Como diretor de vendas da Snap, a revista de celebridade da Editora Evans, Austin Evans trabalhava com Nathan há muitos anos. Tinham quase a mesma idade e eram amigos fora do trabalho. Eles se conheciam há mais tempo do que Nathan conhecia Lily e Tess. Os dois jogavam tênis juntos. Desafiavam-se. Também faziam apostas. Nathan gostava de Austin e ficou contente pela amizade não ter esfriado depois do fim do noivado.

— Não acredito que você me ganhou por 13 tacadas — murmurou Austin, enquanto subiam para o apartamento de Nathan, no final da tarde de sábado, depois de um dia de golfe. — Há quanto tempo não jogava?

Nathan sorriu.

— Eu já disse. Desde a última vez que nós jogamos, em outubro.

— Você não aproveitou para jogar quando estava em Los Angeles, mês passado?

— Não. Mas as condições de hoje não eram as melhores.

— Não seja condescendente.

Nathan riu enquanto saíam do elevador e caminhavam pelo corredor. Normalmente, Austin era espirituoso, mas hoje parecia que suas piadas eram forçadas, então Nathan hesitou antes de falar novamente. Não sabia se devia comentar o que observara.

— Você parecia distraído — disse, por fim. — Problemas com mulheres?

— Mulheres — zombou Austin. — Às vezes, me pergunto se elas valem o esforço que fazemos.

— Amém.

— Mas nunca questiono isso quando estou na cama com uma.

Nathan riu. Quando abriu a porta, foi arrebatado por um aroma incrível. Alho. Manjericão. Algo italiano.

Austin inalou, sentindo o cheiro e fazendo comentários elogiosos.

— Espero que me convide para jantar.

Tess devia estar ali.

— Desculpe, Austin — disse, falando mais alto que o normal. — Festa particular.

Ele ouviu passos apressados e falou mais alto, esperando que Austin não tivesse escutado.

— Vou pegar o livro que você queria.

— Não vou conhecer a cozinheira?

— Deixe-me ver. — Ele entrou na cozinha e olhou em volta. Uma panela de molho fervia no fogão, era a fonte do delicioso aroma. Uma salada estava sendo preparada e um par de sapatos altos pretos estava caído no chão. Ouviu um ruído na despensa, foi até lá e abriu a porta.

— O que você está fazendo com o meu primo? — perguntou Tess, em um sussurro furioso.

Ela usava uma fantasia de empregada. O choque momentâneo de Nathan se transformou em uma risada.

— Isso não é engraçado — disse, rangendo os dentes.

— Do meu ponto de vista é. — Ele a beijou. — Vou me livrar dele. Prepare-se, querida.

Fechou a porta da despensa.

— Ela deixou um bilhete. Foi ao mercado — disse Nathan, passando pela sala, encaminhando-se para o escritório. Pegou um livro da mesa. — Aqui está. Não precisa se apressar para me devolver.

— Parece que alguém está me expulsando — disse Austin, rindo e dirigindo-se à porta.

— O que posso dizer? — Aquela roupa não saía de sua cabeça. A saia curta revelava pernas longas, cobertas por meia arrastão. A blusa de renda deixava suas curvas à mostra. Podia soltar o avental de babados e deixá-la apenas de lingerie.

— Fico feliz em ver que você deixou Lily para trás.

— Eu me tornei um fatalista — disse, atento.

— Tudo acontece por uma razão?

— Algo assim.

Austin olhou pela janela por alguns segundos.

— Você deixou de amá-la?

Acho que nunca a amei. Ele não pronunciou as palavras, mas a verdade que continham o atingiu como um raio.

— Como você disse, deixei Lily para trás.

— A mente ultrapassou a matéria?

Pela maneira como Austin falava, Nathan sabia que havia algo errado com ele.

— Você precisa conversar, Austin? — Agora não seria possível, não com Tess presa na despensa, mas... — Podíamos tomar um drinque durante a semana.

— Talvez. Eu telefono. — Ele se foi.

Nathan voltou à cozinha e abriu a porta da despensa.

— Seu senhor a espera. Ela o fitou friamente.

— Meu senhor?

— Se você é a empregada, sou seu senhor, não? — Nathan admirou-a. Jamais conhecera uma mulher com tantas dimensões, nem tão divertida, disposta a assumir um papel apenas para se divertir.

Ficou tentado a soltar a touca que ela usava e deixar seu cabelo cair livremente. Esticou a mão para pegar a fita...

— Por que você não disse que ia jogar golfe com Austin?

Ele baixou os braços e guardou as mãos nos bolsos. Obviamente, ela ainda não havia encarnado seu papel.

— Não quis acordá-la de manhã. Parecia tão serena.

— Podia ter me dito ontem à noite, antes de ir dormir.

— Podia.

— Mas?

— Minha amizade com Austin é algo à parte. Não o relaciono com sua família. Por que não me disse que ia chegar cedo hoje?

— Porque eu não sabia que viria para cá até você deixar um recado no meu celular, falando para reservar a noite para você. — Ela deu de ombros. — Quis surpreendê-lo.

— E surpreendeu. — Passou o dedo por seu rosto gentilmente, acariciando-o. — Posso sair e chegar de novo?

— Primeiro você tem que vestir sua fantasia.

— Minha fantasia? — Ele não se importava com outros jogos, mas nunca teve que usar uma fantasia antes.

— Está na sua cama.

— Qual é o meu personagem?

— Você é um duque do século XIX, que vem visitar meu senhor.

— Eu viajei no tempo para o futuro ou você viajou para o passado? — perguntou, apontando para seus trajes modernos.

Ela ignorou a pergunta.

— Sabe como homens da sua altura eram tratados antigamente?

— Com mais respeito do que hoje em dia?

Em vez de rir, ela ergueu a sobrancelha. Então, enganchou a mão em seu cinto e puxou-o.

— Quando um nobre visitava o castelo, normalmente a senhora da casa devia ajudá-lo no banho.

— Nasci no século errado.

Ela sorriu provocante e lentamente.

— Quando o senhor não era casado, quem ajudava era a empregada.

Nathan não conseguiu pensar em nenhuma piada.

— Você vai me dar banho?

Ela tirou a blusa de dentro da calça e passou a mão por seu peito.

— Vou alimentá-lo, despi-lo, banhá-lo e, depois, fazer tudo que eu quiser. Mas você tem que prometer que não contará ao meu senhor, ou posso perder minha posição.

Ele fechou os olhos e aproveitou o toque delicioso de seus dedos, apesar de estar muito impressionado por ela ter assumido um papel tão subserviente espontaneamente. Outro aspecto de sua personalidade. Outro aspecto fascinante.

— Acho que o senhor deve ir se trocar agora, Alteza — sussurrou. — Pode esperar na sala de estar. Vou levar-lhe uma bebida para saborear enquanto termino de preparar o jantar.

Ele preferia ficar na cozinha com ela, mas percebeu que a expectativa fazia parte do jogo. Ia continuar excitado até ela decidir fazer algo com ele.

Só esperava que sua roupa não fosse muito feia.


Na sexta-feira seguinte, Cade McMann, editor executivo da Carisma, se aproximou da mesa de Tess no momento em que ela se levantava para ir a uma reunião. Ao perceber sua expressão distante, ela ficou calada. Normalmente, ele a chamava para sua sala.

— Você parece ser mais influente com Alyssa do que qualquer um aqui — disse, com a voz baixa e brusca.

— Como sobrinha, não como funcionária.

— Não me importa que papel você vai assumir, contanto que funcione. Na noite passada, ela dormiu no escritório de novo. Eu quero que ela ganhe a competição tanto quanto ela. Também quero vencer. Mas não há motivo para ela sacrificar todo o resto em nome disso. Alguém tem de convencê-la disso.

— Se você não consegue acalmá-la, Cade, acho que ninguém mais conseguirá.

— Já tentei. Fora mandar um homem armado ao escritório dela todas as noites, não há nada mais que eu possa fazer. Ela é a chefe, mas estou preocupado.

— Eu também. — Ela levou o dedo aos lábios, pensativa. — Eu poderia falar com tio Benedict.

— Eles podem ser irmãos gêmeos, Tess, mas isso é uma competição.

Ele tinha razão.

— De volta ao ponto de partida.

— Converse com ela, por favor. Ou melhor, sequestre-a e leve-a para passar o fim de semana em um spa.

Este era seu último fim de semana com Nathan. Lily chegaria na segunda-feira.

— Neste fim de semana, não posso, mas vou tentar marcar para o próximo.

— Ótimo. Obrigado. — Ele virou-se para sair e deu de cara com Jessie.

— Desculpe — disse ela, com os olhos arregalados. Cade franziu a sobrancelha. Parecendo um pouco confusa, Jessie fitou Tess.

— Nathan Harlan está na sala de conferências.

— Obrigada, Jessie.

Ela murmurou outro pedido de desculpas para Cade e se foi.

— Ela está sempre distraída — disse ele, observando-a.

Tess pegou uma pasta e levantou-se.

— Como assim?

— Só isso. E também é muito ansiosa. Se oferece para fazer tudo.

— Segundo o nosso programa de estágio, ela pode passar de um departamento para o outro se for necessário, ou pode se concentrar em um único projeto. Só tem que me avisar.

— Ela é boa?

— Este trabalho é algo natural para ela. Parece que tem anos de experiência e não que é recém-formada.

— As pessoas falavam isso sobre você.

— Falavam? — Ela sorriu, satisfeita. Não queria pedir ao seu chefe para sair da frente, mas tinha que ir a uma reunião. — Isso é tudo?

— É. Obrigado.

Tess foi a última a chegar à sala de conferências, onde já estavam todos os chefes da Carisma. Ela não era encarregada do projeto, logo quem comandava a discussão era o editor administrativo e o diretor de arte.

Sentou-se. Nathan, cercado por membros de sua equipe, estava do outro lado da mesa. Ela o fitou, viu um breve sorriso em seus olhos, e tentou se concentrar na reunião. Depois de uma hora e de muita discussão, todos saíram da sala. Não tinha nenhuma razão oficial para aproximar-se dele. Além do mais, ele não estava sozinho.

Passara todo o dia esperando sua ligação, para começarem a fazer planos para o último final de semana juntos. Ele tivera um almoço de negócios, então nem sequer puderam se encontrar em seu apartamento, como de costume. Mas Lily estaria em casa na segunda-feira. Era preciso encarar isso.

Tess ficou parada na porta da sala de conferências, na expectativa de encontrá-lo na saída, mas sua equipe não desgrudava dele, e Nathan só conseguiu se despedir rapidamente antes de sair.

Alyssa estava em sua sala, na frente do computador. Pensou em propor-lhe uma viagem no outro fim de semana, mas decidiu que não importaria se falasse agora ou depois, pois Alyssa não devia ter nenhum outro plano. Tess precisaria ausentar-se no fim de semana seguinte ainda mais que Alyssa. Para ficar de luto.

Voltou para sua mesa. Eram quase quatro horas. Ela e Nathan não eram bons em fazer planos, mas isso era ridículo. Era seu último...

Viu um envelope em cima do teclado, com seu nome escrito. Abriu e tirou uma folha de papel. O bilhete estava escrito à mão.

"Boa tarde, Srta. Evans.

Sua missão, se decidir aceitá-la, começará às seis horas. De sua casa, você será levada a um local secreto, onde tomará vinho, jantará, e será bem tratada até domingo à noite. Traga apenas o básico; não é necessário muito luxo. Lingerie é opcional, mas descartável.

Este papel está codificado por uma substância especial capaz de ler sua mente. Se decidir não aceitar a missão, o bilhete se autodestruirá em dez segundos.

10... 9... 8... 7... 6... 5... 4... 3... 2... 1...

Vejo você às seis."

Tess sorriu. Um fim de semana. Inteiro. Para se despedir.


— Sei que não é comum vir à praia nesta época do ano — disse a Tess, enquanto caminhava por uma varanda molhada. As ondas batiam suavemente na encosta. Nuvens escondiam a lua. Casas distantes eram os únicos pontos de luz ao redor, como estrelas terrestres.

— É perfeito — disse ela, apoiando o cotovelo no parapeito. — Como encontrou este lugar?

Ele a segurou pela cintura, encaixando seus corpos.

— É de um cliente. Ele já me ofereceu várias vezes.

Estava tarde. Não haviam se apressado para chegar. Pararam para jantar em um restaurante na beira da estrada, há mais ou menos uma hora da cidade. Demoraram bastante, era sua primeira e talvez última saída para jantar como casal. No entanto, durante toda a refeição ficaram de olho no estacionamento, verificando quem chegava, embora parecesse uma preocupação desnecessária.

Depois do jantar, decidiram que não conversariam sobre nada sério durante todo o fim de semana. Talvez na viagem de volta, mas agora não.

Tess se inclinou contra ele e aninhou-se em seus braços.

— Exceto por The Tides, não vou à praia há muito tempo — disse, suspirando.

Até este momento, seus encontros sempre haviam sido apressados, como se algo ou alguém fosse separá-los a qualquer instante. No entanto, agora tinham dois dias para relaxar e aproveitar a companhia um do outro. Provavelmente, era um grande erro terminar seu relacionamento com uma viagem ao paraíso, mas Nathan acreditava que tinha direito a um final majestoso. Nestas últimas semanas, tudo se resumira a um sexo intenso, com alguns momentos divertidos. Esse tipo de intensidade era bom no início, mas agora...

Nathan já não achava mais que Lily havia partido seu coração. Como foi ela quem terminara o noivado, ele supôs que devia ficar triste e devastado. Ficara surpreso, sentira-se decepcionado e um pouco humilhado, mas havia se recuperado muito depressa para considerá-la o amor de sua vida.

Mas esta Evans, esta ia partir seu coração.

— Parabéns, Nate.

— Pelo quê?

— Por se formar em suas aulas de cortejo, com mérito. — Virou-se para fitá-lo e enlaçou-o em seus braços.

Ele passara os últimos dias tão inspirado para preparar tudo para o fim de semana que não percebeu que estava planejando uma lua-de-mel. E uma despedida.

Beijou-a lenta e gentilmente, saboreando o calor de sua boca, a doçura de seus lábios, o toque penetrante de sua língua. Era um luxo não precisar se apressar, saber que ninguém chegaria inesperadamente e tampouco seriam reconhecidos pelas ruas. Podiam fingir que eram um casal normal, mas era melhor usar chapéu e óculos escuros só por precaução.

— O velho discurso de que as ações falam mais alto que as palavras — disse ela, aproximando-se dele.

— Estou aprendendo há um mês. Vamos entrar. — Era uma típica casa de praia, com tema náutico e decoração azul e branca. Conchas enfeitavam a base das luminárias e a borda dos espelhos. Potes de vidro continham mais conchas e estavam espalhados por toda a sala, e até pelo banheiro. Na suíte principal, uma porta de vidro permitia uma visão do mar. A banheira tinha um chuveiro e uma cortina em volta.

— Gostaria de tomar banho? — perguntou ele, ainda segurando sua mão.

— Claro.

— Vá em frente. Ainda preciso fazer algumas coisas.

Ela bateu em seu peito, sorrindo.

— Acho que vou ter que mudar sua nota para dez com louvor.

— Para isso eu precisaria de um discurso mais elaborado.

— Certamente. Teria que durar horas.

— Vou ver o que posso fazer.

Tess segurou seu rosto e o beijou. Quando se afastou, seus olhos já não sorriam mais, porém bruxuleavam por algo, e só podia ser...

Ela também não queria abrir mão deste relacionamento.


Tess ficara na dúvida quanto à camisola que devia levar. Como ele tinha dito que lingerie era opcional, mas dispensável, havia pensado em não levar nenhuma. Mas decidiu que queria provocá-lo com algo vermelho e rendado. Escolhera uma camisola longa, que a cobria, sem cobrir. Nunca se sentira tão voluptuosa; sua pele estava quente e úmida do banho, seus seios quase não cabiam dentro do decote da camisola.

Quando voltou para a sala, sentia a seda acariciando seu corpo. Velas acesas decoravam o ambiente e a lareira crepitava. Ele havia colocado uma garrafa de champanhe em um balde de gelo e pendurado uma toalha branca ao lado. Havia duas taças de cristal e pratos de morangos e chantilly. Um jazz tranquilo tocava no fundo. Havia almofadas dispostas na frente do sofá. Um vaso de margaridas amarelas adornava a mesa de café. Ela lembrou das margaridas brancas que havia no quarto principal. Nathan havia criado o cenário perfeito.

Como podia desistir dele depois disso? Talvez este último fim de semana fosse um erro. Não deviam ter complicado as coisas. Deviam ter se concentrado apenas no sexo.

Agora era tarde demais.

— Você fez tudo isso? — perguntou, enquanto ele se aproximava.

Ele assentiu.

— Também abasteci a geladeira. — Colocou a mão em seus ombros. — Você nunca esteve mais bonita.

— Você também está muito bonito — elogiou, admirando o pijama de seda, a boca sensual e os belos olhos castanhos.

Embora a casa parecesse relativamente isolada, ele havia fechado as cortinas, o que a deixara mais tranquila.

— O que houve? — indagou ele.

Ela balançou a cabeça. Não podia lhe perguntar se aquilo era um erro. Não queria que nada estragasse o tempo que tinham juntos.

— Concordamos que não falaríamos sobre nada sério.

— Então você precisa tirar esse olhar sério do rosto. — Tinha razão. Devia isso a ele. Ele havia cumprido sua parte do acordo. Então, Tess sorriu, deu um passo à frente e beijou seu peito. Escutou-o inspirando, lenta e profundamente.

A culpa que sentia deixou seus ombros pesados. Fora responsável por isso desde o início, quando foi procurá-lo. A dor que sofreriam era culpa dela.

— Isso me lembra da primeira vez — disse ele, calmamente, invadindo seus pensamentos. — Você também estava de vermelho.

Tess gostou de ver que ele lembrava.

— E você estava de preto. — Ela escorregou a mão por seu abdômen.

Ele inspirou e a deteve.

— Não quero me apressar hoje. Esta é a nossa noite de romance.

— E de lembranças.

Ele ficou calado por alguns segundos.

— Vamos nos sentar perto da lareira.

Comeram morango com chantilly, tomaram champanhe e trocaram carícias delicadas, enquanto o fogo os aquecia e conferia certa magia ao ambiente. Palavras rodopiavam na cabeça de Tess, mas não podia pronunciar nenhuma delas. Estavam carregadas de seriedade. Muito cheias de condições. Eram muito tristes. Tinha que esquecer seus pensamentos e deixar que ele ocupasse todo o seu mundo.

Ele também parecia não querer falar. Quando não estavam se beijando, fitavam o fogo de mãos dadas. Mas, finalmente, o desespero se instalou entre eles. Ela brincava com o cordão do seu pijama, desfez o nó e mergulhou as mãos dentro das suas calças. Ele se contraiu e fechou os olhos.

Ela segurou o tecido e puxou-o para baixo, chegando até a canela. Então, foi subindo a mão, passando pelas coxas, pelo abdômen, pelo peito e descendo novamente. Ele arqueou os quadris. Tess deixou cair algumas gotas de champanhe sobre ele, e viu-o estremecer. Ao mesmo tempo, cobriu sua boca, aquecendo-o e provando o champanhe... e ele. Nathan estava deitando, emitindo ruídos de desejo, enquanto ela usava a língua para explorá-lo e se deliciar.

Todos os seus músculos estavam tensos. Não havia nenhuma parte de seu corpo relaxada. Adorava deixá-lo dessa maneira, e adorava que ele não a apressasse. Em alguns momentos, Nathan a interrompia, respirava por alguns segundos e permitia que ela continuasse. Seu gosto e sua textura eram maravilhosos. O calor emanava de seu corpo. E seu autocontrole ia diminuindo a cada minuto, a cada toque, a cada respiração.

Interrompeu-a. Colocou-se fora de alcance. Levantou-se e apoiou-se no sofá. Neste momento, quis ser escultora. Iria reproduzir aquele corpo bonito e perfeito, ainda ardente de desejo. Seus músculos estavam rígidos, seus tendões, aparentes.

Ela se aproximou e pousou a mão em sua coxa.

— Deixe-me terminar.

Ele sorriu e balançou a cabeça.

— Gosto desta sensação. Quero que dure. Venha cá. — Ele mergulhou os dedos em seu cabelo, puxou-a para si e beijou-a. Aquele beijo não era como outro qualquer; a boca aberta, a língua inquisitiva, dentes que mordiscavam e o ar quente que exalava.

— Levante-se — disse ele, lenta e incisivamente. Ela ficou de pé.

— Tire a roupa para mim.

Ela se deixou levar pela música. Sem hesitação ou timidez, moveu-se, girando em círculos e oscilando os quadris. Por fim, deixou uma alça cair pelo ombro. Logo a outra. A gravidade puxou a camisola para o chão. Ele segurou seus tornozelos, pressionando-os até ela afastar mais as pernas. Então, encontrou-a com a boca e com os dedos, percorrendo um longo caminho com a língua, incendiando-a com os dedos, excitando, colocando tudo o que queria, e tirando, em um ciclo infinito.

Quando suas pernas começaram a tremer, ele a sentou. Recebeu-o e envolveu-o. Fechou os olhos e arqueou as costas, enquanto ele cobria um mamilo ardente com a boca, então o outro, acariciando seus seios com mãos fortes. No entanto, sabia que ele estava perdendo o controle. Ela também estava. Em uma manobra indescritível, deitou-se de costas, recebendo-o impetuosamente, movendo-se sob o corpo dele, gritando de prazer, escutando-o erguer-se sobre ela. O dueto desempenhado por seus corpos chegou ao clímax, permaneceu lá por um longo instante e, lentamente, foi desaparecendo.

A beleza daquela cena deixou sua garganta inchada e seus olhos marejados. Ela o envolveu em seus braços, prendendo-o, recusando-se a soltá-lo. Desde o início, haviam combinado física e psiquicamente. Mas nunca desta maneira. Nada tão próximo quanto isto. Era isto que acontecia quando tudo estava certo.

Amo você. Ela repetia estas palavras insistentemente em sua mente.

— O fogo está se apagando — disse ele, depois de um tempo.

Não o meu por você.

— Podemos ir para a cama — propôs ela.

— Vá na frente. Vou apagar as velas e cuidar da comida.

— Podemos fazer isso juntos.

Nus, moviam-se pelo quarto, sem tirar os olhos um do outro, flertando silenciosamente. Tess tentou imaginá-lo 50 anos depois, com o cabelo grisalho e o sorriso ainda malicioso. Pai. Avô. A imagem vinha facilmente. Era fácil demais.

Desligaram as luzes, caminharam de mãos dadas até a cama e esconderam-se debaixo do lençol. Ele deixava a mão vagar por aquele corpo, aquecendo-a, excitando-a, mesmo quando ela já devia estar satisfeita.

— Obrigada por este fim de semana — ela agradeceu, roçando os lábios em seu pescoço.

— Você tirou as palavras da minha boca.

Mais tarde, sentiu que ele caíra no sono. Aquele corpo pesava ao lado do seu. Apenas então se deu ao luxo de permitir que algumas lágrimas caíssem.

Mesmo então, não se arrependia, exceto pelo final que aquilo ia ter.


— Temos que conversar sobre isso — disse Tess, enquanto atravessavam aponte, chegando a Nova York, no domingo à noite.

Ela estava com a razão. Nathan não costumava se esconder de nenhuma situação, mas estava evitando aquela conversa, mesmo quando ela emitia algum sinal de que tinham que discutir seu futuro, ou a falta dele.

Fariam amor mais uma vez. Era a única coisa que ele sabia.

Na noite anterior, faram para a cama e dormiram, algo que um casal normal devia fazer, mas que eles nunca tinham feito, pois não tinham tido tempo para isso. Ele acreditava que esta noite compensaria, sexualmente, a anterior. Emocionalmente, no entanto, não havia comparação para o que haviam vivido. Era bom apenas dormir juntos, acordar nos braços do outro e ficar na cama.

— Então, fale — disse ele.

— Lily chega em casa amanhã. Concordamos em terminar o relacionamento quando ela chegasse.

— Estou tentando me lembrar das razões.

— Você sabe quais são as razões.

— Sei que, no início, dissemos que seria só sexo. Achamos que, se passássemos um mês dormindo juntos, seria só isso. — Fitou-a rapidamente. — Não foi. Pelo menos, não para mim.

— O que você quer dizer?

— Não quero parar de vê-la. Por que não podemos continuar nos vendo na minha casa, quando conseguirmos combinar?

— Para fazer sexo? — disse, com a voz esganiçada.

— Não só isso. — Esticou a mão e segurou a dela.

— É impossível, Nate. Nunca poderemos revelar nossa relação. Então, por que prolongar o inevitável?

— Por que não?

— Porque é muito arriscado. Cada vez que estamos juntos é uma chance de sermos descobertos. Estou cansada de me esconder. O sexo foi ótimo, mas, enquanto continuarmos assim, não vou sair com mais ninguém. Sou assim. E estou cansada de frequentar lugares sozinha. Quero um parceiro. Agora, mais do que nunca, quero um parceiro.

Virou-se para ele, com uma expressão impetuosa.

— Semana passada, quando fui à ópera com meus avós, Alyssa estava lá. Eles não se falaram, exceto quando Alysaa criticou vovô. Foi horrível. Minha avó ficou tão magoada. Há anos vejo essa desavença entre eles, mas nunca como agora. Essa fria repreensão em público. Não vou fazer nada que magoe alguém da minha família. Não poderia aceitar isso.

— Como nosso relacionamento poderia magoar sua família?

— Eu poderia magoar muito Lily. Você não acha que as pessoas podem achar que eu tive algo a ver com o rompimento de vocês se formos vistos juntos tão pouco tempo depois? Afinal, sou eu que tenho má reputação. Poderia parecer que quero mostrar para Lily o erro que ela cometeu. Seria desagradável para ela. Eu jamais a magoaria ou a trairia assim.

— Então, talvez você não devesse ter dormido comigo.

Depois de longos segundos, ela continuou:

— Sei que você está triste, então vou desculpá-lo por ter jogado toda a culpa em mim. Eu o instiguei, admito, mas nós dois concordamos com as condições. Também estou triste. Mas tivemos sorte de não sermos pegos. Temos que terminar tudo antes que nossa sorte se vire contra nós.

Ela estava certa. Ele a contestara porque queria que ela inventasse uma maneira de mudar essa situação. Era um desejo impossível.

Durante a viagem de volta, haviam concordado que Tess passaria a noite com Nathan. Isso significava que ela teria que acordar muito cedo, voltar para casa e se trocar para ir trabalhar. Parecia o caminho mais seguro, com menos possibilidade de serem descobertos.

Ele parou na garagem. Pegaram as malas e foram para o elevador. Mal conseguiam tirar os olhos um do outro. Nathan via nela tudo que sentia — ansiedade, desejo, gratidão e... desespero. Tess o abraçou, encostou a cabeça em seu pescoço e inclinou-se para trás para fitá-lo diretamente.

Ele a beijou sem nenhuma limitação, sem esperança. Queria sair do elevador carregando-a nos braços, mas tinham que pegar as bagagens.

Nathan abriu os olhos, deu um passo para trás... e viu Lily parada na porta.


Eis a nossa Lily de volta, não haverá espaço para desculpas, nem meias palavras, pois como a própria Tess disse "ações falam mais alto que as palavras" e então Joana Patricia, aqui está a realização de sua vidência hehe, muito obrigada por comentar, beijo :*