Oi Gente!
Vamos ao último capítulo?
A gente se fala.
Boa leitura
Edward
— Isabella. Sou eu, estou aqui. Jesus, baby, o que aconteceu? — Eu pego a mão dela. Seus dedos estão cortados, secos com sangue, o espelho. Foda-se.
O que você fez para si mesma, baby? Lágrimas picam meus olhos.
— Edward... — ela geme, seus olhos se abrem, olhando fora de foco.
— Eu estou aqui. — Eu pressiono minha mão em sua bochecha. — Eu vou pedir ajuda.
— Não... — ela murmura. —... Estou bem. Basta dar... Minuto... — Seus olhos se fecham.
— Isabella, baby. Fique comigo. Fique acordada. — Eu bato suavemente na sua bochecha.
— Cansada...
— Isabella. — Eu a acaricio um pouco mais forte, mas ela está fora, e então disco 9-1-1, dizendo-lhes que preciso de uma ambulância imediatamente.
— Como ela está?
Eu levanto com a aproximação do meu pai. Estou na sala de espera onde fiquei a última meia hora desde que chegamos e eles me deixaram aqui, correndo com Isabella diretamente para dentro.
— Eles não estão me dizendo nada, porque, aparentemente, não sou da família. — Eu jogo meus braços no ar, lançando um olhar irritado para a recepcionista.
Meu pai coloca as mãos sobre os meus ombros, trazendo a minha atenção para ele.
— Tecnicamente, somos família. — Ele me dá um olhar firme antes de se virar e caminhar até a recepção.
A última coisa que quero fazer é me referir a Isabella como a minha meia-irmã, mas se isso vai me dar qualquer notícia sobre ela, vou dizer-lhes qualquer merda que eles precisem ouvir.
Eu caminho ao redor e vejo meu pai falando com a recepcionista. Ele dá alguns acenos. Diz algumas coisas. Outro aceno de cabeça. Então ele anda de volta para minha direção.
— O que ela disse?
— Só que Isabella está atualmente passando por exames, e eles estão extremamente ocupados esta noite, então nós poderemos ficar esperando horas antes de ouvir qualquer coisa.
— Jesus. — Eu pressiono meus dedos para a ponte do meu nariz, fechando os olhos, tentando acalmar as emoções. — Eu só preciso vê-la. Saber que ela está bem.
— Ela vai ficar bem, filho. — Sua mão aperta meu ombro. — Parece que vamos ficar aqui por um tempo, então vou pegar um pouco de café.
Concordo com a cabeça, e inclino-me contra a parede, meus olhos ainda fechados.
Algumas horas mais tarde…
— Sr. Cullen?
Minha cabeça levanta.
Uma mulher de trinta e poucos anos, cabelos loiros presos em um coque e vestindo um casaco branco, está diante de mim.
— Eu sou a Dra. Hale. Você é da família de Isabella Swan? Você veio com ela?
Eu fico de pé.
— Sim. Eu sou seu... Seu...
— Eu sou seu padrasto — meu pai me corta, de pé ao meu lado. — Como ela está?
Dra. Hale volta sua atenção para papai.
Dou-lhe um olhar agradecido.
— Isabella sofreu uma pequena contusão na cabeça em sua queda, nada muito sério, mas o que foi motivo de preocupação para mim, depois de inicialmente examinar Isabella, foi que ela mostrou sinais de desidratação grave, e sua pressão arterial perigosamente baixa.
— Desidratação grave? — Eu digo, confuso. — O que faria com que ela ficasse gravemente desidratada? — Eu não sou médico, mas sei que desidratação grave não é algo que acabou de acontecer.
Ela me dá um olhar desconfortável. Em seguida, volta-se para o meu pai.
— Sr. Cullen...
— Carlisle, por favor.
— Carlisle, Isabella já teve quaisquer problemas no passado? Quaisquer problemas com comida... De qualquer tipo?
— O que quer dizer, problemas com comida? — Eu pergunto.
Seus olhos se voltam para mim de novo.
— Você é o que de Isabella...?
— Meio-irmão. — Eu quase engasgo com as palavras, porque isso não poderia estar mais longe da verdade. — Edward. Eu sou Edward.
Ela limpa a garganta, virando-se para mim.
— Edward, depois de examinar a sua meia-irmã, algumas coisas que descobri trouxeram à tona uma preocupação.
— Que preocupação? — Meu coração pula para fora do meu peito e começa a correr pelo corredor.
— Eu não tenho liberdade para discutir isso detalhadamente, não antes de falar com Isabella.
— Você nos perguntou por uma razão? O que é isso? Você acha que Isabella tem um problema com comida, então vamos falar sobre isso. — Eu estou sendo um idiota, sei, mas algo sobre isso está me incomodando pra caralho. — Que tipo de problema? Alergias? Intolerância alimentar? Uma desordem aliment... — As palavras saem de minha boca antes mesmo que perceba o que estou dizendo.
E então percebo.
E os meus olhos se fecham sob a bola de demolição dessa percepção. A maneira que a encontrei naquele quarto de motel silencia a minha mente em um quadro congelado de eventos. A quantidade excessiva de embalagens de comida vazias. O modo como ela estava com chocolate espalhado pelo seu rosto, como se ela o tivesse ingerido excessivamente. E ela estava vomitando. Ela estava vomitando. Comendo excessivamente. Vomitando.
Pense Edward. Pense... Bulimia.
Foda-se, não.
Abro os olhos.
— Você acha que Isabella é bulímica.
Dra. Hale coloca as mãos nos bolsos, soltando uma respiração lenta.
— Há muitos sinais que apontam para essa possibilidade, sim, mas como disse, não posso ter certeza de nada até que eu fale com Isabella.
E meu coração sai do prédio.
— Então, fale com ela, agora. — Faço um gesto para o corredor. — Eu vou com você.
Ela balança a cabeça.
— Isso não é possível no momento já que Isabella está sedada, e eu…
— Sedada? — Eu franzo a testa. — Por quê?
— Edward, quando Isabella chegou, ela ficou muito perturbada. E pelo estresse da situação, algumas outras questões surgiram. — Ela para de falar quando alguém passa.
— Que outras questões? — Eu pressiono, envolvendo os braços em volta do meu peito, tentando permanecer firme, porque estou a dois segundos de distância de correr por este corredor e buscar em cada fodido quarto até que a encontre.
Dra. Hale junta suas mãos em frente a ela.
— Isabella ficou extremamente perturbada durante o exame, e devido ao estresse que ela já estava, combinado com a desidratação, ela sofreu uma convulsão.
— Uma convulsão. Jesus porra de Cristo. — Eu fecho meus olhos e respiro dolorosamente, minhas mãos cobrindo o rosto.
Eu sinto as mãos de meu pai ir para minhas costas para dar apoio.
— Uma vez que tivemos a convulsão sob controle, senti que era melhor sedar Isabella. Permitir que seu corpo descanse, e nos dar tempo para reidratá-la por via intravenosa, já que Isabella estava rejeitando continuamente os nossos esforços em ajudá-la enquanto ela estava acordada.
Rejeitando a sua ajuda? Ela não queria ficar melhor?
Seu telefone dispara em seu bolso.
— Desculpe-me. — Ela pega o telefone, olhando. — Me desculpe, mas tenho que ir. — Ela começa a recuar.
— Quando Isabella acordar…
— Eu virei e te direi imediatamente. — Então ela se foi.
Eu caio na cadeira mais próxima. Cabeça em minhas mãos.
Meu pai senta ao meu lado.
— Ela vai ficar bem, filho. Nós vamos ajudá-la. Tudo o que ela precisar.
Eu ergo minha cabeça um pouco e olho para ele.
— Mas e se ela não quiser a minha ajuda?
Ele me dá um sorriso triste.
— Nós vamos descobrir isso. Não se preocupe.
Meu pai e eu passamos a noite aqui na sala de espera do hospital. Nós não ouvimos mais nada, não importa quantas vezes eu verifique com a recepcionista, a resposta é sempre a mesma, sem alteração ainda, Isabella ainda está dormindo. Então passo a maior parte do meu tempo correndo tudo pela minha mente várias vezes. Tentando descobrir como perdi isso. Houve algum sinal? Mas não tenho sucesso. No final, ainda estou sem clareza sobre tudo, por isso pego no sono, estendendo-me ao longo de três assentos, deixando que meu pai fique no banco. Eu fecho meus olhos, e durmo. Quando abro os olhos novamente, a luz do dia está emanando pelas grandes janelas, e um olhar para o relógio me diz que é sete e meia. Papai já está acordado, assistindo ao noticiário na TV na parede, bebendo mais um desses cafés de merda vendidos em uma máquina.
— Há quanto tempo você está acordado? — Eu pergunto, sentando-me.
Alongo as minhas costas, e todos os ossos do meu corpo estalam.
— Não muito.
— Alguma notícia.
— Não. Peguei um café para você. Pode estar um pouco frio agora. — Ele me entrega.
— Está ótimo. Obrigado. — Eu tomo dois grandes goles do café morno e coloco-o sobre a mesa.
— Eu falei com Paula, ela está indo para o hotel agora, ela vai ver Bulldozer.
Felizmente, os Perry's foram embora outro dia, então apenas Dozer que precisa de cuidados.
Levanto-me para esticar as pernas.
— Obrigado.
A porta principal se abre com uma lufada, jogando um jato de ar frio pela sala. Isso realmente ajuda a me acordar. Eu vejo entrando pela porta um cara da minha idade. Eu o percebo porque ele claramente tem dinheiro. Anda com aquele ar de arrogância que só idiotas com dinheiro andam. Ele caminha até a recepção.
— Eu só vou mijar, — digo ao pai.
Estou passando pela recepção, indo para o banheiro, quando ouço aquele cara do dinheiro conversando com a recepcionista.
—...O nome é Jacob Black. Recebi um telefonema ontem à noite me dizendo que minha namorada Isabella Swan tinha sido trazida. Eu quero saber como ela está, e quando posso vê-la.
O sangue corre direto para a minha cabeça. Eu paro e volto, lentamente.
— Sim, claro, — a recepcionista sorri. — Apenas deixe-me ver.
Ela começa a digitar. Clicando no teclado. Ele verifica o seu relógio. É ele. Este moreno, certinho filho da puta, é quem bateu em Isabella.
Por que ele está aqui?
Quem o chamou? Será que Isabella pediu por ele, ela pediu para chamá-lo?
Dor se lança por mim, rapidamente se transformando em raiva e desespero e frustração. Jacob vira a cabeça em minha direção. Ele me vê olhando. Meus punhos se apertam ao meu lado. Ele me dá um olhar estranho, então olha para o lado, mas ele sabe que ainda estou olhando para ele, então ele olha para trás.
— Posso ajudá-lo? — Pergunta ele com um olhar presunçoso em sua cara feia fodida.
Dou um passo em direção a ele.
— Você é Jacob?
— Sim. Eu sou. Quem está pergunt...?
Ele não termina essa frase.
Porque soco ele na cara. Forte. Ele cai com um golpe. Viado. Mas não paro por aí. Eu estou em cima dele, no chão, socando-o repetidamente, uma e outra vez, e não posso parar. Porque tudo o que consigo ver é o olho roxo de Isabella.
Ele tentando estuprá-la.
Ela se esforçando a vomitar. Desmaiada no chão do banheiro.
Eu a amando. Querendo ela.
Dor apenas. Dor do caralho. É interminável, implacável. E continuo batendo meu punho em seu rosto, tentando me livrar disso.
Eu não sei se eu pararia, ou se continuaria até que o matasse, mas não tenho a chance de descobrir porque estou sendo tirado de cima dele pelo meu pai e pelo segurança do hospital. Precisam de três deles para me tirar. É isso é quão incontrolável estou.
— Que merda! — Ele fala através do sangue em sua boca. — Você está louco? Você quebrou meu nariz!
— Essa é a menor das suas preocupações: — Eu rosno. — Você nunca mais vai chegar perto de Isabella, ou vou matar você!
Ele se acalma. Por um momento. As mãos cobrindo o nariz sangrando, seus olhos encontram os meus. Algo neles se move. Eu não sei o que é, mas com certeza não gosto disso. ]
Em seguida, a mão cai. E ele sorri.
— Isabella tem enganado você direitinho. — Ele deixa escapar uma cortante risada cruel. — Ela é boa nisso... Se fazer de vítima. E vou considerar que, pelo olhar em seu rosto, você está transando com ela. Desculpe te dizer isso, mas você não é o primeiro, não será o último.
— Você é um mentiroso maldito! — Eu me lanço sobre ele novamente, mas ainda estou sendo segurado pelo meu pai e pelos guardas corpulentos, assim não chego a lugar algum. — Vamos. Me. Solte. Porra! — Eu grito, tentando lutar contra eles.
— Acalme-se, maldição! — Meu pai assobia no meu ouvido. — Continue assim e eles vão chamar a polícia se ainda não chamaram. Então, vão jogar seu traseiro na cadeia, e você não será capaz de ajudar Isabella de lá.
No instante em que as palavras dele me batem, ouvir seu nome nesse contexto, começo a diminuir o ritmo.
— Tudo bem. — Eu respiro com dificuldade. — Tudo bem... Você pode me soltar. Eu não vou bater nele de novo. — Eu o prendo com meu olhar. — Agora não.
— Edward — Meu pai me repreende.
— O que no mundo está acontecendo aqui? — Eu viro minha cabeça para ver a Dra. Hale caminhando em nossa direção.
Seus olhos se movem para Jacob, em seguida, de volta para mim. Ela não parece feliz.
— Dra. Hale, este homem acabou de atacar este senhor aqui sem uma boa razão. — Isso vem da recepcionista, que ainda está parecendo um pouco chocada com a coisa toda.
— Sem uma boa razão a minha bunda! — Eu grito. — Este filho da puta é a razão de Isabella estar aqui dentro!
— Eu não vi Isabella por duas semanas.
— Sim, e por que isso? — Dou um passo em direção a ele.
O braço do meu pai vem na minha frente, me impedindo.
— Edward — diz Dra. Hale. — Você espancou este senhor?
Eu zombo do termo.
— Sim, e faria tudo de novo, com prazer.
Ela se vira para Jacob.
— Sr...?
— Black. — Sangue ainda está escorrendo por seu rosto feio e pela sua nova camisa de cem dólares.
— Sr. Black, vou conseguir uma enfermeira para te limpar. Você quer que a gente chame a polícia para denunciar o ataque?
Seus olhos se dirigem para mim.
— Faça isso. — Eu dou um passo a frente, empurrando o braço do meu pai que ainda está preso em meu peito.— E enquanto eu estiver com os policiais, vou dizer-lhes exatamente o que você fez com Isabella.
Seus olhos piscam com medo. Sim, eu sei o que você fez, filho da puta.
— Não. — Ele limpa a garganta, limpando a boca na manga. — Eu não quero dar queixa. Eu não preciso do incômodo. Basta manter esse psicopata longe de mim.
— Enfermeira Callaghan, você pode cuidar do Sr. Black, por favor. — Dra. Hale chama a enfermeira.
— É claro. — A enfermeira vem e leva-o para o corredor.
Eu mantenho meus olhos fixos em suas costas todo o caminho.
Dra. Hale está na minha frente, bloqueando minha visão.
— Eu não sei do que se trata — diz ela em voz baixa. — Mas se você se comportar dessa maneira no meu hospital de novo, vou chamar a polícia eu mesma, e você nunca mais vai passar pela porta novamente. Você entendeu?
Eu exalo.
— Sim, entendi.
— Bom. Porque Isabella está acordada, e ela está pedindo para vê-lo.
Minha cabeça se levanta.
— Ela está?
— Sim, é melhor vir comigo agora. — Ela começa a se afastar.
Eu olho para meu pai.
— Eu vou esperar aqui fora — diz ele.
Eu gesticulo obrigado a ele. Ele me dá um sorriso encorajador. Eu alcanço Dra. Hale.
— Como ela está?
Ela olha por mim.
— Melhor. Ela está falando.
Enfio as mãos nos bolsos.
— Isso é bom.
— Sim, isso é. Engraçado que, quando disse a Isabella que seu meio-irmão estava esperando para vê-la, ela me disse que não tem um meio-irmão. Que ela não tem família na verdade. — Ela desliza o olhar para mim.
Eu sorrio timidamente.
— É complicado. — Eu dou de ombros.
— A vida sempre é. — Ela para perto de uma porta. — Isabella está aqui. Agora, Edward, falei longamente com Isabella sobre as preocupações que tenho sobre o seu problema, e sinto que é melhor se você não falar nada.]
— Você quer dizer que não diga a ela que sei sobre a bulimia.
— Exatamente. Deixe-a dizer, tenho certeza que ela vai. Ela é muito consciente do seu problema, mas ela também teve um choque enorme para provocar essa percepção. É um assunto preocupante para ela. Eu não a quero perturbada mais do que ela já esteve.
Concordo com a cabeça.
— Eu ouvi você, doutora. Eu vou fazer o que for preciso para ajudá-la.
Ela sorri.
— Sim, posso ver isso.
Viro-me para a porta.
— Edward.
Eu olho por cima do ombro para ela.
— Você pode querer limpar o sangue de suas mãos antes de entrar.
Eu olho para as minhas mãos. Eu tenho o sangue daquele desgraçado nelas.
— Merda, sim.
Ela puxa um lenço do bolso, em seguida, vai até o dispensar de água um pouco mais longe no corredor. Pressionando a torneira, ela molha o lenço, em seguida, traz de volta para mim.
— Obrigado. — Pegando, esfrego o sangue dos meus dedos, em seguida, ofereço de volta para ela.
— Eu estou bem. — Ela ergue sua mão, sorrindo. — Fique com ele.
Deixo escapar uma pequena risada.
— Obrigado. — Enfio o lenço no bolso.
Em seguida, inspirando profundamente, empurro a porta do quarto de Isabella.
Isabella
Um olhar para Edward e eu sei. Eu não posso estar com ele. Não porque não o ame, eu sei, mas tudo que vejo quando olho para ele é a traição da minha mãe. Ela escolheu criá-lo, não a mim. Dói estar perto dele. Eu não quero acabar ressentindo Edward por tudo o que ele teve, tudo o que deveria ter sido meu. Isso não é culpa dele, o que minha tão chamada mãe fez, não foi culpa dele. Meu lado racional sabe disso, mas isso não muda o que sinto. Ela queria ele. Não a mim. Eu posso entender o porque. Ele é lindo, uma pessoa incrível. Ele brilha tanto. Ele é muito mais do que eu. E ele merece mais do que posso dar.
Ele merece mais do que eu.
Estou quebrada. Danificada. Dra. Hale pensa que sou reparável. Eu não tenho tanta certeza sobre isso.
Olhe para mim, onde estou agora. O que fiz para mim mesma. Eu já alcancei o fundo. Agora, preciso descobrir se realmente posso subir de volta, mas tenho que fazer isso sem Edward.
— Oi. — Ele fecha a porta atrás de si.
— Oi.
Eu mal posso fazer-me olhar para ele. Dói, sabendo que esta será a última vez que vou vê-lo. Eu o conheço há tão pouco tempo, mas o tempo parece irrelevante. É como se o conhecesse desde sempre. E nunca o ver novamente será a coisa mais difícil que vou fazer. Mais difícil do que viver com Charlie. Mais difícil do que escapar de Jacob. Mais difícil do que a luta contra a minha doença. Edward senta perto da minha cama. O assento que a Dra. Hale recentemente desocupou, depois de passar uma boa hora falando comigo sobre a minha doença. Eu não entrei com profundidade sobre o meu problema com a comida, mas foi difícil evitar a conversa sobre bulimia já que sendo uma médica, ela sabia. Eu tentei negar num primeiro momento, mas os sinais estavam todos lá para ela ler.
Depois que confessei a ela, a primeira pessoa que já disse, e quanto tempo tenho comido e vomitado, 10 anos, ela passou a dizer-me tudo o que eu já sabia, sobre os danos que estou fazendo para o meu corpo, Os riscos à saúde, insuficiência hepática ou renal... Possivelmente a morte. Você pensa que saber dessas coisas teria me parado há muito tempo, mas não queria pensar sobre isso. Eu só queria que a dor parasse, e por um longo tempo ajudou. E talvez, no fundo, queria morrer. Mas depois de estar aqui, conversando com a Dra. Hale... Mas, principalmente, por conhecer Edward e meu tempo com ele, percebi que o que quero é viver e ser feliz. E para fazer isso, preciso de ajuda. Dra. Hale me disse sobre uma clínica especializada, que pode me ajudar, e que ela iria me encaminhar para eles, mas para o tratamento funcionar, tenho que querer isso, tenho que querer melhorar.
E eu quero.
Estou pronta para ficar melhor. Eu preciso melhorar.
Dra. Hale está ligando para clínica agora para ver se eles têm um lugar para mim, então tudo o que me resta para fazer é dizer a Edward que vou embora.
— Como você está? — Ele pergunta, sua voz suave.
— Eu estou bem. — Eu olho para ele. Seus olhos estão sobre o meu rosto, profundos e escuros e examinando. Dói tanto olhar para ele. Cada vez que faço, fico confusa com o amor que sinto por ele e o passado que ele representa. O passado que deveria ter sido meu.
Olhando para baixo, meus dedos traçam padrões sobre o edredom.
— Edward... Eu preciso me desculpar por como você me encontrou naquele quarto de motel.
— Vou parar você bem aí. Você não tem nada para se desculpar. Eu só estou aliviado que encontrei você e que você está bem. — Seus dedos esfregam o peito. — Eu sou o único que tem tudo para se desculpar, baby. Você não teria ido lá... Ficado sozinha, se não fosse para me manter... — Ele passa a mão pelo cabelo, soprando um suspiro. — Deus, estou tão arrependido de não ter te contado sobre a minha mãe- — Ele se detém.
Sua mãe. Ele está certo, ela era sua mãe. Seus olhos brilham nos meu. Eles estão cheios de desculpas e tristeza. Ele sente pena de mim. Piedade. Eu odeio piedade.
— Eu só... — Ele exala. — Eu deveria ter dito a você no momento em que descobri que Mary era Renée... Sua mãe — ele destaca isso, sua voz profunda e baixa com significado.
Viro a cabeça e olho para fora da janela.
— Isso não importa mais.
— Sim, isso importa. E quero que você saiba que sinto muito... Por tudo. Eu sei que não parece, mas nunca faria nada para machucá-la. Eu estava com medo de te dizer. Que se fizesse, perderia você. — Ele desliza os dedos sobre a minha mão.
— Não faça isso. — Eu puxo minha mão. Eu tenho que proteger meu coração do olhar magoado em seu rosto.
O silêncio entre nós é cruel.
Ele esfrega as mãos sobre o rosto.
— Eu perdi você? — Suas palavras são tão serenas, mas elas machucam como a intensidade de um grito.
Eu fecho meus olhos com lágrimas queimando neles.
— Eu sinto muito, Edward.
— Jesus... — Ele balança a cabeça. — Só me diga uma coisa, é porque escondi de você, ou por causa de Mary?
— Não é por causa de você, é por minha causa…
— Não me venha com essa besteira de não é você, sou eu! — Ele se levanta, afastando-se da cama.
Ele está com raiva. Com a raiva posso trabalhar. Raiva eu entendo.
— Dê-me a verdade, Isabella. Você pode pensar que não mereço, mas é tudo que estou pedindo.
Meus olhos se lançam até ele.
— Tudo bem. — Sento-me em minhas coxas. — Você quer a verdade? A verdade é que cada vez que olho para o seu rosto, vejo tudo o que nunca tive, o que ela deveria ter me dado, mas em vez disso optou por dar a você. Eu culpo você por isso? Não, mas isso não muda o fato de que a mulher que me deu à luz, que deveria ser a minha mãe escolheu ser a sua. Ela me deixou com ele! — Minha voz está ficando mais alta, e minhas mãos estão tremendo, mas não consigo parar. — E odeio o jeito que isso me faz sentir, sabendo que ela escolheu você a mim .
— Ela não me escolheu! — Ele bate a mão no peito dele. — Eu não tive nada a ver com sua decisão, você precisa me ouvir, para que possa entender…
— Não! — Eu pressiono minhas mãos na minha cabeça. — Eu não posso ouvir mais nada! — Eu sei que o que sinto é irracional, mas não consigo pensar direito neste momento. Tudo que posso fazer é sentir , e o que sinto é irracional. — Eu odeio isso! Eu odeio tudo! Eu me odeio! — Estou chorando agora. Edward atravessa a sala em poucos passos e me puxa para seus braços. A sensação dele... Seu calor e força... Eu enrolo meus dedos em sua camisa. — Tudo é uma bagunça. Eu sou uma bagunça. — Eu fungo, afastando-me, incapaz de estar tão perto dele sabendo que vou embora.
Não disposto a me soltar, ele pega meu rosto em suas mãos.
— Você não é uma bagunça. — Ele passa os polegares sobre minhas bochechas, secando as lágrimas. — Apenas fale comigo, baby. Deixe-me ajudá-la.
A sensação de esmagamento no peito tira o meu fôlego.
— Depois de tudo que disse a você... Você ainda quer me ajudar. Por quê?
Seu aperto no meu rosto aumenta. Seus olhos escurecendo.
— Porque te amo pra caralho, Isabella. — Seus olhos se fecham, quase como se ele estivesse com dor.
Ele me ama.
Edward descansa sua testa contra a minha, sua mão cobrindo a parte de trás do meu pescoço.
— Isso não saiu exatamente como tinha planejado, mas é a verdade. Eu estou apaixonado por você. — Sua respiração sopra pela minha pele. Suas palavras esmagam meu coração. — Eu sei que é, provavelmente, muito rápido, e sei que você tem muito com que lidar agora e que sou a causa de algumas dessas coisas, mas só quero que você saiba a extensão dos meus sentimentos por você antes de nos jogar fora. Eu amo você, Isabella. Cada parte de você. O melhor e o pior. O quebrado, o perfeito. O mal, o bem. Você é isso para mim, baby. Eu só vejo você.
Ele me ama.
Edward está apaixonado por mim.
Eu. Eu o amo muito. Tanto.
Mas isso não vai funcionar. Estou muito quebrada. Muito ferida. Muito ressentida. E não posso ver qualquer um desses sentimentos indo embora tão cedo. Ele merece muito mais do que posso dar a ele. E dizer a ele que o amo seria errado e egoísta da minha parte.
Abro os olhos.
— Estou indo embora de Durango.
Ele se afasta de mim, a mão ainda enrolada em volta da minha nuca.
— Você vai voltar para Boston?
Eu franzo a testa.
— Não. Esse é o último lugar que iria. Por que você acha isso?
Ele balança a cabeça. Olhos para baixo. É isso. Eu tenho que dizer a ele sobre a minha doença.
— Edward há algo que você não sabe sobre mim... — paro, soltando um suspiro. — Quando você me encontrou no quarto de motel... Eu não sei se você viu todas as embalagens de comida vazias?
— Eu as vi.
— Bem... Eu tenho esse problema. — Eu cravo minhas unhas na palma da minha mão. — Quando estou estressada ou chateada, eu... Eu como... Um monte de comida, então eu... Me forço a vomitá-la.
Ele não reage. Não se move. Ele só olha para mim com a mesma emoção que estava lá momentos atrás.
— Eu tenho uma doença chamada bulimia, Edward. Eu não sei se você já ouviu falar dela antes.
— Eu já ouvi falar.
— Ok. Bem, não é, para mim, pelo menos, sobre ser magra — esclareço. — É sobre meus problemas aqui. — Eu toco meus dedos na minha cabeça. — Quando as coisas na minha vida estão muito dolorosas, ou fora do meu controle, ou apenas sendo muita coisa para lidar, tiro a dor usando o conforto dos alimentos. Em seguida, para conseguir o controle de volta, acho que você poderia dizer, me forço vomitar a comida de volta.
— Há quanto tempo isso vem acontecendo? — Ele pergunta baixinho.
Eu respiro profundamente.
— Há dez anos, de vez em quando. Piorou nos últimos tempos.
— Como nós podemos resolver isso?
Eu encontro seus olhos determinados.
— Nós não. Eu preciso. — Solto um suspiro, digo-lhe: — Há uma instalação especializada em Denver para pessoas que sofrem com transtornos alimentares como o meu. Vou lá para tentar ficar melhor.
— Quanto tempo você vai estar lá? Eu levanto os meus ombros.
— Eu não sei... O tempo que levar, acho.
Seus olhos levantam. Eu vejo um brilho de esperança neles.
— Denver não é longe, Isabella, umas seis horas dirigindo, no máximo, dirijo a cada fim de semana para te visitar…
— Não. — Eu digo, esmagando sua esperança.
— Não. — Ele repete.
— Eu tenho que fazer isso sozinha. — Eu puxo meu lábio inferior. — Eu não quero que você venha me visitar.
— Tudo bem... — Ele esfrega a ponta do nariz com o dedo. — E quando você estiver melhor... Eu posso ver você, então?
Eu olho para longe dele. Não faz diferença, porque posso sentir seus olhos em mim. Isso dói.
Tanto.
Eu balanço minha cabeça lentamente.
— Ah... Certo. Ok... Então você realmente quis dizer isso antes, quando você disse que tinha perdido você. — Ele soa com dor, mágoa, e isso é horrível. Mas estou fazendo a coisa certa, sei que estou.
O ressentimento que sinto não vai a lugar nenhum. E, eventualmente, ele iria me consumir... nos, e no final não sobraria nada, além de ódio e mágoa. Eu tive mágoa suficiente para durar uma vida. É melhor terminar as coisas agora do que mais tarde. Eu sinto a cama mexer enquanto ele levanta.
— Você vai fazer uma coisa para mim?
Eu levanto os meus olhos para ele, mas não estou preparada para a dor que me corta quando vejo o olhar puro em seu rosto.
— Não se feche para a próxima pessoa que tenta chegar perto de você. Diga-lhe tudo. Não se preocupe que não vão te amar, porque eles vão. É impossível não amar você, Isabella. — Ele solta um suspiro de resignação. — Eu sei disso melhor do que ninguém.
Eu deslizo a minha mão sobre meu peito, segurando no lugar onde meu coração dolorido está. E, neste momento, desmorono, mudando de ideia, pronta para dizer a ele que o amo. Que vou encontrar uma maneira de superar o que sinto. Mas antes de que eu tenha a chance de abrir meus lábios secos, ele se vai, a porta se bate em seu rastro.
Pânico agarra o meu peito.
Eu quero correr atrás dele. Dizer a ele que estava errada. Mas minhas pernas não se movem. E sei o porquê. Porque no fundo sei que deixá-lo ir é a coisa certa. Eu deito na cama, virando-me para o lado enquanto puxo meus joelhos no meu peito, abraçando-os.
Estou enxugando minhas lágrimas quando ouço a porta abrir.
Edward.
Meu coração salta. Eu me viro.
Jacob.
Oh Deus, não. Não.
Eu posso sentir meu corpo girando sobre si mesmo. Como um caracol, recuando em sua concha.
O que ele está fazendo aqui? Como ele sabia que eu estava aqui? O que aconteceu com seu rosto? Seu nariz está enfaixado. Seu rosto cortado e sangrando.
Ele fecha a porta atrás dele, e meu sangue congela. Meus olhos começam a esquadrinhar o quarto procurando uma fuga, mas a minha única saída é a porta que ele está em pé na frente. Eu sempre poderia correr para o banheiro e me trancar lá dentro.
—J..Jacob — finalmente digo.
— Como você está se sentindo? — Ele pergunta perfeitamente normal, como se a última vez que o vi não envolvesse ele me batendo e tentando me estuprar.
— C-Como você sabia que eu estava aqui?
Ele sorri, e faz meu sangue gelar.
— Eu sou o seu contato de emergência do seu seguro médico, se lembra? No minuto em que trouxeram você para cá, recebi um telefonema. Eu vim imediatamente. Eu estava preocupado com você, baby. Estive preocupado com você pelas duas últimas semanas. Sem saber onde estava... Tem sido uma tortura. — Ele dá um passo mais perto de mim.
Eu me arrasto de volta para cama, cobrindo minhas pernas com a camisola do hospital que estou usando. É a minha reação natural. E eu odeio isso.
Ele levanta as mãos de forma apaziguadora.
— Eu não vou machucar você, Isabella. Não é por isso que estou aqui.
Eu não acredito nele. Eu já ouvi isso dele tantas vezes antes.
Eu deslizo minha mão nas minhas costas, procurando a campainha de emergência.
— Eu só quero falar com você. — Ele se senta na cadeira ao lado da cama.
Eu paro de mover a minha mão, mudando o meu corpo um pouco para esconder o que estou alcançando.
— O-O que você quer? — Eu tento manter minha voz firme.
— Eu quero que você volte para casa.
Eu posso sentir minha cabeça balançando antes mesmo de ter a chance de pensar no que estou fazendo. Eu sei que é a coisa errada, e mais ainda quando vejo o brilho de raiva nos olhos dele.
Eu engulo, a saliva passando pela minha garganta seca enquanto engatinho meus dedos para fora, tentando encontrar a campainha.
— Isabella... — Ele suspira, esfregando a têmpora, balançando a cabeça. — Essa não é a resposta que queria ouvir.
— O que aconteceu com seu rosto? — Eu pergunto. Uma tática de desvio até descobrir uma maneira de sair dessa.
Seu rosto escurece.
— É irrelevante.
Eu prendo minhas mãos.
— Isabella, vim até aqui, e não vou embora sem você. E realmente, o que você tem aqui? Nada. Você está sozinha. Você precisa de mim. Você não pode sobreviver sem mim.
Eu envolvo minhas mãos em volta do meu corpo frio. Ele está certo. Estou sozinha, mas sozinha é melhor do que com ele.
Jacob fica de pé.
— Onde estão suas coisas?
— Eu não tenho nada aqui comigo.
— Bom. Isso torna mais fácil. — Ele pega minhas roupas sujas dobradas de lado. — Que diabos é isso?
— Minhas roupas.
O olhar de desgosto em seu rosto é tão familiar para mim. Ele é tão familiar para mim.
— Nós vamos comprar algumas roupas no aeroporto, mas, por enquanto, se vista. — Ele joga as roupas sobre a cama na minha frente.
— Por quê?
Ele olha para mim. A raiva o está dominando agora.
— Porque nós vamos sair desta merda de cidade caipira e ir para casa. Então, vista a porra da sua bunda! — Ele sussurra.
Este é o Jacob que conheço tão bem.
O medo me controla, e sem saber o que fazer, obedientemente saio da cama e pego a roupa para me trocar no banheiro.
— Onde diabos você está indo? — Ele repreende.
— Me trocar — respondo em voz baixa.
— Se troque aqui. — Ele se move pelo quarto em minha direção, destruição em seus passos.
Meu coração para. Eu ainda estou parada no lugar, o medo ainda me controlando como uma doença.
Passando o dedo pelo meu braço nu, ele se inclina para perto da minha boca.
— Eu senti sua falta, baby... Eu quero ver você.
Seu toque acende memórias dolorosas de todas as vezes que ele me bateu, me chutou, me deu um soco... Violou-me.
Sua mão parece como uma doença da pior espécie. Uma doença, uma terrível enfermidade que quero fora de mim, e longe. Agora.
Meu coração acelera, e começa a bombear forte no meu peito.
Eu não vou sair daqui com ele. Eu não posso.
Segurando as roupas contra o meu peito, levanto o meu queixo.
— Eu não vou voltar para Boston com você.
Não há nenhuma hesitação.
Ele me agarra pelo pescoço. Me empurrando para cima da cama.
— Você vai fazer o que te digo! Você vai se vestir. Então você vai deixar o hospital, e entrar em um avião para casa comigo.
— Não. — Eu grasno.
Sua mão agarra minha camisola, levantando-a. Ele pega o tecido da minha calcinha e rasga. Seu joelho vem entre as minhas coxas. Eu pressiono minhas pernas juntas, tentando mantê-lo fora, mas ele é muito forte, e as afasta.
Com o joelho pressionado dolorosamente contra a minha parte mais íntima, ele se inclina para o meu rosto.
— Eu preciso ensinar-lhe uma lição, Isabella?
O medo e as memórias começam a tomar posse. E os impeço assim que eles começam. Eu não vou ser controlada. Não por ele. Não por qualquer pessoa. Nunca mais.
Eu odeio Jacob mais neste momento do que nunca. E isso me dá força. A força que preciso. Lentamente, balanço minha cabeça.
Ele sorri, um sorriso vencedor.
— Boa menina. — Então ele puxa minha camisola para o lado, revelando meu peito nu.
— Tão fodidamente bonita — diz ele, apertando a mão no meu peito, movendo os dedos nojentos sobre meu mamilo. Ele aperta.
Eu fecho meus olhos com dor. Lágrimas se impelem pelos cantos dos meus olhos.
Edward.
É um grito silencioso na minha mente. Um apelo para que ele volte. Para cumprir sua promessa quando disse que ele nunca deixaria ninguém me machucar, nunca mais.
Mas Edward não está vindo porque o mandei embora. Isto é para eu fazer. E posso fazê-lo.
Lentamente, levanto a minha mão para rosto de Jacob. Seus olhos brilham com triunfo, e sei que tenho ele. Inclinando meu queixo, ofereço a minha boca para ele.
Seus olhos incendeiam.
— Diga que me quer, Isabella. Diga: "Foda-me, Jacob. Por favor". Eu quero ouvir você implorar, baby.
Eu engulo todas as palavras que quero dizer e faço o que ele diz:
— Foda-me, Jacob. Por favor — digo com uma voz firme.
— Essa é minha garota. — Ele sorri, abaixando o rosto para o meu.
No instante em que seus lábios tocam os meus, gemo, sabendo que isso vai fazê-lo aprofundar o beijo. E esse é o momento em que volto para a tática que usei da última vez, e mordo seu lábio inferior. Mas desta vez, mordo forte. Seu sangue inunda minha boca, junto com seu grito de dor.
— Sua vadia!— Ele me bate com força.
Dor explode na minha cabeça. Seu domínio sobre a minha garganta aperta. Respirar rapidamente fica difícil.
Eu preciso sair daqui, mas não posso mover meu corpo, então minhas mãos dão um tapa nele, arranhando, empurrando, tentando tudo o que posso para tirá-lo de cima de mim, mas ele não se move. É quando ele levanta para me bater de novo, o punho cerrado, então eu viro meu rosto.
Neste momento é que vejo a minha fuga, na mesa ao lado da cama. Sem outro pensamento, pego a jarra de vidro com água e, usando toda a força que tenho, o acerto com ela. Eu faço contato com o lado de sua cabeça. Eu sento e ouço o baque surdo do vidro, uma vez que atinge o crânio. Água transborda, encharcando meu rosto e cabelo. Jacob parece atordoado. Como se ele não pudesse acreditar que realmente o acertei. Ele cambaleia, mas ainda está de pé, e preciso que ele caia. Então recuo e bato-lhe novamente. Mais forte desta vez. E isso é quando ele vai para baixo, caindo bem em cima de mim. O jarro cai da minha mão e bate no chão com um alto estilhaçar. Eu estou entrando em pânico, tossindo o sangue dele misturado com o meu, só precisando que ele saia de cima de mim. Aterrorizada que ele acorde e, em seguida, o jogo acabe para mim. Com uma força desconhecida, me contorço debaixo dele. Deslizando para fora da cama, meus olhos estudam seu corpo imóvel, meus pés descalços batem no chão. Cacos de vidro cortam as solas dos meus pés, mordo meu lábio sobre o grito de dor que quero dar. Não tirando os olhos de Jacob, pego a campainha de emergência ao lado da cama, pressionando-a várias vezes. Em seguida, o mais silenciosamente que posso, passo pelo chão, sufocando meus impulsos de gritar enquanto o vidro continua a cortar sem piedade meus pés.
Estou a poucos passos da porta, quando ouço passos correndo pelo corredor. Em seguida, a porta se abre com um estrondo. É Dra. Hale com um guarda de segurança ao lado dela.
Graças a Deus.
— Isabella, o que na terra aconteceu? Você está bem? Ouvimos vidro quebrando, em seguida, sua campainha estava tocando freneticamente! — Seus olhos varrem a sala vendo o meu estado e de Jacob em cima da cama. — Oh, meu Deus, você está bem?
Eu dou alguns passos em direção a ela, tropeçando, entro em colapso, alívio me derrubando. Dra. Hale me pega, me segurando em seus braços.
— Está tudo bem, Isabella — ela acalma, me segurando. — Você vai ficar bem.
Mas, neste momento, suas palavras não são tão fáceis de acreditar.
E tudo que posso pensar é o quanto eu gostaria que fossem os braços de Edward a minha volta agora.
Mas eles nunca voltarão a ser.
E eu só tenho a mim mesma para culpar por isso.
Edward
Dia dois: pós-Isabella...
— Edward. Meu pai bate na minha porta. Eu o ignoro. Eu não estou com vontade de falar com ninguém agora.
O único que quero que me faça companhia é aquele que melhor entende a minha dor, Bulldozer. Ele está sentindo falta de Isabella, tanto quanto estou.
Ouço a porta abrir.
— Vá embora, — murmuro em meu travesseiro.
Dozer levanta a cabeça, olha para cima, em seguida, abaixa a cabeça novamente.
— Você realmente precisa abrir a janela, deixar um pouco de ar entrar. Cheira mal aqui, — diz o pai, me ignorando.
— Eu gosto do cheiro.
A verdade é que não quero abrir a janela, caso o ar fresco leve o perfume de Isabella da minha cama, desaparecendo assim como ela desapareceu da minha vida.
— Você realmente precisa sair deste quarto, Edward. — Ele se senta na beira da minha cama. — Já se passaram dois dias. Isso não é saudável. Vamos ao cinema ou algo assim.
Eu inclino minha cabeça, movendo a minha boca do travesseiro.
— Não estou de bom humor.
— Bem, você pode, pelo menos, considerar tomar um banho, pois o fedor neste quarto não é de Dozer, é seu.
— Eu vou tomar banho, quando estiver pronto. — E pressiono meu rosto de volta no travesseiro.
— Olha, filho. Eu sei que você está sofrendo agora, mas isso vai ficar melhor.
Expresso meu desdém com um ruído. Depois inspiro fundo mais do cheiro de Isabella. Isso faz o meu peito queimar.
— Já passei por isso... Quando era mais jovem. Com Mary...
Meus músculos endurecem. Eu ergo minha cabeça.
— Eu não quero falar sobre ela agora.
— Eu sei que você está com raiva de sua mãe.
Eu viro em minhas costas.
— Raiva nem chega perto... Eu só... Eu não a entendo. Por que ela fez o que fez.
Ele suspira.
— Eu também não. Mas não cabe a nós julgarmos. Nós não estávamos lá. Nós não sabemos onde sua mente estava, ou quão limitada ela sentiu que suas escolhas eram.
— Eu só queria... — Eu suspiro. — Eu só queria que Isabella pudesse ver o lado positivo. Eu queria que ela... Eu não sei o que eu desejo, porra! — Eu jogo minhas mãos para o ar, sentindo-me impotente.
O que quero é não me sentir assim. Como se estivesse morrendo lentamente. Eu me viro, ficando de costas para ele.
— Você gostaria que ela visse além disso e voltasse.
Lágrimas picam meus olhos.
— É muito tarde agora. Ela se foi.
— Nunca é tarde demais. Você sabe como Mary terminou comigo após o ensino médio, quando ela foi para a faculdade. Eu estava como você está agora. Eu estava deprimido e não queria falar com ninguém. Acho que estava apaixonado. Eu só queria falar com ela... Então escrevi uma carta para ela e fiz-lhe uma mix-tape( uma seleção de canções, gravadas tradicionalmente em cassete).
. Deixo escapar uma pequena risada. Minha primeira em dias.
— Isso é pouco convincente, pai.
— Sim, isso foi. — Ele passa a mão sobre seu cabelo, sorrindo levemente.
— Você ouviu sobre ela depois que você enviou a carta e a fita?
Ele balança a cabeça.
— Não. Eu não escutei sobre ela até que ela voltou depois que tive você.
Sento-me contra a cabeceira.
— Então você está dizendo que eu deveria escrever uma carta para Isabella e fazer uma mix-tape boba, quando nem sequer funcionou para você. Mamãe se casou com outra pessoa e não voltou para você por anos.
— Não, não funcionou para mim... Não imediatamente. Não significa que isso não vai funcionar para você. Mas estou te dizendo isso porque se isso funcionar em um dia, ou anos mais tarde, pelo menos funcionou. Ela nunca se livrou da carta e da fita, Edward. Ela os manteve por todos esses anos. Ela nunca me deixou, não totalmente. E quando ela precisou de ajuda... precisou mais de mim, foi assim que ela soube que ela poderia voltar. Essa carta e fita a lembrou que ela podia. A lembrou do que nós tivemos uma vez. Que eu sempre estaria lá para ela, não importa o quê.
Ele se levanta e dá um tapinha na perna de Dozer.
— Vamos, rapaz, é hora de comer.
Dozer desce da cama, ficando de pé nas pernas do meu pai.
— Basta pensar nisso. Você não tem nada a perder, estendenda a mão para ela. Escreva e diga-lhe tudo o que ela acha que não quer ouvir, mas precisa. Diga-lhe como você se sente.
— Basicamente fazer papel de bobo.
— Em geral os homens são tolos no amor.
— Sim, bem eu definitivamente pareceria um tolo se enviar-lhe uma mix-tape boba. — Eu sei que estou pisando fora da linha e ele não merece isso, mas estou me sentindo amargo e zangado, e não quero ficar sozinho com a minha dor. — Bem, acho que seria um CD para você, filho, ou até mesmo um iPod, se você estiver se sentindo chamativo, já que eles não fazem mais fitas.
Eu dou-lhe um olhar e um grunhido.
Sim, me transformei completamente em um adolescente.
— Olha, filho, tudo que estou dizendo é que a música pode evocar memórias e sentimentos. Pode realçar essas palavras que você escrever para ela. É só saber que lembranças você deseja acionar, que palavras você quer que ela ouça, e qual música fará isso por você.
Ele sai do meu quarto com Dozer, suas palavras se prolongando muito tempo depois que ele se foi.
Dia três: pós-Isabella...
— Caramba... Você está ouvindo Damien Rice. Isto é pior do que eu pensava. — Angela cai na minha cama ao meu lado.
— Você não pode me deixar em paz, porra? — Eu puxo o edredom em cima de minha cabeça.
Angela o puxa de volta e cheira o ar.
— Cheira muito mal aqui, você sabia?
— Eu te disse.
— Eu não acho que seja Dozer. — Ela se inclina e me cheira. — Jesus Cristo! É você, seu bastardo fedido! Quando foi a última vez que você tomou banho, ou escovou os dentes?
— As três "vá se foder" dias.
— Engraçado. — Ela me cutuca nas costas. — Então, até que ponto é que vou ter que irritá-lo para você sair dessa cama e ir tomar banho? Ou, pelo menos, levá-lo para uma visita com uma escova de dentes?
— Você já está me irritando e não parece que vou me mover, não é?
— Vamos lá, bafo fedorento. — Ela me faz cócegas.
Eu empurro a mão dela.
— Angela, sério, pare com isso. Eu não estou de bom humor.
Seu silêncio faz eu me sentir culpado.
— Olha... Eu só não sou uma boa companhia no momento.
— Mas trouxe sua torta favorita, Torta de Limão. — Eu posso vê-la praticamente fazendo beicinho daqui. — E alguns filmes com toneladas de ação, matando bandidos, todo esse tipo de merda sangrenta que você gosta. Eu até acho que uma garota explode em um, ou pelo menos ela tem seu traseiro chutado.
Eu torço o pescoço para olhar para ela.
— Assistindo uma garota ter seu traseiro chutado? É assim que você pretende me animar?
— Ei, não sou nenhuma expert. Eu só estou fazendo o que meu melhor amigo fez por mim há alguns anos atrás, quando meu coração foi rasgado em dois.
Eu rolo em minhas costas e olho para ela, lembrando-me de como me sentei no quarto de Angela com ela por um dia e meio, logo após essa cadela da Monica Teller ter quebrado seu coração. Angela era louca por ela, tipo como sou por Isabella. E essa cadela da Monica disse a Angela que era louca por ela também, queria estar com ela, mas quando chegou a hora, ela foi uma covarde de merda para contar a seus pais religiosos que ela era lésbica, então ela largou Angela e casou-se com o idiota que eles queriam que ela se casasse. Angela chorou por uma semana, logo após Monica se casar.
E agora ela está aqui, tentando me ajudar, como fiz com ela.
Eu sinto uma pontada no meu peito pela minha melhor amiga.
Sentando-me, pego seu rosto em minhas mãos e beijo sua testa.
— Obrigado, Angela.
— Eca! Pelo menos use um antisséptico bucal ou algo assim antes de me beijar. Eu poderia pegar uma infecção com esse hálito vencido!
Eu rio, descendo da cama e desligando o meu iPod, silenciando Damien Rice.
— Coloque o filme que tem a cadela sendo chutada enquanto tomo um banho. — Alcançando a porta do banheiro, tiro a minha camiseta e lanço no cesto de roupa suja. — Angela?
— Hmm.
— Você sabe o quanto você significa para mim, certo? Que você não é apenas a minha melhor amiga, você é como minha irmã?
Ela olha para mim, sorrindo.
— Você está ficando sentimental comigo, Cullen?
Eu dou de ombros.
— Talvez. Um pouco. Eu apenas queria que você soubesse que amo você, isso é tudo. — Eu fecho a porta para a sua expressão chocada.
Angela sabe que a amo, eu nunca disse a ela antes. Isso parece bom de se dizer, e é incrível ver a felicidade que isso coloca no rosto dela.
Faço uma nota mental para dizer a ela com mais frequência a partir de agora. Eu acho que tenho de agradecer a Isabella por abrir isso em mim. Ela me fez sentir novamente... Talvez mais do que nunca.
— Eu pensei que não havia nenhum romance no filme? — Eu reclamo, lambendo a torta dos meus dedos.
Foda-me, se foi uma boa torta.
Angela agarra a caixa, lendo a parte de trás.
— Ele disse que não tinha. Assim, cito, "muita ação e altas surras".
— Bem, a única surra que está acontecendo agora é de seus saltos cravando na bunda dele enquanto ele a fode.
— Eu acho que talvez o sexo não seja classificado como romance hoje em dia. — Angela joga a caixa no chão e inclina a cabeça em um ângulo, observando os dois na tela. — Sério, nunca vou entender uma mulher que gosta de um pau.
Deixo escapar uma risada.
— Isso é porque você nunca teve um.
Ela olha para mim sorrindo.
— E tenho a intenção de manter isso dessa forma, muito obrigada.
— Eu não estava oferecendo.
Ela me bate no braço.
— Você bate como uma menina.
— Eu sou uma menina. — Ela cruza os braços.
Eu olho de volta para a TV. Eles finalmente terminaram, mas agora estamos na felicidade pós-coito, onde eles estão abraçados na cama. Fodidamente excelente. Só o que quero ver. Um casal feliz juntos.
Eu cerro os dentes, pensando em Isabella em meus braços. Como macio e quente seu corpo estava contra meu.
Eu sinto falta dela.
Jesus.
Eu fecho meus olhos sobre a dor em meu peito.
— Este filme é uma porcaria, — ranjo os dentes.
— O filme é uma porcaria, você está certo, mas não é o filme que está te incomodando.
Deixo escapar um suspiro resignado.
— Eu sinto falta dela. — Eu abro meus olhos e viro a cabeça para olhar para Angela. — É fodido que eu sinta falta dela tanto assim depois de conhecê-la por um tempo tão curto?
— Não. Quem vai determinar o que é certo ou errado. Você sente o que sente. Tempo é irrelevante em minha opinião. E estou sempre certa, antes que você retruque.
Eu não posso reunir energia para retrucar. E, honestamente, acho que ela está certa. Embora eu nunca diga isso a ela.
Eu olho de volta para TV, tamborilando os dedos na minha coxa.
— Papai acha que eu deveria escrever uma carta para Isabella, — digo em voz baixa.
Angela se senta, colocando-se na minha linha de visão, bloqueando minha visão da TV.
— Eu acho que é realmente uma boa ideia.
— E ele também disse que deveria enviar-lhe um CD mixado.
Um sorriso desliza em seu rosto.
— Ok, talvez você devesse deixar o CD mixado fora disso. O que você diria na carta?
Deitando na cama de costas, apoio meu braço sobre meus olhos.
— Eu não sei... — Eu dou de ombros. — Eu acho que diria que sinto falta dela. Que está ficando mais difícil e mais difícil de respirar sem ela. Para cada dia que ela se foi... cada dia que não consigo ver seu rosto ou ouvir a sua voz, me leva um passo mais perto de insanidade. — Eu ouço minha voz falhar, e isso me impede de falar.
Eu engulo a dor.
Angela se deita ao meu lado e descansa a cabeça no meu ombro.
— Eu acho que você deveria escrever-lhe uma carta dizendo exatamente isso. — Ela funga.
— Você está chorando?
— É claro que estou chorando, porra! Eu sou uma garota, não sou?
Confie em Angela para encontrar o caminho para me fazer sorrir em meio à dor.
Dia sete: pós-Isabella…
Eu selo o envelope.
O envelope que contém a carta que me levou quatro malditos dias para escrever. Se você visse a carta, você ficaria confuso sobre o porquê me levou quatro dias para escrever. Basicamente, a carta é uma merda. Porque não consigo escrever. E essa é a razão do CD dentro deste envelope.
Sim, me tornei aquele cara.
O tipo de cara que faz um CD com uma música para dizer à garota que ele ama o que ele sente.
Cheguei a um acordo com o fato de que perdi minhas bolas há séculos. Eu percebi isso quando não pude sair da cama por três dias após Isabella ter me deixado. Então, agora eu e minha falta de bolas estamos esperando que essa música diga a ela tudo o que falhei em dizer. Na pior das hipóteses, ela vai pensar que sou incapaz e rir pra caralho, e nunca vou ouvir falar dela novamente. Mas uma coisa sei com certeza; sempre que ela ouvir essa música, ela vai sempre pensar em mim, porque há um punhado de canções que não posso ouvir agora sem pensar nela. A primeira vez que a ouvi cantando no meu carro a canção da Taylor Swift que eu odeio, mas agora ouço o tempo todo... E a canção que estava tocando a primeira vez que a beijei. Papai estava certo quando disse que a música evoca memórias. Esta canção pode não evocar a sua memória, mas ela vai lhe dizer onde estou agora, e esperamos trazê-la de volta para mim.
E a esperança é tudo o que me resta agora.
Eu respiro fundo e solto o envelope na caixa do correio.
Isabella
Dois meses e meio depois...
— Você ainda não abriu isso?
Eu olho por cima do ombro para ver Alice parada na porta. Alice é uma paciente da clínica, como eu.
Exceto que Alice sofre com anorexia. É a segunda vez que ela volta.
Aqui não. Ela estava em um mecanismo de ajuda diferente há alguns anos, e ficou melhor. Mas ela teve uma recaída recentemente.
Nós nos encontramos aqui no meu primeiro dia. Ela é uma grande amiga para se ter já que ela entende tudo que estou passando. Eu nunca tive uma amiga antes, e tem sido maravilhoso ter alguém que me entende tão bem como Alice faz. Eu disse a ela tudo sobre mim.
As palavras de Edward me assombraram quando ele disse que eu deveria me abrir para a próxima pessoa que tentasse se aproximar de mim, então peguei essa oportunidade com Alice, e estou feliz que eu fiz. Ela me ajudou muito. Nós ajudamos uma à outra.
Depois do que aconteceu no hospital, após o ataque de Jacob, Dra. Hale me incentivou a prestar queixa, então eu fiz. Tendo Alice para segurar a minha mão enquanto isso, realmente ajudou.
Felizmente não tive que ir ao tribunal já que eu estava aqui na clínica.
Jacob não ficou um tempo na prisão por me agredir no hospital. Eu não estou triste com isso, já que nunca pensei que ele ficaria. Ele tem uns 12 meses de pena assistida, trabalhos assistenciais e foi forçado a assistir aulas de gestão de raiva. Eu também consegui uma ordem de restrição. Não que isso fizesse alguma diferença. Se Jacob quisesse me pegar, ele pegaria. Mas, honestamente, não acho que ele vá. Acho que estamos finalmente terminados.
— Não, ainda não abri. — Eu suspiro.
Ela se aproxima e senta-se na minha cama.
— Você passou tanto tempo olhando para aquela coisa, estou surpresa que você não tenha queimado um buraco no meio. Por que você não tira nós duas da nossa miséria e abre, porque o suspense está praticamente começando a me matar.
Alice sabe tudo sobre Edward. Como me senti... Ainda sinto por ele.
Você acha que meus sentimentos por ele teriam diminuído, mas eles não diminuíram. E agora que estou perto de melhorar, estou achando o arrependimento uma pílula amarga de engolir. Eu sinto muita falta dele.
Meus dedos trêmulos percorrem a marca de linha, que pela minha extensa análise, imagino ser uma caixa de CD.
Por que ele iria me enviar um CD?
Ela estica a mão, seus dedos finos tocam meu braço.
— Abra-o. Veja o que está lá dentro. Poderia ser um DVD dele dizendo-lhe como está desesperado para te ver. — Suas mãos apertam seu peito de uma maneira dramática.
Alice é uma romântica. Mesmo que ela tenha se queimado no passado, ela ainda acredita no amor.
— Eu não sei. — Eu balanço minha cabeça. — Seja o que for, ele mandou há dois meses. Muita coisa pode mudar nesse tempo. Ele deve ter seguido em frente, tenho certeza.
Ela balança a cabeça.
— De jeito nenhum. O amor não desaparece tão rapidamente, especialmente o tipo de amor épico que ambos têm um pelo outro.
Eu levanto minha sobrancelha.
— Você entendeu como amor épico o que lhe disse sobre Edward e eu?
Ela me dá um olhar torcido.
— O que ele disse para você no hospital, sobre como ele está apaixonado por você... Os caras não dizem essas coisas facilmente, Isabella, não caras como ele. Épico, eu estou lhe dizendo.
Com o coração pesado, olho de volta para o envelope recheado em minhas mãos.
— O que você tem a perder? Seu tratamento está quase terminado. Você só tem uma semana. Tudo o que está aqui poderia determinar aonde você vai quando você sair daqui.
Balançando a cabeça, engolindo meu medo, deslizo o dedo sob o selo e rasgo. Eu quase posso ouvir Alice prendendo a respiração enquanto coloco minha mão dentro do envelope.
Meu coração está batendo a mil por hora. Pego um pedaço de papel dobrado ao meio, e uma caixa de CD com um disco dentro dela. Na frente do disco escrito com caneta preta está "Isabella".
Olho para Alice.
— Leia isso, — ela incentiva. Minhas mãos trêmulas abrem a carta.
Isabella,
Eu tentei por quatro malditos dias escrever-lhe uma carta... Tentando lhe dizer o que sinto por você, o quanto sinto sua falta pra caralho. Mas tudo que escrevo apenas soa inadequado. Tudo o que sei é: estar longe de você... Torna difícil respirar. Sinto tanto sua falta. Então, estou lhe enviando esta canção. Ela diz tudo o que quero e não consigo. E se você se sentir de forma diferente sobre mim... Nós, depois de ler isto, então você sabe onde estarei. Eu sempre estarei esperando por você.
Edward
Eu enxugo as lágrimas do meu rosto.
— Deus, você está me matando aqui! O que ele diz? — Alice parece que está prestes a estourar, então entrego a carta para ela.
Eu vejo seus olhos analisar a carta. Ela chega ao final e olha para mim. Lágrimas estão brilhando em seus olhos.
— Santo inferno... Isso foi... — Ela aperta a mão no peito. — Você tem que ouvir a música. — e empurra a caixa para mim.
— Eu não tenho um leitor de CD, apenas um iPod — digo derrotada.
Seus olhos examinam meu quarto.
— Televisão, — ela exclama. — Ela tem um DVD player, você pode ouvi-lo com isso.
Meu coração se eleva. Eu levanto, tendo o disco comigo. E ligo a TV, e espero-a para vir à vida.
Todo o meu corpo está tremendo.
— Você é um gênio. — digo a Alice quando ela vem para ficar ao meu lado.
— É um dom. — Ela encolhe os ombros.
Eu pego o disco da caixa e insiro no leitor.
Esperando ele carregar parece uma eternidade. Em seguida, a música que Edward me enviou começa a tocar, e a introdução de guitarra suave do The Scripts "Man Who Can't Be Moved" enche a sala. Meu coração pega ritmo, e meus olhos se fecham com a letra.
tradução
Voltando a esquina em que te vi pela primeira vez
Vou acampar no meu saco de dormir, não vou me mexer
Escrevi algumas palavras no papelão, tenho sua foto na mão
Dizendo: Se você vir essa garota
pode dizer a ela onde estou?
Alguns tentaram me dar dinheiro, mas eles não entendem
Não estou... quebrado
sou só um homem com o coração partido
Eu sei que não faz sentido, mas o que mais posso fazer?
Como posso ir em frente, se ainda tô apaixonado por você?
Porque se um dia você acordar
e perceber que sente a minha falta
E o seu coração começar a se perguntar
onde é que eu estou
Pensando que talvez você voltaria ao lugar
onde nós nos conhecemos
E você me veria esperando por você na esquina da rua
Então, não vou me mexer
Não vou me mexer
O policial disse: Garoto, você não pode ficar aqui
Eu disse: Tô esperando alguém aqui
seja um dia, um mês, um ano
Tenho que marcar o meu território com chuva ou com neve
Se ela mudar de idéia
esse será o primeiro lugar aonde ela virá
Porque se um dia você acordar
e perceber que sente a minha falta
E seu coração começar a se perguntar onde é que eu estou
Pensando que talvez você voltaria ao lugar
onde nós nos conhecemos
E você me veria esperando por você na esquina da rua
Então, não vou me mexer
Não vou me mexer
Não vou me mexer
Não vou me mexer
As pessoas falam sobre o rapaz
Que está esperando pela moça
Oohoohwoo
Não há buracos em seus sapatos
Mas um grande buraco em seu mundo
Hmm (yeah)
Talvez ficarei famoso como o homem irremovível
E talvez não seja sua intenção, mas irá me ver no jornal
E você virá correndo até a esquina
Porque você saberia que isso tudo é só por você
Sou o homem que não pode se mexer
Sou o homem que não pode se mexer
Porque se um dia você acordar
e perceber que sente a minha falta
E seu coração começar a se perguntar onde é que eu estou
Pensando que talvez você voltaria ao lugar
onde nós nos conhecemos
E você me veria esperando por você na esquina da rua.
( No livro não tem a letra da música. Fui ouvir a e fiquei encantada. Diz tudo. Por isso resolvi postar a tradução.)
Eu a absorvo.
Ouvindo exatamente o que Edward está tentando me dizer.
— Eu vou estar sempre esperando por você. Ele está esperando por mim.
Alice agarra a minha mão ao meu lado.
Eu olho para dela.
— Não espere uma semana. Vá até ele. Agora.
Edward
Já se passaram três meses desde que ela me deixou.
Dois meses e meio desde que mandei a carta e a música.
Eu não tenho notícias dela.
A música não funcionou.
Isso foi bobo e estúpido da minha parte pensar que funcionaria. Depois de esperar algumas semanas para ouvir sobre ela, aceitei que ela não ia voltar... e então fiquei puto.
Eu acho que foi uma das etapas que eu tinha que passar. Eu saí da depressão. Era hora da raiva, então saí para beber. E saí com uma garota aleatória. Não foi o meu melhor momento. Mas o mais longe que isso chegou foi sua mão dentro das minhas calças, me masturbando antes que eu a parasse, porque naquele momento percebi que eu poderia dormir com uma garota, mas eu só me sentiria igual, provavelmente pior, quando acordasse na manhã seguinte. Eu ainda estaria na mesma situação.
Isabella ainda não estaria aqui comigo. Eu ainda sentiria falta dela pra caralho. Eu ainda teria esse buraco no meu peito que só ela pode preencher.
Foder alguma garota aleatória não ia consertar isso. Isso não ia me corrigir. Então tirei a mão dela da minha calça, disse a ela que estava arrependido, e saí.
Desde então, a única ação que meu pau tem visto é da minha mão.
Eu penso sobre Isabella.
E eu não quero dizer quando estou me masturbando.
Mas já que o assunto está aqui, é claro que penso sobre ela enquanto namoro a minha mão. Ela é a única coisa que penso.
Eu acho que em algum momento no futuro, não vou pensar tanto. Que vou finalmente chegar lá.
Talvez não por enquanto.
Então, estou me mantendo ocupado. Eu venho fazendo mais passeios para Wade.
A primeira vez que voltei para La Plata Canyon depois de estar lá com Isabella foi difícil, mas engoli o passado, e agora está ficando um pouco mais fácil cada vez que faço uma visita lá em cima.
O hotel ainda está tranquilo o bastante, estou trabalhando em um site para o hotel, inscrevendo-nos em sites de locais turísticos e agências de viagens, fazendo o nosso nome lá fora. Minha missão é ter o hotel mais movimentado do que jamais esteve no próximo verão.
Dozer vem e coloca seu rosto em minhas pernas.
— Ei, cara, o que você está fazendo? — Eu digo, tirando os olhos do computador para olhar para ele.
Ele tirou seu gesso um tempo atrás, e ele está totalmente de volta a si mesmo. Só que ele ainda sente falta de Isabella. Às vezes, sinto que só ele que me entende.
Ele cutuca a minha perna com a cabeça, e me bate com sua pata.
— O quê? Está com fome? — Eu pego em cima da mesa um dos biscoitos que estava comendo. Dou a ele, e ele pega, deitando para comê-lo.
Eu esfrego meus olhos cansados, e olho de volta para a planilha que estou trabalhando. Contas. Momentos de diversão. Eu sei que é ruim quando é uma noite de sexta-feira e até o meu pai está fora em um encontro, e eu estou sentado aqui com o meu cão, trabalhando nas contas. Eu realmente preciso conseguir uma vida de merda.
O telefone do hotel toca.
— Golden Oaks — digo, inclinando-me para trás na cadeira.
— Você está em casa em uma noite de sexta-feira? Você realmente está se transformando em um caso triste.
— Obrigado, Angela. Você realmente sabe como aumentar a confiança de um cara.
Ela ri.
— Confiança é uma coisa que nunca vai te faltar, Edward.
— Sim, sim, que seja. De qualquer forma, você está me preocupando, mas não é para você ter saído, festejando na cidade.
— Hum, garota trabalhadora aqui.
— Sua mãe não está pagando o suficiente no restaurante, então você teve que virar uma prostituta. Parece como um filme da Lifetime.
— Ha. Espertinho. Eu liguei porque pensei em deixá-lo saber que estou mandando uma turista. Pensando bem deveria mudar de ideia, e dizer-lhe para ir para outro lugar...
— Ok. Retiro o que disse. Apenas, que esta turista não seja como a última que você me enviou. Meio que tive meu coração partido da última vez que você fez isso. — Eu tento sair com uma brincadeira leve, mas isso não funciona.
Ela fica em silêncio na linha.
— Não, esta é diferente da última... Eu tenho certeza disso. E ela não é tão bonita. Você não gostaria de ir para ela.
Deixo escapar uma risada.
— Ok. Bom saber. Devo considerar que ela é mais do tipo de garota do quarto Pinheiro? — Pinheiro é o nosso quarto mais barato.
— Não, esta é definitivamente um tipo Lakeview de garota. Ela pode parecer infeliz, mas ela definitivamente tem bom gosto.
Eu engulo. Ninguém ficou lá desde Isabella. Eu não tenho sido capaz de deixar ninguém dormir lá ainda.
Estúpido eu sei.
— Ok. Legal. Ela está vindo agora? Vou deixar o quarto pronto.
— Ela vai chegar a qualquer momento.
— Obrigado, Angela. E eu quero dizer isso...
— Eu sei que você quer. E me agradeça depois.
Eu desligo e saio da cadeira. Pego as chaves para Lakeview, e desço o corredor. Eu acendo a luz, evitando olhar em qualquer lugar que vai me lembrar dos momentos que tive aqui com Isabella. Ligo o aquecedor para aquecer o espaço para a nossa nova hóspede, arrumo a cama, e coloco toalhas limpas no banheiro. Desligo a luz, fecho a porta, e volto para o escritório.
Vinte minutos depois ouço um carro estacionando no cascalho.
Dozer se levanta, orelhas em pé, fareja o ar, e sai do escritório.
Acho que ele sentiu algo que ele gosta. Sigo para levá-lo de volta ao escritório, antes que ele assuste a nossa nova hóspede, mas chego atrasado e a porta se abre.
Eu olho para cima e meu coração para.
Ele realmente para.
— Isabella.
Eu não tenho certeza se disse a palavra, ou apenas respirei pelos meus pulmões doloridos.
— Oi. — Ela diz.
Sua voz doce e suave... E dolorosa.
Eu sinto um choque surpreendente de raiva em direção a ela. Nada em três malditos meses, e ela aparece aqui sem aviso prévio. Sem contar que eu tenho sonhado com isto acontecendo durante três meses, ainda estou chateado pra caralho.
Estou além de chateado.
Eu viro e vou embora, colocando-me atrás da mesa de recepção.
Eu preciso de uma barreira entre nós para me impedir de fazer algo estúpido.
Assim como ficar de joelhos e pedir-lhe para voltarmos.
Ela fica perto da porta, os olhos incertos em mim.
Ela parece tão pequena e frágil. Isso me faz querer ir até ela... Abraçá-la. Eu aperto mão na mesa para me equilibrar.
Dozer está sobre ela, empurrando a cabeça na perna dela, desesperado por sua atenção.
— Ei amigo. — Seus olhos me deixam, e ela se abaixa para acariciá-lo. — Olhe para a sua perna, está curada.
Sim, bem, foram TRÊS MESES DO CARALHO!
Ela envolve seus braços em volta de seu pescoço, abraçando-o.
— Eu senti sua falta. — ela sussurra para ele.
Ela sentia falta dele! E sobre mim?
Eu esfrego minhas mãos sobre meu rosto, exalando através de meus sentimentos.
— Por que você está aqui, Isabella?
Ela olha para mim, subindo lentamente e se levanta.
O olhar cabisbaixo em seu rosto é como uma faca no meu peito. Suas mãos estão tremendo. Ela envolve seus braços em volta de si mesma.
— Eu li a sua carta, e a canção... Eu escutei a música. Por todo o caminho até aqui, na verdade. — Acrescenta ela em voz baixa.
Cruzo os braços sobre o peito.
— Você quer dizer a carta que enviei dois meses e meio atrás.
Ela morde o lábio.
— Eu só a li esta manhã. Eu estava com medo... Medo de que haveria algo nela que me traria de volta para cá. E não poderia voltar ainda. Eu tinha que descobrir uma maneira de conseguir passar por tudo o que estava sentindo, completar meu tratamento. Em retrospectiva, eu gostaria de ter lido imediatamente. Mas no momento em que li... O momento em que ouvi aquela música... Eu saí e vim direto para cá.
— Por quê?
Ela dá um passo mais perto.
— Porque... Eu esperava que você ainda estivesse esperando.
Eu enrijeço meus braços, e minha postura. Todos os músculos do meu corpo travados.
— Por quê?
Ela fecha os olhos.
— Então eu poderia dizer-lhe uma coisa que não disse quando estávamos no hospital.
Olho para ela com expectativa.
— Que eu te amo... Eu estou apaixonada por você, Edward.
Ela me ama?
Eu não posso falar.
Ou pensar.
Ou me mover.
Sabe quando você está esperando ouvir a única coisa da pessoa que mais importa, e então ela diz isso e isso congela você no lugar com medo.
Sim, estou lá agora.
O silêncio entre nós está formando bolhas de dor e confusão e desejo. Então encontro a minha voz.
— Então você veio aqui para me dizer que você me ama?
Eu a vejo enxugar uma lágrima com a mão. Ela acena com a cabeça, puxando o lábio inferior, torcendo-o nervosamente.
— Sim. Eu precisava que você soubesse disso. E... Também... Para ver se você tem um quarto... Para mim?
E aí está. Eu devia ter adivinhado, porra.
— Você é a turista... Você foi ver Angela primeiro? — Eu não sei por que, mas saber disso está realmente me irritando.
Os olhos dela flutuam para longe de mim.
— Eu cheguei aqui e fiquei com medo. Pensei que você poderia ter mudado de ideia... Que seus sentimentos por mim poderiam ter mudado depois de todo esse tempo, talvez... Tivesse outra pessoa... — Seus olhos voltam para mim. — Eu acho que entrei em pânico, então fui para o restaurante na esperança que Angela estivesse lá e que pudesse perguntar a ela.
— E o que ela disse?
Ela corre as mãos nervosamente pelas suas roupas.
— Que você... Você não seguiu em frente.
— Sim. Bem, Angela estava errada. Eu segui em frente. Segui em frente definitivamente, na verdade. E eu sinto muito, mas você não pode ficar aqui.
Eu não quis dizer isso. Mas estou ferido e não estou pensando com clareza. E sou um idiota.
A dor em seu rosto se lança através de mim. Seus ombros caem enquanto ela envolve seus braços em volta de seu estômago.
— Oh. Certo. Ok. Eu sinto muito... — Uma lágrima corre pelo seu rosto. Ela limpa com o dedo. —... Eu não devia ter vindo. — Então ela se vai, porta afora.
Dozer rosna para mim, me dando um olhar "seu idiota" então começa a dar patadas e cabeçadas contra a porta, tentando alcançar nossa menina.
— Eu sei, sou um idiota fodido! — Eu agarro meu cabelo, com raiva de mim mesmo. — Merda! Merda, porra! — Eu chuto a mesa.
Então, sem outro pensamento, estou correndo para fora do hotel, correndo atrás dela.
— Isabella! Espere!
Ela para no seu carro, me encara a distância, mas eu não paro. Eu ando direto para ela, de pé diante dela, pego seu rosto choroso em minhas mãos. Dói muito saber que coloquei essas lágrimas lá.
— Sinto muito. Eu não quis dizer isso... Eu estava com raiva, tipo três malditos meses de muita raiva. Mas não quero que você vá... Porra! ...Isabella, só... Eu só quero você.
Seus olhos piscam para mim com surpresa.
— Você me quer?
— Eu sempre quis você.
Então a beijo. Eu a beijo com três meses de muita dor e mágoa, desejo e necessidade.
— Eu te amo. — Ela respira sobre a minha boca.
Isso me faz beijá-la com mais força. Meus sentimentos por ela me consumindo.
— Eu te amo... — Eu digo, segurando-a para mim. — Tanto, muito.
Ela fica na ponta dos pés, envolve seus braços em volta do meu pescoço, e enterra o rosto no meu ombro.
Eu a seguro firmemente. Com medo de deixá-la ir. Com medo de alguma vez deixála ir novamente.
— Isso significa que você tem um quarto para mim? — Ela sussurra.
Eu inclino minha cabeça para trás olhando em seus olhos.
— Eu acho que eu poderia ter um quarto para você.
— Por quanto tempo?
Eu dou de ombros.
— Como para sempre soa?
Ela coloca a mão no meu rosto, o sorriso real, mas provisório.
— Parece bom demais para ser verdade — ela sussurra.
— Oh, isso é real, baby. — Eu aperto a bunda dela, levantando-a do chão, amando a sensação de suas pernas em volta da minha cintura.
Eu me viro, andando de volta para o hotel com ela.
— E vai ser tão bom quanto eu estou a ponto de fazer você se sentir, é de mim que estamos falando aqui. — Eu levanto uma sobrancelha.
Sua risada me enche. Seu beijo me acalma.
E sinto uma paz que não sentia há meses.
Isabella
— Então, o que aconteceu com a gente sair para jantar? — Eu faço traços sobre o peito nu de Edward.
— Você aconteceu. Eu estava inocentemente saindo do banheiro depois do meu banho, todo limpo e pronto para me vestir, e lá estava você perto da nossa cama, vestindo sua roupa nova, sexy, parecendo incrivelmente gostosa, e é claro que foi difícil, porque... bem, era você. De lingerie. Então nós tivemos um sexo incrível, baby, e agora
estou em êxtase pós-coito com a minha garota, e me mover simplesmente não é uma opção.
Rindo, inclino minha cabeça para ele, oferecendo minha boca. Ele a captura em um delicioso beijo que provoca arrepios da cabeça aos pés.
— Veja, e é por isso que me mover não é uma opção, porque tenho a intenção de fazer isso com você pelo o resto da noite.
— Funciona para mim. — Eu sorrio, esticando os braços para cima.
Edward desliza os dedos em volta do meu pescoço, brincando com o medalhão em torno dele.
O medalhão de Renée.
Edward me deu há alguns meses. Depois que voltei, Edward e eu passamos um tempo nos reencontrado um com o outro. Em seguida, passamos muito tempo conversando sobre as questões que estavam entre nós. Eu não estava mais no lugar onde eu via a traição de minha mãe quando olhava para ele. Mas o fato ainda estava lá. Ela tinha me deixado para trás e o criou.
Quando Edward me contou tudo sobre a situação dela com Charlie, isso não melhorou as coisas, mas me deu um sinal de compreensão. Levei muito tempo para processar os meus sentimentos sobre a minha mãe, mas estou quase lá. A dor do passado nunca vai embora, você só encontra uma maneira de lidar com isso.
E o futuro... Toda a promessa que detém... É isso que continua te movendo para frente e para fora da escuridão.
Edward.
Ele é o meu futuro. Minha promessa. Minha luz. Ele me mantém sã. Ele me mantém segura. Quando me esforço para respirar, ele me dá o ar que preciso. Alguns dias são difíceis. Alguns dias minha mente escurece e tudo que quero fazer é me esconder e comer e vomitar. Ele está ali comigo. Eu vou sempre estar me recuperando da bulimia.
Mas agora aqueles dias em que sinto vontade de controle e necessidade de machucar meu corpo são poucos e distantes entre si. Eu nem me lembro da última vez que me senti assim.
Eu ainda estou vendo uma terapeuta. Quando saí do centro, o meu médico me encaminhou para uma terapeuta aqui em Durango, Dra. Peterson. Ela tem sido ótima e me ajudou a trabalhar todos os meus problemas. Eu ainda tenho um longo caminho a percorrer quando se trata de lidar com a vida que vivi com Charlie e Jacob, e as cicatrizes mentais que isso me deixou, mas estou chegando lá. E ainda tenho Alice. Falamos regularmente ao telefone, e ela veio me visitar há alguns meses. Ela ficou por uma semana, que foi incrível. Foi ótimo ter algum tempo com ela já que realmente sentia falta dela. Edward nos levou em um passeio de jipe no canyon. Angela e Jess vieram também. Foi realmente um grande dia. Angela e Jess ainda estão namorando. Está ficando muito mais sério do que Angela diz, e ela me disse outro dia que Jess e ela vêm discutindo em morar juntas.
Estou tão feliz por ela. Angela é incrível, e nós ficamos próximas. É muito bom ter uma amiga aqui, especialmente uma tão divertida e legal como Angela é. Ela me leva para sair no shopping e no salão de beleza. Coisas que amigas devem fazer, mas nunca me foi permitido. É novo para mim, mesmo agora. Eu acho que nunca vou reconhecer a possibilidade de fazer essas coisas. Eu nunca vou reconhecer ter a minha liberdade. E estar no bom lugar que estou agora, estabelecida na minha nova vida…
Acho que foi por isso que Edward sentiu que eu estava pronta para ter o medalhão de minha mãe. Ele estava confiante de que não iria me empurrar um passo para trás. Ele estava sentindo a minha paz. E ele estava certo. Eu não posso dizer que foi fácil ver o medalhão que Carlisle tinha guardado de Renée. O medalhão tinha escondido dentro dele uma pequena foto do bebê que eu fui. Mesmo que me doeu, ele também me deu uma sensação de paz, de alguma forma saber que, à sua maneira, ela tinha sempre pensado em mim.
Se eu faria o que ela fez?
Não.
Mas é mais fácil julgar quando você está no fim de recepção da mágoa. E sei muito bem o que é estar com um homem controlador e abusivo. Eu sabia o que era viver com Charlie.
Vendi meu apartamento em Boston e todos os móveis nele. Eu nunca mais voltei. Edward tratou de tudo para mim. E me mudei para o hotel com Edward e Carlisle, e, claro, Dozer.
Muito cedo, provavelmente, mas passei muito tempo vivendo infeliz. Edward é a minha felicidade, então estava agarrando isso com as duas mãos.
Eu investi algum dinheiro de Charlie no hotel. Tanto Carlisle e Edward protestaram, Edward mais alto. Ele não estava tendo nada disso no início, mas ele também foi o hotel da minha mãe, e agora a minha casa. Eu quero que ele tenha sucesso. Então, depois de algumas seduções bem cronometradas, fiz do meu jeito. Edward acha difícil dizer não para mim.
O hotel está indo incrivelmente bem. Edward realmente tem o negócio em funcionamento. O site e os links que ele construiu ajudaram imensamente. Além disso, ele montou um negócio com Wade, e vincularam os passeios de jipes ao hotel. As pessoas podem ficar no hotel, e passearem saindo daqui. Usando um pouco do dinheiro que coloquei, Edward construiu uma garagem para armazenar os jipes. Isso realmente ajudou as coisas.
Estou muito orgulhosa dele.
Estou orgulhosa de mim também. Deixei Harvard, mas eu não deixei para trás a medicina completamente. Eu só estou me movendo em uma direção diferente. Eu já me matriculei na escola veterinária para começar neste trimestre. Eu espero que Dozer me deixe praticar meus exames e habilidades de curativos nele. Tenho certeza que ele vai; ele é muito afável comigo como sou com ele, para grande aborrecimento de Edward. Mas a escola está um pouco longe de começar, pois é férias de verão, e hoje faz um ano desde que Edward e eu nos encontramos pela primeira vez.
Nós deveríamos estar saindo para jantar, mas isso está fora do menu agora. Eu tenho um presente para ele que não posso esperar mais para dar.
Eu começo a sair da cama, mas Edward pega a minha mão.
— Aonde você vai, baby?
— Eu pensei que já que não vamos jantar agora... Talvez você queira o seu presente?
Seus olhos se iluminam.
— Bem, se você está me dando o meu, então acho que é justo que você receba o seu.
O meu coração dá uma cambalhota no meu peito. Ele tem um presente para mim! Não que eu pensei que ele não tivesse. Eu só nunca recebi um presente neste contexto antes, não um onde não há dor antes dele.
Indo para o meu armário, tiro o envelope que tem o presente de Edward. Eu coloquei um monte de pensamento e esforço em seu presente.
Eu acho que ele vai gostar... Eu acho... Eu não tenho certeza. Merda, estou tão nervosa! Eu nunca dei a ninguém um presente como este antes.
Eu encontro-o de volta na cama. Sentamos frente a frente. Eu coloco o envelope contendo o presente de Edward nas minhas costas.
— Quem vai primeiro? — Pergunta ele, parecendo animado, como uma criança em seu aniversário.
Estou muito animada. Tremendo com isso.
— Nós poderíamos abrir juntos. Ou você primeiro. Ou eu. — digo.
Ele levanta a sobrancelha.
— O quê? Estou animada!
— Não juntos — diz ele. — Porque quero ver o olhar em seu rosto quando você abrir o meu.
— Ok. Você vai primeiro.
— Tem certeza disso?
— Tenho certeza.
Minhas nervosas e trêmulas mãos trazem o envelope a frente e entregam a ele. Seus olhos encontram os meus, um olhar perplexo neles. Então ele tira de mim, e rasga o envelope. Com as mãos dentro, ele puxa os papéis. Eu observo seus olhos lendo, em seguida, se alargam quando ele pega os detalhes. Seus olhos encontram os meus. Admiração e amor neles. Isso aperta meu coração.
— Será que você realmente fez isso?
Concordo com a cabeça.
— Eu não fiz sozinha, um agente me ajudou... É demais?
Seus olhos descem para os papéis, em seguida, voltam para os meus. Agora eles estão brilhando, e posso sentir os meus próprios se enchendo de água.
— Não... É que... Porra é incrível, baby... Eu não posso acreditar que você fez isso.
Puxo meu lábio.
— Eu estava pensando sobre o que te dar, e me lembrei de como você soou naquele dia em que você disse que nunca iria viajar novamente. A tristeza em sua voz. Eu não queria que fosse esse o caso. Eu sei o quanto você gosta de viajar... Ver o mundo, então pensei que eu iria acabar com a viagem que você começou com seus amigos.
O presente que comprei para Edward foi o resto da viagem que ele nunca chegou a terminar quando Renée ficou doente.
Eu comprei umas três semanas de férias, saindo em uma semana, levando-nos para a Índia, depois no Nepal, em Hong Kong, depois Xangai, e terminando no Japão. É um presente para mim também, já que nunca viajei antes. E quem melhor para quebrar a virgindade do que com Edward?
Seu rosto se quebra em um sorriso.
— Parece que estamos na mesma página com os nossos presentes.
— O que você quer dizer?
Ele pega um envelope, semelhante ao meu de trás das suas costas.
— Abra-o. — Ele sorri, entregando a mim.
Eu rasgo o envelope, e retiro o conteúdo.
Puta merda!
— Uma viagem para Paris no Natal! — Eu grito, em seguida, cubro a boca com a mão.
Ele ri.
— Eu sabia que você nunca deixou o país antes, e eu nunca fui para a Europa, então pensei que nós poderíamos ir mais para o Natal. Parece que vamos acumular algumas milhas aéreas este ano. — Ele sorri.
Eu me lanço para ele, beijando-o profundamente.
Ele nos leva até a cama, me rolando para baixo dele. Sua mão desliza para baixo da minha coxa, cobrindo minha bunda, cobrindo minhas cicatrizes, me segurando.
— Te amo, baby.
— Eu também te amo. Eu vim aqui para Colorado, procurando pela minha mãe, me esforçando para escapar do meu passado. Tentando encontrar um propósito, uma razão para viver. Eu posso não ter encontrado minha mãe do jeito que eu esperava, em primeiro lugar, mas em vez disso achei muito mais.
Eu encontrei algo que nunca antes tinha imaginado que teria... Uma família de verdade. Edward, Carlisle, Angela e Dozer.
Mas o melhor de tudo... Eu tenho amor. Não o amor sob o medo ou acondicionado. Não o amor que vem com um preço. Eu tenho o verdadeiro, honesto e divino amor em todas as suas formas mais puras. Amor da família. Amor de amigo. O amor incondicional. E o melhor amor de todos... Edward. Ele me deu uma coisa que ele nunca deu a ninguém antes. Ele me deu seu coração e sua confiança. E, em troca, dei-lhe o mesmo de volta.
Fim...
E aí, gostaram?
CHEIVA, NERI, MINNEMEL, NINA, BETH, JESSTEW, SHIRLEY, LUNA SOFHIE, JANA MASEN, GIOVANA, ANN E ANÔNIMAS; OBRIGADA PELOS COMENTÁRIOS.
ISSO INCENTIVA.
Agora me despeço prometendo voltar em breve.
Beijo grande e até...
