por uma floresta densa. A frende do galpão se via uma clareira, na qual dez homens andavam de um lado para o outro.

-Todos a postos. Equipes espalhadas por todo o território, mas a floresta está dificultando. Não sabemos se tem alguém escondido nela. Mas o horário para a abordagem está marcado para daqui dez minutos.

-Quantos homens lá dentro?

-Pelo menos cem. Difícil saber ao certo.

-Menos que o esperado?

-Parece que os ânimos andaram alterados na última semana.

-Encontraram algum refém?

-Até o momento nada.

-Certo. Onde está Rony?

-Com a equipe do lado oeste.

Harry direcionou seu olhar para a direção. Uma vez no lado leste, para chegar até Rony ele só tinha duas opções: atravessar a clareira, o que era impossível, ou ir pela floresta, o que era perigoso e poderia chamar atenção desnecessária. Seu encontro com Rony teria que esperar.

-Mais alguém para chegar?

-Apenas se precisarmos de reforços.

-Ok. Vamos nos posicionar. – Harry caminhou para junto da equipe e esperou os minutos finais passarem. Pareceu uma eternidade e seu corpo já começava a sentir a adrenalina que toda aquela tensão e perigo proporcionavam. E então, o sinal foi dado.

Harry, assim como os outros, assistiram os homens de vigília caírem um após o outro. Mas, o que era para iniciar com uma abordagem silenciosa e surpreender a todos dentro do galpão, pareceu dar errado. E logo escutaram um grito:

-ATAQUEEEEEEEE!

A porta do galpão se abriu com um estrondo e Harry não viu rosto, mas, sim, máscaras saírem alvoraçados e prontos para matar. Era difícil contabilizar, mas eram muitos!

E então, a partir daquele momento não houve descanso ou mesmo tempo para pensar. Tudo o que tinham que fazer era agir, defender sua vida e a dos colegas e capturar o máximo possível de culpados.

-Vocês. – Harry falou apontando para dez pessoas, inclusive Jared. –Comigo pela retaguarda. E já sabem, não fiquem sozinhos!

Harry avançou acertando quantos eram possíveis. De onde estavam, tinham uma ótima visão do perímetro para acertar os alvos. Porém, o que Harry não contava era encontrar com uma dúzia deles vindo da floresta. Bem a tempo de um dos feitiços acertar sua cabeça, jogou-se no chão, rolando pela terra úmida.

-Jared! –gritou. –Na floresta! – avisou quando se viu um pouco distante de todos. Apesar de tudo, a floresta era um ótimo lugar para driblar os feitiços que vinham em sua direção e ter tempo de analisar sua origem. Harry olhou para os lados, alguns de seus colegas haviam caído. E ele preferia pensar que estavam apenas desmaiados.

Há poucos metros uma árvore foi derrubada. Harry se ergueu duelando com dois ao mesmo tempo. Nocauteou-os em poucos minutos, afinal, eles não pareciam ser tão bons em duelos.

Respirou fundo tentando se localizar. Estava mais para dentro da floresta do que na clareira, e agora havia realmente se separado de seu grupo. Isso não era bom. Correu de volta para a clareira, tomando cuidado. Mas percebeu que ali não havia mais perigo.

Quando chegou à divisa, Harry viu o esforço dos aurores em manter os grupos fechados de forma a intimidar seus atacantes. Mas isso parecia não está fazendo muito efeito. Eles não temiam coisa alguma.

De repente, Harry escutou passos atrás de si, ergueu a varinha e relaxou quando viu que era Jared com mais cinco aurores.

-Jared, precisamos fechar o cerco, prendendo eles no centro da clareira, sem dar chance de alcançar algum perímetro na floresta que consigam desaparatar. E o principal objetivo agora é desarma-los. Isso aqui precisa terminar o mais rápido possível!

-Acho melhor chamar o reforço. –Jared opinou.

-Faça isso e o mais rápido possível! Leve-os com você.

-Mas e você?

-Não se preocupe comigo. Eu preciso achar o Rony. Vão!

Jared não argumentou mais, saiu em disparada para passar as novas coordenadas.

Sem pensar duas vezes, Harry atravessou a linha de frente, com varinha em punho, deferindo feitiços para tudo o que era lado, desarmando e imobilizando quantos possíveis. Encontrou um grupo em dificuldade e se juntou a eles.

-Atrás de você! –Harry gritou, mas já era tarde. A colega caiu desacordada no chão. E novamente ele estava sozinho. Olhou ao redor, três homens se aproximavam. Os três proferiram um feitiço ao mesmo tempo, Harry se jogou ao chão, rolando o corpo. Um segundo depois, levantou-se tão rápido que os três ficaram confusos e não conseguiram se desviar do feitiço de Harry, que os derrubou.

Harry se levantou com dificuldade e foi até a colega caída. Era Hanna. Por sorte estava apenas desmaiada. Olhou ao redor e então ele o viu.

-Rony! –gritou.

O ruivo se virou e correu mancando até ele.

-Me ajude a levá-la para aquela árvore. –Harry falou sem mais explicações.

Deitaram a colega com cuidado e se olharam ofegantes.

-Tudo bem? –Harry perguntou.

-Tudo. Só vamos acabar logo com isso.

Harry não precisava falar nada e muito menos perguntar. Sabia que aquilo estava sendo extremamente pessoal e exaustivo para Rony. Despois teriam muito tempo para conversar. Sendo assim, a única coisa sobre a qual falaram naqueles curtos minutos foi sobre as novas táticas. Momentos depois viram o reforço chegar fazendo o cerco, de forma que os atacantes ou partiam para cima ou recuavam.

Em seguida, Harry e Rony junto com outros, estão dos lados direito e esquerdo também fechando o cerco, infiltrados diretamente na linha de frente. Mas o que não esperavam era que os atacantes fossem usar de outra estratégia. Pedras enormes começaram a voar para todos os lados e depois explodir nas cabeças de todos, fazendo voar pedaços para todos os lados, pegando todos de surpresa e fazendo com que os cercos fossem quase totalmente desfeitos.

E foi uma dessas explosões que assustou Rony e Harry. Ambos lutavam lado a lado, quando uma dessas pedras voou e explodiu próximo a eles os fazendo voar pelos ares.

Rony sentiu o baque com o chão e seu corpo inteiro retesou de dor. Provavelmente algumas costelas estavam quebradas. Ergueu a cabeça, meio atordoado, e fez um esforço para ficar de joelhos, ignorando as dores. Olhou para os lados e viu Harry, há metros de distância, ainda caído. Há alguns centímetros viu sua varinha jogada. Mas foi outra coisa que chamou sua atenção: dois pés, num caminhar extremamente calmo. Rony ergueu os olhos e o que sentiu foi ódio. Aquele sorriso, ele nunca iria esquecer aquele sorriso.

-Você. –falou com a voz trêmula.

-Veio morrer exatamente como a sua filhinha, Weasley? –perguntou e riu.

Tudo o que Rony precisava era de apenas alguns segundos, apenas alguns segundos para recuperar sua varinha. Ele olhou na direção do objeto e então ele viu Harry de joelhos no chão terroso, e seu olhar desesperado. Rony sorriu triste, mas só queria o tranquilizar, dizer que tudo ficaria bem. Segurou o ar e num movimento rápido pegou sua varinha e a ergueu no ar ao mesmo tempo em que seu corpo congelava. Tudo o que viu foi o sorriso de Hermione e depois escuridão.


Harry sentiu seu corpo ser jogado no ar enquanto várias coisas duras batiam de encontro a ele. Caiu com um baque tão forte que sentiu gosto de sangue na boca. A respiração estava pesada e seu ombro esquerdo latejava tanto, que Harry temia que ele não estivesse mais ali. E as dores no corpo, ele não conseguia descrevê-las. De onde tinha vindo aquela explosão? Tentou erguer-se uma, duas vezes não deu. Na terceira forçou-se, engolindo o gemido e ficou de joelhos. Olhou para a esquerda e viu uma pedra enorme voar e por pouco não explodir em cima de vários colegas de trabalho. Ajeitou os óculos, sentindo o olho direito inchar e se deu conta que Rony não estava ao seu lado e muito menos a sua varinha. Caçou-os com os olhos, mas não conseguia ver sua varinha com a escuridão e o chão terroso, e o inchaço fazia tudo ficar pior. Foi quando viu Rony há metros de distância. O viu olhando para algo no chão, provavelmente a varinha e de repente lá estava, a ameaça iminente sobre o amigo desarmado. Harry sentiu seu coração disparar dentro do peito e seus olhos se arregalaram de total terror.

E por um segundo tudo parou. Não tinha barulho, não tinha gritos, não havia dor, eram apenas ele e Rony há metros de distância. O ruivo sorriu, um sorriso triste, mas ainda sim um sorriso como se dissesse: "Tudo vai ficar bem, tudo vai terminar bem, não se preocupe, Harry". Harry podia ouvir a voz do amigo na sua cabeça proferindo aquelas palavras. Seus olhos azuis brilhavam, e Harry não sabia como conseguia distinguir aquele brilho em tamanha escuridão. E então, Harry viu sua mão se erguer ao mesmo tempo em que um raio verde o atingia no peito.

-RONY! –Harry berrou, sentindo tudo a sua volta voltar ao normal. –Cadê a minha varinha? CADÊ A MINHA VARINHA? –repetiu aos gritos revirando a terra com as mãos e se arrastando no chão terroso. Quando a achou, tentou se erguer, mas percebeu que sua perna esquerda estava com um corte profundo. Tentou mais uma vez, engoliu o gemido de dor e correu como pôde.

-Rony... –chamou, agachando ao lado do amigo. – fala comigo. Acorda, por favor. –pediu com a voz embargada, o sacudindo. Ele estava delirando, estava delirando. Rony iria acordar a qualquer momento.

-Ele... es... está...mor...mor...morto!

Harry ouviu alguém falando atrás de si e depois uma risada sufocada. Olhou para trás e mesmo com o sangue escorrendo pela sua boca sem cessar, Harry o reconheceu. Aquele sorriso, aquele olhar.

-Você também está. –Harry falou e viu os olhos do homem se arregalarem de puro terror com a realidade. Seus lábios se abriram num grito mudo, caindo no chão, sufocando em sua própria loucura e sangue.

Harry se virou e deixou-se desabar sobre o corpo do amigo.

Rony está morto. Rony está morto.

N/A: Oii, meu povo!

Mais um capítulo, bem forte por sinal, mas espero que gostem!

Muito obrigada pelos coments, por acompanharem a fic, por lerem!

Grandeee beijo!