Capítulo 6 – 6º dia
Aquele era o dia. O grande dia.
Victoire não entendia porque estava tão nervosa. Afinal, ela apenas teria um encontro do Teddy Lupin. Não era um motivo suficientemente bom para deixá-la naquele estado de ansiedade, mesmo que tivesse descoberto que gostava dele.
Mas era naquele estado que se encontrava.
Sua cama estava coberta por praticamente todas as suas roupas e ela ainda se encontrava de roupão, indecisa de qual usar. Havia experimentado várias e não gostara de nenhuma.
Bufou. "Isto está ridículo", pensou, decidindo-se finalmente por uma calça jeans e uma blusa verde. Foi até o banheiro pentear os cabelos, fez uma leve maquiagem, colocou um casaco branco e respirou fundo.
Na noite anterior, assim que chegara a seu quarto, Teddy mandara uma coruja dizendo para se encontrarem no Saguão Principal para pegarem uma carruagem juntos. Então ela foi para lá, tentando controlar ao máximo o nervosismo.
Ao chegar nas escadas que davam para o saguão, avistou Teddy recostado numa pilastra, conversando com dois amigos. Ele vestia uma calça cáqui meio folgada, blusa preta de manga comprida e uma touca também preta. Ao vê-lo, seu estômago deu uma cambalhota, que na opinião da garota foi desnecessária, mas inevitável. Ele parecia estar tão tranqüilo... Não havia motivos para ela estar naquele estado de nervos.
Respirando fundo, desceu os degraus rapidamente e, enquanto caminhava até o menino, ele a olhou. O sorriso que lhe deu foi enorme e iluminado, tornando impossível para ela não lhe lançar outro de volta.
- Vicky, você está simplesmente maravilhosa! – Ele falou, pegando a mão da garota e beijando-a, num gesto exagerado de cortesia que a fez rir. – Acho que nunca vi nada nem ninguém mais bela!
- Que exagero, Lupin! – Ela disse, revirando os olhos, mas ainda com um sorriso no rosto. – Mas obrigada. Você também não está nada mal.
Jeremy e Ian, os dois amigos de Teddy, reviraram os olhos com a cena, enquanto Susan chegava perto do grupo.
- E aí, soldados! – Falou, dando um selinho em cada um dos meninos, deixando Vicky estranhamente vermelha quando foi a vez de Teddy.
- E aí, Susu! Vamos logo pegar uma carruagem, porque o nível de romance aqui já tá me fazendo derreter! – Ian disse, fingindo dramaticamente vomitar, no que Teddy riu.
Quando os três se afastaram, o moreno ofereceu o braço a Vicky, que o encarou por alguns segundos, com a cara meio fechada.
- O que foi? – Ele perguntou, franzindo as sobrancelhas.
Ela rapidamente balançou a cabeça, aceitando o braço do rapaz.
- Nada. Vamos logo.
Chegaram à carruagem que os amigos de Teddy haviam pego e se acomodaram. Os meninos e Susan passaram todo o caminho fazendo piadinhas internas e rindo sem parar, sem tentar incluir Victoire, o que a incomodou um pouco. Ela definitivamente não se encaixava ali, por isso, ficou apenas encarando o caminho. Teddy, porém, ao notar que a garota estava deslocada, passou um braço pelos ombros dela e sorriu.
- E então, Vicky. Estava ansiosa por hoje?
Ela desviou o olhar do caminho para encarar o rapaz.
- Eu deveria estar? – Perguntou, erguendo as sobrancelhas.
- É claro! Sair comigo é uma grande honra! – Ele brincou, fazendo revirar os olhos rindo.
- Você é muito convencido mesmo!
Ele riu.
- Mas você não respondeu à minha pergunta. Acho que está querendo fugir dela para não admitir que estava nervosa.
Ela novamente revirou os olhos, mas não teve que responder, pois eles haviam chegado a Hogsmead. A garota não sabia se Teddy ia querer que ficassem todo o tempo com seus amigos e sentia receio que a resposta fosse positiva. Logo que saíram da carruagem, porém, os três saíram correndo, gritando um "Tchau" para eles (exceto Susan, que deu um abraço em Teddy antes de correr).
- Então, tem algum plano para hoje? Algum lugar que gostaria de ir? – Ele perguntou.
- Achei que você teria tudo planejado. – Ela disse, dando de ombros. – Queria apenas passar na filial das Gemialidades Weasley, para dar um abraço em tio George.
- Ah, mas lá eu não deixo de ir jamais! Tenho que repor meu estoque. – Ele disse, rindo. – Muito bem, então, senhorita, já que não tem nada planejado, prepare-se para um encontro maravilhoso à la Teddy Lupin!
XXX
- Nossa, não acredito que você fez isso! – Teddy disse, rindo alto.
- Mas é claro que fiz! Aquele cara se acha muito e eu detesto injustiças! – Ela disse, meio com raiva e meio rindo.
Estavam sentados numa praça muito bonita, comendo os doces que haviam comprado na Dedosdemel e conversando há cerca de uma hora. Teddy contava para a garota os planos mirabolantes que armava com os amigos para causar confusões no colégio antes de a garota entrar (já que ela conhecia todos que ocorreram desde que entrara), e ela começou a falar as brigas que já teve com os colegas da Corvinal.
- Sabe, você é muito mais marota do que parece. – Ele disse, quando conseguiu acalmar a risada. – E muito braba!
- Eu não sou braba! – Ela falou indignada, mas logo riu. – Tá bem, eu sou um pouco sim. Mas só com quem merece.
- Acho que eu mereço muito então, não é? – Ele riu. – Já que você está sempre irritada comigo.
Vicky encarou o rapaz e sorriu levemente.
- Sim, você sempre mereceu. Mas eu nunca consegui ficar realmente com raiva de você. – Admitiu. – Na verdade, sempre achei nossas brigas meio divertidas, como já te disse.
Ele sorriu largamente.
- Eu sei. Sempre soube que você me ama. – Disse, fazendo uma cara de superior, que fez a menina rir.
- Você é muito convencido mesmo, Lupin.
Ele fez uma careta.
- Qual é, estamos num encontro, acho que você pode parar de me chamar pelo sobrenome, não é?
Vicky encarou o rapaz, pensativa.
- Não sei, acho que ainda não caiu a ficha de que estou num encontro com você. – Disse, dando de ombros.
- Porque é um sonho, né? – Teddy falou, piscando um olho para ela, que riu.
- Não, porque nunca imaginei que um dia aceitaria algo assim com você.
O rapaz ficou sério, colocando os doces que estavam no seu colo em cima do banco, atrás de si. Pegou nas mãos da garota e se aproximou dela, que sentiu seu coração falhar ligeiramente.
- Pois eu sempre sonhei com este momento. – Ele disse, olhando fundo nos olhos de Vicky. – Sei que sou brincalhão e gosto de fazer você dar risada, mas preciso falar sério agora. Eu estou muito feliz hoje, Vicky. Não sei se dá pra você perceber o quanto. Pode parecer bobagem, mas hoje está sendo literalmente a realização de um sonho para mim. Ter você aqui, sozinha comigo, voluntariamente, e ainda parecendo gostar.
Victorie riu, apertando as mãos do rapaz.
- E eu estou realmente gostando, Teddy.
Ele encarou-a profundamente, sem conseguir desviar os olhos dos dela. Vicky se sentia presa naquele olhar, como se algo fosse se quebrar se desviasse seus olhos dos dele. Então, aos poucos, o rapaz foi se aproximando dela, e Vicky percebeu o quanto ansiava por aquele contato. Fechou os olhos, sentindo o coração acelerar e, no momento em que seus lábios se uniram, ela relaxou, sabendo que aquilo era certo, de alguma forma.
Enroscou os dedos nos cabelos de Teddy, aproximando-se mais dele e permitindo que suas línguas se encontrassem. O beijo foi calmo, delicado e cheio de carinho. Os dois sentiam a felicidade transbordar de seus corações e passar de um por outro naquele contato mágico. Sim, aquela era a verdadeira magia, a mais poderosa que poderia existir.
Quando se separaram, ficaram se encarando por alguns minutos, sem falar nada, apenas absorvendo o que acabara de acontecer. Aos poucos, então, Teddy foi esboçando um sorriso, e depositou um beijo nas mãos da moça.
- Nem nos meus sonhos e imaginei este momento sendo tão...
Ele não conseguiu completar a frase. E não precisava.
- Eu sei. – Respondeu Vicky, sorrindo e corando levemente.
- O que foi, loirinha? Vai ficar com vergonha de mim agora? – Ele perguntou, rindo e beijando a cabeça dela.
- Não, claro que não. – Ela respondeu, sorrindo. – Eu só acho que precisarei me acostumar com isso.
- Isso o que, exatamente? – Teddy perguntou, um pouco ansioso.
- Não sei... Acho que devemos ir devagar, sabe. – Ao ver uma leve decepção perpassar o olhar do rapaz, adiantou-se a dizer: - Não é porque eu não gosto de você, Teddy. Eu gosto. E muito! – Ele sorriu. – Mas é algo novo para mim. Eu tentei lutar contra isso durante um tempo e, agora que não consigo mais, tenho que me acostumar com esse sentimento, tratar como algo normal. Você entende?
- Entendo sim. – Ele falou. – Não se preocupe, se você precisa de um tempo para absorver tudo isso, então o terá. Já esperei até agora, posso esperar um pouco mais.
Ela sorriu e murmurou um "obrigada".
- Bem, acho que precisamos ir, não é? Já está ficando escuro, as carruagens devem estar saindo em breve. – Ele falou, levantando-se e pegando os doces que sobraram do banco.
- Sim. – Ela falou, fazendo o mesmo. – Mas devo dizer que estou um pouco decepcionada. Quando você falou que teríamos um encontro "à la Teddy Lupin", eu esperava algo bem mais agitado.
Ele riu do comentário.
- Achei que você não iria agüentar o tranco. – Ela o encarou indignada e ele riu mais. – Brincadeira, Vicky! Eu só queria ficar com você na paz mesmo. Achei que algo assim seria melhor para conversarmos com tranqüilidade.
Ela sorriu.
- Eu adorei.
Começaram a caminhar e tudo o que o garoto queria fazer era pegar na mão dela, mas não sabia se isso seria desrespeitar o espaço que ela precisava agora. Sua dúvida, no entanto, foi sanada, quando ela o abraçou pela cintura e colocou um dos braços do rapaz em volta dos seus ombros. Eles se encararam sorrindo e foram conversando até a carruagem.
Ao chegar lá, se soltaram, pois Vicky não queria ouvir comentários maldosos dos amigos de Teddy, que já estavam dentro de uma carruagem.
- E aí, fez o que hoje, Teddyco? Achei que ia te encontrar na Gemialidades, mas necas. – Susan falou quando eles se acomodaram.
- Fomos lá logo cedo, Susu. Por isso nos desencontramos. – Ele respondeu.
- Cara, você não sabe o que eu encontrei lá!
E com isso, eles começaram a mostrar as coisas "iradas", como dizia Susan, que haviam comprado nas lojas, deixando Victoire, mais uma vez, deslocada.
XXX
- Tô quebrado! – Falou Jeremy, se esticando ao sair da carruagem. – Preciso da minha cama.
- Você só pensa em dormir, Jezito! – Susan disso, rindo e abraçando o amigo. – Mas eu também tou cansadaça. Vamos lá nos retirar para o quartel-general, soldados!
- Você vem agora, Teddy? – Perguntou Ian.
- Daqui a pouco.
- Beleza. Até amanhã, Teddyco. – Susan falou, dando um selinho fraternal no rapaz e saindo com os outros dois para o salão comunal.
Victoire fechou a cara imediatamente ao ver a cena mais uma vez.
- Quer se trocar antes de irmos para minha detenção? – Teddy perguntou, no que a garota afirmou com a cabeça. – Vamos, eu te acompanho. – E pegou na mão dela, que estava rígida.
Não trocaram uma só palavra até chegarem em frente à gárgula da Corvinal, o que deixou Teddy intrigado.
- Vicky, está tudo bem? – Perguntou, parando de frente para a moça e segurando suas duas mãos.
Ela o encarou com raiva, odiando sentir aquilo, mas sem conseguir evitar.
- Sim.
- Tem certeza? – Ele perguntou, franzindo as sobrancelhas.
- Eu já disse que só acho estranho duas pessoas que se dizem amigas ficarem se beijando dessa forma. – Ela soltou, sem conseguir se conter. Seu coração estava acelerado e suas bochechas, rosadas.
Teddy riu levemente e se aproximou dela.
- Qual é, Vicky, eu já disse que...
- É, que eu sou a única que você quer beijar. – Ela disparou. – Sabe, não parece.
Ele estranhou o comportamento dela. Sabia que ela já tinha ficado com ciúmes uma vez, mas nunca a tinha visto daquela forma.
- Vicky, é de você que eu gosto. A Susan é só minha amiga.
- Mas vocês já namoraram, não é? – Ela disse, sentindo vontade de chorar. Não sabia de onde estava vindo aquilo, mas sabia que não ia conseguir parar agora que tinha começado.
- Sim, mas terminamos. Por sua causa, inclusive. Porque eu sempre gostei de você!
- E ela, Teddy? Será que ela te superou? Será que ela queria esse término? Porque ela não faz questão nenhuma de esconder que não gosta de mim, não é? Nem ao menos me dirige a palavra!
Teddy respirou fundo.
- É só o jeito dela, Vicky. Ela é meio doidinha assim mesmo. Não leve a mal.
A moça balançou a cabeça, soltando as mãos das do rapaz.
- Não dá, Teddy. Eu realmente não consigo entender. É um comportamento muito estranho. E não consigo não pensar que ela não sinta mais nada por você.
- Vicky, por favor...
- Quer saber, deixa pra lá. Afinal, ela é sua melhor amiga e eu não sou nada sua ainda.
E, dizendo isso, ela respondeu rapidamente à pergunta que a gárgula fez, adentrando o salão comunal da Corvinal e deixando um Teddy pensativo no corredor.
Continua...
