Miyuki se remexia inquieta em sua cama. Acordou subitamente, suada e tremula caindo com tudo da cama para o chão.

– Droga! Exclamou a garota ainda deitada no chão É só um pesadelo. Nada mais. dizia a si mesma tentando se controlar.

Sentou-se no chão, abraçando as pernas enquanto se balançava para frente e para trás aguardando seus batimentos cardíacos voltarem ao normal.

Miyuki sempre tivera o mesmo pesadelo desde que era criança. Nele ela se encontrava deitada e amarrada em uma maca parecendo ser de hospital; o local onde se encontrava era frio, úmido e nada amistoso. Pessoas de avental a cercava, olhando-a com expressões frias, falando em voz baixa e fazendo anotações. Não era possível ver nitidamente seus rostos, mas elas lhe pareciam familiares fazendo crescer seu medo e aflição.

– Controle-se, Miyuki a garota ordenou a si mesma, levantando-se, sacudindo a cabeça para eliminar os últimos vestígios do pesadelo.

Abriu a janela deixando o frio noturno entrar no quarto. Era 5:30 da manhã. Deitou-se na cama, bocejando. Poderia dormir um pouco mais.

– TRINN!TRINN!TRINN!

– Ah! Dormir eu...

– TRIN!TRIN!

Aquele despertador a estava deixando maluca. Tateando como uma sonâmbula pelo criado mudo, a garota estapeava o móvel tentando, sem sucesso achar o objeto e finalmente poder acabar com o barulho.

– Miyuki! Miyuki - a voz de sua mãe chegava muito longe a seus ouvidos.

– Miyuki, é hora de acordar, querida. a voz da mãe estava mais próxima, continuando a tentar acordá-la.

– Ah, mãe. Só mais cinco minutos pediu a garota virando para o outro lado cobrindo a cabeça.

– Miyuki são 8:10, querida.

– ESTOU ATRASADA Miyuki acordara de repente, de um pulo, assustando a mãe e começando a trocar de roupa, desesperada.

– Ai! Eu tenho prova de matemática hoje gemia a menina começando a procurar sua mochila para todo lado esquecendo que a havia deixado na casa de Kurama.

– Miyuki, esta tudo bem? perguntou sua mãe vendo a agitação da filha.

– Claro mamãe. respondeu a menina ainda procurando a mochila em todo o canto fazendo uma grande bagunça.

Do outro lado da janela, escondido na sombra de uma grande árvore Hiei apenas observava, atônito o estardalhaço provocado por Miyuki.

Essa humana é atrapalhada demais. Que idiota pensava o moreno vendo a garota correr por todos os cômodos da casa procurando a mochila que estava com ele.

Aproveitando o momento que Miyuki deixara o quarto o moreno entra no aposento deixando a mochila ao lado da porta e passando a analisar o quarto, detalhadamente.

O quarto estava um caos total. O lençol estava jogado no chão aos pés da cama, misturado com algumas roupas; o armário com uma das portas abertas mostrava um pouco da confusão lá dentro e todas as gavetas da escrivaninha estavam escancaradas.

Observando algumas fotos da garota em cima da escrivaninha seu pé toca um pequeno livro vermelho fazendo-o rolar para debaixo da cama.

Irritado, Hiei se abaixa procurando o livro, para colocá-lo no lugar quando escuta os passos apressados de Miyuki, voltando para o quarto.

Droga sem tempo para pensar o moreno deixa o quarto levando o livro.

– Ah então você estava aqui disse a garota quando encontrou a mochila jogada atrás da porta. Achara estranho, pois a procurou e não a encontrou em lugar nenhum então como ela fora parar ali bem debaixo de seu nariz? Decidiu se preocupar com isso depois que voltasse da escola. Uma perigosa prova de matemática a esperava.

Um pouco mais afastado da casa Hiei contemplava o pequeno livro vermelho em suas mãos sem se dar conta que aquele era o diário de Miyuki.

Bem longe dali Yusuke e Kuwabara voltavam para casa logo depois da escola.

– Rapaz, vou te falar que dia louco o de ontem, não acha não? Yusuke perguntou.

– Do que esta falando, exatamente? - perguntou Kuwabara intrigado.

– Ah! Você sabe, seu mané o detetive retrucou Desde quando... Yusuke se interrompe no meio ficando branco e parando de andar de repente.

– Urameshi! Oh, Urameshi! Kuwabara tentava desperta-lo, começando a se assustar com o comportamento do amigo.

– Kuwabara, muita calma nessa hora, mas eu acho que o Hiei esta caído pela garota. A Miyuki. - concluiu Yusuke em voz baixa.

Kuwabara desfez o ar perplexo e começou a rir.

– O Hiei? perguntou incrédulo Caido pela Miyuki? É ruim heim. Pô, Urameshi, fala sério, né.

– E desde quando ele salva donzelas em perigo? Yusuke perguntou no mesmo tom Ele nunca fez isso antes. Pode acreditar ai tem coisa.

– Sempre achei que o baixinho tinha uma pedra no lugar do coração. comentou Kuwabara ainda sem querer acreditar.

– Como você é desconfiado, rapaz. O Hiei já não é mais como era antigamente. Ele mudou muito.

– Eu acho que ele está é aprontando alguma.

Yusuke sorriu, debochado.

– Vamos esperar para ver então. Vamos logo que a Botan está esperando a gente.

Os dois rapazes saíram correndo ao encontro de Botan.