A chuva caia desde aquela tarde. Fina e constante, acompanhada por um vento frio e criava um cenário típico de romances amorosos. Evocava a lembrança das descrições da localidade do romance O Morro dos Ventos Uivantes.
Marlene havia buscado Petrus na escola e ambos estavam agora sentados em um dos bancos nas docas. Era seu lugar preferido dentro daquela cidade ainda estranha para ambos. Em silêncio, os dois observavam o horizonte, nutrindo a esperança de ter Andreas de volta.
- O mar é tão imponente. – comenta Petrus. – Aqui, diante dele, percebemos como somos pequeninos. Andreas diz que gosta de chorar na praia, porque aqui as lágrimas ficam insignificantes.
Acariciando os cabelos já crescidos do menino, Marlene orgulha-se ainda mais do menino de sua família. Até conseguia ver beleza naquele rostinho. Era o seu menino musculoso! Subitamente, o garoto salta do banco e corre para a beirada da plataforma. Começa a pular e a gritar freneticamente. Marlene alarga um sorriso e começa a gritar também.
Alguns trabalhadores aproximam-se e conseguem distinguir dentro da pouca visibilidade, a silhueta majestosa do navio Spartacus. Acontece uma comemoração, como se a equipe tivesse acabado de marcar um novo ponto dentro da partida.
Quando o navio monstruoso atraca, muito mais pessoas aguardavam o desembarque dos piratas comandados pelo gigantesco Gladius. E quando isso acontece, os homens são recebidos como verdadeiros heróis. Eram pessoas impetuosas e corajosas, desprovidos de qualquer tipo de temor à morte ou ao adversário.
Ao ver Killian desembarcar, Emma não consegue conter-se e enche os braços do pirata com seu corpo. Beija-o até que ele fique sem fôlego e o mantém preso em seus braços, como se aquilo fosse impedi-lo de envolver-se em novo embate.
Regina tenta abrir espaço com seu corpo para conseguir aproximar-se de Andreas, mas para abruptamente ao ver Marlene agarrá-lo com tamanha propriedade e colar seus lábios aos lábios pequenos do rapaz. Beijam-se com muita intensidade e um amor visível. Quando se afastam continuam abraçados e recebem Petrus para completarem aquele encontro. Constrangida, a prefeita se afasta.
Momentos depois, bebidas são abertas dentro do Siri Barbudo e todos brindam o êxito de mais uma empreitada do poderoso Spartacus. Gladius e Andreas eram os mais exaltados e felizes pelo fim da missão.
Gold havia preferido ir para casa aconchegar-se nos braços de sua pequena Belle e de sua filha Maya. Deixaria seu menino grande curtir a companhia de outras pessoas, porque tinha a certeza de que depois daquela empreitada, havia criado laços indissolúveis com Andreas. E por que não assumir? Com o pirata também.
O dono do point preferido dos preteridos das docas, improvisa um jantar repleto de frutos do mar e peixes, além de muita bebida. Um grupo musical é chamado às pressas e a animação segue por toda a noite, com danças, risos, histórias narradas por diversas vezes.
Numa das mesas, Killian abraçava Emma com propriedade e não continha as risadas provocadas pelas histórias de Marlene. Andreas não queria se separar do menino Petrus, mas o pequeno sempre escapava e ia ouvir as narrativas do gigante Gladius e dos seus companheiros.
- Em minha aldeia, minha mãe era a líder e quando havia alguma festividade, ela decidia que suas três filhas tinham de ser as mais bonitas e enfeitadas. Então, começava a tortura! Ela nos obrigava a sentar-se e esticava nossos cabelos, mas esticava de tal forma puxando para cima, que não sossegava enquanto nossos olhos não ficassem na vertical. – Marlene vai gesticulando e ilustrando a história. – Depois que não havia mais nada para esticar, prendia tudo e enfeitava com uma flor horrorosa feita de tecido. A minha flor era a maior porque meus cabelos eram mais longos. Para completar o ritual, umedecia os fios com goma e mesmo que fossemos jogadas no olho de um furacão, nenhum fio ficava em pé. O furacão poderia levantar pontes, castelos, animais, mas meus cabelos continuavam intactos!
Os ouvintes gargalham demoradamente, apenas por imaginarem a cena.
Do lado de fora, um par de olhos castanhos sem vida, obervavam a figura bonita de Andreas e encantava-se com o som de sua risada. Ainda o queria em sua companhia e não retornaria para o alto mar, sem levar sua criatura valiosa e ainda pucela. Charlize sorri e volta a camuflar-se em meio à escuridão, retornando ao seu navio, ancorado no meio do mar, afastado da civilização.
Era madrugada, quando Andreas coloca Petrus em sua cama. O menino estava exausto e tinha dormido a caminho de casa.
- Ele está ficando bonito. – Marlene toca os cabelos do menino. – Espero que ele queira continuar conosco quando estiver mais velho. Já flagrei seus olhinhos perdidos no horizonte do mar, como se buscasse algo.
- Petrus tem sangue ogro e isso pede pela presença de seus iguais. Caso ele não consiga permanecer aqui, teremos de permitir a saída dele.
- Eu irei com ele, mesmo que tenha de retornar à minha condição de animal.
Andreas volta-se para Marlene e segura seu rosto entre as mãos. Beija repetidas vezes o seu rosto e a encara, invadindo aquela escuridão que eram seus olhos.
- Não posso mais evitar esse desejo que me consome, Marlene. Eu ficaria imensamente honrado se você...
Ela sorri e devolve os beijos naqueles lábios pequenos.
- Sei exatamente o que está sentindo, Andreas. Posso afirmar que sinto o mesmo e não hesitei em buscar informações. – ela sorri envergonhada ao vê-lo sorrir também. – Conversei com Ruby e ela sanou minhas dúvidas. Mas há uma dúvida que somente nós dois poderemos sanar.
- Qual?
- A redoma que colocaram em torno de seu corpo. Será que o que sinto é amor verdadeiro, capaz de libertar você?
Andreas dá de ombros e segura delicadamente a mão da moça. A conduz para fora do quarto do menino. Ambos caminham para o quarto do rapaz.
Sentados na cama, retomam sua tímida exploração dos lábios. Beijam-se por muito tempo e percebem juntos o aquecimento dos corpos. A necessidade mútua de sentir o contato das peles mostra-se crescente.
- Eu preciso de você, Andreas. – a garota sussurra e com as mãos confusas começa a retirar as peças da vestimenta que cobria o corpo do rapaz. Ele se deixa conduzir até estar totalmente desprovido de roupas.
- E eu preciso de você, Marlene. – era a sua vez e com a delicadeza de quem despe uma boneca, Andreas vai aos poucos exibindo a pele escura da garota que antes povoava seus delírios. – Quero me entregar a você e ficaria honrado se você também se entregasse a mim.
Marlene sorri e permanece admirando a beleza daquele homem que estava ali, sentado na cama com ela. Ambos despidos e desprovidos de pudores, esquecidos do que acontecia lá fora. Lindos, inocentes e cúmplices.
- Amo você, Andreas Verbenas Gold Jones...
Pouco mais de nove horas da manhã. Marlene ainda observava a beleza do homem adormecido ao seu lado na imensa cama. Sorri ao recordar-se da primeira tarde em que haviam passado juntos após a fuga do rancho. Andreas adormecera junto a uma árvore e confiara a ela, toda sua segurança, sabendo que não seria traído.
Um belo par de olhos azuis e sonolentos abre-se e exibe-se apaixonado. Andreas sorri e confiante, toca os seios da amada e em seguida aproxima-se dela para mais um beijo. Desta vez, menos casto que os primeiros. Amam-se mais uma vez.
