22º Capítulo
Não faça isso...
Harry sentiu seu corpo paralisar diante à cena. Hermione estava caída ao chão, muito pálida. Sua respiração era fraca e, apesar de estar de olhos fechados, sabia que ela estava consciente, pois seus pés se movimentavam numa tentativa débil em tentar se levantar.
-Hermione! –falou alarmado, correndo ao seu encontro.
Sentou-se ao chão e pousou sua cabeça em seu colo. Imediatamente, Harry viu as manchas de sangue em seus lábios, mãos e blusa. Sentiu seu coração acelerar em total desespero.
-Mione, sou eu, Harry. –falou com a voz trêmula.
Hermione sorriu e abriu os olhos.
-Me desculpe, Harry. –sua voz era quase um sussurro. Parecia fazer muito esforço para falar.
-Não, não. Não diga nada, eu vou pedir ajuda. –falou tentando pegar sua varinha, mas Hermione o impediu.
Harry a olhou entendendo seu gesto.
-Harry, eu não preciso mais de ajuda. Você sabe disso.
-Não diga isso! Você vai ficar boa, vai ficar tudo bem. –tentou sorrir, mas sentiu seus olhos inundarem de lágrimas. Estava desnorteado.
Hermione negou, tentando respirar fundo.
-Eu tentei, mas já era tarde. – falou sem conter o choro.
-Não é tarde ainda! Vamos descobrir o que você tem e vai ficar curada! –falava sem conseguir se controlar. –Eu sinto muito por tudo o que eu disse, sinto muito por tudo, mas não desiste ainda, por favor.
-Eu sinto muito. Eu não queria... –soluçou e tossiu cuspindo mais sangue.
-Não, não fala nada. –falou limpando o rosto da amiga com as mãos trêmulas.
Harry ajeitou sua cabeça por cima de sua jaqueta e levantou-se apressado. Aflito, procurou pelo Pó de Flu e logo já estava ajoelhado na lareira gritando a plenos pulmões por Gina.
FLASH BACK
"Harry, venha me ver."
H.G.
-Só isso?
Gina confirmou.
-Isso não está me cheirando bem, Harry. Mas hoje não é um bom dia. –falou pesarosa.
-Não mesmo.
...
-Se cuida. –beijou-o longamente.
-Sempre.
Harry se despediu dos meninos e desaparatou.
Gina viu Harry ir embora e ficou ali parada, totalmente preocupada. Só uma coisa poderia ter acontecido: finalmente Hermione descobriu toda a verdade. E se isso realmente aconteceu, como ela reagiria? Várias imagens começaram a passar pela cabeça da ruiva até que escutou a gritaria das crianças no jardim e foi até lá. Para sua surpresa, Rony havia acabado de chegar.
-Rony! –falou feliz, o abraçando.
-E ai? –falou um pouco tímido.
-O que faz aqui? –puxou-o para a sala.
-Nada demais. Fui à Toca e resolvi passar aqui. Na verdade era para eu estar no Ministério.
-Sei. –falou séria.
-Cadê o Harry?
-Saiu.
-Saiu? –estranhou. –Ele sempre fica em casa nesses dias.
-Chamada urgente. –sentou-se ao seu lado no sofá. Rony franziu as sobrancelhas.
-O que? Chamado urgente e ele não me falou? –começou a se alterar.
-Não é nada disso, Rony. –falou calma. – É a Mione.
Rony congelou diante esse nome.
-O Harry entregou a memória a ela, há mais de um mês, mas parece que só agora ela viu. Bom, pelo menos eu acho que é por isso que ela o chamou. Não tem outro motivo. –falou com cuidado.
Rony se levantou atordoado sentindo seu coração bater acelerado. E agora?
-É bem típico dela...adiar as coisas. Achar que apenas ela sofre. –falou com tristeza na voz.
-E conhecendo-a como conhecemos, podemos imaginar como ela vai reagir. –retrucou. Rony riu.
-O que? Agora eu vou ter que perdoa-la, é isso?
-Diga que você não a quer de volta. Diga que você não a ama, que não queria ter uma vida nova com ela, que não queria ter filhos com ela.
Rony ficou em silêncio.
-Imagina se fosse você a acusando. O que você sentiria agora? Raiva, ódio de si mesmo. Repulsa por tudo o que fez. Seu primeiro desejo seria pedir perdão, mas e a vergonha? Eu tenho certeza que ela te ama. E sei que você a ama. Uma vez você disse que vocês agora são dois estranhos, mas dois estranhos podem se apaixonar, podem se conhecer novamente.
Rony se virou para ela com os olhos brilhando e a garganta seca.
-Não é tão fácil, Gina.
-Sei que não deve ser. Ela foi estupida! Errou! Te acusou de uma coisa horrendo sem ao menos ouvi-lo. Mas e você? –questionou buscando seus olhos.
-Gina... –tentou dizer algo, mas não tinha palavras.
-Eu sei. Era entre vocês. A vida é de vocês. Mas eu estava aqui. Sua família estava aqui. Você criou uma barreira e impôs limites, como se dissesse: não se metam na minha vida! E todos nós simplesmente abaixamos a cabeça. Queríamos dar o espaço que precisava e... eu praticamente te perdi. –confidenciou.
-Você não me perdeu. Eu estou aqui, bem aqui. Eu só...
-Não é você. –completou. –Eu não fiz nada por você, Rony. Eu não derrubei a porta que você instalou, apenas deixei que ela ficasse lá, fazendo com que você se distanciasse cada vez mais. E me arrependo disso. Muito.
-Você fez tudo por mim. Você e o Harry. Vocês talvez não saibam, mas fizeram. Não se culpem por algo que eu fiz, por algo que eu escolhi.
Gina apenas acenou.
-Se ela te procurar, o que você vai fazer? –perguntou após alguns instantes de silêncio.
-Não sei.
-Pensa no que eu te disse. Todo mundo erra, Rony. –levantou-se e ficou na sua frente.
-Hoje eu não posso pensar em nada. –falou enxugando as lágrimas. –Hoje eu só penso em Rose e em justiça. Só isso.
Gina o abraçou forte.
-Por favor, se cuide. Não faça besteiras.
-Eu não vou.
-Eu te amo, Rony. Te amo tanto e tenho medo que você não saiba disso.
-É claro que eu sei. –apertou-a mais forte. -Eu também te amo. Mais do que você imagina.
FIM DO FLASH BACK
Gina tinha lágrimas nos olhos lembrando-se daquela última conversa. No final não adiantara de nada. Ele não voltou e Hermione devia estar remoendo sua culpa naquele exato momento. E ela...bom, ela não tinha mais o irmão. Não tinha mais seu abraço. Acabou.
De repente ouvi a voz de Harry gritando seu nome e se assustou.
-Harry! –Gina se agachou de frente à lareira totalmente alarmada com seus gritos.
-Gina, chame um curandeiro, alguém! –falava muito rápido. – Pelo amor de Deus, chame alguém rápido! Ela... ela... – não conseguiu proferir as palavras e respirou fundo tentando se controlar. Ergueu os olhos e viu o olhar alarmado da ruiva. Ela chorava com as mãos no rosto e as palavras ressoaram na mente de Harry: "Você vai se machucar mais, Harry". Negou com um meneio de cabeça e sumiu nas chamas, correndo de volta para Hermione.
-Eles estão vindo. –falou confiante. –Você vai ficar bem. –alisou seus cabelos.
Hermione conseguiu sorrir.
-Você fez tanto por mim. –falou com a respiração ruidosa. –Eu não queria que passasse por isso, ainda mais depois do Rony... me perdoa.
-Não fala essas coisas.
-Eu estou morrendo, Harry. –decretou fazendo Harry soluçar.
-Não.
Hermione afirmou com um aceno. Estava cansada. Agarrou o maço de papéis em sua mão e o colocou nas de Harry. Ele o agarrou já entendendo do que se tratava.
-Por favor, Mione, não faz isso comigo. Não morra aqui!
Hermione começou a chorar com intensidade o que dificultava ainda mais sua respiração.
-Obrigada por me mostrar o que Rony escreveu. –sussurrou. –Ele me amou todos esses anos, Harry. –falou emocionada.
-Sim, ele sempre te amou. –confirmou com dificuldade.
-E eu não dei nada em troca. Só sofrimento. –agarrou-se a Harry.
-Não pensa nisso agora. –pediu desconsolado.
-Cuida... dele. Diga... que... eu... o... amo. –falou pausadamente.
-Eu não vou precisar. – pousou um beijo em sua testa.
De repente, a porta se abriu e Harry escutou Marre e Paul chamando por Hermione. Quando ambos a viram caída ao chão, correram até ela, desesperados.
-Mione, minha filha. –Marre grunhiu.
-Mione! O que está acontecendo? –Paul falou de olhos arregalados.
Harry não conseguia dizer nada.
-Mãe, pai... –sua voz era quase inaudível. – me perdoa. Eu não queria... nada... disso... amo vocês.
-Nós também te amamos, meu amor. Não se preocupe, vai ficar tudo bem. –falou Marre.
Hermione ia responder, mas começou a arfar com desespero. De repente tudo se acalmou, e podia sentir uma tranquilidade cada vez maior. A agonia estava indo embora e tudo o que lhe fazia doer naquele momento era o olhar daquelas três pessoas. Queria consolá-los, mas não havia o que dizer. Talvez com a carta todos eles encontrassem algum consolo. Pensou em Rony e Rose e naquele sorriso inocente. Queria dizer que estava bem, mas sua voz não saia e então seus olhos se fecharam.
Maree agarrou-se a Paul quando viu o corpo de Hermione relaxar, chorando inconsolável.
-Por favor, aguenta mais um pouco, Mione! Não faz isso, por favor! –implorava, mas Hermione apenas fechou os olhos e Harry não podia acreditar que novamente assistia a morte de mais um amigo.
Nesse mesmo momento, Gina entrou acompanhada de Gui e uma equipe de curandeiros. Harry não os notou, apenas balançava o corpo inerte de Hermione chamando-a sem cessar.
De repente, sentiu braços o erguer e o afastar. Relutou por um tempo, até que cedeu e deixou-se levar perplexo demais para protestar. Baixou a cabeça, sem refrear seu desespero.
-Não faz isso, Mione. Não faz isso. –repetia sem parar, mas sabia que ela já não estava ali.
Esfregou o rosto tentando recuperar a sanidade e viu Gina parada a sua frente. Ela tentava se conter, mas era impossível. Meneou a cabeça negando e Harry sabia. Era o fim. Hermione se fora.
Primeiro Rony e agora Hermione. Perdera as pessoas que por um longo tempo foram as únicas em sua vida. As pessoas que lhe mostraram o mundo e que lutou ao seu lado. Assistira ambos morrer diante de seus olhos e simplesmente não pôde fazer nada. Agarrou a carta com força sentindo seu peito explodir de dor.
Gina não sabia o que fazer, ficou ali vendo Marre e Paul em total desespero, sendo afastados da filha, sem sucesso. Harry articulando palavras vazias e sem sentido. Estava de mãos atadas. Olhou para Hermione novamente e viu os curandeiros finalmente cobrirem seu corpo. Aquilo parecia um pesadelo! Sentiu Gui apertar seu ombro, num consolo silencioso. Voltou o olhar para Harry e o viu respirar fundo.
-Preciso sair daqui. –falou de repente. Levantou-se pegou a carta e o caderno de Rony e desaparatou.
Gina se abraçou ao irmão, escutando a aflição daqueles pais.
-Vai para casa. –Gui falou. –Eu fico aqui com eles. –falou abatido.
-Tem certeza? Eu posso ajudar.
-Absoluta, Gina. É melhor você ir. Percy pode me ajudar. Não se preocupe. – Ela apenas acenou e desaparatou.
Quando entrou no quarto, viu Harry sentando na beira da cama de cabeça baixa, ainda agarrando o maço de papéis. Não havia nada que pudesse fazer naquele momento para ajuda-lo. O destino fora duro com ele, fazendo seus dois melhores amigos morrerem diante de seus olhos. E talvez essas memórias fossem sempre assombra-lo.
Atravessou o quarto e pegou uma poção do sono no banheiro. Voltou e sentou-se ao seu lado. Ele parecia não nota-la ali.
-Harry... –sussurrou e ele se virou imediatamente para olha-la. –... beba. Você vai dormir sem sonhar.
Harry não hesitou. Pegou o frasco e bebeu até a última gota. Era tudo o que precisava naquele momento. Deitou-se ainda com a carta na mão e logo adormeceu.
Gina tirou seus sapatos e colocou a carta na mesinha ao lado. Tirou os próprios sapatos e deitou-se ao lado de Harry, sentindo-se esgotada. Não tinha lágrimas para chorar, estava entorpecida demais, anestesiada. Não conseguia acreditar que apenas um erro levou a esse fim.
Harry acordou agitado no dia seguinte. Gina não estava ali e o quarto estava em parcial escuridão. Já devia ser tarde, mas não se importava como isso. Era até melhor assim. Precisava realmente ficar sozinho. Olhou para a mesinha e viu a carta de Hermione. Seja lá o que ela tenha escrito, não estava preparado para saber. Tudo o que sabia era que Gina tinha razão, ele se machucou e muito.
Minutos depois, ela entrou no quarto e sentou-se ao seu lado. Ele continuou quieto, sem dizer uma única palavra.
-Quer conversar? –perguntou num fio de voz e Harry apenas acenou negando.
Gina respirou fundo, resignada.
-O enterro será amanhã. Marre e Paul concordaram que deve ser junto de Rose e Rony. –avisou. – Achamos que talvez eles quisessem assim.
-Ok. –respondeu.
-Guardei o seu almoço. Não está com fome? –tentou conversar, mas Harry se ergueu e seguiu para o banheiro.
-Depois eu como. –falou e fechou a porta. Ela por sua vez se levantou e saiu.
-Gina? –Gui chamou quando a viu parada na escada. –O que foi?
-Harry está estranho, como se tivesse se desconectado do mundo.
-Ele só precisa de um tempo. Ele estava diretamente envolvido nisso tudo e Rony e Hermione, desde os onze anos de idade, eram tudo o que ele tinha. Imagina a confusão que não deve estar a cabeça dele. Querer ajudar, finalmente esclarecer as questões e perceber que no fim, não era ele que podia fazer isso.
-Eu entendo, Gui, de verdade. Eu falei isso com ele. Eu falei que ia se machucar. Eu disse tanta coisa! Me sinto culpada.
-Gina, você já precisa lidar com tanto sentimento novo. Não inclua esse à sua lista. Não sei o que vocês conversaram, mas seja o que for, sei que você disse o que foi necessário. Harry vai voltar. Ele tem você, os meninos. Ele vai voltar, acredite. Harry não é de cair tão fácil, você sabe disso. Ele só precisa digerir tudo o que viu os amigos passarem, digerir tudo o que ele próprio viu. Aliás, todos nós precisamos de um tempo para aceitar que toda essa tragédia aconteceu. Rony e Mione se foram, deixando apenas história.
O dia chegou exatamente como no enterro de Rony, com um sol reluzente no céu. Harry ainda estava de pijamas no quarto, olhando para ele da janela. Gina já havia saído e não fizera esforço algum para se juntar a ela. Trocaram apenas algumas palavras, Harry viu os filhos e após isso ficou ali, sozinho.
Ficou parado olhando para o céu sem saber quanto tempo. Apenas repassava o final daquela trajetória e simplesmente não conseguia aceitar. Exatamente no momento em que toda a verdade fora revelada, que tinham a chance de finalmente resolver todo aquele mal entendido, eles simplesmente morreram. Era isso, morreram, sem escutar o que um tinha a dizer ao outro, sem ouvir os pedidos de desculpas, sem ter mais uma oportunidade.
Harry fechou a janela e seguiu para o banheiro. Minutos depois já estava pronto e partiu.
Quando chegou ao alto das montanhas a cerimônia já havia começado. Manteve-se mais afastado de todos, escorado em uma árvore. Viu os pais de Hermione á frente junto com Molly e Arthur. O lugar estava tão cheio quanto estivera no enterro de Rony. Mas, assim como dias atrás, próximo à finalização da cerimônia, apenas os familiares permaneceram e isso incluía todos os Weasley.
Gina sentindo um imã a puxar, virou-se para trás e viu Harry. Queria ir até ele, poder fazer algo, ou até mesmo só abraça-lo. Mas era inútil, ele estava perdido em seu próprio mundo e nem ela conseguia quebrar aquela bloqueio. Com isso, preferiu ficar onde estava e virou-se novamente para frente.
Quando viu que todos já haviam feito sua última despedida a Hermione, Harry seguiu a passos curtos até a amiga. Apesar da palidez, ela tinha a face tranquila. Ele apenas a olhou e não disse nada. Também não chorou. Alisou sua face e cabelos, beijou sua testa e se afastou vendo mais uma vez aquela pedra abraçar o corpo de um amigo.
Todos já haviam ido embora, mas Harry continuava sentado entre as lápides dos amigos e sobrinha. Estava tendo uma espécie de conversa silenciosa, tentando entender o final daquilo tudo. Muita coisa ainda estava em aberto, mas não sabia se queria realmente ir a fundo e descobrir as respostas. Depois de horas, levantou-se e seguiu de volta para casa.
Quando chegou, a casa estava completamente vazia. Gina ainda devia estar na Toca. Subiu direto para o quarto, tomo um banho curto. Jogou-se na cama, sentindo-se cansado, mas um cansaço diferente, cansaço da alma. Pegou a poção na gaveta e a bebeu, sabendo que não dormiria sem ela. Logo caiu no sono sem a interversão de sonhos.
Gina chegou à casa a noitinha. Fora um dia difícil. Marre e Paul estavam completamente arrasados e não entendiam a morte da filha. No dia anterior Gina foi acompanhada de Gui e Carlinhos até o St. Mungus conversar com a Curandeira que Hermione havia encontrado alguns dias antes de falecer. E o que descobriram deixaram todos, principalmente seus pais, totalmente atônitos e desconsolados.
Gina subiu as escadas e colocou os filhos na cama. Eles ainda estavam um pouco abatidos pela falta de Rony. Quando ela e Harry contaram a eles, da forma mais delicada possível que Rony nunca mais iria voltar, James começou a fazer várias perguntas, Alvo apenas ficou em silêncio refletindo e Lily chorava comparando o tio com as personagens dos livros que nunca mais voltavam.
Foi difícil, não apenas com eles, mas com todas as crianças da família. Mas elas se distraíam fácil e Gina ficava feliz por pelo menos eles terem momentos de alegria.
Após ver Lily adormecer, levantou-se e seguiu para o quarto. Precisava urgentemente de uma noite de sono. Abriu a porta e viu Harry deitado em sono profundo. Caminhou até ele e pegou o frasco vazio caído no chão. Harry nunca fora de ficar tomando poção para dormir e se agora ele fazia isso é por que estava realmente difícil de aguentar seja o que estivesse passando por sua cabeça. Gina sentiu seu peito se apertar, pois a cada dia que passava ambos se distanciavam mais. Ele sem querer conversar, completamente perdido em seu mundo e ela simplesmente deixava as cosias do jeito que estavam. Não tinha forças para nada. Não era mulher de deixar as coisas caminharem para o buraco, mas nesse momento ela simplesmente não conseguia fazer nada para mudar a situação.
Quando acordou no dia seguinte, percebeu que dormira demais, pois Harry não estava mais na cama. Seguiu até a escada e o escutou conversando com as crianças. Ambos não eram os mesmos como casal ou até mesmo como pessoas, mas estavam sempre lá para os filhos dando o máximo que podiam. E Gina sabia que sempre estariam, fossem quais circunstâncias estivessem inseridos. Esse fato a alegrava, pois talvez elas pudessem trazer o verdadeiro Harry de volta e também a verdadeira Gina.
-Desculpe, eu dormi demais. –falou para ele quando apareceu na cozinha. –Bom dia meus amores! –falou beijando cada um dos filhos.
-Você parecia estar precisando dormir. – falou sem muita energia. –Eu fiz o café.
Gina apenas o olhou. Apesar tudo, ele continuava a se preocupar com ela, apesar de não trocarem nenhum contato íntimo ou mesmo um abraço, um beijo. O que estava acontecendo com eles?
Assim passaram os dois dias seguintes. Gina teve muito trabalho naquele final de semana com o jornal, quase não dando tempo de ir até a Toca visitar os pais que tentavam se recuperar aos poucos da morte de Rony. Harry não saia de casa e cuidava das crianças sorrindo quando necessário, mas, na maioria das vezes, imerso naquele silêncio mórbido. Ele não lhe informara, mas Gina deduzira que ele havia tirado uns dias para ficar em casa. Eles apenas falavam o necessário, pareciam dois estranhos vivendo numa mesma casa. Dois estranhos que ainda se amavam, mas não sabiam como se comunicar. Até onde isso iria chegar?
N/A: Oláaaa, meu povo!
Sei que demorei um pouco, mas eu não tenho parado em casa e tinha quase um mês que eu não botava a mão em um pc! Foi só por isso mesmo!
Mas ai está mais um capítulo! Tensooooo...
Mas ainda tem coisas para serem explicadas e também para serem contadas! Espero que gostem! ;)
Beijossss
