21º Capítulo

Má notícia

Fazia três dias que não a via. Para Harry, depois de tudo o que acontecera, parecia ter passado uma eternidade. E novamente lá estava ele na porta de Hermione. Ele tentara se preparar para aquele momento, queria até adia-lo, mas não podia. Mais cedo ou mais tarde ela iria saber.

Ficou por instante ali, lembrando-se da visita que fizera minutos antes, a Marre e Paul, pais de Hermione. O choque que levaram quando souberam da morte de Rony foi realmente grande e não tinha como ser diferente. Eles o amavam como um filho. E depois de descobrir toda a verdade por trás daquela separação, lamentaram dolorosamente seu fim trágico.

Harry não conseguiu esconder o estado deplorável da saúde de Hermione o que levou Marre ao desespero. Eles desejavam com todas as forças vê-la e Harry se viu completamente sem palavras quando ambos pediram para que os levassem até ela. O que fazer? Estava totalmente desarmado e foram necessários vários minutos para convencê-los de que era melhor preparar Hermione para a visita. Ele não gostava disso, muito menos aqueles pais desesperados.

Quando falou que estava a caminho da casa de Hermione para lhe contar da morte de Rony, Marre praticamente implorou para que não fizesse isso. "E se isso piorar seu estado? E se ela cometer uma loucura?" foi o seu argumento. Mas não tinha como Harry esconder, tinha? E se ela quisesse vê-lo, falar com ele? Como ele resolveria a situação? E além de tudo, estava cansado daquele jogo, faria o que tinha que ser feito, sem mentiras, sem fugir. Apenas a verdade.

Harry respirou fundo e bateu na porta. Tayla o recebeu, mas ela não tinha sua alegria de sempre. Harry havia esquecido completamente de que antes da Elfa trabalhar em sua casa, ela trabalhava para Hermione e Rony. Estava tão acostumado com ela quase todos os dias em sua casa que não se deu conta que, passar aqueles dias com Hermione, naquele estado, não tivesse sido uma boa ideia. Mas o que mais ele podia ter feito?

-O que foi, Tayla?

-Tayla está triste. Tayla não está reclamando, não mesmo. Tayla gostou de rever a antiga senhora, tinha muita saudade. Antiga senhora fez tanto por Tayla. Mas Tayla está triste porque Senhora também está triste e doente. –falou com lágrimas em seus enormes olhos.

-Eu sei, Tayla. –falou solidário. –Eu também fico muito triste. –Por que não vai pra casa, descanse um pouco, ok? Eu fico de olho na Hermione.

Tayla relutou durante um bom tempo querendo ficar com Hermione. Mas Harry a convenceu, dizendo que Gina precisava dela, mas logo se arrependeu. Tayla se sentiu culpada por ter largado Gina de lado e saiu chorando.

-Eu e minha boca... –falou consigo mesmo e saiu à procura de Hermione.

Abriu a porta do quarto aos poucos e viu que ela dormia. Não querendo acordá-la, voltou para a cozinha e preparou um lanche, com certa dificuldade. Seu ombro, que ainda não havia curado, e com o esforço que fizera, piorou e precisou ser imobilizado novamente. Depois de meia hora, terminou de fazer o lanche, colocou tudo numa bandeja e voltou para o quarto. Deixou na mesinha ao lado da cama e sentou-se numa cadeira ao canto.

Harry tentava de várias formas elaborar a melhor maneira para contar tudo a Hermione, mas quanto mais ele pensava, mais ficava frustrado. Cansado disso, desviou de pensamentos imaginando o que seria a doença de Hermione. Para deixá-la tão debilitada não devia ser algo simples, para seu desespero. Marre dissera tempos atrás que ela precisava tomar seus remédios, remédios trouxas, mas aquilo era estranho. Ele não vira mais nenhum pela casa. Hermione não seria tão negligente e parar o tratamento do nada, seria? A situação era tão confusa e tão deprimente que não sabia o que pensar.

Harry não sabia quanto tempo havia passado, mas a noite já estava caindo. Hermione se mexeu na cama e abriu os olhos. Ele lhe sorriu.

-Harry. –falou com a voz baixa. –Há quanto tempo está ai?

-Algumas horas, eu acho.

-Devia ter me acordado. –falou se ajeitando na cama.

-Você parecia estar precisando dormir.

Então Hermione parou e o observou atentamente. Seu hematoma no olho ainda estava bem nítido, o braço apoiado na faixa e alguns dos ferimentos mais leves que ainda eram perceptíveis.

-O que aconteceu? – perguntou sem ar, mas dessa vez de preocupação.

-Trabalho. Não se preocupe, está tudo bem. –falou engolindo em seco.

-Tem certeza?

-Claro que sim! –riu de leve. –E não vim para falar de mim. Coma, eu fiz para você.

-Não precisava. –falou mordendo um pedaço bem pequeno do sanduiche.

-Como você está? – pelo que ele podia ver, ela não mudara nada desde a última vez que a vira.

-Consegui comer alguma coisa ontem.

-Ontem? – perguntou assustado. Ela assentiu. –Certo. – falou e dessa vez não iria forçar a nada. – Eu passei nos seus pais antes de vir aqui.

-E está tudo bem? –perguntou com a voz trêmula.

-Não, não está tudo bem. Você sabe que não. Me dói ter que olhar para eles e saber que tudo o que eles querem é apenas ver você, te abraçar e eu simplesmente aceito negar isso para eles. Eles nem ao menos sabem qual é o seu problema de saúde. Imagine o quão angustiante isso é, Mione! Ainda dá tempo de voltar atrás, você sabe.

-Eu estou tão confusa, Harry! Eu não sei o que fazer! Eu não quero machucar ninguém. Me afastei justamente por isso, mas olha o que esse afastamento está causando!

-É só fazer a coisa certa. –suspirou e se calou por um tempo. – Eu preciso ser sincero com você, eu acho que eu não tenho mais forças para implorar que vá ao hospital. Você nem ao menos me conta o que tem!

-Eu sei. –falou largando o sanduíche que mal comera, sentindo seus olhos arderem. –Você está cansado, eu vejo isso em você, Harry. E peço perdão por jogar todo esse peso nas suas costas.

-Você não jogou nada, eu só quero que você veja alguma perspectiva.

-Eu preciso ver o Rony. –soltou de repente. Harry arregalou os olhos sentindo seu coração disparar. –Eu tenho pensado nisso desde que você saiu. Tenho medo, mas eu preciso falar com ele. Essa é a primeira coisa que eu preciso fazer.

-Hermione... –falou passando a mão pelo rosto. Estava prestes a soltar uma bomba e sabe-se lá como ela iria reagir.

-O que foi? O que está acontecendo? Parece que você quer me dizer algo, mas está adiando. Você já falou com Rony, ele não quer me ver, é isso? –falou começando a sentir sua respiração ficar alterada. Harry a olhou, penalizado. Meu Deus, o que será dela depois que souber?!

-Pode dizer, eu aguento, seja o que for. –Hermione falou convicta. Harry riu.

-Você não faz a mínima ideia, Hermione. E eu sinto, sinto de verdade que isso tenha acontecido agora e desse jeito.

Hermione o olhou, confusa, e ele não esperou mais.

-Tem algumas coisas sobre o Rony que você não sabe.

- Como o que?

-Eu omiti algumas coisas. O Rony não só mudou, ele dedicou cada dia de sua vida, cada minuto para achar os assassinos de Rose. Isso se tornou uma obsessão, era só nisso que ele pensava e foi um dos motivos pelo qual ele se afastou de todos.

Hermione permaneceu em silêncio sentindo o reflexo de suas ações virem à tona. Rony se tornara um caçador obsessivo por sua causa. Até onde seu erro iria chegar?

-Essa mesma gangue foi associada a vários outros sequestros, assassinatos e ataques o que deixava, percebia eu, Rony cada vez mais desesperado para dar um basta nisso tudo. Essa foi a vida dele, Mione, caçar. Foram longos anos, mas ele não parou, até que conseguiu achar.

-Conseguiu? –perguntou num fio de voz.

-Sim. E veja bem, ele fazia tudo por conta própria no início. Ele começou essa caçada em total silêncio, mas eu sabia o que ele estava fazendo. Isso era bastante nítido tanto para mim quanto para a família toda. Mas depois de muito tempo, quando ele percebeu que estava fora de controle, e apareceram muitas semelhanças, relatos similares e que chegamos à conclusão de que estávamos lidando com profissionais, ele reuniu um grupo e ai começou o trabalho com a ajuda do Ministério. Então, diante da situação, ele ficou com o comando da ação, estava à frente de tudo, ou seja, mantinha tudo muito bem arquitetado e escondido... de mim, é claro. Ele tinha medo que eu fosse interferir. Tanto que ele só recrutou seus antigos alunos, de forma que podia confiar na confidencialidade de cada um. Mas uma hora tudo veio à tona e eu não podia fazer mais nada. Eu acompanhei cada caso envolvendo aquela gangue em específico. Sabia com quem estava lidando e Rony também sabia. E foi ele quem arquitetou tudo, foi ele quem os achou, que dedicou cada segundo para isso e dar um basta nesse terror. E então eu te pergunto, como para-lo na hora da ação, na hora da finalização?

Hermione não respondeu. Estava assustada.

-Então não foi só Rose nas mãos deles. Nós não fomos os primeiros nem os últimos.

-Não. Eles agiam aterrorizando seja quem quer que fosse, de forma que lhes rendessem algum lucro, vantagens ou até mesmo por pura diversão.

-Eu pensei...

-Que era por conta do nosso passado? Acredite, foi a primeira coisa que eu pensei e o Rony também. Talvez o nosso nome tenha ajudado para isso, mas não diretamente.

-Lembra quando tentaram entrar na sua casa quando você ainda era solteiro?

-Pois é... segurança nunca é demais.

-Então é por isso que você está assim. Você saiu apressado aquele dia! –falou ligando os pontos.

-Sim. Na verdade a abordagem seria a noite, mas aconteceu um imprevisto e tive que ir mais cedo.

-E por que está me falando tudo isso agora? –jogou as cobertas de lado se aproximando de Harry. Ele por sua vez, se levantou e saiu mancando pelo quarto.

-Era um grupo grande... –Harry começou a contar todo o ocorrido resumidamente. Quando chegou ao momento específico, silenciou-se.

-Nesse momento... – continuou após uma longa pausa. -... ele perdeu a varinha e então foi pego desprevenido... –terminou com sua voz morrendo ao final.

Hermione engatinhou pela cama, sentindo seus olhos banhados de lágrimas.

-Ele está... ferido? É isso? –perguntou com dificuldade não querendo acreditar no pior.

-Mione...

-DIZ! –gritou com todas as suas forças.

-Rony morreu naquele momento.

Hermione sentiu seu peito arder e o ar faltar.

-Como? –perguntou confusa.

-Foi isso que você ouviu. –falou sem olhá-la.

-Não... não... – falou e soluçou alto, agarrando a colcha com força. Ergueu os olhos cheios de raiva. – Foi ele, não foi? O mesmo que matou Rose.

-Foi. –respondeu sem hesitar. –Rony o matou.

-Rony morreu. Rony morreu. –sussurrou tentando digerir a ideia e seu corpo inteiro começou a estremecer com o choro. Harry esperou vários minutos, mas Hermione continuava perdida em seus pensamentos, chorando incessantemente.

-Mione...

-Me deixa, Harry.

-Mione, por favor. –falou cansado.

-Vai embora! –gritou. –Vai embora! Não quero você aqui, nem ninguém! –explodiu.

Harry não se moveu. Hermione, num ato de pura raiva, pegou o abajur ao lado da cama e o tacou bem na cabeça de Harry que se desviou. Ele não aguentou mais.

-Você é uma idiota e eu estou farto de você! –praticamente gritou. –Quer ficar se apiedando de você mesma? Pois saiba que isso não adianta de nada! As pessoas se preocupam com você, o Rony se preocupava com você! E o que você faz? Morre? Patético! Eu o vi morrer! Ele morreu na minha frente e não vou ficar aqui para assistir o mesmo acontecer com você! Ele te amava, e é assim que você retribuiu!

-E o que você faz aqui, então? Eu não preciso de você! –gritou com a face vermelha ficando de pé, sem equilíbrio algum.

-Ótimo! –falou chateado, mas sentindo uma raiva enorme. –Fique com sua autopiedade. – falou e saiu o mais rápido que pôde.

Hermione deixou-se cair no chão, esgotada. Não conseguia respirar direito. Mas isso não importava. Rony estava morto, não existia mais naquele mundo. Nunca teria a chance de ouvir de sua boca que ele não merecera o tratamento que lhe dera. Nunca ouviria seu pedido de perdão e nunca teria a chance de dizer que ele fora muito mais forte que ela, que não havia palavras para recuperar todo o mal que havia lhe feito. Estava tudo acabado, tudo acabado.


Harry entrou sem maiores dificuldades na casa. Quando fechou a porta atrás de si, percebeu que continuava a mesma desde quando viera ali pela última vez: escura e com poucos móveis. Seguiu para a sala que fora o refúgio de Rony nos últimos anos. Não podia ir para casa agora. Precisava de um alento e talvez aquele lugar pudesse lhe proporcionar tal sensação.

O resto da casa estava exatamente do mesmo jeito. Era como se ele ainda estivesse ali. Na verdade Harry não sabia por que não viera antes à casa do amigo, mas agora que estava ali sentia a presença de Rony tão real que o fazia sentir-se angustiado e amparado ao mesmo tempo.

Harry sentou-se a sua mesa e viu vários pergaminhos espalhados, mas um deles chamou sua atenção. Bem em cima de toda aquela bagunça, viu um deles escrito com a caligrafia de Rony, "Para Harry Potter", amarrado a um livro.

Pegou sentindo um calafrio. Rony lhe deixara uma carta. Como, se tudo foi um acaso? Ficou um longo tempo olhando para o pergaminho e decidiu abri-lo.


Quando Harry chegou a casa, já era noite. Não querendo acordar Gina, ficou na sala. Ainda se sentia irritado com Hermione e surpreso com as palavras de Rony. Andava de um lado para o outro, fazendo sua mente trabalhar. De repente parou, passou as mãos pelos cabelos sentindo um arrependimento enorme. Tirou a faixa do braço, completamente irritado, a jogando longe, e sentou-se no sofá, atordoado.

-Harry? –Gina chamou da escada.

Harry ergueu a cabeça e limpou o rosto.

-Oi. –falou tentando sorrir.

-O que aconteceu? –perguntou com a voz baixa. Seus olhos estavam fundos e mantinha aquela mesma expressão triste.

-Não é nada. Está tudo...ok. – tentou parecer natural.

-Não, não está. Você não precisa esconder as coisas de mim. –falou terminando de descer as escadas.

-Eu não estou escondendo nada. Não é nada mesmo.

-Tudo bem. –falou um pouco seca e retornou para o quarto.

-Gina. – murmurou e seguiu atrás dela. – Eu só não quero te preocupar a toa. Será que pode entender isso? –falou quando chegou ao quarto.

-Tudo bem, Harry. Faça o que achar melhor. Se quiser ficar se matando para resolver a vida dos outros, que fique. Eu já cansei de tentar abrir seus olhos. –falou sincera. – E te digo outra coisa, apenas Hermione pode fazer algo por si própria. Ela está precisando de ajuda, mas não quer ser ajudada. E pelo jeito, o dia hoje foi pior do que o esperado. O poder está nas mãos dela, não nas suas.

Harry ficou sem falas e saiu do quarto indo ao encontro dos filhos. Seria o momento de mostrar a carta? Ele não sabia.

Gina jogou-se na cama sentindo-se derrotada. Achava que o tempo iria lhe ajudar a superar aquela falta, aquela dor que consumia cada pedacinho de sua essência, mas era ao contrário, sentia as coisas piorarem. E assistir Harry esconder e tentar resolver tudo ao redor, aflorava uma raiva que não lhe era comum.

Levantou-se e abriu o guarda-roupa. Abriu uma parte falsa e lá viu o pacote. Abriu-o e pegou a camisa manchada de Rony. Cheirando, viu que ainda tinha seu perfume natural. Era como se ele estivesse ali ao seu lado. Olhando para a camisa, percebeu que isso era tortura. Guardou tudo no lugar e seguiu os caminhos de Harry, sem se esquecer de limpar o rosto e colocar um sorriso nos lábios para os filhos.


Desde que Harry fora embora estava no mesmo canto do quarto, sentada no chão. Hora deitava, hora sentava em total desespero, sem forças para se levantar. Por vários momentos tentou imaginar um conversa, um pedido de perdão a Rony que nunca aconteceria e isso apenas a fazia chorar ainda mais.

Sentia-se mais perdida do que nunca. Era como se ela própria tivesse erguido sua varinha e deferido um feitiço no peito de Rony. Talvez se tivesse permanecido ao seu lado nada daquilo teria acontecido.

E agora, pior que antes, estava totalmente sozinha. As palavras de Harry ressoavam em sua cabeça. Ele dissera toda a verdade sobre ela. A pura e dolorosa verdade.

-Ele não vai voltar. –sussurrou.

Talvez isso fosse bom. Não queria continuar sendo um peso para ninguém. Não queria envolver as pessoas, ainda mais fundo, em sua história. Arranjara uma enorme catástrofe ao seu redor, afundando-as junto consigo e agora não tinha solução para o problema. E muito menos sabia se havia alguma solução.

E para sua surpresa, uma coruja entrou pela janela do quarto e parou ao seu lado. Desamarrou o embrulho de sua pata e leu o pequeno pedaço de pergaminho.

"Hermione, eu sinto muito por tudo o que disse". Eu apenas quero vê-la bem. Preciso muito que leia essa carta e esse caderno.

Com carinho,

Harry."

Hermione sorriu. Estava totalmente enganada. Harry sempre estaria ao seu lado. Abriu a segunda carta e começou a ler. Quando terminou, sentiu seu coração disparar no peito e uma emoção tão grande que não havia palavras para explicar. Ela não merecia nada do que estava escrito ali, nem uma única letra. Pegou o caderno com as mãos trêmulas e a noite seguiu sem que largasse aquelas palavras.

O dia amanheceu quando Hermione terminou de ler. Seus olhos estavam cansados e ela os ergueu em direção ao sol que entrava pela janela do quarto. Aquele brilho lhe fez recordar um sorriso, um sorriso tão inocente, vítima de suas decisões precipitadas e totalmente irresponsáveis. E tudo o que ela podia sentir naquele momento era vida. Era o desejo da vida lhe soprando através de todas aquelas palavras que lera, através daquele brilho do sol, e principalmente, daquele sorriso que ofuscava sua visão, que estava enraizado em sua mente.

Não podia ficar ali, estagnada, sem fazer nada. Com esse pensamento, respirou fundo e tentou se levantar, mas não conseguiu. Apoiou-se na cama e com muita dificuldade pôs-se de pé. Esperou alguns segundos, para que a tontura passasse, e caminhou até o banheiro. Tomou uma ducha rápida e arrumou os cabelos como pôde. Vestiu a primeira roupa que encontrou e seguiu para a sala. Sentou-se no sofá para recuperar as forças, totalmente exausta.

Levantou-se, após alguns minutos, pegou sua varinha e desaparatou torcendo para que se lembrasse de como fazer e que não estrunchasse no meio do caminho.


Duas horas havia passado. Hermione retornou a casa totalmente aflita. Seus pés não respondiam aos seus comandos. Sua cabeça latejava e ela chorava sem perceber. Andava pela sala completamente atordoada, procurando algo, mas suas mãos apenas esbarravam nas coisas, sem saber realmente o que procurar.

Soltou um soluço alto olhando de um lado para outro tentando afastar as mexas de cabelo que lhe caiam pelo rosto. Olhou para a bancada da cozinha e viu um bloco de papel e um lápis. Correu tropeçando até lá e os pegou com as mãos trêmulas. Escorregou até o chão e ali ficou.


Harry estava agitado e pensativo. As coisas no Ministério não estavam fáceis, Hermione não dera uma única palavra após sua carta e Gina...os Weasley. Vê-los era quase uma tortura. Principalmente Gina. Não sabia como fazê-la se sentir bem, não sabia o que fazer por ela, então optou por dar o tempo que ela precisava.

Gina, por sua vez, sabia que não estava em seus melhores tempos. Mas era algo que não tinha controle, estava muito além do seu domínio. Mas ela via o quanto Harry se preocupava e não apenas com ela. Hermione parecia estar fazendo algo que realmente estava tirando Harry do sério, mas ele não falava sobre o assunto e Gina também não perguntava. Após a pequena discussão o assunto morrera entre os dois. E não fora apenas isso que morrera, as coisas estavam simplesmente morrendo. As conversas, o tempo juntos, até os abraços. Gina não se lembrava de quando beijara Harry pela última vez. Não que tivesse com a libido em alta, na verdade isso nem passava por sua cabeça. Mas sentia falta de Harry, sentia falta de seu abraço, de seu carinho e não sabia dizer o porquê de estarem tão distantes. E além de tudo, estava realmente preocupada com Harry. Não sabia até onde ele iria aguentar.

-Você está bem? – Harry perguntou após a observar por alguns minutos.

-Sim. –falou acordando de seu devaneio. –Harry... –sussurrou. Ele esperou. – Eu estou com medo.

Harry levantou da mesa e foi até o sofá onde ela estava.

-Medo de que? – perguntou preocupado. Gina fechou o livro, do qual lera a mesma frase dez vezes e suspirou.

-Medo por você. Você acha que eu não vejo, mas eu vejo. Você esconde coisas, eu sei que Hermione esconde algo e que você descobriu. Você está tão envolvido nisso que precisa de alguma forma achar uma solução! Você assiste e suporta, como se fosse a pessoa mais forte do mundo, ao sofrimento dos pais dela, o dela, enquanto você mesmo não dá um tempo para si! Você foi ver o Rony no St. Mungus, e não ia me contar se eu não tivesse perguntado. Trouxe as coisas dele e eu nem sabia. Você sofre calado por ele. E eu não entendo o porquê. Acha que não tem o direito de sofrer por ele? Você acha que alguém te culpa pela morte dele? Acredita que realmente tem culpa por ele ter morrido? –desabafou.

Harry estava atônito com tudo o que Gina dissera e ficou em silêncio sem saber o que dizer. O fato era que não tinha nada a dizer. Ela fora sincera e suas palavras diziam apenas a verdade.

-Você vai se machucar mais, Harry. –falou com a voz embargada. – E quando isso acontecer você vai perceber, finalmente, que nada dependia de você. – se levantou e seguiu para quarto. Sabia que suas palavras foram duras. Duras até demais. Ela própria estava tentando ajudar o homem da sua vida a abrir os olhos, dar um passo para trás e respirar fundo. Isso porque não queria vê-lo se machucar ainda mais. Mas agora já era tarde, Harry não iria desistir de nada, não após a morte de Rony. Ele faria de tudo para que Hermione ficasse bem.


Harry levantou cedo no dia seguinte, antes do seu horário costumeiro de ir para o trabalho. Estava decido a dar um fim naquela história. Nem ao menos se importou em tomar café.

Estava terminando de se arrumar e Gina acordou. Harry se virou e deitou ao seu lado na cama.

-Eu vou ver Hermione. –falou enquanto alisava seu rosto.

-Harry...

-Não se preocupe, hoje tudo se resolve. Ela querendo ou não. –beijou-a nos lábios, deixando-a surpresa. –Eu te amo, ruiva. –falou sério.

-Eu também te amo. Muito. –o abraçou forte, saudosa.


Poucos minutos depois já estava na porta da amiga. Antes de sair de casa, mandou uma coruja para seus pais com o endereço e um pequeno mapa explicativo. Não ia mais jogar o jogo de Hermione.

Logo quando bateu na porta ela se abriu sem nenhum esforço. Harry franziu a testa. Sacou a varinha, por precaução, e entrou na casa.

-Mione? – chamou fechando a porta atrás de si. Não recebeu nenhuma resposta e foi até a sala. –Mione? –chamou mais alto e nada.

De repente, ouviu um barulho na cozinha e foi até lá. Quando chegou, seus olhos não podiam acreditar no que viam.

N/A: Olá, meu povo!

Mais um capítulo! Tirei um tempinho para respirar, mas voltei!

Espero que gostem, apesar de tudo...

Beijossss