Santana pegou o vestido do guarda-roupa. Colocou-o em frente ao corpo e se olhou no espelho. Era uma boa escolha para um evento noturno: informal, com decote generoso, a deixava sensual, mas não vulgar. Era roupa que costumava vestir para matar. Já seduziu algumas garotas com a peça e tinha certeza que Rachel seria mais uma a não resistir. A intenção estava ali, correto? Qual outra razão para ela convidá-la para ir á última apresentação no restaurante? Talvez Rachel pensou melhor e quis mudar o status de amizade para romance. Não é que Santana tivesse de conquistá-la propriamente uma vez que a pequena diva confessou estar atraída.
Por outro lado, a vigilante sabia que não foi o lado mulher fatal que chamou atenção, mas o heróico que usava calças e jaqueta largas, além de uma máscara preta com o buraco dos olhos. Era um saco que Superman ou o Homem-Aranha chamaram atenção primeiro de Lois Lane e Mary Jane. Elas não olhariam para Clark Kent ou Peter Parker se não soubessem a verdade por trás da máscara. Parecia ser também o caso dela e isso a irritou. Rachel nunca olhou para Santana Lopez até descobrir a máscara.
Jogou o vestido em cima da cama e foi procurar algo mais comum no guarda-roupa. Escolheu uma calça justa, uma blusa cinza neutra que ela usou uma vez num congresso de arquitetura e se sentiu vestida demais para o evento. Serviria para a ocasião do restaurante, no entanto. Além disso, por não ter mangas, não atrapalharia a ação numa emergência. Colocou um casaco jeans por cima. Modelo mais justo, feminino e que dava ar de casualidade. Amarrou o cabelo num rabo de cavalo bem armado. Olhou-se no espelho mais uma vez e sentiu-se a própria Buffy Summers. Procurou sapatos adequados. Salto alto seria uma boa pedida, mas caso houvesse alguma encrenca pelo caminho, eles dificultariam muito. Optou pelas botas de salto baixo. Não era o uniforme dos vigilantes, mas não era de todo ruim: estava bem o suficiente para ir a um restaurante e poderia lutar caso fosse necessário. Podia não pertencer mais ao grupo do chefe, mas não significava que tinha de abandonar o hábito. Ela continuava a ser uma vigilante, porém, em trabalho solo.
Procurou uma máscara no fundo da gaveta e a colocou na bolsa. Nunca se sabia. Arrumou o cabelo, colocou uma maquiagem discreta e olhou-se no espelho uma última vez. Elegância discreta e confortável.
"Uau" – cruzou com Artie no hall do prédio – "Aonde vai tão bonita, senhorita Lopez?"
"Não é da sua conta, senhor Abrams" – deu um beijo no rosto do amigo – "Estou com o celular. Qualquer coisa que precisar, chame" – disse e depois fechou os olhos. Velhos hábitos eram difíceis de eliminar. Ela não era mais do grupo. Artie não a chamaria por tal razão.
"Divirta-se" – desejou sincero e ela acenou.
Rachel disse que ela deveria chegar próximo das dez horas. Faltavam quinze minutos, o que era tempo suficiente. Dirigiu o velho carro até o restaurante. Não teve dificuldade de encontrar estacionamento. Parecia não ser um dia tão popular. Tinha visto aquele lugar mais cheio, com na primeira vez em que entrou ali para tomar um caldo no bar enquanto assistia Rachel Berry cantar. Não fazia muito tempo. Entranho. Não parecia. O local era mais caro que a média e do que ela poderia pagar normalmente. Sábado havia o tradicional bar e os shows com as garçonetes, além da apresentação do trio de jazz. Às vezes havia uma atração especial. Eram pessoas mais velhas que frequentavam o restaurante. Universitários preferiam os lugares mais baratos, os pubs, os diners, ou a boate que se dedicava a um tipo de música a cada dia da semana.
"Posso ajudá-la?" – perguntou a recepcionista.
"Vou ficar no bar" – tentou entrar, mas a recepcionista continuou na frente dela com um sorriso forçado no rosto.
"Perfeitamente, senhorita. Posso ver a sua identidade?"
Sorriu e mostrou o documento. Era permitido beber aos 18 na cidade e há dois anos que não usava identidade falsa para conseguir uma cerveja num bar. Não que bebesse com freqüência, mas sim, já teve alguns porres. A recepcionista acenou e liberou a entrada.
"Santana?" – a vigilante ficou surpresa ao encontrar Tina no restaurante vindo na direção dela – "Quer surpresa. O que veio fazer aqui?"
"Eu... eu..." – não sabia que desculpa inventar porque ainda estava tomada pela surpresa – "O que você está fazendo aqui?"
"Rachel vai fazer a última apresentação dela e todos nós viemos prestigiar."
"Rachel?" – Santana franziu a testa.
"Sim, Rachel Berry, duh. Não sabia que ela trabalha aqui?" – Tina levou as mãos a cintura – "Pela sua cara, acho que não. Enfim, hoje é a última vez que ela vai cantar nas tradicionais noites de sábado até que a gente cumpra a temporada de um mês da nossa peça."
"Claro..." – a estreia era na semana seguinte.
"Não quer se juntar a nós, isso é, caso não esteja esperando alguém?"
"Nós?" – e olhou em direção que Tina apontava. Viu um grupo de pessoas conhecidas numa das mesas: Finn, Kurt, Puck e outro sujeito que ela não conhecia – "Oh!"
"É uma reunião da velha gangue, quer dizer, da minha velha gangue."
"Eu não quero atrapalhar. Eu numa mesa com Finn e Kurt não seria uma boa coisa. Além disso, estou esperando alguém."
"Mesmo? Não vai dizer que é a Jenny de novo!"
"Não é da sua conta Chang."
"Bom... boa sorte no seu encontro então."
Santana forçou um sorriso e ficou com uma vontade maluca de sair correndo daquele restaurante. Tina retornou para a mesa com os amigos e a vigilante estava prestes a dar meia volta, quando o pianista do trio de jazz anunciou Rachel. Santana encostou-se no bar e observou a pequena diva subir ao palco com um sorriso precioso no rosto. Usava maquiagem discreta que chegava a revelar um arroxeado no rosto fruto de uma topada numa porta. Pelo menos foi o que a cantora disse aos amigos no teatro no ensaio do dia anterior.
"Boa noite" – Rachel tomou o microfone – "Essa é a minha última apresentação aqui antes de sair para a temporada da peça no teatro. Falando nisso, não se esqueçam de ver Tropicália que estreia no próximo sábado. Bom... abriu um sorriso, como essa é a minha despedida temporária, gostaria de dedicar essa música aos meus amigos que vieram me prestigiar. Amo vocês."
Os aplausos mais entusiasmados partiram da mesa em que os amigos estavam. Rachel passou o olho pelo público e encontrou no bar um ser solitário que a observava com atenção. Acenou para os músicos e a melodia começou. Santana fez uma careta quando Rachel começou a cantar "Amor I Love You", acompanhado em coro pelo pessoal sentado à mesa. Pensou que seria uma piada interna ou algo assim. Não estava totalmente errada. "Amor I Love You" foi a música que Rachel cantou meio bêbada especialmente para Finn num lual que os amigos fizeram num camping na ocasião da formatura da cantora, Tina, Kurt e Sam. Foi por causa dessa noite, em que ela dormiu com Finn sem preservativo, que passou pelo drama de um falso-positivo de gravidez. Outra razão que fez os pais dela odiarem o mecânico ainda mais.
Os aplausos entusiasmados partiram quase que exclusivamente da mesa dos amigos. O restante da clientela não pareceu tão empolgada. Santana não tinha uma opinião definida. Tinha ressalvas quanto a Marisa Monte, dependia da fase da cantora, mas apreciava as interpretações da colega.
"Vou cantar mais uma música, se não se importam" – Rachel anunciou ao microfone e olhou em direção ao bar, onde estava Santana. Não esperava encontrá-la, mas estava grata pela presença – "e gostaria de dedicar a uma pessoa muito especial."
Reposicionou-se, o trio começou a tocar e Rachel cantou suavemente numa versão inusitada de Condicional.
"Eu sei, é um doce te amar/ o amargo é querer-te pra mim/ do que eu preciso é lembrar, me ver/ antes de te ter de ser teu/ o que eu queria, o que eu fazia, o que mais?/ que alguma coisa a gente tem que amar, mas o quê? não sei mais./ Os dias em que me vejo só são os dias que eu me encontro mais/ e mesmo assim eu sei tão bem existe alguém pra me libertar."
Finn pensava que a música para ele e ficou confuso com a mensagem. Primeiro por não ser tão bom assim com interpretações. Segundo, porque ele detestava Los Hermanos. Quantas e quantas vezes ele e a namorada conversaram sobre preferências musicais? Várias. E não entendia a razão de oferecer a ele algo que não entendia e que não gostava.
A mensagem era mais clara para Santana. No início daquela semana mesmo houve o momento da conversa, de como ela gostava de todos os lixos indies disponíveis no mercado, e das coisas que as duas compartilhavam segundo a lista do ipod. Los Hermanos era uma das bandas favoritas da vigilante. Ainda assim, nem mesmo ela entendia direito a mensagem por trás.
O que Rachel mostrou ali foi a divisão que sofria entre querer o velho e o novo sem ter de optar por um ou por outro. Não havia dúvidas de que amava Finn Hudson, apesar das crises no relacionamento ocasionadas pela entrada do terceiro elemento: o vigilante. Ou melhor, Santana Lopez. A música da Marisa Monte era quase uma súplica de uma garotinha apaixonada a espera do homem amado. Amor que era tão certo e tão dependente. Era assim que ainda se sentia em relação ao namorado: amor aliada a necessidade da certeza, com o comodismo, o antigo. A música dos Los Hermanos falava de expectativas, angústias e incertezas, mas que o amor que havia ali, entre os personagens era certo. Para Rachel, era fácil amar Santana por amar, em especial depois que descobriu a face além dos insultos. Amargo era querer a vigilante para ela.
Os olhares das duas se encontraram ao final da apresentação. Houve aplausos mais intensos (pela surpresa da interpretação e do arranjo). Rachel se curvou, agradeceu ao público e ela olhou mais uma vez em direção ao bar. Santana tinha ido embora. Viu? Amargo. Rachel colocou um sorriso no rosto e voltou a servir as mesas passando sempre que podia perto dos amigos para falar uma bobagem e outra. Todos eles iriam sair para dançar numa festa com apresentação de bandas que acontecia ao lado do campus da universidade.
Quando Rachel foi liberada pouco depois das onze da noite, recebeu um abraço dos amigos e um beijo do namorado.
"Você viu Santana?" – Tina perguntou e Rachel foi pega de surpresa. A colega entendeu o silêncio como uma negativa – "Ela esteve aqui no restaurante. Acho que para um encontro. Não a vi mais."
"Oh!"
"Vamos que tem uma festa nos esperando" – Puck apressou os amigos a entrarem no carro – "Estou louco para pegar uma universitária."
Rachel entrou na caminhonete do namorado, enquanto o restante pegou carona no velho carro de Puck, um clássico, como ele próprio faria questão de enfatizar. Nada além de um Maverick que ele e Finn levaram dois anos para reformar. A festa no campus estava quase no auge. Muita gente circulava pelo gramado da colina, como era chamado o espaço destinado a eventos. Uma banda animava e a principal atração da noite seria a próxima. O grupo se manteve próximo. Rachel e Finn namoravam, Kurt tentava contatar Adam, o namorado, Puck e Dave foram à caça e Tina vez ou outra ia falar com colegas que encontrava por aí.
Santana também circulava por ali, mas ela havia chegado bem antes do grupo de amigos. Na saída do restaurante ligou para Jenny e a chamou para sair. O jejum se fazia longo e a cena no restaurante a fez perder uma das poucas esperanças que tinha em relação a Rachel. Jenny era segura, era fácil, era certa. Era tudo que Santana procurava e precisava naquele instante. Marcaram um lugar de encontro e quando se viram, Jenny a recepcionou com um beijo nos lábios. O gesto não parecia certo para Santana, mas e daí? O objetivo dela era um corpo quente e seguro naquela noite. Foram à festa. Às vezes se beijavam, mas dançavam e ficavam de mãos dadas a maior parte do tempo. Vigilante fingiu se divertir, mas a realidade é que a melancolia a afetava.
Após a apresentação da principal atração, nada além de uma banda que fazia sucesso pelo estado, Santana andou com Jenny com os dedos entrelaçados. Por coincidência toparam com Tina, mas desta vez Rachel e Finn estavam por perto.
"Oh, então o seu encontro era com Jenny!" – Tina sorriu ao vê-las – "Oi Jenny, faz um bom tempo."
"Você me vê quase todos os dias no refeitório, Chang" – Jenny não era reconhecida pela delicadeza.
"Modo de dizer, Jen" – Santana tentava disfarçar o desconforto em ver um par de olhos castanhos pousar sobre ela em surpresa e, talvez, reprovação. Era como se estivesse fazendo algo errado, muito embora sabia que não estava – "Se nos dão licença, vamos andando."
Não apenas o dormitório de Jenny era o mais próximo da colina, como também ela dividia o lugar com ninguém mais. Era para lá que as duas foram numa noite inédita em que Santana foi passiva boa parte do tempo para deleite da outra que aproveitou a rara chance.
Pela madrugada, enquanto estava nua debaixo de um cobertor enquanto um braço a envolvia pela cintura, pensou na súbita sensação de vazio. Em como tudo era frustrante: os fatos da semana, a expulsão do grupo pelo chefe, a vergonha que isso trouxe, as dores, e a sensação de solidão apesar do apoio dos amigos.
"Ainda não acredito nisso" – ouviu Jenny dizer baixinho.
"O quê?" – evitou virar-se para encarar a parceira.
"Que voltamos" – a voz era contente, apesar de baixinha e tomada por certo cansaço.
O coração de Santana doeu. Jenny era só um prêmio de consolação e ela não teve a menor coragem de contestar a jovem mulher. Talvez fosse melhor apenas deixar-se levar pelo momento e pelos vários que viriam a seguir. Pela manhã, os lábios sorriam, mas os olhos estavam tristes enquanto a "namorada" bancava um ótimo café da manhã num pequeno e charmoso diner.
"Não sei como você consegue comer tantas calorias no café da manhã e ainda ser magra" – Jenny sempre ficava impressionada com as refeições de Santana. Mesmo depois de tanto tempo em que se conheciam, não conseguia se acostumar. Era uma aberração.
"Tenho um bom metabolismo."
"Isso não pode durar para sempre."
"Com inveja?"
"De você?"
"Claro que está com inveja" – Santana abriu um sorriso sacana e genuíno pela primeira vez em dias.
"Diz mais uma vez porque eu namoro contigo?"
"Por favor, você é obcecada por mim. O que não te culpo considerando que sou o pedaço de carne mais quente e sexy desta cidade."
"Quanto romantismo" – revirou os olhos.
"Eu sou quem eu sou."
Será? Por vezes Santana tinha algumas crises de identidade sobre quem ela realmente era. Podia ser uma aluna aplicada, nerd, dentro de uma sala de aula enquanto assistia as explicações dos professores diante de projetores e computadores. Ela conseguia viajar em fotos das cidades, imaginar a vida entre as ruelas e das inúmeras histórias possíveis que aconteciam naqueles lugares. Fora da sala de aula, no dia a dia, ela era a garota esperta, sexy e gay, de língua afiada sempre pronta a dar uma resposta quando necessário. Era a garota atenta e confiante que ninguém passava para trás. Aquela que escondia em seu interior a garotinha romântica e insegura. Ou seria ela a intrépida e altruísta vigilante. Aquela que com uma máscara no rosto enfrentava vilões e armas para manter os inocentes a salvos?
Era simplesmente um complexo misto de tudo isso. O tempero que a tornava tão fascinante, inclusive aos olhos dos próprios amigos, embora ela própria não percebesse isso.
"O que pensa em fazer hoje?" – Jenny perguntou – "Se não tiver planos, penso que poderíamos ir àquele outlet da outra cidade. Preciso fazer algumas compras para viajar semana que vem. Estou sem roupas apropriadas."
"Viajar?" – Santana franziu a testa.
"Para a feira internacional de negócios na Itália. É o tema do meu trabalho final, não se lembra?" – Santana continuava a esquecer que aquele era o último ano de faculdade de Jenny, ao passo que ela ainda teria mais dois pela frente.
"Semana que vem?"
"Vai sentir a minha falta?"
"Claro."
Resposta que queria dizer: "vou achar ótimo que você vá porque assim fico sozinha." Àquela altura já se arrependera de ter aceitado os termos de Jenny para ter uma noite. O que a solidão e a melancolia do dia anterior fizeram com ela? Culpa de Rachel Berry. Absolutamente tudo era culpa de Rachel Berry.
"Então?"
"O quê?"
"Terei de ir fazer compras sozinha ou não?"
"Irei contigo, claro" – quis se bater.
"Eu te amo."
"Eu sei" – e não respondeu que a amava de volta, até porque isso seria uma mentira.
Voltou desanimada e arrependida ao próprio dormitório. Ao longe, viu Mercedes, o namorado dela, Artie e outros colegas do edifício se divertindo no gramado enquanto tomavam um banho de sol. Pensou em unir-se aos amigos, mas decidiu que tomar um banho era prioridade. Ao menos com a água do chuveiro caindo livremente no rosto e corpo ela conseguiria pensar melhor em todas as bobagens que fez na última semana. E foram algumas decisões estranhas, menos uma: correr para impedir que o carro despencasse da ponte. Não. Aquela foi a atitude mais acertada por mais que lhe rendesse uma expulsão formal do grupo dos vigilantes. Ou da logística e estrutura montada em torno do grupo. Sentiria falta do centro de treinamento.
Colocou uma roupa casual: tênis, camiseta e short jeans. Deixou os amigos mais uma vez e estava feliz por ter algum tempo antes de ter de encarar Jenny outra vez. Sentia que não conseguiria levar adiante essa história de namoro reatado por muito tempo. Foi andar no parque para aproveitar o sol. O lugar era colorido e agradável à luz do dia, com todas aquelas pessoas circulando. Algumas com skate, com patins e tinha a faixa para ciclistas. Crianças corriam e havia ainda os velhos dos carrinhos de cachorro-quente, pipoca, picolé e algodão doce estabelecidos em pontos estratégicos, como nos playgrounds.
"É estranho te ver aqui em plena luz do dia" – escutou a voz familiar vindo de trás. Santana virou o corpo e esperou Rachel Berry chegar até ela.
"É estranho te ver aqui agora" – Santana franziu a testa. Estava realmente surpresa – "O que faz aqui?"
"Indo trabalhar. O que faz aqui?"
"Só andando."
"Tem certeza? – Santana apenas acenou e Rachel aceitou a resposta – "E a sua... companhia?"
"Jenny?" – Santana balançou a cabeça – "Por que quer saber dela?"
"Eu vi vocês ontem a noite tão próximas."
"Com ciúmes?" – Rachel não respondeu porque era verdade. Virou o rosto e resmungou – "Foi você quem quis assim" – Santana completou baixinho.
"Por que não foi falar comigo no restaurante? Por causa dela? Ou disso?"
"Digamos que você me fez pensar numa coisa e eu me deparei com outra."
"Como assim?"
"Por que cantou aquela música?" – cortou o assunto – "A do Los Hermanos?"
"Foi uma má ideia" – Rachel desconversou.
"É uma das minhas músicas favoritas..."
Rachel olhou para a colega e se permitiu um pequeno sorriso.
"As coisas entre nós vão continuar a serem estranhas?" – Santana perguntou e olhou para o chão.
"Acho que elas são estranhas desde o início."
"Talvez tenha razão" – permitiu-se abrir um sorriso – "Isso nos faz quites, certo?"
"Em que sentido?"
"Você não gosta do Finn. E eu não gosto da sua companhia."
"Não gosto do Finn porque eu o conheço. Qual a sua justificativa?"
"Tenho uma boa intuição."
Santana balançou a cabeça positivamente e suspirou.
"É a minha saída" – Rachel apontou para o portão à esquerda – "Você vai... sair hoje à noite?" – referiu-se às atividades secretas.
"Provavelmente não. Quem sabe na terça?"
Rachel sorriu. Na terça-feira ela trabalharia à noite.
Na parte nobre da cidade, Grant repassava mentalmente todos os movimentos calculados com precisão. Precisava estar pronto se quisesse desvendar mais peça do quebra-cabeça. Ligou para Matt. Estava tudo certo. Fechou os olhos e tirou um rápido cochilo de meia hora. Era o ritual particular que fazia quando estava prestes a entrar em ação.
