Tess viu-o retroceder. Sua expressão era distante e autoprotetora. Apressou-se para resolver o mal-entendido.

— Não. Espere — disse, em um suspiro. — Não devia ter dito isso desta maneira. Quis dizer que esse negócio de encontro não está funcionando para mim.

Tentava fingir que era apenas um encontro, mas sabia muito sobre ele, o desejava muito. Amava-o. E o que estava fazendo, afinal, transformando-o em uma companhia melhor para outras mulheres? Isto era ridículo.

Ele colocou os copos na mesa e segurou suas mãos.

— Por que não disse isso antes? Achei que eu tinha feito algo muito errado.

— Na verdade, você fez, mas não é o problema.

— O que fiz de errado? — indagou, franzindo a sobrancelha.

— Você me trouxe para sua casa no primeiro encontro.

— Para onde eu iria levá-la? Não podemos ser vistos juntos em público.

— Podia ter sido criativo. Podíamos ter ido a algum lugar onde não fôssemos reconhecidos.

— Você tem razão — admitiu. — Trazê-la aqui, principalmente já tendo várias lembranças...

— Exatamente. — Ela apoiou a mão em seu peito e fitou-o profundamente. — Mas isso é o de menos. Sejamos honestos. Nós dois sabemos que o único objetivo dessas aulas é ficarmos perto um do outro, só uma desculpa para nós...

— Dormirmos juntos. — Ela assentiu.

— Só temos mais duas semanas até... Não quero desperdiçar esse tempo em "encontros".

Ele a pegou em seus braços. Ela sabia onde ficava o quarto. Sabia que ele estava indo para lá. No caminho, tirou os sapatos. Nathan não disse nada. Talvez não conseguisse. Ela também não sabia se conseguiria. Desejava-o demais.

Fazia nove dias desde a última vez que haviam dormido juntos. Desde então, tinham se excitado duas vezes — na noite anterior e no Country Club. Desta vez, não seria lento e carinhoso, mas ela não se importava. No entanto, às vezes, queria que as coisas fossem lentas e carinhosas.

Ele não esperou que ela se despisse, nem se despiu. No banheiro, Tess havia tirado a calcinha. Quando ele descobriu, tirou a calça e a cueca de uma só vez e avançou para cima dela, preenchendo-a tão repentina e completamente que a fez gritar.

— Desculpe, eu não...

— Tudo bem. Isso é bom — interrompeu ela. — Eu estava preparada. Senti-lo é maravilhoso. Incrível. — Ela arqueou seu corpo em direção ao dele enquanto se movia, encontrando um ritmo forte. Sua vontade transformou-se em necessidade e não podia esperar nem um segundo sequer. Ele cobriu sua boca. Mudou o ângulo do beijo, gemeu em sua boca. Quando o clímax o atingiu, ela agarrou seu cabelo. Não era um aumento lento e constante, mas um acúmulo explosivo, acompanhado por seus sons e sua intensidade. A vida parou. E logo continuou.

As duas vezes anteriores em que estiveram juntos foram boas. Agora, havia sido fenomenal.

Isso jamais seria alcançado por ninguém, em nenhum lugar, em momento algum. Ela não costumava exagerar, então acreditou em sua própria profecia.

Envolveu-o em seus braços enquanto ele se espreguiçava sobre ela. Nathan aliviou um pouco seu peso, apoiando-se no cotovelo. Seu corpo sobre o dela emanava calor.

— Foi rápido — disse, com a boca colada em seu ouvido.

— E bom.

— E bom — concordou ele, deitando na cama e deixando os braços sobre ela.

Ele se aconchegou em seu colo e deixou-se levar pelos carinhos que ela fazia em seus cabelos. Aquela tensão reprimida havia se dissipado. Sentia-se em casa.

— Está com fome?

— Ainda não.

— Quer dormir?

— Humm — ela gemeu, aninhando-se em seus braços.

— Vamos nos despir antes.

Ela ficou de olhos fechados enquanto ele desabotoava seu vestido. Nem sequer teve energia para vê-lo tirar a roupa. Nathan jogou um lençol sobre eles, envolveu-a em seus braços, acariciou suas costas, suas nádegas e, por fim, suas coxas. Quando passou a mão por seus seios, ela se contorceu.

— Relaxe — sussurrou, sentindo seus mamilos se contraírem. — Só quero tocá-la. Pode dormir.

Ela riu, sonolenta.

— Com certeza.

Apoiado no cotovelo, continuou a explorá-la. Tess abriu os olhos.

— Passe a noite aqui comigo, Tess.

— Tudo bem.

Por um instante, ele parou de mover as mãos. Em seguida, recomeçou. Depois de aceitar e aproveitar sua generosidade, ela adormeceu em seus braços.

Ele poderia se acostumar a isso, decidiu, sentado ao seu lado.

Haviam cochilado por meia hora, tomado banho juntos, então decidiram tomar sorvete na cozinha. Ela usava seu robe. Ele estava de cueca e camiseta.

— Eu jamais diria que você tem uma camiseta — disse, com a colher na mão. — Parece mais jovem.

— Desde quando 29 anos é velho?

— Desde que você se veste como se tivesse 50.

— Eu me visto? — perguntou, largando o pote de sorvete. — Como assim?

— Seus ternos, suas camisas e gravatas são sem graça.

Ele se sentia muito tranquilo e relaxado para se importar com aquilo.

— Acho que, comparado às suas roupas, tudo deve parecer sem graça.

— Só dei minha opinião, não fiz uma comparação.

— Eu nunca senti necessidade de seguir tendências.

— Mas devia. Teoricamente, você vende o que está na moda, sejam produtos ou pessoas. Devia vestir-se de acordo.

Ele nunca havia pensado dessa maneira.

— O que eu devia fazer?

— Deixe-me ajudá-lo a escolher algumas peças novas.

— Vou me colocar em suas mãos? — A imagem que veio à sua mente não tinha nada a ver com roupas, e sim com a ausência delas.

Ela largou seu pote, levantou-se e foi sentar-se em seu colo. Nathan começava a aprender como ela era complicada. Sempre acreditara que fosse uma mulher sensual, mas havia baseado esta opinião em sua reputação, não em algo mais tangível. Mas, às vezes, ela também lhe parecia tímida, o que o surpreendeu.

Este não era um desses momentos. Quando o assunto era sexo, ela se tornava ousada e exigente, mas não dominante. Era uma ótima parceira, em todos os sentidos.

— No que você está pensando? — perguntou ela, beijando seu rosto. — Parece sério.

— Eu me concentro em tudo que é necessário — respondeu, sorrindo. Não queria começar uma conversa neste momento.

Ela passou os dedos por suas bochechas.

— Eu não vejo essas covinhas tanto quanto gostaria.

— Quando o relógio está correndo em um relacionamento, não sobra muito tempo para rir. — Ele ficou surpreso ao se ver admitindo isso em voz alta.

Ela o beijou carinhosamente.

— Vamos para a cama.

Colocaram os potes de sorvete na pia e desligaram as luzes. No quarto, se despiram, entraram debaixo das cobertas e se abraçaram.

— Este relacionamento é apenas sexo, Nate — disse ela, por fim. — Não podemos ter mais do que isso.

— Eu sei.

Depois que fizeram amor, ela dormiu. Ele ficou olhando para o teto por horas, como se as respostas para os seus problemas estivessem escritas ali.

A única coisa que via era que, no final das contas, parecia que outra mulher Evans partiria seu coração.


De manhã, com a cabeça apoiada ao lado da sua, Tess o observava dormir, com a barba por fazer e o cabelo despenteado. Dormira até às nove, sem acordar nenhuma vez. Não conseguia se lembrar de uma noite em que tivesse dormido tão bem.

Seus olhos ardiam. Sempre se esforçara na vida para ter tudo o que queria. Mas não importava o que fizesse neste relacionamento, ela não venceria.

Traição. A palavra de seu avô ecoava em sua mente.

Levantou da cama, vestiu o robe de Nathan e foi até a cozinha. Procurou café e filtro. Então, preparou uma jarra inteira, mesmo sem saber se ele bebia.

Pelo olho mágico, verificou se o caminho estava livre, abriu a porta e pegou o Times de domingo. Terminou de lavar os pratos da noite anterior e procurou algo para comer na geladeira. Encontrou ovos, queijo e bolo.

Por volta das dez, ouviu o chuveiro do banheiro. Sentada no sofá, tomava sua segunda xícara de café e lia a seção de viagens do jornal. Alguns minutos depois, ele apareceu, com a barba ainda por fazer, mas com o cabelo penteado. Estava como na noite anterior, de camiseta e cueca. Antes de vê-lo, temia que ele aparecesse de calça e suéter, já preparado para o dia. Ele se deteve antes de chegar à sala e sorriu.

— Bom dia. Dormiu bem?

— Do meu lado da cama, durante a maior parte do tempo.

Seu sorriso ficou ainda mais amplo.

— Eu dormi muito bem — continuou ela, tirando as pernas para que ele pudesse se sentar. — E você?

Ofereceu sua caneca, que ele aceitou. Antes de beber, inclinou-se para beijá-la. Deu um gole no café e deixou a mão pousada em sua coxa, acariciando-a.

— Dormi bem, obrigado. Então, o que você costuma fazer aos domingos?

— Se estou em The Tides, vou à igreja com meus avós. Se estou na cidade, fico bem preguiçosa. Leio o jornal, saio para caminhar, tomo café da manhã em algum lugar. Às vezes, desenho e costuro. E você? — Ainda havia muito para descobrir sobre ele. Conhecia seu corpo. Conhecia seu aroma, seu toque, sua risada. Mas não sabia nada sobre sua rotina, suas preferências. Suas paixões.

— Acho que meus domingos nunca são iguais. Jogo tênis ou golfe, dependendo da estação. Às vezes, visito meus pais. Ocasionalmente, trabalho em casa, ou até no escritório. Também dou passeios de carro. Quer dar um passeio?

Ela queria dizer sim.

— Provavelmente, não é uma boa idéia, Nate.

— Tudo bem. Então, vamos tomar o desjejum. Acho que tenho todos os ingredientes para fazer uma omelete.

— Você cozinha?

— Um pouco, e você?

— Faço salada e ovo. E requento extraordinariamente bem.

— Fez mestrado nisso?

Aquela conversa era apenas uma fuga. Estavam encurralados. Não podiam ficar muito íntimos, aprender muito sobre o outro, nem se divertir muito. Aparentemente, tudo que podiam ter era sexo e conversas triviais.

— Acho que devo tomar banho — disse ela. — Então, preparamos o café juntos e eu vou para casa.

Não podemos passar o dia todo juntos. Estas palavras pendiam entre eles, brilhando como luzes de néon.

— E se tomarmos banho juntos? — perguntou ele, estendendo a mão.

Mais tarde, tentou dissuadi-lo a levá-la para casa. Podia pegar um táxi. No entanto, ele achava que ela não devia ser vista usando um vestido de noite durante o dia. No caminho para sua casa, estendeu a mão e ela a segurou.

— Podemos nos encontrar durante a semana?

— Claro. Vamos conversar mais tarde e comparar nossas agendas. Teria que ser na sua casa — acrescentou. — Meu avô anda muito imprevisível. Nunca sei quando ele vem para a cidade.

— Certo.

Antes de sair do apartamento, haviam dado um longo beijo de despedida. No entanto, ela queria outro.

— Você esperava que fosse tão complicado? — perguntou ele, quando viraram a esquina da casa de Tess.

Ela assentiu.

— Sou muito realista.

— Você se arrepende, Tess?

— Não. — Ainda.

— Posso lhe pedir um favor? Se eu marcar um horário com o meu alfaiate, você iria comigo e me ajudaria a escolher algumas peças novas para o meu armário?

— Você promete não contestar minhas opiniões?

— Não. — Ela riu.

— Tudo bem. É justo.

— Eu telefono mais tarde.

O longo dia se apresentava diante dela. Quase desejava ter se arriscado e saído para passear com ele.


Os dias vão passando e o tempo deles juntos se dissipando. Como seria se aos olhos de Joseph o relacionamento de Tess e Nathan não fosse uma traição? Será que algum dia eles poderão ficar juntos? Parece que não. Muito obrigada Joana Patricia por comentar e até o próximo cap flor :*