Início de março
Em uma das mãos, Nathan Harlan segurava um belíssimo anel de noivado, com um diamante de dois quilates. Na outra, tinha um copo de uísque com gelo o terceiro em apenas uma hora. Seus ossos, seu coração e sua alma estavam frios. Provavelmente, o fato de não ter ligado o aquecimento, nem mesmo uma lâmpada, desde que anoitecera, o que já ocorrera há horas, não ajudava. A sala estava iluminada apenas pelas luzes de Nova York, que entravam pela janela projetando uma silhueta da garrafa de uísque sobre à mesinha de café. Na verdade, ele não precisava enxergar nada mais do que isso.
Há algumas horas, sua noiva — ex-noiva — havia colocado gentilmente o anel de diamante em sua mão. Desde então ele não o largou.
Nathan achava que conhecia e compreendia Lily Evans. Ela era obstinada e metódica, como ele. Juntos eram dinâmicos, um casal poderoso, de boa descendência e com um futuro incrível pela frente. Aos 29 anos, Nathan estava na idade perfeita para se casar e no momento perfeito de sua carreira em sua agência de publicidade. Tudo seguia de acordo com o planejado.
Essa tarde, ela havia acabado com qualquer possibilidade de um futuro juntos. Ele não havia previsto isso. estavam namorando a meses, tempo suficiente para saber que o relacionamento ia bem. Ficaram noivos há menos de três semanas, no Dia dos Namorados, muito romântico. E agora, durante a semana em que ele esteve em Chicago, trabalhando com um novo cliente, ela encontrara outro homem, um astro do rock. A tranquila Lily Evans, que tinha uma personalidade igual à sua, havia conhecido um astro do rock.
Nathan deu um gole no uísque, e, enquanto pensava em dar outro, a campainha tocou. Não se moveu. Tocou de novo. Ele serviu outra dose, com o gelo já derretido. Alguém bateu à porta e uma voz de mulher disse seu nome.
Lily? Não. Ela não viria até aqui. No entanto, curioso, deixou o copo na mesa e se levantou. Levou um instante até conseguir se equilibrar. Embora não estivesse acostumado a tomar mais de uma ou duas taças de vinho, não estava bêbado. Pelo menos, achava que não. Talvez um pouco tonto. Abriu a porta e demorou a perceber que Lily estava ali, parada de costas para ele, diante do elevador.
— O que está fazendo? — perguntou, fechando os olhos por causa da luminosidade e saindo para o hall. Neste instante, o elevador chegou ao 15º andar.
Ela virou-se para fitá-lo, mas não disse nada. Nathan viu que ela estava diferente com aquele vestido vermelho, curto, mas não sabia dizer o que era. Seu cabelo ruivo e cintilante caía em cachos, acariciando seus ombros e escorrendo pelas costas. Seus olhos verdes o fitavam. Sua expressão era franca e carinhosa. Carinhosa? Porque ela se importava? Tinha dado o fora nele. Sem cerimônia. Sem emoção.
Isso definia o relacionamento deles. Sem emoção. Sem sexo. Uma parceria com um futuro baseado na amizade sólida e no intenso respeito que nutriam mutuamente.
Mas ele a amava, e acreditava que ela o amava. Sempre imaginara que a paixão surgiria em algum momento, e respeitara a decisão de Lily de se guardar para o leito nupcial.
Será que ela havia percebido o erro cometido ao romper com ele? Era por isso que estava ali? Por que não dizia nada? Afinal, viera vê-lo.
— Porque você está aqui? — perguntou ele. Queria que ela se desculpasse?
— Cometi um erro — confessou em voz baixa. Caminhou em sua direção, com as mãos estendidas. — Um grande erro. — Passou os dedos por seu peito e afastou-os, como se queimassem. Fechou o punho e pressionou-o contra seu coração.
Nathan contraiu-se. Aquele toque fora suave, mas letal ao seu equilíbrio. Esperançoso, tentou apagar aquelas horas de sofrimento. A mágoa ainda resistia, até que, de repente, ela se aproximou e o beijou. Surpreso por aquele ataque surreal e repentino de paixão, também a beijou, até fazê-la gemer. No entanto, uma voz em sua cabeça gritava para que não perdoasse a mulher que sempre se recusara a dormir com ele, seu noivo, mas que se ofereceu para um homem que acabara de conhecer.
Quando Lily pressionou seus quadris contra os dele, Nathan ficou contente por não ter tomado aquele quarto drinque. Sabia exatamente o que devia fazer. Resistir não era uma opção, apesar de ter passado meses fazendo isso. Mas desta vez, não.
Ele a agarrou em seus braços e levou-a até a cama, descobrindo que ela estava diferente porque se vestira para seduzi-lo, algo que nunca havia feito.
Um calor inesperado espalhou-se por seu corpo ao pensar que havia provocado esse esforço.
— Isto é insólito — disse, transformando as palavras em uma pergunta. Queria confiar nos motivos dela, mas tinha medo. Como podia desculpá-la tão rápido?
— Nunca esperei fazer amor com você.
— Como assim? — indagou ele, franzindo o cenho.
— Só isso.
Aquilo não era uma resposta, mas, aparentemente, ele não receberia mais nada. Será que o bad boy já a havia abandonado? Isso importava? Claro, mas... Nathan queria lhe mostrar o que estava perdendo. Havia se controlado, honrando seu pedido de castidade. Agora, seu ego exigia isso.
Ligou o abajur da cabeceira, tirou a gravata e desabotoou a camisa. Ela não o mandou parar. Será que realmente ia até o fim?
Tirou a blusa e jogou-a no chão. Em seguida, puxou o cinto, deixando-o cair ao lado da cama. Com isso, percebeu no sapato alto vermelho de Lily uma lembrança vívida de toda a estranheza da noite. Nunca a vira usando saltos tão altos, estavam quase da mesma altura.
Será que seu objetivo era mostrar-se agressiva, não apenas assertiva?
Ele cerou os dentes e a fitou, buscando respostas para perguntas que não havia feito, já que não sabia se realmente queria ouvir a resposta. Ela não só não pediu que parasse, como nem sequer recuou. Estudou cada movimento seu, sem nenhum traço de pudor virginal em seus olhos. Ele tirou os sapatos e deixou as calças caírem, livrando-se também das meias.
Sua cueca era preta e justa, e ficara ainda mais justa nos últimos minutos. Ela o inspecionou de uma maneira mais excitante que qualquer beijo ou toque de que ele lembrasse. Engoliu em seco e fitou-o novamente. Seus mamilos estavam contraídos sob o vestido. O coração de Nathan batia forte.
Será que ela fugiria se ele tirasse a cueca? Lily o havia mantido afastado há meses. No entanto, depois de dormir com outro homem, desejava Nathan. Isso não fazia sentido. Será que queria compará-los? Não era seu estilo.
Se fizesse amor com ela agora, estaria perdoando-a ou vingando-se dela? Não sabia se queria descobrir, mas uma força irracional o forçava a continuar, mesmo sabendo que poderia ser interrompido. Ou humilhado. No entanto, ela dissera que havia cometido um erro. Tirou a cueca. Ela se ajoelhou e aproximou-se para tocá-lo. Seus dedos escorriam por sua pele como água morna. Ele inspirou, abaixou-se e tirou seu vestido colante, revelando um conjunto rendado de lingerie vermelha. Desceu as alças do sutiã por seus braços e o peso dos seios forçou-o para baixo, deixando os mamilos quase à mostra. Seu aroma cítrico o envolveu.
Sua boca ficou seca. Sempre imaginara que ela usava lingerie branca.
Fitou-a nos olhos e pousou a mão em seus seio, sentindo a carne firme e delicada. Sentia seu mamilo endurecido. Aquilo era muito diferente do que esperava. Tão sensual. Tão ardente. Tão...
Tão diferente de Lily!
— Tess?— conseguiu perguntar, levantando as mãos e já certo de sua identidade. Por isso estava diferente. Não era Lily, e sim sua irmã gêmea. Tess tinha uma reputação tempestuosa, mas jamais imaginaria que fingiria passar-se por sua irmã. Para quê? Sempre fora reservada com ele, como se não gostasse dele.
Ela se sentou confusa.
— Já viu Lily com um vestido como esse? — Ele podia dizer que estava bêbado, mas seria um insulto.
— Achei que ela voltara para me seduzir.
O silêncio de Tess podia significar qualquer coisa. Não tentaria adivinhar.
Apesar de não tê-la reconhecido imediatamente, sua excitação não diminuiu. Na verdade, o choque o deixara ainda mais animado. Mas não parou para descobrir por quê, não queria saber por quê, exceto que vivia um longo período de abstinência.
— O que está fazendo aqui? — perguntou, cansado de esperar e frustado com seus pensamentos imprevisíveis.
Ela ficou de joelhos e colocou as mãos em seu peito. Seus olhos ficaram presos aos dele por segundos intermináveis.
— Isso importa?
No momento, não, mas importaria. Ela dissera que não esperava fazer amor com ele, e agora essas palavras ecoaram em sua cabeça.
— Você não queria fazer amor. Então, o que?
— Não devia pensar tanto — disse ela, aproximando-se.
Seu toque eliminava todos os pensamentos, bania todas as dúvidas. Ele esqueceu sua curiosidade e a beijou. Esqueceu Lily e abriu-se para Tess.
Tess emitia sons incrivelmente sensuais, que vibravam em sua garganta. Passava a mão por seu corpo e Nathan a buscava da mesma maneira. Ele abriu o sutiã e jogou-o no chão. Capturou um mamilo entre os lábios e passou a língua pelo centro enrijecido antes de devorá-lo, saboreando-o ao vê-la arquejar as costas. Ela cravou as unhas nele para se equilibrar. Nathan também cuidou de seu outro seio. O desejo ardia dentro dele impiedosamente, principalmente ao sentir a mão dela envolvendo-o.
Jogou o corpo para trás, tentando desacelerar. Estava prestes a cometer a maior estupidez de sua vida, mas não conseguia parar. Sim, conseguia, mas não queria.
Ele colocou as mãos em sua cintura, para ajudá-la a se levantar. Então, desceu a calcinha por suas pernas. Segurando sua cabeça, ela inclinou-se para beijá-lo como jamais fora beijado. Com lábios, dentes e língua, até não conseguir esperar nem mais um segundo. Ele a deitou e afastou suas coxas. Observou enquanto a penetrava, cerrou os dentes ao sentir aquele calor envolvê-lo. Sentiu-a contrair-se e ouviu seu gemido longo e baixo, que logo aumentou de intensidade e volume.
Fechou os olhos, reprimindo-se, esperando por ela. Então, explodiu dentro dela. Foi bombardeado por sensações que percorreram todo o seu corpo, chegando até sua mente, bloqueando tudo, exceto aquelas sensações de êxtase. Ela era boa. Incrível.
Não queria voltar ao mundo da lógica, que veio mesmo ser ser chamado. Deitou-se de costas e olhou para o teto. Ela estava em silêncio ao seu lado. Nem seuqer escutava sua respiração. Seu perfume se misturara ao odor mundano do sexo. Ele não esqueceria rapidamente.
Jamais esqueceria. Virou-se para ela.
Ela girou para o outro lado, saindo da cama. Pegou suas roupas e correu para o banheiro. Fechou a porta e deixou-o de fora.
Tess tentou limpar a mente enquanto se vestia naquele banheiro elegante. Concentrou-se na torneira de aço escovado. Evitou ao máximo olhar para o espelho, mas teve que encará-lo.
O rímel borrado sob seus olhos deixava sua pele mais pálida e seus olhos mais escuros que o normal. Pegou um lenço, limpou as manchas e passou os dedos pelo cabelo. Não queria encará-lo novamente.
O que havia feito?
Viera para dizer que achava que Lily cometera um grande erro ao terminar o noivado. Então, eles se beijaram. Tess dissera a verdade. Nunca havia esperado beijá-lo, muito menos fazer amor com ele. Ela pode ter cultivado uma reputação extravagante no passado, mas isso era demais, até mesmo para ela.
O problema é que Tess sempre amara Nathan, e tivera que esconder seus sentimentos ao perceber que ele e Lily haviam descoberto uma afinidade mútua. Eles descobriram que estavam apaixonados exatamente quando Tess ia contar à irmã o que sentia por Nathan.
Tess invejava a maneira como Nathan tratava Lily, o jeito como a fitava quando falava, como a tocava, acariciando suas costas ou afagando seus cabelos sensualmente. Mas era a consideração que ele tinha por Lily que deixava Tess com mais ciúme, o tempo que passava com ela. Parecia que eles sempre tinham o que dizer um ao outro, eram conversas longas e profundas. Ele sempre ligava para dizer boa noite e bom dia.
Tess nunca tivera um homem que a tratasse assim.
Há que se considerar de quem se trata.
Fechou os olhos por um instante. Não queria pensar em seus defeitos.
Ignorara os sentimentos que tinha por Nathan por muito tempo. Evitara conversar sozinha com ele, pois temia que pudesse perceber o que sentia. Achava que estava tudo sob controle, conseguira parar de pensar nele quando o relacionamento de Nathan e Lily ficou sério, mas, ao vê-lo hoje, ao ver sua dor, percebeu que não deixara de ama-lo, que apenas afastara seus sentimentos por causa de Lily.
Agora, Tess precisava pôr um fim àquilo. Ela e Nathan não podiam ter um relacionamento. Não era adequado. Além disso, ele não ia querer saber dela depois desta noite, pois isso o faria lembrar de Lily. Era uma oportunidade única. Ponto final. Esta lembrança estava destinada a um livro de memórias.
Ela ajeitou o vestido e abriu a porta do banheiro. Ele continuava deitado na cama, com as mãos debaixo da cabeça e o lençol sobre o corpo.
Procurou seus sapatos e calçou-os. Estava tremendo.
Ele se livrou do lençol, sentou-se e colocou as mãos em seus ombros.
— Vá com calma. Nada...
— Você poderia, pelo menos, se cobrir — disse, com a voz aguda.
Ele sorriu, revelando covinhas encantadoras. Ela parou, retendo um suspiro. Era um homem bonito, com olhos castanhos intensos e cabelos castanho-claros. Quem diria que sob aquele homem de negócios sisudo havia um rapaz incrível, forte e musculoso. Tentador.
— Acho que você está indo embora.
— Claro que estou. Acha que sou idiota? — Ela fechou os olhos. Seu comportamento a entregara.
Ele a fitou com curiosidade. Pegou a cueca e vestiu-a.
— Por que isso aconteceu Tess?
Ela tentou formular uma boa justificativa em que ele pudesse acreditar. A única coisa em que pôde pensar foi o que Lily lhe dissera naquele dia, quando revelou que ia terminar o noivado com Nathan — que, apesar de amá-lo, não havia nenhuma química entre eles. Por meses, ela achou que estava sublimando sua paixão, então, não faria amor com ele até a noite do casamento. No entanto, uma hora com o astro do rock James Potter mudou tudo.
Tess não acredita que Lily se referia ao mesmo homem com quem ela acabara de fazer amor. Falta de química? Sem chance. O homem com quem Tess fez amor levou a paixão a uma nova dimensão.
— O gato comeu sua língua? — brincou Nathan. Ela só conseguiu sorrir debilmente.
— Por que isso aconteceu? — repetiu.
— Por que nós nos deixamos levar? — sugeriu ela.
— Eu sei porque me deixei levar, mas e você?
Não podia dizer que o amava. Então, o que podia dizer? Após alguns segundos, sentiu-o tocando sua bochecha. O carinho daquele gesto quase a fez atirar-se em seus braços.
— Acho que você sabe que nunca dormi com sua irmã.
Ela assentiu.
— Mas ela estava errada. Você é um homem cheio de paixão.
Ele sorriu.
— Talvez seja você. Talvez você tenha realçado isso em mim. — Ele colocou seu cabelo atrás da orelha gentilmente e acariciou-a. — Que tal me ajudar a melhorar minhas habilidades? Não quero decepcionar outra mulher.
— Não é hora de brincadeiras. Você não precisa de aula, e não temos nenhum futuro juntos. Isso não deveria ter acontecido. Lamento.
— Lamenta? Pelo quê?
— Sei que você deve estar magoado e furioso, e talvez até queira vingança, mas por favor, não conte a ninguém sobre isso — implorou. Então, saiu antes que ele pudesse fazer ou dizer algo para impedi-la. Estava confusa, não sabia por que havia feito aquilo, nem como resolver a situação. Precisava sair dali e pensar. Pegou a bolsa e se foi. Desceu um andar de escadas, fugindo o mais rápido possível. Só então pegou o elevador.
O porteiro deu boa noite quando ela saiu do prédio. Logo que saiu na noite fria, percebeu que havia esquecido o casaco. Não podia voltar para buscá-lo. Também não podia ir para casa, onde morava com seus avós e dividia o último andar com Lily. Provavelmente, sua irmã não estaria em casa. Devia estar com James, mas Tess não queria arriscar. Ficaria em um hotel esta noite. Pediria uma garrafa de vinho, tomaria um banho quente e pensaria onde havia errado. Só que estar nos braços de Nathan não parecia errado. Parecia certo. Ele não era mais noivo de sua irmã. Ela não havia quebrado nenhum código de ética entre irmãs. Quando elas tinhas oito anos, fizeram um pacto. Uma jamais se passaria pela outra e, embora Tess tenha ido ao apartamento de Nathan como ela mesma, percebera desde o início que ele a confundira com sua irmã e não fizera nada para corrigi-lo, até o ponto em que não podiam mais voltar atrás. Se ele não tivesse percebido sozinho, ela não teria dito, teria? Claro que sim, provavelmente. Um banho, vinho e pensamentos. Ia tirar Nathan Harlan da cabeça de uma vez por todas. E, de manhã, estaria bem.
Está aí gente o primeiro capítulo de Agora Eu e Você, continuação de Summer, sei que coloquei James P. & Lily Evans P. como personagem principais, mas foi porque Tess e Nathan não fazem parte do mundo Harry Potter, eventualmente Lily e James irão aparecer e ser citados, mas o personagens principais são Tess e Nathan, espero que gostem e obrigada Mila Pink por comentar. Beijos :*
