CAPÍTULO 06

"E então há tempos em que os lobos estão em silêncio e a lua está uivando."

- George Carlin

Os dias haviam transcorridos lentamente. As dançarinas estavam inquietas, afinal, uma grande festa aconteceria naquela noite. Rin acordara e estranhara aquela agitação. Estava sonolenta, com o cabelo emaranhado e a visão, turva. Kanazuki batia suas mãos enrugadas e gritava para retirar as garotas do estado de inércia predominante. A fila para o banheiro estava grande e Rin fora empurrada em direção a ela.

- O senhor Sesshoumaru é um homem tão bom. – Ela escutou Kagura dizer a uma amiga, que também estava na fila. – Agradar ao seu exército dessa forma. São poucos líderes que reconhecem a importância dos homens que erguem a espada.

- Você queria ver a espada do senhor Sesshoumaru erguida. – Disse a colega. As duas irromperam numa gargalhada. Rin corou, violentamente. Se fosse competir com Kagura pela atenção do Sesshoumaru, suas chances de conquistá-lo eram poucas.

Quando retornou ao seu quarto, com o cabelo e a pele ainda úmidos, Rin encontrou o quimono mais lindo que já tinha visto sobre sua cama. Mal ousara tocá-lo. Segurava a toalha com uma das mãos, respirando lentamente, admirando aquela obra de arte em seu simples quarto.

Alguém bateu na porta e, então, a arrastou para adentrar no quarto. Era Naomi, que fora mandada pela senhora Kanazuki até ali, para arrumar o cabelo de Rin e para maquiá-la. Rin se sentou em uma cadeira para que ela pudesse arrumá-la.

- Esse quimono é tão lindo. – Comentou Rin, enquanto Naomi maquiava seus olhos.

- É, sim. – Respondeu a garota. – A senhora Kanazuki foi quem me mandou deixá-lo em seu quarto.

Rin tinha que agradecê-la mais tarde. Naomi havia terminado sua parte. Ela pegou um pequeno espelho, que ficava escondido sobre o armário, e mostrou seu trabalho a Rin. Havia um delineado em seus olhos e sua boca estava avermelhada, como se fosse cereja. Seu cabelo negro estava preso num coque. Ela estava deslumbrante.

- Nossa, Naomi – Exclamou Rin – Mal posso me reconhecer. Que mágica foi essa que fez?

Naomi riu.

- Apenas evidenciei o que você já tinha de belo.

Rin gargalhou. – Muito obrigada por isso.

O castelo no qual Sesshoumaru vivia. O castelo que lhe pertencia. Estava todo iluminado com lanternas. As carruagens que o Senhor do Oeste mandara para levar as dançarinas pararam em frente aos imaculados portões, feitos de mogno, ostentando opulência. Rin ergueu a cabeça, vislumbrando aquela faustosa fortaleza. A maioria das dançarinas exclamou, exultantes, maravilhadas com tamanha beleza. Elas desceram e foram recebidas por um bando de generais, que ergueram seus copos, cheios de saquê, e deram-lhes uma saraivada de palmas. As dançarinas de Kanazuki se espalharam pelo grande espaço. Rin percorreu o cômodo, admirando os exóticos objetos espalhados. Havia a estátua de um homem nu; a pintura de uma figura mitológica, que Rin reconhecera por conta de um livro esquecido, há muito tempo, em seu quarto. A impressão que Rin tivera daquele homem era que um colecionador seletivo, de extremo bom gosto, um viajante e um conquistador – como Alexandre, o Grande. Ela sentiu uma mão agarrar seu braço e um hálito de álcool em sua bochecha.

- Que menina deliciosa você é. – Disse o general bêbado, tentando encostar seus lábios nos lábios de Rin. – Você não quer me acompanhar até um lugar mais privado, não?

- Ela não quer. – Disse Kanazuki, aproximando-se. O homem fez uma vênia para Kanazuki e saiu à procura de outras mulheres que não estivessem sob os olhos da velha. Rin corou. Kanazuki a encarou e, sob aquele olhar aquilino, Rin, encantada por todas aquelas luzes e obras de arte, lembrou-se sua missão. Ela abaixou a cabeça, envergonhada.

- Não perca seu tempo, menina. – Disse a mulher – Procurei o daiyoukai e ele não está aqui. Kanazuki não largava seu fumo nem na casa alheia, encarando a menina, tragou seu cachimbo. Um soldado bêbedo esbarrou na mulher, que tropeçou em Rin, jogando um pouco das cinzas de seu cachimbo sobre o tecido nobre de seu quimono.

- Perdão. – Disse o soldado, ajudando a velha a se levantar.

- Veja o que você fez! – Gritou a velha, beliscando a orelha do homem musculoso e alto, e apontou para a roupa de Rin. Ela havia se encolhido, mal havia notado o estrago.

- Perdão. – Repetiu o homem, fazendo uma vênia para Rin. Ela ergueu os olhos, sobressaltada.

- Não, não tem problema – Gaguejou ela. – Diga-me apenas aonde fica o banheiro que eu resolverei isso.

O homem assentiu com a cabeça e apontou para a empregada, tão pequena e silenciosa que Rin nem havia notado sua presença de início. Foi em direção a mulher, que já possuía cabelos grisalhos, mas tinha a feição intocável pelo tempo. Tinha olhos bondosos, que cativaram Rin instantaneamente.

- Licença, senhora – Disse Rin, fazendo uma vênia. – Poderia me informar aonde posso encontrar o banheiro?

- Basta subir às escadas – Respondeu a mulher, de uma maneira meiga, que Rin achou intrínseca a ela, durante sua breve análise. A garota assentiu e agradeceu. Subiu as escadas, encantada pela madeira fina que deslizava sob seus dedos. Estava escondida sob as sombras, afinal, somente a parte de baixo estava iluminada. Deparou-se num labirinto; três corredores despontaram em sua frente e Rin não sabia por onde ir. Escolheu, ao acaso, o caminho de frente a ela, guiada por uma mão invisível que não lhe dava alternativa. Estava imersa na escuridão e o caos e o barulho, que reinavam na festa, pareciam não chegar ali. Sua visão adaptou-se a escuridão e a pouca luz, da lua, que adentrava por uma claraboia no teto, facilitaram sua passagem.

Estacou quando viu um portal em frente. Hesitante, com os dedos trêmulos, por razões que lhe eram desconhecidas, arrastou a porta para o lado e adentrou o espaço, com as costas viradas para o cômodo. Sentia o ar faltar em seus pulmões, da mesma forma que, em sua infância, sentia-se ao se aproximar de um perigo iminente. No entanto, não havia perigo algum, não havia ninguém ali, o Senhor do Oeste estava fora e tudo aquilo era coisa de sua cabeça. Ela se virou, soltando um suspiro. Olhos rubros a encaravam. A luz da lua iluminava o quarto por uma enorme porta de vidro, que fazia a divisória do quarto com uma varanda. Ela havia errado o caminho. Ela havia adentrado em um quarto. Ela estava no quarto de Sesshoumaru, o daiyoukai, o senhor daquelas terras.

- O que faz aqui? – Perguntou ele, com sua voz fria. A menina se encolheu, aproximando-se da porta, querendo sair dali de qualquer forma.

- Achei que estivesse no banheiro. – Disse ela, com um fio de voz. O youkai acendeu uma lamparina e, então, ela pode enxergá-lo. Estava sentado em uma poltrona, as pernas cruzadas e as mãos juntas, como se estivesse orando. Sua tez pálida e a marca da lua em sua testa pareciam se iluminar. Seus olhos gélidos a encaravam.

- Acho que está errada.

- Eu notei. – Murmurou ela, sem notar que sua resposta poderia ser tida como um atrevimento pelo daiyoukai. Ele arqueou a sobrancelha. Rin mordeu o lábio, para controlar o tremeluzir de sua boca e aquilo que dizia. Quando estava nervosa, Rin abria-se a falar. Até então, não considerava isso um defeito. Agora, era uma lástima.

- Você é a nova garota de Kanazuki. – Disse ele, subitamente. Rin, sobressaltada, assentiu com a cabeça.

- Sou, sim. – Respondeu ela. Ele a encarava e ela o retribuía. Aqueles olhos, que voltaram a se tornar castanhos claros, eram hipnotizantes.

- Era você quem estava cantando daquela vez.

Ela voltou a assentir. Sesshoumaru havia a notado e ela não sabia o que dizer.

- Serei sincero com você. – Disse ele – Pedi a Kanazuki que a conduzisse até o meu quarto essa noite, mas, pela sua reação, parece que a velha não te disse nada.

Rin ficou congelada. Kanazuki sabia que o Senhor do Oeste estava ali e não havia a contado nada.

A garota juntou dois mais dois. O óbvio se revelou. Tudo aquilo que havia se passado lá embaixo não passara de uma encenação. O soldado esbarrando na velha; as cinzas sobre seu quimono; a empregada não indicando o caminho. Somente pelo acaso ela chegara até ali. Até o destino parecia brincar com ela. Kanazuki sabia de seu receio em perder a virgindade, em brincar aquele jogo perigoso de sua família. Sabia que hesitaria na porta do daiyoukai e ele, com todo seu poder, iria perceber alguma coisa de errado. O tiro sairia pela culatra. A velha era uma raposa e Rin sentia-se estúpida.

- Eu não sabia. – Murmurou a menina, sendo sincera e cabisbaixa.

- Espero que você não recline meu pedido – Disse o youkai, com a voz rouca. Rin o encarou, assustada e impressionada pelo fato de ele não ter dito "ordem", mas sim "pedido". Era irônico que o destino quisesse a morte daquele homem. Não parecia nem um pouco ameaçador assim de perto.

- Não irei – Disse ela, com a voz baixa e com a cabeça baixa. Sentiu uma brisa suave tocar sua pele e, antes que pudesse erguer a cabeça, o youkai estava em sua frente, encarando-a com aqueles orbes dourados. Ele ergueu a mão e tocou em seu cabelo negro, cheirando-o.

- Você tem um cheiro delicioso – Disse ele, com a voz rouca.

- Rin. – Respondeu a menina, encantada pela aproximação do youkai. Não podia negar o quanto era belo e sua voz parecia seda em sua pele. Ele é um youkai, lembrou uma vozinha interior, e ela tremeu.

- O que disse? – Perguntou ele, voltando a encará-la.

- Meu nome é Rin, senhor.

- Rin – Ele repetiu e se abaixou para tocar seu pescoço com seus lábios. Rin tremeu, mas dessa vez não fora por medo. A tia não havia a preparado para aquela sensação e ela se surpreendeu por sentir prazer, quando não deveria. Sentiu a língua do youkai deslizando sobre seu pescoço e não conseguiu evitar que um gemido de êxtase escapasse de sua boca. Sesshoumaru afastou-se para encará-la.

- Desculpe-me – Disse ela, corada, achando que tinha feito algo impróprio. A sombra de um sorriso formou-se nos lábios do daiyoukai. Ele retornou para ela e tocou em seu pescoço. Seus dedos foram deslizando, até que adentraram o quimono de Rin e tocaram em seu mamilo, que logo intumesceu. Rin gemeu. Dessa vez, levantou os braços e os colocou em volta do pescoço de Sesshoumaru, para que ele não escapasse. Essa não era intenção do youkai. Ele se abaixou e retirou a faixa da cintura da garota, deixando que o quimono caísse no chão.

Voltou sua atenção para o outro seio e Rin continuava a gemer. Ele voltou a se afastar dela.

- Por favor, não – Implorou ela. Estava trêmula, estava nua, estava fervilhando. Nunca achou que seria capaz de ficar excitada por um homem que não amava, que nem conhecia. No entanto, ali estava ela, extremamente acesa, colocando em dúvida todas as suas crenças.

Os orbes do youkai, escurecidos pelo desejo, perscrutaram todo o corpo da garota, deleitando-se com aquela visão.

- Deite-se – Ordenou ele, com a voz rouca, apontando para a enorme cama, próxima à parede de vidro. Rin se desvencilhou do tecido em seus pés e correu para a cama. Sentou-se cuidadosamente e encarou o youkai, esperando seu próximo passo. Estava corada, de vergonha e êxtase, mas desejava sentir.

- Abra suas pernas. – Ordenou o youkai, de longe, encarando-a. Rin hesitou por um instante, mas o fez, cabisbaixa. Sesshoumaru retirou sua roupa e as jogou de lado. Rin ergueu a cabeça para observar, pela primeira vez, a nudez masculina. Percorreu os olhos por seus ombros másculos, os músculos delineados de seus braços e de seu abdômen e arregalou os olhos ao ver o enorme falo ereto do youkai. Engoliu em seco.

- Algum problema? – Perguntou Sesshoumaru, com a sobrancelha arqueada.

- Nenhum – Respondeu Rin, desviando a vista para a parede. Sesshoumaru se aproximou dela e se abaixou, encarando a vagina de Rin. Rin voltou sua atenção para o youkai, perguntando-se o que ele faria a seguir. Ele lambeu seu clitóris e Rin gritou, sobressaltada.

- O que você está fazendo?

- Quieta. Deite-se. – Disse o youkai, zangado. Novamente, ele lambeu o clitóris e Rin fechou os olhos, envergonhada. Ele fez movimentos circulares com a língua e alternou o toque naquela área sensível com a língua e com os dedos. Depois do choque inicial, Rin deixou-se conduzir por aquelas sensações. Voltou a gemer alto e - sem se importar com o fato de que ele era um daiyoukai, um lorde, ou qualquer título superior que o dessem – tocou em sua cabeça para que ele intensificasse os movimentos que ele fazia. Ele o fez e Rin arfou. Tirou a atenção daquele pontinho – Rin exclamou – e foi progredindo em direção aos seios de Rin. Ele se ergueu, voltou a beijar em seu pescoço e então a encarou. Por um instante, ficaram os dois apenas se encaram, sentindo o desejo no olhar de ambos. Com arrojo, Rin abaixou sua mão e tocou no pênis duro do youkai. Ele soltou um gemido alto e fechou os olhos. Rin pensou, no momento, que nunca vira cena mais bela. Começou a fazer movimentos no falo rígido do youkai, sentido a quentura que provinha daquele órgão que lhe era alheio. Ela observava as reações do youkai, em transe e maravilhada. Sem conseguir se conter, desobedecendo uma das principais ordens da tia, ela o beijou e ele retribuiu aquele beijo. Retirou a mão de pau e colocou-a sobre o ombro do youkai. Sem interromper o beijo, ele se encostou nela e ela sentiu a rigidez sobre a sua barriga.

- Eu vou te penetrar – Avisou ele em sua boca. Rin tremeu, sentia medo da dor da penetração.

- Eu preciso te dizer algo, meu senhor – Disse ela. Sesshoumaru ergueu-se para poder encará-la. – Eu sou virgem. Tenho medo que isso possa doer.

- Uma virgem? – Perguntou o youkai, surpreso, e apoiou-se em um dos braços para poder encará-la. – Kanazuki não me disse. Por que você não me disse? Por que você não recusou meu pedido?

- Porque eu não quis – Sussurrou Rin, corada, encarando-o. Sesshoumaru sorriu.

- Já que esse é o seu desejo – Rin assentiu. – Farei o que estiver em meu encalce para atendê-lo.

Ele deixou que a ponta de seu pênis tocasse no clitóris de Rin. Ela gemeu.

- Tentarei ser o mais gentil possível – Disse ele, sério. – Avise-me caso eu a machuque.

Com uma estocada, adentrou na cavidade úmida da garota. Rin deu um grito e mordeu o ombro de Sesshoumaru. Ele ficou parado por uns instantes, esperando que a garota se acostumasse com aquela intrusão. Ela começou a se remexer embaixo dele, ansiando por alguma fricção, por algum movimento de seu senhor. Ele entendeu o pedido da garota e começou a se movimentar, dando estocadas leves. Leves demais para a força de seu desejo.

- Mais rápido – Implorou Rin, com a voz rouca, apertando as nádegas do youkai. – Mais forte.

Ele deu estocas duras e ágeis, saciando seu desejo e o de Rin. Ele gemia e ela também. Sesshoumaru abaixou-se e beijou a garota com avidez. Ela queria tudo dele. Seus olhos estavam rubros e suas garras começaram a se sobressair. Rin nem percebeu, extasiada por aquelas sensações. Os movimentos ficaram mais duros. A respiração dos dois mais desregulada, arfantes. Então, os dois atingiram o orgasmo no mesmo instante. Rin mordeu o ombro do daiyoukai para impedir que um grito escapasse de sua garganta. Sesshoumaru gemeu.

O daiyoukai deixou-se cair por sobre a garota e Rin pôs os braços ao seu redor. Os dois esperaram a respiração se estabilizar, com Sesshoumaru dentro dela. Ele se retirou lentamente dela e Rin sentiu uma enorme falta dele dentro dela. Vencida pelo sono, sem nem ao menos pedir permissão ao daiyoukai, sem nem ao menos lembrar que ele era um daiyoukai, encostou-se no ombro dele e adormeceu. Sesshoumaru a encarou, dormindo. Voltou à visão para o teto e deixou que um braço repousasse sobre as costas de Rin. Desconhecia aquele sentimento que se apoderava dele, mas não impediu sua chegada. Então, adormeceu.