Oi Gente!
Mais um capítulo.
Fico super feliz de saber que estão gostando da fic.
Falo com vcs lá embaixo.
Boa leitura
Isabella
Eu não posso acreditar no que acaba de acontecer. Eu só admiti a Edward – um cara que mal conheço – que Jacob me bateu. E também disse a ele sobre a minha mãe. A mãe que me abandonou. A mãe que dirigi por sete estados para tentar encontrar e ela nem sequer vive mais no endereço que tenho. Eu sou tão estúpida. Por que não verifiquei isso antes de dirigir por todo o país numa tentativa idiota de encontrá-la?
Mas o que vou fazer? Voltar para o meu apartamento e fazer um ménage com Jacob? Eu acho que não. Edward deve pensar que sou uma verdadeira bagunça. E uma idiota. Ele estaria certo em ambos os casos. Eu acho que é melhor se eu sair daqui. Eu vou voltar para o hotel, pegar minhas coisas e ir embora... pra onde? Eu vou encontrar outro hotel, e então posso descobrir o meu próximo passo. Eu só espero que ele não conte a ninguém o que ele já sabe sobre Jacob ter me batido. Por que ele faria isso? Ele não parece ser exatamente do tipo fofoqueiro. Mas, então ele disse que seu pai era um policial. E se...? Não, teria que denunciá-lo mesma, e realmente não acho que a força policial local estaria preocupada com uma estranha na cidade que por acaso tem um olho roxo. Mas preciso ir embora. Agora mesmo. Estou prestes a me levantar, me desculpar e correr para fora daqui, quando ele diz:
— Eu posso ajudá-la a encontrar sua mãe, se você quiser?
O quê? Ele quer me ajudar a encontrar a minha mãe? Há poucos minutos, ele se ofereceu para bater em Jacob, o que praticamente me derrubou e me fez lacrimejar. Ninguém jamais ofereceu ajuda assim para mim antes. E a ajuda vir de um homem torna ainda mais surpreendente e comovente. E agora isso... Ajudar-me a encontrar a minha mãe...
Está além da natureza. Ele estaria desistindo do seu tempo para me ajudar. Por que ele faria isso? Talvez porque ele realmente seja um cara bom, Isabella. Eu começo a perder a fala com a sua bondade, então mantenho a minha voz tão firme quanto posso.
— Você ajudaria? — Eu não posso esconder a esperança na minha voz. — Quero dizer, não sei por onde começar, e você conhece as pessoas desta cidade, então você sabe com quem falar.
E agora estou balbuciando. Ótimo.
— Claro que ajudaria — diz ele. — Como disse, devo a você pelo que você fez para Bulldozer.
Ele está me ajudando, porque o ajudei. Mesmo assim, é uma coisa tão ruim? Isso não faz dele um cara mau.
— Você não me deve nada, Edward. Eu queria ajudá-lo.
— E eu quero ajudá-la — diz ele.
Sua voz soa tão calorosa e admirável que não posso evitar o sorriso pateta que se espalha pelo meu rosto.
— Então, obrigada. Eu gostaria muito de aceitar a sua oferta para me ajudar.
— Ótimo. — Ele sorri.
Ele é tão encantador. E tão bonito. De repente tenho vontade estender a minha mão e tocar seu rosto. Eu aperto meus dedos, prendendo minhas mãos no meu colo. Ficamos em silêncio por um momento antes de Edward falar.
— Eu me pergunto por quanto tempo eles vão ficar com Dozer?
Eu olho para o relógio como se isso fosse ajudar.
— Tenho certeza de que não vai demorar muito. Eles provavelmente estão tirando uma radiografia da perna quebrada, e imagino que do peito também, para verificar se nenhuma das suas costelas está quebrada.
Ele está sorrindo para mim.
— O quê?— Eu digo, um pouco autoconsciente.
— Nada. — Ele balança a cabeça. — Você apenas soa muito diferente quando você está falando dessas coisas de médico. Você parece…
— Uma médica? — Eu sorrio.
— É. — Ele ri. — Uma médica.
— Bem, não estou lá ainda... Se alguma vez estarei — acrescento calmamente.
— E por que isso?
Eu olho através dele, sem saber o que dizer, ou porque disse o que acabei de dizer. Então os olhos de Edward se elevam, olhando por cima da minha cabeça. Eles rapidamente voltam para os meus, então abaixam para os meus óculos de sol. Ouço passos vindo em nossa direção, então levanto os óculos e coloco-os enquanto silenciosamente agradeço a Edward. Ele balança a cabeça levemente, em seguida, levanta-se, assim como eu.
— Como ele está? — Edward pergunta a Dr. Cale.
— Ele está indo muito bem. Ele ainda está dormindo com a anestesia, mas ele acordará em breve. Sua perna está quebrada, como você diagnosticou. — Ele dirige seu olhar para mim, depois de volta para Edward. — O problema é que o osso foi fraturado em dois lugares, então tive que fixá-lo com pinos para conseguir que cicatrize em linha reta.
— Mas ele está bem? — Edward pergunta, a preocupação em sua voz. Isso puxa meu coração.
Dr. Cale sorri.
— Ele está bem. Eu coloquei a perna no gesso. Ele vai precisar descansar e voltar em cerca de seis semanas para remover os pinos. Mas ele vai voltar a si a qualquer momento.
— Quando posso levá-lo para casa?
— Ele está em recuperação no momento. Eu quero mantê-lo aqui pelo resto do dia apenas para manter um olho nele. Você pode voltar hoje mais tarde para buscá-lo.
— Que horas?
Dr. Cale olha para o relógio.
— Digo, quatro e meia, e ele deve estar bem para ir.
Penny vem até nós.
— Se você pudesse vir comigo, só preciso pegar alguns detalhes de você — ela aborda Edward.
— Claro — diz ele.
Estou prestes a seguir Edward para a recepção, quando o Dr. Cale me para.
— Grande avaliação a que você fez anteriormente. A tala em sua perna foi um trabalho muito bom. Você vai ser uma boa médica. — Seu sorriso é genuíno.
Vergonha que não sinta isso. Eu não quero me tornar uma boa médica. Eu não quero ser o que Charlie criou. Eu afasto meu olhar.
— Obrigada.
— Bem... Boa sorte com o resto da faculdade de medicina.
— Obrigada. — Eu aceno.
— Certo. É melhor voltar para ele.
Eu o observo bater em retirada, então me viro para Edward e caminho. Ele está finalizando.
— Pronta? — Pergunta ele.
— Sim. Eu o sigo até seu carro.
— Está com fome? — Pergunta ele, dentro do carro. Eu toco meu estômago vazio com a minha mão.
— Um pouco.
— Isso era esperado. Você perdeu o café da manhã.
— Desculpe por isso. Eu não costumo dormir até tão tarde, mas estava muito cansada. Eu espero que você não tenha entrado em nenhum problema.
— Nah. — Ele balança a cabeça. — Vamos almoçar.
Ele se afasta do veterinário, para a rua, em seguida, começa a mexer com o rádio. Eu tiro meus óculos de sol e olho para o carro, analisando-o. Eu nunca estive dentro de um Mustang antes de hoje. É um carro muito bom. Muito legal. Eu sei que disse ontem que é para aumentar seu pênis, mas conhecendo Edward agora, realmente não acho que ele iria precisar de alguma ajuda nesse departamento. Não que tenha visto nada para saber, mas ele é tão confiante e este carro ajusta isso a ele. Ele reflete a sua confiança e charme.
— Este é um carro muito bom — comento.
Escolhendo uma estação, ele descansa a mão no volante.
— Obrigado. Eu ganhei.
— Ganhou? Como em uma loteria de carro ou algo assim? — Eu provoco.
Edward solta uma gargalhada.
— Não, cartas. Ganhei em uma mão de pôquer.
— Uau. Deve ter sido algo incrível — digo impressionada.
Tirando a mão direita do volante, ele flexiona seus dedos entre nós. Um sorriso parecido com o diabo aparece em seus lábios.
— Oh, você não tem ideia, baby.
Baby?
Puta merda. Ele está...? Ele acabou de flertar comigo? De maneira nenhuma. Mesmo assim, minhas bochechas coram. Fingindo que suas palavras não têm absolutamente nenhum efeito sobre mim, limpo minha garganta.
— Você gosta de jogar cartas?
— Eu costumava gostar. — Há algo estranho em seu tom de voz. Isso imediatamente me deixa curiosa. Normalmente não sou intrometida. Eu não pergunto coisas às pessoas, porque não quero que elas me questionem em troca. Mas ele sabe sobre Jacob, e algo em Edward me faz querer saber mais sobre ele. Eu sinto que poderia sentar e ouvi-lo falar por horas, e nenhuma vez ficar entediada.
— Costumava gostar? — Eu questiono.
Eu observo seus dedos baterem inquietos contra o volante.
— Eu apostava um pouco. Eu gostava de jogar cartas. Depois que minha mãe morreu, uh... Isso ficou um pouco pior.
— Sua mãe morreu. — Eu pressiono minha mão no meu peito. — Deus, sinto muito, Edward.
Ele balança a cabeça.
— Nós dois perdemos um parente. Acho que temos isso em comum.
— Coisa estranha de se ter em comum — digo.
Bem, não é como se pudesse lhe dizer que o dia em que Charlie morreu foi o melhor dia da minha vida. Ele nunca iria entender.
— Sim, é — diz ele em voz baixa.
— Como ela morreu? Se você não se importa que pergunte?
Ele balança a cabeça, os olhos fixos à frente.
— Câncer de pulmão. Estágio quatro. Nunca fumou um dia em sua vida. Eu estava fora, viajando com alguns amigos no Sudeste da Ásia, quando recebi o telefonema do meu pai que ela estava doente. Eu vim direto para casa. Ela passou por uma cirurgia... Quimio... Não funcionou.
Seus ombros erguem com um suspiro pesado.
— Depois que ela morreu, eu, uh... Bem, a vida ficou um pouco difícil. Louco, sabe? Uma espiada. Eu pego a tristeza em seus olhos antes que ele olhe de volta para a estrada à frente. — Então tive um alerta, e mudei minhas ações. E aqui você vê o novo, quase responsável eu. — Ele passa a mão por ele mesmo, sorrindo, mas posso dizer que é forçado. E foi aí que vejo o quebrado nele. Não quebrado do jeito que sou, mas há definitivamente algo. Ele parece como se estivesse carregando um pesado fardo de culpa sobre sua mãe.
Eu me mexo no meu lugar, então estou olhando para ele.
— Bem, não conheci o Edward de antes, mas esse Edward é extremamente gentil.
Ele ri, mas é mais uma zombaria. Autodepreciativo.
— Sim, um pouco. Esse sou eu.
— Eu acho que você é. E bem, uh, isso é que conta. Para mim. — Eu abro meus lábios, tomando uma respiração profunda.
Ele olha através de mim novamente, e os nossos olhos se encontram. Eles se conectam. Minha pele cora. Minha boca seca. Meus batimentos cardíacos ficam irregulares. Eu tenho uma vontade súbita e muito urgente de me inclinar e beijá-lo. Quebrando seu olhar, viro para frente e começo a cutucar fiapos imaginários no meu jeans. Não voltamos a falar até que estacionamos do lado de fora do restaurante. Eu coloco meus óculos de sol e saio do carro.
— Eu comi aqui ontem à noite — comento, sobre o meu ombro.
— Eu sei.
Eu me viro, meus músculos travados de tensão.
— Como você sabe disso? — Eu sei que minha voz é cortante, mas não posso evitar. Ele franze a testa um pouco. Descansando a mão no teto do carro, ele diz,
— Angela, a garçonete que serviu você na noite passada, ela é uma grande amiga minha. Ela me ligou para me avisar que você estava vindo.
— Ah, certo. — Muito exagerada Isabella. Correndo a mão pelo meu cabelo, dou risada, mas soa falsa. — Faz sentido então do porque ela recomendou o seu hotel, sendo sua amiga. É claro que ela faria. Não que seja um hotel inferior ou qualquer coisa, porque não é. É ótimo. O melhor hotel que já fiquei.
Jesus Cristo. Pare de falar. Agora. Eu realmente preciso de uma mordaça enquanto estiver perto dele.
Edward ri. Ele dá a volta em seu carro na minha direção, com o que parece ser uma camisa xadrez na mão.
— Eu acho que você possa querer usar isso. — Ele balança a cabeça em direção a minha barriga nua. Deus, não posso acreditar que esqueci que a minha camiseta está toda rasgada. Isso não se parece comigo. Eu geralmente sou muito cautelosa com o que estou vestindo. Eu tive que ser, por causa do meu pai. E Jacob. Eu imediatamente cubro minha barriga com meus braços. Então, com a mão livre pego a camisa que ele está estendendo para mim.
— Obrigada — digo, colocando a camisa. Tem um cheiro másculo. Amadeirado. Tem cheiro dele. Eu acho que nunca mais vou querer tirar esta camisa novamente.
Se aproximando, ele pega camisa e começa a abotoá-la.
— Eu não quero que as pessoas pensem que foi atacada — ele diz baixo, com um sorriso. Eu sinto isso em cada parte de mim. Não posso me mover. Eu estou apenas olhando para ele, observando seus olhos traçarem cada botão enquanto ele os abotoa, enquanto me lembro de respirar. Habilmente, ele logo chega ao topo. Seus olhos se erguem para os meus. Eu tento não notar que sua respiração se intensificou um pouco, como a minha. Ou que sua mão está demorando na camisa, junto ao meu peito, embora os botões estejam todos abotoados.
Eu engulo.
— Obrigada, — sussurro, minha voz quebrando a palavra.
Com um aceno de cabeça, ele se afasta de mim.
— Vamos, vamos te alimentar.
Com meu pulso galopando, sigo Edward, para o restaurante. Ele não espera para ser encaminhado à mesa, apenas ignora a recepção vazia, então sigo atrás, ainda me sentindo um pouco fora de equilíbrio por toda a coisa de abotoar a camisa. Ele faz um gesto para me sentar primeiro, então deslizo para dentro da cabine. Edward se senta à minha frente. Vejo Angela caminhando em nossa direção. Ela olha entre mim e Edward. Uma carranca em seu rosto bonito. Ela não parece feliz em vê-lo aqui comigo, e começo a me perguntar se eles são mais do que apenas amigos. Eu também não gosto de como o pensamento deles juntos faz eu me sentir. Ciumenta. Apreensiva. Invejosa.
— Ei, você. — Ela bagunça o cabelo dele.
— Cuidado com meu cabelo! — Ele bate na sua mão, rindo. Ela empurra seu ombro.
— Não se preocupe você ainda parece bonito. — Seus olhos se lançam para mim, depois se voltam para ele.
— Angela, quantas vezes tenho que lhe dizer que os homens não são bonitos. Somos gostosos. Deslumbrantes. Fodidamente incríveis. Mas não bonitos.
Olhando para mim, ela revira os olhos. Eu não posso deixar de rir. Edward sorri para mim.
Eu sinto isso também. Principalmente na minha região sul.
— Angela, você já conheceu Isabella. — Ele aponta para mim.
— Eu conheci. — Ela sorri. Parece genuíno, o que ajuda um pouco com a minha preocupação.
— Obrigada novamente por recomentar o hotel — digo. Ela olha para Edward novamente, mas ele está olhando para mim. Os olhos dela se voltam para mim. E noto curiosidade e, possivelmente, um pouco de humor neles. Isso me deixa curiosa.
— Sem problema. — Ela sorri novamente. — Eu não esperava vê-lo aqui hoje — diz ela para Edward. Seu rosto muda para uma expressão carrancuda.
— Algum doido atropelou Dozer com seu carro.
— Oh meu Deus! — Ela bate a mão sobre sua boca. Sentando ao lado de Edward, ela o obriga a mudar de lugar. — Ele está bem?
Edward concorda em minha direção.
— Graças a Isabella ele está.
Eu posso sentir minhas bochechas se aquecerem.
— Eu não fiz nada, não realmente.
— Sim, você fez. — Ele me dá uma olhada, antes de virar para Angela. — Ela examinou as lesões dele e viu que sua perna estava quebrada, então ela rasgou sua camisa e imobilizou a perna. Isabella está estudando para ser médica — ele informa a ela.
— Uau — diz Angela, olhando para mim. Eu me mexo desconfortavelmente no meu lugar. Eu realmente não estou confortável com essa conversa ou atenção. Eu não gosto do foco estar em mim. — Acho que isso explica porque você está vestindo uma das camisas da Edward — acrescenta ela com um sorriso.
Meu rosto instantaneamente pega fogo.
— Oh, sim. — Eu olho para baixo, brincando com os botões e tentando esconder o rosto.
— Nós poderíamos pedir? Isabella não comeu nada desde ontem à noite — diz Edward, mudando de assunto. Acho que ele pôde sentir o meu desconforto com toda a conversa sobre a camisa. — Ela perdeu o café da manhã ajudando Dozer, então a trouxe para o almoço enquanto espero para ir buscá-lo.
Ela acena com a cabeça.
— Absolutamente. Então Dozer vai ficar bem?
— Sim. Ele vai ficar bem.
— Ótimo. — Ela dá um tapinha no ombro dele e fica de pé. — Deixe-me pegar algo para vocês comerem. Parece que vocês precisam. O de sempre, Edward?
— Sim.
— Isabella, o que posso trazer para você? — Ela olha para mim. Eu pego o cardápio na mesa e rapidamente analiso.
— Eu vou querer um sanduíche de frango com salada e uma coca diet, por favor. Ela sorri.
— Legal. Eu não demoro.
Eu observo ela ir embora para a cozinha. Edward muda de assento e volta à minha frente, colocando-se diretamente na minha linha de visão. Ele repousa suas mãos sobre a mesa, inclina a cabeça e olha para mim. Então percebo que estou puxando meu lábio novamente. Eu coloco minhas mãos no meu colo.
— Você faz isso quando está nervosa. — Não é uma pergunta. Concordo com a cabeça. — Você está nervosa agora. Por quê?
Eu levanto os meus ombros, olhando para qualquer lugar, menos pra ele.
— Eu não tenho certeza.
Ele se inclina para frente, apertando suas mãos.
— Você não precisa ficar nervosa perto de mim, Isabella.
Eu encontro o seu olhar caloroso.
— Eu sei. — Eu aceno.
— Ótimo. — Ele sorri e relaxa suas costas. — Eu estive pensando sobre encontrar sua mãe, e como fazer isso. — Ele pega um pacote de açúcar do suporte e começa a brincar com ele. — Eu pensei que seria melhor começar com o básico, como Google, Páginas Amarelas, Registros Públicos, esse tipo de coisa. — Parece um bom plano.
É claro que parece. Qualquer plano soaria bom para mim, porque não tenho nenhuma ideia de como procurar minha mãe desaparecida. Colocando o açúcar na mesa, ele puxa o celular do bolso.
— Ok, vamos começar.
— Agora? — Meu olhar encontra o seu.
— Não há melhor tempo como o presente... A menos que você prefira que eu espere?
— Não. Agora está bem. — Eu forço um sorriso, sabendo como afetada minha voz soa.
— Se você tem certeza.
— Eu tenho certeza. — Estou certa que minha voz soa mais dura do que quero. Eu só estou com medo. Quero encontrar minha mãe, mas o medo do desconhecido está subitamente nublando isso. Edward olha para mim com uma confusa simpatia no rosto. Eu olho para ele até que não posso mais suportar. Odeio simpatia.
Virando meu rosto, olho para fora da janela.
— Tudo bem. — Ele exala. — Vou começar com registros públicos.
— Claro — murmuro. Minhas mãos se sentem inquietas, então as envolvo ao redor do meu estômago, que está virando. Eu posso me sentir desfazendo.
— Qual era mesmo o nome da sua mãe?
— Renée Swan.
Ele digita. Mais medo e pânico em mim. Eu não acho que estou pronta para isso. Minhas pernas estão ansiosas para me tirarem daqui. Eu preciso sair. Eu preciso de comida. Eu preciso ficar sozinha. Edward solta um suspiro alto, trazendo minha atenção para ele. Sua testa está franzida com seus pensamentos. Ele parece realmente adorável. E de repente toda a minha atenção está nele.
— Eu verifiquei o nome de sua mãe entre o Colorado e Novo México, pois estamos tão perto de lá, achei que valia a pena tentar, e apresentou dez Renée Swan. Nenhuma em Durango. Mas três estão em cidades vizinhas. Uma em Montrose. Uma em Gunnington. E a outra em Farmington, Novo México, que é apenas uma hora de distância. Então acho que elas são as melhores para começar. Ele coloca o telefone em cima da mesa e passa a mão pelo cabelo, encontrando meus olhos, que estão fixos nele. Vendo o calor em seus olhos faz meu coração bater como um tambor.
— Nós podemos fazer o download dos relatórios completos sobre elas, endereços e assim por diante. Eu vou fazer isso quando voltarmos para o hotel.
Eu gosto de como ele pensa em coisas que eu não pensaria. Eu nunca teria pensado em verificar no Novo México. Com medo de lado, estou tão feliz que ele está me ajudando. Acho que vou encontrá-la muito mais rápido com a sua ajuda.
— Obrigada por fazer isso por mim.
— Sério, pare de me agradecer. Eu só faço as coisas porque quero. E quero ajudá-la, ok?
Ninguém nunca falou comigo ou me tratou como ele me trata. Como se fosse uma pessoa que importasse. Que sirvo para alguma coisa. Isso faz o meu coração se sentir quente e vivo de uma forma que nunca aconteceu antes. Conheço Edward por um curto espaço de tempo, mas esse tempo parece irrelevante quando estou sentada aqui com ele. É assustador. Mas um assustador bom. Eu gosto disso. Eu gosto dele.
— Tudo bem. — Eu sorrio.
Edward
Eu disse a Isabella que estou livre da pessoa que costumava ser. Que sou responsável agora. Sim, certo. Eu não aposto mais, mas... Se ela soubesse a razão pela qual tinha parado de apostar, ela pensaria que eu era o mais baixo dos baixos. Eu tento ser responsável, tento me manter longe de problemas, mas eles parecem me seguir em todo lugar que eu vá. Ou talvez eu só os atraia.
Sim talvez. Eu absolutamente os atraio. Mesmo depois de tudo o que aconteceu, continuo trazendo merda para porta do meu pai. Eu transei com uma mulher casada, pensando unicamente com meu pau, e o marido puto apareceu no hotel. Eu estava muito aliviado que meu pai estava fora, quando ele apareceu. Mesmo que ele tenha descoberto sobre isso mais tarde, estava feliz por ele estar fora do circuito. Eu não quero que ele se meta em mais merda por minha causa. Ele já perdeu muito pelas minhas mãos. Não que ele alguma vez disse isso. Ele nunca iria me culpar um dia em sua vida. Meu pai nunca me faz sentir como uma decepção, mas sei que sou. Felizmente, o fiasco do marido com raiva não culminou em um ponta pé, e isso foi graças a Angela e sua capacidade de acalmar homens furiosos. Mas não posso continuar fazendo merdas como essa. O problema é que não sei como ser bom. Tirando as apostas da questão, ficam as mulheres. Preciso manter minha mente ocupada quando tenho o desejo pelas mesas, o que é frequentemente. Foder ajuda com isso. Então fodo com frequência. Eu só tenho que ter cuidado com as mulheres que escolho para foder, pois não quero que qualquer coisa que eu faça volte para o meu pai. Então, definitivamente, não as casadas. E não as hóspedes do hotel - que significa nenhuma Isabella Swan. Minha lista de motivos para ficar longe dela não para de crescer.
Ela é uma hóspede do hotel. Ela tem mais bagagem do que JFK. Mas, principalmente, porque ela é muito, muito boa para alguém como eu. Nada de bom pode vir de Isabella se envolvendo comigo. Bem, alguma coisa boa poderia vir – trocadilho totalmente intencional – mas após o ato físico, a realidade me traria de volta para a Terra. Ela merece mais do que poderia dar a ela. E estou fazendo o bem, eu acho. Eu estive perto dela por um bom tempo até agora. Sim, sei o que você está pensando, tem sido menos de um dia em sua companhia. Mas acredite em mim, isso é algum tipo de recorde não ter tentado transar com ela. Meu único deslize foi antes, no carro, quando flertei com ela. Mas isso não foi nada comparado ao que costumo fazer. Eu simplesmente não pude resistir. E o olhar no rosto dela... tão bonito. Suas bochechas ficaram rosa, e ela olhou surpresa e envergonhada. Você pensaria que ninguém nunca flertou com ela antes, mas com aquela aparência, acho muito difícil de acreditar.
Estamos de volta ao hotel, e estou na cozinha fazendo um pouco de café. Depois de ter terminado o almoço no restaurante, ainda havia uma hora para matar antes de ter que pegar Dozer, então trouxe Isabella de volta para o hotel e baixei as informações que encontrei. Eu imprimi os detalhes enquanto Isabella foi trocar a sua camiseta rasgada. Ela devolveu a minha camisa antes de ir se trocar. Eu não tenho vergonha de dizer que a cheirei assim que ela foi embora. Cheiro incrível.
Um material total de masturbação.
Sério, se Isabella Swan fosse um perfume engarrafado, pulverizava tudo em meus travesseiros. E nas minhas roupas. Inferno, pulverizava em mim mesmo.
Quando ela voltou, estava de banho tomado, e seu cabelo ainda estava um pouco úmido, aroma de baunilha flutuava ao redor dela. Ela estava vestindo um top rosa pálido e calça jeans que abraçavam sua bunda, e meu pau quase saltou da minha calça jeans. Ela parecia linda. Levou uns bons minutos para ter a minha cabeça funcionando corretamente antes que pudesse sentar com ela e começar a examinar os detalhes. Ela parecia tranquila enquanto eu falava das informações que tinha imprimido, então deixei-a sentada na varanda, pensando que ela precisava de um momento. Daí a razão pela qual estou aqui fazendo café. Eu acho que ela vai processar as coisas. Eu não posso imaginar como ela deve se sentir ao saber que sua mãe a abandonou. Eu nunca tinha sido abandonado, mas em mães morrendo tenho experiência. Minha mãe verdadeira, Esme, morreu no parto. Ela tinha um problema de coração que eles não sabiam e o estresse de dar à luz a matou. Ela não era casada com meu pai. Eles eram jovens, em um relacionamento estável, mas meu pai não tinha usado camisinha, então, nove meses depois foi " Olá Edward". Após Esme morrer, meu pai me criou sozinho com a ajuda do meu avô. Quando eu tinha dois anos, Mary, minha madrasta, que sempre chamo de mãe, já que ela é a única que conheci, voltou para a cidade, e ela e meu pai voltaram a ficar juntos. Papai e mamãe eram
namorados de infância. Mamãe deixou a cidade para ir para a faculdade, mas meu pai ficou aqui e foi para a academia de polícia. Antes dela ir embora eles se separaram, e foi aí que ele conheceu Esme e me teve. Mamãe morreu há quatro anos, e ele não olhou para outra mulher desde então. Papai teve um momento tão difícil em sua vida. Ele perdeu as duas mulheres que ele amou. Acho que perdê-las matou a sua fé no amor. Totalmente compreensível. E é por isso que fico solteiro. Eu só me preocupo com uma mulher quando preciso transar.
O telefone começa a tocar.
— Golden Oaks.
— Ei filho, como você está?
— Oi Pai, estou bem. Como está o vovô e o que ele está fazendo? Ele ainda não te deixou louco?
Ele ri.
— Claro. Você sabe como seu vovô é. Como estão as coisas no hotel?
— Sim, muito bem. Temos uma hóspede no momento. Ela ficará aqui por duas semanas. — Ela? — Silêncio. — Você tem uma mulher ficando aí agora?
— Sim, papai. — Eu suspiro.
— Ela está sozinha?
— Sim.
— Quantos anos ela tem?
— Eu não sei, a minha idade, talvez alguns anos mais nova.
— Será que ela tem um namorado?
— Jesus, pai. — Eu suspiro novamente. — Eu não sei o seu estado civil -— Uma mentira. — Porque não preciso saber. Eu não vou tocá-la, ok? Ela não é meu tipo. Essa é uma pequena mentira. Isabella não é o meu tipo de costume. Ela é muito mais.
— Toda menina é o seu tipo, Edward.
— Nem toda menina! — Eu zombo. — Eu nunca iria dormir com uma garota feia. Caramba, me dê alguma porra de crédito, pai.
— Jesus, Edward, você tem que xingar tanto? — Sim, porra tenho que fazer. Como os pais têm a capacidade de transformá-lo de um homem crescido em um adolescente em questão de segundos?
— Então, ela é feia? — Diz ele, começando de novo.
— Quem? — Eu digo cansado. Ele solta um suspiro alto.
— A menina que você não tem intenção de tentar levar para a cama.
— Bem... Não, ela não é o que eu chamaria de feia...
Ele ri. Alto. Isso realmente me irrita.
— Olha, sei que você acha que estrago tudo, e sei que é minha culpa, mas sou plenamente capaz de manter minhas mãos para mim. Vou ficar longe dessa garota. Ela é uma hóspede. Fim.
— Whoa, acalme-se, filho. Primeiro, não acho que você estraga tudo. Você está me ouvindo? Eu só me preocupo com você. Privilégio dos pais. Eu só quero que você seja feliz, mas você parece sempre procurar a felicidade em todos os lugares errados.
Isso está ficando um pouco mais profundo do que gosto. Eu não faço nada profundo. Especialmente com o meu pai. Eu inclino meu braço contra a parede e descanso minha testa nele. Eu solto um suspiro.
— Eu estou bem, pai. Estou feliz. Olha, tenho que ir. Diga oi para o vovô, por mim, sim?
— Claro. — Ele soa resignado, e estou feliz. Eu não quero essa conversa acontecendo por mais tempo do que o necessário. — Tome cuidado, filho. Falo com você em breve.
Eu desligo o telefone, em seguida, percebo que me esqueci de contar a ele sobre o acidente de Dozer. Que seja. Eu não estou a fim de ligar de volta agora. Vou dizer a ele mais tarde.
Levo nossos cafés para fora. Isabella está sentada à mesa. Sem seus óculos, ela se recostou na cadeira, a cabeça inclinada, olhando para o céu. Eu observo-a por mais tempo do que deveria. Sua cabeça se levanta de repente, e ela me pega olhando. Agindo como se não houvesse nada de estranho em olhar fixamente para ela, sorrio e caminho, colocando o café na mesa à sua frente.
— Obrigada. — Ela sorri para mim, e parece que levei um soco no peito.
Isso seriamente está começando a me deixar louco. Não os sorrisos... Não, esses são impressionantes. É a minha reação a eles que está me irritando. Minha reação a ela. Sento na cadeira em frente a ela. Recostando-me, tomo um gole de meu café.
— Alguma ideia de onde você quer começar? — Eu aceno para os papéis à sua frente.
Isabella toma um gole de café, seus olhos me observando sobre a borda do copo.
— Eu pensei que talvez pudesse começar com a Renée que mora em Farmington. Essa é a maior cidade, certo? Porque pensei que se fosse ela e estivesse fugindo seria para onde iria. Ou talvez fosse para outro estado, então ficaria mais difícil de ser encontrada.
Seus lábios se apertam. Eu sinto uma pontada de... Eu não sei. Tudo o que sei é que realmente não gosto de vê-la triste.
— Pense positivo, Isabella. Comece com o que temos e vamos daí.
Seus olhos se levantam.
— Você está certo. Eu vou dirigir até lá amanhã.
— Nós. — enfatizo. Eu poderia realmente me esquivar de ir para Farmington. Eu tenho evitado esse lugar como uma praga desde o que aconteceu com o meu pai. Mas não posso deixá-la ir sozinha. E a probabilidade que eu veja alguém que não quero ver, durante o dia, é quase nula. Os viciados como eu só saem para jogar à noite.
Isabella coloca a xícara na mesa.
— Você não tem que vir comigo. Você já me ajudou bastante e tem o hotel para cuidar.
Inclinando-me para trás, cruzo minha perna por cima da outra e descanso meu tornozelo na minha coxa.
— Caso você não tenha notado, não estamos exatamente ocupados. Você é a minha única hóspede, por isso chame este pacote de tudo incluso. — Eu sorrio para que isso não saia tão assustador. Ela ri. Bom sinal.
Sua sobrancelha levanta, e ela começa a puxar naquele maldito lábio novamente.
— Então... O que é que este pacote tudo incluso envolve?
Hmm. Ela está flertando comigo. Interessante. Muito. Interessante.
— Nada específico. É mais um "tente e veja o que acontece".
— Certo. — Ela não desviou seus olhos dos meus. Estou realmente gostando da direção que isso está tomando. Eu não deveria, mas não posso evitar. Eu me interesso por Isabella, e não estou descartando isso até que saiba o que significa. Minha respiração acelera, então tomo um gole de meu café para disfarçar, mas não tiro os olhos dela.
— Mas parte desse pacote significa que vou com você amanhã. Eu realmente não acho que é seguro você dirigir por aí sozinha.
Um pequeno franzido se forma entre suas sobrancelhas, e fogo ilumina seus olhos. É sexy, mas sei o que a irritou. Eu tinha isso indo a uma boa direção, mas tinha que abrir minha boca grande e arruinar tudo. Ela cruza os braços sobre o peito. Isso empurra seus seios perfeitos para cima; seios que estou realmente tentando não olhar.
— Edward, dirigi por sete estados só para chegar aqui. Eu posso dirigir para fora da cidade. — Ela parece irritada, e seu lábio se sobressai. Eu não posso deixar de rir. Ela assim é tão adorável. Estou tentado a jogar toda a cautela ao vento, e ter seu rosto em minhas mãos e beijar aqueles belos lábios.
— Eu entendo — digo, escondendo meu sorriso. — Você pode cuidar de si mesma. Mas apenas faça a minha vontade. Lembre-se, cresci sendo o filho de um policial, sei sobre o lado ruim de mulheres dirigindo sozinhas por longas distâncias. Nossa, só de saber que você fez isso para chegar até aqui me faz ter urticárias. E isso não seria bonito. Você não quer ser responsável por me fazer parecer feio, não é? O tipo de feio que assusta as crianças pequenas. — Eu faço uma careta e ela sorri. Eu estou brincando, porque não quero ferir a autoconfiança e independência que ela precisa tão claramente exercer a confiança que aquele bastardo tirou dela no instante em que encostou o dedo nela. Mas também não posso deixá-la ir sozinha.
Ela olha para a mesa e corre a ponta do dedo ao longo do entalhe. Eu já consegui me familiarizar com a cara que ela faz quando está pensando em algo mais, e ela está usando esse olhar agora. Ela levanta a cabeça, olhando-me fixamente.
— Eu não quero ser a responsável por estragar esse rosto bonito, então... Bem, você pode vir.
— Você acha que tenho um rosto bonito? — Eu inclino minha cabeça para o lado, sorrindo. É claro, peguei isso. E é claro que quero saber a resposta. Isabella é a única mulher que já fiz questão de saber se me acha atraente ou não. Ela é tão difícil de ler, sendo impossível dizer o que ela está pensando na maioria das vezes. Isso está fodendo a minha cabeça, para dizer o mínimo.
Seu rosto ficou tão vermelho quanto eu esperava que ficasse. Eu nunca conheci uma garota tão tímida como ela. Eu nunca conheci uma garota como ela, ponto. Ela é tão diferente. Sem pretensões de qualquer coisa, principalmente de si mesma. Ela não tem ideia do quão incrível ela realmente é, mas quero que ela saiba. Eu só gostaria de saber como dizer a ela.
— Uh, hum, bem... — Ela passa os dedos pelo cabelo, e mantém os olhos fixos no café em frente a ela. — Você tem um rosto bonito. Você sabe, como os rostos são.
— Vou tomar isso como um elogio. — Eu sorrio. Mas o que realmente sinto vontade de fazer é a porra de uma dança. — Você também tem um rosto bonito, Isabella. Realmente bonito. Eu ouço sua rápida ingestão de ar, e percebo o rubor em seu peito. Ela é afetada por mim. Ah garoto!
— Obrigada — ela diz baixinho, segurando um sorriso.
— Você tem um problema sério com isso.
— O quê? — Seus olhos se movem até os meus, o calor morrendo instantaneamente. Eu guardo a desaprovação que sinto, sabendo o porquê ela reage assim , desconfiança do que digo e o que faço. Mas isso não significa que tenho que gostar. O que esse idiota fez com ela, como ele quebrou sua confiança... e eu não sei nem a metade disso. Eu só rezo para que o olho roxo seja tudo que foi feito e nada mais.
— Dizer obrigado. Você diz isso o tempo todo — digo a ela.
— Oh. As boas maneiras... Elas foram marteladas em mim. — A leve descontração em sua voz não corresponde ao olhar em seus olhos.
Se não estivesse observando de perto, teria perdido como seus olhos escureceram, mas não perdi, e agora provocou uma sensação de desconforto no meu estômago. Há mais – mais do que o olho roxo do idiota ex dela. E agora estou fodindamente furioso. Eu quero saber o resto... preciso saber para que possa ajudá-la. Mas não posso perguntar a ela diretamente, não quero aborrecê-la como fiz antes, então vou ter que esperar até que ela esteja pronta para me dizer. Se alguma vez estará.
— Você não precisa usar boas maneiras perto de mim. — Eu clareio a minha voz, tentando trazê-la de volta de onde quer que ela tenha ido. — Se você não notou, não tenho nenhuma.
Ela dá um meio sorriso.
— Eu não sei, você parece ser muito bem educado perto de mim.
Eu levanto minha sobrancelha.
— Eu xingo. Pra caralho.
Ela ri. O som me acalma.
— Você xinga muito, mas acho que é refrescante.
— Meus palavrões são refrescantes? Isso é novo. Você vai ter que dizer isso ao meu pai, porque tenho certeza que ele iria discordar. Aparentemente, xingar na frente dos hóspedes é um grande erro, — digo provocando e encolhendo os ombros.
Eu não sei o que desencadeou, mas ela joga a cabeça para trás e começa a rir. Uma verdadeira gargalhada. E isso é um som tão incrível, que não resisto e rio também. Segurando a barriga com a mão, ela tenta recuperar o fôlego. Ela coloca a franja para trás. Seus olhos chocolates brilham.
Ela se parece com poesia. Como o céu em um dia de verão quente. Como o ás na mão que preciso para ganhar. Ok, estou supondo que você pegou a cena.
Ela é linda.
— Você é engraçado. — Ela sorri. — Você me faz rir.
Espere aí. Preciso de esclarecimentos. Eu não me importo de ser o palhaço da turma, mas não o idiota da província.
— Bem humorado ou estranho?
Ela se inclina para frente, com os cotovelos sobre a mesa, o queixo nas mãos enquanto franze os lábios. Eu sinto que estou sendo avaliado. Não posso dizer que uma mulher já me olhou assim antes. Ou me deixou pendurado em uma pergunta. Eu me sinto um pouco abalado, para ser honesto.
— Bem humorado — ela finalmente diz. Bem, obrigado por isso. — Você é rápido, sincero, e você não brinca em serviço. É refrescante.
— Agora, se não soubesse, acharia que você está me chamando de comum... — Eu provoco. Ela puxa seu lábio com os dentes e seus olhos piscam para mim. É seriamente quente.
— Você é tudo menos comum.
— Vou levar isso como mais um elogio.
— Era para ser um. — Percebo que sua voz cai algumas oitavas. Que sua respiração prende um pouco e que o rubor está de volta, contornando o topo desses seios incríveis. Há um calor tangível movendo-se entre nós. Está levando tudo em mim agora para me segurar e não dar em cima dela.
Foda-se, quero fazer um movimento, e do jeito que ela está olhando para mim... Ela me quer. Confie em mim, sei bem de uma coisa, e isso é quando uma mulher me quer. E Isabella me quer. Eu encontro seus olhos de novo, e rapidamente me lembro da contusão no rosto. Eu falho completamente. Ela é muito frágil. Ela passou por muito. Eu não sou o tipo de cara que ela precisa.
Empurrando a cadeira para trás, fico de pé. Os olhos de Isabella se elevam. Eu tenho certeza que vejo um lampejo de decepção neles. Em ambos, vibra e azeda meu humor. Fodido, certo?
— É hora de pegar Dozer. — Eu olho para o meu relógio, como que para confirmar este fato para ela.
— Você se importaria se eu fosse? Eu realmente gostaria de ver como ele está — ela pergunta com aquela voz doce. Isso invade minha cabeça como uma presença física. Quero dizer não, porque poderia usar o tempo para limpar a minha mente dela, e do que quero fazer com ela... Para ela. Eu até abro a boca para dizer que não. Mas, é claro, digo que sim. Um vislumbre daqueles olhos chocolates impressionantes e todo o meu sentimento voa pela janela. Então ela sorri, e estou derrotado.
Eu não posso nem culpar o meu pau já que ele ainda nem apareceu para a festa.
O caminho até o veterinário é tranquilo. Principalmente porque não consigo pensar em nada para dizer a ela. Este é um conceito estranho para mim. Eu nunca estou sem algo para dizer para uma mulher, mas agora estou sacudindo a minha cabeça tentando entender o que está acontecendo aqui. Por que Isabella me afeta tanto? Talvez seja porque o desconhecido está me corroendo. Colocando o sexo de lado – sim, disse isso, inacreditável, não é? Vê, isso é o que ela está fazendo comigo. A coisa é que realmente gosto de conversar com ela. Ela é inteligente. E divertida. Estou excitado com ela, e quero passar tempo com ela. Nunca. Aconteceu. Antes. E não gosto disso. A garota vai me deixar lentamente louco, posso sentir isso. Talvez devesse ter relações sexuais com ela e acabar logo com isso, que se danem as consequências. Ela definitivamente me excita; eu poderia dizer. Talvez se só...
—... Essa não é a entrada para o veterinário?
— O quê? — Eu me volto para o som da voz de Isabella.
— Eu acho que você perdeu a entrada para o veterinário. — Ela aponta por cima do ombro. Eu lanço um olhar rápido atrás de mim e vejo que na verdade perdi minha a saída porque estava pensando nela.
— Merda, sim — murmuro. Eu verifico se o caminho está livre e manobro o carro, voltando do jeito que vim. Eu pego o desvio e estaciono do lado de fora do veterinário. Não há ninguém atrás do balcão quando entramos no prédio, então toco o sino na mesa. Penny aparece por trás de uma porta.
— Olá de novo. — Ela sorri brilhantemente. — Bulldozer está pronto para você. Se você quiser sentar, vou trazê-lo agora mesmo.
Sento-me ao lado de Isabella, mas me sinto inquieto. Eu não sei exatamente o que é que está me deixando inquieto. Talvez seja porque supervalorizei a tensão sexual.
— Você está bem?— Isabella pergunta.
Eu sigo os olhos dela até o meu pé batendo.
— Oh, sim, tudo bem.
— Você está preocupado com Dozer? — Ela sorri suavemente e toca no meu braço com a mão. Meu corpo eletrifica com seu toque. Eu mal posso pensar direito com calor queimando na minha pele. Sério, que diabos é isso?
— Quem? — Murmuro. Ela parece confusa. Eu abro minha boca, mas fecho-a quando Penny sai com Dozer.
— Aqui está ele.
Dozer manca em minha direção. Sua perna está engessada e ele tem um olhar irritado em seu rosto. Ele está usando um daqueles enormes cones em volta de sua cabeça.
Eu reprimo um sorriso. Pobre coitado. Ele realmente está impaciente.
— Ei, amigo. — Vou até ele e me agacho. — Como vai? Ele resmunga e arrasta o cone contra o meu ombro. — Quanto tempo ele tem que ficar com isso? — Eu me levanto, pegando sua coleira com Penny.
— Vejamos como ele se comporta. Dr. Cale só colocou isso porque ele estava mastigando o gesso.
— Ouviu Dozer, deixe a perna em paz e tiraremos o cone.
Ele faz cara feia, em seguida, puxa a coleira da minha mão e manca em direção à Isabella. Eu os observo, o jeito que ela o acolhe, sem medo. Dozer é um cão grande, e as pessoas geralmente são cautelosas com ele, mas não Isabella. Nem mesmo quando ele deixa cair sua enorme cabeça em seu colo, se arrastando desajeitadamente com o cone, babando em seus jeans. Ela não vacila, apenas lhe dá a atenção que ele quer. Dozer nunca é simpático com pessoas que ele não conhece. Geralmente, ele se mantém à distância. Ele sempre foi assim, e atribuo isso ao que aconteceu com ele antes dele chegar à nossa porta. Mas Isabella se importou com ele depois do acidente; ela mostrou-lhe uma gentileza que a maioria das pessoas não tem. Isso deve ter animado ele, e Isabella é difícil de não gostar. Eu sei disso melhor do que ninguém. Eu a observo coçar a orelha dele, elogiar ele, e ele está freneticamente absorvendo tudo. Sortudo. O que não daria para ter aquelas mãos sobre mim agora. Sério, aceitaria uma coçada de orelha se isso significasse que ela me tocaria.
Uma perna quebrada está começando a soar muito atraente neste momento.
Isabella, de repente levanta os olhos de Dozer para mim como se ela pudesse ouvir os meus pensamentos, e me pega encarando. Seus olhos chocolates espreitam com curiosidade os meus. Eu sei que deveria olhar para o outro lado, mas não... Eu não posso. Um sorriso se levanta lentamente em seus lábios. A luz que entra pela janela, por trás dela, a molda perfeitamente. Ela se parece com um anjo. A coisa mais linda que já vi.
Soco. Direto. No. Peito.
Eu sinto que não posso respirar.
— Se você puder apenas assinar os formulários para mim, e acertar a conta — diz Penny, puxando a minha atenção de Isabella.
— Claro — digo, esfregando o meu esterno.
Se continuar assim, vou ter um ataque cardíaco antes do tempo.
Com um aceno, a sigo até a recepção. Eu entrego à Penny meu cartão de crédito, tentando não pensar em como diabos vou pagá-lo depois que essas contas do veterinário drenarem tudo, e assino as duas vias que ela entrega para mim. Eu olho por cima do ombro, e pego Isabella olhando para mim. Ela definitivamente me analisa. Minha bunda para ser exato. Ela desvia o olhar quando percebe que a peguei. Eu não posso evitar o brilho feliz que sinto.
Eu estou sorrindo como uma stripper em uma festa da fraternidade.
Depois de terminar de assinar os formulários, e gastar o dinheiro que não tenho, Penny me dá uma pequena sacola contendo os medicamentos de Dozer.
— Estes são para a dor. Dê-lhe um, três vezes por dia com alimentos, e vamos precisar vê-lo em um mês para verificar como a cura dessa perna vai. Apenas dê-lhe um jantar leve hoje à noite, pois seu estômago ainda está sensível pela anestesia. Você pode levar a coleira e guia para casa com você. Apenas devolva-a quando tiver tempo.
— Obrigado, vou trazê-la até amanhã.
Eu marco a consulta para daqui quatro semanas, e enfio o cartão da consulta na minha carteira junto com meu cartão de crédito. Coloco a medicação no meu bolso enquanto ando até Isabella. Dozer ainda está fazendo olhos fofinhos para ela.
Até o meu cachorro é louco por ela.
Não que eu seja louco por ela. De maneira nenhuma. Absolutamente não. Nunca. Jamais.
— Pronto?— Eu pego a coleira em Dozer.
Virando a cabeça, ele bate na minha mão com aquele enorme cone que ele está usando e coloca sua coleira na boca, oferecendo-a para Isabella pegar. Legal, Dozer. Dispensando-me por uma garota. Eu acho que ele se esqueceu de quem o alimenta.
Pegando a coleira de sua boca, ela esfrega sua cabeça. Ela olha para mim, um sorriso atrevido no canto de sua boca.
— Está tudo bem, se eu levá-lo até o seu carro?
— Não parece que você tem muita escolha. — Eu sorrio em direção ao rabo abanando de Dozer. — Eu acho que você tem um admirador.
Ela ri. É um dos sons mais sexy que já ouvi.
— Bem, Dozer não seria um mau admirador em se ter, mas acho que sou apenas uma cara nova para ganhar alguma atenção. Não que imagine que você sempre lute por atenção — diz ela ao Bulldozer. — Menino bonito que você é... Você não é... Sim, você é. — Ela caricia seu rosto com suas mãos, e realmente me encontro com ciúmes do meu cachorro.
Estou com ciúmes do meu cachorro. Eu realmente preciso transar.
— Vamos. — Eu enfio as mãos nos bolsos, e depois sigo para porta e em direção ao meu carro. Coloco Dozer no banco de trás. Virando, encontro Isabella pairando atrás de mim enquanto ele se instala.
— Devo sentar na parte de trás com ele de novo? — Pergunta ela, mordendo o lábio inferior.
Jesus, quero morder esse lábio. Lambê-lo. Chupá-lo. Fodêlo.
Eu vejo Dozer levantar a cabeça, aguçando seus ouvidos.
— Não, ele vai ficar bem. Você vai ter mais espaço aqui na frente do meu lado.
— Tudo bem... Se você tem certeza.
Vejo a cabeça de Dozer cair com um grunhido. Eu seguro meu sorriso, enquanto vejo Isabella caminhar pelo carro e subir no banco do passageiro. Mas enquanto entro no carro, não consigo resistir e dou a Dozer um sorriso presunçoso.
Honestamente, o olhar que ele está me dando agora... Eu acho que se ele pudesse me virar do avesso, ele o faria. Sim, você perdeu esse round, Dozer.
Eu ligo a ignição, me sentindo muito satisfeito comigo mesmo que eu tenha Isabella sentada na frente comigo... Em seguida, isso me acerta. Eu estava competindo com o meu cão. Não há palavras. Sem. Palavras.
Coloco o carro em marcha, indo para casa. Na verdade, estou começando a achar que Isabella tem algum poder mágico, e é isso que me faz agir fora do personagem. Como vodu ou alguma merda assim. Tem que ser. Não há outra explicação lógica para a menininha que estou me tornando. Tudo o que preciso fazer é ficar sozinho, longe de Isabella por algumas horas, colocar meu pau dentro de alguma garota, e voltarei a mim em algum momento. Só que não posso hoje, com Dozer ferido. Amanhã. Definitivamente amanhã. Eu pegarei a garota mais gostosa que conseguir encontrar, e transarei com ela – várias vezes. Eu vou tirar Isabella Swan da minha cabeça. Estou sorrindo feliz comigo mesmo com essa ideia, quando essa música irritante da Taylor Swift – Eu sabia que você era problema – começa a tocar no rádio.
Estou prestes a desligá-lo, quando Isabella começa a cantar baixinho, assim que deixo tocar. Jesus, sua voz é um dos sons mais doces que já ouvi. Eu a ouço durante toda a música. Minha pele está praticamente vibrando quando ela termina. Quem sabia que essa canção poderia soar tão bem? Eu estendo a mão e desligo o rádio.
— Você gosta de Taylor Swift?
— O quê? — Ela cora. — Oh, sim, ela é boa. Eu realmente gosto dessa música. Provavelmente não é o seu tipo de música, hein?
— Na verdade não. — Eu sorrio. Eu quero muito tocá-la neste momento.
— Sinto muito — diz ela em voz baixa.
Eu rapidamente olho para ela.
— Por que você está se desculpando?
— Por cantar. Eu faço isso às vezes sem perceber. Eu sei que tenho a pior voz de todas, e me ouvir deve realmente ter machucado seus tímpanos. — Ela ri, mas parece pouco natural, forçado. Não é como aquele som incrível que ouvi antes.
Outro olhar de relance. Percebo que a linguagem corporal dela está desligada. Suas mãos estão envolvidas em torno de si, quase se protegendo. A tensão me corta como uma faca.
— Quem te disse isso? — O imbecil ex dela disse a ela. Eu realmente quero socar aquele idiota na cara. Repetidamente.
Ela olha para baixo para seu jeans e começar tirar os fiapos dele. Eu posso sentir ela se envolver em si mesma e se afastar de mim. Eu não gosto de me sentir assim.
— Oh, ninguém me disse. Eu só tenho ouvidos, sabe? — Um encolher de ombros, outro riso falso.
— Bem seus ouvidos estão desligados. Eu acho que você tem uma ótima voz, Isabella. Realmente incrível. Eu gosto de ouvi-la cantar.
Eu posso sentir seus olhos em mim, então os encontro. Eu estou me aproximando e falando antes que eu perceba.
— Quais são seus planos para hoje à noite?
O que diabos estou fazendo? Surpresa cintila por esses olhos chocolates lindos. Em seguida, ela levanta os ombros magros e inclina a cabeça.
— Oh, uh, ia comer alguma coisa, então ler até dormir.
— Você quer jantar comigo?
Por que não posso parar de falar?
A sobrancelha de Isabella se eleva, e o jeito que soou finalmente repercute dentro da minha cabeça.
Jesus, isso soou como se estivesse convidando-a para um encontro. Eu não namoro. Nunca. O que estou fazendo? Pedindo-lhe para comer comigo quando um minuto atrás estava planejando uma estratégia de "tirar Isabella da minha cabeça". Corrigir! Corrigir! Eu engulo, duro. Meus olhos agora estão fixos na estrada, estupidamente balbucio;
— Eu, uh, só queria dizer que ia cozinhar o jantar para mim, então posso fazer mais para você, se você quiser? Ou não. Tanto faz.
Suave, Cullen. Verdadeiramente suave pra caralho.
Há uma de suas longas pausas antes de falar.
— Isso seria ótimo, Edward. Obrigada. — Sua voz é tão afetada e tranquila que nem sequer arrisco um olhar para ver a expressão em seu rosto.
Alguém me mate agora. Por favor.
Ouço Dozer grunhir no banco de trás. Eu estou meio que tentado a me virar e mandar-lhe à merda, mas estou supondo que Isabella já pensa que sou um retardado, então o ignoro. Em vez disso, alcanço o rádio e o ligo de novo para preencher o embaraço. E vamos dizer, a volta para o hotel é tão calma quanto uma cavalgada.
Isabella
Por que me sinto tão decepcionada? Eu não queria que Edward me convidasse para jantar, mas quando ele corrigiu sua oferta, tudo o que senti foi decepção. É estúpido. Eu sou estúpida. É claro que ele vai me oferecer o jantar. Ele é um cara legal. Eu sei que ele disse que o hotel não dispõe de refeições à noite, e ele provavelmente está sendo educado, porque sou a única hóspede, mas não posso deixar que ele me alimente de forma gratuita. Vou me certificar que ele adicione o custo da refeição na minha conta. Tenho certeza que ele vai de qualquer maneira, mas quero ter certeza.
Olhe para mim, me jogando no primeiro cara que é bom comigo. É ridículo, até mesmo para mim. Eu só preciso me concentrar no propósito de estar aqui – encontrar minha mãe, receber algumas respostas, e seguir em frente com minha vida. Começando do zero.
Estamos de volta ao hotel agora. Eu estou de pé na arcada observando Edward enquanto ele coloca Dozer no sofá. Ele ainda liga a TV para ele. Eu tenho que suprimir meu sorriso. E uma atração fulminante que me acerta. Ele realmente gosta de Dozer. Ele é um cão de sorte. Tirando o carro o atropelando, ele é.
Sigo Edward para a cozinha do hotel depois que ele termina de acomodar Dozer. Sento-me num banquinho no balcão da cozinha.
— Eu não sou o melhor chefe de cozinha... — diz ele sobre seu ombro, em direção à geladeira.
— Parece promissor — Eu faço piada. Estou surpresa com minha própria ousadia. Isso não é natural para mim, e não como eu falo ao redor de homens, na verdade. Sou sempre cautelosa, pensando nas minhas palavras antes de falar. Eu tive que ser. Um deslize poderia seriamente me custar. Mas com Edward é fácil se soltar porque tudo com ele parece natural.
Ele se vira um pouco, olhando ofendido.
— Hey! Eu não sou ruim. Eu faço um Green Chili razoável. Vou pegar os ingredientes e fazer isso para você numa outra noite, mas para esta noite, apenas diga o que você quer ,desde que eu tenha os ingredientes — ele sorri — e farei.
Sentindo-me aliviada por sua brincadeira, dou de ombros.
— Eu sou fácil. O que você fizer está bom para mim.
Suas sobrancelhas se levantam. Ele vira seu corpo totalmente para me encarar. Fácil. Não é a melhor palavra para se usar, Isabella. Veja, isso é o que acontece quando não considero minhas palavras. Diarreia verbal.
— N-não que eu seja fácil. Apenas fácil sobre a comida, você sabe — começo a gaguejar. — S-simplesmente não exigente, fácil de agradar.
Sua sobrancelha se eleva mais, e ele está sorrindo. Quero que o chão me engula. Agora. Por favor.
— Fácil de agradar. Entendi. — Ele volta sua atenção para a geladeira.
Eu sou uma idiota. Eu realmente não devo ficar perto de pessoas.
Edward começa a pegar comida e colocar sobre o balcão. Ovos, tomates...
— Então "fácil de agradar", será uma omelete espanhola, tudo bem?
Eu não posso evitar a risada que me escapa.
— Omelete espanhola está perfeito.
Ele me dá um sorriso antes de se virar.
— Você quer alguma ajuda?
— Não, deixa comigo. Você quer algo para beber? Tem cerveja na geladeira, ou vinho, se você quiser?
— Cerveja está ótimo. — Eu pulo fora do banco e vou até a geladeira. — Quer uma?
— Claro.
Eu pego duas garrafas.
— Abridor está na gaveta. — Edward aponta para a gaveta com a faca que ele está usando para cortar os tomates.
Eu hesito, meu peito se aperta, minhas pernas se entorpecem. Meus olhos escurecem. Merda.
Charlie arrastou a faca pela minha clavícula e sobre o meu ombro.
— De onde você tirou isso, Isabella? — Ele levantou o top que eu tinha comprado no dia anterior. Um bonito e decotado top de tiras, que tinha escondido no fundo do armário. Eu estava esperando para usá-lo quando Charlie estivesse no hospital. Comprei-o por causa das cores. Isso me fez pensar no verão. Eu me senti quente e feliz quando o experimentei. Eu queria manter essa sensação, então comprei, mesmo sabendo do risco.
— E-eu c-comprei, senhor.
— Eu lhe dei permissão para comprar isso?
Baixei a cabeça.
— Não.
Ele se aproximou de mim.
— Isto é top de uma prostituta! Projetado para chamar a atenção dos meninos! É isso que você quer, Isabella? Você quer a atenção dos meninos?
— Não, papai.
Ele segurou o top na minha frente enquanto o picou com a faca. Eu queria chorar. Pelo top. Pois aquele top fez eu me sentir feliz. Por apenas um momento, me senti feliz, e ele levou isso embora de novo. Como sempre.
— Tire seu suéter, Isabella.
Meus olhos piscam.
— P-por quê?
— Não me questione! — Ele rugiu. — Apenas faça o que digo!
Meu corpo tremia, levantei o suéter sobre a minha cabeça. Ficando de sutiã, segurei meu suéter, os dedos o agarrando contra o meu estômago.
O medo estava me perturbando por dentro. Charlie andou atrás de mim. Eu apertei meus olhos fechados. Ouvi que faca que estava sendo colocada na sua mesa, em seguida, o estalo do cinto de Charlie enquanto ele o retirava de sua calça. Meu estômago desabou. Não importa quantas vezes isso aconteceu, o medo era sempre o mesmo.
— Você desobedeceu as minhas regras, Isabella. Você tem sido uma menina má. O que acontece com meninas más?
Engoli o medo que estava secando minha boca e apertando minhas entranhas.
— Elas são punidas, senhor.
Eu me preparei, rangendo os dentes. Senti o chicote do primeiro acerto nas minhas costas. Sufocando meus gritos, mordi meu lábio até sentir o gosto de sangue.
— Jesus, Isabella! Você está bem?
Um Edward preocupado está em pé diante de mim. Eu sinto algo escorrendo pelo meu queixo. Pressiono a palma da minha mão contra a minha boca. Sangue. Eu mordi meu lábio.
— Deus, oh, eu, uh - isso foi um acidente.
Um acidente? Sim, porque as pessoas normais mordem os lábios e tiram sangue o tempo todo Isabella. Perfeitamente normal. Ele não vai pensar que alguma coisa está errada aí. Sem dizer nada, Edward pega as garrafas de cerveja das minhas mãos e coloca-as no balcão. Isso é quando percebo que minhas mãos estão tremendo.
— Sente-se aqui. — Ele puxa um banquinho.
Subo nele, minhas pernas de repente parecem geleia. Ele abre uma gaveta, depois volta com um kit de primeiros socorros. Deus, sou tão perturbada. Agora estou delirando e mordendo meu próprio lábio. Impressionante Isabella. Bom trabalho.
— Desculpe — murmuro quando ele começa a secar o sangue com um pano. Antisséptico. Arde um pouco, mas estou acostumada com o ardor – anos usando essas coisas fazem isso.
— Eu sou tão desastrada.
Eu estou tentando não me concentrar na proximidade de Edward, ou como a minha pele formiga quando ele me toca. Ou o quão incrível ele cheira. Ou o quanto quero que ele me beije. Agora mesmo. Mais do que qualquer coisa. Sim, isso é o que estou pensando neste momento estranho. Normal é algo que eu nunca vou ser. Eu percebi isso há muito tempo.
— Pare de se desculpar — diz ele em voz baixa, encontrando meus olhos. — Apenas me diga o que aconteceu naquela época.
Eu seguro meu olhar firme.
— Nada aconteceu.
— Nada aconteceu? Você ficou completamente fora do ar. Onde você foi?
Eu olho para longe, focando na parede atrás dele.
— Em nenhum lugar especial. Sinto muito.
Ele suspira. Seu hálito quente sopra pelo meu cabelo. Sua irritação deveria me preocupar, mas tudo o que posso focar é a forma como a proximidade dele está me fazendo sentir agora. E isso está vivo. Eu não consigo me lembrar de me sentir tão viva antes.
— Sério, pare de dizer que sente muito. Você não tem nada para se desculpar. Eu só estou preocupado com você. — Ele pressiona o pano contra meu lábio. — Você estava pensando sobre o que seu ex fez com você? Como você ficou com olho roxo? Sei que eventos traumáticos podem às vezes ser desencadeados pela menor coisa, causando apagões e esse tipo de coisa.
Meu corpo congela. Rigidez muscular. Eu balanço minha cabeça. É a verdade, porque a desordem real aconteceu muito antes de Jacob entrar na minha vida. Jacob foi apenas a chuva depois do tornado.
— Eu estou bem — digo, provavelmente um pouco brusca. Eu não quero ser assim, mas não posso falar sobre isso. Não com ele. Nem com ninguém. Tirando o pano, ele recua e passa a mão pelo cabelo. Eu posso dizer que ele está frustrado, e sou a única que está frustrando ele.
Tudo que eu pareço sempre fazer é frustrar e irritar os homens, mas também é tudo que conheço. Bondade me confunde. Assombra-me. A raiva e a frustração de um homem fazem mais sentido para mim.
— Eu sei que você não me conhece bem, mas você pode confiar em mim. Você pode falar comigo e me dizer qualquer coisa. Eu não vou julgar... Honestamente, não sou ninguém para julgar. — Seu olhar desliza pelo chão, em seguida, se encontra novamente com o meu. Seus olhos são honestos e transparentes. — Eu poderia ser capaz de ajudá-la.
Mesmo quando ele está frustrado, ele é amável. Eu não sei o que fazer com isso. Mas quero sua ajuda. Mais do que qualquer coisa, quero confiar em alguém. Quero confiar nele. Abro a boca para deixar as palavras saírem. Mas não posso. O dano em mim não pode ser corrigido.
— Eu tenho um longo passado para remediar. — Eu balanço minha cabeça, odiando que deixei isto escapar. — Eu aprecio isso, você, tudo que você fez por mim. Mas, realmente, não há nada para falar. — Eu deslizo para fora do banco. — Obrigada pelo curativo, mas vou pular o jantar. Estou me sentindo muito cansada.
— Isabella…
Ignorando o apelo em sua voz, saio da cozinha correndo para o meu quarto.
Eu sei, eu sei, terceiro capítulo e nem um beijinho? Pois é. Mas há de se entender que Isabella está quebrada, cheia de pensamentos pecaminos, mas ainda assim quebrada.
Paciência garota, a hora vai chegar.
Confesso que também fiquei impaciente quado li. Mas valeu a pena esperar. A estória vale a pena.
beijo grande e até
