Capítulo 2 – 2º dia

- Acho que é a primeira vez na minha vida que eu te vejo sem um livro. – Teddy brincou, encarando Victoire, enquanto limpava um troféu da Sonserina.

A loira deu de ombros.

- Estou com dor de cabeça e, quando isso acontece, prefiro descansar a vista. – Ela explicou.

- Deve ser a quantidade de informação que seu cérebro guarda. – Ele disse rindo, no que a moça revirou os olhos.

- Sempre engraçado, Lupin.

Teddy continuou sorrindo e voltou seu olhar para o troféu.

- Mas é verdade. Me lembro muito bem de um verão que passamos n'A Toca. Você se recusou a jogar Quadribol para ler o livro de Poções que seu pai usou no primeiro ano dele. – O moreno disse, meneando a cabeça em desaprovação.

- Eu também me lembro. Você ficou muito indignado quando eu perguntei por que jogaria com vocês quando podia ficar lendo. No final de semana seguinte, me deu Quadribol Através dos Séculos. – Vicky falou, esboçando um sorriso.

Teddy relembrou a expressão no rosto angelical da garotinha ao perceber qual livro ele havia lhe dado. Esperava que ela fosse gritar com ele e jogar o livro fora, mas ela apenas começou a gargalhar e disse que ele estava começando a entendê-la.

- Eu esperava uma reação diferente da sua parte. – Comentou, colocando o troféu no lugar e pegando outro.

- Eu sei. – Ela respondeu risonha. – Também achava que fosse ficar com raiva, mas você foi bem criativo.

- Eu sempre sou criativo. – Ele se gabou, fazendo Vicky revirar os olhos.

- Eu não acho. – A moça falou, erguendo uma sobrancelha.

- E por que não?

Ela se levantou da cadeira, aproximando-se dele e se sentando ao seu lado no chão. Passou uma mão pelos cabelos castanhos do rapaz, que sentiu seu estômago se contorcer de prazer.

- Bem, quando era pequeno, você usava os cabelos azuis. Às vezes mudava para verde ou até mesmo laranja. Sempre cores tão chamativas! – Ela disse, ainda alisando os fios sedosos. – E, hoje, usa apenas um castanho sem graça. – Concluiu, sorrindo de canto.

Teddy a encarou e devolveu-lhe o sorriso.

- Quer dizer então que você me acha sem graça? – Perguntou estranhamento divertido.

- Em comparação ao que era quando pequeno? Sem dúvidas! – A loira respondeu sem hesitação. – Eu amava as cores do seu cabelo, vivia olhando para eles, principalmente quando mudava só pra fazer a Molly e o Fred rirem.

O rapaz ergueu as sobrancelhas, surpreso.

- Mas você vivia me chamando de cabeça de arco-íris! – Ele exclamou. – E sabia que eu odiava esse apelido.

Vicky riu.

- Bem, você não perdia uma chance de implicar comigo, não era? Eu tinha que dar o troco! – Ela se defendeu, retirando a mão dos fios castanhos. – Mas eu era realmente fascinada pelas cores que você usava nos cabelos. Por que parou de mudá-las?

Teddy suspirou e voltou a limpar o troféu a sua frente.

- Eu achava engraçado o cabelo rosa da minha mãe. Na verdade, eu o achava maravilhoso! Adorava olhar pra foto dela, toda sorridente e com aqueles fios chamativos. Por isso vivia mudando a cor do meu. – Ele disse e suspirou novamente. – Mas, depois que cresci, comecei a preferir ter uma aparência única, e achei que ficava meio estranho um adolescente ter cabelos coloridos. Então resolvi deixá-lo da cor do cabelo do meu pai. Gosto de olhar no espelho e me achar parecido com ele. – Concluiu, dando de ombros.

Victoire sorriu docemente, sabendo o quanto aquele assunto era complicado para Teddy. Voltou a mergulhar a mão no cabelo castanho.

- Bem, apesar de ser sem graça em comparação às outras cores, acho que essa realmente lhe cai melhor. Você fica mais... Não sei...

- Mais adulto? – Ele perguntou, colocando o troféu de volta no lugar.

- Mais você mesmo. – Vicky concluiu, dando de ombros. – E, pelo que eu já vi em fotos, você realmente se parece com seu pai.

Teddy a encarou emocionado. Sabia que ela entendia o que aquilo significava para ele e, naquele momento, apenas um pensamento se passou por sua cabeça: era ela quem ele queria ter ao seu lado para o resto da vida.

- Obrigado. – Disse, tentando controlar a emoção.

Victoire lançou-lhe um sorriso sereno e, em seguida, mordeu o lábio inferior.

- Teddy, posso lhe pedir uma coisa?

- Claro. – Ele falou curioso.

- Me mostra a cor natural do seu cabelo?

O moreno arregalou ligeiramente os olhos, espantado com aquele pedido.

- Por quê?

A loira sacudiu os ombros.

- Eu gostaria de ver. – Falou simplesmente.

Teddy sorriu para ela e logo seus fios castanhos foram substituídos por outros completamente negros. O rapaz ficou encarando-a, a espera de sua reação. Após alguns instantes avaliando o visual, Vicky sorriu largamente em aprovação.

- Puxei à mamãe. Minha avó disse que os cabelos naturais dela também eram dessa cor. – Ele explicou.

A loira novamente tocou os fios, mas desta vez o contato foi mais breve.

- Você fica muito bonito assim. – Ela falou e Teddy esboçou um largo sorriso.

- Sabe que eu nunca vou deixar você esquecer que disse isso, não é?

Victoire soltou uma gargalhada, inclinando a cabeça para trás e colocando a mão sobre o estômago. Teddy ficou encarando-a com um brilho nos olhos. A risada dela não mudara absolutamente nada desde a infância.

- Faz tempo que eu não ouço você rindo assim. – Ele comentou quando ela se recuperou.

- É por que faz tempo que eu não rio assim. – A loira respondeu. – Especialmente perto de você.

Foi a vez de Teddy rir, meneando a cabeça.

- Qual é, eu não sou tão chato assim! – Exclamou.

- Não, Teddy, você não é chato. Só implicante.

- Bem, é o costume, não é? – Ele falou, no que Victoire uma risadinha.

- É verdade. Mas eu vou te contar um segredo. – A moça fez sinal para que ele aproximasse o rosto.

Teddy franziu as sobrancelhas, mas obedeceu. Vicky aproximou os lábios do ouvido dele e sussurrou:

- Nossas discussões sempre me divertiram.

Ele sorriu e se afastou dela.

- Nossa, e eu achei que você não conseguia se divertir estando sem um livro na mão! – Brincou, fazendo-a revirar os olhos.

- Pare de falar bobagens e vamos, já passamos do horário. – Ela disse e se levantou, sendo seguida pelo rapaz.

- Então vou ter desconto amanhã? – Ele perguntou esperançoso.

- Considerando que você passou o tempo extra apenas me fazendo rir, não. – Ela disse, seguindo para fora da sala.

- Ei, Vicky! – Ele chamou e a moça se virou. Ao ver o cabelo do rapaz mudar para azul, ela voltou a rir. – Pelos velhos tempos.

Ele voltou a ser castanho e a seguiu para fora da Sala de Troféus.

- Vai me acompanhar de novo? – Ela perguntou erguendo uma sobrancelha.

- É claro que sim. Não vou privar você de mais alguns minutos de risada. – Ele disse divertido.

A loira revirou os olhos, mas não pôde deixar de esboçar um sorrisinho.

- Sabe, você é corajoso. Eu, mesmo quando pequena, não teria coragem de andar por aí com o cabelo colorido. – Ela comentou.

- É por que, como eu sempre disse, você nunca soube se divertir. – Ele provocou.

- Isso não é verdade! O fato de eu não ser uma completa desordeira como você não significa que eu não saiba me divertir! – A loira exclamou indignada.

- Ah, é verdade, eu esqueci que você se diverte lendo aqueles livros chatos.

- Sim, eu me divirto. E, se você começasse a ler alguns desses "livros chatos", entenderia por que eu os adoro tanto.

- Não, obrigada. Deixo esse tipo de diversão para você. – Ele respondeu rindo fracamente.

- Pior pra você. Pelo menos meus "livros chatos" não me fazem pegar mil detenções por ano. – Ela disse, parando ao chegarem à porta da Corvinal e virando-se para ele.

- Sabe, às vezes é bom pegar detenções. Veja essa última, por exemplo. Se eu não a tivesse pegado, não passaria sete noites inteiras ao seu lado. – Ele disse e, rapidamente, depositou um beijo na bochecha da loira, antes de virar-se e ir embora sem ao menos dar a chance de ela responder.

E Victoire apenas ficou ali, vendo a imagem do rapaz desaparecer cada vez mais no imenso corredor e sentindo seu coração bater rapidamente.

Continua...


N/A: Aí está o segundo capítulo! Foi fácil escrevê-lo, já que só começam a acontecer fatos mais interessantes mesmo a partir do próximo. Este foi apenas para mostrar mais um pouco de como é essa relação deles, que implicam um com o outro, são bem diferentes, mas não se odeiam (como Lily e James kkkk). Espero que vocês tenham entendido isso e a certa atração (bem sutil pela parte de Vicky) que sentem um pelo outro. Mas isso são cenas de um próximo episódio :)

É isso, vou tentar postar o próximo mais rápido.

xx,

Mari.