Eles só partiriam em seu avião pela manhã, e James passou boa parte da noite sentado numa poltrona de couro em sua sala de estar, olhando para o céu estrelado de Manhattan.
Ela o amava.
Droga. Aquilo não deveria ter acontecido. Ele não a queria emocionalmente envolvida. Sabia como era amar alguém e não ser correspondido. Era doloroso. Terrível. Não desejaria aquele tipo de sensação nem ao seu pior inimigo, e Lily certamente não se encaixava naquela categoria.
Droga, gostava dela. Muito. Lily não precisava de cosméticos para encobrir imperfeições, ou melhorar a aparência. Era ótima a seu jeito.
Tudo esteve perfeito até aquele dia.
O que acontecera na igreja? O que a amedrontara?
Soltando um suspiro, James coçou o queixo. Lily o amava. Estava certo. Ele gostava dela.
Na verdade, gostara realmente de beijá-la. Ela tinha uma boca incrível, lábios cheios e desejáveis, e o sexo seria igualmente prazeroso uma vez que tivesse sido superado constrangimento da fase inicial.
O constrangimento da fase inicial.
Foi isso, pensou ele de repente. Foi onde agira errado.
Havia apressado Lily demais, pressionando-a sem se dar conta. Ela precisava de tempo para se acostumar com ele, com o que havia entre ambos.
Sabia sem precisar perguntar que Lily não era sexualmente experiente. Havia um ar de inocência envolvendo-a. Até a maneira como o fitava era ingênua, esperançosa, desprovida de malícia. Sabia que ela raramente saía. Na verdade, nunca a ouvira fazendo a menor menção a um encontro com alguém.
Não era de admirar que estivesse assustada. Provavelmente, ficara na entrada da igreja em crescente ansiedade, imaginando todas as coisas que nunca fizera, perguntando-se se o sexo com ele seria algo prazeroso, ou talvez um sacrifício.
Pobre Lily.
Não tivera a menor idéia de que ele jamais a apressaria a ir para a cama. Não tinha como saber que ele adorava preliminares, longas trocas de carícias, beijos voluptuosos.
O fogo do desejo percorreu-o só em pensar no beijo que ambos haviam trocado. Ela estremecera em seus braços, retribuindo instintivamente, com um ardor que nem conhecia, deixando-o saber que se fora tão receptiva a seu beijo seria igualmente passional na cama.
O que precisava era conquistá-la pouco a pouco. Seduzi-la lentamente. Levá-la à descoberta de que o amor não era o único fator que ajudava a solidificar um relacionamento. Ele podia até não amá-la no sentido poético e romântico, mas podia oferecer-lhe confiança, respeito, companheirismo e, o melhor de tudo, compatibilidade sexual.
James levantou-se, alongou os músculos e rumou gratificado para sua cama. Agora que identificara o problema, encontrara uma solução. E, com alguma sorte, talvez até conseguisse dormir um pouco.
O bangalô de James na ilha St. Jermaine, se cinco mil metros quadrados de elegância e estilo podiam ser chamados de bangalô, parecia saído das páginas de uma revista de arquitetura.
Era um lugar absolutamente deslumbrante, decorado em tons pastéis e guarnições de madeira clara, janelas do chão ao teto, que se abriam completamente para deixar entrar a brisa do oceano, e assoalhos reluzentes de tábuas corridas.
Com as mãos nos quadris, Lily observou a coleção dele de arte caribenha. As pinturas coloridas e as esculturas exóticas ofereciam um alegre contraste aos tons neutros das paredes e mobília.
— Isto não é uma casa de praia — disse, fascinada pelas telas que retratavam florestas tropicais e oceanos, vulcões em erupção e pessoas dançando.
— É claro que é. Apenas tem estilo, isso é tudo — respondeu James, enquanto o Sr. Foley passava por ambos, encaminhando-se na direção da cozinha, onde pretendia assumir o controle do cardápio e do preparo das refeições.
Durante as três horas de vôo de Nova York até ali, Lily descobrira que o mordomo e chef acompanhava James na maioria de suas viagens, assegurando-lhe o conforto e poupando-o de ter que se incumbir de irritantes detalhes domésticos. Algo semelhante ao trabalho dela.
Se bem que, em seu emprego, raramente deixava o escritório e, quando o fazia, era para se sentar diante de James na limusine, tomando notas, preparando-o com dados para reuniões e cuidando de preparativos de último minuto para viagens.
Mas Lily nunca havia estado em seu avião, nem o acompanhara em nenhuma viagem até então.
Quando o jato pousara uma hora antes na pista estreita de St. Jermaine, fora tomada por uma onda de empolgação. Durante a semana seguinte, estaria virtualmente sozinha numa ilha tropical particular com James Potter, o solteiro mais sexy de Nova York. Se aquilo não era uma aventura, não sabia o que era.
Um rapaz de camisa estampada dirigindo um jipe branco fora ao encontro deles na pista e levara-os pela distância de um quilômetro até a casa.
Viajaram sob a sombra dos coqueiros plantados dos dois lados da estrada que levava até a casa, e Lily tirou o blazer de linho para desfrutar a brisa da ilha. Fazia conjunto com a saia bege e, sem ele, sentia-se bastante à vontade numa blusa de alças finas.
À sombra dos coqueirais, respirou fundo, experimentando pela primeira vez um momento de paz. Com as colinas de esmeralda, águas turquesa e areias brancas, a ilha parecia um paraíso.
James mostrou-lhe a casa, conduzindo-a pelas áreas de estar centrais antes de levá-la por um corredor longo e amplo até uma ala privativa de quartos de hóspedes.
— Este é o seu quarto — disse ele, abrindo uma porta para revelar uma espaçosa suíte decorada em tons de damasco e creme. — Estou do outro lado. Há um telefone interno, porém, caso você precise de mim.
Lily deu as costas à imensa cama, preferindo evitar aquele tipo de visão no momento.
— Não precisarei de você.
— Você parece tão certa disso.
— E estou. Pensando na história do nosso "relacionamento" é você quem precisa de mim.
James arqueou uma sobrancelha espessa.
— E de que maneira?
Lily sorriu, gostando de estar naquela situação de igual para igual com James, longe do escritório. Sentia-se mais independente, espontânea.
— Bem, você é quem está sempre desesperado para me encontrar. No trabalho, você vive me chamando pelo interfone, enviando e-mails, ligando para o meu celular... Na verdade, na última vez em que deixei meu pager na mesa, você praticamente teve uma crise nervosa.
— Isso é um exagero e tanto!
— Talvez, mas ainda é a verdade. Quando foi que precisei de você para algo?
A pergunta altiva foi recebida com completo silêncio. James fitou-a, revelando um brilho especial em seus olhos que nunca lhe demonstrara antes. Estava olhando para ela, realmente olhando para ela, e gostava do que via. Não era uma coisa externa, era algo mais, algo mais profundo, mais elementar, e havia calor em seus olhos, calor na maneira como ele se aproximou mais, vencendo a pequena distância entre ambos.
Lentamente, apoiou a mão na parede ao lado dela e, então, colocou a outra do lado oposto, aprisionando-a.
Inclinou-se para a frente, até que seus corpos quase se encostassem.
— Acho que você tem outras necessidades. — Sua voz soou rouca, sensual.
Lily sentiu o estômago se contraindo.
— É claro que tenho. Preciso de oito horas de sono a cada noite, três refeições ao dia, vinte minutos de exercício...
— Nua, em minha cama.
Lily ficou boquiaberta, o rubor espalhando-se por suas faces. Vasculhou a mente em busca de algo para dizer, mas nada adequado lhe ocorreu.
James inclinou-se ainda mais e sussurrou-lhe ao ouvido:
— Na verdade, vinte minutos não são nada. Eu recomendo um mínimo de quarenta. — Os olhos castanhos esverdeados brilharam. — Sessenta, sempre que possível.
Ainda corando, ela ergueu o queixo, o coração disparado de uma maneira que a fazia sentir-se bastante viva.
— Obrigada pela oferta, Sr. Potter, mas acredito que haverá bastante opções de exercícios em St. Jermaine sem que você tenha que se preocupar.
— Acha mesmo?
Lily lutou contra a vontade de sorrir. Sua imaginação ganhava asas agora. Podia imaginar o estilo de aquecimento dele, a vigorosa atividade aeróbica e a recomendada desaceleração.
— Sim, além do mais, as coisas que tenho em mente não requerem nudez.
— A nudez é boa.
— Prefiro minhas roupas.
Os lábios de James quase roçavam o lóbulo sensível da orelha dela.
— Então, você ainda não encontrou a... atividade certa.
Lily estremeceu, deliciada, quando ele lhe mordiscou o lóbulo da orelha.
James a estava provocando, torturando, e ela adorou aquilo. Que mal havia? Gostou, na verdade, do forte anseio que começou a dominá-la, levando-a a querer coisas que jamais se permitira.
— Vamos, admita que você adoraria partilhar comigo de atividades que envolvam nudez.
Ela abriu um largo sorriso. James fazia o sexo soar tão tranqüilo, até divertido. Estava curiosa, intrigada.
— Eu não sei. Talvez... depois que eu estiver cansada de tudo mais que há para fazer na ilha.
Ele tocou-lhe o pescoço com os lábios brevemente.
— Como o quê?
— Tudo — suspirou ela, a voz baixando, o calor aumentando.
— Cite algumas coisas.
James continuou roçando-lhe o pescoço com os lábios, numa carícia leve, mas que a arrepiou por inteiro.
— Nadar — sussurrou ela, a boca seca, o estômago em nós. Segurou-o pela camisa, aproximando-o mais de si, ansiando por um contato maior. Oh, como gostaria que ele a acariciasse, que percorresse todo seu corpo com suas mãos fortes e experientes.
— Essa foi uma.
— Não é o bastante?
— Não. Você disse inúmeras atividades — lembrou-a James, segurando-lhe o rosto entre as mãos e fazendo-a pender um pouco a cabeça para trás, expondo mais o pescoço para que seus lábios úmidos pudessem percorrê-lo melhor.
— Correr — sussurrou Lily, um tanto ofegante, nunca tendo experimentado sensações tão deliciosas em sua vida.
— Essa é a segunda.
— Correr...
— Você já disse isso.
Lily sentiu-lhe o sorriso de encontro a sua pele, o calor crescendo entre ambos. Era algo intenso demais, tão novo e, ao mesmo tempo, tão forte que a fazia estreitar-se mais junto ao corpo dele, buscando maior contato.
— Mergulhar, navegar, mergulhar, navegar...
— Sim. Mas você pode enumerar cada atividade uma só vez.
— E quanto a beijar? — suspirou ela, erguendo o queixo de leve.
Mas ele não a beijou. Ergueu a cabeça e pareceu ponderar a pergunta.
— Oh, beije-me, James, por favor.
Ele apoiou os cotovelos na parede, acabando de se inclinar de maneira que a pressionou com seu corpo, o peito colado aos seios macios, os quadris junto aos dela, deixando-a sentir sua rija masculinidade de encontro a si. Mas ainda não a beijou e, de repente, Lily não pode se conter mais.
Soltando um gemido baixinho, abraçou-o pelo pescoço e puxou-o mais para si, guiando-lhe os lábios em sua direção.
Entreabriu os seus, permitindo que a língua cálida lhe invadisse a maciez da boca, retribuindo ao beijo instintivamente. Céus, como o queria! O simples pensamento fez com que uma corrente eletrizante a percorresse. E quanto mais o beijo se intensificava, mas a paixão dentro de si explodia. Aquele estava sendo o despertar sensual mais incrível, uma mostra de como poderia ser, um sinal de como seria sucumbir por completo.
A porta se abriu, e o rapaz de camisa estampada entrou carregando a mala de Lily.
— Oh! Desculpem-me — disse, retirando-se depressa quando se deu conta de que interrompera algo.
Mas, àquela altura, Lily já se desvencilhara dos braços de James e ele sorria de leve, enquanto a observava alisando a saia de linho e a blusa.
— Obrigada por me mostrar a casa — disse ela abruptamente, tentando encobrir o constrangimento. — Acho que agora sei onde está tudo.
Ele fitou-a nos olhos, o sorriso se alargando devagar.
— Sim, acho que sei também.
Conduziu-a de volta ao centro da casa, o Sr. Foley aparecendo enquanto ambos retornavam à sala de estar principal.
— Gostariam de um coquetel gelado? — ofereceu ele, estendendo uma bandeja.
— Obrigada. — Lily aceitou um dos copos altos decorados com fatias de abacaxi, banana e laranja.
Sabia que estava sendo paparicada, que nunca mais voltaria a viver algo semelhante outra vez. Uma pequena voz dentro de si disse-lhe para saborear cada coquetel colorido, cada vista espetacular, cada beijo arrebatador, porque, antes que se desse conta, estaria de volta a abafadiça Nova York, transpirando no assento do metrô e desejando com todo seu fervor que meias-calças femininas jamais tivessem sido inventadas.
O Sr. Foley serviu o outro coquetel a James e apontou para a sala de estar.
— Há tira-gostos frios e quentes na mesa. — Marchou, então, de volta pelo corredor em direção à cozinha.
— O Sr. Foley é bastante formal — comentou Lily.
— Ele é ótimo, não é? — sorriu James, conduzindo-a até a sala de estar de decoração eclética mas harmoniosa, composta por antigüidades e mobília confortável.
Lily bebericou seu coquetel, dizendo a si mesma para se lembrar daquele momento, ficando atenta à gentil brisa criada pelo ventilador de teto e ao céu de intenso azul lá fora. Até o céu ali parecia exótico, sensual.
James observou-a aproximar-se da mesa de centro que lhe indicou. Ela era bonita, e sua beleza era natural, vinha de dentro, que não tinha nada a ver com penteados elaborados, maquiagem e roupas elegantes.
O que a tornava bonita eram seus adoráveis olhos verdes, agora livres dos óculos medonhos. Eram calorosos, risonhos, expressivos. Os cabelos ruivos, eram longos e lustrosos e, não mais escondidos pelas sisudas tranças em torno da cabeça, agora estavam presos num jovial rabo-de-cavalo. O nariz era delicado, os lábios cheios, bem-feitos. E, céus, ele adorava as curvas que ela possuía.
Pudera senti-las de encontro a si antes, vira a promessa de como poderia ser entre ambos e a desejava tanto que tinha de fazer grande esforço para ir devagar, com calma, para manter-se relaxado.
— Gostou da sua bebida? — perguntou-lhe.
— Hum... é deliciosa. Parece um... milk-shake de banana!
— Um para adultos — corrigiu-a James, sorridente. — Na verdade, é uma versão do Sr. Foley de um daiquiri. É forte. Ele faz um daiquiri de banana bastante perigoso.
Lily sorveu mais um gole.
— Curioso. Não sinto o menor vestígio de álcool aqui.
— Annika disse a mesma coisa... — James interrompeu-se, censurando-se mentalmente. Fora um deslize imperdoável.
E Lily o ouvira. Foi surpreendente o impacto que as palavras lhe exerceram. Um momento antes estivera tão feliz que seu rosto resplandecera e, de repente, sua expressão fechou-se.
— Annika esteve aqui?
Era evidente que estivera. Annika fora a namorada dele durante meses, mas nada daquilo importava agora. Annika era passado. Lily era o presente. As mulheres deveriam saber daquelas coisas, mas nunca se concentravam nos fatos importantes.
James conteve um suspiro.
— Ela veio até aqui comigo na última primavera, quando estávamos saindo juntos.
— E gostou daqui?
— Lily, não faça isso.
Mas ela erguia o queixo, sua expressão séria.
— Annika vinha aqui com freqüência?
— Isso é irrelevante. O importante é que você está aqui comigo agora.
Os olhos dela ficaram marejados.
— Sim, mas isto é apenas por esta semana. Será outra mulher na semana que vem.
James deixou seu copo na mesa de centro.
— Nem sequer vou dignificar isso com uma resposta.
— Por que não?
— Porque você está sendo ridícula. Está agindo com... ciúme, e nem sequer tem o direito de ter ciúme.
— Por que não?
— Porque eu pedi você em casamento. Eu estava na igreja ontem. Estava com o padre no altar diante de uma multidão de convidados à sua espera. E adivinhe só? Você fugiu de mim.
James respirou fundo, surpreso com a intensidade de suas emoções. Estava zangado, sim, mas não era apenas raiva o que sentia. Era... Era...
Preocupação. Decepção. Dor.
Fora doloroso quando ela o deixara. Ficara magoado com o fato de tê-lo abandonado no altar.
Ocorreu-lhe que tudo havia mudado. Algo acontecera nas semanas anteriores. Algo acontecera ainda no dia anterior. E naquele dia também quando a estreitara em seus braços e lhe sentira o corpo se arqueando de encontro ao seu. Desejava-a. Não podia negar.
— Por que você fugiu da igreja ontem? — indagou abruptamente, reconhecendo como a pergunta estivera pesando em seu peito durante as vinte e quatro horas anteriores.
— Por que me pediu para casar com você?
— Você já sabe a resposta para isso.
Ela ergueu o queixo, desafiadora.
— Eu não teria perguntado se já soubesse a resposta.
Aquela era uma nova Lily. Mais forte. Mais confiante. E certamente mais direta.
— Porque você era a melhor candidata para a vaga — respondeu ele em tom jovial, tentando apelar para o bom humor, mas a ex pressão fechada dela não mudou.
— E quanto a Annika?
— O que tem Annika?
— Bem, ela é loira, bonita e famosa. É a sua top model sueca e teria ficado perfeita a seu lado nas fotos das colunas sociais dos jornais.
— Mas não quero ser o centro das colunas sociais. Não quero passar o resto da vida sendo fotografado. Quero apenas levar uma vida normal. Tranqüila. Longe dos holofotes.
Levou um momento para que Lily assimilasse as implicações daquelas palavras. Cerrou os dentes ao pensar que o homem tinha mesmo muita ousadia. Não queria uma linda supermodelo como esposa porque a imprensa não o deixaria em paz, mas resolvera se casar com ela, uma secretária sem graça que teria matado a mídia de tédio.
— E quanto ao amor? — perguntou, vencendo o nó na garganta.
— Eu não amo Annika.
— Nem a mim.
Ele não respondeu. A dor no coração de Lily era quase física.
— Você não me ama — repetiu, seu tom quase furioso. — Ama?
James sustentou-lhe o olhar.
— Não.
— Então, por que eu? Por que escolheu a mim?
— Você é diferente. Você me conhece. Não estaria vivendo sob alguma falsa ilusão romântica sobre a vida de casados.
Porque uma mulher como ela não devia ter ilusões românticas. Era prática, disciplinada, confiável, sensata. E como, certamente, não recebia muitas ofertas, devia saber que James Potter não era apenas um excelente partido, mas o melhor de todos.
Céus, e ainda devia se sentir lisonjeada, pensou Lily, sacudindo a cabeça de leve. Ele esperava que estivesse satisfeita.
Pela primeira vez desde que o conhecera, achou que poderia odiá-lo. O homem não tinha de fato a menor idéia de quem ela era.
Esperara sua vida inteira pela magia de se apaixonar, pela chance de ser verdadeiramente amada. Sua irmã tinha sido amada, adorada, mimada. Lily queria a mesma coisa também, mas achara que nunca a teria... não se julgara merecedora até o dia anterior, quando se olhara no espelho do caro salão de beleza de Park Avenue e vira a transformação que os especialistas em maquiagem e cabelos tinham conseguido, vira como a tinham feito passar de uma monótona Lily Evans a uma mulher especial, verdadeiramente bonita.
Ela se olhara no espelho, usando lentes de contato, os cabelos brilhantes e presos de maneira sofisticada, a maquiagem habilidosamente aplicada e vira uma mulher que merecia verdadeira felicidade, uma mulher ainda ansiando por um final feliz de contos de fada. E um casamento de conveniência não estava nem perto de sua idéia de um final feliz.
Sim, teria dinheiro. James se assegurara de que teria sido generosamente recompensada, mas o que era o dinheiro sem amor?
O que era qualquer coisa sem amor?
Ela se virou e olhou na direção do oceano. O sol de final de tarde brilhava com intensidade, banhando a praia com sua luminosidade dourada.
— Você sabe que eles estão enganados — disse num tom manso. — Aqueles colunistas sociais que me chamaram de cavadora de ouro. Não estou interessada no seu dinheiro. Nunca me interessei por dinheiro... muito menos pelo seu.
Sacudiu a cabeça, lembrando-se das coisas maldosas escritas a seu respeito nas semanas anteriores e, então, tornou a observá-lo por sobre o ombro. Curvou os lábios num sorriso breve, irônico.
— A única coisa que quero de você é amor.
Huuuum essa ilha hein. Gente vou postar rapidinho aqui, tenho que sair correndo, mais tarde respondo as perguntas feitas. Muito obrigada Sassah Potter, LaahB, Princesa Amelia, Thaty, Joana Patricia e Ninha Souma pelos comentários. Beijinhos gente :*
