25º Capítulo
Diário de Uma Paixão
Rony foi meu amigo, meu irmão desde os 11 anos de idade. Logo veio Hermione para completar o que eu, até então, podia chamar de família. Eles salvaram minha vida incontáveis vezes e estavam sempre ao meu lado, mesmo quando não estavam presente fisicamente. Foram eles que me ensinaram o que era se sentir amado, acolhido, me ensinaram o verdadeiro sentindo da palavra família.
Por um momento em minha vida eles foram tudo, tudo o que eu tinha. E tudo o que eu precisava. Com eles eu vi o mundo e descobri quem sou.
Foi com medo e alegria que assisti àquele relacionamento conturbado, de dois amigos, evoluir para o amor. Medo porque temi perder a família que me restava e alegria, pois era nítido que eles se amavam e era o destino ficarem juntos.
Os anos passaram e permanecemos exatamente como era para ser, uma família. E nunca, nunca pude imaginar que tudo terminaria assim. Meus amigos, meus irmãos se afundando no silêncio, nas más interpretações, nas desgraças das consequências de suas escolhas e então a tragédia.
Esquecê-los é impossível, pensar neles sem sentir dor também é impossível. Tento o máximo possível pensar apenas no que permanece de bom, mas confesso que não é fácil. Não é fácil por mim, por Molly, por Arthur, pela família inteira e principalmente por Hugo.
Rony e Hermione, vocês permanecem conosco dia após dia e esperamos que estejam bem, assim como nós estamos aprendendo a viver sem vocês. É o máximo que podemos fazer. Hugo é agora um jovem com seus 15 anos, um bruxo com grandes talentos. Não posso mentir, ele ainda vive com um misto de sentimentos. É difícil entender uma situação quando não somos os autores nela. Mas ele os ama apesar de tudo e ele sabe que vocês também o amavam. É por isso que ele sofre.
Espero que vocês sorriem por vê-lo crescendo e deixando a marca de vocês nesse mundo.
Com amor de seu eterno amigo
Harry Potter
Harry fechou o livro e alisou a capa. Espantou as lágrimas com a mão, sentindo um arrepio.
Depois de muitos anos e de Hugo saber toda a verdade sobre os pais, Harry terminara de cumprir o desejo de Hermione. E ali estava o livro prestes a ser publicado.
Foi uma tarefa árdua reler toda aquela história. Por vezes se irritava e pretendia desistir, mas não desistiu e ali estava o produto final. E ele se sentia exausto.
Gina o ajudara muito. Queria estar dentro daquele projeto e ler cada palavra que o irmão escrevera. Era uma forma de estar perto dele novamente. E junto com Harry discutiam sobre o que deveria entrar o que deviam ficar de fora.
Mas a parte mais difícil foi revelar toda a verdade para Hugo. Quando foi ganhando mais idade, Hugo fazia perguntas e ninguém negava as respostas sempre dizendo apenas o necessário diante das circunstâncias. E quando o dia certo chegou, eles apenas precisaram completar o que faltava. Por esse motivo, o garotinho que crescia em meio a uma vida incompleta, não se sentiu enganado, mas as feridas iam se abrindo e não havia nada que eles pudessem fazer.
Com o tempo, Hugo compreendia melhor, mas evitava o assunto, não gostava de ver as coisas que o pai havia deixado, se apegando mais as da mãe. Às vezes ambos lhe causavam revolta e ele saía pela Toca andando a esmo. Ele não se revoltava, apenas precisava pensar, precisava tentar entender. E seu amor e cuidado para com os avós maternos, que o criaram, era extremamente profundo e essencial.
E agora com seus quinze anos, todos só queriam que Hugo tivesse uma adolescência mais tranquila. Mas eles sabiam que era difícil esquecer aquilo tudo.
Harry sentiu seu coração apertar e deixou o livro de lado. Tirou os óculos e esfregou o rosto.
-Tio?
Harry ergueu a cabeça e sorriu. Hugo era alto, assim como Rony. Seu olhar era tão fascinante, igual ao do pai, que parecia ver Rony naquele mar azul. Mas o sorriso, aquele sorriso bondoso e amigável era todo de Hermione.
-Você está bem, tio? –perguntou caminhando até ele.
-Estou, sim.
-Já estão todos pronto, só falta você.
-Eu já vou descer.
Hugo beijou Harry na face e começou a se levantar, mas desistiu.
-Tio, posso perguntar uma coisa?
Harry acenou.
-Por que você esperou tanto tempo para escrever o livro? Quer dizer, publicar?
- Eu não queria fazer isso sem que você tivesse idade suficiente para pelo menos conseguir refletir sobre tudo isso. E claro, eu não podia publicar algo que envolvia você, sem que fosse o primeiro a saber. Isso era essencial.
-Entendi. –falou pensativo.
-O que foi?
-Às vezes eu fico com... raiva. Eu não sei. Eu entendo tudo o que aconteceu. Eu juro. Mas saber que meu pai sabia sobre mim e não me procurou...
-Hugo...
-Eu sei... –falou com a voz embargada. –Minha mãe fez aquilo tudo. Ela não deu chance para ele falar tudo, me escondeu dele. Mas ele sabia! Isso muda tudo, você não acha?
Harry se manteve em silêncio.
-O que você disser não vai me fazer odiar ou deixar de amar meu pai, tio. Eu só preciso que alguém converse comigo abertamente. Todo mundo só me da resposta, ninguém dá sua opinião para não me influenciar. Mas eu sei quem sou, ou o que é certo ou errado. Diz para mim, tio, você acha que esse detalhe muda tudo, não acha?
-Sim, eu acho. Rony devia ter te procurado, independente de qualquer coisa. –falou sinceramente. –Mas isso não significa que ele te amava menos. Foram as circunstâncias. O medo paralisa, Hugo. O medo te faz afastar aqueles que mais ama.
Hugo baixou a cabeça e esfregou os olhos. Era a primeira vez que alguém falava sobre o assunto daquela maneira. Ele não precisava ouvir que seu pai o amava, isso ele sabia. Ele precisava ouvir o lado obscuro, o lado que só as pessoas que conviveram com seus pais poderiam descrever. Ele sabia que seus tios Harry e Gina se seguravam para não falar demais, isso por causa dos avós. Mas agora tudo seria diferente.
-Você acha que se a minha mãe não estivesse doente, ela ia mesmo voltar para ficar comigo?
-Não tenho dúvidas. Hermione sempre cumpria as coisas que falava. Eu tenho certeza que te deixar foi uma das coisas mais difíceis que ela já fez. E se ela o fez, foi pela razão que explicou e que só ela sabia o que estava sentindo. Ela não faria algo pensando nela própria quando tinha você como prioridade. Todas as nossas ações, mesmo que erradas, tem um motivo.
-Eu tenho dúvidas. –falou envergonhado. –Minha cabeça às vezes fica uma bagunça e não sei o que pensar. Eu... tenho ciúme de Rose, porque mesmo que ela não esteja aqui, ela teve uma família, ela teve o Rony a Hermione... é muito ruim eu dizer isso?
-Você tem que ser sincero consigo mesmo para esclarecer tudo o que te confunde. Você pode sentir raiva, ciúmes, amor, pode duvidar. Isso faz parte da sua história. E nesse caso, eu acho que o tempo vai te ajudar a entender e a processar tudo isso. Mas a dor nunca vai embora, Hugo.
Hugo se jogou nos braços do tio, o abraçando forte.
-Obrigada, tio, por ser sincero comigo.
-A partir de hoje será sempre assim. Não vou mais esconder o que penso. Estarei sempre com você.
Logo, Hugo saiu e Gina entrou.
-Pronto?
-Acho que sim. E você? –se levantou e a abraçou.
-Hoje termina tudo.
Harry alisou seu rosto e sorriu fraco.
O lugar estava lotado, vários fotógrafos e repórteres.
Harry, Gina e Hugo seguiram para o pequeno palco e o silêncio se fez.
-Boa noite. Eu agradeço a todos por virem. Houve muitas especulações sobre os últimos anos de vida de Rony e Hermione e a pedido dela, essa obra traz toda uma história. Vocês podem descrevê-la como uma história trágica. Bem... é trágica. Mas eu prefiro dizer que é a história sobre duas pessoas que se amam e que cometeram erros.
O Diário de uma Paixão de Rony e Hermione. Obrigada!
O burburinho foi alto, todos queriam fazer perguntas, afinal ninguém estava esperando tal coisa. Harry puxou Gina pela mão, e Hugo os seguiu imaginando o quanto ainda tinha para desvendar, quantas dúvidas ainda restavam para esclarecer e o mais importante, se deveria deixar tudo para trás ou se deveria percorrer com sua história.
N/A: Oiiiiii, meus queridossssss!
Sei que eu sumi por anossss! Kkkkkk
Muita coisa aconteceu, mas eu não abandono o que começo! Por isso, aqui vai o último capítulo da fic, mas ainda tem o epílogo!
Espero que gostem e eu peço mil perdões pela demora, de verdade!
Daqui a pouco eu volto para postar o epílogo!
Beijo grande!
