James riu. Não foi um riso alto, nem sarcástico, mas foi riso, de qualquer modo, e fora a última coisa que Lily esperara dele.
— Por que está rindo?
— Porque você é... é uma... sonhadora.
— E o que há de errado nisso?
— Nada, exceto que você está fadada a se desapontar. E acha que concordou em se casar comigo por amor... o que é bastante virtuoso... mas não é exatamente a verdade.
Ela enrijeceu a espinha, a cor esvaindo-se de seu rosto.
— Não pode dizer isso. Não sabe do que está falando. Você não me conhece.
James apenas esboçou um sorriso.
— Na verdade, estou começando a conhecê-la. A entendê-la. Você não é totalmente a pessoa altruísta que se julga. Pode dizer a si mesma que tudo o que quer de mim é amor, mas isso não é verdade. Quer muito mais do que isso.
— Oh, é mesmo? — Ela o encarou, a raiva se alastrando em seu íntimo.
— Sim. — James aproximou-se mais. — Você quer paixão, sexo, glamour, aventura. Quer tentar algo diferente, ser alguém diferente. Acha que, comigo, poderia acontecer, e tem razão, poderia. Comigo você pode ser qualquer pessoa e coisa que quiser... incluindo você mesma.
James estava a distância de um passo, e Lily teve de erguer a cabeça para observar-lhe o rosto. Ele estreitava os olhos, tinha a expressão fechada, mas o calor que irradiava mais do que compensava a falta de expressão.
Ela lembrou-se de imediato de como se sentira naqueles braços, do contato daquele corpo forte junto ao seu, uma onda de sensualidade envolvendo-a.
Pela intensidade nos olhos dele, viu que James estava sentindo a mudança no tipo de tensão também.
— Nenhum de nós é altruísta. — Tocou-lhe o rosto com gentileza, fitando-lhe os olhos verdes. — Ambos temos necessidades... e algumas dessas necessidades nada têm a ver com amor.
Lily sentiu o pulso se acelerando. Aquele toque era incrível. Ele a fazia sentir tantas coisas maravilhosas, mas sua atração era baseada em amor, não apenas motivada por sua libido.
— Talvez você possa reduzir tudo ao aspecto físico, mas eu não. Sinto-me deste jeito perto de você porque o amo, não por mera atração.
James sorriu.
— Pelo que vejo, você é uma romântica incorrigível.
— Sim.
Ele roçou-lhe o pescoço com a ponta dos dedos.
— Nós poderíamos ser felizes juntos. Sei que poderia fazê-la feliz.
— Eu jamais poderia ser feliz a seu lado sabendo que você não me ama.
— Existem vários tipos de amor. Você está falando sobre amor romântico. E eu, sobre um amor mais realista. Falo de respeito, admiração, amizade...
— Não me venha com isso outra vez! — interrompeu-o Lily, afastando-se um pouco.
Ela queria paixão, romance, amor, e ele queria apenas respeito, admiração e amizade!
James passara os quinze anos anteriores namorando modelos, atrizes, socialites, mas queria se casar com ela com base nas virtudes comedidas do respeito e da admiração.
Queria se casar com alguém que o fizesse sentir-se seguro. Alguém confiável. Alguém...
— Entediante! — exclamou em voz alta. — Não posso passar o resto de minha vida com um homem que não sente nada por mim...
— Mas eu gosto de você.
— Gosta? Eu quero amor. — Lily se deu conta de que ficava cada vez mais zangada e de que tinha de respirar fundo e se acalmar, mas estava tão exasperada! — Quero alguém que me queira de verdade a seu lado, que não possa tirar as mãos de mim, alguém que seria capaz de fazer qualquer coisa por mim. Quero o sentimento verdadeiro, e isso inclui paixão, sexo ardente e amor eterno.
Sentindo-lhe o peso do olhar, enquanto o silêncio se prolongava, ela deixou os ombros caírem, a raiva se dissipando. Soltou um suspiro trêmulo.
— Eu apenas não quero me contentar com menos. Seria errado fazê-lo.
— E se sua idéia de amor não existir?
Lily sentiu os olhos ardendo e piscou depressa.
— Você é tão cínico.
— Talvez. Ou talvez eu seja apenas realista.
— Talvez.
Lily tornou a piscar, pensando que talvez fosse possível ver a vida através de duas perspectivas diferentes e ambas estarem igualmente certas. E, se aquele fosse o caso, embora ambos não concordassem um com o outro, não significava que não podiam aproveitar o momento e, não podiam ignorar o fato de que estavam no meio de um paraíso.
St. Jermaine era o lugar mais bonito que ela já vira e, ao que parecia, haveria um pôr-do-sol deslumbrante um pouco mais tarde. Estava bebendo seu primeiro daiquiri de banana e logo iria se sentar para jantar com o amor de sua vida.
O jantar foi servido na ampla varanda, gardênias brancas num vaso de cristal, a mesa de vidro refletindo o brilho de uma dúzia de velas. Era a mesa mais romântica que ela já vira.
O serviço foi discreto. O Sr. Foley serviu-os, abriu uma garrafa de vinho tinto e desapareceu. James estava no melhor de seu charme. Lily recostou-se em sua cadeira e ouviu o quebrar suave das ondas mais abaixo, na praia.
Jamais teria se cansado daquilo, pensou. Não teria sido incrível viver realmente daquela maneira? Como seria tornar-se a namorada de James... ou sua amante?
— Você está sorrindo — comentou ele.
— Sim. — Talvez fosse o Merlot em suas veias, ou a noite agradável, mas ela se sentia realmente feliz e descontraída e ocorreu-lhe que gostaria de se sentir daquela maneira mais vezes.
Não apenas naquela noite, mas sempre.
— No que está pensando?
— Que você não é má companhia quando não está se preocupando com o mercado de ações.
James soltou um riso, os olhos castanho esverdeados cintilando.
— E devo dizer que você não é má companhia quando deixa os cabelos soltos. Gosto dos seus cabelos soltos.
O brilho naqueles olhos castanho esverdeados deixou-a quase sem fôlego, o coração dela disparando invariavelmente.
— Não os prenda mais. Gosto de vê-los soltos. Gosto de você assim. Você é uma mulher interessante. Surpreende-me constantemente.
O elogio tocou-a a fundo. Ela sentiu um nó na garganta.
— Você gosta de mulheres interessantes? — perguntou, a voz subitamente rouca.
— É claro que sim. Por quê, você prefere homens entediantes?
Lily sentia uma emoção tão intensa que achara que não conseguiria rir, mas um pequeno riso acabou escapando de seus lábios.
— Homens entediantes, por favor.
— Ótimo. Sou exatamente o seu tipo. Sou bastante entediante. Você não vai parar de bocejar ao meu lado.
Ela o fitou e viu que aqueles incríveis olhos diziam que James a queria. Aquele olhar sedutor a fez sentir-se faminta outra vez. Sentiu as faces afogueadas.
— Nós poderíamos nos divertir entediando um ao outro — sussurrou ele.
— Sim.
— Há muitas maneiras de eu entediar você.
Uma onda de calor tornou a percorrê-la, e Lily apanhou seu copo de água mineral, sorvendo um longo gole. Gostaria de ficar "entediada", se era como ele queria chamar aquilo. Adoraria, na verdade.
— Mas não sou o seu tipo.
— E qual é o meu tipo?
— Annika, Birget, Hannah...
— Oh, sim, meu tipo de mulher: loira, escandinava e supermodelo.
— É verdade. É a sua preferência. Você se sente atraído por mulheres altas, loiras e sensuais e eu certamente não sou assim.
— Não, você não é alta, nem loira, mas, ainda assim, sinto-me bastante atraído por você.
— Acho que não me entendeu. Estou me referindo a atração sexual.
— Eu a entendo perfeitamente. É do que estou falando também e acho que teríamos sexo sensacional juntos.
Lily sentiu deliciosos arrepios subindo-lhe pela espinha. Parte de sua mente disse-lhe que deveria mudar de assunto, mas havia outra que não deixava. Estava intrigada, fascinada por tudo o que não conhecia e nunca fizera.
— É mesmo? E como você sabe?
— Posso dizer pela maneira como você beija.
Ela sentiu sua temperatura se elevando em muitos graus, o pulso acelerado.
— Você gostou da maneira como beijo?
— E da doçura de seus lábios.
Ela sentiu-se como se o ar lhe faltasse. Estava pensando em sexo. Pensando nos lábios dele em sua pele. O anseio que a tomava era crescente e achou que seria capaz de fazer praticamente qualquer coisa se James lhe ensinasse algumas coisas sobre sexo, paixão e amor. Ou apenas sexo e paixão, pois certamente já o amava.
Se ele não insistisse num casamento de conveniência, podia quase imaginar uma vida a seu lado. Haveria encontros, jantares, noites fora e dentro de casa.
Podia se ver percorrendo Park Avenue de limusine, descendo à porta de um dos badalados clubes noturnos, sendo conduzida a um camarote particular na ópera.
Ele a levaria a lugares maravilhosos e ambos receberiam convites para os eventos mais prestigiados.
Haveria cortes de cabelo modernos, roupas de estilo, bronzeamento o ano inteiro...
A fantasia chegou ao fim abruptamente. Pois com nada daquilo se sentiria completa. Nada seria o bastante se ele não a amasse.
— Não daria certo — disse após um momento, a adorável visão desvanecendo-se. — Não ficaríamos juntos nem por uma semana.
— Por que não?
— Olhe para nós. Você é... você... e eu sou... eu.
James soltou um riso suave.
— Teoria brilhante.
— Estou falando sério.
— Eu também. Há bastante química aqui, muito mais do que já senti com Birget, Hannah ou Annika.
Lily levantou a cabeça depressa e fitou-o com olhos surpresos.
— É verdade?
— Sim. — Ele deixou de lado o copo de vinho e levantou-se. — Vamos até a praia para ver o pôr-do-sol.
O sol ainda estava se pondo quando caminharam pelas areias brancas e os matizes que coloriam o céu eram incrivelmente intensos... vermelhos, alaranjados, púrpura, pairando acima das mansas águas turquesa.
Lily descalçou as sandálias para caminhar pela beirada do mar e, quando, enfim, James sentou-se na praia, acomodou-se a seu lado, afundando os pés na areia ainda quente.
Havia tamanha tranqüilidade na ilha, nenhum ruído, exceto o gentil quebrar das ondas.
— É um lugar mágico — sussurrou. James meneou a cabeça.
— Eu me sinto bem aqui. Calmo. E gosto de ter você aqui comigo.
Lily inclinou-se para a frente e abraçou os joelhos, sem saber o que dizer. Ainda se sentia um tanto intimidada pelo homem, continuava admirada com o fato de estar ali, nas Bahamas, na ilha de James. Era como um sonho. Íntimo. Exclusivo. Era quase como se estivessem em lua-de-mel, embora não tivesse havido o casamento.
Ele apontou para a água.
— Veja, o sol está descendo depressa agora.
De fato. Uma vez que o sol atingiu o horizonte, desceu depressa, desaparecendo no oceano como se fosse uma imensa bola de fogo e, por um momento esplêndido, as águas se iluminaram, a superfície adquirindo tons de rubi e ouro.
Ela ficou com a respiração em suspenso durante os últimos segundos, observando com fascínio enquanto o sol desaparecia, deixando no horizonte um plácido azul entremeado de suave dourado.
— Foi magnífico — sussurrou. Virando-se para fitar James, encontrando-lhe os incríveis olhos castanho esverdeados. Estremeceu, então, pensando na intensidade de suas emoções.
Durante sete meses, lutara contra seus sentimentos. Tentara vencer o desejo, negar a necessidade, ignorar o anseio. Dissera a si mesma que seus sentimentos se apagariam. Forçara-se a ir para outro lugar, procurar outro emprego para colocar distância entre ela e a dor de um coração partido, mas ali estava, ao final de julho e continuava esperando, querendo, precisando, sonhando.
Seria assim tão terrível parar de lutar contra si mesma e apenas desfrutar a companhia dele? Os momentos maravilhosos que podiam ter juntos?
Seria tão ruim ficarem juntos só pelo momento e ela vivenciar o que pudesse... mesmo que fosse apenas sexo?
— Ouça, nós não temos que tomar nenhuma grande decisão hoje.
Ela tornou a fitá-lo, perguntando-se como James podia ler com tanta exatidão os seus pensamentos.
— Eu costumava acreditar que era realmente antiquada — começou —, mas estou começando a pensar que não sou assim tão conservadora.
— Lily...
— Eu não quero me casar com você. Se é para um casamento durar deve se embasar no amor, mas há coisas sobre as quais tenho curiosidade e muitas que não sei.
Ela respirou fundo antes de prosseguir, reunindo coragem.
— Eu gostaria que você... — Engoliu em seco, achando as palavras quase impossíveis de serem ditas. — Que você pudesse me ensinar essas coisas... mostrar-me como acontece... o que fazer.
— Você faz com que isso pareça ciência espacial.
— É, de fato, é difícil para quem não conhece.
— Bem, acho que você não precisa se preocupar. Sei que aprenderá naturalmente. E mais fácil do que pensa.
— Foi o que você disse quanto a beijar — lembrou-o, um tanto ofegante.
— E eu estava errado?
James estava fazendo aquilo novamente. Deixando-a excitada, fazendo-a desejá-lo. Lily sentiu sua pele tão quente que teve vontade de tirar a blusa e a saia e mergulhar no oceano.
E deu-se conta de que era exatamente o que queria fazer. Tirar as roupas. Ficar completamente nua. Nadar sem absolutamente nada no corpo. Nunca fizera nada tão ousado, mas aquele era o momento, aquela era a noite. Se não fizesse nada arriscado agora, jamais o faria.
— Quer nadar? — perguntou, corando um pouco.
— Quer dizer irmos colocar nossos trajes de banho e rumar para a piscina?
— Não. — Lily sentiu o rubor se acentuando, mas não recuaria. Na verdade, ocorreu-lhe que faria praticamente qualquer coisa para que ele a beijasse em breve. — Vamos nadar aqui — acrescentou, engolindo em seco. — Despidos.
James não soube se aquilo seria o melhor no momento. Lily estava lhe exercendo um efeito incrível. Estivera lutando contra o desejo que o consumia a noite toda. O jantar fora uma lição de disciplina.
Mas era uma coisa esconder a intensidade e a evidência de seu desejo sentado a uma mesa de jantar e outra completamente diferente estando nu na praia.
— Vamos — convidou-o ela, inclinando-se para a frente, os seios roçando o braço dele. — Nade comigo.
James estudou-a. Parecia tão autêntica, o rosto tão cheio de vivacidade, os olhos brilhantes, a expressão aberta, natural. Adorava aquilo nela... sua espontaneidade, sua inocência.
Sim, era por certo, diferente de todas as mulheres experientes que já conhecera e tão bonita quanto elas, ou, na verdade, até mais.
Ele olhou por sobre o ombro para sua imensa casa térrea com telhados recortados. Ela reluzia feito uma misteriosa lanterna japonesa numa colina. Os archotes que iluminavam o caminho que conduzia da praia até o bangalô cintilavam, chamas amareladas dançando de encontro à noite. Era uma noite quente, agradável o bastante para se dormir sob as estrelas e certamente propícia para um mergulho.
Fitou os expectantes olhos verdes de Lily.
— Quer mesmo fazer isso?
— Sim — respondeu ela, a voz trêmula.
— Está certo, mas vá você primeiro.
Hey gente, jogo aberto, pontos de vistas esclarecidos, mas os desejos são diferentes, ou não tão diferentes visto o convite de Lily, a aproximação é cada vez maior Joana Patricia e no próximo cap eles estarão mais próximos ainda, não preciso nem dizer o que vai acontecer, Ninha Souma ás vezes da vontade de arrancar a linda cabecinha dele, mas enfim não posso não é, ainda mais agora que ele está conhecendo a verdadeira Lily, quem sabe não isso não faz seus sentimentos mudarem, obrigada meninas por comentar, um beijo e até mais.
