N/A: Estou ciente que Creta não vai ser descrita de maneira fiel ao mangá/anime. Mas como isto se trata de uma fanfiction, eu posso me dar ao luxo de alterar algumas coisas :3

O sol incomodava seus olhos cansados, ele encostou a cabeça na mesa e soltou um resmungo. Falman e Maria o encararam com curiosidade, não era normal Havoc estar soltando resmungos logo no começo do dia. Mais incomum ainda, era o soldado fechar o semblante de maneira preocupada.

- O que aconteceu? – Falman resolveu quebrar o silêncio.

- Eu fico imaginando, o que leva uma pessoa a fazer Transmutação Humana. Solidão, Depressão... ? – Ele murmurou. Estava com a expressão preocupada, até mesmo em sentido de conflito.

- Preocupado com a Elicia? – Maria sorrira. Ela juntara alguns papéis de sua mesa e os empurrara para o lado. – Ela cresceu bastante nesses últimos anos, quase não a reconheci. Se não fosse pelo Alphonse, acho que jamais teríamos sabido de seu paradeiro.

Havoc grunhiu com a insinuação da colega.

- Não é preocupado, estou mais surpreso por ver que aquela pivetinha se tornou uma pessoa completamente diferente. Lembram dela? O bebê que aquele cara carregava para cima e para baixo, ah...

- A tragédia nos muda. – Maria Ross disse em tom melancólico. – De todo modo, fico feliz que ela esteja saudável, apesar de tudo.

- Feliz? – Havoc parecia surpreso.

A porta da sala se abrira revelando Riza Hawkeye, a assistente de Roy caminhou apressadamente até a direção do grupo.

- Havoc, o nosso Führer está aguardando na sala 1. – Ela dissera friamente. – O restante precisa ficar aqui, irei passar as coordenadas da visita real.

- Eh?

Todos ficaram confusos com a declaração de Riza. Havoc se ergueu sem questionar e caminhou para fora da sala, a assistente de Roy respirou fundo e pegou alguns papéis que ainda estavam na mesa de seu Führer.

- A Imperatriz de Creta, Safyia, nos enviou uma carta. Ela informa que irá visitar Amestris com a Comitiva Real. – Riza disse.

- Isso deveria ser bom, não é? – Maria Ross perguntou apreensiva.

A assistente de Roy continuou.

- Nosso Brigadeiro General Amstrong voltou ontem, ele trouxe a carta informando que a Imperatriz chegará amanhã. Com a tensão aumentando entre nosso país e Creta, imaginamos que essa visita sirva para selar a paz.

- E se não for isso? – Falman questionou.

- Eles virão declarar guerra contra Amestris. – Riza respondeu.

Capítulo 4

Again

Elicia caminhava silenciosamente pelas ruas. Estava começando a amanhecer, as pessoas começavam a sair de suas casas para irem ao trabalho; não que fosse ruim caminhar entre tantas pessoas, mas Elicia não gostava de estar rodeada de estranhos. Talvez depois da morte de seu pai, esse problema se desenvolveu naturalmente.

Alphonse surgira atrás dela, carregando uma mala de couro que parecia pesada. Ele andava apressadamente para acompanhar o passo da menina, Elicia olhava distraída para os lados quando se assustou ao ver Alphonse.

- Pensei que não conseguiria te acompanhar. – Al sorrira de maneira cansada.

- Oh, desculpa. – Ela dissera rapidamente. – Como me achou, tio Al?

- Esse é o caminho do cemitério, não? – Alphonse comentou. – Imaginei que estivesse voltando de lá.

Elicia sorriu tristemente e continuou a caminhar. A poucas quadras de sua casa, ela sentira o estômago roncar e suspirara, Alphonse rira com a situação e apressou o passo.

Na casa da Alquimista Federal, Gracia cozinhava o café da manhã como de costume. Elicia abrira a porta e dera de cara com a mãe, Winry, Ed e seus filhos; a menina arregalara os olhos.

- Casa errada, desculpe. – E fechara violentamente a porta.

- Heeeeei-! – Ed correra e abrira, ele olhava irritado para a aprendiz. – Isso foi de propósito?

Elicia abrira um largo sorriso e correra para abraçar Edward. Os filhos do ex-alquimista correram e deram um abraço coletivo no grupo. Inicialmente, Ed soltara um resmungo, mas sorrira ao ver a felicidade genuína da jovem Alquimista.

Gracia surgira na porta da cozinha e olhava feliz para o grupo.

- O café está pronto. – Ela limpava as mãos em um pequeno pano preso ao seu vestido.

- Ah! – Elicia arregalara os olhos e se voltara para a mãe. – Estou de volta!

- Seja bem-vinda. – A mãe sorrira tranquilamente. – Demorou dessa vez, não?

- Ah. – Elicia fechara os olhos e rira de maneira nervosa. – O trabalho demorou um pouco mais.

Todos estavam reunidos na mesa com o rádio ao fundo sintonizado nas notícias. Os filhos de Ed e Winry atacavam a comida com toda a violência que podiam, Elicia e Edward conversavam sobre os últimos acontecimentos e Winry parecia sonolenta, talvez a viagem tivesse esgotado suas energias.

- Quer dizer que está havendo um saque em massa nos laboratórios? – Ed parecia curioso.

- Não se sabe o motivo, mas ladrões estão tentando levar de tudo. Pesquisas, fórmulas, drogas, livros... qualquer coisa. – Elicia dizia ao morder um pão. – Ontem peguei dois, mas vi relatos de gangues compostas por dezenas de pessoas.

O rádio parecia mais alto que de costume, as notícias estavam mais urgentes do que antes e o locutor estava nervoso. Mas ninguém estava dando atenção, a visita dos Elric era inesperada.

Elicia sabia o quão incomum era para Ed visitar a Cidade Central, com uma família tão grande, acabava por ser trabalhoso demais.

- Estava pensando em ir visitá-los. – Elicia interrompera a conversa. – Faz tempo que não via o tio Ed e a tia Winry. Estava com saudades.

Mas Winry fez um bico e cerrara os olhos, ela começara a analisar Elicia de cima abaixo; quando a Alquimista Federal escondera o braço, a mecânica apontara furiosa.

- Não me diga que... ? – A mulher falara em tom baixo, mas muito ameaçador.

Elicia engolira o pão rapidamente e quase engasgara. Ela apontara para o braço completamente perfurado pelas balas e a palma da mão ainda soltando óleo.

- Foram só dois tiros e...

- SÓ DOIS TIROS?!

Gracia batera as mãos em gesto tranqüilo, Winry se contivera e sentara novamente na cadeira. Elicia respirou aliviada e sorriu em agradecimento para a mãe.

Ed e Al sorriram ao se entreolharem, reconhecendo a típica reação da loira.

Naquele instante, o rádio começara a tocar o hino do país, o tom militar era reconhecido por qualquer um. Todos se calaram com a surpresa e após a música terminar, um homem começara a falar.

A Imperatriz de Creta anunciou sua vinda para esta tarde em Amestris. Estará hospedada na residência do Führer, aonde discutirão detalhes de uma aliança militar e acordo de paz. Sabe-se que a Imperatriz virá com comitiva de aproximadamente 300 pessoas, incluindo seguranças, civis e sacerdotes.

A recomendação é que não desrespeitem seus costumes e evitem um incidente diplomático. Contamos com a colaboração de todos os habitantes de Amestris.

- Huh. – Elicia parecia surpresa. – A Imperatriz?

- A Rainha de Copas. – Edward dissera seriamente.

- A Rainha dos Corações. – Corrigira Alphonse ao pegar uma xícara de chá e tomar.

Elicia não entendera quando os dois irmãos falaram nos títulos da Imperatriz. Ela entortara a cabeça, como que se pedisse uma explicação nova sobre o ocorrido.

- Voltamos de Creta. – Ed disse após um tempo. – A pedido do Führer, fomos conhecer a cultura e investigar sobre a possível tensão entre Amestris e Creta. É uma coisa totalmente diferente de Ishval, o povo ama sua Imperatriz.

- Da mesma forma que a amam, eles a temem. Creta é um país religioso. – Al continuou. – Eles fazem sacrifícios humanos em nome de Deus.

Gracia e Winry levaram a mão à boca em horror ao que ouviram. Edward e Alphonse pareciam irritados de certa forma com suas descobertas, não eram muito fãs desse tipo de atitude. Elicia imaginava o horror das vítimas que despertariam para a morte desorientadas e sem lugar para ir.

- Por que sacrifícios? – Elicia indagou.

-Bom, eles acreditam que se sacrificarem jovens puras. Deus irá lhes abençoar com um futuro cheio de fortunas, sorte e felicidade. – Alphonse respondeu seriamente. – A Imperatriz nada mais é que uma jovem sacerdotisa, escolhida entre milhares de meninas, sendo considerada abençoada pelo Deus de Creta. Ela governa até o momento de sua morte, sendo uma pessoa pura e intocável.

- É uma visita incomum. – Ed proferiu confuso. – A Imperatriz nunca sai do país, deve haver algum motivo.

- A guerra seria um. – Elicia comentou.

Ed e Al concordaram com a cabeça, mas não pareciam convencidos. Eles se levantaram e olharam para Elicia.

- Ela chega hoje. – Ed murmurou. – Parece ser uma boa idéia ficarmos por aqui uns dias, não?

- Digo o mesmo. – Alphonse parecia interessado.

Elicia quase se esquecia de que os irmãos Elric ainda serviam o governo. De alguma maneira, eles não estavam alistados e nem tinham cargos oficiais, mas forneciam informações vitais ao Führer e demais oficiais do alto escalão; nem mesmo Elicia conseguia obter o acesso a tal tipo de informação. Apesar de ser Major, sua pouca idade atrapalhava para adquirir missões de grande importância ou acesso a seções mais secretas.

Elicia às vezes pensava se isso não teria a ver com seu Führer, poderia ele tê-la impedido de conseguir missões mais perigosas? Nah, provavelmente não.

- Se for algum tipo de visita importante, eles provavelmente me chamariam. – Elicia comentou distraída.

E no mesmo instante, o telefone da residência dos Hughes tocara. Gracia o atendera e logo repassara a filha; eram instruções para comparecer ao centro da cidade, aonde a comitiva real chegaria. Elicia estava instruída de garantir a segurança do Führer.

A menina não entendera inicialmente, pois agir como guarda-costas era um serviço muito abaixo de seu cargo. O fator principal era que o Führer não parecia contente com seu serviço, já que nunca recebera um elogio direto. A última vez que vira Roy, foi quando recebera seu título de Alquimista da Morte – título que não gostava muito. Elicia costumava entregar pesquisas sobre Homúnculos e Alquimia envolvendo pessoas mortas, então o título de fato lhe servia.

- Precisamos dar um jeito nessa automail – Winry dissera aborrecida. – Vou apertar alguns parafusos e ver se consigo estancar o vazamento de óleo. Quando voltar, irei ver se consigo trocar as peças.

Elicia partiu com os dois irmãos após os devidos reparos em sua automail. Ela tivera tempo apenas para trocar a luva que cobria por inteiro seu braço e ombro esquerdo, estava usando a jaqueta azulada do exército por cima do colete negro; havia prendido os longos e lisos cabelos amendoados em um rabo-de-cavalo, sem deixar de manter a generosa franja caindo sob seu olho esquerdo e uma trança prendendo a outra parte.

O trio chegara à praça central da cidade, aonde um grande número de pessoas se aglomeravam. Elicia caminhava com dificuldades por entre as pessoas, sendo seguida por Ed e Al logo atrás.

- O pessoal está mesmo animado, hm. – Ed parecia incomodado.

A Alquimista Federal apenas riu do comentário e continuou a abrir caminho até a corda de contenção, aonde haviam diversos soldados mantendo parte da praça livre para a passagem da comitiva.

Ao chegar, Elicia nem precisara se identificar, já que era uma figura conhecida entre os soldados. Ed e Al passaram sem problemas pela corda e prosseguiram até um local onde estavam os oficiais do maior escalão; ali estavam o Brigadeiro-General Armstrong, os assistentes de Roy e o próprio Führer.

Elicia tremeu ao ver Roy totalmente paramentado como o líder de Amestris, usando o quepe e as condecorações em seu peito; a menina fingiu não se importar e caminhou na direção de Armstrong.

- Oh? – O Brigadeiro-General arqueou a sobrancelha, seu bigode se movera. – E-E-E-ELICIAAAAAAAA!

E ele correra, agarrando a menina com força e a puxando para o alto. Elicia soltara um grito de surpresa, mas abraça o alquimista com felicidade.

- Como tem passado? – Ele exclamava excitado.

- B-B-Bem. – Elicia respondera sem ar, Armstrong apertava-a com uma força descomunal. Ainda bem que tinha a automail para conseguir impedir que ele esmagasse seu corpo.

Armstrong a colocara no chão e pusera as mãos na cintura. Ele notara a presença dos irmãos Elric e acenara, algo totalmente impensável; os irmãos agradeceram a isso, tendo seus corpos poupados.

- O que faz aqui, foi convocada para a chegada da Imperatriz?

- De certa forma. – Ela respondeu. – E quando ela chegará?

- A qualquer momento. Estamos montando um esquema de segurança, nenhum meliante passará por mim! – E ele mostrara os músculos ao fazer poses, ainda continuavam gigantes e intimidadores.

- Não acha estranho que tenhamos que participar disso mesmo sendo Alquimistas do Governo? – Elicia indagou.

- Pode acontecer. Ou já se esqueceu que nós somos a elite do exército? – Os olhos de Armstrong pareciam brilhar.

Armstrong apontara para Riza e Havoc, que terminavam de instruir alguns soldados. A menina fora de mal grado para a dupla, não antes de dar um aceno para o alquimista.

- O 1° Tenente Havoc irá lhe acompanhar. – Riza dissera friamente.

- Ah, entendido. – Elicia batera continência, mesmo sabendo que era desnecessária tal coisa. Sabia que Roy estaria observando cada movimento seu e não queria deixá-lo decepcionado com suas atitudes. – Vejo vocês depois! – E acenara para Ed e Al.

Elicia se afastou do grupo, sendo seguida por Havoc que caminhava descontraidamente até o ponto estabelecido para fazer a guarda do Führer. A Alquimista Federal se pôs de braços cruzados e ficou encarando o movimento, estava fazendo bico por raiva de ter que ver Havoc em menos de 24 horas depois da confusão no bar. A Alquimista da Morte ainda se lembrava das palavras do homem.

- Erm... – Havoc coçara a cabeça, incomodado com algo.

Elicia fingira não ouvir seu resmungo e continuara a observar a movimentação de pessoas na praça.

- Eu queria pedir desculpas, ahm, sobre ontem. – Havoc continuou, ainda incomodado. As palavras saíam de maneira desconcertada e até mesmo tímidas. – Falei o que não devia, não... hm... Imaginava sua história.

A menina desistiu de fazer pirraça, sabia que o homem não tinha culpa pelo seu passado e que não seria certo continuar a ignorá-lo. Ela se voltou para Havoc e abriu um sorriso meigo que iluminou seu rosto.

- Sem problemas, 1° Tenente. Espero contar com seu trabalho durante a chegada da Imperatriz. – Ela estendera a mão direita. – Amigos?

Por algum motivo, Havoc perdera a fala. Seus olhos pareciam fixos no rosto iluminado da jovem de 17 anos, o sorriso ainda estava em seu rosto e os olhos esmeraldas centrados no Tenente. Ele engoliu seco e balançou a cabeça no mesmo instante; o rosto parecia arder, mas ele se recusava a imaginar que estivesse vermelho ou algo do tipo.

O que eu estou pensando? – Havoc afastou o pensamento instantaneamente.

- Amigos. – Disse depressa.

E apertara a mão pequena e suave de Elicia. A Alquimista se voltou para a multidão e pareceu se perder em pensamentos, Havoc continuava a lhe olhar de relance, ainda incrédulo do sentimento que surgira e os pensamentos que tomaram sua mente.

- Oh, lá vem. – Ele notou.

Grandes carruagens de madeiras pareciam se aproximar, eram brancas com ouro no telhado e rodas gigantescas.

Eram puxadas por vários cavalos, sendo quatro para cada carruagem, os cavalos tinham a pelagem negra e os pelos bem penteados. As carruagens e os cavalos eram totalmente paramentados com ouro em diversos formatos, sendo o telhado o mais bem desenhado contendo flores em ouro que caíam em pencas pelo telhado e balançavam conforme o andar. A flores lembravam pétalas de cerejeira, uma planta que não existia em Amestris.

- Nossa. – Elicia estava maravilhada.

O total era de quase 40 carruagens que faziam fila para entrar na praça principal da Cidade, estavam parando aos poucos até a primeira carruagem estacionar de uma vez. Elicia continuava a olhar admirada para a movimentação, notara que Roy ajustava sua vestimenta e se aproximara para abrir a porta da primeira.

A menina sentiu a respiração apertar quando notou algo diferente, vira a pequena Nina correr da multidão para a direção das carruagens. O mesmo espírito que surgira na noite passada, estava ali, correndo de medo. Elicia acompanhou Nina correr em pânico, sem a companhia de Alexander, para a direção da carruagem que trazia a Imperatriz.

- Nina! – Elicia gritou.

Havoc se voltou surpreso para a Alquimista.

- O que foi? – Ele indagou. – Viu algo?

- Vi, digo... Ah, não. – Elicia massageou as têmporas e continuou a acompanhar Nina.

A criança parecia fugir de algo, ela se escondera atrás de Ed e Al que estavam do outro lado da praça, alheios à presença de Nina. Elicia mordera o lábio inferior em apreensão.

- Mas que droga é essa... – Ela resmungou.

Do lado de fora da corda, aonde o povo estava espremido, uma mulher parecia atravessar a contenção sem problemas. Tinha cabelos ondulados e longos, pretos como a noite e olhos de mesmo tom; usava um vestido longo que acompanhava a curva de seu corpo, ela caminhava de maneira elegante e tinha um sorriso estampado.

- Ah, você só pode estar brincando! – Elicia fizera menção de caminhar.

- Onde vai? – Havoc segurou seu braço mecânico.

Elicia olhou surpresa para o soldado.

- Tem alguém ali, vamos! – Elicia exclamou.

- Entendi. – Havoc ajeitara a arma em sua cintura.

Ela e Havoc começaram a correr no centro da praça chamando a atenção de todos os presentes. Ed e Al olhavam atônitos, enquanto Roy parecia irritado com o acontecimento.

- Mas o que ela pensa que está fazendo... ? – Roy murmurou indignado.

- Quer que eu faça alguma coisa? – Riza questionou.

- Ainda não.

Elicia aumentou a velocidade ao ver que a mulher era envolta por um brilho avermelhado e parecia se aproximar mais de Nina e da carruagem, foi então que a Alquimista percebeu o que acontecia.

- ELA ESTÁ SE MATERIALIZANDO!

- Huh? – Havoc parecia confuso.

Mas que droga! Desde quando um espírito podia adentrar o mundo dos vivos? Elicia correu e se jogou em cima da mulher, derrubando-a com força. A estranha soltou um gemido de susto e ergueu os olhos para Elicia.

- Mas você conseguiu me ver antes... ? – Lust indagou com um sorriso.

Havoc retirara uma pistola da cintura e apontara para a mulher, suas pupilas se dilataram e o corpo ficou imóvel ao reconhecer a figura. A mesma culpada por deixá-lo paraplégico, o Homúnculo que o seduziu e que tentou lhe tirar a vida, o ser que Roy havia eliminado.

Como Lust podia estar ali, viva e diante dele?

- M-Mas como? – As mãos de Havoc tremeram.

Elicia foi lançada para trás por algo pontudo, os dedos de Lust se projetaram no ombro com automail e a lançaram para longe. Cada perfuração fizera jorrar óleo das peças, Elicia rolou no chão.

- PROTEJAM A IMPERATRIZ! – Roy gritou, ele estendera a mão em tom apressado.

Os soldados se voltaram para proteger as carruagens e Riza ficara diante de Roy, protegendo sua frente. Edward apontou para que Alphonse ajudasse Elicia, enquanto o Fullmetal parecia desaparecer na multidão, Armstrong seguira Ed por alguma razão e desaparecera poucos segundos depois.

Elicia se levantou com dificuldades, sentia o peito pulsar com força, mas conseguiu ficar de pé rapidamente.

- O que é você... ? – Elicia indagou.

Elicia desviara de outro lançamento de dedos pontiagudos e correra na direção do Homúnculo, ela batera rapidamente as mãos e tocara no chão, retirando uma estaca de cimento. Elicia parou de súbito e lançou o objeto na direção da mulher que quebrara a estaca com a mão, parecia ter fatiado uma fruta ao destruir a estaca.

- MAS O QUE?! – A Alquimista parecia surpresa.

- Posso estar morta, mas sei muito bem como lutar. – Lust dissera. – Agora, já que fui obrigada a voltar, pelo menos devo cumprir meu papel de maneira correta.

Ela começara a caminhar tranquilamente, seus dois braços começaram a crescer de tamanho e foram direcionados para Elicia. A Alquimista da Morte fez menção de desviar, mas ao ver os longos fios pontudos surgirem em sua direção, ela fechou os olhos.

- ELICIA!

Alphonse criara uma parede de concreto que protegera Elicia do contato físico com os dedos cortantes. O Elric mais novo correra ainda ofegante para ficar ao lado da aprendiz.

Poucas pessoas pareciam se lembrar que Alphonse ainda possuía o dom da Alquimia e podia transmutar qualquer coisa sem um círculo, ele ainda se recordava do encontro com a Verdade.

Elicia ergueu a cabeça surpresa, Alphonse olhara para trás e fizera um gesto com as mãos.

- AGORA, SENHOR ARMSTRONG!

Armstrong surgira do meio da confusão e cravara os punhos na parede que se desfizera em blocos e voara na direção de Lust; o Homúnculo fora lançado para longe, atingindo um prédio ao norte. O prédio fora atravessado facilmente, Lust atingira o segundo e por fim parara na parede do terceiro, longe o bastante para evitar que a Imperatriz sofresse algum ferimento durante o combate.

- Hmm... – Armstrong estalava os dedos, ainda insatisfeito. – Poderia ter ido mais longe.

- Vamos! – Elicia se apressou. – Ela pode se levantar!

- Tem razão. – Alphonse concordou.

A Alquimista da Morte fez menção de correr, mas parou ao ver Havoc ainda imóvel com os olhos fixos no chão. Ele parecia estar em choque, as pernas tremiam em excesso e as mãos continuavam a segurar firmemente a arma.

- Senhor Havoc! – Elicia gritou.

O soldado parecia ter voltado ao mundo real, encarou a menina de maneira assustada.

- Ah, sim... – Ele se apressou e saiu correndo na direção de Elicia.

Elicia, Havoc, Armstrong e Alphonse correram até perderem a população de vista. O grupo atravessara as paredes destruídas pelos golpes de Armstrong em busca de Lust; ao fim da última parede destruída, um corpo irreconhecível estava preso ao concreto.

Não havia sangue, os ossos estavam fora do lugar e cabeça estava quebrada com a face de Lust virada para a esquerda. Parecia que cada osso havia saído do lugar original, nenhum ligamento estava intacto.

- Ouch. – Alphonse se aproximou com cautela.

- Vamos recolher o corpo e levar para analisar. – Armstrong disse calmamente.

Elicia olhou desconfiada e saltou para trás quando Lust soltou um longo suspiro.

- Mas-!

Lust começou a endireitar o corpo, estalando cada parte quebrada e colocando-a no lugar. O Homúnculo ajeitava com as mãos as partes restantes e sorrira para o grupo.

- Devo dizer que isso é extremamente desagradável. – Lust terminara de colocar a última parte do corpo no local em que deveria existir. Ela começara a caminhar na direção dos inimigos. – Agora, onde estávamos?

Havoc ergueu sua arma e começou a efetuar disparos. Lust desviava com tranqüilidade, enquanto o soldado terminava de descarregar seu cartucho; o Homúnculo estendera as mãos e soltara as unhas negras afiadas na direção de Jean.

- Cuidado! – Elicia se jogou em cima do soldado a tempo de evitar que fosse ferido.

Parte das unhas tocara em sua bochecha direita e sangue jogou do corte profundo que se abrira. A Alquimista soltou um gemido de dor e rolou no chão, ela caiu com a face voltada para baixo.

- Elicia! – Alphonse correu para enfrentar Lust, mas ela acabara lançando-o longe.

Armstrong se virou surpreso, mas não a ponto de se defender e também acabara ferido. Lust acertara um soco violento e o lançara contra a parede do beco em que se encontravam, o homem batera a cabeça e caíra desacordado.

- Vejam bem, nada tenho contra vocês desta vez, estou apenas cumprindo ordens. – Ela dizia com um pesar real na voz.

Elicia cuspiu sangue que engolira, ela limpara o rosto ainda vermelho e tomara cuidado para não encostar as mãos no corte. A garota se voltou para Havoc e se sentiu mais tranqüila por vê-lo sem nenhum arranhão, seus olhos se fixaram em Lust e algo a assustou.

Elicia piscou os olhos freneticamente, como aquilo poderia estar ali? Não era possível que a Alquimista não tivesse notado antes, seus olhos pareciam ver algo novo. A menina via um ponto brilhante e que irradiava luz vermelha no centro do peito de Lust, era a luz da Pedra Filosofal.