Desculpem a demora! Minha mãe me colocou de castigo e me devolveu o pc somente hoje! T.T

Anny, obrigada pela fidelidade! Novos leitores, sejam bem-vindos!

Boa leitura!


CAPÍTULO 3

O treinamento começara num dia nebuloso, inclinado à desventuras. Rin havia acordado cedo naquela manhã e espantou-se por não encontrar um batalhão a sua espera.

Sua tia Cho estava sentada elegantemente sobre a grama da clareira que havia nas proximidades da casa. Ela trajava um quimono festivo, seu cabelo estava preso num coque tradicional e bebericava chá na xícara de porcelana que a mãe guardava no alto de uma estante, intocável.

_ Bom dia, titia - Rin a cumprimentou enquanto sentava-se ao seu lado. Rin arqueou as sobrancelhas, questionadoramente.

_ Onde estão os guerreiros? Onde estão as armas? São as coisas que devem estar passando por sua cabeça agora, não é, meu bem? - Perguntou a tia colocando a xícara cautelosamente sobre uma pedra ao seu lado.

Rin assentiu com a cabeça. Seu cabelo selvagem caiu sobre seus olhos e Cho o acariciou como fazia de hábito.

_ Belíssimo cabelo - Observou Cho e suas mãos escorregaram para o rosto de Rin - Belíssimo rosto. Graças aos deuses.

Rin não entendia o caminho enredado para onde aquela conversa rumava. Também não entendia como mataria um youkai sem saber manejar uma katana ou qualquer coisa deste feitio.

Ela pigarreou.

_ Sim, querida? - perguntou a tia, encarando-a. Seus olhos aquilinos e insanos percorrendo seu rosto com um brilho de diversão e loucura.

_ Como... Como lutarei com um youkai sem saber, ao menos, segurar um katana?

_ Quem disse que lutaria?

Rin a olhou de soslaio, confusa.

_ Quem disse que lutaria? - Perguntou, novamente, a tia.

_ Apenas desconfiei. Então... o que farei?

Cho aproximou-se da sobrinha e tocou na borda do quimono simples que a garota usava. Ela o puxou lentamente, revelando a perna pálida e magra de Rin. A sobrinha tremeu e fitou Cho com os olhos arregalados, sem emitir um ruído.

_ Minha querida - Sussurou a tia em seu ouvido -, você terá que abrir mão de algo de grande estima, uma preciosidade.

_ Uma preciosidade? - Perguntou Rin com a voz trêmula. Não tinha tesouros, não tinha nada.

_ Menina ingênua.

A tia tirou a mão de seu quimono e voltou a acariciar seu cabelo.

_ Bom - Começou a tia -, você sabe como uma vida é gerada?

Na verdade, Rin não tinha idéia. Não conseguia nem imaginar como uma vida era concebida. Rin, sem medo, optou pela verdade. Negou com a cabeça.

_ Bastante negligentes, não? Os seus pais.

A tia contou-lhe como ocorria a concepção. O homem deitava-se sobre a mulher, abria suas pernas e a penetrava. Assim, a mulher a engravidava.

Rin ouvia, atónita, aquela história. Perguntava-se como uma vingança seguira para aquela conversa macabra.

_ E isso dói?

_ Dói, dói muito - Respondeu a tia - Principalmente na primeira vez.

_ Não quero fazer isso nunca! - Exclamou Rin, aterrorizada.

_ Pobre criança - Disse a tia, indiferente, segurou o rosto de Rin entre suas mãos e a encarou. - Todos temos incumbências. A sua será uma pouco mais incómoda que a minha e a de sua mãe.

_ Eu terei... - Rin soluçou - Eu terei que me deitar com um youkai?

_ Você terá que se deitar com um daiyoukai. Nossa vingança começará de cima.

Rin soluçou.

_ Eu tenho medo.

_ Não tenha - Disse a tia secamente - Não tenha medo de lutar por nossos mortos, por sua família... Por sua raça. Seus primos não temeram a morte!

Rin queria gritar, mas impediu aquela infâmia mordendo os lábios.

_ Sim, titia.

_ Você irá se tornar sua concubina e, quando ele confiar o suficiente em você a ponto de compartilhar seu leito constantemente, você nos levará até ele e nós o mataremos.

_ Mas pode haver falhas. - Observou Rin.

A tia levou a mão até a orelha da garota e a beliscou, fazendo-a sangrar.

_ Você não permitirá, não é?

_ Não - Soluçou Rin.

_ Pois bem - disse a tia, sorrindo - Hoje vou te ensinar como seduzir um you... Um daiyoukai.

Rin assentiu com a cabeça. As lágrimas embaçavam sua visão.

Naquela noite, Rin não dormiu. Ela queria gritar, queria fugir, queria morrer. Mas por respeito aos mortos, à sua família... À sua raça, não fez nenhum dos três. Ela permeceu com os olhos abertos, quieta, com lágrimas escorrendo pelo rosto, desencorajada por um futuro próximo, tingido de vermelho-sangue.