No dia seguinte, no escritório, Nathan tirou o fone do gancho, começou a discar e parou. Seu primeiro dever de casa era chamar Tess para sair, da maneira como normalmente fazia. Tinha que tentar se lembrar. Quando namorava Lily, eles se falavam todo dia e decidiam juntos o que iam fazer. Jamais a cortejara, pois o relacionamento foi acontecendo gradualmente. Fazia muito tempo que não convidava uma mulher para sair.
Passou a mão no rosto e discou o número de Tess sentindo-se como um novato nesse jogo de sedução, não como um homem de 29 anos.
— Tess Evans — atendeu ela.
Isso o deixou excitado. Ele a imaginou como estava na noite anterior, com o cabelo caindo pelos ombros, o rosto ruborizado e os seios cobertos pelo lençol, que foi puxando aos poucos enquanto conversavam, até agarrá-la.
— Alô — insistiu.
— Bom dia. — Uma pausa.
— Quem é?
— O homem que aqueceu sua cama ontem à noite.
— Pare com isso — disse em um sussuro. — Suponha que você acabou de me conhecer e está me chamando para sair.
Aquilo era um teatro? Podia ser divertido — por um ou dois dias.
— Não é minha culpa. Minha professora não me deu uma apostila.
Nathan escutou uma risada do outro lado da linha.
— Comece de novo. — Ela desligou antes que ele pudesse dizer qualquer coisa.
Recostou-se na cadeira, surpreso. Então, começou a rir. Dicou novamente.
— Tess Evans.
— Bom dia, Srta. Evans. Aqui é Nathan Harlan, da Suskind, Engle e Harlan. Nos conhecemos na festa da Carisma no feriado.
Ela suspirou.
— Se você precisa acrescentar o nome da empresa é porque não causou muito impacto da primeira vez. Comece de novo. — Desligou.
Ele ficou tentado a não telefonar, mas, depois de um minuto, discou.
— Tess Evans.
— Bom dia, Srta. Evans. Aqui é Nathan Harlan. Nos conhecemos na festa da Carisma no feriado.
— Eu lembro. Você defendeu muito bem a existência do Papai Noel.
Ele sorriu.
— Alguém me disse que seu nome era Virgínia.
— Amigo ou inimigo? — perguntou ela.
— Alguém que queria que eu ficasse envergonhado por chamá-la pelo nome errado.
— Você não fez isso.
— É bom saber. — Nathan percebeu que ela não havia mencionado seu nome. Talvez não quisesse que ninguém escutasse. — Gostaria de conhecê-la melhor. Você não quer jantar comigo?
— Quando?
— Sábado à noite. — Estava muito fácil. Por quanto tempo ela prolongaria as aulas? Ele teria que se fingir de bobo só para continuar com aquilo.
Depois de uma longa pausa, ela continuou:
— Hoje é sexta — disse friamente.
— Você prefere sair hoje? — silêncio total.
Algo lhe disse que havia estragado tudo.
— Tess.
— Você não acha que é um insulto me chamar para sair com um dia de antecedência? Não acha que eu já teria o que fazer?
— As aulas só começaram hoje — contrapôs ele. — Se tivéssemos começado na segunda-feira, seria melhor. — No entanto, ele a teria convidado para sair na terça, mas jamais revelaria isso. — Você têm planos para sábado à noite?
— Tenho.
Ele não sabia o que dizer. Devia convidá-la para sair no outro sábado?
— Comece de novo — disse e desligou.
Ele decidiu fazê-la esperar. Quando telefonou, 15 minutos depois, a ligação caiu na caixa postal.
— Srta. Evans — disse, recomeçando. — Aqui é Nathan Harlan. Nos conhecemos na festa da Carisma no feriado. Gostaria de saber se você quer jantar comigo no outro sábado. Este é meu telefone particular. — Ele recitou os números. — Espero sua ligação. Mal havia desligado quando seu telefone tocou.
— Foi bom eu ter entrado na sua vida — disse Tess. — Esse método já funcionou no passado? — Ela disse método como se fosse algo terrível.
— Que método?
— Deixar um recado chamando a mulher para sair pela primeira vez.
Ela parecia chocada ou chateada.
— Tem mais de uma semana de antecedência antes do encontro.
— Você falou com a secretária eletrônica. Ele levou a mão ao nariz e fechou os olhos.
— O que não é certo. Vou recomeçar — disse, desligando antes dela. Normalmente, estaria frustrado com esse jogo, mas aquilo era estimulante. Ela desafiava. Seu truque seria desafiá-la também.
Pegou o fone e hesitou. Ela estaria esperando a ligação.
— Não agora, Srta. Evans — disse, largando o aparelho. Queria tirar nota máxima em seu primeiro dever de casa.
Já que ela o fizera pensar mais que o normal, queria que visse o que já havia aprendido.
— Alguém gosta de você — disse uma mulher, aproximando-se da mesa de Tess.
Ela sentiu o cheiro das flores mesmo antes de vê-las. Não era algo simples como uma dúzia de rosas, mas um buquê exótico de orquídeas de várias cores. Seu coração acelerou. Não recebia flores há muito tempo. Ainda sim, resistiu à tentação de mergulhar o rosto nelas quando Jessie Clayton, a estagiária de 23 anos que trabalhava com ela, pousou o vaso na mesa.
— Posso ler o cartão? — perguntou Jessie, com os olhos azuis reluzindo por trás da armação dos óculos. Ela segurava o envelope na frente de Tess.
— Sou eu que faço sua avaliação. — Jessie riu e entregou o cartão a Tess.
— Acho que você não vai ler em voz alta, vai?
— Acertou.
Sozinha Tess manteve o envelope colado a seus lábios por alguns segundos, antes de abri-lo. Dentro, havia um número de telefone. Sem declarações ou convites para jantar. Apenas um número.
Ela sorriu. Ponto para Nathan.
Pegou o telefone e discou.
— Nathan Harlan.
Sentiu uma expectativa em sua voz, talvez porque ele quisesse disfarçá-la.
— Boa jogada.
— Quem é? — Ela sorriu.
— Deixe-me começar de novo. — Desligou o telefone e discou. Quando ele atendeu, continuou. — As flores são lindas. Obrigada.
— Então você se lembrou de mim? — Ele incorporou o papel.
— Claro. Nos conhecemos na festa da Carisma no feriado.
— Você estava usando um vestido verde, da cor do seus olhos.
Mesmo conversando sobre uma situação imaginária, ela ficou sem ar. Ele fazia parecer real, como se tivesse visto e admirado seu vestido.
— Você estava de terno e gravata — devolveu ela.
— Bom palpite. Espero que esteja se perguntando por que lhe mandei flores.
— Sim, estou curiosa.
— Quero conhecê-la melhor. Gostaria de jantar comigo? Talvez no outro sábado?
— Eu adoraria.
— Posso buscá-la as oito horas?
— Está ótimo.
— Eu ligo durante a semana para confirmar.
— Certo.
Ele se despediu e desligou. Ela se perguntava se não se falariam nem se veriam até que ele fosse buscá-la. A encenação iria tão longe? Ou eles manteriam uma vida a parte, continuando o que haviam começado?
Por enquanto, deixaria que ele guiasse o relacionamento. Passaria o fim de semana nos Hamptons, com os avós, como planejado; iria à Festa da Primavera no Country Club; e não estaria disponível para Nathan, deixando sua ausência agir sobre ele.
No entanto, isso tudo era loucura, pois esse relacionamento não podia durar. Mas, durante o mês em que Lily estava viajando, Tess se divertiria com um homem proibido. Assim, poderia guardar algumas lembranças.
Desde o trágico dia em que Tess e Lily ficaram órfãs, Tess jamais havia passado um final de semana inteiro em The Tides sem sua irmã. Era estranho deitar na cama e saber que Lily não estava alguns metros de distância, ou mesmo ao seu lado. O silêncio lúgubre era assustador.
Tess olhou-se no espelho novamente e disse para si mesma que estava bonita, exatamente o que Lily teria feito. No passado, sua avó se juntava a elas, mas agora, por causa da artrite, não conseguia mais subir as escadas com facilidade. Ela e o marido só ficavam no primeiro andar. Tess não entendia por que não haviam colocado um elevador.
Seus saltos soavam enquanto descia as escadas de mármore. Ansiava por aquela noite, embora não estivesse acompanhada. Certamente, devia conhecer muitos dos convidados e seria chamada para dançar. Estava feliz por não ter dito a Nathan para onde ia. Ele podia querer aparecer e ela não sabia se conseguiria fingir não vê-lo.
Tess foi para sala. Sua vó saiu do quarto, caminhando com a graça de uma rainha, muito diferente da costureira que era quando morava na França. Ao conhecer Joseph, ficou encantada, e ele a trouxe para os Estados Unidos. Seu rosto não deixava transparecer a idade ou as tragédias que já vivera, mesmo aos 75 anos e tendo perdido vários filhos, seja em abortos espontâneos ou não.
— Você está encantadora, querida — disse enquanto Tess a abraçava. — Está vestida para deixar os rapazes sem ar. É criação sua?
— Novíssimo. — Tess deu uma volta, mostrando a roupa justa violeta e fúcsia, com babados que rodopiavam acima de seu joelho quando dançava. O salto de oito centímetros a deixou com 1,82m de altura, dando-lhe uma aura poderosa. — Você também está linda, vó.
Jenne Marie usava um vestido lilás simples, com bordados. Sua maquiagem combinava primorosamente. Estava sempre com o belo cabelo branco em coque, como agora. Outra coisa que jamais mudava era o medalhão de ouro que levava no pescoço. Diziam que havia uma foto de Anna, sua segunda filha, que morreu de câncer aos sete anos. Tess sempre se perguntava se também havia uma foto de seu terceiro filho no medalhão. Era John, pai das gêmeas.
— Quer chamar atenção, não? — disse Joseph Evans, surgindo por trás delas.
De salto alto, Tess ficava da mesma altura do avô, outra razão para usá-los.
Aos 77 anos, Joseph ainda era um colírio para os olhos. Seu corpo em forma, o cabelo grisalho e os olhos verdes continuavam a chamar a atenção de mulheres 30 anos mais novas.
— Sim, é o que espero — respondeu Tess.
— Eu estava falando com sua avó, mocinha. — Ele suavizou o comentário com um sorriso. Carinhosamente, fitou sua esposa e deu um beijo em sua bochecha.
— Você está linda meu amor.
Coração pulsando. Tess sempre vira seu avô tratar sua avó como uma rainha. Não conseguia acreditar que aquele adorável marido era o mesmo ditador que havia educado ela e Lily. E, como empresário, era implacável — principalmente, ou melhor, especialmente com seus filhos, que gerenciavam quatro de suas várias empresas.
— Você vai de carro? — Joseph perguntou a Tess. — Tenho certeza de que vai querer ficar mais tempo que sua avó e eu.
— Vou com vocês. Se não quiser sair com vocês, consigo uma carona.
— Mandamos Frederick buscá-la — ofereceu sua avó.
— Obrigada, mas não será preciso. — Tess reconheceu que, como sempre estava sendo teimosa. O motorista de seus avós ficaria contente em ir buscá-la. Ainda assim, era difícil mudar a relação conflitante que tinha com seu avô. — Alguém me trás em casa.
— Preste atenção para ver se seu carona não bebeu. — Ele segurou o braço de Jenne Marie e levou-a para a porta.
Tess ficou irritada por seu avô supor que um homem a levaria para casa e retrucou:
— Vou fazê-lo passar pelo teste do bafômetro.
Jenne Marie riu, o que cortou a reação de Joseph de devolver outra resposta igualmente sarcástica.
— Vocês dois são tão parecidos!
— Parecidos? Nós? — Tess não estava tão chocada quanto fizera parecer.
— Sim, querida. Mas chega disso. Hoje vamos comemorar a chegada da primavera. Novos começos. Não vamos mais travar batalhas de inteligência, a perspicácia das palavras não importa mais.
— Por mim, está bem — disse Tess.
Joseph não respondeu, o que já bastava. Ele fazia tudo que Jenne Marie pedisse.
Tess suspirou. Ela e seu avô sempre foram esquentados e sua vó e Lily intercediam quando era possível. Joseph jamais gostara de nenhum de seus namorados, nem mesmo no início de suas aventuras. Logo, começou a levar para casa homens que sabia que ele desprezaria, homens sem motivação ou ambição, homens cujo maior objetivo na vida era se divertir, não trabalhar. A coisa que mais irritava Joseph Evans era um homem sem uma ética sólida para o trabalho, principalmente porque ele construiu seu império do nada.
No entanto, Tess estava cansada daquele jogo, de estar sempre discordando do avô, principalmente agora. Ele devia estar se sentindo menos invencível atualmente, do contrário jamais teria proposto aos seus filhos o desafio de que o presidente da Editora Evans seria aquele cuja revista produzisse o melhor sucesso financeiro até o fim do ano. O anúncio surpresa, na festa de Ano Novo, de que ia se aposentar e de que o jogo começara, atirando seus filhos um contra o outro, havia virado a família de pernas para o ar, uma atitude típica de Joseph Evans.
Durante a viagem de 20 minutos até o Country Club, a conversa girou em torno de assuntos banais, conferindo uma atmosfera mais pacifica à noite. O salão de dança do clube estava decorado para o Festival de Primavera, com arranjos de flores e pequenas velas brancas espalhadas por todos os lados, como sempre. Nada era muito criativo ou original. Havia um bufe suntuoso e bares localizados em pontos estratégicos. Mais tarde, uma banda com 20 músicos colocaria todos para dançar. Tess adorava o fato de tudo ser tão previsível.
— Você parece uma flor exótica —elogiou sua avó, enquanto acenavam para amigos e conhecidos. — Seu talento para a moda é impressionante.
— Aprendi com a melhor. — Tess passou o braço ao redor de sua avó, lembrando com alegria as horas que passavam juntas costurando.
— Gostei do elogio. Mas eu nunca tive sua visão, apenas a habilidade prática. Sempre achei que você entraria nesse meio, e não na revista, principalmente com o seu diploma em design.
Ainda tenho tempo. E a revista é um lugar útil para aprender mais — disse Tess, evasiva, perguntando-se se seu avô havia escutado. Ele não fez nenhum sinal indicando isso. Na verdade, parecia concentrado el algo do outro lado do salão. Ela seguiu seu olhar, encontrando o casal que mais queria evitar.
Aproximou-se de sua avó.
— Edward e Donna Harlan estão aqui. Você encontrou, com eles depois que Lily cancelou o casamento?
— Liguei para Donna. Como sabe, não éramos muito amigas antes de Nathan e Lily decidirem se casar. Se quer saber se eles serão civilizados, a resposta é sim. Principalmente aqui. Agora, vá e divirta-se.
— Encontro com você na hora do jantar.
—Não se sinta obrigada. Divirta-se, querida. Acho que você não tem se divertido muito ultimamente.
— Sinto falta de Lily.
— E está com um pouco de inveja, talvez?
— Nada disso. — Tess esperou que um raio a atingisse, culpando-a pela mentira que contou, mas nada aconteceu. Ela invejava que Lily não precisasse esconder sua relação e que estivesse com um homem com quem podia contar. Enquanto isso, Tess estava se preparando para sofrer uma desilusão amorosa, sobre a qual jamais poderia falar. Mas não estava com inveja da felicidade da irmã.
Ela caminhava pelo salão, parando para conversar com as pessoas e admirando fotos de bebês que velhas amigas, todas casadas, esfregavam em sua cara. Nos últimos anos, fora convidada a um número record de casamentos.
Sua avó tinha razão. Não estava se divertindo. Talvez fosse pela ausência de Lily, afinal era sua melhor amiga. Talvez fosse porque, agora, Tess vivia em Manhattan e o Country Club parecia muito tranquilo e... rígido, embora isso fosse contraditório. Regras, regras, regras. No centro da cidade havia menos regras e mais ação, mais opções.
Depois do jantar, começou a dança. Observou seus avós se encaminharem para a pista para a primeira dança. Depois de tanto tempo dançando juntos, eles não perdiam o compasso, Sorriu ao vê-los, até vislumbrar Nathan caminhando em direção à pista.
O raio que esperava antes atingiu-a agora, mas por outra razão. Tudo dentro dela fervilhava. Era o homem mais bonito do salão. E Tess havia feito amor com ele. Ele a havia desejado.
Estava contente por ele ter aparecido. Admitir que tinha um problema já era metade do caminho pensou sendo honesta consigo mesma. Então, viu uma loura envolvendo-se em seus braços. Quem era? Dançaram como antigos parceiros, seus passos estavam em perfeita sintonia, a mão dele tocava suas costas e ele a fitava. Disse algo que a fez rir. Tess a odiou.
A música ficou mais agitada e seus avós saíram da pista, mas Nathan e sua amiga não. Será que queria deixá-la com ciúmes?
— Oi, Tess.
Viu um homem que se aproximava dela.
— Petter. Oi. Quanto tempo!
Petter Devereaux era tão bonito quanto baixo. E era muito.
— Quer dançar?
Certamente, não queria ficar sentada a noite inteira, observando os outros. Devia ignorar Nathan e se divertir, como aconselhara sua avó.
Tess não saiu mais da pista, trocando de parceiro a cada música, dançando animadamente e olhando, casualmente, para Nathan, que tampouco se sentou até voltar a tocar música lenta. Sobre o ombro de seu parceiro, observou Nathan pegar uma bebida, encostar-se a uma pilastra e analisar a pista de dança. Ele viu que ela o fitava.
Ergueu levemente seu olhar, tão intenso. Ela mal conseguia acreditar que já o vira nu, que sabia como era tocar sua pele. Ele a beijara como se estivesse indo para a guerra e a amara como se ela fosse a última mulher na face da Terra.
A música acabou. Tess inventou uma desculpa para sair da pista e caminhou em direção a ele, levada por um impulso maior que sua força de vontade. Discretamente, apontou para uma porta. Ele se afastou da pilastra, seguindo sua indicação. Ela estava logo atrás, mas, ao passar pela porta, viu seu avô, já no pátio, aproximar-se dele.
Escondeu-se atrás de uma planta grande o bastante para ocultá-la por completo.
— Eu não esperava isso de você, Nathan — começou Joseph.
— Não esperava o quê?
— Retaliação.
— São apenas negócios, Joseph. Nada mais.
Tess desejava poder vê-los, analisar sua linguagem corporal. No entanto, apenas conseguia escutá-los. A voz de seu avô cortava a escuridão, afiada e letal. Nathan parecia impassível.
— Gills e Marsh compram espaço de propaganda na Carisma desde o lançamento da revista — disse Joseph. — Crystal Creme soda está com a The Buzz há cinco anos.
— Muitos de meus clientes decidiram experimentar outro tipo de publicidade, para ver o que dá mais retorno. Posicionamento de produtos no cinema e na televisão garante um público maior e mais amplo não só os espectadores iniciais, mas também em DVDs e reprises.
— Está levando em consideração o alvo demográfico?
— Escolhemos cada situação com muito cuidado. — o som de um grilo ocupou o longo silêncio.
— Você deve estar com raiva da minha neta — disse Joseph, por fim.
— Já superei isso.
— Acho que não.
Tess inclinou-se para a frente, pois a voz de seu avô ficara mais baixa e fria.
— Por que está dizendo isso? — perguntou Nathan.
— Pela maneira como estava olhando para Tess há alguns minutos. Não era a expressão de alguém que já superou.
— Você está enganado. Mas, mesmo que eu ainda gostasse de Lily, não descontaria minhas frustrações nos meus clientes, nem em Tess. Nem em você.
Outro silêncio abateu-se entre eles. Nathan não mordeu a isca. Tess estava feliz por seu avô não ter percebido que o olhar de Nathan era de cobiça, não de raiva.
— Não sei o que deu nessa menina — recomeçou Joseph. — Ela sempre teve a cabeça no lugar. Agora viajou com aquele cantor. Largou o trabalho.
Aquelas palavras estavam cobertas de raiva. Nathan não disse nada.
— Vou ficar de olho nas suas contas, Nathan. Posso ter que cortejar alguns clientes.
Tess sorriu ao ouvir aquela palavra e imaginou que Nathan havia feito o mesmo.
— Eles me pagam para dar bons conselhos — disse Nathan.
— Vamos ver se esse foi bom.
— Os tempos mudaram para a publicidade, Joseph. É hora de mudar.
— Talvez. — Ele deu alguns passos e parou. Tess teve que se abaixar um pouco.
— Eu devia ter telefonado e me desculpado — disse Joseph. — Pensei nisso, mas não fiz.
— Não precisa, mas obrigado. O problema era entre Lily e eu.
— Era. Boa noite.
— Boa noite.
Tess escondeu-se bem atrás da planta para que seu avô não a visse quando passase.
— Pode sair — disse Nathan, depois de alguns segundos. — Ele já entrou.
— Essa foi por pouco.
— Fiquei surpreso por você ter se arriscado a ser vista comigo.
— Não seria um escândalo, só daria motivo para as pessoas comentarem. Está se divertindo?
— Não muito.
— Podia ter me chamado para dançar. — Ele se endireitou.
— Você tinha um parceiro para cada música. Eu não devia me meter no meio, devia?
— Talvez.
O olhar dele se intensificou.
— Consideramos isso mais uma aula sobre a arte de cortejar uma mulher?
— Cada situação deve ser julgada individualmente.
— Eu julguei e achei melhor não interromper.
— Tudo bem. — Como ele estava certo e não havia nada mais a dizer, ela mudou de assunto, juntando os dedos para não tocá-lo, embora realmente quisesse fazê-lo.
— Era só negócios mesmo, Nate? O que meu avô lhe perguntou?
— Era.
— Você teria feito o mesmo, mudado a estratégia de negócio, se você e Lily ainda estivessem noivos?
Ele nem sequer hesitou e não moveu os olhos.
— Teria. — Parou um segundo e logo continuou: — Você quer dar o fora daqui? — perguntou, surpreendendo-a.
— Mais do que você imagina. Mas é impossível, pelo menos não juntos. É melhor eu ir. — Ela começou a se virar.
— Tess.
Aquela voz áspera teria congelado seus movimentos de qualquer maneira, independente do que dissesse.
— O quê?
— Fiquei com ciúmes de todos os homens com quem você dançou, de todos os homens que a tocaram e ficaram perto de você.
O desejo inundou seu corpo, correndo, pulsando. Ele a fitou. Seus mamilos endureceram. Não estava acostumada a se sentir tão desejada. Isso a facinava, gostava de ver como ele lhe queria e como ela mesma admirava a reação Neandertal daquele homem. Tess jamais tolerara ciúmes, mas o calor que se acumulava na parte inferior do corpo de Nathan lhe dizia que o ciúme dele significava algo.
— Você não acha que sinto o mesmo? — perguntou. — Tenho de ir. — Não podia se arriscar a ficar mais tempo com ele. Alguém podia ver que aquilo não era apenas uma conversa entre conhecidos, havia algo mais.
Ele não disse nada. Era bom nisso.
Ela não o viu voltar a dançar e ficou dividida entre a gratidão e a decepção quando Peter a puxou para a pista novamente. Ela viu seus avós se encaminhando para a pista de dança quando começou a tocar Moonlight Serenade, de Glenn Miller.
Alguns segundos depois, Nathan bateu nas costas de Peter, que olhou para Tess.
— Você não precisa.
— Tudo bem. — Seu coração batia forte quando os braços de Nathan a envolveram. Havia um espaço entre seus corpos.
— O que você está fazendo? — sussurrou, forçando um sorriso.
— Tirando nota máxima em outra aula de cortejo.
— Não acredito que você fez isso.
— Então, é porque não me conhece.
Ela não conhecia. Amava-o, mas não o conhecia. No entanto, tudo que já descobrira sobre ele apenas intensificara seus sentimentos.
— Tess, não há razão para não agirmos de modo civilizado perante o mundo. As pessoas vão falar um pouco, mas será sobre mim e como ainda estou sofrendo por causa de Lily.
— Você está?
— Não.
Aquele foi um dos momentos mais estranhos de sua vida. Fitou seus avós. Sua avó arqueou as sobrancelhas e seu avô manteve o rosto impassível.
Apesar da estranheza, dos olhos que os observavam e da chateação de ser o centro das atenções, ela adorou. Adorou ver como ele era confiante e ousado. Jamais adivinharia.
Quando a música acabou, o presidente do clube se aproximou de Tess.
— Há uma ligação para a senhorita.
— De quem?
— Não sei. Venha comigo, por favor.
Contente por não passar pelo momento incômodo do fim da música, em que cada um vai para um lado, Tess se desculpou e seguiu o presidente.
Caminharam por um corredor até uma porta com um cartaz que dizia "Sala de Conferências". Ele abriu a porta e se foi. Havia um telefone no meio da sala, mas nenhum sinal de uma ligação em espera. Inquieta, deu um passo para trás.
— Cuidado — sussurrou Nathan em seu ouvido. Ele entrou na sala e trancou a porta. O som da chave girando parecia um prelúdio à sedução.
Ele desligou a luz, mergulhando-os na escuridão.
— Você dança como faz amor — disse, passando o dedo por seus lábios.
— O quê? — perguntou ela, ofegante.
— É primitivo, recheado de paixão e entrega.— Envolveu-a pela cintura. — Dance comigo, de verdade.
"Dança" era uma palavra relativa. Eles mal se moviam. Era apenas uma desculpa para aproximar seus corpos.
— Você está silencioso — murmurou Tess, depois de um tempo.
— Algumas pessoas são capazes disso. — Mordeu sua orelha, fazendo-o rir.
Precisava deste momento sozinha com ele. Precisava tocá-lo. A música parou, mas eles continuaram a se mover, pressionando seus corpos. A roupa era a única barreira. Ele colocou a mãe em suas nádegas e levantou-a um pouco, mudando o ponto de contato. O perfume que usava se misturava ao aroma do desejo. Sua ânsia ficava evidente pela rigidez de seu corpo. Ele expirava um ar quente e descompassado em sua têmpora.
Tess tentou resistir. Não podia se entregar a ele; sabia onde estavam e podiam ser descobertos. Não faria isso com seus avós ou com Lily. Ou consigo mesma.
Mas era difícil não ceder...
Ele escorregou a mão por seu seio e cobriu sua boca em um beijo cálido e longo, uma mistura de desejo e luxúria. Eles era sempre muito apressados.
Ele a empurrou para trás até encostá-la na mesa. Tess percebeu quais eram suas intenções e empurrou seu peito.
— Não podemos fazer isso aqui.
Ele passou a língua por seu colo, deixando um rastro de umidade.
— Conheço a longa lista de regras deste clube — disse ele. — Não há nenhuma referência a fazer sexo na sala de conferências. Na verdade, eu diria que esta sala já viu muita ação.
— Pare. — Ela escapuliu daqueles braços, caminhou em direção à porta e ligou a luz. — Não podemos fazer isso aqui. — Ela se culpou por deixar tudo fugir de controle. A velocidade com que dormiram juntos, duas vezes, levaria qualquer homem a pensar que poderia ter o que quisesse, quando quisesse.
— Eu sei. Desculpe. — Mas amo você. Por isso me arrisquei das outras vezes.
Ele passou a mão no cabelo.
— É difícil entendê-la — disse, suspirando.
— Eu sei. Desculpe. — Mas amo você. Por isso me arrisquei das outras vezes. Precisava guardar uma lembrança sua.
— Você não faz jus a sua reputação — disse, sentado na mesa, de braços cruzados.
— Você quer que eu faça?
Depois de longos segundos, ele balançou a cabeça.
Tess pensou em seu avô, no quanto o decepcionara. Quando era adolescente, queria chamar sua atenção desesperadamente, enquanto ele se concentrava apenas no trabalho. Mas quando Joseph começou a reprovar seus namorados, isso significava que estava se comunicando como ela, mesmo que fosse apenas para repreendê-la.
— Sempre gostei de histórias de filhos rebeldes — continuou Nathan. — Não havia nenhuma prova de que você fosse uma mulher fácil, apenas especulação baseada nas pessoas com quem você saía, em suas roupas chamativas e no seu jeito de caminhar, como se sempre soubesse aonde vai e quem é. Isso é muito sensual. Você era intrigante.
— Não fui eu que arranjei este encontro.
— Não quis ofendê-la, Tess. Achei que você quisesse isso tanto quanto eu.
— Acredite ou não, às vezes penso em outras pessoas antes de me deixar levar por minha próprias necessidades.
Ele a fitou e estudou-a por um longo momento. Então, assentiu e se levantou.
— Boa noite — disse. — Obrigado pela dança.
Mesmo depois que a porta se fechou silenciosamente, continuou parada, esperando seu mundo voltar ao normal.
Ela o entendera mal, pura e simplesmente. Talvez ele também a tenha entendido mal. Fora sua suposta reputação que o levara a querer fazer sexo com ela na mesa de uma sala de conferências, com centenas de pessoas por perto, incluindo seus avós.
Talvez ele ficasse excitado por situações como esta.
Ela, não. Ela só ficava excitada com ele.
Então, como estava a situação entre eles agora?
Olha só, um outro lado de Nathan, ele não é aquele cara chato em que vimos em Summer. E essas aulas no que mais vai dar? ;D Muito obrigada Joana Patricia por comentar :*
