James lançou um olhar ao relógio de pulso. Aquilo devia ser um recorde. Tinham sido necessárias cinco semanas frenéticas para organizar o casamento e apenas vinte e três minutos para esvaziar a igreja apinhada, ligar para o Bufê St. Regis e cancelar a recepção.
Felizmente, todos tinham ido embora e, tendo oferecido ao pastor uma generosa contribuição para a igreja, James encaminhou-se até a limusine que estava a sua espera.
Quem dissera que um raio não caía duas vezes no mesmo lugar? Por duas vezes ficara noivo, organizara o casamento e a noiva fugira.
Que, diabos, havia de errado com ele?
Pedira Charlotte em casamento por amor e, depois, Lily, por necessidade, mas ambas as noivas tinham dado meia-volta e saído em disparada.
Belo fiasco para o Homem mais Sexy de Nova York!
Praguejando por entre os dentes, James tirou o casaco do smoking. Tudo o que queria agora era uma bebida gelada, uma troca de roupa e seu avião. Sairia daquela cidade agitada pelo resto do verão e tentaria entender o que, afinal, dera errado em sua vida na tranqüilidade da ilha que possuía nas Bahamas.
Mas ao aproximar-se da limusine, encontrou os pais de Lily à sua espera. A Sra. Evans chorava, inconsolável. O Sr. Evans parecia constrangido. E James realmente não queria conversar com nenhum dos dois no momento.
Contudo, por mais que desejasse já estar em seu avião a caminho de St. Jermaine, sua pequenina ilha com a areia branca mais bonita do mundo, não houve como se esquivar da conversa com os pais de Lily. Podia estar furioso com ela, mas não a odiava.
O que o desconcertou ainda mais, porém, foi a afirmação veemente da Sra. Evans de que sua filha o amava. Ao menos, Lily fizera algo certo, pensou em princípio, convencera os pais de que estaria se casando por amor, algo que todos os pais queriam acreditar. Incluindo os seus.
Mas a Sra. Evans persistiu, assegurando-lhe que a filha o amava, que ela não conseguia mentir, que desde pequena ficava com um tique nervoso do lado esquerdo do rosto quando o fazia.
Lily, sua dedicada e competente assistente, amava-o, refletiu James mais uma vez quando, enfim, chegou a seu apartamento. Quais tinham sido as palavras que Lisa Evans usara? Lily é louca por você, acredite. Está perdidamente apaixonada.
Adiantando-se até seu quarto, ele começou a sentir a primeira ponta de culpa. Mas não queria se sentir culpado. Não havia razão para aquilo, afinal não estava tirando proveito dela. Lily seria recompensada. Dinheiro, conta bancária, um novo apartamento de cobertura, cartões de crédito em seu nome...
E ela deixara tudo para trás e a ele também. Correra da igreja, saltando para dentro de um táxi amarelo, a saia branca tomando o banco de trás do veículo.
James correra atrás dela até a escada da catedral, vira o táxi afastando-se e misturando-se ao tráfego. Lily o amava?
James disse a si mesmo que não importava, que um contrato era um contrato, negócios eram negócios, mas aquilo não contribuiu em nada para aplacar sua crescente culpa.
Se ela o amava, o fato mudava tudo. Ele não fora nem um pouco estratégico. Em vez daquilo, tirara proveito da afeição de uma mulher ingênua.
Lily tirou a tiara e o véu de sua cabeça, juntamente com os grampos que haviam prendido seus cabelos para trás num coque sofisticado e desabou na cadeira atrás de sua mesa.
Bem, o conto de fada estava, enfim, terminado.
O príncipe beijara o sapo que afirmara ser uma princesa, mas, como resultado, descobrira-se que ela fora mesmo apenas um sapo, bastante comum e enfadonho.
Lily jamais se sentira tão péssima em toda a sua vida. Não havia mais faz-de-conta, nada mais de fantasias sobre o verdadeiro amor. Ela pegara aquelas três pequenas palavras Eu preciso de você e transformara-as em algo grandioso e elaborado... um castelo de areia.
Sim, James precisava dela, mas não da maneira como Lily gostaria. Precisava apenas de um escudo. Uma barreira. Uma distração para a mídia.
Ela não se importara com aquilo tampouco, dissera a si mesma que ser necessária era praticamente a mesma coisa do que ser amada, mas quando entrara naquela igreja, vestida feito uma princesa, dera-se conta de que poderia até ser capaz de enganar a imprensa, mas não a si mesma. Era romântica demais para se contentar com um casamento sem amor.
Com um profundo suspiro diante de tal pensamento e perguntando-se se não arruinara sua única chance de fazer algo realmente diferente em sua vida, afastou a cadeira giratória da mesa para olhar em torno do escritório.
Aquele era o mundo de James. Ela adorava-o.
Sentiria realmente falta daquele mundo.
Por um momento, mal pôde respirar, lembrando-se de como fora até ali quatro anos antes para uma entrevista de emprego.
Tinha acabado de se formar na universidade, e a Investimentos Potter estava fazendo uma contratação para seu departamento de pesquisa de mercado financeiro. Na época, a Investimentos Potter já era uma das corretoras de valores mais conceituadas de Wall Street, contratando apenas os melhores e mais brilhantes profissionais para sua equipe, e ela ficou radiante quando haviam lido seu currículo e lhe solicitado uma entrevista.
Havia passado duas semanas se preparando para a entrevista. Lera cada revista Fortune 500 disponível, informara-se sobre as tendências do mercado e as ações que acreditara que subiriam na Bolsa.
Não podia estar mais bem preparada. Ainda assim, quando chegou para a entrevista, foi um fracasso. Exatamente como na igreja naquele dia.
Parou na entrada da Investimentos Potter, segurando sua pasta nova que ainda cheirara a couro, e observou as pessoas circulando pela área da recepção, todas absortas em conversas ou concentradas em sua leitura, e sentiu-se como um peixe fora d'água.
Não se considerava esperta como aquelas pessoas. Nem tam pouco sofisticada, ou bem-sucedida.
Quando, enfim, foi conduzida à sala de reuniões para sua entrevista, estava com os nervos à flor da pele. Cada pensamento inteligente pareceu deixar sua mente. Em menos de cinco minutos de entrevista, desculpou-se, apanhou sua pasta e foi embora.
Somente quando chegou à rua movimentada que o terror deu lugar à dor. Apesar de seu bacharelado, de ter se formado com honras na universidade e do caro e discreto tailleur, ainda não conseguia fazer nada certo.
Aquela entrevista fatídica mudara o rumo de sua carreira. Em vez de procurar trabalho na área financeira, aceitou um emprego administrativo numa outra corretora de valores. Seu futuro tinha sido decidido.
Exatamente como havia sido decidido naquele dia.
James lhe dera a oportunidade de uma vida... e qual era o problema se não a amava? Ela ainda poderia ter feito parte do mundo dele, tê-lo a seu lado, viajado e tentado coisas novas... mas, não, tivera que analisar demais a situação e arruinar tudo.
Novamente.
— Está indo a algum lugar, Lily?
Aquela era a mesma voz que ela ouvira pelo interfone durante os sete meses anteriores e a reação era a mesma de sempre, ainda agora seu coração disparando. James. Lentamente, ela se virou na cadeira, as mãos repousando na saia branca de seda do vestido de noiva.
— O que está fazendo aqui?
— Estou a sua procura.
Ela deu-se conta de um nó no estômago, o pulso se acelerando, e sentiu-se mais uma vez como uma adolescente.
— Estou aqui.
— Posso ver. — James aproximou-se e tirou a caixa de papelão que ela colocara na mesa, pousando-a no chão. Sentou-se na beirada da mesa, fitando-a. — Como você está?
O coração dela tornou a disparar. Ele trocara o smoking, mas, mesmo vestido de maneira despojada, numa camisa esporte branca com calça preta, estava irresistivelmente bonito.
— Bem — respondeu Lily com nervosismo, lutando contra as lágrimas. — E você?
— Bem.
Houve um silêncio longo e tenso e, enfim, James rompeu-o, parecendo escolher suas palavras com cuidado.
— A situação ficou um tanto constrangedora com você saindo tão repentinamente.
Lily imaginou-o plantado no altar em meio a estupefação geral quando ela fugira.
— Foi assim tão terrível?
— O que você acha?
Ela não pôde se perdoar por tê-lo humilhado daquela maneira.
Engoliu em seco para vencer o nó em sua garganta.
— Lamento muito.
James deu de ombros.
— Felizmente, eu já havia passado por isso antes e, portanto, já estou me acostumando a lidar com noivas arrependidas.
— Fale sério.
— E estou falando. — Ele abriu um leve sorriso, mas havia uma expressão dura em seus olhos. — Não acredita em mim? Pergunte para minha mãe. Dorea lhe contará tudo a respeito. Foi há quinze anos. O nome dela era Charlotte, e eu achei que estávamos perdidamente apaixonados.
Lily mordeu o lábio inferior.
— Ela realmente abandonou você no altar também?
Um músculo retesou-se no maxilar dele.
— Não exatamente. Ela me avisou com um pouco mais de antecedência... teve a bondade de cancelar o casamento uma semana antes da data marcada. Mas isso não tornou as coisas mais fáceis. As pessoas quiseram saber o que havia acontecido. Não queriam perguntar, e a maioria não o fez, mas vez ou outra surgiam os mais ousados que perguntavam. Aliás, ainda me perguntam até hoje.
— Qual foi o motivo dela para cancelar o casamento?
James adiantou-se até as vidraças, olhando para os arranha-céus de Manhattan.
— É complicado, mas a principal razão foi a de que ela teve preocupações quanto a minha... — Hesitou, buscando as palavras certas. — Arvore genealógica.
Os Potter eram uma das famílias mais antigas e respeitadas de Boston. Como alguém poderia ter tido algum problema em relação à família dele?
— Isso não faz sentido.
James observou-a por sobre o ombro, a expressão quase zombeteira, e falou:
— Faz se você conhecer a minha árvore genealógica. Em termos de linhagem, sou um Riddle, não um Potter. Charlotte só descobriu isso umas duas semanas antes de nosso casamento e entrou em pânico... — interrompeu-se, contraindo o rosto diante da palavra — ...mudou de idéia. Não queria um Riddle. Queria um Potter. Um Potter legítimo.
Lily esforçou-se para assimilar as palavras e seu significado.
— Você não é o filho de Dorea e Charlus Potter?
— Sou o filho adotivo de ambos — declarou ele, o semblante sério.
— É a mesma coisa.
— Não para Charlotte.
Indignada, Lily levantou-se da cadeira.
— Então, ela não o merecia! Não tem coração e nunca amou você...
— Quem é você para falar sobre amor? — ele interrompeu-a, encarando-a. — Você não ia se casar comigo por amor, ia?
Lily afastou-se um pouco, incapaz de fitá-lo, de responder. Odiava mentir. Era péssima em mentir. Os pais tinham costumado dizer que não conseguia manter nenhum erro em segredo.
— Você me ama? — persistiu James, aproximando-se dela, tensão em cada músculo de seu corpo.
Lily tornou a sentar-se, ainda evitando fitá-lo. Mas James virou a cadeira em sua direção para não deixá-la desviar o olhar.
— Eu...
— Você o quê?
— Gosto de você. Sim, gosto muito. Venho trabalhando com você há sete meses. E trabalhamos ainda mais de perto no último mês cuidando dos preparativos também.
— Mas você não me ama. Eram apenas negócios, certo?
Ela levantou os olhos para fitá-lo, a expressão ansiosa e apenas confirmou com um gesto de cabeça.
— Responda. Diga-me com palavras.
Lily respirou fundo.
— Eu não amo você — declarou, mas, ainda enquanto dizia as palavras, houve uma ligeira contração muscular no alto de sua face, o olho esquerdo piscando involuntariamente por um instante.
James estudou-a, o cenho franzido. Adiantou-se novamente, então, até a janela, correndo os dedos pelos cabelos.
— Foi difícil esquecê-la? — perguntou Lily num tom manso, pensando naquela bela mas cruel Charlotte.
James deu de ombros.
— Ela era bonita, elegante, encantadora. — A expressão dura abrandou-se, tornando-se irônica. — Sim. Foi.
— Lamento que ela o tenha magoado.
— Foi há muito tempo. Eu era apenas um garoto. — Ele tornou a se aproximar devagar, sentando-se outra vez na beirada da mesa. — Quinze anos — murmurou. — Quinze anos e estou enfrentando o mesmo problema. Que irônico!
Sim, pensou Lily, irônico, sem dúvida, porque, vendo-o agora, estando a sós com ele, deu-se conta de que cometera um grande erro naquele dia, fugindo da igreja.
— Então, o que faremos? — perguntou James.
— Eu não sei.
— Não podemos ficar aqui para sempre.
— Não.
— Precisaremos de comida, descanso, mudar de roupas.
Exatamente. Roupas. Lily baixou o olhar para seu deslumbrante vestido de noiva, a parte de cima justa e rebordada de cristais e a saia ampla. Podia imaginar as manchetes nos jornais do dia seguinte. Noiva Abandona Potter no Altar. O Homem do Ano Encontra Noiva Fujona no Escritório.
— Há fotógrafos lá fora?
Ele fez uma careta.
— Às dezenas.
Evidentemente. Quando não havia? James Potter ainda era o solteiro favorito de todos.
— Eu não trouxe nada comigo.
— Tenho algumas camisas sociais limpas no armário em meu escritório. Você poderia usar uma com um dos meus shorts de ginástica. Não estará na última moda, mas será melhor do que sair por aí de vestido de noiva.
Lily trocou-se no escritório de James, mas precisou de sua ajuda para desabotoar os intermináveis botões de pérolas nas costas do vestido.
Era estranho que ele a estivesse ajudando a se despir. Nunca tinham feito nada tão pessoal antes, nunca tinham lidado juntos com nada além dos assuntos do escritório. Os dedos de James em suas costas, os dedos roçando sua pele faziam-na sentir tanto, querer coisas novas.
Querer sentir as mãos dele, seus lábios, seu corpo...
Estava contente em poder ocultar seu rosto, seu forte rubor. E censurou a si mesma mentalmente, lembrando-se de que não era o tipo dele, jamais seria.
Botões desapertados, James deixou-a a sós para terminar de se despir, e Lily livrou-se do volumoso vestido, trocando-o pelo short e a camisa deixados sobre a mesa. A camisa ficou bastante comprida, apenas um pedacinho das pernas do short visíveis abaixo, e teve de dobrar as mangas para que não engolissem suas mãos. Pronto. Não era mais uma noiva. Apenas a velha Lily de sempre em roupas emprestadas.
Desceram juntos de elevador, e ela avistou a multidão de repórteres do lado de fora.
— Não conseguirei fazer isso — sussurrou, mais uma vez em pânico. — Sei o que os jornais dirão e será horrível.
— Finja, então, que tudo está bem.
— Não posso, James. Esse é o problema. Não sou capaz de fingir nada importante...
— Relaxe. — James abraçou-a, encostando-lhe o rosto de encontro a seu peito. — Respire fundo.
Ela obedeceu e permaneceu ali, reconfortada, sentindo-lhe o calor do corpo, a colônia amadeirada, e foi como estar no paraíso.
James afagou-lhe as costas com gentileza e sua voz soou firme, confiante:
— Nós vamos sair, sorrir e agir como se tudo estivesse bem. Você pode fazer isso.
Ela ficou imediatamente tensa.
— Eu não sei...
— É claro que pode. Você está comigo e confia em mim, certo?
Lily fitou-o nos olhos, aqueles incríveis olhos castanho esverdeados, observou-lhes a expressão calorosa e sentiu seu medo se dissipando.
— Certo.
Eles deixaram o saguão do edifício por uma porta lateral, mas os fotógrafos correram na direção de ambos, enquanto a limusine parava junto ao meio-fio.
Ainda estava quente do lado de fora, o ar abafadiço, e o espocar dos flashes ofuscou Lily. O chofer abrira a porta de trás, mas James parou para as câmeras, pousou a mão nas costas de Lily e sorriu.
E, então, o pânico voltou.
— Isto não vai dar certo — murmurou ela, desviando o rosto das câmeras, o queixo quase encostando no peito.
— Você apenas tem que parar de pensar. Solte-se. Divirta-se — sussurrou-lhe ele ao ouvido.
— Como?
— Assim. — A voz de James adquiriu um timbre mais íntimo enquanto lhe erguia o rosto e baixava o seu devagar.
Ele iria beijá-la.
Iria beijá-la ali? O medo tornou a tomá-la de assalto, banindo todo e qualquer pensamento racional. Ela sobressaltou-se enquanto aqueles lábios sensuais se aproximavam mais e mais dos seus, mas James segurou-a com firmeza.
— Relaxe — sussurrou-lhe. — É apenas um beijo.
Apenas um beijo, repetiu Lily silenciosamente e, então, entregou-se com abandono à incrível sensação de ter aqueles lábios cálidos cobrindo os seus.
James puxou-a mais para si, estreitando-a junto a seu corpo forte, seus lábios beijando-a gentilmente, acariciando, estimulando, fazendo com que alguma parte adormecida dentro dela despertasse. Lily sentiu um delicioso calor percorrendo-a por inteiro, tornando aquele beijo a experiência mais fabulosa que já tivera em sua vida.
Esqueceu-se de tudo mais exceto do homem que a tinha em seus braços, que a beijava, maravilhada com aquelas sensações novas, suspirando de prazer quando o beijo se intensificou.
Foi como se chamas explodissem por seu corpo, alastrando-se até as partes mais sensíveis, causando-lhe um anseio crescente, fazendo-a querer mais, embora não soubesse o quê.
— Viu? — sussurrou ele, enfim, erguendo a cabeça para fitá-la nos olhos. — Beijar é fácil.
Os fotógrafos tinham ganho seu dia, pensou ela, atordoada, enquanto a limusine se misturava ao tráfego de Manhattan sob o anoitecer. Ele podia odiar o assédio da mídia, temer os fotógrafos, mas sempre conseguia abrir um sorriso e dizer uma palavra educada.
Era surpreendente daquela maneira, pensou ela, observando-o. Ainda junto ao Edifício Torre, um dos repórteres perguntara-lhe qual era a sensação de ser abandonado no altar, e James abrira um largo sorriso.
— Um pouco ruim — respondeu com a tranqüilidade e a confiança que cativavam até jornalistas de tablóides. — Mas eu a tenho comigo agora, e isso é tudo o que importa.
Não era de admirar que as pessoas adorassem James, pensou ela. Era tudo o que o público admirava... inteligente, articulado, carismático... e partia corações.
— Você faz isso tão bem — comentou. — É o sonho de quaisquer paparazzi.
— Não me sinto assim.
— Então, você representa muito bem.
— Aprendi cedo.
Ela sentiu-se fria e vazia por dentro. Adorara o beijo, mas, para ele, não passara de encenação. Tudo em torno de ambos era apenas em nome das aparências.
— Como aprendeu a representar?
— Foi por uma mera questão de sobrevivência, acho eu. As pessoas não querem saber sobre problemas. Querem histórias de sucesso. Tento lhes dar uma história de sucesso.
— Então, você faz o que tem de fazer.
— Isso mesmo.
— Incluindo me beijar?
Ele virou-se para fitá-la com intensidade.
— Não foi exatamente uma obrigação.
Lily levou um momento para responder, seu coração descompassado.
— Sei que não se sente atraído por mim. Você prefere modelos. Supermodelos altas e loiras, de preferência da Suécia.
— Gostei de beijar você.
— Não, não gostou.
— E gostaria de beijá-la outra vez, mas acho que temos algumas coisas a esclarecer primeiro. Nosso relacionamento, por exemplo.
— Não temos um relacionamento...
— Temos. Nós tínhamos um no escritório e chegamos bem perto de casar hoje e, portanto, obviamente há alguma coisa aqui, mesmo que seja apenas amizade, e isso por si só merece uma conversa.
— Será difícil conversamos sobre alguma coisa agora. As emoções estão à flor da pele.
— E é por isso que precisamos de algum tempo. Acho que seria sensato se ambos viajássemos por algumas semanas, se colocássemos alguma distância entre nós e colunistas sociais mexeriqueiros, para tentarmos descobrir o que faremos em seguida.
De fato, Lily gostaria de viajar por algumas semanas. Sentia-se enclausurada no momento, sufocada. Mordeu o lábio inferior.
— Para onde você está pensando em ir?
— Para St. Jermaine.
A ilha dele entre as Ilhas Berry, nas Bahamas. Ela pensou com uma ponta de inveja em águas turquesa, areias brancas e na sombra de coqueiros.
— Acho que eu poderia ir para casa — disse, pensativa, tentando definir sua melhor rota de fuga. — Meus pais devem estar bastante aborrecidos, mas sei que me receberão.
James soltou um suspiro de exasperação.
— Não vou deixá-la aqui para enfrentar a mídia sozinha. A pressão será insuportável. Se eu for para St. Jermaine, levarei você comigo.
Iiiiiiiiiiiih gente e agora? O casamento não saiu, mas os dois sozinhos numa ilha, só na companhia de um discreto mordomo. Coisas vão acontecer, se é que vocês me entendem ;) Muito obrigada a LaahB, Ninha Souma, Lita, Thaty, Joana Patricia, V. Lovett e Tata Potter pelos comentários maravilhosos, beijinhos :*
