Declaração: Todos os personagens não são meus. Só quero brincar com eles.
Avisos: Capítulo 1
N/A: Demorou um pouco, mas aqui está!
Ainda aqui? Então segure-se e aproveite.
O sol da manhã me cumprimentou. Minha cabeça ainda tinha um zumbido reconfortante da noite passada. Levantei e pedi a uma das servas para preparar um banho e logo me desfiz das minhas roupas. Quando a mulher saiu, eu fiquei muito feliz em ver que havia uma grande banheira de madeira cheia de água quente me esperando. Banhos de rio eram incríveis... Mas, não no inverno. Entrei na água quente e imediatamente meus músculos agradeceram. Eu podia sentir cada um deles amolecendo e o calor infiltrando pelo meu corpo. Soltei toda a sujeira do meu corpo com uma bucha e agradeci aos deuses por conseguir lavar meu cabelo decentemente. Eu o mantinha um pouco longo, mas não demais. Era difícil lidar com ele em meio às batalhas.
Logo a água não estava mais quente o bastante para ficar dentro da banheira e decidi sair. Um momento depois uma das servas veio me informar que haveria um café disponível para mim e para os homens que. Enquanto vestia uma calça de couro marrom e uma camisa de linho branca, eu imaginava se Rainha estaria nesse café.
Levantei e comecei a procurar pela minha armadura. Antes, porém, passei por um espelho e observei meu rosto. Havia cicatrizes de batalha, mas nada que tirasse minha beleza. Olhei mais uma vez no espelho, e constatei que meu corpo tinha mudado muito desde a última vez que me vi. Maior e mais forte, mas ainda feminino. Do modo que eu sempre preferi.
Uma sombra chamou minha atenção, alguém atrás de mim estava vindo. Segurei meu punhal e virei, segurando o pescoço do ordinário que estava espreitando atrás de mim.
Os castanhos intensos me cumprimentaram mais uma vez. Imediatamente soltei o punhal e ajoelhei perante minha Rainha. "Agora percebo por que foi que você sobreviveu" ela disse me puxando aos meus pés. "Perdão minha Rainha, temi que fosse algum assassino" ela riu, um riso sombrio. Mas se manteve próxima a mim.
"Sua coragem é notável, Emma Knight. Mas nenhum 'assassino' entra pela minha muralha." Ela disse e logo colocou as mãos no meu rosto e me levantou. Dando um passo para andar ao meu redor, ela disse meu nome mais uma vez e soou bonito vindo dos lábios vermelhos.
"Sim, eu lembro seu nome... Eu tenho te observado..." era como se ela pudesse ler meus pensamentos. A Rainha estava atrás de mim, antes de finalmente pressionar as mãos nos meus ombros e apertar. "Ainda uma guerreira, mas ainda feminina..." ela sussurrou e eu lutei contra os arrepios que desceram pela minha coluna.
"Majestade, não acho que meus sentidos estejam em ordem, agradeceria se a Senhora pudesse me dar alguns minutos antes que eu possa me apresentar decentemente na sua presença" ela precisava sair. Agora.
O riso dela ecoou no meu quarto mais uma vez, e o corpo quente estava pressionado contra minhas costas, as mãos desceram dos meus ombros e circularam meu quadril. Fechei meus olhos e segurei a respiração para não entregar o suspiro que queria escapar. "Leve quanto tempo precisar, minha Comandante..." A voz sedosa causou mais arrepios pela maneira como os lábios dela tocaram a pele da minha nuca. E então, ela se foi.
Virei para olhar pelo meu quarto, mas não havia mais nenhum sinal dela.
Talvez os rumores sobre magia são mesmo verdadeiros...
Na minha cama estava uma armadura nova. Eu caminhei até lá e um preto reluzente me cumprimentou, o brasão da bandeira da Rainha estava estampado no centro e o fogo do detalhe em relevo brilhava num vermelho da cor dos lábios da minha Rainha. Eu tracei o dedo sobre eles e os pensamentos não paravam de correr pela minha mente. Será que era mesmo possível? A Rainha ter inclinações para mulheres? Para mim?
Calcei minhas botas novas, que estavam ao lado da minha armadura. Coloquei a capa de pelos cobertos por seda preta nos meus ombros e puxei minha espada. Na lamina da espada, de um lado o brasão da minha família, um leão, e do outro o fogo do brasão Real. A lâmina cintilou mostrando claramente que foi polida e afiada. A tradição de manter ter a espada da família foi respeitada, mas não impediu que alguém fizesse ajustes. Ao que parece a Rainha resolveu me presentear. Eu não encontrei nenhum desapontamento em meu coração por isso.
Finalmente segui em direção ao pátio, onde meus soldados estavam reunidos. O chefe da guarda que me buscou na minha aldeia não poupou um olhar quase invejoso ao meu novo traje, e meus homens pareceram notar mais o prestígio que eu tinha recebido. Se armaduras ganhassem guerras...
"Bom dia a todos. Sou a Comandante Knight e vocês servirão ao Exército Real nas minhas linhas. E a área mais violenta da guerra contra os Ogros. Vocês serão testados e separados por grupos conforme suas habilidades. Ao chegar no acampamento serão treinados de maneira mais apropriada. Partiremos esta tarde e espero que todos estejam prontos para ajudar ganhar a guerra." Eu disse a eles e logo me retirei. Minha função ainda não era tão necessária, meus homens iriam testar esses garotos e só então iriamos para o acampamento. Lá iriamos ter o treinamento de verdade.
A queimação na minha nuca indicava algo que eu já sabia. Ela estava me observando de alguma varanda. Optei por ignorar, eu ainda não estava pronta para encontrar os olhos castanhos. Eu logo parti em direção aos estábulos. Eu queria meu corcel de volta, se é possível que ele ainda esteja aqui.
Em alguns instantes estava conversando com o garoto que cuidava dos cavalos, um jovem inteligente e que sabia exatamente onde estava meu corcel. Ele o trouxe pra mim, e tenho que admitir, estava em excelente forma. Meu corcel preto tinha uma cela nova e pronta para a montaria. O garoto ficou de boca aberta quando ele me reconheceu e fez uma sequência de trotes. Eu sorri e o levei para onde meu cavalo estava.
Daniel, o garoto dos estábulos veio comigo. Fez perguntas sobre a linha de guerra e deixou claro que queria ir para meu forte quando tivesse idade. Eu sorri. Espero que quando ele estiver pronto, a guerra já tenha terminado. Ele se despediu, levando meu antigo cavalo embora, eu prendi meu corcel ao lado dos outros cavalos da minha guarda e não poupei algumas maçãs como mimo para o meu amigo, minha herança.
Ao fim da tarde todos estavam quase prontos para partir. Cada um dos garotos ganhou uma armadura velha e uma espada com o brasão Real. Os olhos deles ainda eram compassivos, como o de todos os outros que partiram para a guerra. Eu precisaria deixá-los um pouco duros. Mas antes eu ainda tinha que dominar meu próprio coração e enfrentar a Rainha.
Paramos para fazer uma refeição e então partiríamos para o acampamento. O sol estava quase se pondo, mas nossa viagem seria breve. Chegaríamos antes do amanhecer.
Como o prometido, me dirigi à sala do trono Real. Precisa desejar um último adeus a Rainha.
"Está se sentindo melhor agora, Comandante?" Ela desceu do trono lentamente e fez um sinal para os guardas e os camponeses em audiência saírem assim que entrei. Todos eles nos deixaram. Sozinhas
"Sim, majestade. Meus homens, os novos garotos e eu partiremos essa noite. Vim apenas lhe avisar que com esse novo grupo provavelmente vamos dominar a região ao redor da Floresta Negra dentro de alguns dias." Ela sorriu e continuou vindo em minha direção. Eu prendi a respiração mais uma vez. "Meu ferreiro acertou no tamanho da armadura dessa vez. Ela ficou bem em você" ela correu um dedo sobre as linhas do brasão e eu agradeci pelo ferro ser grosso o suficiente e não deixar que o toque incendiasse minha pele. Meu alívio durou pouco, porém. Soltando as fivelas certas, ela logo tirou a armadura de mim. E também a jaqueta de couro fervido. Logo as mãos dela encontraram os fios da minha camisa e deu nós neles os deixando fechados. E nesse momento os olhos castanhos encontraram os meus e ela vasculhou todo meu rosto. Por um segundo eu esperei que ela deslizasse as mãos por sobre meu peito. Quase corei com esse pensamento.
"Você tenta se esconder, mas seus olhos entregam a luxuria queimando dentro de você, Comandante..." mais um passo impossivelmente perto e eu podia sentir a respiração dela no meu rosto. Eu engoli seco. "Apenas gostaria de saber se isto é apenas uma criação da minha mente ou se Senhora está realmente jogando no mesmo jogo que eu, Majestade" eu soltei minha respiração e o cheiro de maçãs invadiu meu sistema. Evitei ao máximo a expressão de prazer que percorreria meu rosto. Ela sorriu para mim.
"Eu sei exatamente que tipo de reação provoco em você, minha Comandante" a mão hábil e quente logo estava no espaço entre meu pescoço e meu ombro. Poderia dizer que se fosse possível, ela me puxaria para um beijo. Mas talvez, uma mulher de modos e classe como ela é, estaria esperando para ser cortejada. Isso não seria nenhum problema, ao menos não para mim.
Deixei minha mão repousar no quadril, puxando-a um pouco mais pra mim. O sorriso indicava que eu estava certa.
"Trarei vitória ao nosso reino, minha Rainha..." – "Me chame de Regina, apenas Regina" logo outra mão estava no meu rosto enquanto ela estudava meu rosto, e deixei minha outra mão ir até a cintura perfeita da mulher a minha frente.
"E se tudo der certo, voltarei para seus braços, Regina" o nome dela deixou meus lábios com um sabor doce. Antes que eu pudesse me parar, uma das minhas mãos estavam no rosto de Regina. E pelos deuses, eu gostaria de saber porque eu não conseguia me afastar dessa mulher.
O momento seria perfeito para um beijo, mas algo disse que eu não deveria fazê-lo. Tomei uma das mãos da Rainha na minha e coloquei um beijo na pele macia. Sabíamos que era uma despedida simples, mas eu não poderia dar motivos para ela chorar se eu falhasse nessa guerra. Eu conheço a dor de perder quem era importante. E agora, eu não poderia ser importante. Quando tiver certeza que é seguro para ter o coração dela em minhas mãos, só assim o tomarei. E darei o meu para ela. E nem os sete infernos vão me impedir de pedir também a mão dela em casamento.
N/A: Ainda aqui? Então me dê uma revisão camarada!
