Oi!
Mais um capítulo.
Vou aproveitar o feriado amanhã e tentar postar o último capítulo.
Não sei aí na sua cidade, mas aqui no Rio dia 23 de abril é feriado também.
Boa leitura
Isabella
Eu posso sentir o calor nas minhas costas. Dedos passando levemente sobre a minha pele. Não me lembro de qualquer sentimento a não ser satisfação, quando acordo.
Então me lembro de onde estou, e quem está tocando as minhas costas.
Edward.
Eu estou em sua cama.
Ontem à noite vem à tona para mim. A bela recordação vívida do sexo que Edward e tivemos. Então horror bate quando percebo que estou nua.
Completamente nua.
Deitada de bruços. Meu corpo está descoberto. E Edward está acordado. Ele viu minhas cicatrizes. Provavelmente está olhando para elas agora.
Sinto-me doente.
Eu queria acordar antes dele e colocar minhas roupas. Eu não estava pronta para que ele as visse. Não estava pronta para que ele me perguntasse sobre elas. Isso tudo é minha estúpida culpa. Depois de ver a segunda Renée Swan ontem... E como ela foi legal comigo, e a decepção que senti que ela não fosse minha mãe... Aliado ao fato de que a última Renée da lista pode ser realmente a minha mãe... Isso desencadeou outro episódio que me mandou correndo para uma loja de conveniência, em seguida, um motel onde me escondi durante o dia e vomitei compulsivamente.
— Hey. — Edward disse baixinho enquanto eu caminhava pelo saguão.
Eu sabia que ele estava atrás do balcão da recepção, não poderia olhar para ele, sabendo o que ia sair para fazer. Eu tive medo que ele visse estampado em meu rosto. Eu não tinha falado com ele desde ontem. Ele tinha sido tão doce comigo com a coisa das Renées, mas eu estava perdida em algum lugar profundo dentro da minha cabeça... Eu ainda estava lá.
— Eu vou sair — disse.
E foi isso.
Então, eu estava porta afora e no meu carro, dirigindo para uma loja de conveniência, nos arredores da cidade e comprando o que precisava para me fazer sentir melhor da única maneira que sei.
Eu estacionei em um local tranquilo e comecei a abrir a comida, em seguida, percepção me atingiu, rapidamente seguida pelo pânico.
E se alguém me visse por aqui? E se Edward tivesse me seguido e soubesse o que estava fazendo? Era irracional, sabia disso, mas minha cabeça estava uma bagunça. Aquelas suposições estavam lá, e elas não iriam embora tão cedo. Como poderia explicar a ele? Como iria fazê-lo entender? Eu não faria isso. Eu o perderia. Isso foi quando vi o sinal para um motel, na mesma rua. Empurrando a comida de volta na sacola, liguei meu carro e fui para o motel. Parecia rudimentar e degradado, mas não me importei com isso. Eu só precisava ficar sozinha, então peguei um quarto. Uma vez nele, sentei-me na cama e rasguei a comida. Enquanto a comida batia no céu da boca, uma paz descontente deslizou por mim que eu precisava sentir desde que saí da casa de Renée Swan.
Eu atingi o fundo do poço. E depois de terminado, tudo o que queria era Edward.
Foi como um pânico urgente... Uma necessidade desesperada em ficar com ele. Ele é a única pessoa que já me fez sentir bem e inteira. Eu queria que ele me desse esses sentimentos de volta, então limpei tudo, saí desse motel e fui para o meu carro, dirigindo de volta aqui para ele... Tirei a roupa... Pedi-lhe para fazer amor comigo...
Eu não tinha pensado, além disso. Na possibilidade de que ele me visse. Visse as minhas cicatrizes.
Eu preciso sair daqui.
Movendo-me rapidamente, deslizo para fora da cama, levando o lençol comigo para que eu possa envolvê-lo ao meu redor.
— Bom dia — diz ele.
Eu posso ouvir a cautela em sua voz. Eu não posso encará-lo.
— Bom dia — digo. — Eu só... preciso usar o banheiro.
Eu estou lá, um segundo depois, fechando a porta atrás de mim. Movendo-me para a pia, e olho para mim mesma no espelho. Eu odeio o que vejo encarando de volta. Sento-me na privada, tentando controlar minhas emoções, os impulsos que estou tendo agora. Eu preciso me vestir e sair daqui, mas não posso porque deixei minhas roupas lá fora, quando eu as estava tirando na frente de Edward.
O que estava pensando? Eu não ajo dessa forma. Essa não sou eu. Mas ele me faz querer ser assim. Ele me faz querer ser algo... Alguém, melhor. E agora que ele viu as cicatrizes horríveis que escondo, isso será demais para ele. Eu vou perdê-lo, justamente quando o tenho.
Uma batida suave na porta.
— Isabella? Você está bem?
— Sim. — Minha voz falha. — Eu já vou sair.
Envolvendo o lençol apertado em volta do meu corpo, abro lentamente a porta do banheiro. Edward está sentado na beira da cama, vestindo bermudão preto. Nada mais.
Se eu não estivesse atualmente em meu estado confuso, gostaria de aproveitar meu tempo e realmente apreciar o belo corpo que estou vendo pela primeira vez a luz do dia. Dizer que ele está tonificado é o mínimo. Eu poderia perfeitamente correr o meu dedo mindinho ao longo das linhas do seu tanquinho por horas.
Seus olhos levantam até os meus.
— Hey. — ele diz com uma voz suave.
Ficando de pé, ele vem até mim. Querendo tanto que ele me toque, mas com medo do que isso vai fazer comigo, me esquivo dele.
— Obrigada... Por ontem à noite.
— Obrigada?
Eu não conseguia pensar em nada melhor para dizer?
— Eu vou para o meu quarto...
— Espere. — Sua voz vem atrás de mim. — Não saia. Fale comigo.
Eu suspiro e me viro.
— O que você quer falar?
— Isso... Você e eu. — Ele acena com a mão entre nós. — A forma como você está agindo agora, fechando-me para fora. Eu pensei que depois da noite passada... — Ele esfrega a mão pelo cabelo. — Olha, acho que sei por que você está agindo assim... Por que você não me deixou acender a luz ontem à noite... As cicatrizes na sua bunda e nas suas coxas…
Eu visivelmente me encolho.
— Você não sabe do que você está falando. — Eu posso sentir meus olhos traidores cheios de lágrimas.
— Então me diga. — Ele dá um passo em minha direção, estendendo as mãos.
— Eu não posso.
— Sim, você pode. Você me disse as outras coisas que aquele bastardo fez para você. Você pode me dizer isso. Eu não fiz um julgamento, e não estou prestes a começar. Baby, estou aqui...
Eu balanço minha cabeça. Uma lágrima escorre pelos meus cílios.
— Jacob não fez isso comigo.
Seu rosto congela. Eu vejo seus dedos enrolarem na palma da mão.
— Quem? — Sua palavra sai lenta.
O medo me percorre.
Eu me sinto exposta.
Eu envolvo meus braços em volta de mim, desejando muito que estivesse vestida agora.
— Quem, Isabella? — Eu posso ouvir a raiva crescendo em sua voz. Eu sei que ele não está com raiva de mim, ele está com raiva de quem me machucou.
Outra lágrima bate no meu rosto. Eu esfrego-a com as costas da minha mão e tomo um gole de ar.
— Charlie. Meu pai.
— Seu pai fez isso com você? — A descrença em sua voz me dói. Faz-me sentir como lixo.
— Sim, bem, nem todos tem a sorte de ter um grande pai como o seu, Edward. — Eu não quero parecer amarga, mas não consigo me conter. — Meu pai não era o tipo de homem carinhoso, que amava sua filha como seu pai. O meu era um bastardo cruel e doente que me batia sempre que a sensação o levava, geralmente com o cinto. As cicatrizes são disso.
Eu arranco o lençol do meu corpo, me expondo. Eu viro as costas para ele. Estou sentindo níveis insanos de dor, e não tenho absolutamente nenhuma sensação agora. Eu não sei o que estou fazendo ou onde minha mente está. Eu só estou fazendo...
— Se eu tivesse sido particularmente ruim, como ele dizia, o que não seria preciso muito... Apenas deixar o leite aberto. Ou os crimes especialmente ruins que eu poderia cometer... Estar um minuto atrasada ao voltar da escola para casa, então ele usaria o final da fivela metálica do cinto. Você sabe, para causar mais dor e dano. Ajudaram a fazer seu ponto.
Lágrimas quentes estão escorrendo pelo meu rosto. Deixo-as queimar a minha pele para que possa sentir alguma coisa. Porque preciso sentir alguma coisa. Qualquer coisa.
— Ele me provocava com facas e armas de fogo. Fazia parte de seus jogos doentes deixar-me saber onde eu estava na cadeia alimentar. Já perdi a conta do número de costelas quebradas e ossos quebrados que tive. Dedos quebrados que eu mesma coloquei no lugar. Ombros deslocados. Joelhos deslocados por suas botas esmagarem eles. — Eu puxo uma respiração dura, dolorosa. — Então, essa foi a minha vida, e agora você sabe de tudo isso, e eu vou embora.
Eu pego o lençol, cobrindo-me, a minha autoaversão me possuindo como uma doença. Tudo que quero é sair daqui, mas Edward é rápido. Seus braços me envolvem por trás, me prendendo a ele. Eu não luto para sair, porque parte de mim não quer. Eu quero sua proteção, mais do que qualquer coisa. Eu não quero mais ficar sozinha. Eu sinto o tremor em seu corpo. Ele aperta a bochecha dele na minha. Meus olhos se fecham sobre a dor que está me queimando de dentro para fora.
— Não, Isabella — ele sussurra. — Não.
A sensação de seus braços, suas mãos... Suas mãos seguras que sei que nunca me machucariam...
Eu quebro.
Como vidro quebrando. Minhas pernas enfraquecem, mas Edward está lá, me segurando. Levantando-me em seus braços, me leva para a cama. Eu me envolvo em torno dele, enterrando meu rosto em seu peito enquanto me apego a ele e choro compulsivamente anos e anos de dor profundamente enterrada.
— Eu estou aqui... Eu estou com você... Sempre. Eu nunca vou deixar ninguém te machucar novamente, Isabella. Eu juro.
Em algum momento, caio no sono. Exausta de tanto chorar e reviver a minha dor passada com Edward tinha cobrado seu preço. Quando acordo, meus olhos estão inchados, e minha cabeça está dolorida e pesada. Eu ergo minha cabeça no peito de Edward, piscando meus olhos embaçados. Seus olhos estão fechados, mas seus braços me apertam imediatamente.
— Não vá. — Ele abre os olhos.
— Eu não ia — sussurro, minha voz rouca.
Sua mão faz círculos nas minhas costas.
— Como você está se sentindo?
Esfregando os olhos, descanso meu queixo no seu peito.
— Eu já me senti pior.
Ele balança a cabeça em entendimento.
— Obrigada... Por estar aqui, por me ouvir.
— Eu estou sempre aqui para você. — Ele toca meu rosto. — Você precisa conversar um pouco mais, agora você está se sentindo um pouco mais clara?
Eu balanço minha cabeça.
— Eu me sinto bem no momento. Eu quero continuar me sentindo bem. — Eu deito minha cabeça no seu peito e ouço o barulho suave do seu coração.
Meus olhos passam sobre sua tatuagem, que cobre seu peitoral direito, passa por cima do ombro, e por seu braço, terminando em seu pulso. É tribal, com citações tecidas por ela. Eu corro o meu dedo para baixo do seu braço, lendo as citações que já vi antes, mas prestando atenção agora... Nem todos os que vagueiam estão perdidos. Esta é no seu bíceps. ]
— Eu fiz essa tatuagem em três partes — explica ele. — Essa foi feita quando estava viajando. Eu terminei na Indonésia.
Meus dedos se movem para baixo para seu antebraço...
Se você não pode viver mais, viva mais profundamente.
— Eu fiz essa depois que minha mãe morreu.
Eu dou um sorriso triste, e então pressiono os meus lábios nas palavras, e beijo-as. Sento-me, movendo meu corpo de modo que estou montada em sua cintura. Suas mãos vão para as minhas coxas.
— Você terminou de me examinar? — Ele sorri.
— Estou verificando a sua tatuagem, e não, não terminei. — Eu sorrio, então me inclino mais perto para ler as palavras em seu peito...
Eu não estou à procura de problemas. Os problemas geralmente me encontram.
Deixo escapar uma risada. Isso é uma coisa que Edward diria. Mas por que conheço essas palavras...
— Harry Potter. — Eu espeto o dedo na tatuagem.
— Ai! — Ele reclama, esfregando seu peito.
— Sinto muito. — Eu sorrio timidamente. — Essa é uma citação de Harry Potter, certo?
Ele me dá um olhar desconfiado.
— Sim, ela é. Por quê?
Eu dou de ombros.
— Nenhuma razão... Nerd — tusso, cobrindo minha boca com a mão.
Seus olhos se estreitam, então ele se move como um raio, me atacando para trás e prendendo-me na cama com o seu corpo.
— Arrggghh! — Eu solto um grito de riso.
— Você acabou de me chamar de nerd? — Ele paira acima do meu rosto.
O rosto dele é grave, mas posso ver a alegria em seus olhos.
— Não. — Pressiono meus lábios sorridentes juntos.
— Não? Eu tenho certeza que você acabou de me chamar de nerd.
— Nããão. — Eu dou um suspiro de choque. — Eu quero dizer, se ter uma frase de Harry Potter tatuada em seu peito, de qualquer forma, faz-me pensar que você é um nerd. Eu diria que é a coisa mais legal de todas.
— Espertinha — ele brinca. — E sério, baby, Harry Potter é fodidamente legal. O garoto é um mago pelo amor de Deus!
Eu começo a rir. Eu adoro ver esse lado dele. O que acho que ninguém nunca vê, a versão simplificada dele. O verdadeiro ele. O que ele esconde, no fundo.
Ele começa a rir comigo, então passa a mão pelo meu rosto, o polegar pressionando contra meus lábios, disparando fogo por mim. O riso desaparece rapidamente, seus lábios substituindo o polegar.
— Eu adoro ver você rir — diz ele contra a minha boca.
Minhas mãos deslizam para baixo de suas costas.
— Eu amo que você me faça rir.
Sorrindo contra a minha boca, ele me dá um último beijo, em seguida, coloca a cabeça no meu peito. Eu começo a brincar com seu cabelo. Ele faz um som de apreciação, então acho que ele deve gostar.
— Eu sou um nerd — ele murmura depois de um tempo.
Eu paro de brincar com seu cabelo.
— Sim, você é. — Eu sorrio. — Mas você sabe o quê? Isso me faz gostar de você ainda mais.
Ele aperta meu quadril, pressionando um beijo contra o pico do meu peito. Eu começo a brincar com seu cabelo novamente.
— Então... E agora? — Eu pergunto, a questão tem pairado na minha mente desde a primeira vez que fizemos sexo. Eu sei que nós tivemos dois encontros, um surto meu quando as coisas ficaram pesadas entre nós, e agora tivemos sexo seguido do meu colapso emocional. Sinceramente, só não sei o que está acontecendo entre nós. Eu sei o que quero, mas o problema é que não sei o que Edward quer de mim.
Seu peito levanta em uma respiração, com a mão acariciando a pele do meu ombro.
— Bem, estava pensando em deixá-la na cama, e levantar e alimentar Dozer, ele vai querer o seu café da manhã, e ele precisa de seus remédios. Então gostaria de fazer panquecas para minha mulher, e trazê-las para ela na cama. Depois, uma vez que ela estivesse feliz e alimentada, pensei que nós poderíamos passar o resto do dia na cama... Só se ela quiser, é claro?
Sua mulher. Vou tomar isso como uma coisa boa.
Ele levanta a cabeça, apoiando o queixo no meu peito. Seus olhos quentes me encaram, cheios de sentimento, sentimento que ele tem por mim.
Eu ergo minha cabeça, colocando os braços para trás, para me apoiar, e trago o meu rosto mais perto dele.
— Ela quer. — murmuro.
Suas pupilas se dilatam, os olhos escurecendo com a luxúria.
— Na verdade, Dozer pode esperar um pouco mais para ser alimentado. — Sua mão se move para baixo do meu corpo. Levantando ligeiramente, ele a coloca entre nós, deslizando o dedo dentro de mim.
— Oh, meu Deus — respiro. Eu o sinto crescer com força contra minha coxa.
— Baby, você está tão molhada... Já. — ele geme.
— É você... O que você faz comigo.
— E planejo fazer muito mais — Ele promete antes de selar sua boca sobre a minha.
Depois de fazer amor comigo, Edward finalmente cede e vai alimentar Dozer. Eu pego a minha calcinha, e coloco uma das camisetas do Edward que furtei no seu armário. Está enorme em mim, quase alcançando meus joelhos.
Estou vagando pelo seu quarto, olhando para um mapa do mundo que ele tem pregado na parede. Existem pinos com uma linha traçada, que marcam o percurso de todos os lugares que ele viajou. O último pino está na Tailândia, mas a linha traçada vai para a Índia, passando pelo Nepal, em seguida, por toda a China para Hong Kong, até Xangai, terminando finalmente no Japão. Eu estou supondo que é onde ele teria ido se sua viagem não tivesse terminado mais cedo. Eu olho para as fotos pregadas pelo mapa, fotos de um Edward ligeiramente mais jovem, em locais diferentes com seus amigos. Ele parece feliz; olhos brilhantes. Olhando para essas fotos, vendo a diversão e aventura em seu rosto quando ele não sabia o que estava por vir, faz meu coração doer por ele. Abaixo do mapa está sua mesa. Há algumas fotos emolduradas em cima dela. Uma delas é de uma mulher de cabelos cobre, sorrindo alegremente para a câmera. Ela deve ser a mãe de Edward. Eu pego, examinando-a. Ela parece muito jovem na foto, talvez a minha idade, e ela é muito bonita. Ela tem a mesma cor dos olhos de Edward. Colocando-a para baixo, pego a foto seguinte. É de um jovem Edward, talvez quatro ou cinco anos, nos braços de um homem que suponho que seja seu pai, já que ele se parece exatamente com Edward agora. Ao lado de seu pai, escondida está uma jovem senhora de cabelos castanhos claros avermelhados. Ela é muito bonita. Ah, certo, ela deve ser a mãe de Edward. Talvez a outra mulher seja uma tia ou algo assim. Eu estou colocando a foto na mesa quando Edward vem com uma bandeja contendo panquecas e duas xícaras de café.
Ele poderia ser mais perfeito? Eu continuo esperando acordar e descobrir que tudo isso é um sonho e ainda estou na cama do motel perto de Boston. Ele coloca a bandeja sobre a mesa, e seus braços envolvem a minha cintura por trás, apoiando o queixo no topo da minha cabeça.
— Essa é a minha mãe e meu pai. — Ele aponta para a foto que estava olhando.
— Sua mãe era bonita, Edward.
— Sim, ela realmente era. Você me lembra ela um pouco, você sabe.
— Eu lembro? — Eu sorrio.
— Sim, ela sempre costumava falar sem pensar como você.
— Hey! — Exclamo, dando um beliscão.
— Hey! Pare com isso! — Ele ri, se contorcendo atrás de mim. — Sou fodidamente sensível!
Eu inclino minha cabeça para trás, olhando para ele.
— Hmm... Eu não sabia disso.
Ele olha para mim, estreitando seu olhar.
— Sim, e eu não disse pela simples razão do que está passando por essa sua cabeça linda agora. Portanto, não vá tendo nenhuma ideia sobre cócegas de novo.
— Como se eu fosse. — Eu sorrio docemente.
Ele balança a cabeça, dando-me um beijo rápido nos lábios. Eu pego a foto novamente e a examino.
— Você parece exatamente como seu pai.
— Bem, sim, ele também era um filho da puta bonito quando era mais jovem.
Balançando a cabeça, rio enquanto coloco a foto na mesa.
— Quem é esta? — aponto para a foto da mulher de cabelo cobre.
Edward solta o braço em torno de mim e pega o quadro.
— Esme... Ela é minha mãe de verdade.
Eu me viro, surpresa. Ele encontra meus olhos.
— Ela morreu ao dar à luz a mim. Ela tinha uma doença cardíaca não diagnosticada, e seu coração falhou durante o parto. Ela morreu logo depois que nasci.
Meus olhos se enchem de lágrimas. Deus, ele conheceu tantas perdas. Ele perdeu duas mães. Eu estendo e toco seu rosto.
— Eu sinto muito.
Ele coloca a foto dela para baixo.
— Está tudo bem. Eu nunca a conheci. Torna-se difícil se machucar com sua perda, se você sabe o que quero dizer. Mas o meu pai me disse tudo sobre ela enquanto crescia, e tenho fotografias.
— Então, a mulher que você chama de mãe...?
— Mary. Ela era namorada de infância do meu pai. Eles se separaram quando ela saiu para ir à faculdade. Foi quando ele conheceu Esme, e eles me tiveram. Após Esme morrer, meu pai foi me criar sozinho, com a ajuda de meu avô já que meu pai já estava na força policial nesta época. Então Mary voltou para casa quando tinha uns três ou quatro anos. Eles acabaram ficando juntos novamente, e ela me criou como seu.
— Eles nunca quiseram nenhum filho juntos? — Eu pergunto.
Um olhar estranho cruza seu rosto, como se ele nunca tivesse considerado isso antes. Ele faz biquinho.
— Não, eu acho. Eles já tinham a perfeição em mim, o que mais eles poderiam querer?
Reviro os olhos e rio.
— Certo.
Rindo, ele se move por trás de mim e dá um tapinha na minha bunda.
— Vamos lá, vamos comer antes que meu trabalho duro esfrie.
Sentamos à mesa. Edward dá-me a cadeira e puxa um banquinho para ele se sentar. Eu dobro minhas pernas debaixo de mim. É um movimento inconsciente da minha parte. Ainda encubro minhas cicatrizes, mesmo sabendo que elas estão lá e exatamente como as tenho.
Dizer à Edward tudo sobre Charlie foi como abrir a porta de um quarto escuro e deixar a luz invadir. Isso não conserta as coisas ou muda as minhas memórias, mas sabendo que o tenho para conversar faz com que seja mais fácil.
Pegando uma panqueca, corto um pedaço e coloco na minha boca. Eu vejo Edward me olhar maliciosamente, especialmente a fração de perna que ele pode ver. Parece que ele está se lembrando do que fizemos há meia hora. Eu dou-lhe um olhar.
— O quê? — Diz ele, com os olhos arregalados de inocência. — Não é minha culpa se você parece gostosa na minha camiseta. E você tem ótimas pernas.
Um rubor brilha pelo meu corpo. Eu posso sentir a crescente necessidade do seu toque novamente. Gostaria de saber se vou sempre me sentir assim sobre ele.
Eu dou outra mordida na panqueca. Engolindo seco, sinto uma dor inesperada no meu estômago. Eu aperto a mão no meu estômago. Eu sei de onde isto vem. Eu fui um pouco rude comigo mesma ontem, e esta é a primeira vez que estou comendo de novo.
Edward percebe.
— Ei, você está bem? — Sua testa franze com preocupação.
— Sim, tudo bem. — Eu estou um pouco sem fôlego, enquanto enfrento a dor. Eu coloco a panqueca no prato. — Apenas coisas de mulher.
— Eu preciso tirar o máximo de você enquanto posso?
Eu sorrio, a dor diminuindo.
— Estamos bem por mais alguns dias, então fique à vontade para aproveitar sempre que o clima vier.
— Oh, eu pretendo. — Ele põe a panqueca no prato e bate no seu colo.
— Agora? — Eu mordo meu lábio.
— Hmm. — Ele balança a cabeça, aquele brilho sexual em seus olhos. O que me diz que ele está prestes a fazer o meu corpo se sentir incrível.
Saindo da minha cadeira, monto nele, descansando os braços em seus ombros e ligando minhas mãos atrás da sua cabeça. Eu já posso senti-lo duro contra mim.
— Você é insaciável.
— Só com você, baby. — Suas mãos vão para minha bunda e seus dedos traçam uma linha suave sobre minhas cicatrizes. Meu corpo fica tenso, meus músculos travam. — Relaxe — ele acalma. — Sou só eu.
Eu aceno com a cabeça, e tento relaxar.
Carregando-me, ele me leva até a cama e me deita.
— Você é linda. — Ele deixa cair um beijo na base do meu pescoço. — Cada parte de você. — Ele se move para baixo do meu corpo, deitando na cama ao meu lado, e me vira de costas para ele. — Nada sobre você está destruído... — Sua mão se move suavemente sobre minha bunda, até a minha coxa. — Ou quebrado, ou desfigurado... — Ele se desloca para baixo, colocando um beijo na minha bunda. — Apenas deslumbrante, baby.
Edward levanta meu corpo, enrolando o seu em volta do meu, com seu peito nas minhas costas, me abraçando a ele.
— Mas nada do lado de fora se compara ao que está aqui. — Sua voz vem no meu ouvido, enquanto sua mão desliza sob a camiseta. Ele aperta a mão grande entre os meus seios, cobrindo meu coração. — Isso é o que eu sou louco, o que está aqui.
Meu coração se sente preenchido com ele, pronto para estourar. Necessitando estar mais perto dele, me viro e enterro meu rosto em seu pescoço, respirando-o. Eu nunca conheci ninguém como Edward. Ele é um milagre para mim. Meu milagre. Ele é como respirar ar fresco pela primeira vez. Eu percebo que não comecei a respirar até ele. Eu não comecei a viver até ele.
— Você é o ar que respiro, Edward — sussurro contra sua pele.
Ele inclina a cabeça para trás, os olhos encarando os meus.
— Você também é o meu ar, baby.
Edward
Correndo de volta para dentro para atender ao telefone, tiro o fone da parede.
— Golden Oaks — respondo.
— Ei filho, apenas checando, vendo o que você está fazendo?
— Oi Pai. Tudo bem por aqui. — Eu pulo em cima do balcão da cozinha.
Eu posso ver Isabella pela janela com Dozer. Ela está alimentando ele com guloseimas de carne. Porra, o pobre cão está saindo de sua mente com esse gesso, por isso estivemos passando tempo com ele. Entre uns amassos, claro.
— Como vão as coisas?
— As mesmas. — Eu dou de ombros, pegando uma amêndoa do saco que abri mais cedo, lanço na minha boca.
— Não há outros hóspedes além da nossa atual?
— Não. — Eu mastigo. — Os Perry's devem chegar hoje mais tarde, no entanto. — Eu levanto a minha voz em otimismo, na esperança de passar algum para ele.
— Cristo, já é essa época do ano?
— Sim. Eu tenho o quarto pronto para eles, por isso é bom.
Isabella insistiu em me ajudar a preparar o quarto. Demorou um pouco mais do que normalmente levaria já que acabamos tendo um pouco de diversão, que começou com Isabella ficando de joelhos e levando meu pau em sua boca, e terminou com suas pernas em volta da minha cintura, costas pressionadas contra a parede enquanto eu a fodia até o orgasmo.
— Você é um bom filho — diz meu pai.
Eu balanço minha cabeça. Não, pai, não sou, mas estou tentando o meu melhor para ser. E com Isabella ao meu lado, acho que posso fazer isso.
Ele solta um suspiro.
— Então, nós definitivamente não temos outras reservas? — Ele verifica isto novamente como se magicamente fizesse aparecer algumas.
— Não... Sinto muito, papai.
— Não é culpa sua. O negócio vai pegar em breve, tenho certeza disso.
Sempre otimista, o meu pai, mas espero que para o bem de ambos que o negócio pegue.
— Como Dozer está indo? — Pergunta ele. — Sua perna está se curando bem?
— Sim, ele está se curando bem, mas ele está entediado por não ser capaz de sair para uma corrida, por isso, Isabella atualmente o mantém entretido. — Eu olho pela janela para eles novamente. Isabella está deitada na grama com Dozer de pé sobre ela, imobilizando-a enquanto ele lambe seu rosto. Ela está rindo, tentando empurrá-lo. A visão deles me faz sorrir.
— Isabella. a nossa hóspede do hotel Isabella, está mantendo o seu cão entretido? — diz meu pai, tirando o sorriso do meu rosto.
Merda. Eu não deveria ter dito isso. Ele vai saber que algo está acontecendo entre eu e Isabella agora, mas ele saberia assim que voltasse para casa. Estou falando sério sobre ela, então lhe dizer agora não vai doer nada, eu acho.
— Sim, Isabella a nossa hóspede do hotel.
— Existe alguma coisa que eu precise saber? — Ele me corta antes que tenha a chance de dizer a ele sobre nós.
O tom de "pai" em sua voz me irrita, então meu lado imaturo decide irritá-lo.
— Como o quê? — Eu digo com naturalidade na minha voz.
— Como você tendo relações sexuais com essa garota?
Ok. Direto ao ponto.
— Sim... — Eu exalo. — Eu estou dormindo com ela... Mas antes de começar a pôr pra fora, quero que você saiba que isso é diferente. Ela é diferente.
Ele fica em silêncio por um momento.
— Você nunca me disse que uma menina é diferente antes. Devo tomar isso como um bom sinal?
— Sim. — Eu sorrio. — Você deve.
— Então, você realmente gosta dessa garota, huh?
Gostar é o eufemismo do século, mas não estou prestes a dizer ao meu pai que me apaixonei por Isabella.
Sim, você me ouviu.
Porra, eu a amo.
Eu nunca tive sentimentos por uma garota antes, mas a primeira vez que tenho, já estou apaixonado, e muito. Acho que isso é o que acontece a nós, homens que não amam com facilidade. Nós amamos mais rápido e mais forte. Agora, só preciso encontrar a coragem de dizer a Isabella que, depois de um pouco mais de uma semana que a conheço, estou loucamente apaixonado por ela. Espero que quando eu fizer, não a mande correndo para as montanhas. Ela pode ser arisca às vezes.
— Sim, realmente gosto dela, pai — respondo, passando a mão pelo meu cabelo. — Eu não tinha a intenção de começar qualquer coisa com Isabella. Eu quis dizer o que eu disse a você aquela vez no telefone... Mas nós nos aproximamos. — Eu sorrio ao pensar em como é bom estar perto dela. — Ela veio aqui à procura de sua mãe, e depois que ela me ajudou com Dozer, quando ele sofreu o acidente, disse que iria ajudá-la a tentar encontrar a mãe dela, e nós acabamos gastando mais e mais tempo juntos. Eu comecei a conhecê-la muito bem, e ela é malditamente incrível, pai.
— Parece que você entendeu mal, garoto. — Ele ri. — Estou ansioso para conhecer esta menina que conseguiu virar a cabeça de meu filho tarado.
— Ha! Legal, pai, muito legal. — Eu ri. — Você vai gostar dela. Ela é inteligente e realmente bonita. Ela me lembra um pouco da mamãe, pequena, linda, tem a tendência de falar sem pensar. Na verdade, isso me lembra. Eu estava querendo te perguntar, você já ouviu falar de uma mulher chamada Renée Swan, que viveu por aqui?
É uma cidade bastante grande a que vivemos, então as chances são de que talvez ele não tenha ouvido, mas em sua antiga linha de trabalho, ele tendia a conhecer todo mundo. Eu não recebo resposta.
— Pai? Você ainda está aí?
— Sim. Eu estou aqui. — Ele é um pouco curto, e sua voz soa diferente... Rouca, tensa.
— Você ouviu o que eu disse? Eu perguntei se você ouviu falar de uma mulher chamada Renée Swan. — Eu estou pressionando agora, porque sei que há algo lá. Ele sabe alguma coisa sobre a mãe de Isabella.
— Jesus Cristo... — Ele suspira. — Edward, preciso que você faça algo para mim. Você tem uma foto de Isabella que você possa enviar para o meu celular?
Uma mão vem em torno da minha garganta.
— Por quê?
— Apenas faça! — Ele repreende. Meu pai nunca levanta a voz para mim, nunca. Nem mesmo quando estraguei tudo com o jogo ele levantou a voz para mim. É apenas o tipo de pai que ele é, um argumentador, não um ignorante.
— Jesus! O que diabos está acontecendo, papai? — Eu digo, igualmente irado.
Ele exala.
— Olha, eu sinto muito que fui grosso. Só... Você tem uma foto de Isabella ou não?
— Não, não tenho. Mas espere um minuto, posso conseguir uma.
Eu puxo meu celular do meu bolso e seleciono a câmara. Eu seguro-o na janela, e amplio o rosto de Isabella. Ela está sorrindo. Ela está feliz. E ela não tem ideia de que estou prestes a tirar uma foto dela para enviar para o meu pai por um motivo que só posso imaginar que não seja bom. A mão em volta da minha garganta aperta. Eu tiro a foto.
— Estou enviando a foto para o seu celular agora. — Eu observo a pequena barra de enviar, em seguida, me diz que foi enviado.
Ouço o sinal sonoro de mensagem do meu pai ao fundo, então espero, prendendo a respiração.
— Jesus Cristo — o ouço murmurar. — É ela.
E este é o momento em que sei que é ruim, muito ruim, e que isso vai, de alguma forma, mudar tudo de forma irrevogável.
— Pai, você realmente precisa me dizer o que diabos está acontecendo.
Ele solta um suspiro de resignação.
— Eu sei. Eu só não sei por onde começar.
— O começo funciona bem para mim. — Eu estou ficando puto, e meu coração está batendo como um bastardo.
— Olha, isso não é tecnicamente a minha história para contar, por isso vá com calma comigo, filho.
Eu suspiro de impaciência. Eu ouço um farfalhar no telefone, como se ele estivesse se movendo, então ele começa a falar:
— Você sabe que Mary vivia longe de Durango.
— Sim, ela foi para a faculdade. Foi por isso que vocês se separaram após o ensino médio. Em seguida, ela voltou para casa, e vocês voltaram.
— Certo. Bem, a história no meio é um pouco diferente do que você sabe. E Edward, escute, só descobri a dimensão do tempo da sua mãe em Boston dias antes dela morrer...
Boston. Ah, não. Santa mãe fudida, não. Mary Renée, que é o nome completo da minha mãe. Eu sempre a conheci como Mary, mas seu nome é Mary Renée . Renée. Por que não lembrei antes? Eu sou tão estúpido! Mary é Renée. Ela é a mãe de Isabella. Eu sei disso com as minhas entranhas.
— Mary é mãe de Isabella. — Eu quase engasgo com as palavras.
Papai suspira um som cansado. E isso está confirmado. Meu coração parece que acabou de ser arrancado do meu peito.
— Sim, receio que ela seja.
Minha mãe. A mulher que me criou... É a mãe de Isabella. A mãe que a abandonou quando ela era um bebê. Deixou-a sozinha com essa merda de pai, é a mulher que me criou como seu próprio filho.
Isso é uma bola de demolição. E vai destruir tudo em seu caminho. Isabella... Nós. Minha cabeça cai em minhas mãos.
— Foda-se. Fodase. Porra!
— Sinto muito, filho. Ela me disse dias antes de morrer sobre Isabella. Eu não sabia. Eu juro. Tudo o que eu sabia era que, quando ela estava em seu último ano de faculdade, ela conheceu um médico. Ele a fez se apaixonar rapidamente, eles se casaram logo depois, mas ele não era o cara que ela achava que ele fosse. No instante em que eles se casaram, ele se tornou violento. Ele a machucou muito. Ela acabou no hospital algumas vezes por causa dele. Eventualmente, ela foi embora. Voltou para cá. Divorciou-se dele. Ela nunca me disse que ela tinha tido uma filha com ele.
Sinto-me mal. Eu saio do balcão. Meus pés tocam os ladrilhos e me sinto trêmulo, então me sento no chão. Joelhos dobrados, coloco a cabeça entre eles e respiro profundamente.
— Quando Mary soube que ela estava morrendo — papai continua. — Ela me contou tudo, tudo sobre Isabella. Ela disse que, olhando para trás, ela acha que estava sofrendo de depressão pós-parto. E ela estava com medo, Edward. Seu ex-marido era um canalha. As cicatrizes que ele deixou nela...
Estremeço ao ouvir suas palavras, as imagens das cicatrizes de Isabella piscam na minha mente.
— Quando as vi pela primeira vez... Eu queria ir lá e matá-lo, mas Mary não me deixou. Obviamente, ela não queria que eu fosse, porque ela não queria que eu soubesse sobre Isabella. — Ele suspira.
— Por que ela deixou-a lá, pai? Eu não entendo? — Minha voz falha nas palavras conhecendo a vida que Isabella teve com seu pai.
Então imagino um passado diferente para ela. Um onde Mary trouxe Isabella para cá com ela. Ela teria sido a minha irmã. Eu nunca a teria amado do jeito que amo agora, mas antes isso do que ela ter a vida que ela tinha. Sua vida com a gente teria sido boa. Ela teria crescido feliz. Ela teria tido a vida que ela merecia. Não uma cheia de crueldade e dor. Dor inimaginável.
Eu me sinto doente, uma raiva ressentida com a mulher que me criou. A mulher que remendava meus joelhos estourados quando eu caia da bicicleta uma e outra vez. A mulher que me alimentou. Deu-me banho. Amou-me.
Jesus. Cristo.
Levanto-me do chão e começo a andar.
— O ex-marido de Mary era um homem poderoso e rico, Edward. Ele era um médico,cirurgião cardíaco. As pessoas o respeitavam. Ele não iria deixá-la levar Isabella. Disse que se tentasse ela seria presa por sequestro.
Puxando uma cadeira da mesa, sento-me.
— Mas ela poderia ter chamado à polícia, dizer a eles o que estava acontecendo com ela. Ela tinha a evidência, as cicatrizes, ter ido ao hospital por causa de seus golpes.
— Você está certo que ela poderia ter ido. Mas você sabe como são essas coisas. Ela teria que provar isso, e ela estava contra um homem de uma família rica que circulava nas altas rodas. O pai dele era um bom amigo do chefe de polícia. Poder e dinheiro podem fazer as coisas irem embora, filho. Mas por tudo que ele fez para Mary, ela sabia que ele não iria prejudicar sua própria filha, e foi assim que ela conseguiu deixar Isabella com ele.
Eu bato meu punho na mesa, com força.
— Você está brincando comigo, porra! Eu não posso acreditar que estou ouvindo isso! Ele não iria machucá-la , pai, eu vi suas cicatrizes. Eu senti a sua dor. Ele bateu nela até o dia que ele morreu. Ele fez sua vida uma merda de miséria! E por causa dele, ela só conheceu a violência, então ela acabou em um relacionamento com um babaca exatamente como aquele que a criou! Por que você acha que ela deixou Boston, pai? O desgraçado bateu nela e tentou estuprá-la.
— Não. — Sua voz está cheia de choque e descrença. Ele soa exatamente como me senti no momento em que ela me disse. — Não, — ele repete. — Eu a encontrei, Isabella. Essa foi uma das razões de Mary ter me contado sobre ela. Ela queria saber sobre Isabella, fazer as pazes antes de morrer, mas quando encontrei Isabella, já era tarde demais e Mary tinha falecido. Mas eu ainda fui para Boston. Você se lembra de quando te disse que tinha uma conferência da polícia? Fui depois. Observei-a por alguns dias, não de um modo assustador, eu simplesmente não conseguia decidir se contaria a ela sobre Mary ou não. No final, decidi não contar, não achei que valesse a pena ferir Isabella, dizendo-lhe que a mãe que a abandonou quando bebê tinha acabado de morrer. Mas queria saber se ela estava bem, feliz. Ela parecia. Ela estava na escola, tinha uma oferta de Harvard. Vivia em um ótimo lugar
e dirigia um bom carro. E eu a vi com ele, seu pai, Charlie. Eles pareciam se dar bem.
— Sim, bem Isabella pode usar uma grande máscara, pai. Ela é uma especialista nesta porra de fingir ser algo que ela não é.
— Edward, se eu soubesse, teria feito algo. Você sabe disso.
Eu expiro, pesadamente.
— Sim, eu sei. Eu só... Deus, não sei o que fazer, como dizer a ela. Como é que eu vou dizer à garota que estou apaixonado que sua mãe, que a deixou ser criada por aquele homem monstruoso, criou-me no lugar dela? Ela vai me culpar. Eu vou perdê-la.
Sinto-me fisicamente doente com o pensamento.
— Basta dizer-lhe a verdade. Exatamente como disse a você.
Eu esfrego a mão sobre meu rosto.
— Ela não vai ser capaz de passar por isso. Ela vai me culpar. Eu vou perdê-la.
— Não, você não vai, — ele afirma com veemência.
— Mary a deixou com ele e escolheu me criar em seu lugar. Eu sei que se fosse comigo, isso me mataria.
— Edward, isso não é culpa sua. Eu vou voltar para casa. Vou explicar isso para ela.
— Não. — puxo uma respiração profunda. — Ela precisa ouvir isso de mim.
— Você tem certeza?
Não.
— Sim. Eu digo a ela.
— Ok. Você conhece Isabella melhor. Ligue-me quando falar com ela. Deixe-me saber como ela recebeu isso?
— Sim, ligarei.
— Edward?
— Sim.
— Vai ficar tudo bem, filho. Eu prometo.
A saliva passa queimando na minha garganta, desejando que pudesse estar tão confiante como ele está.
— Eu te ligo mais tarde. — Eu desligo o telefone, jogando-o na mesa com um barulho, deixo minha cabeça seguir o exemplo.
Um minuto depois, ouço a porta dos fundos abrir.
— Ei, você está bem? — A doce voz suave de Isabella ecoa pela cozinha, me acertando com uma agonia pura.
Eu ergo minha cabeça, virando-me para ela. O sorriso em seu rosto desaparece instantaneamente, transformando-se em preocupação com a minha expressão.
— Edward, está tudo bem? — Ela se move rapidamente em minha direção.
— Eu... — As palavras cravam na minha garganta, e começam a afundar rápido... Rápido como pedras na água.
— Edward?
Oh deus. Eu não posso dizer a ela. Eu não posso. Eu me levanto e pego seu belo rosto em minhas mãos, forçando um sorriso em minha boca enganadora.
— Está tudo bem, baby.
Então pressiono meus lábios mentirosos em sua macia, quente e honesta boca, odiando a minha fraqueza, minha própria covardia, a cada segundo que passa.
Isabella
Há algo de errado com Edward. Ele acha que não sei, mas posso ver isso em seus olhos, e na forma como ele fica cabisbaixo toda vez que pensa que não estou olhando. Ele está agindo de forma estranha desde o telefonema de seu pai no outro dia. No começo pensei que talvez eles tivessem tido um desentendimento, mas agora sei que é algo mais. E a minha parte paranoica, sádica está começando a pensar que tenha algo a ver comigo, que talvez, ele mudou de ideia sobre nós.
Uma parte de mim queria que ele me dissesse, então eu saberia de qualquer maneira. Eu poderia perguntar a ele, mas tenho medo de qual será a sua resposta. Assim como a masoquista que sou, estou pegando tudo o que ele joga no meu caminho. Com certeza, ele está jogando muito no meu caminho, mas ainda há algo fora. Eu só gostaria de ter mais força do que tenho. Eu gostaria de poder apenas levantar e sair, e parar de ser tão patética sobre um homem, que tenho certeza que não me quer mais. E o pior é que percebi que estou apaixonada por ele.
Eu sei, certo? Você acha que eu teria aprendido a lição por agora.
E não é como se eu pudesse dizer-lhe como me sinto, ou que não há nenhum ponto. Não enquanto ele está se afastando de mim. Eu só queria que ele não soubesse muito sobre mim. Faz-me sentir vulnerável a ele. Eu sei o que preciso fazer, arrumar minhas coisas e sair daqui, ficar em outro lugar. Isso só parece um pouco mais fácil de dizer do que de fazer no momento. Eu também preciso ter coragem e fazer uma visita à última Renée Swan da minha lista. Isso só parece um milhão de vezes mais difícil agora que não tenho Edward lá para segurar minha mão. Eu acho que ele é realmente o que ele me disse que era no começo, incapaz de se comprometer com uma garota. E não importa o quanto desejo tê-lo mudado, os sinais estão me dizendo o contrário.
Sim, ele diz que me quer. Mas cada vez que ele diz isso, ele já está dentro de mim, ou a caminho para isso. E sei melhor que ninguém que um homem diz coisas que ele não quer dizer quando está fazendo sexo com você.
Ontem à noite não foi diferente.
Eu tinha acordado nas primeiras horas da manhã para descobrir que Edward tinha desaparecido da cama, e no espaço ao meu lado, onde ele tinha caído no sono, estava Dozer dormindo, deitado e roncando.
No final, a minha curiosidade e frustração venceram. Eu procurei pelo hotel sem sucesso, então, eventualmente, encontrei-o sentado no calçadão ao longo do lago, tomando uma cerveja... Fui até lá e fiquei de pé entre suas pernas abertas, olhando para ele. As mãos de Edward foram em torno das minhas coxas, os dedos agarrando. Sua cabeça descansou contra elas, como se fosse difícil para ele olhar para mim. Enfiei meus dedos em seus cabelos, silenciosamente implorando-lhe para falar comigo... Mas desejando a única coisa que eu gostaria de ouvir. Sua mão deslizou pela minha perna e pegou minha mão. Ele me puxou para baixo para me sentar entre suas pernas. Eu descansei minhas costas contra o seu peito, e ele passou o braço em volta da minha cintura enquanto tomava um gole de cerveja.
— O que você está fazendo aqui tão tarde? — Eu perguntei, minhas palavras flutuando sobre o lago, desaparecendo na noite.
Ele acariciou meu pescoço, inalando.
— Não consegui dormir.
Tomei a cerveja da mão dele, tomei um gole e depois devolvi.
— O que é que o mantém acordado?
Ele colocou a garrafa no chão ao lado dele e soltou um longo suspiro.
— Nada. Nada!
Irritada, cansada e completamente chateada com a falta de comunicação, me levantei.
— Se você não me quer mais, Edward, seja lá o que temos, basta dizer! Só... Por favor, pare com... Isso!
Girei sobre os calcanhares e corri de volta para o hotel. Ele me alcançou na varanda ao lado da porta principal. Sua mão fechou a porta que eu estava abrindo.
Ele veio por trás de mim, pressionando seu peito nas minhas costas.
— Eu quero você — disse ele, áspero, contra a minha orelha. — Nunca pense por um maldito segundo que não quero. Eu quero você mais do que já quis alguém.
— Então, por que tudo isso? — Eu estava respirando pesado, me sentindo confusa, meu coração trovejando no peito.
— Tudo o que?
Eu me virei, envolvendo minhas mãos em volta da maçaneta da porta quando me recostava contra ela.
— Você, sendo diferente... Distante de mim... Eu sei que há algo que você está escondendo de mim.
Seus olhos se fecharam como se estivesse com dor.
— Não é nada para você se preocupar.
Peguei a mão dele, enrolando meus dedos em volta dela.
— Eu só quero que você fale comigo. — Eu puxei sua mão, tentando encorajar a fala.
Seus olhos se abriram, olhando para nossas mãos entrelaçadas.
Um longo suspiro.
— Eu vou... — Ele balançou a cabeça. — Mas não agora... Não agora. — Parecia que ele nem mesmo estava falando comigo a esta altura.
Em seguida, suas mãos foram para a porta, de cada lado da minha cabeça, e seus lábios vieram com força nos meus, sem hesitação.
Eu queria afastá-lo, dizer-lhe para falar comigo agora, não mais tarde. Isso de me beijar não resolveria o que quer que o estivesse acontecendo.
Mas não o fiz. Porque não queria que ele parasse de me beijar, nunca. Ele quebrou o beijo para puxar a regata do meu pijama sobre a minha cabeça. Curvou-se e pegou meu mamilo em sua boca. Minha cabeça caiu para trás contra a porta com um baque. Estendi a mão para ele, desabotoando sua calça jeans. Enfiei a mão dentro de sua cueca, agarrando seu pau quente e duro.
— Porra, Isabella — ele gemeu, empurrando-se na minha mão. Então, as coisas ficaram quentes, urgentes e rápidas. Minhas calças de pijama e calcinha foram tiradas e antes que percebesse, estava nua na varanda do hotel, e Edward, ainda totalmente vestido, estava me levantando e batendo seu pau dentro de mim. Eu gritei com a rápida invasão e o prazer imediato. Envolvendo minhas pernas em volta de sua cintura, cravei minhas unhas forte em seus ombros. Isso só o excitou mais. Ele estava me acertando com confiança, estocadas duras, seus jeans roçando dolorosamente contra mim, mas não me importei. Tudo o que queria era tê-lo dentro de mim. Nada mais importava naquele momento. Estávamos lá fora, tendo um louco e furioso sexo de reconciliação nas primeiras horas da manhã... Todas essas coisas parecendo cem vezes mais ávidas... Mil vezes mais intensas.
— Você é minha, Isabella — ele grunhiu enquanto seus quadris prendiam os meus na porta, fazendo amor comigo com uma intensidade feroz. — Eu nunca vou te perder. Nunca.
— Você não vai me perder — ofegava, confusa e excitada como nunca antes. — Nunca.
Isso foi há algumas horas. E agora acordei novamente para me encontrar sozinha na cama de Edward. Deixo escapar um suspiro, balanço as pernas sobre a beirada da cama, e faço uma visita ao banheiro. Eu coloco novamente as roupas que estava usando na noite passada já que não trouxe nenhuma roupa limpa do meu quarto. Não estando pronta para conversar com Edward no momento, decido voltar para o meu quarto para que possa tomar banho, escovar os dentes, e me trocar para roupas limpas. Eu pego minha chave do quarto de sua mesa e vou até a casa do hotel.
Quando o meu pé está no primeiro degrau para me levar lá para cima, ouço duas vozes masculinas. Uma delas é a de Edward. A outra não reconheço. Eles estão lá em cima no escritório. Eu debato o que fazer. Eu não quero ir me intrometendo no escritório, se ele estiver falando com alguém importante. Eu vou sair pela porta dos fundos, e caminhar ao redor do hotel e entrar pelo lobby para chegar ao meu quarto.
Eu me viro para começar a andar, mas paro quando ouço o meu nome. Não é Edward que diz o meu nome. É o outro homem. Com a curiosidade aguçada em mim, subo as escadas em silêncio, as vozes cada vez mais claras.
—... Não posso acreditar nisso, Edward.
Eu o ouço suspirar.
— Eu sei, pai. Eu estraguei tudo.
Seu pai está em casa? Eu sorrio com a ideia de encontrar seu pai, mas quando Edward continua a falar, suas palavras tiram o sorriso do meu rosto.
— Eu ia dizer a ela, mas... Eu simplesmente não consegui fazer. Eu não conseguia encontrar as palavras para começar.
— A verdade, Edward. Você começa com a verdade. Eu sabia que deveria ter voltado para casa no dia que lhe disse. É por isso que vim para casa hoje, porque você está evitando as minhas ligações. Eu sabia que havia alguma coisa. — Um suspiro. — Eu pensei que talvez você e Isabella tivessem discutido sobre isso... Eu só não queria acreditar que você não tivesse dito a ela, porque não é assim que te criei. Eu sei que você realmente se preocupa com Isabella, mas você não pode simplesmente continuar com ela, ao mesmo tempo esconder a verdade dela. Não está certo. Como você acha que ela vai se sentir quando descobrir que você já sabe a verdade sobre sua mãe durante dias e não disse a ela?
Meu coração congela em meu peito, meu estômago comprime dolorosamente, induzindo a náusea. Eu enrolo meus dedos em minha mão, cravando minhas unhas na pele macia.
— Merda... — diz Edward, parecendo que está com dor. — Eu estraguei tudo completamente. Eu pensei que ela não fosse me perdoar antes... Ela nunca vai me perdoar agora. Ela sabia, ela sabia que algo estava acontecendo, e continuei dizendo a ela que estava tudo bem.
— Você quer que eu esteja com você quando você disser a ela?
— Não. — Edward suspira. — Eu vou dizer a ela sozinho. Eu não quero intimidá-la com nós dois. Eu vou falar com ela agora. — A determinação em sua voz, e seus passos pesados no chão, faz eu me virar e correr de volta escada abaixo. Eu sei que não tenho nenhuma chance de fazer isso, mas continuo tentando.
Ouço a porta abrir e Edward diz
— Isabella, — em um tom que só pode ser descrito como medo.
Eu não tenho escolha além de me virar. O medo em sua voz combina com o medo em seu rosto, mas é o olhar em seus olhos que é o pior. Ele parece sem esperança. Como se ele estivesse prestes a perder tudo. Ou talvez seja eu que esteja prestes a perder tudo.
E a náusea que estou sentindo piora.
Edward
Quando eu tinha 14 anos de idade, Maisy Richards me chutou nas bolas na festa de aniversário de Ben Castelo porque ela tinha me dado uma punheta no armário do corredor, então me pegou beijando Sophie Jenkins uma hora depois. Isso literalmente se pareceu como se seus testículos tivessem explodido e os destroços voadores estivessem te destruindo por dentro como uma bomba radioativa, deixando você sentir uma dor inimaginável.
Até exatamente 30 segundo atrás, eu acreditava que era a coisa mais dolorosa que já senti.
Eu estava errado. Porque aqui de pé, vendo o olhar de devastação no rosto de Isabella depois de lhe dizer que sua mãe, a mãe que a deixou para trás para ser criada por um pai que bateu repetidamente nela, é, na verdade, a mulher que me criou.
— E-Eu não entendo... — Ela tropeça para trás, o joelho fazendo contato com a mesa de escritório com um baque nauseante.
Estendo a mão para ela, mas ela nem mesmo parece ter registrado a dor, o que só ajuda a me mostrar como isso é ruim. O quanto estraguei tudo.
— Eu sinto muito. — Eu balanço minha cabeça, desolado.
— Ela é... A minha... A sua mãe... Morta. — Ela aperta sua barriga como se ela estivesse com uma dor real.
— Isabella... — Eu passo por ela, precisando estar perto dela. Sua mão sobe, me impedindo.
— Isabella, — meu pai diz em sua voz suave de "policial". — Você deve se sentar. É um choque terrível que você teve... Sente-se. Deixe-me pegar um copo de água.
Ela olha para o meu pai com um olhar confuso em seu rosto. Então seus olhos se voltam para mim, e do jeito que ela olha para mim... Através de mim.
Seus olhos estão gelados. A dor desliza por mim tão facilmente como uma faca quente na manteiga. Então seus olhos flutuam pela sala até a parede, e sei o que ela está olhando, sem nem mesmo precisar me virar.
Ela está olhando para a foto emoldurada de mim, papai e mamãe. Foi a última foto que tiramos juntos antes dela morrer. O dia em que eu estava saindo para ir viajar.
Seu rosto se desfaz e lágrimas caem dos seus olhos. Ela cobre o rosto com as mãos. Ouço-a soluçar, tão doloroso que quebra meu coração, não deixando nada além de poeira em seu lugar. Eu não consigo ficar longe. Atravesso a sala em passos rápidos, e envolvo meus braços em volta dela. É apenas um segundo antes dela me empurrar com uma força que não sabia que ela tinha.
— Não me toque... Nunca mais me toque. — Ela seca o rosto na manga, se vira e corre para fora do escritório.
Eu olho para o meu pai em busca de orientação, porque literalmente não sei o que diabos fazer.
— Vá atrás dela — ele insiste.
Eu estou porta afora, um segundo depois. Avisto Isabella desaparecendo em seu quarto. Eu corro pelo corredor, esperando a porta ser fechada, mas não é. Está bem aberta. Eu não entro no quarto por respeito a seu espaço. Então fico na porta, segurando o batente para me impedir de ir até ela. Ela está enfiando os pés em seus tênis e pegando sua bolsa.
— Isabella?
Ela me ignora, vestindo sua jaqueta.
— Isabella, por favor. Fale comigo.
Ela pega as chaves do carro, pendura a bolsa no ombro, e sem dizer uma palavra, passa por mim e caminha rapidamente pelo corredor.
Eu estou em seu encalço, seguindo, tentando falar com ela.
— Por favor, não vá... Só espere... Eu sei o quão difícil isso deve ser para você... O quanto você está sofrendo agora... Mas se você apenas me deixar explicar...
Ela para na varanda, na varanda onde eu fiz amor com ela poucas horas atrás, quando menti para ela novamente, e lentamente se vira. O frio em seus olhos e o olhar morto em seu rosto me diz o que eu já temia. Eu a perdi. Não há como conseguir passar isto. Eu menti para ela. Eu a decepcionei. Os homens decepcionaram Isabella toda a sua vida, e agora acabei de adicionar o meu nome a essa lista.
— Explicar? Quer explicar agora? Você teve DIAS PARA EXPLICAR! — Ela grita. — DIAS PARA ME DIZER A VERDADE, MAS VOCÊ MENTIU... Você mentiu. — Sua voz cai para um sussurro. — Ela amava você... Não a mim, você. Ela me deixou com ele. Deus, ela deve ter me odiado...
— Não, Isabella. Não. Você precisa ouvir tudo, você precisa me deixar explicar.
— EU NÃO QUERO OUVIR MAIS NADA! — Ela grita. Lágrimas escorrem pelo seu rosto, e sua mão está segurando seu estômago novamente.
Meus olhos estão ardendo com sua dor. Eu os esfrego grosseiramente com a minha mão.
— Eu tenho que ir. — diz ela em uma voz assustadoramente baixa, seus olhos disparando para seu carro. — Eu tenho que sair daqui.
Uma punhalada de absoluta agonia contorce meu peito. Ela corre para seu carro, destravando-o no caminho.
Eu corro atrás dela, agarrando-lhe o braço, tentando mantê-la comigo.
— Não vá, — imploro. — Não é assim. Por favor, Isabella. Apenas fique, fale comigo. Eu posso consertar isso. Eu vou corrigir isso.
Seus olhos vazios levantam até os meus.
— Isso não é corrigível... Eu não sou corrigível. Eu estava quebrada há muito tempo, irreparavelmente.
Ela puxa o braço da minha mão, sobe em seu carro, e vai embora, deixando-me numa nuvem de poeira e agonia. Eu não percebo que estou sentado no cascalho até sentir a mão do meu pai no meu ombro.
— Eu sinto muito, Edward. Sinto muito que você está pagando pelos erros que Mary cometeu há muito tempo.
Eu esfrego o rosto com as mãos, em seguida, levanto-me.
— Não... Eu... Eu não posso perdê-la. Eu tenho que fazer isso direito. Eu vou ir atrás del-...
— Não — Ele coloca uma mão firme no meu ombro, me segurando no lugar. — Isso não é uma boa ideia. Se você for atrás dela agora, só poderia piorar as coisas. Dê-lhe tempo para esfriar e processar a sua dor.
— Mas e se ela não voltar? — A dor no meu peito contorce em uma fodida agonia.
Eu esfrego a dor, sentindo-me sem fôlego.
— Suas coisas estão aqui, Edward. Ela tem que voltar para pegá-las.
— Não. — Eu balanço minha cabeça, sabendo como ela deixou tudo o que possuía para trás em Boston quando ela fugiu. — As coisas materiais não importam para ela. Ela deixou tudo para trás em Boston, por isso algumas roupas deixadas para trás não vão fazê-la voltar aqui.
Um olhar de preocupação torce sua expressão por um momento. Então ele dá um tapinha no meu ombro.
— Ela se preocupa com você, muito. Ela vai voltar. Se ela não fizer, então nós vamos encontrá-la.
— Como?
Ele coloca o braço em volta dos meus ombros, e começa a me para levar para dentro.
— Você se esqueceu de que seu pai era um policial? Encontrar pessoas é em que sou bom. — Ele sorri, tentando ser útil, positivo, encorajador.
Concordo com a cabeça, não realmente sentindo isso, porque o meu medo não é não encontrá-la. Vou rastrear a Terra, até o dia que a encontre. Não, meu medo é o que estará esperando por mim quando eu a vir novamente.
Isabella
Não há nada. Sem pensamentos em minha mente. Sem dor em meu corpo. Sem dor no meu coração. Apenas um foco. Uma intenção. Eu piso no freio no estacionamento da mercearia. Colocando meus óculos de sol, pego minha bolsa e entro. Eu pego um carrinho. Então alcanço os corredores.
Não há nenhum pensamento consciente. Apenas necessidade. Só necessidade. Meu carrinho está enchendo rapidamente. Eu já estou comendo. Um saco de batatas fritas já está aberto e terminado. Um pacote de doce meio comido. Se as pessoas estão olhando, não me importo que vejam. O caixa tenta jogar conversa fora. Não respondo. Eu empacoto a minha comida, pago e saio. Então dirijo meu carro para o motel na periferia da cidade, o que vim no outro dia. A maioria das pessoas vem a motéis durante o dia para ter casos. Eu venho para comer. Para esconder minha vergonha. No entanto, neste momento não me sinto tão envergonhada. Apenas necessitada. Um meio para um fim... Um fim que não posso atualmente ver. Eu faço o check-in no balcão. Uma noite. Eu não preciso mais do que isso. Eu só preciso tirar isso do meu sistema. Então estou saindo da cidade. Assim que pego a chave para o meu quarto, volto para o meu carro e pego minhas sacolas de comida. Entro no quarto e despejo os sacos na cama. Não é o quarto que estava no outro dia, mas parece exatamente o mesmo. O mesmo quarto barato, sujo, banal e muito usado. Parece certo estar aqui. Isso é o que sou. Barata, banal e muito usada.
Eu estupidamente deixei-me pensar o contrário. Deixei-me pensar que valia alguma coisa... Que significava alguma coisa para alguém... Ele. Edward. Dói pensar em seu nome. Eu bato as mãos contra a minha testa, forçando-o para fora, mas ele não sai. Então vou até televisão antiga e ligo. Quero sufocar a dor em minha cabeça sem sentido, mas o entendimento ainda se arrasta e me paralisa. A música da televisão corre pelo quarto, preenchendo cada canto vazio com "Diamonds" de Rihanna. A dor se impulsiona em mim. Eu solto um soluço com um punho na minha boca enquanto afundo no chão.
Como ele pôde...? Como ela pôde...? Pare, Isabella. Pare agora. Você sabe como tirar a dor. Eu rastejo até a cama e rasgo a primeira coisa que pego na minha mão. Empurrando-a na minha boca, mastigo rapidamente, engolindo. Não há gosto. Apenas alívio. O alívio que sempre vem com isso. Eu arrasto um saco para baixo da cama, esvaziando o seu conteúdo no chão. Eu rasgo outro pacote, biscoitos. Eu empurro-os na minha boca, mastigando, tentando comer tantos quantos puder o mais rápido possível.
Mas a comida está atolando, como se meu corpo já estivesse pronto para rejeitá-la. Eu engulo em seco, forçando-a para baixo, e agarro a garrafa de refrigerante que comprei, engolindo um pouco, lubrificando a garganta seca. Então começo, comendo mais intensamente do que jamais comi antes.
Estou deitada no chão sujo do quarto, olhando para o teto rachado. Quase toda a comida se foi, meu corpo está encharcado de suor, e meu estômago dói como nunca senti antes. Eu comi mais do que nunca. Mas o sentimento é calmante porque é melhor sentir a dor dolorosa da comida no meu estômago do que sentir a agonia paralisante ameaçando rasgar o meu coração em pedaços.
Minha mãe me abandonou para criá-lo. Edward. O homem que estou apaixonada. Eu sou verdadeiramente aquela sem valor. Eu me esforço para me levantar. Eu vou vomitar. Mas seguro de volta. Eu preciso o alívio de fazer isso por mim mesma. Esforçando-me até o banheiro, me ajoelho no vaso sanitário. Dedos pressionados juntos, empurro de volta na minha garganta e me livro da dor que tenta me consumir.
Isso ainda está aqui. Não funcionou. Não passou. O vomito não me aliviou. Eles levaram isso de mim também. Minha capacidade de parar de sentir. De parar a dor, de me dominar. E agora isso está aqui, e minhas costelas parecem como se fossem quebrar com a agonia absoluta que está rasgando através de mim. Não. Não. Não. Não! Eu o odeio. Eu a odeio. Estou feliz que ela está morta. Rastejando para fora do banheiro, me esforço para ficar de pé. Minhas pernas estão dormentes, minha cabeça tonta. Eu cambaleio até a cama. Tirando a bagunça de sacos vazios e embalagens e recipientes que sujam a cama e o chão, acho um pouco de comida. Um saco de pipoca e alguns copos de manteiga de amendoim. Não! Eu preciso de mais do que isso. Eu procuro na cama por mais alimentos, mas nada. Rasgando a pipoca, enfio na minha boca, um punhado de cada vez, vomitando enquanto engulo, mas não me importo, faço com que seja aceito. Então mudo para os copos de manteiga de amendoim. Quando eles acabam, fico de joelhos, vasculhando o lixo no chão.
Acho um pote de pasta de chocolate que tinha rolado debaixo da cama. Eu abro e começo a cavar com a minha mão, pondo na minha boca. Em seguida, a comida termina, e estou longe de estar cheia, mas isso vai ter que servir. Eu tropeço de volta para o banheiro, fico sobre pia, e forço a comida para fora. Com a água correndo, tento lavar o vômito, mas o tampão está bloqueando. Há chocolate por todas as minhas mãos e braços. Vômito na pia. Eu ergo minha cabeça e me vejo no espelho. Nojenta. A comida está lambuzada pela minha boca, no meu rosto... No meu cabelo. Há vômito em mim. Eu estou nojenta.
Eu não os odeio, Edward. Renée. Eu me odeio. A raiva que nunca me permiti sentir rompe em mim. Eu bato meu punho no espelho. Ele quebra, pequenos fragmentos caindo na pia. O sangue escorre da minha mão, pousando sobre os azulejos brancos sob os meus pés. Mas não sinto a dor na minha mão, só a dor no meu coração. Eu fecho meus olhos sobre o dilúvio. O ódio por mim mesma. O desgosto. A perda. O desamparo. Os portões se abrem, e tudo isso vem inundando, feroz, como a força de um tsunami. Eu agarro a pia, abrindo meus olhos, mas não consigo ver além das lágrimas queimando.
Eu preciso sair daqui. Preciso de mais... alguma coisa, qualquer coisa.
Movendo-me rapidamente, sombras dançam diante dos meus olhos, cegando-me, me insultando.
Eu tropeço no banheiro, procurando a porta.
Eu exagerei. Vou apagar.
Foda-se. Estendo minha mão para me apoiar, mas não encontro nada, e é tarde demais, estou caindo...
Duramente.
Edward
— Eu não aguento mais isso — digo, pegando as chaves do carro na mesa. Esperei o dia todo, mas não houve sinal de Isabella. E agora está ficando tarde. E estou preocupado pra caralho. Tentei ligar para o celular dela algumas horas atrás. Eu tenho o seu número na ficha de reserva. Quão ruim é que, eu nem mesmo sabia seu número de celular. Mas, então, nunca precisei ligar para ela, e nem uma vez a vi com um celular em todo o tempo que estive com ela. Ainda assim, tinha que tentar. Era um beco sem saída. Ele estava desligado, e eu não poderia nem mesmo deixar uma maldita mensagem de voz porque sua caixa de correio estava cheia.
Estou frustrado, e me sinto um impotente de merda, então agora estou fazendo a única coisa que posso. Eu vou procurar por ela.
— Eu vou com você. — Meu pai fica de pé.
— Não, fique aqui no caso dela voltar. Se ela voltar, me ligue imediatamente.
— Onde você vai procurar? — Ele pergunta enquanto abro a porta da frente.
Faço uma pausa. Eu não tenho a porra de uma pista. Eu só iria dirigir por Durango até que tenha uma ideia.
Voltando-me para ele, pergunto:
TENSO
BEIJOS E ATÉ
— Onde você procuraria?
Ele esfrega a mão sobre o cabelo curto e grisalho.
— Se fosse Isabella e estivesse em uma cidade que não fosse familiar, e depois do que ela acabou de descobrir... Se fosse comigo, iria querer um bar e álcool... Mas não acho que ela seja esse tipo de garota — acrescenta quando balanço minha cabeça.
— Ela não é.
— Então, eu quereria um lugar tranquilo. Algum lugar que pudesse ficar sozinho.
— Onde é tranquilo?
— Aqui — diz ele.
— Outro hotel?
— Eu diria que sim.
— Obrigado, papai.
Eu corro para o Mustang e arranco pelo cascalho, acelerando para fora de lá.
Eu verifiquei os estacionamentos de dez hotéis até agora procurando o carro dela, e nada. Eu não sei se estou perdendo meu tempo aqui. Ela poderia ter deixado a cidade, mas tenho que continuar procurando. Eu paro no semáforo de um cruzamento. Sentindo-me perdido, sem saber que caminho seguir, descanso minha cabeça contra o volante. Um segundo depois, uma buzina explode atrás de mim, assustando-me pra caralho. Meus olhos vão para o retrovisor para ver um carro atrás.
— Tudo certo! Vou me mexer! — Eu grito.
Eu engato a marcha e viro à direita. Eu não percebo que estou indo para fora da cidade até que estou no meio da rua.
Talvez ela tenha ido embora, e este é o meu subconsciente me dizendo.
Sentindo-me desanimado e um completo fracassado, começo a dar ré, dando uma rápida olhada ao redor para me certificar que tudo está limpo, e é aí que vejo o carro dela. Está estacionado fora de um decadente motel. Meu coração para. Em seguida, reinicia com um galope trovejante.
Engolindo meus nervos, viro e sigo para o motel, estacionando junto ao escritório. O cara atrás do balcão parece um completo drogado. Ele nem sequer tira os olhos da TV quando entro. Eu odeio que Isabella sentiu que não tinha nenhum lugar para ficar, além daqui. Ela não pertence a um lugar como este. Ela pertence a mim.
— Ei, cara. — Eu descanso minhas mãos sobre o balcão. — Eu queria saber se você me faria um favor. Minha namorada e eu tivemos um briga — Namorada. Essa é a primeira vez que chamo Isabella de minha namorada. Engraçado, quando nem mesmo tenho certeza do que somos — e foi uma das grandes. Eu realmente preciso falar com ela, mas ela não atende o celular.
— Então, suponho que ela não quer falar com você — ele diz sem rodeios, sem tirar os olhos da TV.
Eu cerro meus punhos. Ignorando-o, digo em um tom cortante.
— Olha aquele carro estacionado lá na frente. Eu sei que ela está aqui. Eu só preciso que você me diga o quarto que ela está.
Tecnicamente, ele não pode, sei disso. Mas isso não é o mais respeitável dos estabelecimentos. Então ele irá me dizer, ou ser um completo idiota. A partir do olhar em seu rosto, estou achando que é o último.
Seus lábios se curvarem quando ele sorri.
— Você está falando sobre a morena bonita com um traseiro firme, dirigindo um carro tão quente como ela? Esteve aqui no outro dia também, permaneceu por apenas um dia.
Ela ficou aqui no outro dia?
Todos os meus músculos travam, rigidamente apertados.
— Eu suponho que era um encontro sexual — continua o cara de merda. — E, pela sua cara, definitivamente não era com você. — Ele ri.
Chego ao balcão e agarro sua camisa, arrastando-o da cadeira.
— Você vai me dizer em que quarto ela está, agora mesmo, porra — assobio na cara dele — ou vou chutar o seu traseiro, então vou bater em cada fodida porta de seu motel ralé, arrastando para fora todos os seus clientes regulares, os que não querem serem interrompidos porque eles pagam por hora, até que a encontre.
Ele abre a boca, mas o impeço antes que ele comece.
— E antes que você grite sobre chamar a polícia, o meu pai é um — Ok, então isso é uma mentira. Mas estou jogando tudo o que tenho aqui. — então não perca seu fodido tempo porque eles não virão para sua espelunca de baixa renda, ou por pedaço de merda como você. Agora me diga que porra de quarto que ela está!
Ele agarra sua camisa, puxando-a da minha mão, libertando-se.
— Tudo bem! — Ele bufa, respirando pesadamente. — Que seja! Eu não dou a mínima! Ela está no quarto 106.
— Viu, não foi tão difícil, foi?
Eu bato a porta e desço em direção ao quarto. Um-zero-seis.
Eu bato na porta e espero. Nada. Eu olho pela fresta nas cortinas. O quarto está escuro, exceto pela TV piscando, mas nenhum sinal de Isabella. Eu bato de novo, mais alto, chamando seu nome através da porta. Esperando, escuto por um movimento.
Ainda nada.
— Isabella! — Eu bato de novo. — Eu sei que você está aí. Seu carro está lá fora. Eu só preciso saber que você está bem.
Eu pressiono o ouvido na porta, tentando ouvir um ruído. Então a ouço... Fracamente.
— Isabella! — Eu chamo de novo, meu coração batendo.
— Edward.
Sem pensar duas vezes, levanto e bato o pé contra a fechadura. Ela cede com um chute. Eu arranco pelo quarto, e vejo confusão por todo lugar. Embalagens de alimentos, recipientes... apenas lixo, em todos os lugares.
Eu a ouço gemer. Banheiro. Ela está no chão. Meu estômago cai. Meus olhos absorvem tudo em menos de um segundo. O sangue seco em sua testa emaranhando em seu cabelo. O que parece chocolate, manchando seu rosto. Então o cheiro me acerta e é aí que vejo o vômito na pia... E o espelho quebrado acima. Eu caio de joelhos ao lado dela.
— Isabella. Sou eu, estou aqui. Jesus, baby, o que aconteceu? — Eu pego a mão dela. Seus dedos estão cortados, secos com sangue, o espelho. Foda-se.
O que você fez para si mesma, baby? Lágrimas picam meus olhos.
— Edward... — ela geme, seus olhos se abrem, olhando fora de foco.
— Eu estou aqui. — Eu pressiono minha mão em sua bochecha. — Eu vou pedir ajuda.
— Não... — ela murmura. —... Estou bem. Basta dar... Minuto... — Seus olhos se fecham.
— Isabella, baby. Fique comigo. Fique acordada. — Eu bato suavemente na sua bochecha.
— Cansada...
— Isabella. — Eu a acaricio um pouco mais forte, mas ela está fora, e então disco 9-1-1, dizendo-lhes que preciso de uma ambulância imediatamente.
TENSO!
Beijos e até
