— Eu te amo, James. E sabe por quê? Porque você é muito habilidoso com as mãos.

James estava inclinado sobre o motor do carro de Lily, ajustando uma peça. Ao ouvir aquilo, levantou a vista para ela.

Lily estava de braços cruzados, observando-o. Os cabelos caíam-lhe livremente sobre os ombros, agitados pela leve brisa e aquecidos pelo sol da manhã. Trajava um top cor-de-rosa e um short branco.

Ela sorriu, exibindo uma covinha de cada lado da bochecha, as mesmas que ele havia beijado na noite anterior. Beijara as covinhas, os lábios, o sinal de nascença que ela tinha na base do seio esquerdo... Enfim, cada centímetro daquele corpo escultural.

— Você não fica atrás, meu amor — James respondeu. — Essas suas mãozinhas também são muito habilidosas — sorriu, insinuante.

— Oh, obrigada, querido. Faço o que posso...

Dizendo isso, Lily se afastou, andando torturantemente devagar em direção a casa. Antes de entrar, lançou um olhar provocante que quase fez James bater a cabeça no capo, na ânsia de ir atrás dela.

Lily o surpreendera desde o momento em que haviam entrado em casa, na noite anterior. Passara a desempenhar com perfeição os papéis de amante, esposa dedicada e anfitriã atenciosa.

O modo como se amaram superou quaisquer expectativas que James pudesse ter depois das noites solitárias em São Francisco. Após as horas passadas no quarto, haviam comido o jantar que ela preparara. E a noite fora realmente perfeita...

James fechou o capo do carro e entrou em casa. Encontrou Lily na cozinha, preparando batatas e cenouras no microondas.

— Está com fome, querido? — ela perguntou apertando alguns botões do forno, antes de se voltar para ele.

James abaixou a vista para os pés descalços de Lily, antes de voltar a encará-la.

— Com fome? Na verdade, estou faminto... — insinuou.

Lily levou a mão ao peito, fingindo espanto.

— Oh, meu nobre senhor, creio que está com intenções amorosas com relação à minha pessoa.

— Acertou em cheio, minha dama — James sorriu para ela. Com dois passos, ele percorreu a distância que os separava.

Parou um instante e viu as mãos sujas de graxa. Precisava tomar um banho primeiro. Voltou a encarar Lily, dessa vez levantando o dedo diante do rosto dela.

— Não se mexa — disse. — Voltarei antes que esse forno desligue.

— Isso é uma ameaça ou uma promessa? — Lily sorriu, encostando-se contra a pia.

— É um juramento — James respondeu, olhando-a por cima do ombro enquanto saía.

Ele foi direto para o chuveiro. Enquanto se ensaboava, cantarolava uma de suas canções preferidas. Estava feliz, amando e a vida lhe parecia ótima. Pelo menos até a água do chuveiro esfriar e se tornar gelada.

James entreabriu um pouco os olhos para evitar que o xampu os atingisse. Tateou a parede até encontrar a torneira. Tentou ajustar a temperatura, mas não adiantou, a água simplesmente congelara.

— Maldita casa velha! — xingou, desligando o chuveiro. Enrolou uma toalha na cintura e foi até o quarto, pegar roupas limpas. Quando abriu o guarda-roupa, voltou a xingar, todas suas roupas e as de Lily estavam no chão, ainda nos cabides, A madeira velha do guarda-roupa cedera com o peso das roupas. Com um resmungo, James se enxugou da melhor maneira possível no momento e foi pegar uma roupa em sua mala.

— Lily! — chamou, separando uma bermuda. — Hei, Lily! Pode vir até aqui, por favor?

Ela apareceu quase em seguida, quando ele ainda fechava o zíper da bermuda.

— O que foi, James? Está tentando entrar para o livro dos recordes por banhos rápidos? O microondas nem desligou ainda.

— A água do chuveiro ficou fria.

James gostaria de estar com um humor melhor, mas estava sendo difícil. Pelo visto, teria que passar o resto da folga consertando os defeitos da casa.

— O que diabos aconteceu com esse guarda-roupa, Lily? Andou fazendo flexões na madeira que segura os cabides?

— Oh, Deus, o guarda-roupa! — Lily levou as mãos ao rosto. — Esqueci! A madeira cedeu quando eu estava me preparando para ir buscá-lo no aeroporto, ontem à noite. Oh, James, nossas roupas ficaram todas amassadas! Levarei dias para passar todas elas!

James cobriu os lábios, disfarçando um sorriso.

— Não se aflija, meu amor. Não precisa passar todas de uma vez; vá passando-as aos poucos — beijou a orelha dela. — Darei um jeito nessa madeira ainda hoje.

Ouviram alguém bater à porta da cozinha.

— Hei, há alguém em casa?

Lily revirou os olhos ao reconhecer a voz. Levou o dedo aos lábios.

— É Lene — sussurrou. — Ontem, num momento de fraqueza, convidei-a para almoçar conosco hoje. Se ficarmos quietos, talvez ela vá embora. Gosto muito dela, mas...

— Hei, meninos! — Lene chamou de algum lugar já dentro da casa, provavelmente a cozinha. — O microondas acabou de desligar e o cheirinho está ótimo. Ainda pretendem almoçar ou acham que podem viver só de amor?

James suspirou ao notar que não teriam saída. Fez um sinal para que Lily descesse a escada.

— Pelo menos numa coisa ela tem razão, Lily — disse ele —, precisamos almoçar.

— Oh, aí estão vocês! — Lene exclamou quando os dois entraram na cozinha. — Sabem que eu seria a última pessoa a querer atrapalhar o fim de semana romântico de vocês, mas... — Ela arrumou três pratos sobre a mesa, antes de voltar-se para eles. — Puxa! Lily, você disse que ele tinha um porte atlético, mas... minha nossa!

Só então James se deu conta de que estava vestido apenas com a bermuda. Seu peito se encontrava exposto à interessada inspeção de Lene. Embora não apreciasse muito a indiscrição da amiga de Lily, não deixou de se sentir envaidecido com o elogio.

— Obrigado, Lene — disse, sentando-se em uma cadeira. Sorriu para a esposa, enquanto ela tirava a fôrma do microondas. — Lily, você nunca disse que admirava meu físico. Eu já sabia que as mulheres me achavam irresistível, mas...

— Não se empolgue tanto, querido — Lily o interrompeu. — Eu também disse a Lene o quanto você é convencido.

— Eu? — James fingiu espanto. — Lily, agora fiquei chocado. Do modo como fala, parece até que vivo me elogiando!

— Oh, imagine! Você nunca faz isso, meu amor — Lily zombou. — Lene, pegue aquela travessa para mim, sim?

Lene atendeu o pedido da amiga e sentou-se à mesa, diante de James.

— Sabe de uma coisa, Lene? — James dirigiu-se a ela. — Estou muito satisfeito que Lily possa contar com você, agora que fui transferido. Realmente fico bem mais aliviado por saber que você e sua mãe estão bem ali, na casa ao lado.

Lene enrubesceu, fazendo a cor de seu rosto contrastar com os cabelos loiros.

— Oh, obrigada, James. Eu e minha mãe cuidamos de Lily desde que a mãe dela foi morar em Barcelona. Também estou feliz por ela não ter ido com você... — ela interrompeu-se, ao notar que dissera algo indevido.

Lily ia provar uma porção de salada, mas parou o garfo no ar.

— Tudo bem, Lene. Sei que você não disse por mal. Além do mais, essa separação é apenas temporária. — Olhou para James — Não é, querido?

— Claro! — ele respondeu, animado.

Animado demais. A noite anterior parecera uma extensão da lua-de-mel, mas agora a realidade da situação voltara a perturbá-lo.

James tornou-se distraído durante o resto do almoço. Não conseguia parar de pensar em fazer amor com Lily. Logo teriam que se separar novamente. A ausência já estava sendo dolorosa antes mesmo de acontecer.

Depois que Lene foi embora, ele ajudou Lily a retirar a mesa.

— Quer que eu demonstre meu lado cavalheiresco e lave os pratos para você? — perguntou, colocando o último prato dentro da pia.

— Não se preocupe com isso, querido — respondeu ela, pegando a esponja e o detergente. — E o que eu disse sobre seu convencimento era apenas brincadeira. Gosto de você do jeito que é.

James sorriu, aproximando-se dela.

— Em São Francisco tenho que lavar a louça quando como em casa. Mas só faço isso depois de assistir o noticiário.

Os olhos verdes de Lily adquiriram um brilho de divertimento.

— É mesmo? Por acaso está sugerindo que deixemos a louça para depois?

James sorriu e a pegou no colo.

— Absolutamente certo, Sra. Potter! Acaba de ganhar uma tarde de amor com o irresistível James Potter; seu marido, para ser mais específico.

Lily encostou a cabeça no ombro dele.

— Oh, James, você é mesmo um convencido!

— Mas você me ama, não é? — ele sussurrou ao ouvido dela.

— Sim, eu te amo muito...

Somente bem mais tarde, no início da noite, os dois foram lavar os pratos. Saíram em seguida, para comprar uma nova resistência para o chuveiro e uma haste de madeira para o guarda-roupa.


Olá gente! Tata Potter eu sou boazinha sim (carinha do gato do Shrek) kkkk, o momento deles juntos está acabando, mas eles sempre darão um jeito de mesmo longe, estar juntos. Calma Ninha Souma, o Harry ainda vai demorar um pouco para vir kkkk, "boa sorte" porque apesar de casados, eles não tem uma vida de casados, é meio estranho receber teu marido como se fosse um hóspede de fim de semana, mas pelo jeito Lily não precisa assim tanto de "boa sorte" ;) Muito obrigada meninas pelos comentários, até mais, beijos :*