Como presente de aniversário para mim – hahaha, pois é. – Estou enviando outro capítulo. A partir daqui, espero que a fic ande mais rápido. Acreditem, eu tento, mas essa coisa não para de crescer.

Chegamos à metade da história e se preparem, tem plotwist chegando!

x.x.x.x

Seus olhos verdes reluziam ao olhar para longe, estava com os braços encostados no parapeito da janela enquanto deixava seus pensamentos se perderem com a vista. Os longos cílios e a pele alva lhe davam um ar impecável, mesmo que se movesse, parecia uma boneca de porcelana dada a elegância.

Safyia tinha consciência que estava sendo observada por seus seguranças e, provavelmente, soldados de Roy Mustang. A Imperatriz admirava o jardim da residência do Führer através da pequena janela de seu quarto, ela não sorria e sequer demonstrava algum sentimento.

- Como um pássaro em sua gaiola. – Sua voz saiu docemente.

A Imperatriz vestia um grande quimono branco com obi vermelho, os cabelos estavam soltos, caindo sobre os ombros e costas; não usava a carregada maquiagem de sempre, ficando com a beleza natural exposta.

Safyia tinha um semblante sereno, podendo atraindo qualquer pessoa se desejasse. Seu carisma era sentido a distância e ela tinha consciência disso.

A porta de seu quarto se abriu lentamente, a jovem virou o rosto assustada com o barulho.

- Ah. Sousuke. – Safyia deu um leve sorriso. Sentiu o corpo relaxar ao ver a figura conhecida.

O homem de cabelos negros e olhos azuis sorriu para a Imperatriz. Ajoelhou-se imediatamente e se pôs a olhar o chão.

- Safyia-sama, o Führer Mustang está aqui para vê-la. – Sousuke murmurou.

- Deixe-o entrar. – Sua voz parecia desanimada, porém Safyia evitou demonstrar tal fato em suas expressões; massageou as têmporas e praticou um sorriso.

Roy adentrou sem esperar a autorização de Sousuke, o Führer empurrou a porta de supetão e ficou diante da Imperatriz.

- Peço que tenha mais respeito com nossa Im-

Roy estendeu a mão e fez Sousuke se calar instantaneamente. Ele caminhou na direção de Safyia e sorriu para a mesma.

- Eu sou o noivo da sua Imperatriz, então sugiro que releve este acontecimento. Se possível, gostaria de ficar sozinho com ela. – Roy disse friamente.

Sousuke voltou sua atenção para Safyia que assentiu com a cabeça, autorizando a saída de seu protetor. O homem mordeu os lábios e saiu do quarto, mesmo que a contra gosto.

Safyia ajeitou seu quimono de modo a cobrir seus ombros e parte dos seios, as mãos estavam abraçando o corpo de maneira delicada.

- E então? – Safyia sorriu. – O que o trás aqui, meu Führer?

- Estive pensando. Mesmo noivos e com a data de casamento para daqui duas semanas, sequer dividimos o quarto. – Roy começou. – Notei que escolheu o quarto mais distante dos meus aposentos, me pergunto o motivo.

- Nós preservamos a tradição da noiva estar intocada até a noite do casamento, meu Führer. – Safyia respondeu com simplicidade.

- Sei. Mas estamos em meu país e a tradição não nos influencia. Posso citar casos se desejar. – Roy se aproximou lentamente da Imperatriz, tirou uma das luvas e as jogou para trás. – Este casamento precisa ser benéfico para mim também. E até agora, tudo que obtive foi decepção.

Safyia dera um passo em falso, sentiu o corpo estremecer ao ver aquele homem se aproximando dela. Roy estava retirando a outra luva quando ela gemeu, queria gritar, mas a voz não saiu. O Führer começou a despir sua jaqueta azulada contendo sua patente e continuou a caminhar na direção da Imperatriz.

- Ainda não entendo aonde está querendo chegar com isso. – Safyia riu, tentando esconder a preocupação.

- Safyia. – Roy dissera docemente. O Führer jogou sua jaqueta para longe e tocou os ombros da Imperatriz, a mulher se assustou com o toque e se encolheu. – Oh, então nunca foi tocada por nenhum homem?

Safyia empalideceu com a frase dita por ele, sua mão se moveu automaticamente e acabou esbofeteando Roy sem ter consciência. Ela olhou surpresa para a mão avermelhada e se afastou de Roy, sentando-se na cama rapidamente.

- Não fale como se me conhecesse.

- Hm. – Roy riu. Esfregou a mão no rosto ferido com o tapa sem demonstrar incômodo.

Safyia se virou em posição defensiva, cobrindo o busto. Seus olhos de tom verde encaravam Roy com ferocidade.

- Não sei o que está planejando, mas já disse o que precisava saber. Este tipo de relação acontecerá após o casamento.

- Não entendo. Você parece estar sem vontade agora, imagine no casamento. – Roy fora categórico. – Só existe uma explicação.

Roy se aproximou novamente de Safyia e agarrou seus braços, a Imperatriz gritou assustada com o ocorrido e começou a se debater. O Führer apertou os braços da mulher e a fez se deitar na cama, ficando em cima da mesma.

- Saia de cima de mim! Seu-! – Safyia exclamara. – Chamarei meus guardas!

- E então, vai me matar? – Roy ironizou.

Safyia bateu no peito de Roy tentando afastá-lo, mas o homem possuía mais força. Roy agarrou o obi em sua cintura e começou a desfazer o laço, lançou o tecido para longe e tentou abrir o quimono de Safyia.

- Ah! – A Imperatriz prendeu a respiração por um instante.

- Ouvi dizer que são treinadas para serem excelentes esposas quando assumem o império. – Roy abrira levemente o quimono, deixando exposto o colo do peito da Imperatriz.

Safyia entrou em desespero quando Roy abriu o quimono, mostrando seu corpo cintura acima. A imperatriz temeu pelo pior, enrijeceu o corpo por inteiro e segurou a respiração.

- Ah. – Houve um tom de decepção na voz de Roy. – Não há nada aqui.

- O que?

Safyia respirava ofegantemente, o coração palpitava com a tensão e seu olhar estava perdido. Ela estava preparada para o pior.

A Imperatriz fechou os olhos, mas se surpreendeu ao sentir o peso de Roy sumir.

- Eh?

Roy se erguera da cama e começou a se vestir novamente. Colocou a jaqueta com calma e procurava suas luvas.

- O que voc- - Safyia tentou se erguer da cama, mas sentiu as pernas fraquejarem.

- Sempre usou roupas fechadas, imaginei que estivesse guardando algum segredo ou algum tipo de artimanha. Preciso me precaver antes me casar, posso estar correndo risco de vida, não? – Roy disse friamente ao terminar de colocar a segunda luva. Ele parou por um instante e se voltou para Safyia, ainda seminua na cama. – Ah, não me diga que realmente pensou que eu fosse fazer algo?

Safyia pegou seu quimono e tentou cobrir o corpo, senti o rosto se avermelhar.

- Considere como o troco pelo que fez no baile, Safyia. – Roy ironizou ao encarar a Imperatriz. Seu sorriso era triunfal. – E antes que eu me esqueça, essa foi a primeira e a última vez que farei isso. Nosso casamento é apenas uma formalidade, não preciso disso.

- Desgr- DESGRAÇADO – Lágrimas brotaram dos olhos da Imperatriz.

Roy saíra do quarto sem dizer mais nada.

Safyia caiu no chão, se enrolando no quimono desfeito. Chorava desesperadamente, tentando esquecer-se do ocorrido. Sousuke adentrara o local no mesmo instante.

- S-Safyia-sama!

Ele tocara nos ombros da governante de seu país e sentiu os músculos da jovem se contraírem.

- O que ele fez com a senhorita?

- Sousuke... – Safyia soluçou. – Chame o Grande Conselheiro e... uma empregada para ajudar a me vestir apropriadamente.

- Mas, a senhorita está-!

- Sousuke! – Safyia repetiu. – Por favor.

O homem se ergueu e desapareceu ao sair do quarto. Safyia abaixou seu quimono, ainda chorando; olhou para seu corpo com desgosto.

Grandes faixas azuladas se iluminaram em seu corpo. Faixas que eram canalizadas para o centro do seu peito, elas pulsavam de acordo com os batimentos do coração da jovem; as luzes eram fortes e lembravam a tonalidade de um brilho de qualquer círculo de alquimia.

- Só falta mais um pouco, eu preciso aguentar. – Ela disse para si mesma.

As faixas cresceram e tomaram conta do seu queixo e bochechas. Pareciam crescer a cada momento, conforme Safyia perdia o controle, as faixas se estendiam para as extremidades de seu delicado corpo.

- Ah. – Ela chorou de dor. –O Fullmetal e a Alquimista da Morte ainda não estão prontos... Ah. Só mais um pouco.

Capítulo X
Departure

Elicia saiu da sala de reuniões ainda desacreditada. Estava sendo acompanhada de Havoc, Al e Riza, Edward havia ficado para trás enquanto acertava a documentação para voltar ao Exército.

- Eu... preciso falar com minha mãe. – Elicia ainda estava desnorteada.

- E eu com a May. – Al sorrira despreocupadamente. – Vamos na mesma direção, heh.

- Eu preciso terminar de arrumar meus documentos e móveis, se me derem licença. – Riza dera as costas e se afastou do grupo.

Elicia acenou para a nova assistente de Ellijah e voltou sua atenção para Havoc, que parecia pensativo.

- O que foi? – A Alquimista indagou.

- Ah! – Havoc se surpreendera com a pergunta e saltou ao ver a proximidade entre ele e Elicia.

- Você não falou nada desde que entrou na sala. – Elicia cruzou os braços. – Sentiu nossa falta?

Engoliu seco e evitou demonstrar surpresa com a presunção, mesmo que inocente, da filha de Hughes. Pigarreou para limpar a garganta e pensou no que iria dizer.

- Ah. Eu não conhecia pessoalmente o General Friedrich, fiquei surpreso que você é subordinada a ele neste Quartel.

Elicia deu as costas para Havoc e continuou a caminhar para sair do local.

- Hm. Eu e Ellijah nos conhecemos há algum tempo. – Ela dizia calmamente. – Acho que há quase 2 anos.

- Ele parece ser bem... hm... interessante. – Alphonse sorriu. – Me lembra um pouco o nosso Führer, mas com métodos mais diretos.

- Ele é uma pessoa boa, não o julguem pelo que viram na sala. – Elicia disse.

Havoc notou que a Alquimista estava vermelha, Elicia parecia gostar de figura do General, embora suas ações durante a reunião tivessem demonstrado o oposto. Por alguma razão, Jean não gostou do que vira.

- Uma boa pessoa, huh.

Enquanto isso, na sala de reuniões, Edward estava de pé e diante de Ellijah. Cauteloso, o Fullmetal evitou ser o primeiro a iniciar a conversa, preferindo que o General começasse a falar.

O General trajava uniforme completo dos militares. Suas patentes balançavam a cada passo que dava, deixando Ed mais alerta.

- Desculpe pelo pequeno teatro, mas gosto de impor minha presença. – Ellijah começou.

- Já vi apresentações mais estranhas que a sua, sem problemas. – O Fullmetal respondeu sem preocupação. Lembrou-se então das muitas pessoas que conheceu durante sua jornada em busca do corpo de Alphonse, foi uma época que agora parecia distante.

- Eu gostaria de ter conhecido o grande Fullmetal, herói de Amestris, em outras circunstâncias. – Ellijah sorriu. – A situação não é das melhores, a cada relatório que encontro, mais preocupado fico. Não houve outra maneira, precisei abordá-lo assim.

- Do que está falando?

- No Forte Briggs, foi encontrado um círculo de transmutação enterrado há séculos.

- Não parece ser preocupante. – Ed concluiu.

- O círculo foi calculado como tendo o tamanho da Cidade Central, tendo características incomuns e seu formato não bate com nenhum registro conhecido. Com a época do degelo, foi descoberto apenas agora. – O General explicou calmamente. – Lembro bem que você e seu irmão passaram anos estudando a Alquimia pelo mundo.

- De fato. – Edward pôs a mão no queixo e ficou pensativo. – A data?

- Calculamos que possui mais de 3 séculos de existência.

A data não batia com qualquer outra que Edward se recordava. Nem mesmo a da destruição do país de origem de seu pai, Xerxes.

- Estranho, não acha?

Ed concordou.

- Eu gostaria de tê-lo convocado antes, mas agora me pareceu a melhor hora.

- Mas como sabe que posso ser útil? Na época em que era Alquimista Federal, você deveria ter uns 10 anos, no máximo. – Edward retrucou, estava visivelmente incomodado com a mudança na personalidade de Ellijah. – Meu talento e habilidades não passam de história.

O general deu de ombros, como se não soubesse a resposta.

- Eu havia acabado de completar 10 anos na época. Não me julgue pela pouca idade, senhor Elric. – Ellijah observou calmamente. – Sei bem que sua habilidade voltou, pude testemunhar no Laboratório 5 e, se me permite, pude ver que seus olhos brilharam quando eu o informei de que seria reintegrado.

Ele não pôde rebater a afirmação, apenas abaixou a cabeça se segurando para não dizer algo indevido.

O General retirou algo do bolso de sua calça e se aproximou de Edward, suas mãos tocaram as de Ed e o Alquimista sentiu algo gelado pousar na palma de sua mão. Era o relógio que representava os Alquimistas, a prata e os riscos ainda estavam ali; não se tratava de um objeto qualquer, aquele era o seu relógio dos tempos de Alquimista Federal.

- A partir desse momento, quero que cuide bem da filha de Maes Hughes. Cuide por mim. – Ellijah dissera firmemente, seu olhar se fixou nos de Ed.

Ambos se encaravam sem dizer uma palavra. Ed estava com o semblante fechado, assim como o General.

- É claro que sim, ela é muito mais do que uma aprendiz para mim. Ela faz parte da minha família. – O Fullmetal fora categórico.

- Espero que continue pensando assim. – Ellijah começou a se afastar do homem e deu-lhe as costas. – Pessoas como ela, eu e você, possuímos a tendência de nos fechar para o mundo e não permitir que ninguém nos ajude.

Edward olhou confuso para Ellijah, não havia conseguido entender a fala enigmática do general da Cidade Central.

- Pessoas como nós? Do que está falando?

Ellijah alisou seus cabelos loiros com a mão direita e lançou os fios para trás, tentando manter o rosto descoberto. O General caminhou elegantemente até a direção de Edward, ele percebeu que ele caminhava com certa lentidão, mas nada disse.

- Pessoas que quebram tabus para tentar recuperar algo que já foi perdido.

Seria possível... Não, Ellijah não poderia estar falando a verdade.

- Você... ?

Ellijah apenas balançou a cabeça, negando qualquer oportunidade de Ed para perguntar sobre seu receio.

- Como seu General, quero que a acompanhe nesta missão e a proteja. Fui claro, Fullmetal? – O general perguntou friamente.

- Nem precisava dizer, é claro farei isso.

Pessoas como nós, que quebram tabus e pagam o preço por isso.

Para nós, a Troca Equivalente é absoluta.

Horas se passaram.

Elicia estava na porta de sua casa, olhando apreensiva para a entrada da residência. A filha de Hughes não sabia como adentrar sua própria casa e encontrar sua mãe, afinal, duas semanas haviam se passado desde que saíra para ir a um baile. Gracia devia estar preocupada, como ela iria explicar que havia voltado com um vestido rasgado e os cabelos desgrenhados?

Alphonse estava logo atrás da jovem, observando preocupadamente a Alquimista. Ele notou a hesitação de Elicia, mas permaneceu em silêncio, esperando que ela mesma decidisse o que fazer.

A Alquimista respirou fundo, estufou o peito e decidiu bater na porta. Na primeira batida, ouviu passos apressados e percebeu a maçaneta girando.

- Ah. – Gracia abriu desesperadamente a porta, os olhos inchados se fixaram em Elicia. – Elicia!

- Mam-!

Elicia não pôde continuar, sentiu os braços de sua mãe a envolvendo com força, fazendo-a perder a respiração. Gracia soltou um suspiro de alívio e começou a chorar, provavelmente de felicidade.

- Não me davam notícias suas, achei que algo havia acontecido. – Gracia soluçou.

Gracia continuava sendo mais alta que a filha, dois palmos de diferença. A mãe de Elicia abaixou a cabeça para analisar a filha com zelo, alisando seus cabelos, procurando ferimentos ou qualquer coisa que estivesse fora do comum.

- Estas roupas estão horríveis. – Gracia riu, ela esfregou os olhos marejados de lágrimas e tentou se recompor. – Vou preparar um banho, o que acha?

Elicia concordou com a cabeça e observou a mãe sumir pela casa adentro. Sentiu-se culpada por ter causado preocupação à Gracia, mas não sabia como se desculpar.

- Ela é muito carinhosa. – Winry surgira na porta com sua filha mais nova nos braços. – Você tem sorte.

- Sim. – Elicia sorriu tristemente.

Ela e Al adentraram a casa e sentaram-se nos sofás da sala de estar. Winry se afastou, procurando seu outro filho e acabou por subir as escadas; já Alphonse, voltou sua atenção para Elicia, que não havia dito mais nenhuma palavra após sua chegada.

- O que foi, Elicia?

- Sempre. – Sua voz vacilou. Elicia estava cabisbaixa. – Desde que meu pai morreu, eu não me lembro do que é levar uma bronca. Minha mãe nunca se irrita, mesmo se eu sumir por semanas...

Alphonse bagunçou os cabelos de Elicia com sua mão e sorriu simpaticamente para a aprendiz de Edward.

- Ela está te dando espaço, não são muitos pais que fazem isso. Acho que a senhora Gracia se preocupa até demais.

Elicia sabia disso. Nunca ouviu de sua mãe uma reclamação, nem mesmo quando desejou entrar no Exército e seguir os passos do pai. Ela pensou que fosse indiferença, mas esta era a forma de Gracia mostrar o quão importante era a filha, ela respeitava a independência de Elicia.

Edward chegou pouco depois dos demais, sendo recebido com naturalidade por Winry que já estava acostumada com os sumiços do marido; a sala estava cheia e vívida, todos discutiam sobre os acontecimentos no Purgatório e Elicia tentava entender as palavras da Verdade.

Elicia já havia se banhado e usava calça e blusa cinza, um pijama largo e confortável. A Alquimista estava com os cabelos presos em um simples rabo-de-cavalo.

- Meu preço foi pago, mas ainda não faço ideia. – Ed dizia pensativo. Ele estava sentado ao lado de Winry que carregava a filha mais nova do casal nos braços, a pequena dormia serenamente. – Disse que não precisava me preocupar.

- Alguém fez a troca por você. – Alphonse observou.

- Mas quem? – Elicia interveio. – Não vi ninguém lá, Selim e o Kimblee também não estavam conosco.

- Não sei, mas pretendo descobrir. – Ed disse. O Fullmetal se ergueu do sofá e pegou a filha dos braços de Winry com delicadeza. – Espero que essa viagem possa nos ajudar a responder esta e outra dúvida.

- Qual? – Elicia e Al falaram em uníssono.

- O motivo pelo qual Elicia pode ver o que nós não podemos.

E ele estava certo. Elicia nunca soube explicar o motivo por ter tal habilidade, embora ela fosse muito útil, não era algo normal.

As palavras da Verdade ainda ecoavam em sua cabeça, a Alquimista da Morte sabia bem o preço que pagaria por fazer o uso dos olhos.

Não falta muito.

Roy estava cabisbaixo, a mão apoiada em sua testa escondia a expressão decepcionada. O Führer estava sentado em sua cadeira na sala do Quartel, a sala particular.

Ele respirou fundo e continuou a ficar pensativo. Não conseguia achar uma maneira de fugir do compromisso com Safyia, tentou de todas as maneiras, mas a única saída era a de se casar com a Imperatriz.

O Führer não se importou quando viu a porta de sua sala abrir sem cerimônia, era Ellijah quem adentrava os aposentos do governante de Amestris.

- Recebi seu recado, conseguiu a prova? – O General perguntou sem rodeios.

- Vi o corpo dela, não havia marca alguma. Suas fontes não devem ser tão seguras assim, senhor Friedrich. – Roy sequer o encarou. Sua voz saíra com fraqueza.

- Ela resistiu?

- O que você acha? – Roy ergueu a cabeça, batendo a mão com toda a força em sua mesa; o barulho ecoou por toda a sala. – Ela devia pensar que ia ser abusada! Tem consciência da barbárie que eu quase cometi, por conta de uma pista?

Ellijah não perdeu a calma.

- Estamos em épocas difíceis, meu Führer. Na guerra, tudo é válido. – O jovem General disse com frieza.

- Mas não isso. – Roy retrucou. – Sinto vergonha de mim mesmo, jurei que jamais faria algo tão sórdido em nome da paz.

O general deu de ombros, não parecendo se importar com os lamentos do Führer.

- Não se sinta assim, meu Führer. Jogue esta culpa em mim.

- E isso iria me fazer se sentir melhor? Não sou um homem covarde que joga a culpa desse tipo de coisa em seus subordinados, não foi para isso que me tornei um Führer.

Roy parou e tornou a suspirar. Ele sabia que Ellijah não era o culpado por suas ações, mas não entendia porque queria descontar sua raiva no general.

- O senhor ganhou meu respeito. – Ellijah sorriu gentilmente.

- Ah, é? – Roy debochou. – E antes não o tinha?

- Não me leve a mal, eu seguirei as ordens de um Führer mesmo que me levem a morte, mas não com a mesma intensidade. Vejo que o senhor possui ideais muito parecidos com os meus.

- E quais seriam, Ellijah? – Roy deixou-se levar na conversa.

- Justiça. – Os olhos claros do general brilharam ao responder a pergunta de Roy. – Eu me juntei aos Militares para fazer a justiça valer, embora meus métodos sejam pouco ortodoxos comparados com os seus.

Roy riu com o canto da boca, assentiu com a cabeça enquanto concordava mentalmente com a fala do jovem.

- Talvez tenhamos mais coisas em comum do que eu imaginava.

Alguns dias se passaram desde então. Elicia, Edward, Alphonse, May, Havoc e Riza se preparavam para a viagem; cada um arrumava suas malas e partiam para estação da Cidade Central.

Elicia estava acompanhada da mãe, que sorria tranquilamente. Gracia havia combinado de ficar com Winry em Resembool por alguns dias, pelo menos até a viagem da filha de Hughes acabar.

A estação estava movimentada, os trens que seguiriam para direções opostas estavam estacionados e se preparavam para partir.

- Oh. – Havoc percebeu quando o grupo se aproximou. – Aqui!

Elicia acenou para Havoc e correu na direção do militar; a Alquimista estava com sua calça azul dos militares e as botas escuras, a jaqueta de mesmo tom estava amarrada em sua cintura. Elicia vestia uma blusa de manga comprida preta, cobrindo seus braços e parte do pescoço, ela tinha uma bela imagem – a mesma das costas daa jaqueta vermelha de Ed – estampada, estava em uma tonalidade branca.

- Chegou cedo! – Elicia sorriu.

Havoc retribuiu o sorriso.

- Alguém precisava pegar as passagens, jovem Hughes.

- Sei. – Elicia se divertiu.

- Hei, nada de brincadeiras ou iremos nos atrasar. – Ed dera um pequeno tapa nas costas de Elicia e a mesma se voltou para ele.

Ed vestia o manto vermelho sobre a blusa preta, como nos velhos tempos. As calças pretas e as botas de mesma tonalidade eram novas.

Alphonse e May estavam com roupas leves, porém carregavam uma mala que aparentava pesar e Riza estava com o uniforme militar.

- Estão todos aqui? – Alphonse perguntou casualmente.

Um homem de quimono observava o grupo e se aproximou com cautela.

- Me chamo Ryuusei, irei acompanhá-los até nossa capital, Constantinopla, para lhes ajudar a se aprofundar nos estudos de nosso país. É com prazer que os receberemos. – Ele se curvou, demonstrando respeito aos presentes.

Todos acenaram com a cabeça.

- Então é isso. – Al sorriu para os demais. – Nos encontramos em algumas semanas em Resembool.

- Espero trazer boas notícias. – Ed disse.

- Com certeza irão. – O irmão de Edward dissera com firmeza.

Ele se voltou para Elicia, acariciou os cabelos amendoados da Alquimista que não pareceu ter gostado.

- Ah! – Suas bochechas coraram.

- Cuide-se Elicia. – O mais novo dos Elric dissera com doçura. – Quando voltarmos, me conte como foi sua aventura.

- Pode deixar!

- Nos vemos em algumas semanas. – Riza disse calmamente ao embarcar no trem.

Alphonse e May iriam para o Norte, enquanto Edward, Havoc e Riza para Creta. Os trens iriam partir de pontos diferentes, mas no mesmo horário.

Elicia olhou em volta, procurando algo que lhe chamara a atenção. Encontrou a pequena Nina e seu cão observando-a com interesse, no meio de todas as pessoas passando pela estação, a Alquimista sabia que o espírito da criança podia ser visto apenas por ela.

- Huh. – Elicia deu as costas para seus amigos.

- O que foi? – Ed estava com um pé dentro do vagão do trem, retrocedeu alguns passos e olhou curioso para a aprendiz.

Elicia se agachou e ficou na altura dos olhos de Nina. A menina parecia estar triste, estava com os olhos vermelhos e o nariz escorrendo.

- O que foi? – Elicia inclinou delicadamente a cabeça.

- Você 'tá indo embora? Vai nos deixar?

- Hm, não. Vou fazer uma viagem com meus amigos ali. – A Alquimista da Morte apontou para Ed e Havoc.

Ed arregalou os olhos.

- Com quem ela está falando... ?

- Essa é a habilidade dela, não? – Havoc questionou.

- Sim... Hei, ELICIA! Vamos perder o trem! – Edward bradara de longe.

Elicia se virou surpresa, olhou para o relógio no bolso e se assustou. O horário estava apertado, precisava correr para embarcar.

- Ah, os irmãzinhos. – Nina sorriu, parecia estar contente com a visão dos irmãos Elric partindo. – Eles vão te proteger!

- Sim, eles vão. – Elicia sorriu.

- Diga que eu e o Alexander sentimos a falta de brincar com eles. – A pequena começou a desaparecer.

- Ah? C-Claro. Pode deix-

Elicia viu a menina desaparecer junto com o cão e correu para embarcar no trem. Saltou para dentro do vagão assim que o mesmo começou a se mover; ela respirou rapidamente, tentando recuperar o fôlego. A jovem caiu de joelhos, sentindo o coração palpitar com a pequena corrida.

Edward ajudou a jovem a permanecer em pé assim que o trem começou a se mover mais depressa, Elicia viu o vagão de Alphonse e May se distanciar e de sua mãe também.

- Com quem estava falando? – Edward indagou. – Envolve sua habilidade, não?

- Estava falando com uma criança e seu cachorro, essa menina ficou muito ligada a mim. Parece até uma irmã, pena que dificilmente a vejo na Cidade. – Elicia respondeu.

Edward estremeceu por um instante. Seu olhar parou no local aonde Elicia estava antes de entrar no trem, engoliu seco ao refletir sobre as palavras de Elicia.

- Essa menina... Qual era o nome dela?

Edward torceu para não ouvir o nome que temia.

- Nina. Por quê?

Mas nem sempre recebia o que pedia.

Nem sempre se pode salvar a todos.

Próximo Capítulo: Pequena Flor do Campo