Oi Pessoas!

Obrigada meninas, eu também senti uma baita saudade!

Beijo grande e Boa leitura.

— Merda, — me encolho, sentindo de imediato a dor da compreensão.

Eu preciso limpá-lo, mas não posso parar. Não agora. Não posso arriscar que Jacob me alcance. Porque ele virá, sem dúvida, atrás de mim. Eu pressiono minha manga contra o corte para absorver o sangue e piso com mais força no acelerador, me atirando para frente. Antes que saiba, estou na I-90 com absolutamente nenhuma ideia de onde estou indo.

Não tenho para onde ir.

Não tenho amigos a quem recorrer.

Nenhuma família.

Sou apenas eu.

Eu dirijo pela I-90 por uma quantidade indeterminada de tempo. Eu só estou olhando para frente, pé no pedal do acelerador, colocando a maior distância entre mim e Jacob que puder. Começa a chover, por isso, a visibilidade torna-se ruim, e meu olho está começando a fechar. Não está sendo fácil dirigir como estou, mas com a chuva caindo, terei que encostar. O pensamento de parar me assusta, mas no momento, não tenho escolha.

Poucos minutos depois, vejo uma placa para um posto de gasolina á um quilômetro e meio. Quando o desvio aparece, saio e sigo a estrada. Eu estaciono o meu carro no estacionamento do lado de fora do posto e do motel. Desligo o motor, verifico se minhas portas ainda estão fechadas, então examino meu olho no espelho retrovisor. Está parecendo ruim.

Eu alcanço o porta-luvas e tiro os lenços umedecidos que guardo lá. Nesse momento percebo minha bolsa jogada no assoalho do carro bem onde tinha deixado mais cedo. Alívio me preenche. Eu tenho dinheiro. De jeito nenhum posso voltar para o meu apartamento. Quando Jacob ficar entediado de me procurar, esse será o primeiro lugar que ele vai esperar. Parece que este motel vai ser a minha cama para esta noite. Eu pego minha bolsa no banco do passageiro. Os documentos sobre a minha mãe ainda estão lá. Eu toco-os suavemente com a ponta dos dedos. Meu celular começa a tocar, me fazendo pular.

Jacob.

Com os dedos trêmulos, cancelo a chamada e o desligo. Eu limpo o meu rosto com os lenços. Numa análise mais aprofundada, vejo que o corte é muito profundo. Vou precisar de um curativo. O que realmente preciso é de pontos, mas não vou me costurar agora, e ir para o Pronto Socorro está fora de questão. Eu posso viver com uma cicatriz. Não será a minha primeira. Deve haver algum curativo no kit de primeiros socorros no porta-malas do carro.

Sempre preparada.

Essa sou eu.

Eu poderia arranjar um saco de gelo. Vou ver o que o motel tem. Eu pego meus excessivamente grandes óculos de sol na minha bolsa e coloco-os para cobrir meus olhos. Não me importo que esteja chovendo. Eu penduro minha bolsa no ombro, abro a porta e entro na chuva forte. Fechando o porta-malas, fico com o kit de primeiros socorros e enfio-o na minha bolsa antes de ir para a recepção do motel.

A mulher, uma funcionária de meia-idade, mal me olha quando faz meu check-in, o que é bom porque devo estar parecendo uma completa doida de óculos escuros, com a calça encharcada e sangue em minhas roupas. Ela me dá um cartão-chave com apenas uma palavra, então agradeço a ela e vou direto para o quarto. Parando no caminho, pego uma lata de refrigerante da máquina. Vai funcionar como um saco de gelo improvisado. Eu abro a porta, e sou recebida pelo cheiro rançoso do purificador de ar. Entrando no quarto, fecho a porta atrás de mim, trancando-a. Eu tiro meus óculos de sol e coloco-os na minha bolsa, então jogo-a na cama quando me sento. O colchão é duro e desconfortável. Eu descanso a lata gelada de refrigerante contra o meu olho com uma das mãos. Com a outra, enrolo meus dedos em torno da borda da cama e pego o edredom. Então apenas deixo ir. Eu choro as lágrimas que precisava chorar a noite toda.

Eu não tenho nenhuma ideia de quanto tempo me sento aqui, chorando, mas quando finalmente as minhas lágrimas secam, vou ao banheiro e tiro a roupa. O desejo de comer e vomitar é esmagador agora, mas o medo de voltar lá fora me mantém no quarto. O medo está conduzindo cada decisão minha agora.

Eu lavo minha camisa manchada de sangue na pia e a penduro para secar sobre o toalheiro. Ligo o chuveiro quente e entro debaixo. Eu só preciso tirar o mau cheiro e a sensação de Jacob de cima de mim, então vou ficar bem.

Eu vou ficar bem.

Lágrimas picam meus olhos com a lembrança do que acabou de acontecer comigo. Um nó se aloja na garganta, furando como madeira seca. Eu inspiro profundamente para impedir que lágrimas comecem de novo enquanto pego o sabonete do hotel para me lavar. Quando me sinto tão limpa quanto o possível, pego uma toalha e enrolo o meu cabelo. Então enrolo outra toalha no meu corpo. Eu odeio que não possa escovar os dentes. Eu vou ter que comprar uma pasta e escova de dente na parte da manhã. Volto para o quarto e pego o kit de primeiros socorros na minha bolsa. Eu limpo o corte usando um antisséptico, então faço um curativo. Eu pego um par de Advil do kit e os engulo. Eu realmente não quero colocar a roupa que estava usando de volta, mas elas são tudo o que tenho para usar. Deixo minha calcinha e apenas coloco o meu sutiã de volta, enrolando a toalha em volta da minha cintura. Subindo de volta na cama, coloco minhas pernas debaixo de mim enquanto olho para minha bolsa. O contrato de "Doação de Isabella" e o endereço da minha mãe ainda estão lá. Eu não posso acreditar que ela está viva. Mais do que isso, que ela me abandonou. Simples assim. Com o pressionar de uma caneta no papel, ela não era mais a minha mãe. Como é que isso funciona mesmo? A mistura de emoções que sinto é confusa. Eu estou com raiva. Não, estou furiosa. Ela estava lá todo esse tempo, enquanto tive que suportar crescer com Charlie.

Ela me abandonou.

Ela me deixou com ele. Será que ela sabia o tipo de homem que ele realmente era? A pessoa com quem estava realmente deixando sua filha? Ela, de bom grado, simplesmente foi embora me deixando lá com aquele monstro de homem? Eu tenho que acreditar que ela não sabia, porque o pensamento de que ela sabia é muito doloroso para considerar. Eu não posso pensar nisso agora. Eu não quero pensar sobre isso. Muita coisa aconteceu comigo hoje. Eu mal posso processar tudo. Preciso dormir. Eu sufoco todos os pensamentos na minha mente, endireito uma perna, e usando meus dedos, empurro minha bolsa para o final da cama. Desligo a luz e entro debaixo das cobertas. Fechando os olhos, escuto o som do tráfego distante na interestadual, e tento focar nisso. Gostaria de saber se Jacob está procurando por mim. E se ele me achar aqui? Com esse pensamento, saio da cama, pego a cadeira pesada da mesa, e arrasto-a até a porta, apoiando-a debaixo da maçaneta. Eu devia ter escondido meu carro atrás do motel, em vez de deixá-lo lá na frente, mas não vou lá fora agora para movê-lo. Então, estou muito longe de Boston. Jacob não pensará que fui tão longe. Eu nunca deixei Boston. O pensamento me deixa triste. Eu nunca deixei Boston. Nem uma vez.

A vida que eu tinha existia dentro dos limites da cidade. Enquanto minha mãe vivia uma vida completamente diferente, sem mim.

Subindo de volta na cama, ligo a TV usando o controle remoto e foco na tela, em vez de me concentrar no que está acontecendo em minha própria mente. Dentro da minha cabeça não é um lugar que quero estar agora.

Eu desperto me sentindo desorientada. Minha cabeça está latejando, e posso ouvir a televisão ligada. Eu percebo que estou no quarto de motel que dormi na noite passada. Os acontecimentos de ontem me invadem de novo.

Jacob tentou me estuprar. Ele me agrediu sexualmente.

Minha mãe – ela está viva. Ela me abandonou. Ela me deixou com Charlie.

Meu coração e estômago começam a doer, violentamente.

Então cometo o erro de esfregar os olhos.

— Merda!

Eu pressiono minha cabeça de volta no travesseiro e domino a onda de dor e tristeza, até que tudo se instale em uma dor incômoda no meu peito. Eu não me mexo novamente até que minha bexiga cheia me obriga a sair da cama. Quando termino de usar o banheiro, verifico meu olho no espelho. Jesus, está ruim. Inchado e preto, e meu olho está injetado como o inferno. Nenhum disfarce vai esconder isso. Acho que vou usar meus óculos de sol pela próxima semana. Eu tomo um par de Advil para aliviar a dor, e volto para a cama. Descansando minhas costas contra a cabeceira da cama, começo a passar pelos canais. Estou tentando me concentrar na televisão e ignorar o ruído e as perguntas em minha mente, mas isso não está funcionando. Eu sei que preciso decidir o que diabos vou fazer. Eu não posso ficar aqui, em um quarto de motel, fora da I-90, em Deus sabe onde. Mas não posso voltar para o meu apartamento também. Ou Boston, a propósito. Jacob estará esperando por mim. Então, o que faço? Eu poderia ir para o Colorado e encontrar minha mãe. De jeito nenhum. Ela me abandonou. Ela me deixou com Charlie. Mas você não sabe as suas razões. Você sabe como Charlie era. Como ele era aterrorizante. E se ela não teve escolha a não ser ir embora? Eu bato minha cabeça contra a cabeceira da cama.

— Maldição! Não! — murmuro no silêncio.

Isto se prolonga por um tempo. Mas não importa que caminho argumente na minha cabeça, não vou descansar ou ser capaz de seguir em frente até que saiba por que ela me deixou. Isso vai me comer por dentro. Talvez encontrar minha mãe finalmente me ajude a descobrir quem sou. Dê-me um encerramento ou algo assim. E tenho tempo livre. A faculdade está em férias de verão. O tempo poderia me ajudar a descobrir o que fazer com a minha vida, e encontrá-la talvez me ajude a me encontrar. Desde que Charlie morreu, apenas continuei com a vida que ele estabeleceu para mim. Esta é a minha chance de me libertar e mudar as coisas. Eu nem sequer tenho que voltar para Boston, se não quiser. Sim, tenho o meu apartamento lá, mas isso não vai a lugar nenhum e poderia, eventualmente, vendê-lo — merda! A obra de caridade virá hoje para recolher as coisas de Charlie. Eu agarro minha bolsa e pego meu celular. Eu ligo e ignoro as notificações dos textos e mensagens de voz de Jacob. Ligo para o advogado que está lidando com a venda da casa. Correio de voz. É muito cedo para que todos possam estar no escritório. Deixo uma mensagem, explicando que tive que sair da cidade por alguns dias, e pergunto se eles podem mandar alguém para estar lá e entregar as doações. Termino a ligação e desligo meu celular. A última coisa que quero fazer é ouvir qualquer uma das palavras cruéis de Jacob. Com um plano em mãos, me visto rapidamente, encolhendo-me que tenha que usar as coisas de ontem. Eu preciso fazer uma parada e pegar algumas roupas novas e roupas íntimas.

Eu amarro meu cabelo num rabo de cavalo, coloco meus óculos de sol, e faço o check-out no motel.

No meu carro, digito 'Durango, Colorado' no GPS. Uau. Ok, então isso vai ser um inferno de uma longa viagem. Eu considero por um momento voar até o Colorado, mas então decido que não quero deixar nenhum rastro para Jacob seguir. Não que ache que os aeroportos deem esse tipo de informação, mas Jacob pode ser muito persuasivo quando quer, e só não quero arriscar deixar um caminho para ele me encontrar. Eu sei que ele vai procurar por mim. Jacob não é o tipo de cara que desiste facilmente daquilo que ele acha que pertence a ele. E ele definitivamente acredita que sou dele.

Eu volto para estrada e dirijo por algumas horas antes que precise parar para abastecer. No posto de gasolina, pergunto ao atendente se existem shoppings nas proximidades. Não há shoppings, mas ele me diz que há um Wal-Mart a poucos quilômetros de distância. Perfeito. Sigo suas instruções para o Wal-Mart. Eu pego jeans, camisetas, tops, pijamas, calcinhas, produtos de higiene pessoal e mais Advil. Eu também pego um par de sapatilhas e uma mochila. Chegando ao caixa, pago pelas minhas coisas, e converso um pouco com o atendente. Apenas quando saio da loja, sacos na mão, percebo que não peguei um secador de cabelo. Meu cabelo está um pesadelo — armado e absorvendo água como uma esponja. Ele ainda estava úmido esta manhã com a lavagem de ontem à noite.

Estou prestes a voltar para dentro, quando o salão de cabeleireiro ao lado me chama atenção. Antes mesmo de ter a chance de pensar, ando em direção a ele, então sento diante de um espelho quando uma mulher chamada Shirley pergunta o que quero fazer com meu cabelo hoje.

Eu pisco.

— Oh, uh... Meus olhos se voltam para as muitas fotos de modelos de cabelo na parede. Então percebo o que quero. Eu quero parecer diferente. — Eu quero que você corte tudo.

Acabei de dizer isso?

— Tudo? — Ela olha para mim como se eu tivesse perdido a cabeça.

Acho que perdi. Eu tenho o cabelo grande, muito longo, mas agora só quero que ele desapareça. Eu quero parecer diferente. Eu quero começar o meu novo futuro, com uma nova eu.

— Sim. Eu quero esse estilo. — Aponto para uma imagem de uma mulher com cabelo curto. Ela parece tão bonita... Tão feliz... Eu quero parecer assim.

Shirley inclina a cabeça para o lado, avaliando-me no espelho.

— Bem, você definitivamente tem a estrutura óssea para usá-lo. — Ela sorri. — Certo, vamos começar lavando seu cabelo. Dando um tempo para você mudar de ideia.

— Eu não vou mudar de ideia.

Sento-me no lavatório e deito a cabeça na pia.

— Tudo bem, você pode tirar os óculos de sol, meu bem? — Shirley pergunta. Eu congelo. Demoro um momento para reunir a coragem de levantar a minha mão e, lentamente, tirar os óculos.

Eu a ouço arfar, e sou grata que não possa ver a expressão em seu rosto.

— Desencoste-se, querida. Eu me esqueci de colocar uma toalha em seus ombros.

Eu faço o que ela pede. Shirley coloca uma toalha em volta dos meus ombros, então sinto sua mão apertar meu ombro suavemente. Isso soa como apoio.

Solidariedade.

E traz um nó na minha garganta. Talvez ela saiba como é ficar com um olho roxo. Não é a dor do lado de fora que faz o estrago; é o efeito que a contusão tem no interior que faz o pior tipo de estrago. O olho roxo se cura. A dor nunca.

— Certo, encoste, — diz Shirley. — Vamos fazer de você uma nova mulher.

Uma hora mais tarde e estou de volta ao meu carro. Minhas compras no banco de trás. A nova eu na frente. Inclino o espelho para olhar para o meu novo penteado. Minha franja cai transversalmente, cobrindo um pouco os

meus olhos, e é apenas longo suficiente para botar atrás da minha orelha, mas é curto. Eu pareço completamente diferente, assim como queria. De repente, um riso surge repentinamente. Estou rindo, e não tenho ideia do por que, então, sem aviso começo a chorar. Estou rindo e chorando. O que diabos há de errado comigo? Talvez esteja tendo algum tipo de colapso. Uma mulher passa pelo meu carro, me dando um olhar estranho, e percebo que devo parecer como uma pessoa louca, sentada aqui gargalhando e com lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Enxugo meu rosto com as mãos, ligo o meu carro, e começo a minha longa viagem para o Colorado.

É o início da noite. Dois dias e meio muito longos desde que saí do estacionamento do Wal-Mart, mas finalmente estou aqui, dirigindo pelos limites da cidade e em direção à Durango. Eu estou tensa, cansada, com fome e pra lá de mal humorada. Além de duas noites passadas em quartos de motel horríveis, tudo o que tenho feito é dirigir. Graças a Deus pelo rádio é tudo que posso dizer. Passei muito tempo dentro do meu carro - mais do que qualquer pessoa deveria. É minha culpa. Eu poderia ter demorado um pouco mais de tempo para chegar aqui, mas estava em uma missão de colocar a maior distância possível entre mim e Jacob. Eu só preciso de algo para comer, então quero deitar em uma cama confortável e dormir por uma semana, pelo menos, então vou tomar coragem e ir para este endereço que tenho de Renée Swan e descobrir se minha mãe ainda mora lá. Depois disso... Eu não tenho ideia. Estou deixando o resto com o destino.

Limitando-me à estrada principal, sigo para o centro da cidade. Eu me inclino para frente, o que alonga as minhas costas agradavelmente, e observo pelo para-brisa para dar uma olhada ao redor. É um lugar muito bonito. Pitoresco, com um aspecto caseiro. Eu posso ver por que alguém iria querer viver aqui. Por que minha mãe gostaria de viver aqui. Levantando os olhos para o horizonte, vejo como pano de fundo as montanhas. Uau. Impressionante. Encostando-me no meu assento, avisto uma lanchonete. Parece boa e limpa. Eu vou fazer uma refeição rápida aqui, em seguida, encontrar um hotel. Verifico se o caminho está livre, viro e estaciono na frente da lanchonete. Eu coloco meus óculos de sol de volta antes de sair do meu carro. Meu olho roxo ainda está visivelmente ruim.

Tranco meu carro, estico meu corpo dolorido, então vou em direção à lanchonete. Eu empurro a porta e entro. Olhando em volta, vejo que um monte de mesas já estão ocupadas, então estou rezando para que eles possam me acomodar imediatamente. Eu escaparia de comer hoje à noite, se pudesse, mas não comi muito nos últimos dias, e posso sentir o dano que isso está causando sobre o meu corpo. Uma garota se aproxima para me receber. Ela é da minha idade, mas um pouco mais alta com longos cabelos escuros lisos.

— Olá, bem-vinda ao Jo's. Eu sou Angela, e serei sua garçonete. Mesa apenas para um? — Ela pergunta, olhando atrás de mim.

— Sim. Apenas eu. — Eu sorrio sem jeito. Odeio o desconforto que vem com comer sozinha. Angela pega um cardápio do suporte da recepção, e sigo-a até uma mesa vazia na parte de trás do restaurante. Ela coloca o cardápio sobre a mesa na minha frente enquanto me sento.

— O que posso pegar para você beber? — Sua caneta fica suspensa sobre seu bloco de notas.

— Eu vou querer uma Coca Diet, por favor, — respondo, enquanto olho rapidamente o cardápio. Eu só quero fazer meu pedido para que possa comer depressa e dirigir até o hotel mais próximo. — E gostaria de pedir minha comida agora, se estiver tudo bem?

— É claro. — Ela sorri. — O que você gostaria?

— Cheeseburger e batatas fritas. — Eu nunca tive permissão para comer este tipo de alimento enquanto crescia. Charlie não permitiria isso, e é claro, Jacob tem um problema com isso. Ele diz que a visão de uma mulher comendo um hambúrguer gorduroso é

nojenta. Ou talvez apenas a visão de eu comer um é o que lhe desagrada. Este é o tipo de alimento que como em particular. E agora estou prestes a comê-lo em público.

Totalmente emocionante.

Trágico, sei, mas não deixa de ser verdade.

— Claro. — Ela leva o cardápio. — Sua comida estará pronta em dez minutos. Eu estarei de volta com sua Coca.

— Obrigada. Hum, estava pensando... se você poderia me ajudar ...

Ela me dá um olhar curioso.

Eu me curvo um pouco na minha cadeira para olhá-la.

— Eu literalmente acabei de chegar à cidade, e preciso de um lugar para ficar, então queria saber se você poderia recomendar um hotel decente?

Seus olhos me avaliam, me encarando, dos óculos de sol no meu rosto até as sapatilhas nos pés. Isso faz me sentir desconfortável e tensa. Eu coloco um sorriso no meu rosto enquanto enfio meus pés embaixo da mesa.

— Golden Oaks — diz ela, colocando o cardápio debaixo do braço. — É o melhor hotel em Durango, de longe. É só no alto das montanhas. Um pouco mais longe do que a maioria, mas vale à pena a viagem.

— Quão longe?— A última coisa que quero fazer é passar mais tempo do que o necessário no meu carro.

Percebo que ela observava minha boca, e percebo que estou puxando meu lábio com o dedo e o polegar. Eu faço isso quando estou desconfortável ou nervosa. Que é frequentemente.

Eu coloco minha mão sobre a mesa.

— São apenas uns quinze minutos dirigindo - dez, se você dirigir rápido. — Ela sorri, inclinando a cabeça para o lado.

Deixo escapar uma risadinha.

— Você tem o endereço ou o nome da rua? - Para o meu GPS, — explico.

— Claro. — Ela rabisca no bloco de notas na sua mão, então arranca o papel e entrega para mim.

— Obrigada

— Não tem problema. — Ela sorri, animadamente. — Eu vou voltar com a sua bebida.

Acabei de comer, muito possivelmente, o melhor hambúrguer da minha vida, e agora estou de volta ao meu carro, seguindo as instruções que meu GPS está me dizendo. Estou me sentindo muito orgulhosa de mim mesma. Houve um ponto no restaurante quando senti uma necessidade urgente de comer demais depois que comecei o hambúrguer – o estresse se manifestou rapidamente e tentou tomar o controle – mas me segurei e contive o impulso. Eu comi o que estava em meu prato, paguei minha conta e saí. Isso foi uma grande conquista para mim. Eu nunca comi comida assim, sem vomitar logo após.

Inclinando-me para frente, olho em volta através do para-brisa. Onde diabos estou? Tudo o que estou vendo é nada além de estrada.

E árvores. E mais estrada. Montes e montes de estrada sinuosa, indo para cima e para cima, levando-me mais para as montanhas. Eu olho para o meu GPS. Verifico o percurso. Sim, definitivamente estou no caminho certo, e de acordo com isso, devo estar lá em poucos minutos. Só que ainda não estou vendo, e já passei por dois outros hotéis em meu caminho até aqui. Estou realmente começando a me arrepender de não parar em um deles. Estou cansada de dirigir, e não quero ficar no meio do nada, mas Angela da lanchonete disse que era o melhor hotel daqui, então continuo. Poucos minutos depois, vejo um letreiro para Golden Oaks. Aleluia! Eu, na verdade, dei um mini-soco no ar, estou tão aliviada. Eu pego a pista do hotel na estrada principal. Parece bonito, e com as montanhas ao fundo, faz parecer mais bonito ainda. Eu provavelmente iria gostar muito mais se não estivesse tão exausta. Eu viro conforme o indicado, e vou em direção à longa entrada. Pneus esmagando o cascalho, dirijo até que a folhagem desaparece e o hotel se abre diante de mim. Ele é menor de perto. Bonito. E totalmente perfeito. Eu olho em volta para o estacionamento indicado, mas não há ninguém, então estaciono ao lado de um ostensivo Mustang vermelho que está parado na grama ao lado da calçada. Parece o tipo de carro que um dos amigos de Jacob dirigiria.

Jacob.

Um arrepio passa por mim com o mero pensamento nele. Eu fiz questão de não pensar nele uma única vez nos últimos dias. Manter meu telefone desligado realmente ajudou nisso.

Pegando minha bolsa do banco do passageiro, saio do meu carro, e me alongo novamente. Meu corpo se sente como se estivesse travado. Eu só preciso deitar em um colchão macio por um tempo muito longo. Estou realmente esperando que as camas aqui sejam confortáveis porque as duas últimas camas de motel foram horríveis. Andando em volta do meu carro, abro o porta-malas e pego as minhas malas. A primeira coisa que percebo sobre este lugar é como é silencioso. Nada, além do som de pássaros cantando ao fundo. Pacífico. E perfeito. Este lugar está me fazendo sentir muito perto do céu neste momento.

Ao passar pelo Mustang, olho para ele e vejo que ele tem chamas pintadas ao longo da lateral. Meu Deus. Este carro é um aumentador de pênis se alguma vez eu vi um. Deixo escapar uma gargalhada e cubro a minha boca com a minha mão.

Parando no caminho que leva até a recepção, dou uma olhada ao redor. O hotel é o estilo de uma grande cabana de madeira, construído sobre estacas que correm por um lado, onde o morro desce, para o que parece ser uma enorme propriedade. Quando olho para baixo, vejo que o prédio também vai pelo lado onde as estacas voltam. Talvez seja onde os proprietários vivam. Grandes janelas refletem uma varanda em cima. Lanternas de luzes à frente, dão-lhe um brilho especial, e há um bonito jardim na parte inferior da passarela até o hotel. Enquanto ando em direção a ele, a fragrância da vasta mistura de plantas invade meus sentidos. Eu paro e inspiro profundamente, deixando escapar um suspiro de satisfação. Subo as escadas da varanda em direção à recepção, para que possa me registrar neste lugar. Um sino tilinta quando empurro a porta. Eu entro e encontro o lugar deserto. É tão bonito aqui como é lá fora. Uma escura recepção de carvalho está localizada à minha frente. À minha esquerda, está aberta uma sala de estar completa com uma enorme lareira apagada, e há três sofás colocados ao redor da sala. Parece tão aconchegante. Eu tenho um bom pressentimento sobre este lugar.

— Olá? Tem alguém aí? — Eu chamo.

Eu não ouço nada por um momento, mas então ouço o que soa como um elefante pulando nas escadas. Então, literalmente, a personificação de tudo o que uma garota como eu deveria ficar longe, caminha pela porta diretamente atrás do balcão da recepção. Esguio. Alto. Tatuado – uma delas preenchendo totalmente seu braço. Cabelo castanho claro acobreado, meio longo, mas sem rabo de cavalo; surfista por um longo tempo e persistência em seus olhos. Observando-me, ele empurra o cabelo para trás, revelando seus olhos cinzas.

Esse cara é... lindo.

Masculino... Queixo forte... Tudo nele grita masculino. Ele se parece com o pecado. Como sexo quente, sujo, incrível.

Jesus Cristo!

De onde é que isso veio? Eu nunca penso em homens e sexo – ou sexo com homens – dessa maneira. Eu percebo que estou encarando ele, então abro a boca e falo.

— Olá. — Eu umedeço meus lábios secos com a minha língua.

O Adônis tatuado não diz nada. Ele olha para mim como se fosse um alienígena que acaba de desembarcar no planeta – como se ele não tivesse certeza do que fazer comigo, ou por que estou aqui. Talvez tenha cometido um erro em vir aqui. Talvez eles estejam fechados para a temporada, e Angela entendeu errado.

Estou pronta para dar meia volta e sair quando ele fala. Sua voz é tão profunda e viril como esperava que fosse. Ela provoca arrepios que correm pela minha pele.

— Como posso ajudar? — Pergunta ele.

Como ele pode ajudar? Este é um hotel, certo? Estou tentada a voltar lá fora e verificar o letreiro de novo.

— Eu, uh, preciso de um quarto. — Eu me aproximo do balcão. — Angela, a garota na lanchonete na cidade? Ela me mandou aqui. Disse que ia ter um quarto disponível.

Ele olha para mim por um longo momento. Eu estou começando a me perguntar se tenho alguma coisa no meu rosto, quando vejo que ele está realmente olhando para os meus óculos de sol. Ele provavelmente está se perguntando por que estou usando à noite. Bem, antes isso do que tê-lo olhando para o meu olho roxo. Ele olha para a mesa à sua frente.

— Nós temos. Quanto tempo você quer ficar?

Eu quase suspiro de alívio que eles têm disponibilidade. A última coisa que quero fazer é voltar para o meu carro.

Quanto tempo quero ficar?

— Um... — É a minha vez de olhar para baixo. Eu me mexo nos meus pés, pensando. Eu preciso de um tempo para encontrar minha mãe. E se encontrá-la, então vou precisar de tempo com ela. Se ela quiser me ver. Eu me pergunto quanto tempo eles alugam quartos. Olhando para cima, digo: — Eu não tenho certeza... Duas semanas?

— Você está perguntando ou me dizendo?

Uau. Ok. Ele pode ser bonito, mas ele não é muito agradável. Mas o que esperava? Jacob é bonito – mais de uma forma clássica do que esse cara aqui – e ele é o maior idiota de todos.

Puxando meu lábio inferior com meu dedo, engulo, em seguida, dobro os braços sobre meu peito, e endureço a minha voz.

— Eu quero ficar por duas semanas, e estou perguntando se você tem um quarto disponível para esse tempo?

Ele olha para a folha de reserva, em seguida, olha para cima. Seus olhos cintilam quando passam por mim antes de voltar para o meu rosto.

— Nós temos. São 175 por noite.

É certamente muito mais caro do que os últimos dois motéis que fiquei, mas é muito mais agradável, e não é como se eu não pudesse pagar, cortesia do dinheiro podre de Charlie. E sinceramente, agora pagaria qualquer coisa para ser capaz de dormir em uma cama confortável.

— Está bem — digo.

Ele me dá um olhar de esguelha, em seguida, faz uma linha que atravessa o livro na frente dele. Ele alcança uma gaveta, retornando com uma folha de papel que ele desliza por cima da mesa e coloca uma caneta ao lado.

— Preencha isso com seu nome e endereço de casa.

Eu pego a caneta. Devo colocar um endereço incorreto, como fiz nos dois últimos lugares que fiquei? Eu não quero um rastro de volta para mim no caso de Jacob estar me procurando. E vinculado junto com o meu nome, ele saberia que que estive aqui. Mas, então, não vou ficar apenas uma noite como nos outros lugares. E ele ficaria desconfiado se mentisse sobre onde moro, e esse cara descobriria. Eu decido colocar a verdade e escrever o número do meu endereço residencial e telefone celular de verdade. Jacob não estará procurando por mim aqui. Estou a meio caminho de todo o país. Dois mil quilômetros de casa. Quando termino, entrego o formulário de volta para ele. Meus dedos acidentalmente tocam os seus. Quentes, dedos ásperos. Mas suaves. Eles se sentem bem. Ilusório. Porque mãos de homens causam dor. Elas dão fortes pancadas. Elas dão olhos roxos. Agarrando, segurando, uma dor interminável...

Eu puxo minha mão de volta rapidamente e cubro-a com a minha outra. Com um formigamento no rosto, olho para a sala de estar, imaginando a lareira acesa. Eu posso quase sentir o calor no meu rosto se fechar meus olhos.

— Eu só preciso dos detalhes do seu cartão e pronto. Seu cartão não será debitado até o check out. — A voz do Adônis tatuado me traz de volta ao presente.

— Ok.

Eu tiro o meu cartão da minha bolsa. Eu seguro para ele pegar, mas ele me ignora e, ao invés disso ele começa a mexer num desses dispositivos de cartão. Em seguida, ele me entrega sem lançar um olhar.

— Coloque seu cartão em... Eu faço como ele pediu. — E agora o seu PIN. Quando termino, ele pega o dispositivo de volta, os olhos ainda em outro lugar. Eu o observo com interesse enquanto ele olha para o pequeno aparelho eletrônico. Ele realmente é lindo. Quanto mais olho para ele, mais bonito ele fica. Eu nunca vi alguém que é fisicamente atraente como esse cara. Aposto que ele tem mulheres tropeçando em si mesmas para ficar com ele. E acho que ele sabe exatamente que ele é bonito. Eu posso ver isso pela sua postura confiante, e o ar de indiferença que ele exala.

Ele tira o meu cartão da máquina, em seguida, entrega-o de volta para mim. Eu deslizo-o no bolso de trás. Eu o vejo pegar uma chave em um gancho na parede. Ele sai de trás do balcão.

— Por aqui.

Eu abaixo para pegar minhas malas, e com muito esforço, ergo-as no meu ombro. Elas parecem muito mais pesadas do que há cinco minutos. Devem saber que estou a um passo de uma cama... a um passo de dormir, isso é realmente quando a fadiga chega.

— Aqui, deixe-me pegar essas para você. — O Adônis tatuado diz, sua mão se estendendo para mim. Será que ele está sendo legal comigo? Por quê? Ele não estava sendo agradável há poucos minutos, e ele quase não me deu um olhar. E na minha experiência, os homens são apenas bons quando eles querem algo. Eu não tenho nada para dar a este cara. Recolhendo sua mão, ele coça a cabeça e franze a testa para mim.

— É o meu trabalho levar suas malas. Nós não somos o tipo de estabelecimento que tem um mensageiro — diz ele, então sorri. Uma espécie de sorriso juvenil.

Ah, certo. Isabella estúpida. Eu levanto as malas do meu ombro e entrego-as para ele. Meu corpo suspira de alívio.

— Obrigada. — Eu sorrio.

Um olhar estranho passa pelo seu rosto, em seguida, ele franze a testa novamente. Atirando minhas malas por cima do ombro, ele caminha pelo corredor. Ok, humor oscila muito? Legal num minuto, mal-humorado no outro. Mas então, não são todos os homens assim? Alguns mais do que outros.

Estou praticamente correndo para alcançá-lo, em seguida, o Adônis Tatuado faz uma parada brusca do lado de fora de uma porta no meio do corredor. Eu tenho que me segurar para não colidir com as costas dele. Ele abre a porta e entra no quarto, acende a luz, e coloca minhas malas na cama. Eu tento entrar no quarto, mas não posso. Meus músculos estão congelados. Estar lá fora, sozinha na recepção com ele, estava tudo bem, porque é um lugar público. Mas isso... não posso entrar nesse quarto sozinha com ele. Ele pode me prender.

A fechadura estala. Eu me viro. Charlie está balançando a chave em sua mão. O cinto na outra.

É hora da lição, Isabella.

Meus olhos buscam a calça jeans do Adônis Tatuado. Ele não está usando um cinto. Que diferença isso faz? Ele não precisa de um cinto para me machucar. Há outras maneiras de ferir alguém. Muitas outras maneiras. Por que ele foi até o quarto? Para colocar as suas malas no seu quarto. Para fazer o seu trabalho. Esse cara não é Charlie ou Jacob. Ele é só um cara que trabalha em um hotel. Ele não vai me machucar. Nem todos os homens são cruéis.

Estou segura aqui. Isto é um hotel. Há outras pessoas que se hospedam aqui. Na verdade, agora que penso nisso, não vi outra alma desde que cheguei. Apenas ele. E só havia outro carro estacionado do lado de fora quando cheguei. O Mustang – o intensificador de pênis – que poderia ser o seu carro. Oh Deus, aquele é o carro dele? Eu estou sozinha neste hotel com ele? Esse é o carro dele, e estou sozinha neste hotel com ele. Calafrios descem pela minha espinha. Eu tento inspirar profundamente, mas meus pulmões não permitem isso. O pânico está afetando meu peito como um vício. Está tudo bem, Isabella. Acalme-se. Pode haver pessoas em outros quartos. É noite. Eles poderiam estar acomodados para passar a noite. Ou sair e voltar mais tarde. Só porque não há outro carro estacionado na rua, não significa nada.

O Adônis Tatuado se vira. Ele inclina a cabeça para o lado, dando-me um olhar interrogativo. Não posso culpá-lo. Eu estou em pé no corredor, agindo como uma completa maluca, à beira de um ataque de pânico. Seus olhos se movem para baixo do meu corpo. Por que ele me olha assim? Todos os meus sentidos recuam em estado de alerta. Eu envolvo meus braços em volta do meu peito e endireito as costas, tentando parecer mais alta e mais confiante do que jamais poderia esperar ser. Eu posso cuidar de mim agora. Eu sou mais forte do que costumava ser.

Eu chutei Jacob nas bolas e fugi, não foi?

O Adônis Tatuado caminha até mim. Meu desejo de fugir torna-se irresistível.

Eu não sou fraca.

Eu não sou fraca.

Eu sou uma mulher forte. Eu me forço a me manter firme, e dou um passo atrás para dar-lhe espaço para passar. O Adônis Tatuado eleva-se sobre mim. Eu sabia que ele era muito mais alto do que – não que seja muito difícil ser mais alto, já que sou pequena – mas isso é muito mais perceptível agora que ele está mais perto de mim, e surpreendentemente, a sua proximidade não está me assustando tanto como deveria.

— A chave, — ele oferece. Eu pego dele. — O café da manhã é servido entre as sete e às oito e meia — ele afirma antes de se afastar. Parando, ele acrescenta: — E nós não fazemos refeições à noite, mas há muitos restaurantes nas proximidades.

— Existem outros hóspedes aqui? — Eu tenho que perguntar.

Ele para e volta.

— Não. Não até a próxima semana. Até lá, seremos apenas você e eu.

Tenho certeza de que meu coração morreu em meu peito. Eu. Aqui. Sozinha. Com ele. Não. Não. Não. Eu não posso fazer isso. Eu sou mais forte do que era, mas isso está me pressionando demais muito cedo.

— Não se preocupe, é totalmente seguro aqui — diz ele. Eu estou supondo que é o olhar de pânico absoluto na minha cara o que induziu a isto. — Temos um ótimo sistema de alarme, e tenho uma espingarda. Você sabe, só no caso.

Uma arma. Deus, não.

O que aconteceria se eu puxasse o gatilho, Isabella?

Eu fecho os olhos quando sinto metal frio pressionado contra a minha testa. Eu podia sentir meu corpo começando a suar. Mas mantive a calma. Certifiquei-me em não chorar. Se chorasse, isso só o faria ficar com raiva.

Eu morreria, Charlie. A arma bateu com mais força contra a minha cabeça.

Charlie! — Ele gritou. — Você sabe que deve se dirigir a mim apenas como senhor ou papai! Quantas vezes tenho que te dizer isso? Quantas lições vai demorar? Merda. Merda. Merda. Eu sou tão estúpida. A pistola é retirada.

D-desculpe, s-senhor p-papai.. — Minha voz estava tremendo tanto quanto o meu corpo, porque sabia o que viria a seguir. E meu medo se confirmou quando ouvi o estalo familiar de seu cinto.

— Eu estou totalmente brincando. Eu não tenho uma arma aqui. — O som da voz do Adônis Tatuado me traz de volta ao momento.

Eu preciso vomitar.

Medo e más lembranças estão rastejando na minha pele, deixando todos meus pelos em pé. Estou tentando manter a calma. Ficar normal. Eu não quero surtar na frente desse cara, mas está ficando cada vez mais difícil.

Ele levanta as mãos em um gesto gentil.

— Sem armas. Eu prometo. Não há necessidade delas, como disse, é um lugar seguro.

Respirando pelo nariz, puxo meu lábio e dobro meu cabelo curto atrás da minha orelha.

— Você está bem? — Pergunta ele, dando um passo à frente.

Não. Seja forte. Fique aqui. Você pode fazer isso, Isabella.

— Sim. Eu estou bem.

Ele me olha com curiosidade. Não posso culpá-lo. Eu estou agindo como uma doida.

— Ok, bem, se você precisar de alguma coisa, apenas disque recepção no telefone em seu quarto e ele vai levá-la direto para mim. — Ele se vira para ir embora. — Boa noite, Isabella.

— Como você sabe o meu nome?

Olhando para trás, ele levanta a sobrancelha.

— Eu peguei seus dados quando você preencheu o formulário de inscrição.

Ele sorri. É realmente um belo sorriso. Quente. Amigável. Isso me alivia um pouco.

— Ah, certo. Sim. — Eu rio, sentindo-me um pouco estúpida. — Como devo chamá-lo? Ele sorri novamente.

— Edward. Viro-me para encará-lo.

— Este hotel é seu, Edward? Ele ri. É um som profundo, viril que faz meu estômago dar cambalhotas. — Não. Do meu pai. Ele está afastado cuidando do meu avô, no momento, então estou guardando o forte.

— Oh, nada grave espero?

— Não, apenas uma pequena operação, mas ele terá que descansar por algumas semanas, então meu pai foi para cuidar dele.

Concordo com a cabeça.

— Bem, obrigada. Mais uma vez. — Eu sorrio para ele enquanto volto e rapidamente fujo para o meu quarto.

Eu tranco a porta atrás de mim e caio contra ela. Respire fundo, Isabella. Isso vai ficar bem. E apesar de sua rispidez anterior, Edward parece ser um bom rapaz. Sim, mas Jacob também parecia. Eu pego a cadeira que vi na penteadeira, arrasto-a até a porta, e empurro para cima sob o trinco. Não faz mal estar segura. Virando, vejo o quarto pela primeira vez. Realmente bonito. A cama de dossel coberta com lençóis bege fica encostada na parede do fundo. Uma grande janela está situada ao lado, e na parede oposta há uma porta de vidro duplo. Vou até a porta e empurro as cortinas para trás para olhar para fora. Eu não consigo ver muito; apenas a sacada e o luar espalhado sobre árvores ao longe. Eu vou dar uma olhada na parte da manhã. Eu verifico se as portas estão trancadas, em seguida, fecho as cortinas, incluindo a da janela. Eu fico de pé no meio do quarto. O silêncio me arrepia, e minha mente começa a trabalhar novamente. Medo se estabelece por dentro e me envenena. E não consigo parar de andar direto para o banheiro, ajoelhando-me na frente do vaso sanitário, levanto a tampa, e vomito.

Edward

Algumas horas mais cedo...

Saio da cama. Retiro o preservativo, dou um nó na ponta e lanço no lixo. Agarrando meu jeans no chão, começo a vesti-los.

— Fica na cama comigo. — A mão de Tanya se esgueira por debaixo do cobertor e agarra a minha mão, puxando-a. Eu puxo de volta.

— Não posso. Eu tenho um trabalho a fazer. E preciso arrumar essa cama.

Isso é uma mentira. Não há muito que fazer aqui no momento. Precisamos de hóspedes para gerar trabalho e, atualmente, não há nenhum, por isso, o mundo não vai acabar se essa cama ficar desfeita por mais um tempo. Eu só não quero ficar abraçado na cama com ela. Porque é isso o que ela está pedindo. Ela não tem que dizer as palavras exatas. Eu apenas sei quando se chega neste ponto com uma mulher. E é aí que termino.

Eu não sou carinhoso.

Eu fodo.

E fim.

Ela sabe disso. Eu disse a ela como era pouco antes de começarmos a ter relações sexuais. Como digo a todas elas. É só uma pena que elas não se preocupem em ouvir, independentemente de quão fortemente eu destaque o fato. Acho que é hora de colocar os freios sobre essa pequena coisa para onde estamos indo. Uma pena. Ela era muito boa na cama. Eu estou colocando a minha camiseta quando ela sai da cama. Vejo-a caminhar na minha direção. Eu poderia estar prestes a terminar com ela, mas isso não significa que não possa apreciar o seu belo corpo – longas pernas e peitos que definitivamente não são reais. Ainda assim, eu não estava reclamando quando os tinha em minha boca há dez minutos. Ela se inclina contra mim. Passando os braços em volta da minha cintura, e começa a beijar meu pescoço.

— Eu quero foder de novo — ela murmura contra a minha pele.

Por mais tentador que seja, apenas saber o que está passando dentro de sua cabeça – as palavras 'Edward' e 'namorado' – mantém o meu menino sob controle.

Você pode pensar que sou um idiota por apenas ter relações sexuais com ela e, em seguida, terminar, e realmente essa não era a minha intenção quando a arrastei para cama há uma hora. Eu pensei que haveria mais algumas vezes antes de ter que fazer isso. Até que ela quis se aconchegar comigo. Eu geralmente acabo essas coisas de uma forma muito mais agradável, mas confie em mim, é mais cruel deixá-la sair daqui pensando que vou ligar para ela novamente quando não vou. Eu sou sempre honesto, e nada mais.

Alcançando atrás de mim, seguro suas mãos. Tirando-as da minha cintura, aperto suas mãos, em seguida, solto. Eu dou um passo para trás.

— Olha, Tanya, tudo tem sido ótimo... mas eu diria que terminamos aqui.

Ela faz uma pausa. Franze as sobrancelhas. Em seguida, aparece este olhar louco em seus olhos, que algumas garotas têm quando elas percebem que você está terminando as coisas com elas.

O olhar insano.

— Terminando? — Sua voz sai estridente.

Porra. Eu realmente não a associei como insana quando a conheci. Acho que estava completamente errado. Eu poderia realmente passar sem esse momento da garota louca agora.

Aqui vamos nós...

— Tanya... — esfrego a testa, e passo meus dedos pelos meus cabelos, empurrando-os para trás. — Nós dois sabíamos o que era desde o princípio. Fui claro sobre isso. Isso nunca iria durar mais do que algumas semanas, e nós já passamos isso.

— Foi só uma semana, Edward.

Porra, isso tudo? Pelo caminho mais longo. Definitivamente hora de se livrar dela.

— Olha... — Eu coloco a minha melhor voz "sensível, mas ainda estou chutando sua bunda". — Tem sido divertido, Tanya. Você é divertida. Mas é hora de seguir em frente.

Com um olhar vindo direto do diabo, ela pega suas roupas do chão e começa a sacudi-las.

— Divertido? DIVERTIDO! — Seus gritos estão realmente ferindo meus ouvidos. — Eu pensei que tínhamos algo realmente grande aqui! Eu pensei que você realmente gostasse de mim!

Viu o que eu quis dizer?

Nunca.

Porra.

Ouvem.

— Quando disse isso? Ah, sim, nunca. Eu achei você gostosa, e definitivamente queria ter relações sexuais com você – várias vezes. Mas sentimentos nunca entraram nisso. Nenhuma vez. E de jeito nenhum quero um relacionamento.

Ouch. Isso foi, provavelmente, um pouco duro. Ela se aproxima e me cutuca no peito com a ponta da unha.

Porra, isso dói.

Suas unhas são afiadas. Elas me fizeram sentir bem quando estavam passando pelas minhas costas, mas agora, nem tanto.

— Você é um filho da puta! — Ela grita na minha cara. — E você vai passar toda a sua vida sozinho e miserável!

Uau, tão original – como se nunca tivesse ouvido isso antes. Por que todas as mulheres dizem exatamente a mesma coisa quando você está dispensando-as? Confie em mim, não sou miserável. Longe disso. Vendo pelo que meu pai passou... amando minha mãe, em seguida, tendo que vê-la morrer... vendo como meu pai é agora... uma sombra do homem que ele era... Isso é miséria. Eu nunca me colocarei nisso. Eu vou ficar como estou, obrigado. Quando se trata de mulheres, coloco meu pau dentro e mantenho o meu coração fora. É a maneira mais fácil.

Eu me inclino, perto de seu rosto.

— Tanya, você sabia desde o começo que não queria nada mais do que uma transa, então não aja toda chocada agora. Você sabia exatamente com quem você estava indo para a cama.

Por que todas as mulheres pensam que podem me mudar? Eu sou imutável. Quando elas vão entender isso?

— Foda-se! — Ela grita. Ela, na verdade, grita para mim.

Jesus Cristo, não suporto mulheres dramáticas. Nada me brocha mais rápido... bem, além de abraçar.

— Não é esse o ponto? — Eu sorrio, dando um passo para trás. — Você quer foder, e não. — Eu puxo meu braço na direção da porta. — Não deixe a porta bater na sua bunda no caminho para fora, querida.

Eu não sou normalmente este babaca, mas, honestamente, ela está me dando nos nervos.

Tanya parece que está pronta para me socar até a morte. Inclinando-se, ela agarra seus saltos, enfia os pés neles, e pega a bolsa no criado-mudo.

— Você vai se arrepender disso — ela sussurra.

— Não é provável.

— Imbecil! — Ela me empurra, e sai do quarto, batendo a porta atrás dela. Eu ouço seus saltos fazendo barulho no corredor, em seguida, a porta principal se fecha com violência. Um minuto depois, o motor do carro acelera ruidosamente, e os pneus cantam contra o cascalho.

Bem, isso foi bem. Eu corro minhas mãos pelo meu cabelo, em seguida, vou e pego alguns lençóis limpos na rouparia. Eu desfaço a cama e a refaço em dois minutos.

Você pode dizer que esse não é meu primeiro rodeio? Faço sexo nos quartos do hotel porque não gosto de partilhar a minha cama. Eu quero ir dormir sem o cheiro de sexo remanescente da última garota que fodi. E por alguma razão, as meninas que fodo parecem pensar que é romântico fazer sexo em um quarto de hotel. Não poderia ser menos romântico, na minha opinião. Mas elas pensam assim, por isso funciona bem para mim. Quando se vive em um hotel, isso vem a calhar.

Eu amontoo os lençóis sujos em meus braços para levar para a lavanderia.

Acho que é hora de encontrar uma nova amiga de foda.

Primeiro outras coisas, no entanto. Banho, então comer. Estou morrendo de fome.

Estou mordendo meu sanduíche quando o telefone toca. Colocando ele no prato, pego o telefone na parede, mastigando rapidamente e engolindo. Deus, isso é bom. Eu faço um sanduíche fodidamente gostoso.

— Golden Oaks — digo, limpando o sanduíche nos meus dentes com a minha língua.

— Edward, é Angela.

Sento-me de volta no meu lugar.

— Angela, sei que é você. Conheço você a minha vida toda, por isso é seguro dizer que reconheço a sua voz no telefone.

Ela ri.

— Justo. Enfim, estou ligando para avisar que te enviei uma turista.

— Ah, ótimo, obrigado. Você é boa para mim.

— Eu sei que sou. Muito boa. E Edward, a turista é uma garota. E ela é bonita, muito bonita. Então, basta tentar se manter nas calças, ok? Seu pai precisa do negócio, e foder uma hóspede, em seguida, foder de novo, apenas não é um bom sinal.

— Jesus, Angela! Uma vez. Aconteceu, porra, uma vez! E ela nunca me disse que era casada.

— Uma! — Ela ri. — Maridos irritados à parte, posso contar na minha cabeça, pelo menos, dez mulheres que você já dispensou neste último ano, e é somente Julho.

— Dez? Vamos lá, isso é um pouco de exagero.

Ela ri, uma vez.

— Eu estava sendo gentil com esse cálculo.

Faço uma matemática rápida na minha cabeça. Ok, talvez ela esteja certa.

— Seja como for — murmuro. — Na verdade, estou um pouco insultado que você acha que as mulheres saem daqui insatisfeitas depois de um passeio com Edward Cullen.

— Não fale de si mesmo na terceira pessoa, me assusta quando você faz isso. E sim, uma vez que você enfia seu pau em uma mulher não termina com uma canção de felicidade. Você é incrível na conquista. Só não no fim.

— Eu não conquisto. Nós não estamos no século XIX. Eu fodo. E sou incrível para elas. Daí por que as mulheres continuam voltando para mais. E você pode parar de falar sobre o meu pau? Você está realmente começando a me excitar, e isso está me assustando.

—Eca, Deus! Ok, vamos terminar a conversa aqui. Basta deixar a turista bonita em paz.

— Você parece excessivamente agressiva com esta aqui. Você está me alertando por algum outro motivo? Talvez porque você a queira para si mesma?

— Edward Cullen! — Ela repreende, me fazendo rir. — Primeiro, ela não gosta de garotas. Eu posso dizer. E dois, ela é muito bonita, se você entende o que quero dizer.

— Não. Eu realmente não sei — digo impassível. — Não existe uma coisa muito bonita.

— Sim, existe. É o tipo de bonito que vem com uma etiqueta de advertência. Esta menina é problema. Olha, tenho que ir. O restaurante está movimentado, e mamãe está me atirando punhais. Basta ser bom, por mim. E se não for por mim, por seu pai. Ele realmente poderia passar sem o aborrecimento, depois de tudo o que aconteceu. Minhas costas endurecem. Sua forte lembrança é como um tapa forte no rosto. Provavelmente um que eu precisava.

— Você não está dizendo nada... ultrapassei o limite? — Diz ela em voz baixa.

— Não, — suspiro. — Você disse o que precisava ouvir. Eu serei bom, prometo.

— Eu só estou cuidando de você, porque te amo, você sabe disso.

— Eu sei. E você é a única mulher que pode dizer isso para mim sem eu te mandar correr.

— Isso é porque não dormi com você.

— E isso é porque você, Angela Weber, é uma garota inteligente.

— Sim. Isso, e o fato de que sou lésbica.

Eu ri.

— Bem, sim. Isso também.

Quinze minutos mais tarde, ouço um carro estacionando. Deve ser a turista gostosa. Eu vou mostrar a Angela que sou completamente capaz de me manter sob controle em torno de uma menina bonita. Eu não sou governado por meu pau. E de qualquer maneira, só porque Angela acha que ela é bonita, não significa que eu ache.

Ela pode ser muito feia. Ou pelo menos, uma mulher camarão.

Nah. Quem estou enganando? Se Angela acha que ela é bonita, então definitivamente acharei. Nós temos o mesmo gosto para mulheres.

Poucos minutos depois, ouço o sino da porta principal. Hora do show. Eu lanço a minha bunda da cadeira e começo a andar em direção às escadas. Enquanto estou subindo, ouço sua voz chamar.

— Olá? Tem alguém aí?

— Meu Deus, me dê um minuto — murmuro. Eu subo o resto das escadas em dois degraus de cada vez, movendo-me rapidamente pelo escritório, para a mesa de recepção, e...

Foda-me.

Porra.

Foda.

Foda.

A garota mais gostosa que já vi na minha vida está diante de mim.

A.

Mais.

Gostosa.

Angela chamá-la de bonita era um eufemismo. Um grande eufemismo. Ela é deslumbrante. E estou totalmente ferrado. É estranho, porque geralmente vou para as meninas altas. Eu gosto de pernas longas, mas essa menina é pequena. Eu doulhe 1,60m no máximo. Com 1,88m, sou quase 30cm mais alto que ela. E seus seios são menores do que geralmente prefiro.

Seu cabelo é castanho e curto. Ela se parece com uma fada. Eu costumo entrelaçar meus dedos nos cabelos longos das garotas; algo para envolver minha mão ao redor enquanto transo com elas. Mas esta menina, que é praticamente o oposto de tudo o que gosto, fez meu pau endurecer como pedra, só de olhar para ela.

Nunca.

Aconteceu.

Antes.

Geralmente preciso que elas estejam nuas, ou pelo menos ter um pouco de ação com as mãos antes.

Ela é como o melhor trabalho visual do mundo. Sério, acho que se ela apenas encostar um dedo em mim vou gozar nas minhas calças, e isso não tem acontecido desde a sétima série, quando estava com Katie Harris no armário de esportes. Duas esfregadas e, bum, gozei. Não é um dos meus melhores momentos, mas em minha defesa, Katie foi a primeira menina a tocar meu pau.

Estou apenas agradecendo minha boa sorte já que esta mesa recepção é alta o suficiente para esconder o tesão enorme que estou ostentando.

— Olá — diz ela. Sua língua se lança para umedecer os lábios. Jesus, ela tem a boca mais doce. O tipo de lábios vermelhocereja que você quer chupar. O tipo de lábios que quero chupar. Eu só desejo poder ver seus olhos. Os olhos são a minha outra coisa, além de pernas. Eu gosto deles grandes, mas ela está usando estúpidos óculos de sol enormes. Odeio quando as mulheres fazem isso. Está ensolarado, você usa óculos de sol. Não às oito da noite. Percebendo que não falei uma palavra em resposta, e não fiz nada além de olhar para esta menina por uma quantidade insana de tempo, acho a minha voz e pergunto:

— Como posso ajudar?

Existem algumas maneiras diferentes que ela pode responder a essa pergunta. Uma a envolve me dizendo para debruçá-la nesta recepção e...

— Eu, uh, preciso de um quarto.

Jesus, sua voz é tão doce quanto um suave melado. Meu pau contrai, pulsando com força contra os meus, agora, jeans incrivelmente apertados. Eu preciso que essa excitação desapareça. Eu posso fazer isso. Meu pau não me governa. Eu estou no controle aqui. Pense em ser o namorado de uma garota, Cullen. A insanidade dela antecipada...

E lá vai você. Para baixo, menino.

A garota gostosa se aproxima do balcão e coloca suas malas no chão. Ela cheira bem. Como uma mistura de baunilha e perfume caro. Eu quero me inclinar bem perto e inalar. E, possivelmente, lambê-la. Ela umedece os lábios mais uma vez antes de falar. É realmente perturbador.

— Angela, a garota da lanchonete, na cidade? Ela me mandou aqui. Disse que ia ter um quarto disponível.

Eu levanto meus olhos de seus lábios e olho para esses óculos de sol estupidamente feios.

Tudo que vejo é o meu próprio reflexo de volta, o que não é uma coisa ruim, sou bom de se olhar, mas realmente quero vê-la sem eles. Eu me pergunto se ela se ofenderia se eu estendesse a mão e os tirasse?

Limpando minha cabeça e a garganta, digo:

— Nós temos. Quanto tempo quer ficar?

— Hum — Ela inclina o queixo para baixo e se mexe. — Eu não tenho certeza... duas semanas?

Duas semanas. Este é exatamente o tipo de dinheiro que precisamos agora. Se puder manter minhas mãos longe dela.

— Você está perguntando ou me dizendo?

Uau, pareço um completo idiota. Ela parece desconfortável. E me sinto como merda. O que diabos há de errado comigo? Sua mão se estende para cima e começa a puxar o lábio inferior – é realmente quente assisti-la puxar o lábio. Está definitivamente me excitando novamente. Ok, então novamente provavelmente seja a palavra errada, uma vez que estou duro desde que coloquei meus olhos sobre ela. Deixando de lado o lábio que certamente quero chupar, ela cruza os braços.

— Eu quero ficar por duas semanas, e estou perguntando se você tem um quarto disponível por esse tempo?

Tirando meus olhos dela, olho para a folha de reserva. Como se tivesse que verificar. É claro que tenho um quarto livre para duas semanas. Não temos outra reserva chegando até a próxima semana, e isso são os Perrys, que vêm a cada ano para o seu aniversário. Eu só preciso de uma folga antes que faça algo realmente estúpido, como dar em cima dela. Deus, quero dar em cima dela. Muito.

Limpe sua cabeça, Cullen. Sem dar em cima de turistas gostosas.

Você pode fazer isso. Certo. Vou colocá-la em Lakeview. É o quarto mais caro que temos. E o mais bonito. O tipo de quarto que uma garota como ela deve ficar. E a julgar pelo Mercedes chamativo que posso ver estacionado lá fora, estou supondo que certamente ela pode pagar. Além disso, é o único quarto que não tive relações sexuais. Não que isso importe em relação a ela, mas mamãe e papai passaram sua primeira noite como um casal em Lakeview. É por isso que fico longe dele.

— Nós temos — digo. — São 175 por noite.

— Está bem — ela responde.

Ela nem sequer pisca. Como pensei. Rica. Gostaria de saber se o dinheiro é do pai, ou talvez ela tenha um marido? Ela não parece velha o suficiente para se casar, mas quem sabe a idade das mulheres hoje em dia. No início deste ano, dei em cima de uma garota que parecia ter vinte anos, mas ela tinha quarenta. As maravilhas da cirurgia plástica. Eu verifico rapidamente seu dedo anelar. Vazio. Pegando uma caneta, assinalo a semana. Pego um formulário de reserva na gaveta para que ela preencha seus dados, em seguida, deslizo-o sobre o balcão para ela, colocando a caneta que estava usando ao lado dele.

— Preencha-o com seu nome e endereço de casa.

Ela pega a caneta. Percebo que sua mão está tremendo. Estranho. Ela está nervosa ou com medo? Não há uma maldita razão para que ela tenha medo, então estou apostando que ela está nervosa.

Agora, por que uma menina gostosa como ela fica nervosa ao meu redor? Somente uma razão. Ela quer um pedaço. Elas sempre querem. Ei, não sou um idiota arrogante. Estou ciente de como aparento. E a maioria das mulheres gosta de como aparento. Ok, todas as mulheres gostam de como aparento. É o cabelo e as tatuagens. Eles gostam de bad boys, e sou mau. O que posso dizer?

Mas essa garota não é comum. Eu posso dizer. Esta daqui é inexperiente, daí os nervos. Talvez ela seja virgem. Não, ela não pode ser uma virgem, não com essa aparência.

Ela termina o preenchimento de seus dados e entrega o papel de volta para mim. Seus dedos roçam nos meus na troca. Ela puxa sua mão para trás como se me tocar fosse um grande erro. Estranho. As mulheres geralmente não podem esperar para colocar as mãos em mim. Olho para o seu nome no papel na minha mão. Isabella Gostosa Swan .Ops! Eu não disse isso em voz alta, não é? Eu lanço um olhar para ela. Ela está olhando em direção à sala de estar. Não, acho que não disse. Obrigado, porra, por isso.

— Eu só preciso dos detalhes do seu cartão e pronto. Seu cartão não será debitado até o check out.

— Tudo bem. — Ela se abaixa para sua bolsa. Aproveito a oportunidade para me debruçar sobre o balcão e verificar sua bunda. Atraente. Realmente atraente.

Eu não deveria ter olhado, porque estou ficando duro novamente. Ela vira com seu cartão na mão. Eu digito o valor e entrego o dispositivo de cartão para ela.

— Coloque seu cartão... e agora o seu PIN.

Eu pego o dispositivo de volta e espero ele tocar. Quando termina, tiro o cartão da máquina e entrego-o de volta para ela. Eu noto que ela toma o cuidado de não me tocar desta vez.

Ela empurra o cartão no bolso de trás do jeans. Por um momento, realmente desejo ser esse cartão.

Eu pego a chave para Lakeview e saio de trás do balcão.

— Por aqui. Ela se abaixa para pegar as malas e lentamente levanta-as em seu ombro. É quando percebo o quão cansada ela parece. Aqui estou eu, olhando pra ela como um completo idiota, e a garota está esgotada. Eu me sinto como um imbecil. Minha mãe me criou melhor do que isto.

— Aqui, deixe-me pegar esses para você. — Eu estendo a minhas mãos para pegar as malas. Ela hesita. Seus dedos enrolam nas alças, agarrando-os firmemente a ela. O que ela pensa que vou fazer, fugir com as coisas dela? Recolhendo minha mão, coço a cabeça.

— É o meu trabalho levar suas malas. Nós não somos o tipo de estabelecimento que tem um mensageiro. — Eu sorrio assim não pareço um idiota. Ela é uma hóspede, afinal.

Seu aperto de morte relaxa e ela levanta as malas dos ombros, colocando-as na minha mão.

— Obrigada — diz ela com aquela voz doce.

Ela não fala muito, mas quando ela faz... É eficaz. Então ela sorri. Eu a chamei de deslumbrante antes. Retiro o que disse. Com esse sorriso, ela é nada menos do que linda. Eu acho que nunca me referi a uma mulher como linda antes. Agora, essa é a primeira. Se ela pode parecer linda com aqueles medonhos óculos de sol enormes cobrindo o que imagino que seja a melhor parte de seu rosto, então só posso imaginar como ela parece sem eles.

E como ela ficaria debaixo de mim. Nua.

Eu suspendo suas malas sobre meu ombro e caminho rápido na direção de Lakeview.

Você não pode fazer sexo com ela, Cullen. Meu pau, é claro, discorda. Sim, meu pau está absolutamente confiante de que poderia foder esta garota por duas semanas seguidas e não me cansar nenhuma vez.

Quem estou querendo enganar? Eu ficaria entediado depois de uma semana. Eu durei esse tempo com Tanya, e ela tinha enormes peitos e longas pernas. Mas mesmo com esses atrativos, ela estava longe de ser tão gostosa como Isabella Swan. Gostosa ou não. Eu tenho a capacidade de resistir. E agora, o dinheiro é mais importante. E provar um ponto com Angela, é claro.

Eu paro do lado de fora Lakeview. Eu abro a porta, acendo a luz e entro, colocando suas malas na cama. Quando viro, vejo que ela ainda está de pé no corredor. Tudo sobre a linguagem corporal dela grita tenso. Meus olhos se voltam para suas mãos. Elas estão tremendo de novo. O que há de errado com essa garota? Eu pensei que era porque ela estava atraída por mim, mas não, não é isso. É outra coisa. Ela envolve seus braços em volta de seu peito e endireita as costas. Com cuidado, ando em direção a ela. Ela dá um passo para trás para me deixar passar.

— A sua chave. — Eu seguro a chave longe dela, deixando uma distância entre nós. Com a mão livre, ela pega de mim. E agora estou tomando cuidado para não tocá-la nessa troca. Mesmo que queira, algo me diz que agora não deveria. — O café da manhã é servido entre as sete e às oito e meia. — Eu serei o responsável pelo café da manhã de amanhã, uma vez que é o dia de folga de Paula. Paula é nossa faxineira e cozinheira. Ela trabalha aqui desde que posso me lembrar. — E nós não fazemos refeições à noite, mas há muitos restaurantes nas proximidades — acrescento, lembrando-me do resto do meu discurso.

— Existem outros hóspedes aqui? — Sua voz soa trivial. Viro-me de volta para ela. — Não. Não até a próxima semana. Até lá, seremos apenas você e eu.

O olhar em seu rosto me deixa confuso. Ela parece aterrorizada.

Que diabos? Caramba, não é como se estivéssemos em um Hotel mal assombrado.

— Não se preocupe. É totalmente seguro aqui — sinto-me compelido a dizer. — Temos um ótimo sistema de alarme, e tenho uma espingarda. Você sabe, só no caso. — Eu pisco enquanto rio. Com a menção de uma espingarda, seu corpo enrijece e ela parece que está prestes a fugir. Ou vomitar. Ok, estou supondo que isso foi a coisa errada a dizer. — Estou totalmente brincando, não tenho uma arma aqui.

Isso é uma pequena mentira. Nós temos armas. Meu pai era um policial, então ele ainda tem espingardas e rifles de caça. Eu sei como disparar. Eu sou muito bom. Meu pai me ensinou quando era criança, mas acho que é melhor que ela não saiba disso. Eu levanto minhas mãos vazias, palmas das mãos para cima, conciliando.

— Sem armas. Eu prometo. Não há necessidade delas. Como disse, é um lugar seguro.

Ela puxa o lábio novamente. Em seguida, passa os dedos ao redor de sua orelha, prendendo os cabelos curtos por trás dela. Vejo que sua mão está tremendo de novo.

— Você está bem? — Eu dou um pequeno passo para frente.

— Sim. Eu estou bem.

Ela não parece bem, mas não vou pressioná-la. Não é da minha conta.

— Ok, bem, se você precisar de alguma coisa, apenas disque recepção no telefone em seu quarto e ele vai levá-la direto para mim. Boa noite, Isabella. — Eu recuo, pronto para sair. Suas sobrancelhas se unem.

— Como você sabe o meu nome?

Droga, deveria tê-la chamado Srta. Swan, mas algo sobre ela parece familiar como se eu devesse sempre chamá-la Isabella. E agora soei como insano. Incrível.

— Eu peguei seus dados quando você preencheu o formulário de inscrição. — Eu sorrio. — Ah, certo. Sim. — Ela solta um risinho, e me acerta direto no peito, deixando lá totalmente entorpecido. Que diabos? — Como devo chamá-lo? — Ela pergunta.

Há um milhão de maneiras diferentes que eu poderia responder a isso, nenhuma delas inocente.

Eu inclino meu ombro contra a parede e enfio minha mão no meu bolso.

— Edward.

Ela se vira e me imita, envolvendo os braços em torno de si mesma.

— Este hotel é seu, Edward? — Meu nome soa incrível em seus lábios. Deixo escapar uma risada.

— Não. Do meu pai. Ele está afastado cuidando de meu avô, no momento, então estou guardando o forte.

— Oh, nada de grave espero?

— Não, apenas uma pequena operação, mas ele terá que descansar por algumas semanas, então meu pai foi para cuidar dele.

Ela acena com sua cabeça bonita.

— Bem, obrigada. Mais uma vez. — Ela sorri mais uma vez antes de desaparecer no quarto. A porta se fecha. Eu ouço o clique da fechadura. Eu me inclino contra a parede.

Então, tenho uma garota muito gostosa, nervosa num minuto, amigável no outro, em minhas mãos e não posso fazer sexo sob qualquer circunstância. Vai ser interessante.

Sentindo-me descontente... mas satisfeito que minha única hóspede está instalada para a noite, desencosto da parede e desço as escadas para alimentar meu outro hóspede. Ele é, na verdade, mais um residente do que um hóspede. Os hóspedes costumam sair, mas ele tem sido um elemento permanente aqui há mais de um ano. Ele constitui um ótimo sistema de alarme, mas ele é babão e peludo, e é o único que já deixei dormir na minha cama. Ele é uma boca que nós não poderíamos alimentar, mas quando ele apareceu na nossa porta como um cachorro faminto há pouco mais de um ano, não pude mandá-lo embora. Assim, mantive-o, e agora temos um cachorro. Um cachorro enorme pra caralho. Eu vou para a cozinha e tiro sua tigela limpa do escorredor. Pego uma lata de seu alimento favorito na despensa e esvazio-a na tigela. Jesus, essa coisa fede. Misturo em seus biscoitos como ele gosta e chamo por ele.

— Dozer, jantar.

Eu ouço suas patas enormes batendo no chão enquanto ele vem para nossa sala de estar particular, no final do corredor. Ele vem correndo pela porta aberta da cozinha e direto para as minhas pernas, quase me derrubando.

— Jesus Cristo, Dozer! — Eu rosno, firmando-me no balcão.

Com um grunhido, ele senta na porta dos fundos com um olhar abobado no rosto.

— Dozer. — Eu rio, balançando a cabeça. Eu pego a tigela e atravesso a cozinha. No caminho, pego uma cerveja na geladeira. Ligo a luz exterior e abro a porta traseira, deixando Dozer do lado de fora. Eu coloco sua tigela sobre o degrau, e seu nariz vai direto nela. Sento-me no degrau ao lado dele e tomo um gole da minha cerveja.

— Nós temos uma hóspede, Dozer, e ela é gostosa, muito gostosa, mas inconstante, por isso não fareje em volta dela, já que não queremos assustá-la. E a sua cara feia definitivamente a assustaria.

Dozer levanta a cabeça, me dá um olhar sujo, e grunhe.

— O quê? — Eu rio.

Então ele peida.

— Mas que porra, Dozer! — Eu enterro meu nariz no meu braço. — Seu filho da puta fedido! Aposto que você fez isso de propósito! De jeito nenhum você dormirá na minha cama esta noite depois disso!

Eu estou tentando não rir, porque rir significa cheirar e os peidos desse cão são assassinos.

Sério.

Dozer me empurra forte com a cabeça, se arremessando ao meu lado. Ele começa a subir em mim, cutucando a minha cabeça com seu focinho molhado.

— Fique longe de mim, seu fodido cão louco! — Eu estou ofegante, rindo, o que significa cheirando, e agora estou com ânsia de vômito. — Jesus, Dozer, você fede! Ok! Ok! Retiro o que disse, você pode dormir na minha cama! Agora saia de cima de mim! — E empurro ele.

Satisfeito com a vitória, ele desce de cima de mim e volta para a sua comida. Sentado, pego minha cerveja.

— Cachorro louco — murmuro, rindo. Eu tomo outro gole de cerveja, e inclino-me para trás na minha mão. Eu estico as pernas e olho para o céu à noite. Hoje à noite vai ser uma noite longa, sabendo que tenho a Deusa do Sexo no andar de cima, em uma das minhas camas, e não há absolutamente nada que possa fazer sobre isso. E a única pessoa que vou compartilhar a cama essa noite será Dozer e seus peidos – fantástico.

Aposto que Isabella dorme nesses negligées sensuais. Transparentes. Sem nenhuma roupa íntima.

Inferno!

Vão ser duas malditas semanas muito longas. Vou ter que encontrar alguém para me manter ocupado durante o tempo que Isabella estiver aqui, para garantir que eu mantenha minhas mãos longe dela. Alguém descomplicado e fácil. Não vai ser difícil de encontrar. Há sempre muitas garotas aqui em férias com suas famílias, entediadas e precisando de entretenimento. O tipo de entretenimento que sou perfeito para proporcionar.

Eu vou até Mountain Resort amanhã e encontrarei uma nova amiga de foda. Com esse pensamento em mente, entro para tomar um banho frio para conseguir passar o resto da noite.

Isabella

Barulho. Alguém está gritando.

— Shhh — resmungo, enterrando minha cabeça no travesseiro.

Os gritos continuam.

— Mas que...? — Eu rolo pela cama, piscando meus olhos por causa da luz fraca que entra através das cortinas. Quem está gritando? Está vindo lá de fora. Meu coração para.

Jacob. Será que ele me achou? Meu pulso começa a vibrar, colocando meu corpo em estado de alerta. Sentada ereta na cama, escuto. É definitivamente a voz de um cara... mas não, não é Jacob. Eu reconheceria a voz dele em qualquer lugar. Eu solto um suspiro de alívio, deitando novamente. Eu imagino que deva ser Edward. Eu me pergunto sobre o que ele está gritando. Olhando para o relógio, vejo que são 10h da manhã. Estendo a mão para o copo de água na mesa de cabeceira e tomo um gole. Minha garganta está dolorida. Eu peguei pesado comigo ontem à noite. Eu olho para a minha mão direita – a mão que me ajuda a me livrar de toda a minha tristeza e auto-aversão. Está dolorida e coça. Eu esfrego meu dedo sobre os calos nos nós dos meus dedos, tentando aliviar a coceira. Eles são causados pela mordida dos meus dentes na minha pele; anos e anos me fazendo vomitar causaram essa cicatrizes. Eu estou pensando em pegar um pouco de creme da minha bolsa para aliviar a coceira quando ouço Edward chamar novamente. Curiosidade leva a melhor sobre mim, então saio da cama e ando na ponta dos pés até a porta de correr, pego meus óculos de sol no caminho e coloco-os. Eu puxo as cortinas para trás, abro a porta e saio para a varanda. A primeira coisa que vejo é o lago. Acho que por isso que ele é chamado quarto Lakeview. A vista é deslumbrante.

Edward grita de novo, inesperadamente e tão alto que tomo um susto. Ele está muito mais perto do que imaginava. Com um coração acelerado, me aproximo do parapeito e inclino-me para ver com quem ele está gritando. Meus olhos encontram Edward cerca de vinte metros da onde estou. Ele está de costas. Ele está vestindo botas pretas de trabalho, jeans azul escuro e uma camiseta preta de manga curta que mostra os contornos definidos de seus ombros e braços perfeitos. Ele levanta a mão para seu cabelo. Os músculos do seu braço flexionam sob suas tatuagens, quando ele passa os dedos entre os fios. Seu cabelo parece tão macio... A imagem dos meus dedos correndo pelos cabelos passa pela minha mente. Eu balaço a cabeça, me livrando do pensamento. Ele se vira um pouco para o lado que estou, levantando as mãos para a boca, e grita o que acho que é:

— Dozer!

— Tudo bem? — Eu chamo.

— Jesus Cristo! — Ele vira com as mãos cerradas ao lado do corpo. — Você me assustou pra caralho!

— Sinto muito. — Eu me afasto do parapeito, mas mantenho o olhar nele. Meus olhos estão apontados para seus punhos fechados. — Eu só, uh, ouvi gritos. Eu queria ter certeza de que estava tudo bem. — Minha boca está seca, então umedeço os lábios com a minha língua. Seus olhos vão até suas mãos, em seguida, voltam-se para mim.

Eu vejo suas mãos relaxarem, e ele afrouxa os dedos.

— Sinto muito, sim, uh... — Ele olha por cima do ombro, em seguida, de volta para mim. — Eu não consigo encontrar meu cachorro.

Ele tem um cachorro? Eu amo cães. Nunca tive um, sempre quis ter um.

— Eu o deixei sair mais cedo, e ele se foi. Ele nunca desapareceu assim antes. Ele nunca anda muito longe do hotel.

Ele parece muito preocupado.

— Você precisa de ajuda para encontrar ele? — As palavras saem da minha boca antes que eu tenha a chance de refletir. Edward enfia as mãos nos bolsos de trás e olha para suas botas. Ele parece estar considerando a minha oferta. Assim como eu. Que diabos me possuiu para dizer isso? Jesus, considerei o risco que, a ideia de passar um pouco de tempo com esse cara, aparentemente legal, para ajudá-lo a encontrar seu cão, pode trazer? Sim. Sim, absolutamente considerei. Liberando sua mão, Edward segura o cabelo para trás de seu rosto, inclina a cabeça e olha para mim.

— Claro. — Ele balança a cabeça. — Se você não se importar.

Não é como se pudesse retirar minha oferta agora.

— É claro que não me importo. — Eu sorrio, ignorando a pontada nervosa no meu estômago. — Só me dê um minuto para me trocar e desço.

Eu entro para o meu quarto, fechando a porta de correr atrás de mim. Fico parada por um momento, fecho meus olhos e inspiro profundamente, me acalmando.

Eu posso fazer isso. Então abro meus olhos e me troco rapidamente por um jeans e uma camiseta. Escovo meus dentes, coloco um tênis, corro os dedos pelo meu cabelo para arrumá-los – a maravilha dos cabelos curtos – e coloco meus óculos de novo.

Eu rapidamente vou até a recepção e saio pela entrada principal. Ando ao redor do hotel e encontro Edward um pouco mais adiante e corro até ele.

— Nada ainda?

— Não — Ele empurra o cabelo para trás, revelando seus verdes hoje. Impressionante.

— Ele nunca desaparece assim — ele reitera.

— Não se preocupe, nós vamos encontrá-lo. Qual o nome dele?

— Bulldozer.( é uma espécie de maquina demolidora, trator e escavadeira em inglês)

Nome interessante.

— Onde você quer que procure?

Ele aponta para a floresta à nossa frente.

— Eu olhei em toda a parte. Ele normalmente não vai lá sozinho ,ele realmente não está acostumado com a floresta, mas talvez ele estivesse perseguindo um coelho ou algo assim... — sua voz falha. Ele quer que eu vá lá? Com ele.

Ansiedade aperta o meu peito. Há algo sobre a combinação da solidão das matas e Edward que não recebo muito bem.

Pare de ser uma covarde.

— Tudo bem. —Eu engulo. — À floresta, então.

Nós andamos em silêncio lado a lado em direção às árvores.

— Que tipo de cão é ele? — Eu pergunto, tentando ocupar minha mente hiperativa.

— Um Mastim. Dozer! — ele grita, assim que nós entramos pelas árvores.

Copiando ele, cubro minha boca com a minha mão e grito,

— Dozer!

Minha voz ecoa por entre as árvores, seguindo eco de Edward. Nós dois ouvimos o retorno de som sob a forma de um latido, mas nada aparece. Andamos um pouco mais adiante enquanto Edward e eu nos revezamos chamando por Dozer. Depois de alguns minutos de caminhada e ainda nenhum sinal do cão, percebo o som de tráfego.

— Estamos perto de uma estrada? — Eu pergunto.

O olhar em seu rosto – compreensão, em seguida, completamente em pânico. Isso me faz entrar em pânico. Edward se irrompe numa corrida. Eu corro atrás dele, tentando acompanhar, mas suas pernas são mais longas do que as minhas e ele é um inferno de muito mais rápido. Eu finalmente o alcanço perto de uma clareira. Ele está olhando ao redor, freneticamente chamando por Dozer. Estou seriamente sem fôlego e com dor. Eu não sou a pessoa mais em forma do mundo. Curvando-me, coloco minhas mãos nas minhas coxas enquanto tento recuperar o fôlego. O som de tráfego é muito alto daqui de cima, o que significa que estamos muito perto da estrada.

Mantendo minha respiração rápida, fico em pé, e tento focar minha audição em qualquer som que possa estar relacionado com um cão. Nada.

— Que tal você ir por esse caminho — sugiro, apontando para a direita de Edward. — E vou pelo outro. — Eu inclino minha cabeça para a esquerda.

— Tudo bem. — Ele recua. — É só gritar se você encontrá-lo. Vou ouvi-la.

— Eu gritarei... e tenho certeza que ele está bem, Edward.

Ele balança a cabeça novamente, então se vira e rapidamente se afasta. Eu me viro, e começo a andar.

— Dozer! — Eu chamo. Outro carro assobia perto. Eu avanço um pouco mais, no silêncio, olhando ao redor por qualquer sinal. Então chamo o seu nome novamente. Assim é quando ouço um gemido. É fraco, mas definitivamente ouvi alguma coisa. Meu coração começa a bater mais rápido. — Dozer! — Eu chamo de novo. Um ganido.

Seguindo o som, ando mais perto da clareira... e é aí que o vejo – um enorme mastim castanho claro deitado sob uma árvore. Eu corro para ele, gritando com todo meu pulmão para Edward, rezando para que ele me ouça. Eu caio de joelhos ao lado de Dozer. Ele está ofegante, seu peito subindo e descendo, seu corpo tremendo.

— Oh meu deus, pobre garoto. Você vai ficar bem, Dozer. — Eu passo minhas mãos sobre ele, sem saber se devo tocá-lo ou não. Acho que ele foi atropelado por um carro e se arrastou até aqui. — Eu sou Isabella. Eu estou ajudando Edward a procurar por você. Ele está muito preocupado.

Dozer levanta a cabeça um pouco. Grandes olhos castanhos olhando fixamente para mim.

Eu deveria procurar por lesões.

— Ok, Dozer, não sou veterinária, mas estou a caminho de me tornar uma médica, e meu pai era médico, então sei o que estou fazendo. Vou te examinar, ver o que está acontecendo com você. Tudo bem? Não que você possa me responder...

Ótimo, agora estou divagando com um cão.

Dozer abaixa a cabeça e fecha os olhos, então interpreto isso como um sim. Levanto meus óculos de sol sobre a minha cabeça para que possa ver claramente por onde começar a avaliar seus ferimentos. Eu não sei nada sobre cães, mas estou supondo que eles não funcionam de forma muito diferente do que as pessoas. Com cuidado, coloco minha mão no corpo trêmulo de Dozer, e é aí que Edward se joelha na terra ao meu lado.

— Merda, Dozer! Você está bem, cara?

Dozer murmura um ruído.

— Eu acho que um carro bateu nele — digo.

Ele olha para mim por um longo momento. Incredulidade, raiva e algumas outras emoções que não consigo compreender passam pelo seu rosto.

— Filho da puta! — Ele balança a cabeça, violentamente. — Quando descobrir quem fez isso... porra!

Eu tento não estremecer com a sua raiva. Não é dirigida a você. Ele tem razão para estar zangado. Alguém acabou de machucar seu cachorro.

— Precisamos levá-lo a um veterinário — diz Edward com urgência. Mas tudo o que posso focar é a raiva em sua voz, e a tensão física que está vibrando dele. Está levando tudo em mim para não correr. Eu preciso de um jeito de me manter calma. Então mudo para o meu modo de formação, deixando cada emoção de fora. É o único jeito de lidar com isso.

— Deixe-me examiná-lo primeiramente. Ver se é seguro movê-lo. — Minha voz soa robótica. Eu odeio quando soo dessa maneira. Ignorando o olhar questionador de Edward, passo minhas mãos sobre Dozer, verificando possíveis contusões, fraturas e hemorragia interna.

Dozer grita quando minha mão toca a perna direita da frente. Eu me inclino mais perto, dando uma boa olhada na perna. Há um deslocamento do osso. Definitivamente uma fratura. Possivelmente, mais do que uma. Sem sangue ou sinais salientes, o que é bom. Isso significa que o osso não rasgou a pele. Eu não encontrei qualquer indicação de hemorragia interna, então diria que esta perna quebrada é o pior de tudo.

— Sua perna está quebrada,— digo, descansando para trás em meus calcanhares. — Há um pouco de inchaço ao redor da caixa torácica, sem fissuras pelo que posso dizer. Eu acho que ele só vai ter um inferno de uma contusão lá. Eu acho que o carro deve ter batido nele. — Eu olho para Edward. Seus olhos estão bem no meu rosto, me examinando. Ignorando seu olhar, olho de volta para Dozer. — Nós podemos movê-lo, mas levá-lo de volta para o hotel e para o seu carro não é uma opção. Ele é muito grande para carregar para tão longe.

— Eu posso fazer isso — afirma Edward.

— Talvez sim, mas vai ser muito doloroso para ele se você fizer. Você pode pegar o seu carro e dirigir até a estrada logo à frente? Você pode movê-lo daqui para lá com muito menos dor para ele.

Edward olha entre o cão e eu, com a testa franzida.

— Você vai ficar aqui com ele?

— Claro.

— Eu vou estar de volta em cinco minutos. — Edward fica de pé em um movimento rápido, e sai correndo de volta pelo caminho que viemos.

— Não vai demorar, garoto. — Eu afago a orelha de Dozer. — Edward vai pegar o carro, e vamos levá-lo a um veterinário. Você vai se sentir melhor em alguns momentos. Inclinando-me para frente, dou outra olhada na perna de Dozer. Eu realmente deveria imobilizá-la; isso vai ser menos doloroso quando o movermos. Eu olho em volta, à procura de uma tala adequada. Avisto uma vara do comprimento certo, então rastejo até ela e agarro. Usando os dentes, mordo e corto a barra da minha camiseta. Eu consigo um pequeno rasgo – agradeço ao material barato – em seguida, usando os dentes e as mãos, puxo o tecido, rasgando-o para cima. Eu paro a alguns centímetros abaixo dos meus seios. Eu prendo o tecido no meu peito, colocando meu braço sob meus seios. Segurando a camiseta no lugar, começo a rasgá-la toda. Quando termino, tenho camiseta o suficiente para cobrir os meus seios, e material suficiente para enfaixar a perna de Dozer.

— Ok, Dozer. Vou imobilizar sua perna com esta vara, e o que era a minha camiseta.

Olhos castanhos me encaram tristemente.

— Eu não vou mentir para você – vai doer, mas vou ser bem rápida, prometo.

Dozer fecha os olhos e bufa. Eu não acho que ele vai me morder, pois ele está com muita dor, mas serei cautelosa aqui, porque ele é um grande cão. Ele poderia arrancar a minha mão.

Cuidadosamente, pego sua perna quebrada. Ele rosna, mostrando os dentes. Faço uma pausa, a perna dele na minha mão.

— Eu estou ajudando, Dozer. Lembre-se disso antes de decidir afundar seus dentes em mim, ok?

Ele não faz qualquer outro som. Apenas bufa e seus lábios afrouxam, cobrindo os dentes. Eu respiro fundo, e tento novamente.

— Eu vou ter que esticar a perna um pouco... você está pronto? Pronto. — Ele rosna de novo, e percebo que não é por mim, mas pela dor. — Muito bem. — Eu exalo. Meu coração está batendo forte contra minhas costelas. Eu pego a tala e coloco-a na parte de trás de sua perna e pego o tecido e começo a envolvê-lo em volta da tala improvisada, apertando o suficiente para prender a sua perna.

Quando termino, rasgo a barra do tecido com os meus dentes de novo, formando um laço e envolvo um lado, em seguida, prendo outro com um nó. Colocando sua perna para baixo, solto um suspiro.

— Muito bem, Dozer. — Eu afago ele. Um minuto depois, ouço o barulho de um motor. Assumindo que seja Edward, levanto e limpo a sujeira e os galhos de meus joelhos. — Eu voltarei em um segundo — digo.

Eu percorro a clareira e avisto a estrada. O Mustang vermelho do hotel está vindo em minha direção. Edward estaciona rapidamente ao meu lado. Ele salta para fora do carro.

— Como ele está?

— Com dor, mas ele está aguentando bem. — Eu o sigo mais atrás.

Edward se agacha ao lado Dozer.

— Oi garoto. Vou te levar para o veterinário agora.

Ele desliza cuidadosamente as mãos sob Dozer, em seguida, em um movimento rápido, e com o mínimo esforço, Edward levanta Dozer e fica com ele em seus braços. Uau. Esse é um cachorro enorme. Ele deve pesar uns trinta quilos, pelo menos. Edward é muito mais forte do que parece. Não que ele pareça um fracote, porque ele não parece. Não. De modo nenhum. Muito pelo contrário, na verdade. Ele é definitivamente todo homem. Ele simplesmente não é todo músculo em um sentido fisiculturista. Ele é

mais do tipo definido, atlético, tonificado. Bem, pelo que posso dizer através de suas roupas, de qualquer maneira. Edward parece exatamente como um cara deve parecer... diz o meu pouco conhecimento sobre homens. O único corpo masculino que já conheci é Jacob, e ele é construído como um zagueiro. Oposto completo de Edward. Mas prefiro o físico de Edward.

É apenas... perfeito.

Enquanto olho para ele, minha mente divaga pela fantasia... Edward me levantando em seus braços. Envolvendo minhas pernas em volta de sua cintura. Pressionando-me contra uma árvore, esmagando seus lábios nos meus. Sua mão se movendo mais baixo, entre as minhas pernas, me tocando apenas no lugar certo...

— Você vem?

Vem?

— O quê?

Eu olho para o seu rosto. Ele está olhando para mim. Testa franzida. Dozer ainda em seus braços. Cachorro. Atropelado. Por. Carro. Indo para o veterinário.

— Oh, uh, sim. Sim, estou indo. Com você.

Oh Deus. Bom trabalho, Isabella. Ficando excitada ao ver um cara gostoso carregando seu cão ferido. Essa não sou eu. Mas perto de Edward, meu estado normal parece não existir. Talvez isso não seja uma coisa tão ruim. Com a vergonha inundando meu rosto, corro para frente do carro.

Chegando primeiro, abro a porta do passageiro, e puxo o assento para frente, dando a Edward acesso para o banco de trás. É um carro de duas portas, então Edward poderia ter dificuldades em colocar Dozer dentro, mas ele consegue isso com o mínimo de rebuliço.

— Eu vou sentar na parte de trás com ele — digo, mão no teto do carro, pé na porta, pronta para entrar. Eu vejo olhos de Edward examinado a minha camiseta rasgada. Eles se instalam em meu rosto. Ele franze a testa. Meu olho roxo. Merda. Eu deslizo meus óculos de sol para baixo cobrindo a minha vergonha.

— Você imobilizou a perna dele. — Seus olhos ainda estão no meu rosto.

— Eu fiz.

— Obrigado.

Abaixando minha cabeça, subo no banco de trás e sento-me no pequeno espaço que Dozer não está ocupando. Edward desloca o assento para o seu lugar, em seguida, fecha a porta atrás de mim e anda para o lado do motorista. Eu coloco o meu cinto de segurança, em seguida, levanto com cuidado a cabeça de Dozer e coloco-a na minha coxa.

— Você vai ficar bem, Dozer.

Eu pressiono minha mão contra seu peito e começo a cronometrar seus batimentos cardíacos. Eu quero ter certeza de que ele está bem, mas também quero me manter ocupada. Eu preciso de algo para me concentrar no momento.

Edward vira o carro. Eu sinto a aceleração rápida me empurrando de volta para o assento enquanto ele acelera em direção ao veterinário.

Edward

Quem é essa garota? Examinando Dozer... Soando como se ela soubesse o que está falando... Imobilizando a perna... E esse olho roxo. Eu nunca me senti tão irritado como quando vi isso. E confiem em mim, algum filho da puta atropelou o meu cão, então, considerando isso, estou fodidamente zangado com o seu olho roxo.

Essa é a razão por ela estar usando aqueles óculos de sol desde que chegou. E o jeito que ela cobriu-o quando ela finalmente percebeu que eu tinha notado isso... A contusão não foi um acidente. Alguém fez isso com ela. É provavelmente por isso que ela estava tão nervosa à minha volta na noite passada. Ela é tão pequena e doce e amável. Como alguém poderia machucá-la está além de mim. A maneira como ela cuidou de Dozer... O jeito que ela ainda está cuidando dele... Jesus, meu pobre cachorro fodido. Quando encontrar o desgraçado que fez isso com ele, ele vai se alimentar por tubos – exatamente como o cara que deu a Isabella aquele olho roxo.

Dozer pode comer demais, e ocupar todo o espaço na minha cama, mas ele é da família. Eu não tenho muito a perder hoje em dia.

E não posso perdê-lo também.

— Como ele está? — Eu pergunto sobre o meu ombro.

— Sua respiração está um pouco difícil.

Lanço um rápido olhar para trás.

— O que isso significa?

— Isso significa dirija mais rápido.

Eu bato o pé no acelerador. Poucos minutos depois, estou derrapando até parar no lado de fora do veterinário. Saltando para fora do carro, puxo o banco para frente e inclino na parte de trás. Isabella arrasta os pés para frente e move Dozer com ela, trazendo-o para perto de mim. Eu o levanto em meus braços. Puta que pariu. Meu corpo geme sob o peso dele. Ele parece pesar o dobro do que ele pesava quando o peguei na floresta.

Eu coloco Dozer contra o meu peito, equilibrando seu peso, e ando tão rápido quanto possível para o veterinário. Isabella está bem atrás de mim. Ela ultrapassa e abre a porta. Eu corro por ela. Avistando a recepcionista, me dirijo até ela.

— Meu cachorro foi atropelado por um carro - ele precisa de ajuda.

A recepcionista dá a volta em sua mesa.

— Me siga.

Eu sigo rapidamente atrás dela, por um corredor e entrando numa sala. Um cara de meia idade com um jaleco branco está sentado em uma mesa com um computador.

— Dr. Cale, temos um cão que foi atropelado por um carro.

O veterinário olha para cima, em seguida, desce diretamente até seus os pés.

— Coloque-o aqui. — Ele aponta para uma mesa de exame.

Dozer recua quando o coloco sobre a mesa.

— Desculpe amigo — sussurro.

— Qual é o nome dele? — Dr. Cale pergunta, colocando um estetoscópio em suas orelhas. Ele o pressiona no peito de Dozer.

— Bulldozer. — Minha voz soa áspera, então limpo minha garganta.

— Eu controlei a sua frequência cardíaca no caminho para cá.

Viro-me ao ouvir o som da voz de Isabella. Eu nem percebi que ela ainda estava atrás de mim. Ela mantém seu foco em Dr. Cale enquanto fala,

— Ele ficou estável em sessenta bpm. Há cinco minutos, sua respiração tornou-se um pouco difícil. Ele tem uma contusão no peito, não grave, pelo que posso dizer, após examiná-lo. E a perna dianteira direita está quebrada, possivelmente uma fratura leve. Prendi-a o melhor que pude com o que tinha.

E vou dizer de novo - quem porra é essa garota? Ela parece confiante, um pouco mecânica – exatamente como quando estávamos na floresta e ela estava examinando Dozer. Em nada lembra a calma, doce, menina nervosa que veio para o hotel na noite passada. Dr. Cale olha para cima, retirando o estetoscópio do peito de Dozer. Ele tira de suas orelhas e pendura no pescoço.

— Veterinária ou médica? — Ele pergunta à Isabella.

Eu espero, de repente muito interessado em ouvir a resposta.

— Estudante de medicina — ela responde baixinho. — Segundo ano. E quando pensei que ela não poderia ficar mais gostosa...

Dra. Isabella Swan. Sim, ela acabou de subir um milhão de níveis no patamar gostosa. Eu tenho uma doutora (Isabella), um paciente (eu) e cenários sexuais correndo pela minha mente em grande velocidade no momento. Todos eles são incríveis.

Dr. Cale passa por nós e caminha até um carrinho de metal. Ele pega uma seringa. Eu tremo. Eu odeio agulhas. Minha mãe estava constantemente sendo submetida a agulhas enquanto passava pelo tratamento. O tratamento que não a salvou.

Dr. Cale caminha em direção Dozer, seringa na mão.

— Excelente trabalho com perna. — Ele dirige suas palavras a Isabella, em

seguida, olha para nós dois. — Eu vou precisar que vocês esperem lá fora agora.

— Você vai espetar isso aí em Dozer? — Eu aceno para a agulha na mão.

— Não se preocupe, é apenas para sedar Dozer. Isso não vai machucá-lo.

Mentiroso. Agulhas doem pra caralho. Dou um passo mais perto.

— Olha, só preciso saber... Se ele vai ficar bem? — Minha voz de repente soa baixa. Lembro-me de como soei no hospital quando descobrimos que o tratamento não havia funcionado. Que mamãe ia morrer. Um nó se forma em minha garganta. E os meus olhos começam a lacrimejar. Um cão. Estou ficando emocional sobre um cão do caralho. Eu limpo minha garganta.

— Ele vai ficar bem. — Dr. Cale sorri amavelmente.

A recepcionista mantém a porta aberta para nós. Pela primeira vez, percebo o crachá em seu uniforme - Penny.

— Se você quiser esperar lá na frente na área da recepção, virei e deixarei você saber como Dozer está assim que puder — diz Penny.

Sigo Isabella até a porta. Parando, volto para Dr. Cale.

— Cuide bem dele.

Ele balança a cabeça. Penny fecha a porta atrás de nós e fica na sala. Eu fico olhando para a porta. Meus olhos começam a lacrimejar novamente.

Pare de agir como um maricas, Cullen.

— Vamos nos sentar? — Diz Isabella atrás de mim.

Inalando profundamente, pisco e me viro. A primeira coisa que meus olhos fazem contato é com a barriga nua de Isabella. Plana, pele suave que está apenas implorando para ser lambida. Eu levanto os meus olhos, e, claro, tenho que verificar seus peitos. Se ela apenas levantasse as mãos acima da cabeça, ia ficar totalmente a vista... Jesus Cristo. Que porra há de errado comigo? Ela rasgou a sua camiseta para ajudar Dozer, que está atualmente sendo tratado por um veterinário porque ele foi atropelado por um carro, e eu aqui, olhando pra ela como um idiota louco por sexo.

— Devo-lhe uma camiseta. — Eu aponto para a pele nua que estava olhando.

Ela olha para baixo. Suas bochechas se mancham de vermelho, e ela envolve suas mãos ao redor de sua barriga, se cobrindo.

— Não se preocupe com isso. Era apenas uma camisa barata do Wal-Mart.

Ela dirige um Mercedes e usa Wal-Mart? Esta menina não faz sentido algum.

— Tem certeza?

— Tenho certeza. Com um aceno rápido, viro e passo por ela para a área de recepção. Eu sei que ela está atrás de mim, então quando chego aos assentos, passo para o lado e permito que ela se sente antes de eu pegar o assento ao lado dela.

Veja, não sou um idiota total. Eu posso ser um cavalheiro.

Eu me inclino para frente, descansando os braços em minhas coxas. Elas ainda estão doendo de carregar Dozer. Este movimento me coloca bem perto de Isabella. Ela cheira como ontem à noite, baunilha. Ninguém deveria cheirar tão bem.

Faz a tarefa ser difícil.

Ou não ser, se você me entende.

Não me lembro de alguma vez ter esta excitação com uma garota antes. Apenas minha fodida sorte que não posso tocá-la.

— Obrigado... Pelo que você fez por Dozer, — digo. Eu não olho para ela. Se quiser manter meus pensamentos limpos, então é uma boa ideia evitar o máximo de contato visual possível.

— Sem problemas.

Sua voz é tão suave, assim como imagino que sua pele seria. Macia e quente, e aposto que ela é muito apertada...

— Eu gosto de cães — acrescenta ela. — Todos os animais, na verdade. Eles são muito mais amigáveis do que as pessoas.

Há uma tristeza repentina em sua voz, e não posso evitar então olho para ela. Seus lábios estão contraídos, e percebo que ela ainda está usando aqueles óculos de sol horríveis.

— Você pode tirar os óculos de sol, você sabe. Há apenas nós dois aqui, e já vi o que você está escondendo atrás deles.

Todo o seu corpo enrijece. Há uma longa pausa em que ela não faz absolutamente nada. Eu não estou realmente certo de que ela ainda está respirando. Pergunto-me se disse a coisa errada. Feito isso da maneira errada? Não quero aborrecê-la.

Por quê? Eu não estou realmente certo. Não é como se sou geralmente preocupado com acontecimentos emocionais de uma mulher. Mas, com ela, alguma coisa é só... diferente.

Ela levanta a mão para o rosto e lentamente tira os óculos escuros. Eu assisto os dedos esguios tremerem enquanto ela dobra as hastes dos óculos de sol e o coloca no colo, com as mãos cobrindo-o. Então percebo que ela tem esses ferimentos que parecem calos nos nós dos dedos da mão direita. Eu percebo eles porque parecem fora de lugar com o resto da sua pele macia, sem falhas. Talvez ela tenha eczema ou algo assim. Eu levanto os meus olhos para seu rosto. Seus olhos estão fechados. A contusão de modo muito evidente. Raiva pulsa dentro de mim novamente, tão fodidamente feroz que poderia fazer um buraco na parede e ainda não sentir nada. Eu aperto minhas mãos no meu colo.

— O idiota que fez isso com você...?

Ela morde o lábio e olha para longe. O homem das cavernas dentro de mim está batendo no peito, agora, pronto para bater pra caralho no idiota que fez isso com ela. Nenhuma mulher jamais deveria passar por isso. Especialmente ela. Definitivamente não ela.

— Eu posso machucá-lo, Isabella. Basta dizer as palavras e está feito.

Eu ouço sua ingestão aguda de ar. Olhos grandes de chocolates encontram os meus. Jesus, ela é de tirar o fôlego. Mesmo com o olho roxo.

Seus olhos são tão impressionantes como sabia que seriam.

Quebrando o nosso olhar, ela começa a examinar os óculos em sua mão com os olhos e os dedos como se sua vida dependesse disso. Eu não acho que ela vá dizer alguma coisa, e não tenho ideia do que mais dizer.

— Ninguém fez isso comigo. Foi apenas um acidente.

Suas palavras são de fala mansa, mas sinto como se elas tivessem me dado um soco no meu peito. Eu balanço minha cabeça.

— As pessoas não escondem acidentes como você está escondendo esse olho roxo. E o fato de você dizer que foi um acidente apenas confirma que alguém fez isso com você.

Seus olhos compreendem os meus. Há um incêndio inesperado neles. Eu gosto disso. Significa que tem alguma luta nela.

— Então, se alguém me machucou. Isso é da sua conta?

Uau, isso doeu. Por que essa agressividade? Eu cerro os dentes e inclino-me para trás na cadeira.

— Você está certa. Não é da minha conta.

Sua raiva desaparece instantaneamente. Tão rápida, que me surpreende.

— Deus, sinto muito. Isso soou. Eu não — Ela se mexe na cadeira, os dedos puxando o lábio inferior. — Eu não costumo agir como uma cadela. Eu realmente aprecio a sua oferta, mas machucar... Ele... Não é necessário.

Viro a cabeça e olho-a diretamente nos olhos.

— Parece necessário do lugar onde estou sentado.

Sua mão cai de volta ao seu colo.

— A violência nunca resolve a violência.

Este imbecil deixou o seu olho roxo, e ainda ela pensa dessa forma. Ela é a porra de um anjo, ou muito estúpida. Pelo que já vi dela, vou com o anjo. Espero que ela não prove que estou errado sobre isso.

— Talvez não. — Eu observo que seus olhos estão em minha boca, então molho meu lábio inferior com a minha língua. — Mas confie em mim, é a única linguagem que a escória, como o bastardo que fez isso com você, entende. E isso me faria sentir muito melhor sabendo que ensinei-lhe boas maneiras e significaria que ele manteria suas malditas mãos longe de você.

Sério, uma vez que terminasse com ele, ele sequer respiraria na direção dela novamente. Eu quero muito machucar esse imbecil. Tanto quanto quero estar entre as coxas dela. Por quê? Eu mal conheço essa menina. Será que é porque quero transar com ela mais do que jamais quis foder alguém antes. Não, não é isso. Então o que diabos é isso? Eu olho para ela, e vejo que seus olhos se encheram de lágrimas.

Merda, não chore. Eu não faço garotas chorar.

— Olha — começo a falar rapidamente para afastar as lágrimas — Eu só estou dizendo que se você quer que o machuque, vou. Chame isso de minha maneira de te pagar de volta por cuidar de Dozer. Se você não quiser isso, então tudo bem. Não é grande coisa.

Mordendo o lábio, ela acena. Uma lágrima cai de seus longos cílios, respingando em seu jeans. Meu peito começa a se sentir apertado.

Que porra é essa?

Eu olho para longe, dando-lhe a privacidade enquanto ela passa os dedos sobre os olhos para secá-los. E também para que eu possa apagar essa maldita dor no meu peito.

— Isabella, só quero que você saiba que nem todos os homens são idiotas.

Mas. Que. Porra? Nem todos os homens são idiotas? Jesus Cristo, Cullen. Sim, nós somos. Tem apenas variados graus de idiotices masculinas. Eu sou um idiota. Daqueles que nunca levantaria a mão para uma mulher, e fodidamente abomino homens que fazem isso. Mas não tenho absolutamente nenhum problema em foder uma garota, e então me afastar no segundo em que meu pau estiver fora dela. Caso em questão – a fulana de ontem.

Veja, nem lembro o nome dela. Isso é o quão idiota sou. O estranho é que... Eu não quero que Isabella pense que sou um idiota. Eu quero que ela goste de mim.

É toda essa coisa de donzela em perigo. Tem que ser. E a maneira como ela cuidou de Dozer antes, tão gentil com ele. Malditamente incrível. Isso está fodendo as coisas para mim. Eu arrisco um olhar e seus grandes e brilhantes olhos chocolates estão piscando para mim. Cílios longos batem contra as maçãs do rosto. Jesus, ela é linda. Ela lambe os lábios e os pressiona juntos. Meus olhos caem para eles. Eu quero beijá-los. Ela. Em todos os lugares. Correr a minha língua sobre cada centímetro de sua pele macia e sedosa. Aposto que ela tem gosto de baunilha. Tem o mesmo sabor de seu cheiro. Eu quero abrir suas pernas e enterrar minha cabeça entre suas coxas. Lamber até que ela grite o meu nome. Em seguida, empurrar o meu pau profundamente e foder ela até que nós dois enlouqueçamos de prazer. Eu posso não ter feito o teste drive com ela ainda, mas sei que o sexo com Isabella Swan seria aquele tipo de bom. Eu tenho um pressentimento com essas coisas. Sim, sei que é totalmente inapropriado que queira isso neste exato momento, mas as pessoas buscam conforto em situações difíceis, certo?

E Dozer entenderia. Esse cão tem tanto tesão quanto eu. Ele está cansado de trepar com cada peça de mobiliário que possuímos. Uma vez peguei ele ejaculando numa mesa de madeira no jardim. Pobre coitado estava tão desesperado para liberar aquilo que ele correu o risco de se despedaçar. Eu realmente acho que ele deveria fazer sexo. Puta merda. Dozer é virgem. Agora isso não está certo. Juro por Deus, aqui e agora – vou arrumar isso pra Dozer e prometo que a primeira coisa que vou fazer será ligá-lo à cadela mais gostosa que conseguir encontrar. Não que eu saiba nada sobre cadelas gostosas... Sim, peguei isso, sou tão engraçado quanto tenho boa aparência. Mas acho que um cão ideal como um poodle ou algo assim iria funcionar para Dozer.

— Então, Edward... — Eu seriamente gosto da maneira como ela diz meu nome. — Dozer é um nome incomum para um cão. De onde é que veio isso? Ele dorme muito? — Seus lábios forçam um sorriso, e meu pau pulsa em resposta. Ela está mudando de assunto, e posso lidar com isso. Deixo escapar uma risada e olho para longe antes que faça algo estúpido como imitar Dozer e tentar ejacular na perna dela.

— Sim, ele dorme muito, mas isso não é de onde veio. Dozer estava perdido. Encontrei-o na nossa porta uma noite, quando ele era um filhote. Ele estava morrendo de fome, por isso, nós o pegamos e o alimentamos. Nós colocamos panfletos, mas ninguém o reclamou, então ficamos ele. Na primeira semana em que ele ficou com a gente, ele quebrou uma porrada de coisas - enfeites, pratos, copos, até mesmo uma janela.

Eu ri novamente, lembrando-me de como meu pai ficou chateado quando Dozer pulou de cabeça na janela da sala tentando pegar um pássaro na varanda. A janela ficou destruída. — Basicamente Dozer quebrou tudo o que tocava, e meu pai disse que ele era como um trator, derrubando tudo em seu caminho, e isso meio que pegou. Acabou sendo encurtado para Dozer,(que significa +ou - cochilar em inglês) porque ele pode ser um pouco sonolento, às vezes. — Eu sorrio então olho em direção ao corredor. — Eu sempre pensei nele como invencível, você sabe.

— Ele vai ficar bem, Edward. É apenas uma perna quebrada, bem, não apenas uma perna quebrada, porque pernas quebradas são incrivelmente dolorosas, quero dizer...

Seu rosto ficou vermelho. Ela está nervosa. Bonitinho.

— Eu sei o que você quer dizer. — Eu sorrio. Um pequeno sorriso toca seus lábios.

— Além de sua perna, realmente não acho que há algo mais para se preocupar. — Ela toca no meu braço com os dedos. É um toque suave, quase imperceptível. Mas mesmo assim, meu sangue se transforma em lava derretida com o contato. Ela retira a mão. Com um olhar de surpresa em seu rosto.

Você está surpresa, querida? Bem, você não é a única. Com lava quente inundando diretamente o homem principal, falo para me distrair do meu pau duro.

— Então você é médica — digo só me lembrando disso. Como diabos vou esquecer? Inferno, ela é um real, verdadeiro sonho erótico.

— Estudando para ser — diz ela em voz baixa.

— Onde?

Ela me olha de relance.

— Harvard.

Harvard. Ela é linda e incrivelmente inteligente. Não há nada menos que perfeito sobre ela. Exceto pelo babaca do ex.

— Ivy League. Legal — Concordo com a cabeça, impressionado. Ela encolhe os ombros em resposta e olha para o chão, balançando os pés.

Então, ela é de Boston. Interessante. Eu não me lembro de ter visto isso no formulário que ela preencheu na noite passada, mas estava muito ocupado, fodendo ela com os olhos, para perceber de onde ela era. O que ela está fazendo aqui, então? Eu diria que de férias, mas as mulheres raramente ficam de férias sozinhas, e elas sempre fazem viagens pré-planejadas. Aparecendo no Golden Oaks como ela fez... Esta não foi uma viagem planejada. E acho que tem algo a ver com o idiota que marcou aquele rosto perfeito.

— Então, você é originalmente de Boston?

Vejo-a hesitar. Todo o seu corpo se endureceu novamente.

— Sim — diz ela em um suspiro. — Vivi lá toda a minha vida.

— O que você está fazendo aqui no Colorado?

Ela se mexe em seu assento, inclinando o corpo para longe do meu.

— Eu estou tentando, um... — Ela limpa a garganta. — Estou aqui para encontrar a minha mãe.

Não esperava por isso.

— Você é adotada?

Eu mencionei que não tenho filtro?

Ela balança a cabeça.

— Não, morava com meu pai. Minha mãe nos deixou quando era um bebê.

— Merda — digo. — Portanto, o seu pai... Ele está bem com você aqui fora, sozinha à procura de sua mãe? — E por que ele não chutou o traseiro do filho da puta que a machucou?

— Meu pai está morto.

Merda. Acho que isso responde às minhas perguntas. Mas o que me surpreende é a falta de emoção na voz dela sobre seu pai estar morto. Perder a minha mãe foi horrível – pra lá de horrível. Eu adorava minha mãe. Se perdesse o meu pai... bem, o meu mundo iria implodir.

— Sinto muito. — É uma coisa de merda para se dizer, mas realmente o que há mais para se dizer.

— Obrigada. — Nada de emoções novamente. Estranho. Eu giro em direção a ela.

— Então, sua mãe mora aqui?

Ela remove seu cabelo dos olhos.

— Aparentemente, sim. Eu tenho um endereço, mas foi há mais de vinte anos. Se ela ainda mora lá ou não, não tenho certeza.

Eu aceno com a cabeça em concordância.

— Qual é o nome da sua mãe? Eu vivi aqui toda a minha vida. Se ela ainda estiver aqui, talvez a conheça. Se não, o meu pai a conhecerá. Ele era um policial. Ele conhece todo mundo.

Ela suga o lábio superior em sua boca. Uma imagem de mim fazendo exatamente a mesma coisa reproduz uma cena na minha cabeça.

— Renée Swan. Bem, esse era o seu nome de casada. Eu não sei o seu nome de solteira.

Eu remexo no meu cérebro para uma Renée. A única pessoa que posso pensar é Renée Parker, e ela é apenas alguns anos mais velha que eu e tem uma boca como um aspirador de pó.

Boas lembranças.

— Sinto muito. — Eu balanço minha cabeça.

— Está tudo bem. — Seu sorriso é triste.

— Ei, que tal se procurar o endereço no meu telefone? Ver se ela ainda mora lá?

— Você faria? Eu nunca pensei em fazer isso. Obrigada. — Ela pega sua bolsa e tira um pedaço surrado de papel, em seguida, entrega-o para mim. Eu pego o meu celular do bolso e digito o endereço e o nome Renée Swan no buscador. O que aparece faz meu coração afundar por Isabella. Eu quase não quero dizer a ela.

— Alguma coisa? — Deus, ela soa tão esperançosa.

Eu olho para ela.

— O endereço que você tem da sua mãe é um supermercado. — Oh. Jesus, posso literalmente sentir a decepção como se fosse minha. Meu peito fica apertado novamente. Sério, o que diabos é isso? Eu esfrego meu esterno com os dedos.

— As casas devem ter sido demolidas para a loja ser construída — digo — Sinto muito.

— Não sinta. Não é culpa sua. — Ela pega o pedaço de papel de mim e segura em sua mão. Ela sorri, mas é forçado. Ela parece tão perdida. Tão triste. É doloroso ver.

— Posso ajudá-la a encontrar sua mãe, se você quiser?

Que porra é essa! Eu fiquei louco? Eu não gasto tempo com as garotas fora do quarto. Tirando Angela, e isso é só porque ela joga no mesmo time que eu. Se passar um tempo com Isabella, sei o que vai acontecer. E não posso me enterrar nela. Sim, posso ter passado os últimos cinco minutos imaginando-a deitada de costas, e golpeando ela como uma britadeira, mas não sou um canalha completo. Eu posso não saber a história completa, mas é claro que esta garota tem passado por uma situação difícil com o idiota que lhe deu o olho roxo, e agora ela está à procura de sua mãe. A mãe que a abandonou quando ela era um bebê. Isabella pode ser a garota mais gostosa que já vi... Bem, ela é a garota mais gostosa que já vi na vida, e mais doce. E estou tão excitado com ela que meu pau chega a doer. Ele dói pra caralho. Mas a garota já tem o suficiente com que lidar. E gastar uma quantidade invariável de tempo ao redor de uma garota gostosa que não posso colocar meu pau dentro... apenas não é possível. Eu poderia muito bem estar na prisão. Ou no inferno. É mesmo, estou no inferno.

Este é retorno pela garota casada que transei. Ok, menti antes. Eu sabia totalmente que ela era casada quando transei com ela.

— Você ajudaria? — Ela soa esperançosa. — Quero dizer, não sei por onde começar, e você conhece as pessoas desta cidade, então você sabe com quem falar.

— Claro que ajudaria. — É isso. Continue falando idiota. Continue cavando aquele buraco mais profundo. — Como disse, devo a você pelo que você fez para o Bulldozer.

— Você não me deve nada, Edward. Eu queria ajudá-lo.

Ela disse meu nome novamente. Eu estou dominado.

— E eu quero ajudá-la.

E eu quero ajudá-la. Jesus, sou uma menininha. É oficial. Eu perdi a cabeça.

Então ela sorri. É grande e brilhante e deslumbrante como um soco no peito. E nas bolas.

Minha vida ficou seriamente dura. Mais ou menos como o estado permanente do meu pau, quando estou perto de Isabella Swan.

beiijos e até