Era manhã quando Killian dá um forte abraço de despedida do filho e emocionado, abraça Marlene também. Deixa-os diante do casarão de Regina, tudo alvo e silencioso, mostrando que a proprietária ainda dormia.

- Vou tentar dormir algumas horas e depois vou providenciar um abrigo melhor para vocês três. Por ora, peço que permaneçam nesta casa e não saiam sozinhos. As pessoas podem estar hostis. – o pirata beija mais uma vez as bochechas do filho e olha-o com a mais absoluta admiração.

Andreas olha por cima do ombro do pai e observa um pequeno grupo de pessoas caminhando do outro lado da rua e tecendo comentários, olhando em sua direção.

- Agora, vão descansar!

Depois de acomodar Marlene no estábulo, Andreas entra silencioso na casa com o intuito de ir para o quarto que dividia com Petrus. No corredor dos quartos encontra Regina em pé, já vestida para começar seu dia de trabalho.

- Pensei que tivesse confiado em mim, Verbenas.

- Bom dia, Majestade! – ele se inclina numa reverência.

- Saiu sorrateiro e silencioso como se fosse um rato. Quando fui ao seu quarto, encontrei apenas o menino dormindo.

O homem esconde as mãos às costas. Assume uma postura aristocrática.

- Saí silencioso sim, como deve ser um cavalheiro. Não tinha o direito de ser ruidoso e atrapalhar o seu sono. E quanto à confiança, deixei sob o seu teto e sob os seus cuidados, o meu maior tesouro: o meu filho.

Regina sorri como se tivesse ouvido uma piada sem graça.

- O ogro não é seu filho. Por isso pouco se importou em deixá-lo na casa de uma desconhecida.

- Quando encontrei o menino, estávamos todos perdidos. Ele não pode viver entre os ogros, porque não é um deles. Não será aceito pelos humanos, porque é um híbrido. Ele não sobreviveria naquela reserva. Então, agora ele é meu. É o meu filho!

Ela inspira profundamente e estende a mão para o hóspede.

- Sei que deseja banhar-se e dormir um pouco. Mas antes venha tomar um café comigo.

Numa hora qualquer daquele dia, os visitantes saem do casarão de Regina em busca de informações sobre a cidade e sobre o paradeiro daquele a quem chamavam de Sombrio.

Enquanto caminhava cuidadosamente pelas ruas do novo reino, Andreas não conseguia conter sua felicidade ao ter a certeza de parte de sua missão exitosa. Havia encontrado seu pai e estava encantado com a força da presença dele. Iria obter o mapa e retonar feliz com Marlene já transformada.

- E se o Sombrio não morar mais aqui? Você viu como o Capitão Gancho está mudado! Viu que a Rainha Má como está doce. E se o Sombrio também estiver transformado?

Andreas para e encara Marlene. Olha-a com preocupação.

- O Capitão Gancho que todos descreviam não era aquele homem de rosto doce que encontramos nas docas. Era um homem feroz, cruel e arrogante! O homem que encontramos exala paixão e passividade. – ela complementa.

Uma estranha sensação começa a invadir a alma de Andreas.

- E se a passagem do portal para este reino transformou a personalidade de todos que atravessaram? E se o Capitão Gancho deixou de ser o pirata lendário? E se o Sombrio não for mais o poderoso mágico? E se eu não conseguir ser transformada em humano de novo? Pode haver algo pior?

Andreas afirma com um movimento de cabeça.

- Sim. Os feijões podem não funcionar aqui. – ele aponta para o outro lado da rua. - Estamos em frente à loja do Sr. Gold. Vamos entrar e verificar se estamos preocupados à toa ou não.

Temerosos, Marlene, Petrus e Andreas entra na loja de penhores da cidade. O som do sino na porta avisa a chegada de um cliente. Ele abre a porta amplamente para que Marlene pudesse passar e acomodar-se no estabelecimento. Sabia que era atrevimento, mas valia a pena arriscar. O choro de um bebê ecoa pela loja.

- Um momento, por favor! – a voz aflita de uma mulher ecoa pela loja.

- Lugarzinho assustador, hein? Por que tem de ser tão escuro? – pergunta Marlene sentando-se como se fosse um cachorro. – Ui! Até o chão é frio!

- Talvez por ser a loja do Sombrio? Seria uma hipótese?Queria que as luzes engarrafadas fossem coloridas e que muitos sininhos tocassem o tempo todo? – Andreas observa os objetos no balcão de vidro.

A égua exibe os dentes de maneira desdenhosa.

O choro do bebê fica mais perto e os visitantes podem ver uma mulher bonita e pequena, de cabelos longos e cacheados surgir carregando a criança inquieta. Ela se mostra desesperada e impaciente, recebendo os pares de olhos arregalados sobre ele.

- Já presenciei de tudo! Mas um cavalo dentro de minha loja!

- Não sou um cavalo, mocinha! Sou uma égua!

- Não tenho como atendê-los agora! Estou impossibilitada de sair da loja porque sinto dores, meus telefones não funcionam, meu marido sumiu daqui e meu bebê está sofrendo! Sinto muito!

Andreas se aproxima da mulher e exibe um olhar preocupado.

- Eu poderia fazer algo pela sua criança, senhora?

- Eu não sei! – ela começa a chorar junto com o bebê. – Não sei o que fazer e estou sozinha! Tentei acalmar minha filha e depois do chá que lhe dei, está ainda mais agitada, febril e teve diarreia! Ajude-me!

O homem toca a testa do bebê e estende os braços, recebendo imediatamente a criança neles. Encosta-a ao peito e a aconchega de maneira protetora.

- Precisamos abaixar a febre e acalmar a criança. A senhora tem ervas em sua loja?

Belle aponta uma prateleira e soluça chorosa.

- Qual foi o chá que a senhora deu ao bebê? Preciso saber para descobrir qual será o antídoto.

Ela apanha a mamadeira e exibe para Andreas, que apanha o estranho objeto. Cheira o bico e leva seus olhos grandes e expressivos para a bela mulher.

- A senhora deu uma chá de citronela para a criança?

- É cidreira! Para acalmar! – Belle soluça.

- É citronela. E isso é um repelente natural, não podendo ser bebido. É usada para repelir insetos, senhora.

Belle chora ainda mais. Afastada, Marlene apenas observa a cena e fica feliz ao terem um menino forte que poderia ingerir qualquer erva. Sente orgulho de Petrus. Olha-o e sorri.

Um tempo depois, Belle bebe um gole generoso de um chá calmante e observa atenta a cena do desconhecido com sua menina nos braços. A criança estava em contato com a pele do peito dele e ressonava suavemente, livre das dores.

- Obrigada, senhor...como se chama?

- Eu me chamo Andreas Verbenas e o seu bebê, qual é o nome?

- Buzina! – responde Marlene sem olhar para o casal.