Capítulo 4 – 4º dia

Victoire fechou com força o livro que tinha nas mãos e bufou, recostando-se na cadeira. Teddy olhou pra ela e suspirou. Era a quinta vez durante as duas horas de detenção que a garota fazia aquilo.

- Quer conversar sobre isso? – Perguntou.

Ela ergueu os olhos cerrados para o rapaz.

- Sobre o quê? – Perguntou agressivamente.

- Sobre sua briga com Dominique. – Ele respondeu, aproximando-se dela.

A loira o avaliou por um instante, como se estivesse pensando se queria ou não falar sobre aquilo. Então suspirou e correu as mãos pelos cabelos dourados.

- Não sei mais o que fazer com ela. Tudo o que eu faço, Dominique acha que é para tirar os holofotes dela e colocá-los sobre mim. – Desabafou, irritada. – Ela me tira do sério! Não sei de onde surgiu todo esse ciúme, visto que nossos pais sempre nos trataram igualmente, mas ela criou essa espécie de competição entre nós. O que ela não vê é que está competindo sozinha.

Teddy ficou calado por uns segundos e, em seguida, olhou para o relógio de pulso.

- Minha detenção acabou. Por que não vamos dar uma volta nos jardins? – Propôs, sorrindo.

Vicky franziu as sobrancelhas.

- Está louco? Se nos pegarem a esta hora nos jardins vão nos...

- Eu estou com a Capa da Invisibilidade do Harry. Só espere aqui um instante, eu já volto.

E, antes que ela pudesse dizer qualquer outra coisa, ele correu para fora da Sala de Troféus.

Victoire se ergueu da cadeira e virou para a janela. O céu estava lindo: o azul muito escuro quase se transfigurava em preto e continha algumas nuvens, que pareciam grafitadas nele, cobrindo as estrelas. A Lua estava cheia e pálida, com sua aura a iluminar os jardins.

- Vamos? – Ouviu Teddy perguntar e virou-se para o rapaz, que segurava a Capa da Invisibilidade numa das mãos.

- Eu sou monitora, sabe? Não devia fazer isso. – Ela disse, cerrando os olhos.

O moreno apenas revirou os olhos e foi até ela. Jogou a capa sobre os dois e pegou sua mão, puxando-a para fora da sala. Logo, já estavam no belo jardim.

Caminharam vagarosamente até a entrada da Floresta Proibida, num ponto onde não seriam vistos por ninguém e, ao chegarem lá, Teddy retirou a capa deles. Deitou-se na grama e se pôs a olhar para o céu.

Vicky o encarou, incerta se deveria realmente ficar ali, especialmente com o rapaz. Então se lembrou do escândalo que a Dominique havia dado no café-da-manhã apenas porque o namorado havia comentado sobre como achava Victoire bonita. Ela era uma eterna criança com essa mania de querer ser melhor que a irmã!

A loira bufou e deitou-se ao lado de Teddy.

- Não se preocupe com isso. Ela vai perceber a burrada que está fazendo. – O rapaz disse, após algum tempo de silêncio.

Vicky suspirou.

- Só queria conseguir ser amiga dela. Tenho uma relação tão boa com Louis, mas não consigo conversar cinco minutos com Dominique sem brigarmos.

- Ela sempre foi mais imatura. Sempre achou que você tem mais atenção. Não deve ser fácil ter uma irmã tão linda como você. – Ele disse, o que fez a garota revirar os olhos, corada. – Acho que é chato sempre ouvir seus parentes comentarem sobre a beleza, inteligência e outras qualidades da sua irmã e tratarem você como um bebê.

- Mas ela age como um bebê! – Vicky disse, exasperada. – E eu nunca... Eu não quero ser melhor do que ela. Dominique tem muitas qualidades, só se perde nessa vontade eterna de ser melhor do que eu.

- Eu sei que você não quer ser melhor do que ela, mas talvez se você entender como ela se sente, possa melhorar as coisas entre vocês. – Ele disse, dando de ombros.

Victoire ficou em silêncio por algum tempo, refletindo, enquanto olhava as nuvens. Enfim suspirou.

- Você está certo. Se ela é imatura, eu devo ser madura por nós duas para pôr um fim nisso. – Disse vagarosamente.

Teddy sorriu e a encarou.

- É por isso que eu adoro você. – Disse, fazendo a loira encará-lo surpresa. Ele, porém, voltou a olhar para a Lua. – Eu adoro o céu.

Após se recuperar do comentário anterior do rapaz, ela voltou a olhar para as nuvens.

- Por quê?

- Ele é meio que como nós... Mostra dois opostos: o dia e a noite. – Teddy respondeu.

- Mas o dia e a noite vivem em harmonia. – Ela disse, séria.

- Nós também. Pode parecer que não, mas temos algo só nosso. Sempre pensei nisso como um segredo, como algo compartilhado só por nós dois. Acho que foi isso que fez com que eu me apaixonasse por você. – Ele disse calmamente, fazendo Victoire encará-lo ainda mais surpresa.

- Por que você fala essas coisas? – Ela perguntou baixinho.

- Porque é verdade. – Teddy disse, olhando para ela, que parecia assustada. – Você me faz bem, e eu nem mesmo sei por quê. Adoro olhar para você, adoro estar com você, adoro o que você me faz sentir, mesmo sem saber... Eu quero você, mesmo que ache que isso é só uma brincadeira.

Ela desviou o olhar e se sentou na grama abraçando os joelhos.

- Somos muito diferentes, Teddy. O que te faz pensar que daria certo?

- Eu quero. E você também. Eu percebo em cada gesto seu, e isso me faz muito feliz.

A maneira com que ele falava era tão inocente! Victoire sentia que ele estava sendo completamente honesto, que estava se abrindo totalmente com ela pela primeira vez, sem brincadeiras ou implicâncias.

E aquilo a assustou. Aquilo a assustou por causa do que a fez sentir. E, por isso, ela simplesmente se levantou e saiu correndo para o castelo, deixando Teddy a encarar o céu, sozinho.


N/A: Demorou (muito), mas chegou. O próximo vem rápido, prometo :p