N/A: Precisei dividir o capítulo em dois. Não quer dizer que o último personagem principal não irá aparecer, pois irá. Atentem-se para os pequenos detalhes, sim? Cada um será de suma importância :D

x.x

- Mais alto! – A pequena gritara.

Hughes erguera com toda a força que possuía, a pequena Elicia erguera o braço completamente feliz por ver o pai colocando-a próxima do céu. O pai da menina sorria ao ver a filha se divertindo, ele caminhava por entre as ruas da Cidade Central ao lado de Roy e alguns subordinados do Tenente Coronel.

- Ela se satisfaz com pouco, huh. – Roy observava surpreso.

- Voando! – Elicia abrira os braços e continuava a sorrir, alheia ao diálogo dos homens.

- Ela não é um amor? – Hughes olhava para a filha com orgulho. – Uma das poucas coisas boas que pude fazer nesse mundo, ah, como ela é perfeita!

- Não é para tanto. – Roy revirou os olhos. – Você nos chamou aqui apenas para mostrar sua filha?

Hughes abraçou a pequena com força, Elicia soltara uma exclamação de surpresa e gritara ao tentar abraçar de volta o pai.

- Mas tem coisa melhor do que falar da minha coisa fofa, a filhinha mais linda do mundo?! – Ele esfregava o rosto na filha que não parecia gostar.

- Pinica, ai! – Elicia resmungou.

Roy parara de andar e cruzara os braços, atrás dele estavam Riza e Havoc que não pareciam interessados na demonstração exagerada de afeto.

- Você tem algo para nós, senhor? – Havoc perguntou após pigarrear.

- Ah, papai não deixará que nenhum homem se aproxime de você. Não, não, não! – Hughes colocara a filha apoiada em seus ombros e a sentara, para que tivesse uma visão privilegiada da rua. – Desculpem, bem, estive investigando algumas coisas e cheguei a uma suspeita.

Roy fechara o semblante.

- Acho que o incidente com o Laboratório 5 pode ser uma pista chave.

Elicia continuava a se divertir, não lhe interessava esse tipo de conversa e principalmente a presença de outras pessoas que não a do seu pai.

Mas que criança poderia imaginar, principalmente ela, que esta seria a penúltima vez que veria o pai?

Dizem que uma mulher de vestido longo preto e longos cabelos está envolvida nisso.

Elicia abrira os olhos de maneira assustada e puxara o ar apressadamente. O rosto ainda suado pelo sonho ruim a fez se erguer, ela se limpara e afastara a coberta de sua cama para o chão.

A jovem Alquimista soltou um longo suspiro e olhou envolta do quarto, estava estranho de enxergar.

- Sono? – Elicia murmurou.

Elicia olhou em volta do quarto e estranhou ao ver que estava enxergando de maneira borrada, esfregou os olhos, mas nada parecia mudar. Ela já tinha a certeza do motivo por trás do ocorrido, mas não queria se preocupar com isso.

Decidira se erguer da cama e caminhou até a direção do espelho preso à parede, admirou o corte abaixo de seu olho que estava com expressivos pontos. A jovem analisou a ferida que estava começando a cicatrizar do confronto que tivera contra Lust, ainda sentia dores pelo corpo por causa da nova Automail fixada em seu braço, Elicia olhou fixamente para o espelho.

Ela se lembrava vagamente do sonho, sabia que o Laboratório 5 havia sido reconstruído e que continuavam a prosseguir com as pesquisas que envolviam a Pedra Filosofal; talvez estivessem conduzindo pesquisas sobre a Alquimia da Morte, afinal, Elicia não deveria ser a única pessoa a ter conseguido essa habilidade.

Mas antes...

- Preciso ir ao oftalmologista... – Elicia batera a testa no espelho em um gesto de desânimo.

Capítulo 6

Blindness

Parte I

O incidente ocorrido na Cidade Central havia completado duas semanas, a Imperatriz continuava sua estadia na residência do Führer e as pessoas pareciam se esquecer lentamente do ocorrido.

A jovem Safyia ainda era uma incógnita para todos os membros do Exército e sua presença era tratada com extrema cautela, Edward havia viajado e acabara de voltar, já Alphonse continuava hospedado na casa de Gracia. Winry precisara viajar a Rush Valley em buscas de mais peças para Automail de Elicia e acabara deixando os dois filhos por conta de Gracia.

Desde o incidente, Elicia ficara em sua casa pesquisando sobre possíveis pessoas que haviam adquirido o conhecimento da Alquimia da Morte, porém sob o pretexto de estar se recuperando da batalha contra Lust.

No começo da terceira semana desde a chegada da Imperatriz, a Cidade Central estava animada; o comércio estava vendendo como nunca, o turismo havia aumentado desde o fim do conflito em Ishval e possível notícia de paz entre Creta e Amestris. O centro da cidade estava extremamente cheio com o vai e vem das pessoas.

- Oh, Brigitte, garanto que está tudo bem. – Havoc dizia.

O Primeiro Tenente do Exército estava recostado no orelhão de telefone no centro da cidade e conversava tranquilamente, estava com um cigarro no canto da boca e parecia alheio ao movimento.

- E sobre aquele nosso encontro? – Havoc esperara a resposta e rira num alto tom. – Ah, como você é uma mulher difícil de encontrar... Está bem, ficarei de olho na agenda.

Havoc colocara o telefone no gancho e soltara um suspiro de cansaço. Ele coçara a cabeça e começara a caminhar, ao dar alguns passos esbarrara em uma mulher.

- Oh, me descul—Haa?! – Havoc arregalara os olhos.

Elicia estava caída no chão com uma expressão de poucos amigos. A jovem estava de cabelos soltos, usando seu uniforme, porém sem a luva cobrindo a Automail. A Alquimista se erguera tranquilamente e espalmara a sujeira de suas pernas.

- Por que passei anos sem olhar pra sua cara e num súbito, esbarro em você a cada metro? – Elicia resmungara.

- Eu deveria dizer o mesmo. – Havoc se divertira. Era muita coincidência, até mesmo para ele que deveria estar vigiando a filha de Hughes. – O que está fazendo aqui, jovem Hughes?

Elicia ficara vermelha instantaneamente, Havoc olhava curioso para a jovem.

- Eu... Eu estava indo ao médico. Já que os Alquimistas podem acessar livremente o Hospital Militar, pensei em me consultar com um Oftalmologista. – Elicia murmurou, ainda estava envergonhada por ter que dizer tal coisa.

Havoc se divertiu com a expressão da jovem e riu ao ver que ela estava se sentiu mal por algo tão pequeno. Talvez, Elicia não se sentia confortável em ter que freqüentar médicos ou simplesmente se diminuía ao perceber que após a Transmutação Humana, problemas de saúde haviam surgido. Alquimistas realmente tinham um orgulho acima do normal.

O Primeiro Tenente admirou por alguns instantes a garota terminar de se limpar, ele virara os olhos e continuara a tragar o cigarro tentando se distrair.

- E você, o que faz aqui? – Elicia indagou.

- Estava conversando com... hmm... uma namorada. – Havoc desconversara. Mentir não era exatamente sua área, mas não podia revelar o conteúdo da ligação. – Marcando um encontro.

Elicia olhou surpresa. Não que isso a houvesse espantado, mas ela estava tão focada em se tornar uma Alquimista Federal, que esquecera de que as pessoas também buscavam esse tipo de coisa. A jovem levara a mão direita ao peito e permanecera cabisbaixa.

- Um encontro, huh. – Ela murmurou.

- O que foi? – Havoc se abaixara lentamente para ficar na altura do rosto de Elicia. – Nunca teve um desses?

- Parece ser até ironia, né? Eu tentei transmutar a pessoa que mais amei e acabei perdendo parte do coração, chega a dar vontade de rir. – Elicia murmurou tristemente. – Acho tão bonito quando as pessoas têm alguém para amar e sabem aproveitar isso. Pois em um momento estamos aqui e no outro, nunca se sabe.

Havoc não soube o que dizer, ficou sem palavras ao ver a expressão saudosa de Elicia ao se lembrar do pai. Havia um fardo imenso nas costas dessa criança – Havoc pensava – e mesmo assim ela agia como se não fosse grande coisa, Elicia agia como um adulto. Embora fosse uma responsabilidade entregue precocemente, a Alquimista estava se saindo bem, Havoc sorrira complacente e pousara a mão sob a cabeça de Elicia, ele a esfregara, bagunçando completamente o cabelo da jovem.

Ah, como ela era fofa.

- Hei! – Elicia pegara a mão do homem, ela franzira os cenhos.

- Ehh... Que coisa mais estranha, dizer que amava o pai acima de todos os homens. – Ele ironizara.

- Ah. – Elicia ficara vermelha.

- Não se preocupe com essas coisas. – Havoc abrira um largo sorriso. – E então, vamos ao médico?

- Vamos? – Elicia repetiu emburrada.

- Ah, sim. Na volta, iremos ver esse corte debaixo do olho. Mulheres não podem ficar com cicatrizes, é tão feio. – E ele começara a caminhar, se divertindo com a situação.

Elicia correra atrás do homem, surpresa por ter que perseguir alguém como ele. Ela não sabia bem, mas algo em Havoc parecia lhe animar; ela admirava as costas largas de Havoc, tentando entender este sentimento confuso, mas não conseguia encontrar uma explicação.

- Essa barba também, é horrível. – Ela retrucara para Havoc que tropeçara ao ouvir a fala.

No fundo, a Alquimista estava se divertindo com a situação, dera um sorriso discreto e acompanhou o militar até o hospital.

Residência Oficial do Führer

Safyia caminhava tranquilamente pelo grandioso jardim da residência oficial. Estava descalça, usando um quimono menos elaborado – porém este era completamente vermelho e com obi branco – que cobria praticamente todo o corpo, com exceção de parte do peito. O cabelo estava impecável, preso em um belo coque com uma longa mecha caindo por trás, em suas costas, os cabelos negros reluziam em contato com a claridade do dia.

- Sim? – Safyia dissera sem olhar para trás, sua voz saíra cantada.

Dois homens usando quimonos surgiram, usavam um quimono branco com detalhes avermelhados no peito. Carregavam uma espada em suas cinturas.

- Safyia-sama. – Um deles, um jovem de aparentes 20 anos se curvara. O jovem tinha olhos azuis e pele clara, cabelos pretos longos e presos de maneira cuidadosa em um rabo de cavalo. Tinha um corpo não muito franzino, as mãos eram calejadas por carregarem com tanta frequência a espada – Tentamos localizar a pedra, porém o exército a destruiu.

Safyia parecia perdida em pensamentos, deu um longo suspiro e se voltou para os subordinados.

- Sousuke, o que fizeram da mulher que a carregava? – A Imperatriz indagou ao jovem guarda-costas.

- Foi morta por aquela menina, a tal da Alquimista da Morte. – O jovem respondera rapidamente. – Deseja que façamos algo a respeito disso?

Safyia contemplou suas opções por alguns instantes.

- Não. Farei melhor, irei dar uma festa esta noite. Quero que a convidem, assim como os demais Alquimistas. Irei me certificar que nada nos atrapalhe. – Safyia declarou friamente.

Os dois homens assentiram com a cabeça e ao se virarem de costas, sumiram em um piscar de olhos. Safyia continuou a caminhar, ainda pensativa, o rosto assumia a expressão de desprezo.

- Talvez... – Ela murmurou para si, a Imperatriz admirou a palma de sua mão esquerda e parecia ter nojo da mesma. –... Ela possa vir a me ajudar.

Talvez a solidão não precise ser eterna, talvez haja alguma maneira de burlar a Troca Equivalente e conseguir de volta as pessoas queridas, talvez... A morte possa ser vencida.

Elicia olhava abismada para o médico, piscava os olhos – dilatados – sem parar. Não conseguia acreditar no que ouvira, estava congelada no banco dentro do consultório.

- A senhorita está com 1,50 de miopia em cada olho, eu recomendaria a utilização diária dos óculos. – O médico dizia calmamente. – Estranho, nunca havia tido um registro seu por aqui.

A Alquimista levara a mão ao rosto, cobrira parcialmente a face para esconder a surpresa.

Desde quando tinha miopia? Desde quando estava sofrendo para enxergar as coisas à longa distância? A jovem estava confusa, não conseguia responder tais perguntas. Seus pensamentos se dirigiram ao dia em que enfrentara Lust, lembrava-se que forçara a visão para alcançar a Pedra no interior do corpo da estranha, mas isso não poderia ter relação com sua miopia, poderia?

- Óculos? – Havoc parecia surpreso, ele estava logo atrás de Elicia no consultório. Estava de pé e de braços cruzados. – Mas tão nova assim?

- Não é de se espantar, a miopia pode ser passada geneticamente. – O médico respondera tranquilamente. – Até onde eu sei, o senhor Brigadeiro-General Hughes era míope, não?

- Ah, sim. – Elicia acenou com a cabeça.

- Então, não há mais nada o que fazer. Aqui está a receita, se precisar de algo mais basta me chamar, senhorita Hughes. – O médico terminara.

Elicia saíra perdida do consultório, estava num misto de surpresa e preocupação. Talvez o que a Verdade tivesse lhe dito, seria sobre isso; poucas pessoas sobreviveram à Alquimia da Morte, talvez a eventual cegueira estivesse entre os sintomas. Ao retirar os pontos abaixo do olho, sequer dera atenção para o que a enfermeira falava no local, estava alheia até mesmo a fala de Havoc.

O Primeiro Tenente olhava incomodado para Elicia, não sabia como tirá-la do transe e não se sentia bem ao vê-la naquele estado. Após algum tempo, deu um pigarro e resolveu quebrar o silêncio.

- Tudo bem? – Havoc indagou.

- Ah. – Elicia concordou com a cabeça. A jovem sorrira distraidamente. – Sim.

- Não ligue pra isso, ern, a miopia. Qualquer pessoa tem isso.

Nem todos. Elicia pensara preocupada, mas algo estalou em sua mente, a jovem encarou Havoc com surpresa. Ele estava preocupado com ela? Justamente esse homem?

- Eu estou bem. – Elicia rira.

Havoc parecia mais aliviado ao ouvir a resposta da Alquimista.

- Isso é bom, mas de todo modo, eu a acompanho.

Ao chegarem, Elicia abrira a porta ainda distraidamente sendo recebida por um violento golpe; Edward lançara um grande livro em sua cara, jogando a Alquimista para trás.

Ao cair, a jovem rolara para trás com a força do impacto. O Primeiro Tenente apenas observou sem nenhuma surpresa aparente, porém podia sentir o coração bater mais rápido que o normal.

- Olá. – Havoc acenara tranquilamente.

- VOCÊ! – Edward gritara enfurecido. Ele surgira de dentro da residência, pisava duro na direção da dupla que acabara de chegar.

Elicia se erguera levando a mão ao nariz completamente vermelho pelo ocorrido. Ed a pegara pelo colete e a aproximara do rosto.

- Tinha como você ser mais descuidada, hm?! – Ed gritara ainda mais alto.

- Hah?! – Elicia fechara o semblante.

Ed a puxara até o antigo escritório de Hughes que agora, nada mais era que a biblioteca da casa. A sala era quadrada e espaçosa, toda revestida de madeira envernizada, com duas estantes que atingiam o teto e recheadas de livros.

No escritório, Alphonse estava sentado com alguns papéis em mão, ao lado dele estava May. A esposa de Alphonse estava com o cabelo preso em um simples coque e usava as vestimentas tradicionais de Xing.

- O que foi que eu fiz? – Elicia perguntara irritada. Ela estava sendo arrastada pelo instrutor, seus olhos percorreram o local e pousaram em May, ela sorrira para a jovem esposa do amigo. – Ah, May!

- Elicia! – May sorrira de maneira nervosa. – Ern...

Ed apontara os papéis na mão de Al, ele os tirara e mostrara bem próximo da Alquimista. Elicia congelara ao ver do que se tratava, eram fotos do círculo de Transmutação que ela desenhara há dois anos. O mesmo círculo que tirara parte do seu coração e corpo.

O círculo estava em perfeito estado, exceto pela estranha figura no centro, o ser que surgira do resultado da transmutação. Nas fotos, haviam algumas imagens mais aproximadas, marcando as palavras utilizadas e os símbolos, para a surpresa de Elicia, algo parecia diferente.

A Alquimista começara a checar foto por foto, queria se certificar de que estava enganada, mas notou que a raiva de Ed havia surgido com razão.

- Eu...

- Você fez o círculo de Transmutação de maneira errada! – Ed colocara as mãos na cintura.

- Não fiz. Estive pesquisando maneiras alternativas de conduzir a Transmutação Humana. – Elicia estava surpresa por Ed ter descoberto um dos segredos que ela mais tentara esconder.

- Você alterou 60% do círculo, colocou inscrições diferentes, usando a língua de Xerxes! – Edward exclamava incomodado. – Você praticamente fez uma Transmutação nova.

Elicia balançou negativamente a cabeça.

- Eu segui alguns livros, pensei que ao invés de recriar o corpo, eu poderia trazê-lo de volta. – Ela se explicara. A jovem caminhava até um canto da sala e retirara alguns livros da estante. – Meu pai costumava colecionar livros das viagens que fazia, um deles em específico tratava disso.

A Alquimista deixara o livro nas mãos de Ed, que folheava vigorosamente em busca de respostas.

- Chamam isso de Necromancia, um tipo de Alquimia que é capaz de trazer os mortos de volta. – Elicia murmurou para Edward. – Em Xerxes, na época, era muito comum a prática de tal.

- E onde achou isto? – Ed indagou.

- Bom, nunca tive tempo de saber. – Elicia se encolheu. – Meu pai viajou muito, mas teve exatamente tempo de compartilhar seus achados.

- Mas isso explicaria tudo. – Alphonse se erguera do assento e caminhara até os dois Alquimistas. – Você recebeu um ricochete diferente, porque sua Transmutação foi diferente.

Elicia já sabia disso, tinha consciência que a tentativa inédita de trazer o pai havia trazido conseqüências piores para ela; seus olhos eram a prova disso, o coração e o braço também. A jovem Alquimista ainda se lembrava do preço a ser pago por ter tentado agir como Deus, perdera parte do coração e costelas, a ironia de querer ser amada e perder a capacidade de amar. A falta do braço estava ali para mostrar que nem sempre podia alcançar tudo o que desejava.

A Alquimista da Morte abaixou a cabeça, esperando receber alguma punição de seu Mestre, porém Edward pousara sua mão na cabeça de Elicia e a acariciara com descuido; a jovem se recordou de Havoc fazer o mesmo, porém com mais delicadeza.

- Bom, o passado não pode ser mudado. – Ed lamentou. – Mas podemos partir daí para saber como reverter seu quadro.

- Eu estive conversando com o Alphonse e o Edward sobre aquele confronto com a Lust. – May começara a dizer, a esposa de Alphonse era alta e olhava para Elicia tendo que curvar o pescoço. – Realmente realizaram uma Transmutação a distância, estavam controlando-a com um círculo.

- E é possível? – Havoc indagara surpreso.

- Teoricamente sim. – Edward respondera seriamente. – Mas controlar um ser vivo é brutal, até mesmo para um Alquimista. Não se pode controlar o livre e arbítrio.

Elicia concordou com a cabeça.

- Vamos ter que investigar isso. – Alphonse dissera por fim.

A porta do escritório se abrira lentamente, era Gracia adentrando o recinto com um gracioso envelope em mãos. Ela caminhara na direção do grupo que estava discutindo os últimos acontecimentos.

- Erm, isto chegou para o Edward e para a Elicia. – Gracia dizia com um sorriso carinhoso. – Será que... ?

Elicia pegara o envelope e o analisara, era um papel elegante com o emblema do governo de Amestris. Dentro, havia um pequeno convite endereçado ao Fullmetal e à Alquimista da Morte.

Era escritos com letras garrafais em tom dourado e assinado por Safyia, o grupo se entreolhara confuso com o conteúdo do convite.

- Mas... ? – Elicia encarara Havoc. – Vocês também?

Havoc pegara o convite e coçara a cabeça ao terminar de ler.

- Hm. Quanta dor de cabeça... – Ele resmungou.

Alquimista da Morte, Fullmetal e família

A Imperatriz Safyia de Creta cordialmente os convida para o baile de máscaras a ser realizado na Residência Oficial do Führer Roy Mustang. Aonde Sua Alteza Real irá realizar um anuncio especial.

Traje de gala e máscaras a escolha do convidado.

- Vocês não acham estranho? – Alphonse lia cuidadosamente o convite. – Safyia vem a Amestris e subitamente temos esse baile... Algo nessa moça, desde a época em que fiz a viagem, algo nela não me soa bem.

- Pode ser paranóia nossa, mas eu e o Al estivemos em Creta e algo estranho estava acontecendo lá. Essa Safyia é muito perigosa. – Ed alertou.

Elicia encarou Havoc e em seguida a mãe, não sabia exatamente como se portar em um baile de máscaras. Droga, Elicia não tinha idéia de como era um baile!

- Vai ser interessante. – Edward sorrira.

Alphonse olhara para o irmão com cumplicidade, May estava com as mãos juntas e próximas ao peito apenas observando o diálogo. Havoc e Gracia nada opinavam.

- Entendido. – Elicia acenou. – Eu vou.

- Ah, - Havoc soltara um resmungo e fechara o semblante. – Eu vou também.

Talvez não fosse a melhor idéia, mas como o grupo não tinha muita idéia de como proceder com relação às suspeitas de Ed e Al, decidiram aceitar o convite.

A história do baile de máscaras se espalhara rapidamente pela Capital. Em menos de 4 horas, praticamente toda a alta sociedade estava ciente e se preparava para o grande evento na residência do Führer. A curiosidade pelo anuncio da Imperatriz só tornava maior a expectativa do evento.

Quando a noite começara a cair, todos estavam prontos e preparados para o maior evento dos últimos anos. Apesar de ter sido planejado com pouco tempo, a residência de Roy estava impecável e recheada de militares, além dos aristocratas de Amestris.

A residência do Führer estava belissimamente decorada, com o salão principal recheado de luzes e fitas douradas. Nas paredes haviam elegantes fitas douradas que uniam por laços, os lustres haviam sido polidos assim como o piso de cerâmico estava encerado.

A festa havia sido organizada de última hora, mas Roy soube contornar a situação e conseguira criar um evento de grande porte para todos os militares e a alta sociedade. Baila de Máscaras não era exatamente algo que fazia parte da cultura de Amestris e nem de Creta, mas o Führer decidiu relevar esse fato pela preocupação do comunicado a ser feito pela Imperatriz.

- Quero que fiquem de olho em qualquer movimento suspeito. – Roy murmurava para os assistentes. Ele terminava de vestir sua farda com todas as condecorações no peito, segurava uma bela máscara que cobria os olhos e parcialmente o nariz, era branca com pequenos detalhes em prata.

Falman fora o primeiro a assentir com a cabeça. Ele estava acompanhado de outros dois soldados e Havoc.

Havoc estava vestido com um terno simples e preto, a gravata era da mesma cor que a vestimenta. O Primeiro Tenente caminhava apressado para acompanhar o ritmo dos colegas.

- Oh? – Roy se voltara para Jean. – Resolveu aparar a barba? Não me diga que...

Ah. Havoc ficara vermelho instantaneamente, ele balançara os braços em negativa. O soldado parecia estar nervoso demais com uma simples pergunta, mas talvez isto se devia ao medo do Führer descobrir o motivo que o levara a se cuidar mais. Bom, nem mesmo Havoc sabia bem o que o fizera cortar os cabelos e a barba.

- Estava na hora, não é? – Havoc engolira seco.

- Sei. – Roy olhara com uma das sobrancelhas arqueadas. – Enfim, tem alguma novidade para mim?

O grupo adentrara o salão aonde já havia garçons circulando com badejas repletas de comes e bebes. Uma música suave tocava com a ajuda de uma pequena banda que tocava ao fundo do salão quadrado.

- Aparentemente a jovem Hughes está com miopia. – Havoc desviara de um garçom. – Fora isso, os irmãos Elric estão tentando investigar uma forma de trazê-la de volta ao normal.

Roy parecia intrigado com tal fala.

- Você quer dizer o braço e coração?

Dizer que a jovem podia ver espíritos não seria uma coisa sensata, principalmente se a pessoa fosse o Führer. Havoc dera de ombros, concordando com a pergunta de Roy.

- Espero que essa menina não se meta em mais encrencas. Não quero vê-la sendo promovida tão cedo. – Resmungara o Führer. – Se houver qualquer coisa fora do comum, avise-me.

Havoc olhara o grande salão, coçara a nuca de maneira incomodada. O Primeiro Tenente pegara a máscara que estivera guardada no bolso da calça e a admirara por alguns instantes.

- Estou com um pressentimento ruim. – Havoc murmurou. A máscara dourada com fios em prata estava reluzindo, ela cobria completamente os olhos e nariz, escondendo metade da face.

Não podia realmente ficar pior, podia?

Elicia descera do carro com a ajuda de Ed e Al. Ela estava usando um vestido azul marinho simples, de saia pregada e tomara que caia, tinha pequenas flores costuradas à mão na região da cintura em um tom azul mais claro. O vestido escondia seus pés com o comprimento e duas luvas brancas seguiam o contorno de seus braços até os ombros. Elicia segurava uma bela máscara branca com flores douradas ornando as extremidades do objeto.

- Bom, aqui estamos. – Ed descera do carro trajando um smoking preto sem gravata, estava com uma máscara em mãos.

- Sim. – Alphonse vestia o mesmo modelo, porém estava com uma gravata borboleta preta.

Elicia ajeitara o cabelo preso em um belo coque elaborado por Gracia. Elicia cuidava da franja que cobria parcialmente o olho esquerdo.

- Garanto que não vou me meter em confusões. – Elicia batera continência para os irmãos.

- Sei. – Ed arqueara as sobrancelhas e cruzara os braços.

A jovem Alquimista fizera muxoxo e dera as costas para a dupla, caminhava na direção da entrada do salão quando alguém esbarrara nela.

- Ah, desculpe! – Elicia se apressara em dizer. – Eh?

O jovem limpava as calças pretas e ajeitava a camisa branca, sua idade não parecia condizer com o ambiente que se encontrava, porém ao vê-lo, Ed soltara um grito esganiçado.

- Você! – Al parecia surpreso.

O menino de pouco mais de 13 anos ajeitara os cabelos curtos, um pequeno ponto surgira em sua testa revelando sua identidade.

- Selim, é você? – A Alquimista da Morte parecia surpresa.

O último Homúnculo conhecido em Amestris estava vivo.