— Em novembro? O que diabos fará em Sea Isle City em novembro? Estou lhe dizendo, Lily, morar todo esse tempo longe fez James enlouquecer de vez! É provável que chova durante todo o fim de semana.
Lily sentou-se na beirada da cama, segurando o suéter que pretendia colocar na mala.
— Ou neve — acrescentou, desconsolada. — Tivemos chuva de granizo na última terça-feira, lembra? — Balançou a cabeça. — Não sei, Lene. Acho que James está querendo provar que nada se compara a uma praia.
— Hein? Quer repetir, por favor? Acho que não entendi direito.
Lily começou a tirar alguns fiapos negros do suéter; pêlos de Almofadinhas, na verdade. Lily não entendia por que o cachorro estava trocando de pêlos em novembro. Desconfiava que aquilo tinha algo a ver com o apetite voraz que ele tinha por purê de batatas.
— Simples, Lene — respondeu à amiga. — Não neva nas praias ensolaradas da Califórnia. Ainda nem fez frio por lá esse ano. Estou lhe dizendo, minha amiga, nem mesmo o clima está do meu lado. Quando James telefonou, na noite passada, disse-me que ele e Sirius haviam ido surfar à tarde. Surfar! E eu que um dia esperava vê-lo no jardim de nossa casa, brincando com nossos filhos.
Lene, deitada de barriga para baixo, sobre a cama, apoiava o queixo na palma da mão.
— Não sei, Lily. Acho até que James ficaria simpático com uma prancha sob o braço, mas creio que posso adivinhar onde ele está querendo chegar. Continua com aquela história de querer morar na Califórnia, não é?
Lily assentiu com um suspiro.
— Ele nem tenta mais disfarçar — reclamou. — É tão injusto, Lene! Quando eu vou a São Francisco, nós vamos à praia, ao teatro, a todos aqueles lugares maravilhosos... Mas quando James vem para cá, só o que conseguimos fazer é consertar essa casa velha! Não é nada romântico consertar torneiras e trocar lâmpadas queimadas!
Lene ficou de pé, olhando a amiga com ar compreensivo.
— Oh, céus, é mais sério do que imaginei. Você não está nem um pouco feliz, Lily. Por favor, não me diga que a lua-de-mel terminou. Com meu próprio casamento marcado para daqui a seis meses, eu detestaria pensar que a vida em comum é tão difícil assim.
— Claro que não é, Lene — Lily apressou-se em assegurá-la. Desde o importante dia em que Lene conhecera Remus, os dois haviam iniciado um relacionamento mais sério, que culminara com o anel de brilhantes com o qual ele a presenteara no dia de seu aniversário.
— Além do mais, você não vai morar de um lado do país e Remus do outro. Quando ele deixar a toalha molhada sobre a cama, poderá ralhar com ele no mesmo instante, e não rir consigo e ter que relevar o fato porque seu marido só ficará dois dias em casa e você não quer passar esse tempo discutindo com ele. — Colocou o suéter na mala e fechou o zíper. — E minha lua-de-mel não terminou— acrescentou. — Está apenas começando a ser substituída por um pouco mais de realidade, só isso.
Lily tirou a mala da cama, deu uma última olhada pelo quarto e se dirigiu à escada, contendo as lágrimas. Não queria que Lene visse o quanto ela estava maldizendo aquele fim de semana no litoral de Nova Jersey.
Quando as duas chegaram ao pé da escada, Almofadinhas levantou a cabeça. Deitado no tapete da sala, lançou um olhar triste para Lily. Ganiu apenas uma vez, como se soubesse que ela ficaria fora durante dois dias.
— Oh, não me venha com chantagem agora, seu bebezão! — Lily disse a ele. — Já tenho problemas demais para me preocupar com um cachorro chorão. — Passou por ele em direção à cozinha. — Sabe, Lene, às vezes penso que toda minha vida tornou-se uma grande viagem. E o preço que pago por ela é o sentimento de culpa.
— Bem, não precisa se preocupar com Almofadinhas — Lene afirmou, sentando em uma cadeira. — Eu e Remus o levaremos para passear pela manhã e minha mãe provavelmente vai empanturrá-lo de comida. Ele ainda gosta de purê de batatas?
— O último vício dele é iogurte de morango. Só Deus sabe o quanto detesto essa história de ter que viajar para ver meu marido — Lily resmungou entre dentes, procurando um vidro de aspirinas no armário. Estava ficando com uma terrível dor de cabeça. — Mas não dê iogurte para Almofadinhas. Pode não ser bom para ele. Oh, veja só que horas são! Terei que sair agora, se quiser pegar o mesmo vôo que James. Lene, deseje-me sorte, sim? — Tomou uma aspirina. — Minhas chaves! — tateou o bolso do casaco. — Onde eu as coloquei?
Com a mão sobre a boca, Lily percorreu a vista pela cozinha, tentando lembrar onde deixara as chaves do carro depois que chegara da escola.
Ficou parada um instante, lutando para se concentrar. Ficara na escola até um pouco mais tarde, para esclarecer algumas dúvidas de Gui Weasley quanto à lição do dia. Depois fora ao mercado comprar mais comida para Almofadinhas e passara no tintureiro para pegar um casaco de James.
— É isso! O casaco de James! — Deixou o copo de água sobre a mesa e foi correndo até a sala. — Quase esqueci de levar o casaco de James! — Encontrou o casaco sobre a mesinha, ao lado das chaves do carro. — Agora lembro. Coloquei o casaco junto às chaves para não esquecer de levá-lo. — Pegou a peça de roupa e dobrou-a, antes de olhar para a amiga: — Não sabe como detesto isso, Lene. Metade das roupas de James estão aqui e metade em São Francisco, exceto quando ele traz as que estão lá para eu lavar. Estou até pensando em expandir o negócio, sabe. Lily Potter - serviços domésticos e sexo. Que tal?
Lene encostou-se contra o umbral da porta, sorrindo.
— Sem dúvida, terá um bocado de problemas, minha amiga. Especialmente na parte "sexual" do negócio.
Os lábios de Lily tornaram-se trêmulos, indicando que ela estava prestes a explodir em lágrimas. Passou a mão pelos cabelos e só então lembrou que cedera a um impulso no começo da semana e os cortara na altura do queixo, sem avisar James. Afundou em uma cadeira, desesperada.
— Meus cabelos! Oh, lene, ele vai detestar! Ainda ontem — ela hesitou um instante —, no telefone, James disse que mal podia esperar para acariciar meus cabelos, espalhados sobre o travesseiro.
Lene tossiu, disfarçando o riso.
— É, sem dúvida, trata-se de uma situação drástica — comentou. — Mas veja pelo lado bom: logo seus cabelos ficarão compridos de novo; eles crescem rápido.
Lil forçou um sorriso. Sabia que Lene estava tentando demonstrar que sua preocupação exagerada era pura tolice, ela própria reconhecia isso. Enxugou as lágrimas e ergueu a mão, reconhecendo o erro.
— Ok, ok, talvez eu esteja exagerando um pouco. Agora me dê uma mãozinha e leve-me ao aeroporto, sim? Os vôos da Lombard Airways não esperam por nenhuma mulher, mesmo que se trate da esposa de um de seus funcionários. Afinal, eles não têm culpa por eu ser atrapalhada, não é mesmo?
— Você? — Lene riu, incrédula. — A rainha da organização? A mulher que acredita que o mantimento da ordem é o décimo primeiro mandamento? Oh, não me faça rir, Lily.
— Lene! — ela também riu. — Está começando a falar como James. Ele diz que sou metódica demais.
Lene ajudou-a a pegar a mala e as sacolas, seguindo-a até o carro.
— E o que você responde?
Lily trancou a porta e se virou para a amiga:
— Respondo que posso até ser metódica, mas que nossa vida seria uma completa bagunça se eu não fosse assim.
— Essa é a Lily que conheço! — Lene riu alto. — Agora esqueça São Francisco, toalhas molhadas e lavanderia. Prometa que irá se divertir, ok? Você merece.
Lily lançou um último olhar para a casa.
— É, acho que mereço... — disse a si mesma.
James tomou um gole de vinho branco e franziu o cenho. Já era quase meia-noite e ele ainda estava sentado, sozinho, na sala do pequeno chalé alugado em Sea Isle City.
— O que diabos estou fazendo aqui? — resmungou consigo, vendo a última brasa da lareira se apagar.
Mentalmente, recordou o trajeto desde o aeroporto ABE, passando por Pensilvânia Turnpike, Walt Whitman Bridge, a via expressa de Atlantic City...
Lily mal falara durante a viagem de três horas, exceto para responder suas perguntas sobre Almofadinhas, os alunos e se ela havia pagado a conta de água.
O silêncio dela não se devia à fome, já que Lily e ele haviam comido no avião. Porém, notara que ela comera pouco. E emagrecera nas últimas três semanas, desde que a vira. Emagrecera e cortara os cabelos.
James não fizera nenhum comentário, embora não houvesse gostado do novo estilo que ela adotara. Preferiu ficar com a boca fechada, pelo menos até ela perguntar. Por que Lily tivera de perguntar? E o que ele respondera de tão terrível?
— Está bonito, Lily, mas eu os prefiro longos — ele repetiu em voz alta. — Foi só isso que eu disse. Por que fazer disso um pretexto para a Terceira Guerra Mundial?
Virou a cabeça, olhando para a porta fechada do quarto, onde Lily se refugiara, depois de fazer um verdadeiro discurso sobre espontaneidade, dizendo a ele que cortar os cabelos fora uma atitude espontânea e que fora ele próprio quem sugerira isso a ela algum tempo atrás. Espontaneidade? Mas o quê diabos isso tinha a ver com o fato de alguém cortar os cabelos?
James deixou o cálice sobre a mesinha e inclinou-se para a frente, apoiando os cotovelos sobre os joelhos. Um instante depois, passou a mão pelos cabelos, exasperado. Fizera tantos planos para esse fim de semana! Voltar a Sea Isle City, onde haviam passado a lua-de-mel, parecera-lhe a idéia perfeita para agradar Lily. Queria afastá-la um pouco daquela casa velha, com todas aquelas torneiras quebradas e contas para pagar. Reviver os primeiros dias do casamento fora a melhor idéia que lhe ocorrera, mas agora já não tinha tanta certeza disso.
— James?
Ele levantou a cabeça e olhou na direção da porta. O quarto encontrava-se na penumbra. Lily estava de pé, com a luz do abajur refletindo-se atrás dela. Vestida com a camisola cor de marfim que usara na noite de núpcias, ela estava mais bela que nunca. O tecido diáfano em contraste com a luz, tornava possível a visão dos contornos arredondados do corpo irresistivelmente feminino.
Lily era linda e ele a amava com toda sua alma.
— Você está bem, James? — indagou ela, entrando devagar na sala. — Não quer ir deitar?
James sorriu com charme, batendo a mão de leve no lugar a seu lado, num gesto convidativo.
— Essa era minha intenção inicial — disse a ela. — Mas acho melhor conversarmos primeiro. Isto é, se você estiver disposta.
— Conversar? — Lily suspirou. — Está bem. Mas se vamos conversar, acho melhor eu sentar aqui nessa cadeira, longe da tentação.
— Longe da tremenda atração masculina que exerço sobre você? — James provocou-a, ainda sorrindo.
Encostou-se contra as almofadas, satisfeito com a perspectiva de que o fim de semana ainda não estava perdido.
— Não, querido — Lily respondeu no mesmo tom provocante, sentando-se na cadeira, — Quero refrear o impulso de me jogar nos seus braços se você continuar me olhando com esse ar de falsa inocência.
James pegou o cálice sobre a mesa. Ao ver que ele estava vazio, levantou para enchê-lo e serviu outro para ela.;
— Desculpe pelo comentário sobre seus cabelos, Lily — ele asseverou, certo de que fora esse o motivo da intemperança de Lily. — Já estou até me acostumando com seu novo visual. A camisola esvoaçante e os cabelos curtos, deixaram-na com uma aparência de fada. O problema é que fiquei surpreso logo que a vi, só isso.
Lily aceitou o cálice. Após tomar um pequeno gole, disse:
— A culpa foi minha, James. Eu deveria tê-lo avisado de que pretendia cortar os cabelos. De qualquer forma, como não posso colá-lo de volta, creio que ambos teremos de conviver com ele curto durante algum tempo.
— Fechado — James concordou, feliz em pôr um ponto final no assunto. — Agora, Lily, por que não me conta o que está se passando por sua mente?
— Acho melhor não falar. — Ela desviou o olhar. — Você não iria gostar de saber.
James riu mais para esconder o nervosismo do que por divertimento. Havia alguma coisa errada e ele tinha a desagradável sensação de que não era algo simples, como uma torneira para ser consertada.
— Vai me dizer alguma de suas piadinhas, Lily? Você sabe: "Querido, tenho más notícias. A garagem pegou fogo". Então eu direi: "É mesmo? E como isso aconteceu?" Você responde: "Bem, foram fagulhas lançadas da casa!"
— Muito engraçado, James. Tão engraçado quanto ouvi-lo dizer que a boa notícia é que você recebeu uma promoção e um aumento, só que para trabalhar em São Francisco. Bem, quanto à sua pergunta, a casa está bem. Mas para ser sincera, eu não estou.
James ajoelhou-se ao lado dela no mesmo instante.
— Lily, meu amor, está tentando me dizer algo? Vamos ter um filho?
— Um filho? — ela arregalou os olhos, surpresa. — Não, querido, não vamos ter um filho. Como professora de matemática, devo salientar que a possibilidade de concepção diminui proporcionalmente ao número de quilômetros que separam a esposa e o marido em questão. Mas esse é apenas um dos fatores — acrescentou num fio de voz.
— E quais são os outros? — inquiriu James, lembrando-se das estatísticas sobre as quais Lily já lhe falara.
Teria ela lido algum outro artigo menos otimista? Ou estaria ele sendo cego, por não querer enxergar o óbvio? Lily estava mesmo lidando bem com a situação ou apenas aprendera a esconder a infelicidade?
Ela suspirou.
— Realmente não sei, James. Nem quero saber. Em outras palavras: acho que está na hora de terminarmos com tudo isso.
James empalideceu.
— Terminar? Está falando em separação?
— Não! — Lily balançou a cabeça com veemência. Em seguida, fitou-o com apreensão. — A menos que você esteja — acrescentou devagar, como que com receio de proferir as palavras. — Está? Porque eu não estou. Além disso — sorriu, nervosa —, como podemos falar de separação se já vivemos mais separados do que juntos?
— Muito engraçado— foi a vez de James falar, visivelmente mais relaxado. — Mas se nenhum de nós está falando em separação, então pode me dizer sobre o que diabos estamos conversando?
— Estou falando sobre o fato de que quero começar a levar uma vida normal, de mulher casada, ficando todo o tempo do seu lado, e não apenas em semanas esporádicas. Quero discutir sobre de quem é a vez de levar o lixo para fora, decidir se assistiremos o canal de esportes ou o de novelas, ir fazer compras com você e tudo que um casal normal faz.
James voltou a se sentar. Abriu os braços, confuso.
— Está dizendo que não somos um casal normal porque não brigamos por causa do lixo? Lily, pelo amor de Deus! Lixo?!
— Isso mesmo — Lily confirmou. — Não sei por que, mas sinto que a principal razão pela qual nos encontramos é apenas para fazer amor. Não nos importamos em conversar sobre outros assuntos, simplesmente porque o tempo que passamos juntos é tão pouco que não queremos desperdiçar nem um minuto! De certa maneira, isso é frustrante, James. Foi para isso que viemos até aqui, não foi? Gastar um dinheiro que poderíamos estar economizando, só para fazer amor.
James desviou o olhar.
— Então você também sente isso? — indagou em voz baixa, admitindo o sentimento de culpa tanto quanto ela. — E não me olhe dessa maneira. Estou confessando minha parte nisso, Lily. Às vezes tenho a impressão de que estamos apenas brincando de casinha, sabe. Até que foi excitante por um tempo, porém, não somos mais crianças. Um casamento é muito mais do que sexo apenas.
Lily foi sentar-se ao lado dele.
— Não que sexo seja ruim, claro — ela riu, encostando a cabeça no ombro dele.
— Não, não é nem um pouco ruim — James admitiu, deslizando a mão pelo braço dela. — De fato, é até bom demais. Foi por isso que pensei que um fim de semana longe de casa seria bom para nós. Mas não foi isso que você achou, não é, Lily?
Ela balançou a cabeça que não.
— Pensei que você estivesse sugerindo que a casa, Almofadinhas e nossas contas estavam fazendo-o sentir-se sufocado. E que você só queria fazer amor como se fôssemos apenas amantes, quando na verdade o que eu mais queria era me sentir casada. — Lily levantou a cabeça, fitando-o nos olhos. — Mais uma vez, minha imaginação foi longe demais, não é? Às vezes sou tão idiota! Por isso não deveríamos ter essas separações. Elas me dão tempo demais para ficar pensando tolices. E eu que sempre me considerei uma mulher sensata!
James beijou-a na testa, eliminando as linhas de tensão que ele não queria ver ali.
— Você é sensata, Lily. Nossa situação é que não é. Cada um de um lado do país, tentando com todas as forças aproveitar cada minuto do curto tempo que passamos juntos. Para ser sincero sobre isso tudo, acho que estamos nos matando ao tentar provar que essa situação ridícula pode dar certo.
— Então você concorda de que não podemos continuar vivendo assim por mais um ano e meio? Sim, porque se eu não conseguir dar aulas em São Francisco, será mais um ano e meio até que você volte para Godric Hollow.
— Não, não é isso — respondeu James, levando-a para o quarto. — Estou apenas tentando dizer que temos de parar com essa idéia de nos tornarmos o casal perfeito. Um casal que nunca briga e que está sempre perdidamente apaixonado. Admita, Lily, naquele fim de semana do mês passado, quando teve aquela tremenda dor de cabeça, você desejou que eu estivesse bem longe, na Califórnia, e não em Godric Hollow, chegando com fome, roupas sujas e sedento de amor.
Os dois se deitaram embaixo dos lençóis.
— Bem, eu poderia ter sobrevivido sem você naquele fim de semana — Lily riu. — Entretanto, apreciei o fato de você estar por perto para passear com Almofadinhas enquanto eu estava de cama. Mas e quanto ao fim de semana em que vim para São Francisco e você estava estudando para aquele exame escrito? Não deveria ter me levado ao cinema e para jantar fora, e, no entanto, você o fez. E eu sei por quê. Porque considera nossos momentos juntos tão preciosos quanto eu os considero.
James relaxou a cabeça no travesseiro, experimentando um conforto que há muito não sentia.
— Sabe o que é, Lily? Sabemos que temos de nos empenhar para conseguirmos conviver bem, apesar dessa situação maluca. — Virou-se para ela de repente: — Quer arrumar as malas e voltar para casa?
Lily acariciou o peito dele com a ponta dos dedos.
— Não sei. Já estamos aqui, falando sobre assuntos importantes, mas que não nos pressionam mais. Sem sentir que temos que fazer amor a todo instante e agindo sem condescendência um com o outro. Diga-me, James, está mesmo se acostumando com meu novo corte de cabelo?
Ele puxou-a para si.
— Lily, pouco me importa se quiser até raspar sua cabeça, apenas me prometa que sempre estaremos abertos um para o outro, de agora em diante. Estamos juntos nesse negócio, lembra? Agora, que tal uma boa noite de sono?
Lily lançou-lhe um sorriso satisfeito. Passou a observar o teto com a cabeça recostada no ombro de James.
Durante os cinco minutos que se seguiram, os dois olharam os reflexos do luar sobre as cortinas e o teto, envolvidos pelo som das ondas do mar.
Foi então que James notou que Lily não estava tão quieta quanto parecia. Sentiu quando a mão dela deslizou pela sua cintura e foi descendo devagar, com movimentos provocantes.
— Lily? — chamou com voz rouca quando ela começou a mordiscar a pele sensível de seu ombro, deixando-o maluco.
— Hmm? — respondeu ela, deitando-se sobre ele e insinuando o joelho entre seus quadris.
— Você sabe que não precisa fazer isso — disse James, querendo ter o poder de controlar melhor sua respiração e outras reações de seu corpo. — Concordamos que não haveria mais pressão em nenhum de nós. Não somos obrigados a fazer amor só porque estamos em Sea Isle City ou porque não nos vemos há duas semanas.
Lily sentou-se, deixando que a alça da camisola deslizasse sobre seu ombro até exibir um seio ereto, de mamilo rosado.
— Claro que não, querido — ela sorriu, insinuante. — Mas é que por alguma razão essa liberdade me faz querê-lo ainda mais. Não é maravilhoso?
James levou a mão ao seio dela, acariciando-o com um gesto possessivo.
— Você é que é maravilhosa, minha linda esposa. Agora vem cá...
Viu gente dessa vez não demorei um mês para postar. Obrigada Joana Patricia pelo comentário, beijos flor.
