Grant observou a conquista da vez. Uma modelo que participou de um evento promocional na cidade. Era um momento tenso, mas ele não podia deixar de representar o papel de filho de um ilustre advogado: o mais influente da região que tinha empresas como principais clientes. Na noite de terça, participou de uma festa de lançamento de um serviço e conheceu a modelo e passou a noite. Era uma mulher bonita, dois anos mais velha, cabeços ruivos, corpo escultural, lábios carnudos e ótima flexibilidade. Poderia se apaixonar? Balançou a cabeça. O dom que ele lhe trazia inúmeros benefícios também lhe trazia uma maldição: não conseguia se envolver romanticamente. Não era como Matt ou Santana, apaixonados por Quinn e Rachel respectivamente. Não, ele não era assim. Pensava ser lógico demais para se passional. Mas isso não o impedia de fazer inúmeras tentativas e em ter noites casuais para conseguir algum prazer físico em um corpo quente.
"Posso usar o seu chuveiro?" – a modelo disse sedutora enquanto ele pensava em preparar o café da manhã.
"Claro."
"Não quer vir junto?"
"Fique à vontade" – sorriu galanteador e vestiu uma bermuda.
Andou pelo apartamento na região nobre da cidade, que não era grande, mas que era bem decorado em móveis de tons neutros. Foi um presente de formatura do pai que recebera dois anos antes quando saiu da universidade com emprego na companhia de tecnologia garantido. Empresa que era cliente do escritório de advocacia. Fez o próprio café da manhã e procurou controlar a ansiedade de se ver livre da companhia e poder trabalhar em paz. Havia muito que fazer. Esperava respostas de Hemon sobre as informações criptografadas da prefeitura e ainda precisava estudar um pouco mais as observações dos cadernos de Martinez, que ficaram com ele. Também tinha uma cópia do diário, que passou a ler com calma, como um livro de cabeceira. Todos tinham uma cópia daquele diário. Todos sabiam o que Martinez realmente pensava de cada um, dos bloqueios que ele colocou nos alunos e teriam de aprender a lidar com cada um deles.
Pensou em Santana, em especial. Foi um baque para ela ao saber que Martinez realmente planejava exterminá-la. Mas não disse como ele pretendia fazer isso. Era o que temia. O fato de não conseguir se apaixonar pelas pessoas não queria dizer que Grant não se importava com elas. E o fato é que ele admirava Santana Lopez. Talvez fosse um fã.
"Oh, você fez café!" – a modelo sorriu.
"Fique à vontade."
Fizeram a refeição entre períodos de silêncio e conversinhas corriqueiras. Foi um alívio quando a modelo se despediu dispensando carona, mas cobrando uma ligação de retorno. Era uma promessa que Grant não iria cumprir. Raramente ele o fazia. Exercitou-se na barra, fez flexões, abdominais antes de se sentar diante do computador com os óculos de grau para leitura no rosto. O telefone tocou. Não era qualquer chamada.
"Martinez" – respondeu à ligação – "A que devo a honra?"
"Olá Grant. Por que o tom de ironia? Não posso ligar para o meu protegido?"
"Por que está ligando?"
"Não posso?"
"Apesar de tudo que aconteceu, eu te respeito muito, Martinez. Você é como um segundo pai para mim. Pela ligação que temos, pelo respeito entre nós, peço para que seja direto. Você sempre foi comigo e pequenos rodeios não fazem parte."
"Sim, Grant. O sentimento é recíproco. É esse mesmo respeito que me faz ligar em vez de ir até aí e arrancar algumas coisas sem pedir."
"O que quer, Martinez?"
"Preciso ter de volta o que ela roubou da minha casa."
"Ela?"
"Eu conheço muito bem os meus alunos. Mas acho que a essa altura você sabe o quanto. Você invadiu a prefeitura. Usou Artie contigo, segundo os relatos, e Matt por causa da limpeza na invasão. Ela foi até a minha casa e vejo isso pelo buraco no meu telhado. Matt não tem a habilidade de escalar como ela, nem a velocidade. A polícia disse que o fugitivo era excepcionalmente veloz, como um corredor de explosão, porém com fôlego de um fundista" – Grant sorriu. Ficaria decepcionado se Martinez não tivesse presumido tudo corretamente – "Então ela roubou coisas da minha casa. Cadernos que são importantes para mim, e eu peço a você educadamente para me devolver. Você me deve."
"Por que acha que eu faria isso? Quando sei o que você queria fazer comigo, do desprezo e de como planejava usar os demais. De como queria matar Santana? Por que eu deveria ter tal cortesia?"
"Conheço você. Não precisa mais das minhas coisas. Já fez cópias de segurança e tudo mais. Aceito compartilhar essas informações, mas preciso realmente das minhas anotações. É um acordo que estabeleço aqui. Você me devolve e eu os deixo em paz, a mercê das próprias escolhas, e ainda afasto a polícia dos seus calcanhares."
"Estou curioso. Como você pretende afastar a polícia dos nossos calcanhares?"
"Ela... é um problema. E o prefeito ficará muito satisfeito se apresentar à sociedade o culpado por toda confusão. Vamos Grant, não é um acordo tão difícil. Você, como novo líder deles, vai saber conduzir o problema."
"Nós não temos um líder."
"Conversa mole."
"E se eu não aceitar? E se eu não quiser entregá-la? E se eu fizer de tudo para protegê-la?"
"Neste caso, meu querido aluno, as coisas serão resolvidas nos termos do esquema e eu vou permitir. Veja bem, eu não sou o cara mau. E você sabe disso."
"Eu entro em contato sobre o lugar para você pegar suas coisas. Mas Santana está fora desses termos."
Desligou o telefone. Grant respirou fundo. Não era uma situação simples. Também não entendia ainda porque Martinez queria tanto se livrar de Santana. Naquele instante, tudo que sabia era que precisava usar o tempo e correr contra o relógio. Ainda diante da tela do computador, no e-mail seguro, recebeu uma mensagem de Hemon. Era o arquivo decodificado do pendrive de Martinez. Tratava-se de uma lista de pessoas com dons. Uma lista com fotos, nome, idade e poder. Ele estava nesta lista, assim como todos os outros, inclusive Quinn Fabray, no arquivo mais recente. Havia um arquivo falando de pessoas em programa de "reabilitação". Isso intrigou o matemático. O que seria essa reabilitação? Abriu o documento e viu a foto de quatro pessoas. Uma delas era a modelo que acabara de dormir.
Por alguns segundos, entrou em pânico. A dimensão que as coisas tomavam era grande demais. Deu um soco na madeira da porta, sentiu a dor, então procurou respirar fundo. Era um ser lógico, matemático, calculava movimentos e riscos. Procurou raciocinar. O esquema sempre foi grande. A questão é que eles eram mantidos na ignorância, na escuridão e a luz sempre é ofuscante quando se ilumina o ambiente de uma vez.
Pegou o caderno de anotações de Martinez e procurou folhear para ver se tinha alguns detalhes que escaparam. Escreveu num bloco de anotações as perguntas que gostaria de ter respostas. Uma delas: por que Martinez quer que a equipe entregue Santana se eles mesmos podem armar uma armadilha e pegá-la? Por que ele estava tão desesperado pelos cadernos e não pelo diário ou pelo pendrive, que estavam no cofre? Que tipo de pressão estava sendo submetido e por que os grandes chefes do esquema não falavam diretamente com eles? Leu algumas anotações. Havia números e letras que pareciam códigos. Resolveu anota todos eles. Tentaria decifrá-los depois. Leu algumas informações técnicas sobre os experimentos que ele fazia para testar os limites dos poderes dele e dos próprios. No diário. Havia uma ampla explanação do que ele podia e não podia fazer.
Em uma das observações, afirmava que pessoas tinham mais ou menos resistência aos poderes mentais. As pessoas "normais" podiam resistir dependendo da força de vontade que apresentavam. Martinez fez uma relação de tipo de poderes e resistência, embora tenha admitido que as variáveis são muitas. Mas, em geral, pessoas com poderes de físicos, como os de Santana, resistem menos. As pessoas com poderes de manipulação e projeção de energia, como de Brittany e Quinn, tem resistência mediana. As pessoas com poderes mentais, como o próprio Grant, tendem a resistir mais. No diário, Martinez confessava que precisou fazer grande esforço para colocar bloqueios em Santana e em Grant. Mais do que nos outros.
Grant anotou o próprio nome e da colega numa outra folha e a dividiu ao meio. Ali, naqueles rabiscos, procurou anotações específicas sobre os dois para encontrar alguma relação do porque o jogo que Martinez se concentrava mais nos dois. Anotou números, detalhes e percebeu que Martinez tinha feito mais estudos sobre seus alunos que ele imaginava, mas não conseguiu encontrar nada ali que fizesse dele ou Santana protagonistas. Até que reparou que o nome dos dois, em uma determinada página, eram os únicos que tinha um código endereçado. Precisava descobrir urgentemente que tipo de códigos era esses. Digitalizou mais algumas páginas, até que se cansou de procurar pistas ali. A mente estava cheia e confusa.
Começou a brincar com um cartão. Quando o observou melhor, reparou que era o telefone da modelo com quem dormira algumas horas atrás. Harmony Goodwing. Acessou mais uma vez o arquivo dela. Harmony Goodwing, 26 anos. Tinha como poder audição e visão aguçadas.
"É como uma espiã perfeita" – Grant murmurou.
Resolveu ligar e a convidou para um almoço. Harmony aceitou. Tomou uma chuveirada e se arrumou. Tomou o cuidado de levar consigo o computador, as anotações, os cadernos e o celular (o pendrive estava com Artie). Risco calculado. Dirigiu-se ao restaurante que Rachel Berry trabalhava e chegou por lá dez minutos mais cedo. Ele sabia que ela estaria lá porque lembrava-se de ouvi-la dizer que trabalharia no horário de almoço por conta da peça que estrearia. Encontrou a mais nova aliada servindo mesas e fez questão de ser encaminhado para o "setor" que ela atendia dentro da divisão interna entre os funcionários.
"Posso ajudá-lo" – ela se aproximou com um sorriso desconfiado.
"Um como de água, por enquanto, e gostaria que você pegasse esses cadernos aqui e levasse para outro lugar. Pode fazer isso?"
Rachel acenou e pegou os cadernos. Por um minuto foi até o vestiário e os colocou dentro do armário e voltou rapidamente ao trabalho. Grant recebeu Harmony pouco tempo depois. A jovem moça sorriu e sentou-se.
"Não esperava que ligaria" – ela disse com simpatia – "Foi uma ótima surpresa."
"Seria um estúpido se não tivesse interesse em manter contato e me privar da sua companhia."
"Você é sempre assim? Galanteador?"
Grant sorriu e chamou a garçonete. Rachel apresentou-se com o menu em mãos e um sorriso desconfiado. Grant pediu cinco minutos entre conversinha mole sobre os pratos disponíveis até pedir filé e vinho tinto. Salada tropical de entrada. Rachel levou o vinho para que Grant aprovasse e então serviu as taças para o suposto casal. Enquanto trabalhava, ficava de olho no movimento daquela mesa na expectativa de qualquer chamado urgente de Grant. Mas, por hora, só via sorrisos entre os dois.
"Você deve viajar bastante por causa da sua carreira" – Grant disse bebericando um pouco do vinho.
"Mais ou menos. Não e que seja uma modelo de carreira internacional, mas trabalho não me falta. Você que deve viajar bastante sendo da equipe de engenharia e tudo mais."
"Por incrível que pareça, não é bem assim. Saiu pouco da cidade, até porque tenho responsabilidades suficientes por aqui."
"Você deve ser muito ocupado com coisas da empresa."
"Também. São coisas da empresa e coisas que preciso lidar sobre certos dons especiais" – observou atentamente as reações da modelo e não ficou impressionado com a expressão de curiosidade teatral. Boa visão e audição não faziam de Harmony uma boa atriz.
"Dons especiais?"
"Você sabe... coisas como ter visão e audição aguçadas" – bebericou mais uma vez o vinho e relaxou na cadeira quando Rachel trouxe as entradas do almoço – "Espero que o seu paladar também possa ser especial porque a comida deste restaurante é ótima" – piscou para Rachel, que se retirou sem fazer comentários. A diva era esperta para entender que aquela reunião se tratava de negócios dos vigilantes.
"Dizem que você é mesmo muito bom em matemática" – Hamony revidou.
"É instintivo" – degustou uma garfada – "Essa salada é mesmo ótima..."
"Tenho certeza que sim" – ficou séria – "O que você quer, Grant? De especial para especial."
"É assim que vocês se chamam? Interessante" – continuou a refeição – "Mas essa pergunta é minha. Você se aproximou e justo num momento delicado para nós aqui na cidade."
"Talvez."
"As coisas estão um pouco confusas, entende? Só gostaria de entender por que há tanto movimento agora, embora sempre estivermos aqui? E por que você se aproximou de mim daquela... forma. Nãoq eu esteja reclamando da nossa noite."
Harmony relaxou na cadeira e bebericou um pouco de vinho.
"Estou intrigada sobre até onde sabe. Poderia me atualizar?"
"O que significa estar na reabilitação?"
"Significa entrar novamente no programa."
"Novamente? Bom, se há um retorno, posso perguntar por que saiu pela primeira vez?"
"Nem todos concordam com o programa. Eu já discordei uma vez e me reuni a outros grupos. Grupos como Martinez chegou a organizar. Às vezes isso é tolerado. Às vezes não."
"Por que voltou?" – Grant insistiu.
"Esse é um assunto particular."
"E o que você quer? Assim, sem rodeios. O que quer?"
"A identidade da mulher que segurou a caminhonete na ponte na semana passada."
"Por quê?"
"Há pessoas interessadas. Nela, em você. E algo me diz que você sabe quem ela é."
"O que Martinez falou sobre o grupo que montou?"
"Que você faz parte, assim como a menina que cura."
"Correto" – Grant sinalizou a Rachel para que ela recolhesse os pratos da entrada e trouxesse a refeição principal. A garçonete retirou a entrada, perguntou se o casal queria mais vinho e então retirou-se para verificar se as refeições principais estavam prontas – "Infelizmente a vigilante é um... lobo solitário. Eu já falei com ela, mas nunca vi seu rosto. Não sei o nome, de onde veio, o que faz quando não veste uma máscara. Nada" – Grant era um grande mentiroso.
"Sabe como entrar em contato com ela?"
"Talvez" – sorriu ao ver a garçonete se aproximar com as refeições principais. Silenciou-se por um instante e provou do filé. Magnífico. O molho estava no ponto. Precisaria se lembrar de parabenizar o chef numa ocasião oportuna – "Talvez ela não esteja interessada. Assim como talvez eu não esteja interessado."
"Talvez isso não seja um problema..." – Harmony sorriu e apreciou a refeição vegetariana.
"Vejo porque você trabalha neste tipo de esquema. Tem mais do que uma boa visão e audição" – sorriu e deu mais uma garfada no filé. Degustou e murmurou em prazer – "Mas eu também tenho as minhas armas. Nós ainda estamos trabalhando num plano amigável, entende. Seria horrível se isso se tornasse público."
"Realmente."
"Vamos fazer o seguinte: vocês deixam a vigilante em paz. Deixe que Martinez e nós resolvemos nossos problemas internos e ninguém sairá machucado."
"Não é uma negociação tão simples."
"Seja lá como for, tenho certeza que pode conversar com os seus chefes e convencê-los a nos dar um pouco mais de tempo até que decisões possam ser tomadas. Precisa entender que estamos em campo minado neste instante. Martinez... nos manteve no escuro por muito tempo. Existe a atenção midiática, novos jogadores, é preciso tempo."
"Vou levar as suas considerações aos meus superiores."
"Sabia que uma garota tão bonita poderia ser razoável" – Grant sorriu e terminou a refeição.
Rachel retornou para retirar os pratos e gentilmente perguntou ao casal se gostariam de verificar o cardápio de sobremesas. Diante da recusa, ela graciosamente acenou e atendeu ao pedido de enviar a conta. Grant pegou o cupom, pediu a máquina de passar cartão de crédito e deixou cem dólares de gorjeta. O casal levantou-se e se retirou do restaurante. Se Rachel não soubesse quem Grant realmente era, ficaria estarrecida de ter recebido a pasta e ver o cliente sair sem pedi-la de volta. Mas diante da situação em que ela estava ciente que existia, se a pasta ficou, é porque deve ser importante que fique escondida. Alguns minutos depois que Grant e a modelo saíram, o celular dela vibrou. Atendeu primeiro mais uma mesa antes de discretamente conferir a mensagem.
"Esconda os cadernos. Diga nada a ninguém" – G. Fish.
Rachel com certeza entraria em pânico se soubesse da real importância do material que tinha em mãos. Se ela estivesse com Grant naquele instante, iria se apavorar em ver o bonito apartamento completamente revirado. Isso forçou o vigilante a fazer alguns telefonemas.
Penúltimo ensaio antes da estreia no sábado, fora o ensaio-geral aberto ao público um dia antes. Todos os integrantes do teatro estavam lá fazendo suas respectivas partes e procurando ignorar todo o barulho na vida fora dali. Mercedes, Artie, Santana, Matt e Quinn estavam preocupados com a situação, embora Grant tivesse pedido calma a todos eles nos telefonemas. A prioridade era blindar Santana e afastá-la a todo custo do ímpeto que tinha em vestir a máscara. O grupo olhava Brittany com desconfiança a ponto de Mercedes e Quinn a tratarem com hostilidade. Rachel estava no meio do furacão entre um grupo de vigilantes em crise e os próprios amigos e namorado que negligenciou ao longo de toda a semana. Havia os alheios a tudo, como Schuester, Emma, Tina, Mike, Puck e Blaine. Mal sabiam que eles eram os felizes da história.
"Quais são os planos para hoje?" – Finn perguntou na saída do ensaio.
"Cama e travesseiro" – respondeu com um sorriso pequeno – "Estou exausta."
"Você tem andado exausta esses dias todos. Isso tem a ver com as coisas de mulheres que você discutiu com Quinn na segunda?"
"Coisas de mulher?" – ela franziu a testa.
"Você sabe. Essa história de quando meninas fazem testes. Tem algo que você queira me contar?"
"Você pensa que eu fiz teste de gravidez? Eu que tomo anticoncepcional religiosamente desde aquele susto?"
"Então ela?"
Rachel olhou para Quinn, que estava de mãos dadas com o namorado enquanto conversavam atentamente com Santana, Artie e Mercedes.
"Foi só um susto" – Rachel achou melhor o namorado achar que as suposições dele estavam corretas. Era apenas uma mentira branca – "Mas imagino que os dois teriam filhos lindos, se a criança puxar a beleza da mãe e a cor do pai."
"Acho que tem razão. Vamos? Eu te deixo em casa."
Rachel agradeceu ao namorado, em especial por não questionar a falta de interesse no relacionamento por aqueles dias. Ela o amava, claro, só não conseguia pensar nos dois entre tantos problemas que ela considerava mais importantes.
No fim daquela noite, em meio a bagunça no apartamento, Grant arrumou a cama e voltou a pensar nas anotações dos cadernos. Especialmente nos códigos. Havia um padrão nas letras e números, a começar pela quantidade: cinco números, quatro letras. Ele já tinha visto aquele padrão em algum lugar. Pegou o computador e acessou um dos registros médicos que havia feito com o Dr. Collins. Cinco números e quatro letras. Passou a noite tentando acessar os registros do médico. Então digitou o código que estava debaixo do próprio nome nos papeis que ele tinha anotado do caderno. Começou a ler as informações na tela.
"Agora entendo o porque do desespero" – murmurou para si mesmo – "Vai ser um escândalo se isso vier a público."
Acessou a ficha dele, de Santana, e de todos os colegas. Leu com atenção antes de deletar uma a uma. Então mandou uma mensagem para todos os vigilantes, inclusive para Mercedes.
"Queimem as cópias" – Grant.
Rachel não conseguiu dormir naquela noite. Pensava nos cadernos que estavam dentro da bolsa. Quis ler as informações, mas pensava sabiamente que quanto mais soubesse, mais perigoso poderia ser. Levou um susto quando ouviu o toque de uma mensagem de texto.
"Queime os cadernos o quanto antes" – G. Fish
O coração disparou. O diário estava na casa dos pais e nada poderia fazer quanto a isso àquela hora. Mas tinha os cadernos. Pensou em como deveria se livrar deles. Só um jeito veio à mente. Pegou a maior panela que tinha na casa, uma caixa de fósforos e pegou a escadaria até o aceso ao telhado. A noite estava gelada. Colocou os cadernos na panela e ateou fogo. Observou as chamas subirem.
"O que pensa que está fazendo?" – Kurt a surpreendeu, mas Rachel permaneceu em silêncio – "Rachel, o que raios está fazendo aqui em cima queimando papel?"
Rachel olhou para o amigo. Tinha expressão cansada no rosto.
"Estou salvando alguns amigos. É só isso."
"Rachel..."
"O que foi?"
"Os seus olhos..."
