Santana correu pelo campus no meio da noite com a máscara na mão sem se importar se os colegas iriam comentar a respeito. Não pensava neles. Não pensava em mais ninguém no mundo. A mente estava focada em chegar ao parque para salvar Rachel. Tudo mais poderia ser deixado de lado, apesar do medo e da angústia. Medo do que iria encontrar, medo de perder a pessoa que gostava, medo de morrer. O corpo não respondia como ela gostaria. Os músculos queimavam na corrida, a respiração era ofegante, estava mais lenta que o normal, sentia fraqueza, a visão por vezes embaralhava. Estava em má forma em decorrência às noites mal dormidas e à bebedeira de que ainda não havia se recuperado.

O plano do chefe não poderia ter esperado melhor momento de pegar a pessoa mais forte do grupo, o Wolverine daqueles vigilantes. O vilão sabia qual era a receita para derrotar a pessoa com senso mais forte de heroísmo e maior ameaça aos planos: cansaço físico e mental. Um soco bem aplicado de Santana e uma pessoa poderia morrer. Um elefante poderia morrer. Era um fato. Os estudos em cima da vigilante eram mais complexos do que poderia parecer, tal como Grant constatou e pagou com a vida por ter acessado e apagado tais informações.

Os exames médicos e estudos protegidos pelos códigos anotados nos cadernos destruídos sugeriam que cada vigilante tinha potencial para desenvolver outras habilidades casadas com os dons que possuíam. Artie poderia sustentar vôos mais rápidos e com maior duração. Brittany elevar os dons de cura para além de remendos de tecidos. Com o treino adequado, ela poderia, por exemplo, tirar Artie da cadeira de rodas. Matt tinha vasto campo para desenvolver a telecinésia. Poderia tanto para erguer um carro com a força da mente quanto separar todas as peças e mantê-las sob controle dentro de um campo de atuação. Seria o estágio final da capacidade e do controle que ainda nem sonhava em possuir. Quinn era um campo vasto que só tinha começado a se descobrir, e o chefe ainda não estava certo dos limites ou mesmo de toda a capacidade que tinha. Grant era a pessoa com menor margem de desenvolvimento, mas se transformou numa ameaça ao se tornar um líder paralelo e mais carismático que o chefe jamais foi. Além disso, Grant ficou sabendo de coisas que não deveria. Precisou ser eliminado.

Santana tinha princípios tão fortes quanto os de Grant, mas diferente do amigo caído, o campo de desenvolvimento dela foi pouco explorado. Santana poderia correr mais, segurar coisas mais pesadas que uma caminhonete, saltar mais longe. Faria muito mais se tivesse um plano de treinamento correto, tornando-se assim, uma poderosa arma. O poder de regeneração se aguçaria e o envelhecimento poderia ser retardado a ponto de fazê-la viver além dos cem anos em grande forma. Além disso, ela possuía grande resistência aos poderes mentais quando estava concentrada suficiente. Mas o chefe nunca se importou em passar tais informações

Então ali estava o cenário armado: Santana corria e o chefe esperava. Ela sem informações. Ele com todas necessárias. Ela sem planos. Ele com um esquema. Ela tinha o desespero. Ele, a calma. Ela estava só. Ele não.

Santana puxou o ar assim que chegou aos limites do parque. Levou as mãos aos joelhos, tossiu. Maldita embriaguez. Maldita vodca barata. Puxou o ar mais uma vez. Olhou ao redor e viu ninguém. Colocou a máscara e andou pelo parque. Evitou a pequena ciclovia e a iluminação pública, mas optou caminhar paralela a ela. Viu duas pessoas passando por ali e como não comentavam sobre algo estranho que possivelmente tivessem visto, a vigilante chegou a fácil conclusão que o cenário ocorreria mesmo no interior da área verde. Arregalou os olhos através da máscara quando viu uma pessoa amarrada a uma árvore.

Rachel.

Correu para desamarrá-la. Rachel parecia em pânico, fez gestos dramáticos e gritou.

"Calma, calma" – Santana disse com urgência e levantou a máscara – "Sou eu!"

"Eu... eu... Santana?" – Rachel estava confusa, em dúvidas do que lhe acontecera – "San?"

"Vou tirar você daqui em dois segundos."

"Eu não sei como vim parar aqui..."

"Tudo bem" – Santana trabalhou no nó da corda. Estava bem apertado e a pressa era inimiga de uma boa coordenação. Pensou em tentar arrebentar a corda, mas temeu que isso significasse mais pressão sobre o corpo de Rachel.

"Desculpe, eu..."

"Tudo bem, Rach..." – sentiu alguém segurar sua cabeça e gritou alto por causa da dor provocada pelo ataque psíquico. No reflexo, deu um golpe do agressor que se afastou.

Era Martinez. Santana estava completamente tonta, abatida. Pouco enxergava e sabia que a sua derrota estava próxima tão logo o agressor se levantasse e aplicasse novamente o ataque.

"Rach..." – Santana disse desorientada, com vontade de vomitar – "Rach... hora de explodir..."

"Mas..." – olhou para o lado e viu o agressor se levantar devagar. A sua frente estava Santana ainda sentada à grama vomitando tudo que tinha direito.

Não sabia como fazer, como evocar o poder, mas precisava descobrir depressa uma forma de explodir. Tentou se concentrar, mas a confusão do momento deixava tudo mais complicado. O homem, que nunca tinha visto antes, se aproximava de Santana.

"Belo reflexo" – o homem mancava – "Mas vai adiantar nada."

"Pra... que... esse circo?" – Santana tentava se afastar e ganhar tempo – "Por que... ela?"

"Você diz a sua namoradinha?" – apontou para Rachel ainda amarrada ao tronco – "Você foi descuidada, Santana. Evitou tanto a minha presença, mesmo assim, nos momentos em que pude ler a sua mente só encontrei suas preocupações para com ela. Não foi difícil ligar os pontos. O fato que você a salvou, e depois ela te salvou. A invasão de um vigilante no apartamento dela. O caso da ponte. A cereja do bolo foi o incidente no apartamento quando aquele grandalhão namorado dela soltou que vocês estavam de casinho. Não pense que essas coisas passaram despercebidas. Como queria te fazer sofrer um pouco mais por tudo que você destruiu, o circo seria um caminho lógico, certo?"

"Você... é um... sádico" – Santana sofria para manter a mente focada. Mas as náuseas eram fortes, assim como a vertigem.

"Já que está fora de combate. Como se sentiria em vê-la esquecer absolutamente sobre tudo?"

"Não..." – Santana tentou avançar sobre Martinez, mas desequilibrou-se e caiu na grama.

Rachel arregalou os olhos. Martinez estava diante dela com um sorriso nos lábios. Tinha certeza que ele faria um grande estrago com ela antes de torturar Santana até a morte. O desespero tomou conta do corpo e ela se mexeu tentando afrouxar a corda.

"Olá de novo menininha" – Martinez a encarou – "Então você se importa tanto a ponto de sofrer só em pensar que ela não estará mais aqui amanhã? Eu posso consertar isso. Basta você não resistir tanto."

"Fique longe de mim" – Rachel gritou com os olhos vermelhos.

"Então foi você que fez aquela bagunça?" – Martinez sorriu – "Sabe, eu tenho planos de remontar meu time agora que as duas maçãs podres foram cortadas. Posso começar contigo."

"Não!"

Rachel gritou e a onda escapou pelo corpo que, de alguma forma, foi mais direcionada a Martinez, fazendo com que o telepata voasse pelo menos três metros antes de cair no chão. Santana levantou-se ainda muito atordoada. Tinha certeza que a tontura não passaria tão depressa. A boa coisa é que tinha mais nada no estômago para vomitar. Andou cambaleante até Rachel e sorriu fraco enquanto tentava trabalhar nas cordas.

"Bom trabalho..." – usou a força para afrouxar um dos nós, mas estava difícil – "Queria ter um canivete aqui..."

"Parado!" – uma voz masculina veio por trás – "Levante as mãos aonde posso vê-las!"

Santana olhou para trás e viu um par de policiais com revolveres apontados. Suspirou, abaixou a máscara e levantou os braços. Sentia-se lenta para reagir aos policiais e não poderia arriscar ferir Rachel. Levantou se devagar e fez o seu melhor para ficar estável em pé.

"Afaste-se dela devagar" – a policial da dupla ordenou e Santana fez o possível para obedecer sem tropeços.

"O assassino de Grant Fish está logo ali" – Santana apontou em direção ao antigo mentor, mas ele já não estava mais estirado no chão. Havia fugido. Típico.

"Só se o assassino for um fantasma" – o homem da dupla se aproximou de Santana com algemas em mãos e a pistola ainda apontada – "Finalmente é um prazer, vigilante."

"Está tudo bem, Rachel?" – a mulher perguntou.

"Não foi culpa da vigilante. Foi uma armadilha. Deixe ela em paz! Você tem que ir atrás do outro..." – disse sem se atentar que a policial disse o nome dela sem ao menos conhecê-la.

"Veremos isso depois" – o policial – "Vire de costas" – ordenou a vigilante, que não obedeceu.

"Como sabe o nome dela?"

"Acha que está em posição em fazer perguntas" – o policial mirou em Santana e o dedo ficou tenso no gatilho.

"Como sabe o nome dela?" – Santana repetiu.

"Ela é mais famosa do que possa imaginar" – a policial sorriu, tentando manter a calma da situação – "Vire de costas e continue com as mãos levantadas!" – o policial livre falou as palavras de ordem – "Você tem o direito de permanecer calada. Tudo que disser poderá e deverá ser usado contra você no tribunal" – estava a dois passos da vigilante – "Você tem o direito a um advogado presente em qualquer interrogatório..."

Quando agarrou um dos pulsos para algemar a vigilante, veio a reação. Santana sentia os efeitos do ataque psíquico, estava cansada, confusa e frustrada. Virou-se de supetão contra o policial que acabava de ler os direitos, o impediu de concluir com as algemas e o acertou num tapa com as costas da mão que o levou ao chão. A outra policial imediatamente apontou a pistola e atirou, mas Santana já corria na escuridão do parque. Precisava pensar rápido em uma forma de livrar Rachel dos policiais. E tinha de procurar Martinez. Queria matá-lo.

Um dos policiais estava a perseguindo. Estava lenta, corria aos esbarrões e tropeços. O policial atirou uma vez como um alerta, mas Santana continuou. O policial se aproximava. Ela dava o melhor de sim, mas ele se aproximava, estavam próximos do limite do parque. Se ganhasse a cidade ficaria mais exposta, porém poderia aumentar as chances de fuga. Mas e Rachel? Precisava buscá-la. Quando percebeu que o policial estava poucos passos atrás, virou-se de uma vez e tentou deixar o braço. Surpreendentemente, o policial não apenas desviou como a golpeou com os pés, a fazendo desequilibrar e se chocar contra uma árvore. Os dois se encararam. Santana estava surpresa por de trás da máscara, ao passo que o policial tinha um pequeno sorriso no rosto.

"Eu não caio no mesmo truque duas vezes" – disse sem mostrar sinais cansaço, ao contrário do estado de Santana – "Estava ansioso por esse acerto de contas."

"Você" – Santana puxava o fôlego – "Faz parte daquele programa secreto para transformar gente como nós em zumbis obedientes."

"Zumbis obedientes?" – o policial desdenhou – "Você deve ter uma boa imaginação. Somos muito mais que isso. Fomos convocados e treinados para combater párias como você e manter as coisas como devem ser."

"Claro" – a vigilante estava alerta para os movimentos do policial – "As coisas como devem ser é manter os cretinos que te dão uma boa vida no poder. Diga uma coisa: depois que você terminar comigo, por um acaso vai voltar para a sua mansão até receber a próxima missão suja?"

"Certamente não estarei aqui" – sorriu malicioso e avançou contra a vigilante.

Ele era rápido e acertou um soco no rosto que a fez ir ao chão. Parecia querer brincar um pouco, pois não voltou a atacar de imediato.

"Martinez disse que você era durona" – deu um chute na boca do estômago – "Talvez ele tenha se enganado" – outro chute que fez a cuspir na própria máscara – "Você é de nada. Levanta. Vai! Esperei tanto por isso, e não quero sair daqui tão decepcionado."

A vigilante levantou-se com dificuldades. Estava tonta, com náuseas. A respiração continuava ofegante e tinha dificuldades para focar. O homem a sua frente se movimentava com destreza. Brincava, zombava. Acertou um soco no meio da testa, como se brincasse de boxe. Mais um e outro. A vigilante só não caiu no chão mais uma vez porque uma árvore a aparou. O policial continuou a brincar e se desconcentrou. Ele era rápido. Muito rápido, mas estava contra um adversário mais forte. A vigilante agarrou-o pelo pulso e deu um contragolpe poderoso que o fez ir ao chão. Ao contrário do policial, ela não estava para brincadeiras e aproveitou a chance para desferir socos e chutes. Eram golpes descoordenados, fracos em relação ao que seriam caso Santana estivesse em forma, ainda assim eram dolorosos. Um chute e costelas do policial foram quebradas. Um soco dado com ódio e o maxilar também. O policial não resistiu e desmaiou. Ao ver que o homem não mais se mexia, Santana se assustou. Saiu de cima do policial e se afastou em passos imprecisos. Estava chocada.

Havia movimentação ali perto e ela precisava fugir. Tentou correr, mas tropeçou em algo. Xingou a si mesma pelo movimento atrapalhado. Olhou para cima e o breu da noite revelou a pessoa que mais odiava naquele momento. Martinez estava ali, diante dela, em companhia da policial que sabia o nome de Rachel.

"Fim da linha, vigilante" – o som veio alto dentro da cabeça de Santana, que gemeu.

"Então é assim?" – Santana levantou-se e desdenhou do velho mestre – "Deixou aquele outro ter a vez dele antes de acabar comigo? Fico honrada."

"Não precisava ser assim. Você forçou toda essa situação. Poderíamos ser os melhores, poderíamos receber muito dinheiro com nossos talentos. Mas o seu senso de honra e heroísmo foi um desastre."

"Foi por isso que nos uniu? Não para combater os outros, mas para ganhar dinheiro com isso?"

"No princípio eu tinha razões nobres. Acredite. Ainda as tenho, mesmo que diferentes. Eu quero o bem deles, Santana. Uma pena que esse plano no inclui você."

"Você não tem coragem de acabar comigo sozinho? Não vou ter a mesma consideração que você teve ao matar Grant? Você precisa dela? ou desse outro cara"

"Acha que vociferando essas informações vai ter alguma coisa ao seu favor? Eles são como nós, Santana Lopez. Eles também querem a sua cabeça" – sorriu e Santana retirou a máscara, revelando um rosto inchado, lábios cortados e hematomas que começavam a surgir.

"Eu te odeio Martinez. Que essas balas do revolver dessa sua amiga encontrem o caminho delas porque eu vou te matar."

"Boa sorte."

Santana procurou correr para o lado e entre as árvores para desviar dos tiros, mas um a atingiu na batata da perna e ela caiu. Viu Martinez e a policial se aproximarem como cachorros raivosos e fechou os olhos. Era chegada a hora e ela sequer teve a chance de colocar as mãos em Martinez. Ouviu um barulho e um grito. Cerrou ainda mais os olhos por alguns segundo antes de reconhecer uma voz amiga.

"Vamos sair daqui" – Artie tentou erguê-la.

"Mas?"

"A gente..." – Artie gritou em vez de completar a frase. Alguém o acertou. Viram dois policiais com olhares amedrontados que chegaram para auxiliar após ouvir a movimentação – "Você vai pagar por essa" – não deu tempo para analisar o tiro de raspão. Levantou voo e procurou ser rápido para atingir um deles. Os agentes tentaram se recuperar, mas alguma coisa, uma força estranha os ergueu do chão. Subitamente, os corpos deles foram arremessados para longe.

"Matt" – Santana sussurrou. Era quase inacreditável que os vigilantes restantes estavam ali para ajudá-la.

"Da próxima vez que sair para uma armadilha" – Matt disse ainda levemente embriagado – "Avise antes" – ajudou Santana a se levantar – "Pode andar?"

"Não... preciso de um hospital... ou de Brittany."

"Ou do cemitério" – ouviu a voz do chefe dentro da mente. Os três ouviram – "Meus velhos pupilos. Matt, meu aluno mais dedicado... tolos. Ao meu lado vocês teriam um futuro brilhante. Mas eis que resolveram ajudar outro cadáver."

"Você é que deveria morrer, Martinez. Melhor, ser preso" – Artie falou com firmeza – "Você se corrompeu. Você, Angelina, o promotor e o prefeito. Todos. Você aceitou receber 300 milhões da prefeitura para montar uma equipe só para legitimar as ações corruptas. Você tinha um salário de 500 mil só para isso. Dinheiro que você aplicou em contas de Angelina, que era a sua laranja. Você não nos mandou investigar o grupo de pedófilos porque era o certo a se fazer, mas porque o cabeça daquela quadrilha era o contador do caixa dois do prefeito que estava ameaçando abrir o bico. Você sabia que haveria a execução Edward Hemon porque ele sabia demais. Mas agora todos vão saber a verdade, a não ser que deixe uma pilha de cadáveres para trás, a começar por nós três."

"Não pode provar" – foi a primeira vez que ouviram a voz real do antigo chefe.

"Podemos" – Artie desafiou – "Acha que caímos na besteira de manter as informações só para nós?"

"Mercedes e quem mais?"

"E outras pessoas" – Artie continuou o confronto.

"Rachel? A menina que foi engolida pó tudo isso em menos de um mês? Quinn?" – ele sorriu – "Aquela que mal consegue suportar a idéia de ter um poder? A covarde que prefere se esconder porque tem medo demais que levem a filha? Essa Quinn?"

"Essa Quinn!" – a voz chegou por trás.

Martinez sentiu duas mãos congeladas pressionando os lados da cabeça. A ação do poder de Quinn foi tão rápido que ele sentiu todo o corpo estremecer com a onda de frio. O pensamento ficou difuso, tonto, vertiginoso, ele perdeu o controle de si mesmo. Tentou tirar a jovem de perto. Movimentou o corpo e deu um safanão em Quinn a jogando no chão. Surpreendeu-se ao ver que ela usava uma máscara, apesar das roupas que lhe eram comuns. Matt aproveitou a oportunidade e usou o poder para jogar o chefe contra uma árvore. O impacto o fez perder o fôlego. Artie voou e empurrou a outra policial que atirava contra Matt. Quinn levantou-se e segurou a mão da policial, que berrou ao sentir a mão ser congelada. Largou a arma e girou o braço dando outro safanão em Quinn. Matt usou a telecinésia para erguer a policial alguns metros do chão e depois a deixou cair. Restava Martinez. O ex-mentor, ainda desorientado, encostou a mão na cabeça de Matt, que gritou e desmaiou com o ataque psíquico. Quinn correu em direção ao namorado e encostou as mãos geladas nas costas de Martinez, na altura dos pulmões. Outro choque que o desestabilizou. Artie aproveitou-se para empurrar Martinez próximo de Santana, que se levantou em meio a ação. Ela aparou o ex-mentor e foi a vez dela em sorrir cinicamente.

"Durma com os anjos!" – aplicou um soco vencedor.

Os quatro olharam para o chefe nocauteado com espanto e satisfação. Santana apoiada em Matt, Artie flutuava e Quinn tinha as mãos no joelho.

"Belo cruzado de esquerda" – Matt comentou.

"Obrigada" – Santana respondeu.

"O que faremos com ele?" – Quinn coçou a bochecha – "E como vocês conseguem ficar com essa coisa por tanto tempo?"

"Você se acostuma" – Artie deu tapinhas no ombro da colega.

"Acho que esse sujeito é perigoso demais para permanecer vivo" – Matt sentenciou.

"Matar uma pessoa não é o nosso estilo" – Santana ponderou.

"Mas se ele continuar... ele sabe demais e vai se voltar contra nós" – Quinn cogitou – "Ele sabe manipular mentes. Como vamos saber que ele não está manipulando o juiz e o júri? Pior, se o deixarmos aqui, todos vão pensar que ele é uma vítima, que não matou Grant e tudo mais."

Ouviram sirenes próximas precisavam agir rápido. Foi quando Matt retirou a máscara e a colocou no velho chefe. Depois o vestiu com a jaqueta.

"Parece que eles vão pegar o vigilante mascarado."

Artie levantou voo para livrar Rachel que permanecia amarrada à árvore. Matt pegou Santana no colo para fugir mais depressa ao lado de Quinn. Policiais chegaram ao local, encontraram um policial infiltrado ferido, outra, falsa, fora de combate, além de um vigilante que tanto procuraram. Não hesitaram em algemar o homem desacordado e retiraram a máscara. Tratava-se do foragido.

Não muito longe dali, o detetive Daniel Belford, com fama de ser um dos poucos incorruptíveis do departamento de polícia, abria um envelope pardo. Correspondência enviada clandestinamente por Mercedes a mando de Grant. Uma cópia das mesmas provas havia sido deixada nas mãos de Sue Sylvester, a jornalista televisiva mais famosa da maior rede de comunicação da metrópole. De um jeito ou de outro, era fim de linha para Martinez e do esquema de corrupção da prefeitura.

"Como me encontraram?" – Santana disse ao entrar no carro de Matt, auxiliada por Quinn e Rachel.

"Mercedes ligou para todo mundo e você teve sorte que o parque foi o primeiro lugar em que procuramos" – Matt explicou.

"Oh, bem pensado! Ai!"

"Também digo ai" – Artie pressionou o ferimento causado pela bala que passou de raspão quando se acomodou no banco da frente.

"Hospital?" – Rachel perguntou.

"Que tal alguns tacos primeiro?" – Santana sorriu.

"Que tal Brittany?" – Quinn praticamente sentenciou.

"Nada de Brittany... ai" – Santana encostou-se em Rachel.

"É a nossa melhor opção, apesar de tudo" – Matt ponderou – "Já que eu estou ao volante mesmo..."

O carro parou na frente da casa dos Pierce. Matt ligou para o celular da Brittany que, poucos minutos depois, apareceu na porta da frente. Ela acenou para os amigos e fez o trabalho dela sem questionar. Era uma forma de fazer as fazes com o grupo de pessoas que mais gostava.

CONCLUI NO PRÓXIMO CAPÍTULO