Miyuki acabara de chegar a sua casa, morta de sono. Seu cansaço era tanto que mal dera falta de sua mochila.

Deu uma olhada em si mesma ao entrar; Não podia deixar que sua mãe a visse assim.

Seu uniforme estava todo sujo de sangue, rasgado e molhado, o cabelo todo desgrenhado e o rosto mais pálido que o normal devido à perda de sangue.

- Miyuki, é você? – a voz da mãe saia fraca.

- Acabei de chegar – disse a menina. - Desculpa, por demorar tanto.

- Quer alguma coisa pra comer, querida? – perguntou docemente sua mãe fazendo menção de se levantar da cama

- Não se preocupe comigo, mãe. Boa noite.

- Boa noite, filha.

Miyuki se tranca rapidamente no quarto e se joga na cama, ainda completamente vestida.

- Que dia complicado foi esse? – suspirou cansada, encarando as estrelas.

Fora atacada quando voltava pra casa e um estranho garoto a salvara; Conhecera quatro rapazes interessantes, conhecer era um pouco de exagero colocar já dessa forma, pois só tinha conversado por pouco tempo com eles, mas mesmo assim, sentia alguma coisa diferente em cada um deles.

- Kurama. Quem será você, realmente? – raciocinava Miyuki em voz alta

Ela conseguia sentir o mistério emanado pelo ruivo tendo a certeza que ele escondia quem realmente era; Aparentava ser calmo e gentil, mas talvez sua forma de agir mudasse conforme as circunstâncias.

- Kuwabara e Yusuke. – Miyuki se viu rindo ao se lembrar dos dois rapazes.

Os pensamentos e o jeito de agir dos dois parecia ser muito transparente. Eram fortes a sua maneira, transmitindo calma e segurança a garota.

- Hiei... – ela murmurou baixinho

Esse era o que mais a intrigava. A primeira vista aparentava ser apenas um garoto, ou pelo menos parecia ser um; Seus olhos frios e seus gestos eram de alguém que vivera diferentes situações apesar da pouca "idade".

E seu jeito de agir e dizer coisas como se não estivesse interessado em nenhum assunto? Era um outro enigma.

Cansada e com a cabeça cheia de pensamentos Miyuki adormece em um sono inquieto.

- Saudações, Yusuke. – Koenma o cumprimentava da tela

- Fala ai, baixinho. – Yusuke o cumprimentara como se Koenma estivesse ali.

A expressão de Koenma estava muito séria.

- Ih, já pintou sujeira. – comentou Kuwabara.

- Silêncio, vamos ouvir. – ordenou Kurama calmo.

- Seis humanas foram assassinadas nessas duas últimas semanas. – Koenma fora direito ao assunto.

- Perai, meu filho. Isso não é o trabalho da policia? – Yusuke questionou confuso

- Seus corpos foram encontrados de um jeito "interessante".

- Mas, heim... – exclamaram Yusuke e Kuwabara ao mesmo tempo.

A fita mostrava imagens do jeito que se encontravam os cadáveres e onde eles foram achados. Quem quer que estivesse por trás disso, não era uma simples obra de um assassinato do mundo dos homens.

- Qual é a missão? – a expressão de Kurama já demonstrava mudança.

- Yusuke, quero que você investigue esse caso – ordenou Koenma – As vítimas tinham indícios de energia espiritual. Precisamos deter quem está por trás disso. Seja o que for que estiverem procurando não podem obter.

- Precisamos deter? – perguntou Yusuke sarcástico – Na certa o trabalho vai ficar tudo nas minhas costas, seu anão de jardim.

- Não está preocupado com isso, Urameshi? – perguntou Kuwabara indignado e nauseado com o estado dos cadáveres.

- Eu não disse isso, seu mane. – discordou o moreno.

- Botan, logo estará ai para ajudá-lo. – Koenma finalizava – Trata logo de resolver isso, estrupício.

O vídeo apagou-se. Yusuke estava com cara de poucos amigos e Kuwabara fazia um grande esforço para não rir da sua cara.

- Bom. O jeito é procurar quem é causador dessa vez. – disse Yusuke animado – Alguma atividade no mekai, ultimamente? – perguntou ele a Hiei e Kurama.

- Não vou lá já faz algum tempo... – respondeu Kurama olhando sugestivamente para o korime

Hiei que ate agora estava em silêncio, perdido em pensamentos retrucou:

- Não adianta olhar, pra mim, raposa. Não sei de nada.

- Não precisa se irritar. – disse Kurama.

-Hn! – foi só o que ele respondeu.

- To indo nessa. Ate mais galera. – Yusuke se despediu.

- Perai, Urameshi. – Kuwabara correu do quarto para acompanhar o amigo.

Hiei também estava pronto para deixar o quarto quando Kurama o faz parar.

- Hiei, espera ai.

O moreno se virou, já com cara de poucos amigos.

- Fala logo, Kurama.

O ruivo ergueu uma mochila, meio rasgada de um canto do quarto e a atirou para o korime que a amparou, confuso.

- É da Miyuki. – respondeu Kurama diante da confusão do outro – Poderia entregar pra ela?

- E porque eu faria isso, raposa? Porque não manda o idiota do Yusuke ou o cara amassada entregar? – perguntou Hiei impaciente atirando a mochila de volta a Kurama

- Porque não sabemos onde ela mora e você pode achá-la facilmente com o jagan. – respondeu Kurama jogando a mochila de volta a ele.

- Eu não quero ver aquela idiota de novo. – Hiei jogou a mochila na cama.

- E porque não? – perguntou Kurama despreocupado

- Ela me irrita. – foi só o que o moreno respondeu pronto pra pular na árvore próxima a janela.

O ruivo sorriu.

- Por acaso está com medo de encontrá-la de novo, Hiei? – a voz de Kurama indicava espanto.

- Porque eu teria medo de uma humana? – Hiei perguntou incrédulo.

- Não precisa disfarçar que ficou tocado. – respondeu Kurama cínico

- Não venha com graça, Kurama – rosnou rispidamente o Korime

- Tudo bem. – Kurama pegou a mochila num gesto de rendição – Você não está com medo do encontro só não está com vontade...

- Sim. – respondeu Hiei seco.

- Sem medo de outros apelidos. – continuou Kurama – Neném. – terminou ele cínico.

Os olhos de Hiei faiscaram de raiva.

- Me da essa merda. – pediu Hiei estendendo a mão para a mochila

- Vai entregar a Miyuki? – perguntou o ruivo com os olhos inocentes.

- Hn! – foi só o que respondeu saindo do quarto, carregando a mochila, Kurama sufocou uma risada.

Hiei não queria admitir, mas queria encontrá-la de novo. Não só para devolver a mochila para Kurama parar de lhe torrar o saco, mas estava curioso com outra coisa em particular.

Alguém estava procurando humanos com energia espiritual. E aquela humana irritante, emanava uma quantidade considerável de energia espiritual.

Era bom ficar de olho.

Miyuki se remexia inquieta em sua cama. Acordou suada e tremula. Era apenas um pesadelo. O mesmo pesadelo de sempre.