— Lily, pelo amor de Deus! Quer fazer o favor de sentar? Está me deixando maluca com toda essa agitação!

— Não posso sentar agora, Lene — respondeu ela, espanando a estante e arrumando os livros com cuidado.

— Claro que pode. Na verdade, seria até bem fácil. Só precisa ficar de costas para uma cadeira, qualquer uma serve, dobrar os joelhos e...

— Deixe de piadinhas, Lene. Não posso mesmo sentar. James chegará às sete e meia e ainda tenho que passar o aspirador de pó na sala e tomar um banho rápido, antes de ir pegá-lo no aeroporto. Olhe só para essa casa, está toda empoeirada!

Lene recostou-se no sofá. Sorrindo, disse:

— Aposto que James não dará a mínima para a poeira; minha cara. Esse não é o aposento da casa pelo qual ele se mostrará mais interessado, se entende o que quero dizer.

Lily virou o rosto para que a amiga não a visse corar. Sabia exatamente ao que Lene se referia. Os dias haviam demorado a passar, mas finalmente chegara o dia em que James viria vê-la. Ele chegaria na sexta à noite e partiria no domingo, às seis da tarde. Bom demais para ser verdade.

Chegava a ser engraçado, mas estava nervosa com a perspectiva do encontro. Há um mês que ela e James não se viam. Entretanto, não se sentia como se estivesse prestes a receber seu marido, mas sim um hóspede que logo partiria novamente.

Falavam-se por telefone todas as noites, mas não era como vê-lo pessoalmente, poder tocá-lo, tê-lo por perto. Para Lily, a casa nem parecia ser realmente dos dois. Ela continuava a maior parte do tempo sozinha, como na época de solteira.

Algumas roupas de James permaneciam ao lado das suas, no guarda-roupa. Isso, mais o aparelho de som e os CDs que ele deixara, eram as únicas coisas que a faziam lembrar de sua presença.

— Hmm... Está vindo um cheirinho ótimo da cozinha, Lily — Lene comentou, trazendo-a de volta à realidade. — Estou enganada ou preparou o seu mundialmente famoso refogado de legumes?

Sorrindo, Lily passou a mão pelos cabelos.

— Talvez — respondeu. — Mas se isso é alguma insinuação de que se convidará para jantar conosco, está perdendo seu tempo.

—Eu? — Lene apontou para si mesma, fingindo ar de inocência. — Claro que eu nunca faria uma coisa dessas! Se bem que eu não recusaria acompanhá-los na sobremesa. Vi a torta de morangos sobre a mesa quando passei pela cozinha.

— Pode tirar o cavalo da chuva, Lene. — Lily se dirigiu à cozinha. — Nem ouse aparecer por aqui hoje à noite. Prometo guardar um pedaço da torta para você. Oh, preciso preparar meu banho — disse, voltando para a sala. — Lene, nos veremos amanhã, ok? Deseje-me sorte.

— Sorte? Está maluca? — Lene balançou a cabeça. — Está prestes a rever seu marido, Lily. Devia estar pulando de felicidade. Ou será que há algo errado? Quer conversar?

Lily revirou os olhos, arrependida. Por que fora abrir a boca?

— Não, Lene, não há nada de errado. Só o que preciso é de um bom banho.

— Tudo bem — Lene anuiu. — Nesse caso, desejo-lhe sorte. Ah, e acho melhor você se apressar se não quiser chegar atrasada no aeroporto. Estão fazendo reparos na Avenida Principal. O trânsito está péssimo.

— Ah, ótimo! Era só o que me faltava! — Lily exasperou-se, desabotoando a blusa enquanto subia a escada que dava para os quartos. — Tchau, Lene!

— Tchau. E não se preocupe; passarei o aspirador na sala antes de sair. Diga a James que mandei lembranças.

Lily parou no meio da escada e olhou para baixo, sorrindo para a amiga.

— Marlene McKinnon, alguma vez eu já lhe disse o quanto gosto de você?

— Sim, sim. Todas as minhas amigas casadas e com tapetes empoeirados dizem isso. — Ela foi pegar o aspirador. — Não esqueça de guardar meu pedaço de torta, ok?


Menos de meia hora depois, Lily estava na plataforma de observação, olhando o avião da Lombard Airways taxiar pela pista. Seu coração estava acelerado.

Também não era para menos. A última meia hora fora uma verdadeira loucura. Havia acabado de aplicar condicionador nos cabelos quando a água do chuveiro esfriara de repente. Tivera que terminar de enxaguar os cabelos pegando água quente da torneira da cozinha.

Depois a navalha de seu depilador resvalara, fazendo-a se cortar pela primeira vez desde que era adolescente.

Em seguida, enquanto procurava o outro par de sua bota de inverno que pelo visto resolvera "desaparecer" no armário, uma caixa que estava sobre uma prateleira caíra bem na sua cabeça. Passou a mão no lugar, verificando que ele ainda estava dolorido, embora o galo já houvesse desaparecido.

Como se não bastasse, quando fora pegar sua roupa, a madeira que sustentava os cabides simplesmente despencara, espalhando suas roupas e as de James no chão do guarda-roupa. Na pressa, deixara tudo como estava e saíra correndo para o aeroporto. Não queria nem ver como as roupas estariam quando fosse arrumá-las.

Afastou os cabelos do rosto e se dirigiu à sala de desembarque. Com o coração cada vez mais acelerado, imaginou se reconheceria James quando o visse passar pelo detector de metais.

Outras pessoas também esperavam seus entes queridos, algumas com um ar de expectativa no rosto, outras com buquês de flores. Imaginou se não teria sido bom levar flores para James. Não, isso seria ridículo, disse a si mesma. O que ele faria com um buquê de rosas? Por que ela estava tão nervosa, afinal?

Mordeu o lábio, imaginando se sua aparência estaria boa. Seu cabelo estava um pouco maior. Pretendia deixá-lo curto no verão. Porém, não quis fazer nenhuma mudança radical enquanto James estivesse fora. Seria como fazer algo pelas costas dele.

Finalmente as portas do final do corredor se abriram. As pessoas se posicionaram em busca de um melhor ângulo de visão. Lily ficou na ponta dos pés e inclinou-se para a frente, como se isso a ajudasse a ver além das cinco pessoas desconhecidas que saíram primeiro. Um homem corpulento vinha logo atrás. E foi então que o viu.

Elegantemente vestido com o uniforme azul-marinho, James andava com segurança. O chapéu lhe atribuía um charme todo especial e um sorriso iluminava o rosto bonito.

Lily olhava-o como que hipnotizada. Sentiu as lágrimas invadindo seus olhos. Aquele homem irresistivelmente atraente era seu marido. Seu James.

— Lily! — exclamou ele quando a viu.

Lily acenou, sem saber se ficava ali esperando-o ou se corria até ele. James se adiantou e após abrir caminho entre as pessoas, parou bem diante dela. Balançou a cabeça, como se não acreditasse no que estava vendo.

— Deus, Lily, como senti sua falta...

Um soluço escapou dos lábios de Lily quando ela se atirou nos braços dele. James a segurou com força e a beijou com sedenta paixão, como se nunca mais fosse deixá-la se afastar.

Lily retribuiu o beijo com o mesmo ardor, mal se dando conta de que os dois giravam como que impulsionados por uma música que só eles podiam ouvir.

Após um longo tempo, James passou o braço pelos ombros dela. Encaminharam-se para a esteira de bagagem. James pegou as malas e os dois se dirigiram à saída.

— Sentiu saudade de mim? — ele perguntou, beijando-a antes que ela pudesse responder.

— Só um pouquinho — Lily provocou-o, entregando-lhe as chaves do carro. — Procurei me manter ocupada boa parte do tempo.

— Ocupada? É mesmo? E o que andou fazendo para se manter ocupada, Sra. Potter? — indagou ele, colocando as malas no bagageiro.

Lily esperou ele entrar o carro para responder.

— Oh, fiz algumas coisinhas. Dei aulas, plantei flores, aparei a grama, fiz torta de morangos... — sorriu para ele. — Ah, e mudei os lençóis de cama — acrescentou.

James olhou-a no mesmo instante.

— Não tirou aqueles lençóis cor-de-rosa, tirou? Sei que homens não devem gostar desse tipo de coisa, mas confesso que aqueles lençóis fizeram parte da maior parte dos meus sonhos no último mês.

Lily sentiu o rosto corar.

— É mesmo? Então conte-me quais foram esses sonhos, Sr. Potter. Fiz parte de algum deles?

James segurou o rosto dela entre as mãos, fitando-a nos olhos.

— Lily, meu amor, você foi a estrela de todos!

Lily fechou os olhos quando os lábios de James tocaram os seus. Era divino poder sentir novamente tal sensação. Seu marido estava de volta.


Oiii gente! Agora fui boazinha, não fui? Amei os comentários de vocês meninas: Thaty, Tata Potter, Joana Patricia e Ninha Souma. Muito obrigada meninas, beijos e até mais :*