Capítulo 5
Fazia alguns dias que Rin encontrava-se sob a proteção de Kanazuki. Após aquela improvisada apresentação, boatos começaram a surgir. Rin não sabia se deveria preocupar-se ou não com o que escutava.
As pessoas falavam que ela era um anjo profano cuja voz doce era como o canto de uma sereia.
Naomi gargalhava quando contou o que acabara de escutar a Rin. As duas estavam sentadas sobre o carpete na sala de Kanazuki.
A senhora estava sentada em uma de suas poltronas, tragando um cigarro como de hábito. Rin torcia as mãos e mordia os lábios.
_ M-mas... - Começou a garota - Isto é ruim?
_ Claro que não! - Exclamou Kanazuki encarando Rin - Você não entende? Quanto mais especulam sobre você, mais intrigante você se torna.
_ Senhora Kanazuki, as pessoas estão se perguntando se sou filha de algum deus pequeno ou se sou alguma criatura encantada... Isso... Isso é ridículo.
_ Não importa - Disse Kanazuki, rude, e voltou a tragar o cigarro.
Rin assentiu com a cabeça.
_ Os homens estão encantados, senhora Kanazuki - Observou Naomi ignorando o fato que a última palavra pertencia a Kanazuki - Dizem que até o senhor destas terras está.
_ O senhor destas terras? - Perguntou Rin, confusa. Naomi assentiu com a cabeça.
_ Sim, sim - Respondeu - Um homem bastante poderoso, o senhor das terras do Oeste... Um youkai.
Rin arquejou.
_ Um daiyoukai - Corrigiu Kanazuki voltando-se para encarar Rin. - Seria tão conveniente!
Que ironia! Ela não encontrara o daiyoukai; o daiyoukai quem lhe encontrara.
A porta se abriu bruscamente. Uma mulher pálida, de lábios vermelhos e cabelo cor de ébano adentrou na sala com passos firmes. Era um vulcão em erupção.
_ Meu daiyoukai; meu Sesshoumaru - Disse a mulher encarando Rin. Seus olhos negros estavam ardendo, com raiva. - Meu! Meu! - Exclamou.
Rin arregalou os olhos, atônita. Não entendia aquela força da natureza em ação nem queria.
_ Silêncio, Kagura - Ordenou Kanazuki sem alterar seu tom de voz. Kagura ajoelhou-se aos pés de Kanazuki ora encarando Kanazuki -, implorando por compreensão, - ora encarando Rin ferozmente. Choramingou.
_ Que mulher infantil - Disse Kanazuki - Ouvindo as conversas atrás da porta, hein?
Kagura não parecia envergonhada.
_ Não fiquei abalada quando soube do sucesso que essa coisinha fez naquela noite - Ela bufou -, mas ouvi rumores sobre o possível interesse que o meu adorável senhor demonstrou por este inseto... Não pude aguentar! Bisbilhotei a conversa, sim!
_ Kagura-san - Disse Naomi -, eu não confirmei nada. Eu apenas comentei o boato.
_ Eu sei! Eu sei, menina. - Respondeu e avisou a Rin - Mas, de qualquer forma, não se aproxime do meu senhor.
_ Se ele aproximar-se dela? - Perguntou Kanazuki omitindo um sorriso. Kagura empalideceu.
_ Então... Então... - Gaguejou. Kanazuki sorriu.
_ Não há nada que nós possamos fazer, minha querida. - Disse ela - Nós somos suas subordinadas e nada mais.
Kagura choramingou e saiu, correndo, da sala. Antes, porém, lançou um olhar raivoso em direção a Rin.
Rin encarava as próprias mãos.
_ Deixe-nos a sós, Naomi - Rin ergueu a cabeça e viu Naomi erguer-se e fechar as portas rapidamente.
_ Eu sei porquê a sua família te entregou a mim - Sussurrou Kanazuki tragando o cigarro. Rin arregalou os olhos. - Não se preocupe, menina. Venho de uma família de caçadores e por isso sou obrigada a guardar o seu segredo.
Rin assentiu com a cabeça.
_ Mas não posso facilitar seu trabalho - Continuou Kazanuki - Se o fizesse, seria bastante suspeito. Você terá que seduzir o senhor Sesshoumaru com suas armas.
Rin assentiu com a cabeça novamente.
Ainda tentava digerir o fato que sua missão não era tão oculta quanto acreditava.
_ O máximo que poderei fazer por ti - Disse a mulher - É te aproximar o suficiente do daiyoukai. Ele é bastante reservado e tenho a obrigação de te avisar que o sucesso dessa missão dependerá, principalmente, da sua sorte.
Eu tenho que conseguir, pensou Rin. De qualquer forma.
_ O senhor Sesshoumaru é um youkai, digamos, incomum. - Observou Kanazuki - Não é pomposo, não é injusto. Ele é discreto e, de forma bastante peculiar, charmoso. Diria até que ele é... Bom. Porém é poderoso... Muito poderoso. E é por isso que você está aqui.
Rin tentou imaginar este tipo.
Nunca encontrara um youkai na vida e sua tentativa de conceber na mente uma criatura que aprendera a temer desde pequena era... Assustador.
Como emprestar nobreza a um ser que habitara seus pesadelos?
_ Se ele é bom - Perguntou Rin - Por quê terei que matá-lo?
_ Porque sua família o manda - Respondeu Kanazuki, impassível. Rin assentiu com a cabeça lembrando-se da carnificina sem motivo que dera origem a esta vingança.
Tenho que obedecê-los, lembrou-se Rin, tristonha.
_ O que farei então? - Perguntou encarando Kanazuki. A mulher lhe deu um sorriso que não chegava aos olhos e explicou, parte por parte, o plano.
Olá, gente! Comecei ontem (?) e finalizei o capítulo hoje às 01:00h! Perdoem os erros ortográficos, de pontuação...
No próximo capítulo responderei aos comentários do leitores. Sério.
Estou com sono agora.
Obrigado a todos por lerem a fic e espero que tenham gostado.
