Enquanto ia de metrô para o trabalho na manhã seguinte, Lily ouviu as palavras do Sr. Potter ecoando em sua mente. A melhor secretária que ele já tivera. Era o maior elogio que poderia receber. Era o maior que já recebera e, por mais lastimável que aquilo soasse, as palavras do Sr. Potter significavam-lhe tudo.
Lily disse a si mesma que era o forte calor do verão que a estava deixando afogueada e um tanto irracional, mas, na verdade, o que lhe acontecia tinha menos a ver com a elevação nos termômetros do que com seus próprios sentimentos.
Dali a dois dias estaria a bordo de um avião para a entrevista definitiva em Charleston e a temia agora, temia seu último dia na Investimentos Potter, temia tudo que se relacionava com sua saída.
Não deveria pensar naquilo, disse a si mesma, enquanto o metrô parava na sua estação e ela se levantava. Ainda lhe restariam duas semanas antes de ter de dizer adeus. Não havia razão para sofrer por antecedência.
O conselho fora sensato, mas, no momento em que o Sr. Potter entrou no escritório, o coração de Lily disparou da mesma maneira de sempre.
O que havia naquele homem que ela amava tanto? Observou-lhe os olhos, os lábios, o queixo e, embora os traços fossem perfeitos, seu interesse tinha menos a ver com a beleza física do que com a intensidade que havia por trás.
Havia algo no homem, pensou, algo mais profundo, mais complexo do que ele queria revelar. Mas o que era?
— Bom dia, Lily.
— Bom dia, Sr. Potter. — Ela conseguiu abrir um sorriso firme, profissional. — O presidente do Banco Gringotes acabou de ligar. Deseja que eu retorne a ligação?
— Ainda não. Tenho de cuidar de algumas coisas primeiro. Eu a avisarei quando estiver com tempo.
— Certamente, Sr. Potter. Há mais alguma coisa que eu possa lhe fazer no momento?
— Não. Apenas anote meus recados.
— Sim, Sr. Potter. Farei isso.
Quando ele entrou em seu escritório e fechou a porta, Lily afundou na cadeira e cobriu o rosto com as mãos. Poderia soar mais patética? Sim, Sr. Potter. Não, Sr. Potter. O céu não está de um azul perfeito, Sr. Potter?
Soava como uma imbecil repetitiva. Sem dúvida, precisava arranjar vida própria.
Precisava ser boa em algo mais além de suas funções como secretária. Precisava ter outros interesses além de James Potter. Precisava parar de esperar que algo bom acontecesse.
E, de repente, lágrimas inundaram-lhe os olhos, lágrimas absurdas que não tinham nada a ver com trabalho, mas sim com o fato de querer tanto aquele homem e não saber o que fazer a respeito.
Uma vez que as lágrimas começaram, parecia não conseguir contê-las. Num instante, estava chorando porque era a filha mais nova, a mais desajeitada, a única que não era espetacular. Petúnia era linda, talentosa e incrivelmente popular. Ao contrário de Lily, que nem sequer tivera um par para acompanhá-la ao baile de formatura, Petúnia nunca havia perdido sequer uma festa na escola.
Ela jamais fora bonita ou especial e, por mais horríveis e embaraçosas que as lágrimas fossem, eram reais. Era difícil ser medíocre e apagada quando o mundo valorizava tanto o estilo e a beleza.
As lágrimas continuaram a rolar copiosamente e Lily, que acreditava firmemente que o escritório não era lugar de chorar, viu-se obrigada a apanhar um lenço de papel e tirar os óculos para enxugar os olhos.
— Voz está bem? — Era o Sr. Potter, sua voz soando junto à mesa. Ela não ouvira a porta de seu escritório se abrindo, nem seus passos se aproximando.
Esforçando-se para esconder as lágrimas, atirou depressa o lenço úmido no cesto de papéis.
— Sim, Sr. Potter. Estou ótima.
Ele percorreu-a com olhar, demonstrando evidente ceticismo, o cenho franzido.
— Pois não me parece nada bem. Quer ir para casa? Sair para almoçar mais cedo?
— Céus, não! Não são nem sequer nove e meia, e não é nada... Acontece apenas que... que...
— O quê?
— Eu cometi um erro.
— Tenho certeza de que pode ser reparado.
— Não, é tarde demais.
— Mas que erro foi esse?
— Em relação ao meu emprego. Este emprego e aquele a que me candidatei em Charleston. Não sei mais o que devo fazer. Não sei mais o que é certo... — Lily se interrompeu, lágrimas aflorando em seus olhos novamente e colocou os óculos depressa. Sabia que o que dizia não estava fazendo sentido, o que só a afligiu ainda mais. — Lamento — disse, respirando fundo, tentando se recompor. — Estou bem agora. Eu só estava com alguma coisa no olho...
— Acho que isso se chamam lágrimas.
Ela abriu um débil sorriso diante do gracejo. Foi um tanto tolo, mas apreciou-o.
— Sim, tem razão. E estou bem agora. Por favor, volte para seu trabalho e esqueça isto.
— É mais fácil dizer do que fazer.
— Está longe de ser algo impossível. — Lily virou-se para o monitor de seu computador, as mãos pairando acima do teclado, enquanto esperava que James desaparecesse.
Mas ele continuou ali, junto à mesa, emanando a deliciosa fragrância da colônia amadeirada. Ela levantou os olhos devagar, observando-o no elegante terno cinza-claro, admirando-lhe o queixo forte, os lábios másculos, sensuais. Às vezes, achava que seria capaz de qualquer coisa para ser beijada por aqueles lábios...
E ali estava outra vez, fantasiando, como fizera durante boa parte da noite anterior, em sua cama.
Imaginara-se andando na limusine preta de James por Manhattan, usando um vestido justo e acetinado, ambos se beijando sofregamente. Ele lhe afagara o seio, e ela soltara gemidos baixinhos, correspondendo ao beijo com ardor, ansiando cada vez mais por seu toque. Em seu sonho, não fora a velha e prática Lily, mas alguém excitante, uma mulher moderna, divertida e bonita. Mas, evidentemente, a manhã chegara, fazendo-a despertar para a fria realidade.
E James Potter ainda continuava ali, diante de sua mesa. Confusa, ela baixou as mãos até o colo.
— Precisa de alguma coisa, Sr. Potter?
Ele a observava de uma maneira bastante estranha. Fitando-a como se não fosse Lily, mas alguma outra pessoa.
— Sim. Quero saber mais sobre esse emprego em Charleston. Por que se interessou por ele?
Lily sentiu as faces afogueadas e hesitou antes de responder, mas não viu escolha.
— Pela necessidade de uma mudança — disse, enfim, desejando mais uma vez ser outra pessoa, alguém com estilo, com charme e poder de sedução, uma mulher cuja companhia fosse disputada pelos homens. Se bem que, na verdade, queria apenas um homem. James.
Mas sabia que esse era um desejo tolo e inútil.
Sentindo nova ameaça de lágrimas, redobrou seus esforços para contê-las. Tinha que manter seu controle. Seguir em frente. Porque mesmo que colocasse um vestido sofisticado e usasse um penteado sedutor, não se tornaria a top model do mundo de James Potter. Tinha de acordar. De crescer. Jamais seria o tipo dele.
— Mas você gosta de Nova York, não é? — persistiu James.
Ela engoliu em seco, vencendo o nó na garganta. Era evidente que gostava de Nova York, especialmente porque ele vivia na cidade.
— Sim, Sr. Potter.
— Então, o problema é aqui, no escritório.
Ela sentiu um aperto no peito.
— Sim.
Ele franziu ainda mais o cenho.
— Você não gosta de trabalhar para mim?
"Gostar" não definia exatamente as coisas. Era mais como uma situação de amor e ódio. Ela amava trabalhar para ele, mas odiava ser insignificante. Não queria ser a secretária de James Potter. Ansiava por ser sua... namorada.
Lily baixou o olhar, sentindo-se ainda mais tola.
— Então, sou eu — repetiu James.
— Não! — Ela levantou os olhos para fitá-lo, suas emoções tão fortes que teve certeza de que estava deixando transparecer o que sentia em seu rosto. Mas precisava dizer algo porque, obviamente, tinha explicações a dar. Havia a busca por outro emprego. O livro em sua mesa. Sua crise nervosa de momentos antes. Não estava se comportando com a sensata e previsível Lily de sempre.
— Não é por sua causa — disse numa voz um tanto rouca, embaraçada por estar prestes a desmoronar outra vez. — O problema é comigo.
— Eu não entendo.
Ela tornou a engolir em seco.
— Eu me apaixonei.
Houve um momento de pesado silêncio e, então, um músculo se retesou no maxilar dele.
— Por alguém daqui? Da Investimentos Potter? — Não podia ter soado mais incrédulo.
— Sim.
Não era mentira. Ela se apaixonara, estava confusa e jamais estivera tão emotiva em toda a sua vida.
James inclinou-se por sobre a mesa, aproximando-se mais.
— E ele não corresponde ao seu amor?
Ela piscou, sentindo os olhos ardendo, e mordeu o lábio inferior.
— Não. Ele não está nem um pouco interessado em mim.
— É casado?
— Não.
— Aproveitou-se de você?
Lily corou.
— Não. A situação não é essa. O problema é que ele não sabe que eu existo, enquanto que eu... eu...
— Você o quê?
— Eu sou louca por ele. — Lily desviou o olhar, desejando poder desaparecer como num passe de mágica. — Estou perdidamente apaixonada.
— Isso parece ruim.
— E é. — Ela sentiu-lhe a intensidade do olhar, expressando o que pareceu ser simpatia, e não a queria dele. — Foi por essa razão que comecei a procurar outro emprego. Soube que isto não estava dando certo e que uma mudança seria necessária. Achei que seria sensato colocar distância entro mim e ele.
James pareceu preocupado.
— Mas se ele não sabe...
— Não importa se ele sabe ou não, eu sei. Sei quando ele está aqui. Fico atenta a seus passos, a sua voz, a tudo. — Ela respirou fundo, lutando para manter o controle. — Mas é algo doloroso de mais. Não posso mais me submeter a isso.
James estudou-a por um momento longo e silencioso e, enfim, sacudiu a cabeça.
— Está certo. Diga-me o nome dele, e eu o despedirei.
Lily quase caiu da cadeira.
— Sr. Potter!
— Não vou deixar que uma de minhas melhores funcionárias arruíne sua própria carreira.
— Você não pode culpá-lo!
— Eu não o culpo. Mas, por outro lado, não vou ficar de braços cruzados observando você ir embora porque algum colega seu roubou seu coração. Se você não suporta vir para o trabalho porque o Sr. Parte Corações trabalha aqui, então dê-me o nome dele e vamos resolver isso logo.
Lily não podia crer que o chefe estivesse falando sério. Despediria alguém porque ela não estava mais contente ali?
— Não pode estar falando sério.
— Ele receberá uma excelente indenização trabalhista.
— Sr. Potter!
— E as melhores referências.
— Não.
— Quero o nome.
— Não. — O telefone tocou e Lily olhou para o visor do identificador de chamadas, onde o número e o nome de quem ligara piscavam. — É do Banco Gringotes novamente — disse, o coração disparando, as mãos trêmulas e, ainda assim, bastante grata pela interrupção.
— O nome dele.
O telefone tocou mais uma vez. Ela sentiu a tensão dominando-a por inteiro. Quando ouviu o terceiro toque não pôde continuar em silêncio
— Eu vou atender. Quer que eu lhe transfira a ligação, ou devo anotar o recado?
James não disse nada, os olhos fitando-a com intensidade. Parecia zangado e determinado, o maxilar rijo, a expressão grave.
Lily atendeu o telefone.
— Escritório do Sr. Potter. Em que posso ajudar?
Ele sacudiu a cabeça devagar e, antes de voltar para seu escritório, murmurou:
— Nossa conversa não terminou, Lily.
James ficou preso em seu escritório com a ligação do Banco Gringotes por quase duas horas antes de sair diretamente para uma reunião em outra parte da cidade.
Depois que ele saiu, Lily soltou um longo suspiro de alívio. Estivera com os nervos em frangalhos durante as duas horas anteriores e não ansiara por outra coisa senão a chance de escapar dali por algum tempo. Optou por um raro luxo... almoçar fora, rumando para seu restaurante favorito a duas quadras da Torre.
Mas nem aquilo conseguiu abrandar sua preocupação. Negócios e prazer não se misturavam. Carreiras eram destruídas por causa de romances no emprego. Seria desastroso continuar na Investimentos Potter por muito mais tempo.
Ela caminhou vagarosamente de volta para a Torre, tentando ignorar seu reflexo nas fachadas espelhadas dos edifícios, mas era impossível ignorar os óculos pesados, as roupas sisudas, os cabelos penteados severamente para trás, expondo um rosto que era a própria imagem do recalque. Da insatisfação.
Sim, uma virgem recalcada e insatisfeita. Era exatamente o que se tornara.
Parando, olhou para seu reflexo e odiou o que viu. Aquela não era ela. Não era como se sentia por dentro. Por dentro, era passional, ousada, segura de si. Por dentro, queria tudo e estava disposta a arriscar tudo...
Por dentro.
Ali estava o problema. Ninguém conhecia o íntimo de Lily. Ninguém via quanto podia ser divertida, nem seu lado aventureiro. Não, mantinha-o reprimido porque, quando se dera conta de que não seria sexy, popular ou bonita, decidira que seria melhor obter respeito.
Respeito. Bah! Respeito estava ótimo para matriarcas septuagenárias, mas ela tinha vinte e cinco anos. Não tinha vida social. Nenhum encontro. Nenhum romance.
Não era de admirar...
Impacientemente, ergueu a mão e desapertou o primeiro botão de sua sisuda blusa. Não queria ser recalcada. Não queria continuar insatisfeita, amarga. Não queria passar pela vida sem nunca ter experimentado nada.
Desapertou o segundo botão. Tornou a verificar seu reflexo. Continuava entediante, ainda uma virgem, e nem um pouco sexy.
E devia encarar os fatos, dois botões abertos numa blusa prática não eram exatamente uma transformação. O que precisava era de um milagre. O que queria era uma experiência que mudasse sua vida.
Daria qualquer coisa, pensou, se, por uma semana... não, se por ao menos um mês... pudesse se parecer com Tiffany do sexagésimo - terceiro andar. Sexy, cheia de curvas, sensual. Uma mulher capaz de enlouquecer os homens.
Atravessando o amplo saguão, ela apertou o botão do elevador e aguardou. Momentos depois, as portas se abriram, deixando sair uma pequena multidão. Lily colocou-se de lado para dar passagem às pessoas e, enquanto o fazia, Tiffany Saunders segurou seu braço.
— Ei! — exclamou ela, puxando-a para mais perto de si como se fossem amigas de longa data. — Acabei de ouvir as notícias. Deve haver um caos lá em cima!
— Que notícias?
— Sobre James Potter. O Homem do Ano da News Weekly. Não é incrível?
Lily piscou os olhos com ar confuso.
— Mas o Sr. Potter não é o Homem do Ano. Ele foi eleito o Homem mais Sexy...
— Não, não. Isto acaba de acontecer. A revista só chegará às bancas amanhã, mas o fato foi anunciado no noticiário do meio-dia de hoje. A mídia está por toda parte. Os repórteres estão tomando o edifício... — Tiffany interrompeu-se, os olhos arregalados. — Você não sabia? Onde estava?
Lily sentiu a boca seca.
— Estava fora, almoçando.
— Bem, querida, é melhor você ir lá em cima dar uma olhada porque o seu James Potter é o Homem do Ano!
O elevador expresso até o septuagésimo - oitavo andar sempre deixava Lily com a sensação de que seu estômago ia parar nos pés e, naquele dia, foi pior do que nunca.
Saindo do elevador, deparou com um frenético mar de repórteres e adiantou-se cuidadosamente pela multidão até a área da recepção do andar. A jovem recepcionista ficou logo aliviada em vê-la.
— Oh, felizmente você está aqui! — exclamou. — Eles se recusam a ir embora e continuam chegando sem parar, e eu não sei o que fazer.
— Estão aqui por causa do Sr. Potter?
— Sim. É por causa do prêmio de Homem do Ano. Os telefones não param de tocar... — Ela foi interrompida pelo telefone e contraiu o rosto, enquanto voltava a afundar na cadeira para atender o chamado.
Lily avaliou a multidão. Tiffany estava certa. Havia, de fato, um caos ali em cima. Cada repórter de cada jornal e estação de tevê devia ter um representante ali na recepção da corretora.
Pobre Sr. Potter.
A recepcionista desligou o telefone.
— E então, o que devo fazer, Lily? Como me livrarei deles?
— Diga-lhes que o Sr. Potter não está aqui.
— Eu disse, mas eles não se importam. Não sairão. Querem falar com o Sr. Potter e ficarão até que ele chegue.
Lily reconheceu a expressão consternada no rosto da pobre jovem e a consciência pesou-lhe. Não podia deixar uma garota de dezoito anos de Nebraska lidar sozinha com aquela multidão persistente, irredutível. Os jornalistas já aguardavam havia mais de uma hora e estavam impacientes.
Também sabia quanto o Sr. Potter odiaria retornar e deparar com aquela multidão. Ele nunca buscara as atenções da mídia, nunca quisera ser nenhum tipo de símbolo. Recusava entrevistas rotineiramente, evitava eventos sociais e fazia doações anônimas em vez de contribuir para instituições de caridade publicamente.
Nos seis meses anteriores, ela vira em primeira mão como a mídia o assediara. Reuniões de diretoria, corridas matinais pelo Central Park e encontros para jantar não eram nada além de oportunidades de boas fotos para a determinada imprensa.
James Potter não tinha sua privacidade respeitada.
Lily sentiu uma onda de lealdade e compaixão. Encarando a multidão barulhenta, colocou dois dedos na boca e assobiou. O som estridente silenciou a todos.
— Obrigada — disse ela num tom que denotava severidade. — Agora, há algo em que eu possa ajudá-los, ou estão aqui se candidatando a um emprego?
A pergunta provocou alguns risos relutantes, e o mar de jornalistas aproximou-se dela.
— James Potter está aqui? — perguntou um repórter, sua voz se elevando acima da dos demais.
— Não, não está — respondeu Lily.
— Onde ele está agora?
Ela cruzou os braços sobre o peito.
— Numa reunião do outro lado da cidade.
— Ele sabe que foi escolhido o homem do ano pela News Weekly?
Lily arqueou as sobrancelhas.
— O que você acha?
A multidão tornou a rir. Outro repórter deu um passo à frente.
— Quando espera que ele volte?
— Só depois que vocês tiverem ido embora.
E eles riram ainda mais, risos divertidos misturados a lamúrias pouco veementes. Sem poder evitar, Lily sorriu, dando-se conta de que parte da tensão na área da recepção, enfim, dissipara-se. Pela primeira vez em dias, sentia-se como se, finalmente, tivesse feito algo certo.
Naquele momento, pelo canto do olho, viu as portas do elevador se abrindo e, em seu interior, James Potter.
Seu coração disparou.
Os olhares de ambos se encontraram. O sorriso dela se dissipou e sentiu um forte anseio por todas as coisas que nunca tivera, por toda a paixão que nunca conhecera.
Que desejos impossíveis, pensou, que sonhos dolorosamente impossíveis...
Sacudiu a cabeça de leve, um gesto quase imperceptível que apenas James notou. Você não quer descer aqui, tentou lhe dizer. Você não quer passar por isto agora.
James permaneceu no interior do elevador, e as portas se fecharam silenciosamente.
Ele escapara.
Oi gente, quero agradecer de coração todo carinho e felicitações para com minha sobrinha e também aos elogios maravilhosos que recebi no cap passado. Muito obrigada Ninha Souma, Lady Aredhel Anarion, Joana Patricia e Guest. Beijos e até mais :*
