Na quarta-feira seguinte ao incidente do Country Club, Nathan chegou alguns minutos mais cedo para uma reunião, às três da tarde, com Alyssa Evans, na revista Carisma. Não precisou esperar. Foi levado diretamente à sala de Alyssa por uma jovem chamada Jessie, que tentava conversar com ele enquanto passavam por todas as mesas. Ele descobriu que ela foi criada no Colorado, era estagiária não remunerada e morava com a revisora da Carisma, Lanie Sinclair. Pela maneira como o fitava, Nathan imaginou que ela soubesse que havia sido noivo de Lily.
Queria perguntar onde ficava a mesa de Tess. Se pudesse olhar em seus olhos, saberia qual era a situação entre eles. Não se falavam desde aquele desastre no clube. Dali a três dias, seria seu primeiro encontro.
Será?
Talvez ele estivesse aprendendo apenas como convidar uma mulher para sair, sem realmente levá-la para jantar. Precisava esclarecer isso.
Quem ia tomar a iniciativa para sair daquele impasse? Será que tudo estava acabado? Ainda não estava pronto para isso. Queria aproveitar o mês todo, até Lily voltar de viagem. Cada minuto. E parte desse tempo tinha que ser na cama.
Nathan não foi levado ao escritório de Alyssa, mas à sala de conferências. Várias pessoas estavam sentadas ao redor da mesa, a editora chefe, Alyssa; o editor executivo, Cade McMann; Bridget Evans, editora iconográfica... e Tess.
Ele jamais participara de uma reunião com Tess. O que uma assistente editorial de moda estava fazendo lá?
Nathan cumprimentou Alyssa, Cade e Bridget. Fitou Tess e apenas balançou a cabeça. Ela ergueu as sobrancelhas. Não havia nenhuma pista quanto ao que estava sentindo.
— Não vou fazer rodeios, Nathan — disse Alyssa. — Tenho certeza de que você já ouviu falar da disputa que meu pai criou.
— Conheço os detalhes. — Depois de ver Jenne Marie, no fim de semana, Nathan percebeu como Alyssa se parecia com a mãe, embora pensasse como Joseph.
— Eu quero vencer. — Ela se inclinou em sua direção, com o corpo rígido. — Mas não vou conseguir se você continuar diminuindo sua receita de propaganda.
— Estou atendendo às necessidades dos meus clientes, Alyssa.
— Nós tivemos uma idéia e queríamos apresentá-la. Tess, vá em frente.
Tess pegou o controle remoto. Lançou-lhe um olhar rápido, estritamente profissional. Aquilo teria funcionado se ela usasse um terno cinza e o cabelo preso em coque. Talvez! Mas, na verdade, um manto ruivo descia por seus ombros e um vestido roxo, que se prendia às curvas do seu corpo, fazia a mente de Nathan viajar.
Com um clique, apareceu uma imagem na tela.
— Imagine que isso seja uma coluna. Poderíamos chamá-la "Tendências" — sugeriu Tess. — Colocaríamos dez ou doze fotos das melhores tendências da estação, como normalmente fazemos. Mas este é um exemplo de como incorporaríamos os produtos dos seus clientes às imagens.
Uma bela loura estava sentada em um bar. Usava uma roupa que atrairia os olhos do leitor, mas, em suas mãos, havia uma garrafa de Crystal Creme. A combinação de um refrigerante sendo servido em um bar chamaria ainda mais a atenção do leitor, decidiu Nathan. Muito inteligente.
— Localização do produto — disse Tess. — Aqui há outros exemplos.
Mais imagens surgiram na tela. Cada foto apresentava a qualidade sensacional pela qual a Carisma é conhecida e incluía um produto de um cliente seu, normalmente uma comida ou bebida naturalmente integrada à cena.
Cade entregou uma pasta a Nathan.
— Guias de preço. É mais barato que um anúncio de página inteira, claro. Chegamos a um preço justo.
Tess deu-lhe um envelope.
— Aqui está um CD com todas as amostras, para você apresentar aos seus clientes. É apenas um modelo, claro. Teríamos que trabalhar em conjunto, combinando o objetivo da matéria com o produto apresentado. Alguns são mais fáceis, outros mais complicados. Alguns desses produtos nunca fizeram propaganda na Carisma, como Crystal Creme. Achamos que isso abre muitas portas.
— Vocês sabem que este é um caminho sem volta — disse Nathan, verificando a planilha de preços. — E vocês serão acusados de estarem se vendendo.
— Já conversamos sobre isso, analisamos, discutimos — respondeu Cade. — É como um programa de TV ou filme que divulga produtos.
— Não é algo novo no mercado — complementou Nathan — , mas é novo para vocês. Vocês sempre resistiram a isso por questões éticas
— Os tempos mudaram. É hora de mudar — disse Tess, repetindo o que ele mesmo dissera a Joseph no fim de semana.
— Nós pedimos uma coisa, Nathan — recomeçou Alyssa. — Queremos exclusividade. Você não pode abordar as outras revistas da Editora Evans, nem mais ninguém, para fazer a mesma coisa. Nós seremos os primeiros.
Nathan assentiu.
— A não ser que eles venham até mim. Também não posso negar um bom negócio, Alyssa. Também quero exclusividade. Você não pode apresentar esta proposta a mais ninguém por alguns meses.
— Justo — concluiu Alyssa. — Pedi para Tess ser seu contato neste projeto. Está bom?
Ele nem sequer ousou fitá-la.
— Claro.
— Ela preparou uma lista dos seus clientes, com produtos que nos interessam.
— Muito competente.
Um minuto de silêncio dominou a sala, antes de Alyssa continuar.
— Estamos felizes por ter encontrado uma maneira de mantê-lo na Carisma.
— Eu também. — E agora ele e Tess trabalhariam juntos, além de continuarem com seu jogo, se é que podia chamá-lo assim. Esta relação comercial, no entanto, se prolongaria por mais que apenas um mês.
— Se você tiver tempo para conversar com ela agora, seria muito bom.
— Claro.
— Ótimo. — Alyssa, Cade e Bridget se levantaram. — Ficaremos em contato.
A sala quase ficou vazia, permanecendo apenas Tess e Nathan, que estava do outro lado da grande mesa.
— Foi ideia sua? — perguntou ele.
— Isso importa?
— Só estou curioso. Não consegui entender por que uma assistente editorial de moda estava em uma reunião de propaganda. Se a ideia tiver sido sua, faz sentido. Mas me parece que você gostaria de levar o mérito por algo tão ousado.
Tess recostou-se na cadeira e cruzou os braços.
— Alyssa é uma ótima chefe. Ela nos transformou em uma equipe na qual mérito e culpa são divididos por todos.
— Eu a conheço há alguns anos. Nunca a vi tão tensa.
— É a disputa. Todos estão sentindo a pressão.
— Você acha que ela ganha dos seus tios? Que vai se tornar presidente da Editora Evans?
— Não trabalho para eles. — Tess sorriu docemente. — Aqui está a lista.
Ele a pegou, levantou-se e deu a volta na mesa sem tirar os olhos dela. Ela também o observava. Nathan sentou-se ao seu lado, tão perto que sentia seu perfume. Aquele aroma característico o excitou instantaneamente.
— Está tudo certo para sábado à noite?
A porta se abriu. Jessie entrou carregando uma bandeja com garrafas d'água e copos com gelo.
— Cade disse que eu devia participar da reunião.
— Ótimo — disse Tess, um pouco entusiasmada demais.
Salva pela estagiária. Nathan viu este pensamento passando pela cabeça dela.
Como não aceitaria um "não", resolveu ser criativo.
Nathan tinha razão em relação a uma coisa, pensou Tess, meia hora depois, quando saía da sala de conferências e voltava para sua mesa. Ela realmente queria levar o mérito pela sua idéia de mantê-lo na revista. Não pela glória, mas porque queria que seu avô soubesse. Queria que ele reconhecesse seu valor para a revista Não trabalhava ali apenas porque era da família.
Para ser sincera, também queria que Nathan soubesse, pois queria que ele conhecesse suas habilidades. Buscar aprovação dos outros não fazia seus estilo. O que isso dizia dela? Era um sinal de maturidade? Ou de insegurança? Desejou que Lily estivesse em casa para que pudessem conversar sobre isso, pelo menos a parte sobre seu avô. Mas as ligações frequentes, porém curtas, nunca permitiam discussões profundas. Além disso, Lily estava vivendo um sonho. Tess não queria acordá-la.
Sabia que Nathan estava bem atrás dela quando chegaram à sua mesa. Seus passos eram quase silenciosos. Furtivos. Ele era furtivo de muitas maneiras. Maneiras boas e interessantes, como o cartão das flores com seu número de telefone. Como levá-la à sala de conferências do Country Club. Como esconder seu corpo incrível atrás de ternos sóbrios.
As orquídeas que lhe dera ainda estavam lindas. Percebeu que ele as observava.
Folheou alguns papéis em sua mesa, pegou um e entregou-o a Nathan.
— Obrigado. — Ele guardou o papel na pasta. — Vou me encontrar com meus clientes e nos falamos.
Ele se foi sem finalizar os detalhes de sábado à noite, mesmo tendo perguntado antes.
Várias idéias de como machucá-lo fisicamente invadiram sua cabeça. Havia esquecido ou estava apenas manipulando-a? Talvez não estivesse satisfeito por terem que trabalhar no mesmo projeto por um período indefinido.
Outro homem poderia...
Ela parou. Sentou-se. Apoiou o cotovelo na mesa e descansou a cabeça nas mãos. Nathan não era como os outros homens. Este era o problema.
Estava acostumada a comandar seus relacionamentos e havia acreditado que, desta vez, também estava no comando. Mas, na verdade, ele não era manipulável.
Às cinco da tarde, encaminhou-se para o elevador, contente por não ter que ficar até tarde, mesmo com a disputa lançada por seu avô. Estava preocupada com tia Liss, muito tensa, determinada a vencer. Ela ficava muito tempo no escritório.
— Tess! — Jessie correu para alcançá-la, segurando um balão vermelho. — Isso acabou de chegar. Não tinha nenhum cartão, mas o entregador disse que era para você.
Tess viu um pedaço de papel dentro do balão. Sabia quem havia lhe mandado aquilo. Mas o que estaria escrito no papel?
— Obrigada — disse a Jessie, sem satisfazer sua curiosidade. — Até amanhã.
Caminhou pela Park Avenue, segurando o balão que pairava acima de sua cabeça. Sorria, enquanto caminhava. As pessoas que passavam lhe devolviam o sorriso.
Ele aprende rápido, pensou. Podia ter falado com ela enquanto estavam em sua mesa, ou podia ter telefonado depois de chegar ao escritório. Em vez disso deu-lhe um balão. Que criativo! Talvez fosse um pedido de desculpas pelo último sábado e um lembrete do próximo.
Chamou um táxi. Já em casa, abriu o portão e foi para a piscina interna, onde ficava sua entrada particular. O barulho de alguém batendo na janela chamou sua atenção. Viu sua avó acenando e chamando-a para subir pela entrada principal.
Ela raramente vinha para a cidade, a não ser quando combinava de fazer compras com Tess. Era o programa do dia.
Curiosa para saber por que sua avó não avisara que viria, Tess entrou na sala, onde havia um grande piano. Quando alguém tocava, o som reverberava pelos três andares do prédio.
— O que está fazendo aqui? — perguntou para a avó, enquanto a abraçava.
— Vamos à ópera. Viemos cedo para Joseph passar pelo escritório. — Ela olhou para o balão e sorriu. — É uma ocasião especial?
— O quê? Não, alguém estava distribuindo. É uma propaganda. Jenne Marie arqueou as sobrancelhas.
— E você o carregou até aqui?
Tess deu de ombros, tentando parecer inocente.
— Eu estava a fim.
— Por que você não o estoura para ver o que tem dentro?
— Não me importo com o que tem dentro.
Os olhos de sua avó guardavam um sorriso misterioso.
— Se não quer me falar do bilhete, é só dizer, querida. Respeito sua privacidade.
Então, sem nenhuma razão, o balão estourou sozinho e o bilhete caiu no chão, aos pés de Jenne Marie. Tess pegou antes que sua avó pudesse se abaixar.
Espero ansiosamente pelo sábado à noite. Passo para buscá-la às oito.
Tess segurou seu suspiro de alívio ao ver que o bilhete não continha nada demais. Não sabia se avó conseguira lê-lo
— Então, você tem um encontro hoje — disse ela, piscando os olhos.
Tess olhou para o bilhete.
— Não. No sábado. — Jenne Marie apontou para ele.
— Acho que tem um recado diferente do outro lado.
Apreensiva, Tess virou o papel.
Hoje. Às nove. Prepare-se para aprender um pouco.
Sua avó riu, deleitando-se com a vergonha estampada no rosto de Tess.
— Uma vida amorosa saudável é bom. Eu conheço o pretendente?
— Vovó, por favor — pediu Tess, com o rosto em chamas.
— Alguém que seu avô aprovaria?
Ela queria poder responder sim. Realmente queria. Mas ninguém ficaria contente ao saber que sua escolha era Nathan Harlan.
Sua avó deu-lhe um tapinha no braço.
— Não vou contar a Joseph.
— Ainda não estou pronta para falar sobre isso.
— Claro, não falo mais nisso. Nós vamos voltar ao The Tides de helicóptero hoje à noite. Então não se preocupe que não veremos seu amigo de manhã.
Ela jamais deixaria Nathan ir à sua casa hoje. Sabia que Joseph podia mudar de ideia e ficar até o dia seguinte.
— Divirta-se na ópera.
— Acho que você não vai nos visitar neste fim de semana, não?
Tess riu.
— Boa noite. — Ela caminhou para as escadas internas, admirando a decoração calma e elegante da casa da avó. Jenne Marie Evans sabia como levar paz a um ambiente, e a uma pessoa.
Quando chegou ao seu andar, foi para o quarto e ligou para Nathan.
— Recebeu meu balão? — perguntou, com a voz recheada de promessas sexuais.
— Minha avó recebeu seu balão.
— O quê?
Ótimo. Pelo menos ele ficara chocado.
— Enquanto eu lia o bilhete adorável sobre sábado, ela lia o bilhete mais direto, do outro lado.
A blasfêmia que ele lançou em seguida a fez relaxar, embora não soubesse por quê.
— O que ela disse? — perguntou Nathan.
— Que você podia passar a noite aqui.
Depois de uma longa pausa, ele continuou.
— O quê?
— Você não assinou o bilhete, então ela não sabe que é você. Mas deixou claro que meu amigo pode passar a noite aqui. Ela e meu avô vão voltar hoje mesmo.
Depois de uma pausa, Nathan disse:
— Não estou disposto a arriscar.
— Nem eu.
— Você está decepcionada?
Ela esperou alguns segundos antes de responder, não porque não soubesse a resposta, mas porque não tinha certeza se queria que ele soubesse quão decepcionada estava.
— Vou interpretar isso como um sim. Mas sábado continua certo, não?
— Claro.
— Tess, sobre sábado à noite... Este encontro será como um encontro de verdade?
— Quer dizer, sem benefícios adicionais?
— Só quero saber o que devo esperar. Ter dois relacionamentos totalmente diferentes não simplifica as coisas.
— É nosso primeiro encontro — esclareceu ela. — Já corrigimos alguns erros que você cometeu no passado. Vamos ver se precisamos consertar mais alguma coisa.
— Certo.
Ela não sabia de fato se ele estava desapontado. Na verdade, não sabia se conseguiria seguir suas próprias regras. Ainda estava confusa pelo que acontecera no Country Club. Ao vê-lo hoje na reunião, desejou que pudessem encontrar um canto escuro para saciar seu ardente desejo.
— Boa noite, Nate — disse alegremente.
— Boa noite.
Tess colocou uma roupa confortável, pegou a sobra de uma salada que havia na geladeira e sentou no sofá com seu caderno de rascunhos. Ultimamente, estava mais criativa que o normal. As idéias fluíam com tanta facilidade que já enchera um caderno e estava na metade do segundo, em menos de um mês.
Um psicólogo diria que ela estava sublimando, direcionando seu desejo proibido por Nathan para um substituto socialmente aceitável, como criar uma linha completa de roupas. Depois de mais de uma hora, largou o caderno e foi até a janela.
Quando fora seu último encontro? Quando fora jantar com outra pessoa que não Lily ou uma amiga? No ano anterior, havia desistido de tentar irritar seu avô namorando homens que ele desaprovaria. Recebera alguns convites, mas recusara todos.
Analisando o passado, percebeu que parara de sair quando o relacionamento entre Nathan e Lily ficou mais sério e ela começou a se apaixonar por ele. Passava muito tempo em casa, costurando. Lily havia ficado preocupada e a convidara para sair com ela e Nathan. Tess inventara tantas desculpas que esgotara sua criatividade.
A ironia, claro, é que seu avô aprovaria Nathan se ele não tivesse sido noivo de Lily. Joseph não toleraria um escândalo. Ele chegou a obrigar tia Alyssa, quando tinha 15 anos, a entregar seu bebê para salvar a imagem da família. Tess achava que Alyssa queria vencer o jogo de Joseph porque guardara muitos res sentimentos desses últimos 20 anos, desde que lhe tiraram seu filho.
Tess não queria ficar como a tia. Queria fazer as pazes com Joseph. Mas isso jamais aconteceria se seu caso com Nathan fosse mais que um mês de noites quentes. As pessoas comentariam muito, principalmente devido ao recente rompimento do noivado.
Queria ter coragem para terminar o relacionamento agora, mas não tinha. Apenas mais algumas semanas, depois não teria mais escolha.
O telefone tocou, rompendo seu pensamento, o que a deixou contente.
— O que você acha de fotografar em Une Nuit? — perguntou Nathan, sem cumprimentá-la. — Modelos sentadas à mesa, olhando o cardápio, com o nome do
restaurante bem à vista.
— Acho que isso pode ser visto como um conflito de interesses, já que meu primo Bryan é o dono. Ele é seu cliente agora?
— Achei que Bryan não quisesse ficar se mostrando por aí. E, pelo que soube, o restaurante estava todo reservado até o fim do ano.
— Não posso lhe contar seus planos.
— Não pode ou não sabe?
— O que acha?
Ela sorriu. Gostava de homens que sabiam guardar segredos.
— Você vai passar a noite trabalhando?
— Era isso ou passar a noite tomando um banho gelado.
Ela se acomodou no sofá, colando mais o telefone à orelha.
— Estava falando sério quando disse que tinha o que me ensinar?
— Você vai descobrir depois.
Como Lily havia deixado este homem? Tess fizera esta pergunta a si mesma mil vezes. Era inteligente, divertido, sensual. O que mais uma mulher podia querer?
— Quer passar os planos de hoje para sexta-feira?
— Não posso. Tenho uma festa na casa nova de Michael Thor.
— Não vai durar a noite toda.
— Prometi a Jessie que eu a levaria ao Une Nuit depois. Desculpe.
— Então, voltamos ao encontro de sábado à noite — disse ele.
— Que bom que você marcou com antecedência — disse, ousada e aliviada ao ouvir sua risada.
— Nate.
— O quê?
— Eu estive pensando. — Esperou que ele devolvesse algum insulto criativo, mas o silêncio dominou. Talvez ele tivesse sentido a tensão em sua voz.
— Não sei se devemos fazer mais do que as aulas de cortejo.
— Como assim?
— Por sorte, meus avós não nos flagraram hoje à noite. Talvez seja um sinal de que não devemos passar tanto tempo juntos.
— Você acredita em sinais? Destino?
— Quando é conveniente, ou lógico.
— Antes de tomarmos uma decisão tão importante, por que não passamos a noite pensando nisso? Conversamos sobre isso no sábado, depois do encontro.
Uma vez que ela também queria evitar aquela discussão, disse:
— Está ótimo. Boa noite, Nate.
— Sonhe com os anjos, Tess.
Ela derreteu ao ouvir aquelas palavras. Sabia que ele devia estar decepcionado com sua decisão, mas despediu-se com carinho, não exasperado ou impaciente. Pessoalmente, ela ficaria irritada se ele tivesse tomado aquela decisão.
Depois de um instante, olhou para o relógio. Podia mudar de idéia, pegar um táxi e surpreendê-lo. Estava sozinho em casa. Ele ia satisfazer todas as suas necessidades...
Em vez disso, tomou um banho quente e foi dormir, buscando anjos em seus sonhos.
Nathan imprimiu os resultados de sua noite de trabalho e guardou a papelada na pasta. Havia começado a servir um uísque, hesitou e continuou. Aquele uísque podia lembrá-lo do dia em que Lily rompeu o noivado, mas preferiu associá-lo à sua primeira noite com Tess.
Foi até a janela com o copo na mão. Havia começado a chover. Desligou as luzes e ficou parado, observando a rua e deixando as lembranças tomarem conta de seu pensamento. A maneira como ela o observara enquanto se despia. Sua lingerie vermelha. Os sons incríveis que fazia, encantadores e excitantes. Então, a maneira como escapou, esquecendo seu casaco. Sentado na cama, aproximara-o ao nariz e aspirara, sentindo seu odor depois que ela se fora.
Não esperava vê-la de novo, pelo menos não daquele jeito. Mas estava errado.
Agora, passaria horas com ela no sábado, sem esperanças de terminar na cama. Talvez nunca mais dormissem juntos.
Devia ter perdido muitos neurônios depois que dormiu com ela. Sabia que estava apaixonado, pois ela não saía de sua cabeça. Até mesmo agora estava excitado, apenas por pensar nela. Isso não acontecia desde que era adolescente, quando ainda não sabia se controlar.
Não podia ser mais que desejo. Recusava-se a deixar outra Evans partir seu coração.
Mas a desejava...
Que fosse tudo para o inferno! Colocou o copo no bar, pegou o casaco, as chaves e saiu. Poderia sair da casa dela antes que alguém o visse e convencê-la a não desistir de seu relacionamento sexual.
Mas, quando a porta do elevador se abriu, ficou parado, com os olhos perdidos, até que ela se fechasse novamente. Voltou para seu apartamento grande e silencioso. E foi dormir, sozinho.
Ai gente, as coisas estão ficando complicadas. O que era para ser um simples jogo está se transformando em algo realmente muito, mas muito complicado: Amor. Obrigada thaty e Joana Patricia pelos comentários :*
