CAPÍTULO 02

Rin correu entre as árvores para se encontrar com o irmão mais velho. O tecido vermelho da yukata, que pertencera a mãe quando mais nova, apertava seus quadris e impedia que aumentasse sua velocidade.

O tempo só havia agraciado aos dois irmãos. Rin, três anos mais novas que Nagano, tinha curvas, um cabelo brilhoso, sedoso e um rosto mimoso que conservara da infância.

Nagano tinha vinte anos. Em seus anos de treinamento, seus músculos ficaram delineados, sua voz ficara forte e poderosa como um trovão. Ele era um líder nato, um exímio lutador.

Nagano retirou a armadura e a yukata e colocou-as sobre o piso de madeira na varanda. Rin atravessou o jardim e abraçou fortemente o irmão.

_ Irmãzinha - cumprimentou ele antes de se afastar para afagar o cabelo castanho de Rin. - Há quanto tempo.

_ Estava com tantas saudades - disse Rin, emotiva.

_ Não seja melodramática - disse Nagano, abraçando-a - Foi apenas um ano.

_ Foi apenas um ano - Rin o imitou, zombeteira. Seu irmão havia saído numa missão especial com o seu tio para reunir caçadores de outros vilarejos. Eles queriam colocar em prática "a" vingança.

_ Então... - Começou ela - Conseguiram encontrar... Caçadores?

_ Sim, eles estão na sala com os velhos.

Os dois retiraram seus sapatos e entraram na casa.

Rin nunca havia visto sua casa tão cheia antes. Com exceção, da família e de alguns visitantes que, esporadicamente, passavam por ali, não era um local de muita amotinação.

Os homens voltaram-se para olhar a jovem que vinha acompanhada do caçador. Nagano a apresentou e eles curvaram-se. Rin, tímida, retribuiu a mesura educadamente. Ela ia retirar-se da sala para se refugiar no quarto, quando seu avô pigarreou:

_ Rin, junte-se a nós - Ordenou. Rin assentiu com a cabeça, sem entender. Ela olhou para Nagano que assentiu, sem a encarar.

A sala ficou subitamente silenciosa.

Rin sentou-se ao pé do avô e olhou para os pais, questionadora, mas eles fitavam o chão. Sua tia Cho sentou-se ao lado e começou a acariciar seu cabelo.

Seu tio colocou-se no centro da sala, num local onde todo conseguiam enxergá-lo e começou aquela velha e conhecida história.

Falou sobre a eterna luta entre youkais e caçadores, sobre a força de espírito que os caçadores deveriam possuir e, finalmente, para deixar seu discurso com ares novelesco, sobre os filhos que haviam sido mortos por youkais.

Rin não se lembrava dos primos e achava aquela história um lixo. Diferente daquela história heróica que seu tio contara, a história real, que Nagano havia lhe confidenciado quando criança, estava recheada de covardice.

Nagano contava com seis anos na época e testemunhara o episódio do início ao fim escondido entre árvores da floresta enquanto brincava de caçador.

Eles haviam torturado um filhote de youkai, o mataram. Os pais do youkai fizeram apenas justiça.

Era vingança o que seus tios aspiravam. Matariam da mesma forma que os youkais haviam feito. No fim, não havia diferenças entre caçadores e youkais. No fim, todos queriam sangue.

Seu tio acabou a prosa e voltou-se para Rin, ajoelhou-se para que seus olhos ficassem da mesma altura e declarou como se estivesse a pedindo em casamento.

_ Preciso de sua ajuda.

Rin lembrou-se daquele dia de sua infância, que ficara escondido em algum recanto de sua memória e sentiu medo. Pela primeira vez na vida, ela temeu por sua vida.

Rin recebera um treinamento bastante vulgar e tinha pouco conhecimento sobre youkais. Como queriam ajuda dela?

Rin olhou para o irmão pedindo ajuda, mas ele não a encarou. Olhava para o horizonte pela janela, tentando controlar suas emaranhadas emoções.

Rin, então, olhou para seus pais. Sua mãe a encarou e assentiu com a cabeça.

Ninguém tinha coragem de desafiar o avô, que, anos antes, já havia autorizado sua participação na carnificina.

Rin, por fim, encarou o avô. Os olhos negros do avô a perfuraram, mas não era a ela quem ele enxergava. Ele enxergava um triunfo certo e próximo.

Naquele momento, a garota percebeu que não tinha escolha.

_ Sim - disse ela, assinando com sangue; sua mão guiada por uma nação.


Anny Taishou!

Sim, primeira leitora! E, até o momento, única! xD

Eu postei este capítulo em uma comunidade do velho (in memoriam) Orkut há alguns anos, mas estaquei no capítulo que você leu anteriormente. Só agora que a motivação retornou. Eu havia gostado muito do rumo que esta fanfic havia tomado... Em minha cabeça, é claro. :D

Continue lendo minha fic! Por favor. :D

Beijos. E valeu.