Capitulo 18 – Ritual
Kin seguia pelos corredores do ministério até chegar a ao setor que cuidava da monitoração das propriedades que estavam em posse dos sangue-puros. Entrou em uma sala que continha varias mesas de escritório onde dezenas de bruxos e bruxas monitoravam mapas onde havia demarcações de cada propriedade em uso, a surpresa pelo tamanho do local ficou evidente em seu rosto, pois apesar de já ter ouvido falar daquele departamento nunca imaginou que ele realmente existisse ou que fosse tão grande quanto se mostrava.
-Deseja alguma coisa auror?- pergunta uma bruxa baixinha e de cabelos negros com alguns fios grisalhos entre eles, no rosto havia uma expressão de desagrado por haver alguém bisbilhotando em seu setor.
-Vim a pedido de Albus Dumbledore. - diz o auror se recuperando do choque e encarando a bruxa nos olhos vendo a expressão de desagrado dar lugar para uma de surpresa.
-O que Dumbledore deseja? - pergunta ela de forma curiosa.
-Deseja saber qual das propriedades que estão no controle da família Potter está ativa há pouco mais de cinco meses. - responde de forma direta e em voz baixa vendo como a bruxa franzia a testa.
-Por aqui. - diz ela seguindo até a mesa mais próxima. - Charles me mostre que propriedade dos Potter está ativa a partir dos últimos seis meses. - pede ela para o bruxo sentado na mesa. O bruxo loiro assente antes de encostar a varinha no meio do grande mapa que havia em sua mesa e murmurar algumas palavras baixas o bastante para que Kin não conseguisse ouvir e logo o mapa começou a mudar e suas demarcações também deixando o auror surpreso com a riqueza de detalhes que havia no desenho.
-Não encontrei nenhuma Marie, todas as propriedades estam em uso há muito tempo, pois são prédios locados e lojas e as outras se mostram inativas há anos.
-Impossível! Dever haver alguma propriedade ou casa que esteja marcada como ativa. - contesta o auror.
-Sinto muito, mas não... - começa, mas se interrompe ao notar algo no mapa. - Estranho...
-O que é estranho? - pergunta Marie intrigada.
-Aqui no mapa só está sendo mostrado às propriedades que estam sendo usadas como lojas, moradias locadas entre outras... não há nenhum registro de qualquer moradia, casa ou mansão que pertença à família Potter em todo o Reino Unido. - responde ele com a voz confusa.
-O que?- pergunta Kin chocado. - Não é possível!
-Concordo com o auror, os Potter's tem em seus nomes dezenas, se não centenas de propriedades espalhadas pelos quatro cantos do mundo e mesmo que nós monitoremos o Reino Unido existem varias delas aqui, eu mesma estive em uma que ficava no País de Gales. - diz Marie intrigada.
-Mas elas não contam aqui Marie, algum tipo de bloqueio ou feitiço de proteção pode ter sido lançado em volta delas, mas seria muito difícil cobrilas totalmente... Não tenho idéia de como elas desapareceram. - diz Charles vasculhando o mapa por inteiro sem encontrar nada.
-Se descobrir algo me avise... Tenho que ir agora. - diz Kin saindo e ainda surpreso, pois eles tinham uma suspeita do que havia acontecido e isso o deixava ainda mais desconfiado do Potter. O auror sabia que aquela notícia não iria agradar em nada o diretor, mas ele só a daria na próxima reunião da ordem, pois precisava explicar tudo perfeitamente e faria isto somente uma vez.
O dia amanheceu calmo na mansão Potter e todos seus ocupantes já se encontravam na mesa de café às seis horas menos dois, Harry e Sophie ainda não haviam aparecido o que deixou a mais jovem Potter um tanto mal humorada, os amigos do moreno olhavam para a ruiva contendo sorrisos divertidos, pois não seriam eles a provocarem uma nova explosão dela. Deric e Laura também achavam engraçada a reação da pequena Potter, mas depois do que ouviram dela ontem à noite puderam entender a razão para o modo como ela age.
-Bom dia a todos. - diz Harry que acabara de entrar na sala de jantar tendo Sophie entrando na frente com um grande sorriso nos lábios.
-Bom dia. - diz Sophie sorrindo e se sentando ao lado do moreno e de frente para Melissa que a encara nos olhos de forma raivosa enquanto os outros responde ao cumprimento deles. Harry notou a expressão da irmã e respirou fundo discretamente.
-Parece que a noite foi boa... - insinua Gina com um sorriso maroto e uma sobrancelha erguida.
-Foi ótima na verdade. - responde Sophie sem tirar o sorriso do rosto e piscando um olho para a ruiva que ri junto com a menos Melissa que estreita os olhos em direção à morena.
-Achei que não deixaria sua relação com ela atrapalhar o nosso treinamento, pois já passa das seis horas. - diz a ruiva com a voz seca.
-Não me lembro de dizer que teríamos treino hoje de manhã Mel. - responde o moreno calmamente vendo a irmã revirar os olhos emburrada. Sophie olhava para a ruiva com a testa franzida, pois acreditava que a implicância entre elas havia acabado.
-Não foi você mesmo quem disse que tínhamos que nos esforçar ao máximo para conseguir-mos ao menos sobreviver a essa guerra? - pergunta à ruiva.
-Mas isto não é motivo para nos matar-mos com uma carga de treinamento além do que os corpos de vocês possam suportar. Vocês ainda não se recuperaram totalmente da última sessão de treinamento então resolvi dar o dia de hoje de descanso para vocês. - responde o moreno de forma calma vendo a irmã virar o rosto para o outro lado com um bico enorme que o fez ter vontade de rir. -Lembre-se do que te disse ontem Mel... Ninguém vai jamais ocupar seu lugar em minha vida. - termina de forma carinhosa.
-E eu nunca tentaria fazer isto Melissa. - fala Sophie surpresa por descobrir que esse era o motivo de tanta implicância com ela. Melissa a encarou nos olhos. - Harry é seu irmão e eu nunca tentaria me colocar entre vocês, pensei que soubesse disso. Não nego que sou ciumenta e até possessiva, mas apenas com aquelas oferecidas que não conseguem ver que tem duas garotas homicidas ao lado dele. - termina ela com um sorriso maldoso nos lábios vendo a ruiva colocar outro nos próprios lábios.
-Tudo bem, me convenceu cunhadinha. - diz a ruiva tranqüila por ter a certeza de que a morena não tentaria tirar o irmão dela.
-É muito bom saber que não sou o único possessivo aqui. - comenta o moreno de forma divertida vendo Sophie piscar o olho para ele.
-Mas então teremos mesmo o dia de folgo? - pergunta Rony com alívio.
-Sim, pois tenho outros assuntos para resolver hoje, mas amanhã o treinamento será um pouco diferente. - diz ele com um sorriso maroto nos lábios causando um arrepio nos amigos.
-Diferente quer dizer mais puxado e difícil que o outro? - pergunta Hermione e mesmo curiosa sobre o que seriam os outros assuntos do moreno não perguntou, pois sabia que se o moreno fosse contar ele teria dito...
-Exatamente. - responde calmamente enquanto tomava um gole de suco ouvindo os gemidos dos outros. Melissa por outro lado olhou para o moreno com a testa franzida.
O dia se passou com os amigos do moreno relaxando e se divertindo enquanto se perguntavam o moreno de olhos esmeralda havia se enfia, pois assim que o café o terminou havia desaparecido. Melissa suspeitava do que o irmão estava aprontando, mas não comentava nada quando era questionada sobre o moreno, nem mesmo Sophie havia conseguido arrancar qualquer coisa que fosse da ruiva.
Harry passou boa parte do dia na biblioteca revendo tudo o que havia planejado durante tempo em que passou no meio da floresta treinando com seus amigos, ele sabia que tudo tinha que sair perfeitamente como estava descrito no livro negro; não poderia haver nenhuma falha.
Revendo tudo o que precisava e que, há pouco tempo, os últimos materiais estavam finalmente em sua mão, deixou um sorriso sombrio se abrir em seus lábios, logo à noite ele faria algo que deixaria o diretor de Hogwarts tremendo de medo.
Passava das sete horas quando começou os preparativos no meio da floresta em uma clareira feita especialmente para o ritual que aconteceria e, nas próximas horas ele passou a preparar o local.
Na mansão Potter, seus amigos estavam na sala de estar conversando sobre amenidades e assistindo uma grande partida de xadrez-bruxo entre Rony e Draco, que se mostrava ser tão habilidoso quanto o ruivo.
Draco seguia provocando o ruivo tentando fazer ele com que ele perdesse a concentração na partida, mas estava conseguindo apenas o contrário, Rony não admitiria uma derrota muito menos para um Malfoy.
Melissa se encontrava sentada em uma poltrona pensativa, Harry não havia comentado nem para ela o que pretendia fazer naquele dia e ela sentia que seria algo grande e arriscado, o que fazia a preocupação pelo irmão aumentar.
Passava das onze horas da noite e os jovens, junto com o casal Granger, estavam completamente entretidos na partida entre o Grifinório e o Sonserino.
-O que foi Weasley? Percebeu finalmente que não irá conseguir me vencer? - diz o loiro com deboche vendo o ruivo ficar com as orelhas da cor de um rabanete.
-Ora seu... - antes que o ruivo pudesse terminar de dizer a ofensa um vento gélido passou por eles e seguiu por toda a casa deixando-os com a sensação de que estavam sendo cercados por predadores.
Melissa se levantou de um pulo, havia sentido o exato lugar de onde aquele anormal gelado sopro havia se originado e sob os olhares confusos e temerosos dos amigos começa a caminhar em direção à porta dos fundos da mansão.
-Melissa... É ele não? - pergunta Sophie que já se encontrava ao lado da ruiva e tinha uma expressão preocupada no rosto mesmo que tentasse parecer firme.
-Sim, mas o que ele está aprontando... Eu não faço idéia. - diz ela vendo como todos agora a estavam seguindo, já se encontravam do lado de fora da casa e caminhava com passos rápidos em direção a floresta.
-Ele está aí no meio? - pergunta Gina com a voz baixa, ainda se lembrava das criaturas medonhas que habitavam aquela floresta.
-Sim, mais para o centro com certeza. - responde à ruiva.
-Então precisamos nos apressar. - diz Draco apertando o passo junto com os outros. Depois de alguns minutos andando, perceberam que havia algo de estranho na floresta.
-Gente... Vocês não acham que a floresta está silenciosa e calma demais? - pergunta Hermione com a voz intrigada vendo como os outros percebiam só agora aquilo.
-Está assim porque também pode sentir que algo grande está acontecendo. - responde Sophie com a voz séria.
Eles apertaram mais o passo e, quanto mais andavam em direção ao centro da floresta, mais fria e sombria ela se tornava.
Depois do que pareceram horas caminhando, eles finalmente começaram a ouvir uma voz, a voz de Harry, mas ele falava tão rapidamente que não conseguiam entender uma palavra sequer. Andaram por mais alguns minutos até saírem em uma clareira que deveria ter dez metros de raio onde se encontrava o moreno no centro.
A surpresa ficou expressa nas expressões deles ao verem o que havia na clareira. No centro dela, onde se encontrava o moreno, havia dois grandes círculos desenhados no chão, sendo que um deveria ter cerca de vinte centímetros a mais que o outro, formando assim o desenho de um grande anel onde, entre os dois, havia símbolos de algum idioma desconhecido para eles. Os contornos dos círculos brilhavam com um tom de negro mais escuro do que a noite a volta deles e os símbolos pareciam ter sido feitos com sangue... a tonalidade vermelha dava essa impressão para eles.
No centro do círculo havia um grande pentagrama invertido que brilhava em um azul sem vida, eles perceberam ser a fonte daquele sopro gélido. Harry se encontrava em cima do pentagrama e sussurrava palavras em uma língua desconhecida que os fazia terem arrepios: eram palavras ditas com força, imponência e de forma tão sombria que sentiam vontade de sair correndo dali; a voz do moreno estava grossa, parecia rosnados de uma besta do que a voz de um humano.
Melissa, mesmo imaginando o que aquilo poderia ser, percebeu que estava tremendo e pela primeira vez sentira certo medo do irmão, o que a surpreendeu pois sabia que Harry nunca faria nada contra ela.
Os amigos do moreno se encontravam parados sem conseguirem sair do lugar, vendo-o executar algum tipo de ritual. Depois de mais alguns minutos falando naquela língua desconhecida, o moreno se cala e caminha de costas até sair de dentro do círculo que brilhava de forma intensa e parecia pulsar como um coração sombrio.
-Vocês chegaram bem na hora. - diz virando-se e os encarando nos olhos, o que fez com que eles prendessem a respiração ao se depararem com os olhos negros e demoníacos do moreno.
Sophie era a única que conseguia se manter com alguma calma pois já estivera frente a frente com aquele lado de Harry.
- Mas agora tenho que continuar.
Dizendo isto, torna a se voltar na direção do círculo e respira fundo, logo uma aura negra começa a exalar e seu corpo e mesmo Deric e Laura - que não tinham treinamento algum - conseguiam sentir toda a escuridão, crueldade, poder e sede de sangue que ela exalava, aquela aura era selvagem... mais parecia a aura de uma besta do que de um ser humano. Antes que algum deles pudesse fazer qualquer coisa a voz do moreno é novamente ouvida, sendo agora em seu idioma mas mesmo assim continuava imponente e demonstrava todo o poder que aquela aura mostrava.
"Que o selo se rompa e o véu das sombras se rasgue
Que as trancas se abram e suas portas desapareçam
As trevas que se curvem e assim dêem passagem a quem as controla
Que o vale das sombras mostre sua bela face a mim
Que as correntes que aprisionam quem foi acolhida pela escuridão
Sejam quebradas e a libertem de seu cárcere".
Enquanto proferia aquelas palavras, o círculo, as escritas e o pentagrama brilhavam mais intensamente, um canto sombrio passou a ser ouvido e por mais que eles girassem a cabeça em todas as direções, não encontraram a fonte... a canção vinha de todos os cantos da floresta.
A noite sem lua se tornava cada vez mais sombria e com grande surpresa e choque, viram a aura do moreno seguindo até o centro do pentagrama e ser absorvida por ele, fazendo seu brilho mais intenso, eles ouviram o pulsar mais forte do coração sombrio que o círculo parecia se tornar.
"Sua alma foi jogada nas trevas por aquele que mais confiou
Sua essência clamará por vingança
Seu carcereiro a acolheu e moldou
Agora é hora de retornar e assim ter sua vingança".
A voz do moreno agora começava aumentar seu tom, as palavras eram ditas cada vez de forma mais violenta.
"Que se abram as portas para o vale das sombras
Pois assim eu ordeno:
O filho das trevas
Enviado da escuridão
Venha para este mundo e tenha sua sede de vingança saciada pelo sangue daquele que derramou o seu!"
Os amigos do moreno tremiam de medo dele, suas palavras mais pareciam uma sentença e mesmo não conhecendo aquele de quem o moreno falava começaram a sentir pena do que o esperava.
"Desperte para este mundo e tome para si o que é seu por direito
Pelo seu sangue foi banida e pelo meu sangue és libertada!"
Ao terminar de dizer as últimas palavras, Harry levanta a mão direita deixando a vista um punhal negro e curvo, desce rapidamente em direção ao seu pulso de onde o sangue começa a jorrar e cair em cima das inscrições do círculo, os amigos viram temerosos como o sangue parecia ser absorvido pelos símbolos, que passaram a brilhar de forma mais intensa, enquanto o sangue percorria todos os traços no chão deixando-os banhados pelo sangue.
Harry sentia todas as correntes e barreiras ruindo mas ainda sim sabia que não havia conseguido rompê-las completamente, o que o deixou furioso. Erguendo os olhos para o céu sem lua, buscou no mais profundo do seu ser toda sua essência, o poder bruto que era dele por direito desde o momento em que nascera.
As árvores e plantas mais perto do círculo começaram a morrer assim que o moreno havia começado a olhar para o céu, os amigos olhavam para ele intrigados e temerosos com o que viria a seguir e logo começaram a sentir um poder bruto e cruel emanando dele... era simplesmente insano de tão grande, o ar começou a ficar mais pesado, mais e mais árvores morriam e os sons de animais caindo pela floresta era ouvido por eles.
Melissa olhava para o irmão e o sentia buscar sua herança nas profundezas de seu ser, o poder parecia se acumular dentro dele, seu peso era grande o bastante para fazer o chão trincar e ceder sob os pés do moreno.
Após abraçar sua herança, Harry abre os dois braços expulsando todo aquele poder de dentro de si enquanto um urro demoníaco irrompia por sua garganta. A pressão daquele poder libertado pelo urro do moreno fez as árvores próximas serem arrancadas e arremessadas para longe, os cabelos e vestes de seus amigos também foram jogados para trás violentamente e eles se sentiram sendo arrastados lentamente para trás, enquanto sentiam uma força mantê-los firmes em seus lugares, impedindo-os de serem também arremessados para trás.
O som de algo trincando e se partindo foi ouvido por todos, era um som alto que mais parecia ser um trovão do que de qualquer outra coisa. Harry passou a olhar atentamente para o centro do pentagrama, todos seguiram seu olhar, viram que o pentagrama parecia estar se partindo e um brilho negro saía de suas rachaduras até que o pentagrama se estilhaçou deixando uma neblina negra subir e se transformar em algo que parecia ser um portal.
Todos prenderam a respiração ao verem uma mão pequena e de pele pálida sair de dentro do portal e segurar em sua borda, logo depois, para a surpresa maior ainda de todos, uma mulher loira de incríveis olhos azuis, de corpo definido, tentador para qualquer homem e vestindo um longo vestido negro, deixou o portal.
-Seja bem vinda Ariana. - diz Harry com um sorriso satisfeito enquanto o portal às costa de Ariana desaparecia juntamente com os desenho que haviam no chão.
Ariana voltou seus olhos para seu pequeno aprendiz que agora havia se tornado seu mestre e senhor.
-É muito bom estar de volta. - diz sorrindo enquanto curvava a cabeça em sinal de respeito para o moreno que revira os olhos antes de ver um sorriso se abrir na bela face da loira que, em seguida, o abraçou matando as saudades tanto dela quanto as dele.
