Desculpem a demora!
Neste capítulo, muitas emoções! *_*
Quero agradecer a Anny, Shiroi e aos outros leitores que estão acompanhando a fic. C:
Obrigada! Boa leitura!
CAPÍTULO 4
O novo lar de Rin localizava-se numa avenida obsoleta e apinhada. Rin sentia-se sem ar enquanto espremia-se entre as pessoas tentando atravessar de uma calçada para a outra.
O guidão de uma bicicleta chocou-se com sua mala de viagem, que caiu no chão de terra e seus quimonos novos espalharam-se pela sujeira e perderam-se sob os pés dos transeuntes.
As lágrimas turvaram sua visão. Rin ajoelhou-se e recolheu a mala e algumas roupas que não haviam sido perdidas.
A nova lar de Rin era, na realidade, um palecete boêmio. Era um local que visava somente o entretenimento masculino.
A dona era uma mulher de idade, que vestia-se luxuosamente e usava muita maquiagem. Para não encarar seu rosto branco como a morte, Rin encarava seus próprios pés.
Elas estavam dentro de uma sala titânica, que era ornamentada com flores e duas poltronas felpudas nas quais se encontravam sentadas.
A mulher tragou um cigarro, ergueu a cabeça e deixou que a fumaça saísse pelo nariz.
_ Meu nome é Kanazuki - disse ela com a voz seca. Rin comparou a voz com navalhas acariciando seus ouvidos.
_ Como deve ter percebido, aqui não é uma residência comum - Continuou.
Rin assentiu com a cabeça. Havia ficado deslumbrada com as mulheres suntuosas com as quais havia se deparado quando entrara na casa.
_ Aqui vivem as melhores cortesãs do Japão - disse ela, revirando os olhos. Rin perguntou-se se Kanazuki fazia aquele discurso para todas as pessoas que pisavam ali. - Nossas garotas divertem tanto humanos quanto youkais...
Rin assentiu com a cabeça novamente. Estava muito nervosa, perguntando-se se seria capaz de realizar aquela tarefa.
Uma garota de tez pálida e que trajava um quimono esplendoroso adentrou a sala.
_ Esta é Naomi - Disse Kanazuki - Ela irá te acompanhar até as suas instalações.
Kanazuki olhou Rin da cabeça aos pés e fez uma careta.
_ Sugiro que utilize roupas mais... Adequadas.
Rin corou.
_ Na verdade - Falou com a voz baixa -, perdi a maior parte de meus quimonos quando cheguei aqui.
Kanazuki ergueu as sobrancelhas, questionadoramente.
_ A mala caiu no chão e...
_ Não quero ouvir nenhuma explicação - Exclamou a mulher e apontou para Naomi - Quero que pegue no armazém alguns quimonos. De tecido bom, ouviu?
_ Sim, senhora - Respondeu Naomi fazendo uma vênia para Kanazuki. Rin a seguiu.
O novo cômodo não era luxuoso como o restante da casa. Era um quarto pequeno, abafadiço e escuro. Seu único charme era uma enorme janela que tinha vista para toda a cidade. Rin, deslumbrada, colocou a mala sobre a cama e deslocou-se até a janela, onde apoiou os cotovelos sobre a borda e admirou o cenário.
Ela colocou os novos quimonos ao lado da mala e sentou-se no chão, próxima a parede.
Rin descansou a cabeça sobre os joelhos e fechou os olhos. A cada instante, sentia a pressão daquela missão sobre si. Ela temia a dor, o fracasso... Mas tinha que ser forte! Mesmo que não apoiasse o motivo da vingança, ela tinha que honrar a sua família.
Enquanto pensava nisso, Rin desejou ter nascido em outra família, noutro lugar, em outra época, e adormeceu no chão. Ela não viu quando a noite se aproximou serenamente e as pessoas acenderam lanternas vermelhas em frente as portas.
As damas de Kanazuki, assim como faziam todas as noites, vestiram seus melhores quimonos e começaram a tocar o shamisen para receber os visitantes ilustres. Rin também não viu a carrugem faustosa que se acercou de sua nova morada.
As mulheres de Kanazuki esticaram seus pescoços e deram risadinhas maliciosas para o senhor daquelas terras.
_ Senhor Sesshoumaru - Cumprimentou Kanazuki fazendo uma vênia exagerada para o senhor. Sesshoumaru fez um gesto com a cabeça. Com o movimento, algumas mechas de seu cabelo longo e prateado caíram sobre seus olhos. Algumas garotas que tocavam shamisen suspiraram, extasiadas.
Sesshoumaru, indiferente a toda aquela explosão hormonal, atravessou o corredor e adentrou o salão circular onde seus militares o aguardavam. Alguns generais estavam bêbedos e tentavam levantar o quimono de algumas dançarinas.
Sesshoumaru desprezava aquele tipo de encontro social, mas era necessário. Aqueles homens haviam dado a vida por suas conquistas, era o mínimo que ele poderia fazer.
Uma mulher de lábios vermelhos deitou a cabeça sobre seu ombro e alisou seu cabelo prateado. Sesshoumaru encarou aquela mulher ousada, perguntando-se se deveria ser grosseiro ou ignorá-la. Escolheu a segunda opção.
_ Kamigata-mai! Kamigata-mai! Kamigata-mai! - Gritou alguns dos generais.
_ M-mas... - Disse uma das mulheres. - Não há ninguém aqui que saiba dançar isso.
_ Shh - Sibilou Kanazuki e apontou para Naomi que estava afinando seu shamisen - Chame a garota nova, Naomi.
Naomi assentiu com a cabeça e subiu as escadas. Rin ainda dormia sentada.
_ Ei, menina - Chamou Naomi - A senhora Kanazuki está lhe aguardando. Arrume-se! Depressa!
_ M-mas... Como? - Balbuciou Rin. Naomi bufou e puxou Rin pelo braço. Ela pegou uma escova e começou a pentear o cabelo longo e castanho da garota. Naomi escolheu um quimono branco com o obidourado e rico em detalhes. Ela prendeu o cabelo de Rin em um coque e colocou uma flor vermelha como ornamento.
_ O que farei? - Perguntou Rin descendo as escadas com Naomi.
_ Os homens querem que alguém dance o kamigata-mai- Respondeu Naomi - A senhora Kanazuki escolheu você.
_ Mas eu não sei dançar! - Exclamou Rin, atônita. A tia havia lhe ensinado como seduzir um homem sob lençóis, não dançando.
_ Pelos deuses! - Exclamou Naomi pegando seu shamisen - Faça alguma coisa!
Rin parou no centro do grande salão circular e observou os homens ruidosos que haviam lhe exigido o impossível. Ela reparou no cabelo exótico do homem apático que a fitava. Um youkai.
Rin, nervosa, fez uma vênia para eles. Alguns homens assobiaram e Rin corou violentamente.
O silêncio fez-se presente somente por alguns instantes, até que o som do shamisen inundou a sala.
Faça alguma coisa! Qualquer coisa!
Rin começou a cantar uma música que Nagano costumava cantar quando eram crianças.
Haru ni saku hana Natsu hirogaru sora yo
Kokoro no naka ni Kizamarete kirameku
Asa ni furu ame Mado o tozasu hi ni mo
Mune ni afureru Hikari wa kumo no ue
(...)
O som do shamisen cessou e somente a voz de Rin podia ser ouvida. Nenhum homem reclamou. Quando Rin concluiu a canção, uma salva de palmas a fizeram corar ainda mais. Sesshoumaru também apladiu. Seus olhos e os de Rin encontram-se por alguns instantes até que a menina quebrou o contato visual abaixando os olhos.
A senhora Kanazuki colocou-se ao lado de Rin e deu um beijo em sua bochecha. Rin aspirou o cheiro de cigarro e quis espirrar.
_ Eles todos vão querê-la. Todos. - Comemorou Kanazuki murmurando em seu ouvido. Rin, corada, fez uma vênia, retirou-se da sala e voltou para o quarto. Suas mãos tremiam. Ela não ia conseguir dormir de novo.
