II. BETRAY

JPOV

A dor em meu peito era indescritível e parecia ser interminável, eu estava sozinho e me sentindo miserável. Meu rompimento com James fora difícil. A gritaria entre nós dois havia terminado com as minhas roupas espalhadas por todo o gramado e um tremendamente bem destinado soco direto no nariz de James. Eu ainda não podia acreditar no que havia acontecido, como James pode me trair daquela forma? Gostando ou não de James, eu tive que terminar com ele, ele não foi honesto e estava saindo com alguém pelas minhas costas. E não era um alguém qualquer. Era Riley.

Tinha sido em uma tarde como outra qualquer quando sai do escritório mais cedo. Eu trabalhava em uma empresa de publicidade, e passava a maior parte do dia fazendo montagens e divulgações de eventos pelas redes sociais, mas, naquele dia, eu não estava me sentindo bem, e meu chefe havia dito que eu podia ir para a casa mais cedo para me recuperar. Quando cheguei na casa não muito grande que eu dividia com James desde que começamos a namorar há três anos atrás, notei que tinha alguma coisa errada.

O par de tênis jogados perto da porta não me eram familiar. Não eram meus e muito menos de James, também pareciam velhos e gastos demais para serem recém comprados. Eu havia ouvido um barulho no andar de cima, onde fica o nosso quarto e, achando estranho, decidi pegar a primeira coisa que vi na minha frente, meu guarda-chuva, caso precisasse me defender de algum estranho. Subindo as escadas para o andar de cima lentamente e seguindo o som até o quarto em que eu dormia com James, eu abri a porta lentamente e me deparei com aquela cena nojenta.

James estava deitado sobre nossa cama, com as costas no colchão, e Riley estava sentado em cima dele, se movendo como uma vadia barata. Ambos estavam nus. Indignado, eu acabei deixando o guarda-chuva escapar de minhas mãos e o barulho que provocou quando caiu no chão chamou a atenção dos dois para a minha presença. Eu me lembro de ter visto o olhar de desespero dos dois pouco antes de eu dar meia volta e saindo correndo para fora daquele quarto, fora daquela casa.

Desde então, eu estou morando de favor na casa de Alice, minha melhor amiga, que também não pode acreditar no que havia acontecido quando lhe contei. Ela tomou conta de mim durante os primeiros dias após o incidente, e havia conversado com o meu chefe, dizendo que eu havia contraído uma virose bem forte e era por isso que não pude ir ao trabalho. Ela também havia dado um jeito de conseguir uma receita médica que atestasse minha falsa doença, e não me pergunte como, mas essa era Alice, ela podia fazer tudo o que quisesse.

Quando consegui me recuperar do choque, voltei para a casa que costumava ser minha e de James, para pegar de volta as minhas coisas. O plano era aparecer quando ele não estivesse por perto para que eu evitasse ver sua cara novamente, mas não saiu tão certo. Ele estava lá quando cheguei e então a discussão se tornou inevitável. Ele tentou me pedir desculpas, mas eu não queria ouvir sua voz, por algum motivo, ele ficou irritado e começou a colocar a culpa em mim pela traição, o que era normal, James sempre fora temperamental, o que era uma das coisas que eu mais odiava nele. Mas, apesar disso, a verdade era que eu ainda o amava.

De qualquer jeito, eu tinha que tentar esquecê-lo, e dando-lhe um soco direto no nariz foi uma boa forma de começar.

"Bom dia, luz do dia!" exclamou Alice quando entrou no quarto de hóspedes no seu apartamento. Ela caminhou em direção a janela, quando não lhe respondi, e começou a abrir as cortinas, deixando os raios de sol entrar.

"Urgh, Alice!" eu exclamo.

"Como está se sentindo hoje?" ela pergunta, sentando-se em um espaço vazio na cama.

"Como ontem, e antes de ontem, e antes disso também..." murmuro enfiando a cabeça debaixo do travesseiro.

"Bom, eu tenho algo para te animar. Por que não vai até o café do outro lado da rua comprar chocolate quente e alguns bolinhos para nós?"

"Aliiiii!" digo com um grunhido, tentando voltar a dormir.

"C'mon, Jasper, você está nessa cama há cinco dias! Você precisa se levantar, ver a luz do sol, voltar a viver, talvez! Não é como se fosse a primeira vez que você e James terminam! Sério, só esse ano eu já foram três vezes!"

"Mas dessa vez ele me traiu, Ali!" eu exclamo em minha defesa.

"Então esquece esse idiota e siga em frente! Ficar deitado nessa cama não vai ajudar de nada! Aliás, a receita que consegui para você é de uma semana, você deve estar de volta ao trabalho em dois dias ou Aro vai te matar!"

"Não é tão simples" murmuro.

"Então faça ser! Levante-se, dê a volta por cima!"

"Como eu posso dar a volta por cima se eu ainda o amo?"

"Então vá atrás dele, diga isso a ele, conquiste-o de volta, só não haja como um fracassado! Você não é assim, Jasper, sabe disso".

"E como é que ir até o outro lado da rua para comprar chocolate quente e bolinhos vai me fazer sentir melhor?"

"É um começo. Além disso, eu estou com fome e não posso ir porque acabei de pintar minhas unhas dos pés!"

Eu reviro os olhos enquanto sinto ela me puxar para fora da cama e me obrigar a me levantar. Alice era tão pequena quanto uma criança de doze anos, mas ainda assim era forte o suficiente para me carregar no colo, se fosse preciso.

"Dois cafés e quatro bolinhos de chocolate, para a viagem, por favor" digo para a atendente do caixa quando chega a minha vez na fila.

"Qual é o seu nome?" ela pergunta pegando um copo de isopor e uma caneta de tinta preta.

"Jasper" digo, e ela escreve meu nome nos dois copos.

"São $13,75"

Eu entrego o dinheiro para ela e caminho para o outro lado do balcão para esperar meu pedido ficar pronto. Não demora muitos minutos até que eu ouço a atendente gritar meu nome, e me apresso para ir buscá-los.

"Quatro bolinhos e dois cafés?" ela confirma quando eu me aproximo.

"Correto" digo, e ela me entrega os pedidos.

"Edward?" ouço a outra atendente gritar enquanto eu tento equilibrar tudo em minhas mãos, e um rapaz alto para ao meu lado para pegar sua xícara de café, e, por algum motivo, o cheiro de seu perfume me parece familiar.

"Jasper?" eu digo ele dizer com sua voz grossa e aveludada e eu ergo meus olhos para encontrar com os seus.

Era Edward, o cara que aquele imbecil do Riley levou para a minha festa de aniversário surpresa há um mês atrás, o cantor! Eu estava tão ocupado em tentando ser um vegetal que havia me esquecido que Riley também tinha um namorado, e não posso deixar de me perguntar se Edward sabe da traição. Será que eu devia dizer a ele a verdade?

"Olá" digo forçando um sorriso.

"Quer uma ajuda?" ele ergue uma sobrancelha para mim e eu não consigo entender como Riley pode ter traído alguém como Edward com alguém como James. Digo, não é como se eu não amasse James, ou se fosse capaz de traí-lo, mas a beleza de Edward era inegável, e eu me lembro de ter me sentido ligeiramente atraído quando o vi pela primeira vez.

"Não, está tudo bem" digo encolhendo os ombros, pouco antes de desequilibrar e quase deixar um dos copos de isopor de café cair no chão.

"Ok, me dê isso" ele diz rindo enquanto pega um dos copos. "Posso te ajudar a carregar isso se não se importar".

Eu olho para o copo em sua mão e penso na possibilidade de tentar levar aquilo tudo sozinho. Também penso na possibilidade de deixar tudo cair, e eu não tinha mais dinheiro para comprar tudo de novo, e Alice me mataria se voltasse para seu apartamento com as mãos vazias.

"Tudo bem" digo encolhendo os ombros novamente.

"Ahm, pode fazer isso para a viagem, por favor?" ele pergunta para a atendente enquanto aponta para sua xícara de café, e ela o encara por alguns segundos e suspira, antes de pegar a xícara e levá-la de volta.

"Então, como vão as coisas com Riley?" eu não consigo resistir a pergunta.

"Ahm... nós não estamos mais juntos" Edward murmura, e fico feliz por saber disso. Ao menos Riley não estava traindo-o mais.

"O que houve?" pergunto como quem não quer nada.

"Acho que você sabe o que houve" ele olha para mim com uma sobrancelha levantada novamente. Sim, ele sabe tanto quanto eu.

"Sim. Eu sei. Sinto muito..." murmuro olhando para o chão.

"Eu também sinto muito" ele suspira. "Não deve ter sido fácil ter descoberto... Bem, do jeito que descobriu".

"E como você descobriu?" mais uma vez a curiosidade falou mais alto.

"Riley me contou. Ele disse que havia se apaixonado por James enquanto planejavam sua festa de aniversário e que estão saindo desde então. Quando perguntei se você sabia, ele contou que você os pegou no flagra".

"Espera! Eles ainda estão juntos? Eu não acredito! E eu aqui pensando em procurar por ele, dizer a ele que eu ainda o amo, que a culpa foi minha, que eu não deveria ter colocado meu trabalho na frente do nosso relacionamento, que eu entendo ele ter me traído, afinal nós não transávamos há um bom tempo, mas enquanto isso ela está lá, transando com aquele imbecil interesseiro do Riley, que, a propósito, era o meu melhor amigo!" eu não podia acreditar no que estava ouvindo! James e Riley ainda estavam juntos? Ainda estavam juntos!

"Senhor, seu café" diz a atendente colocando o café de Edward sobre o balcão, dessa vez dentro de um copo de isopor.

"Eu realmente não sei o que dizer..." Edward murmura enquanto nós dois ignoramos a atendente.

Eu olho para ele, parecendo desesperado, tentando dizer algo para me acalmar.

"Tudo bem. A culpa é minha, eu nem deveria estar falando isso para você, eu nem te conheço" murmuro encolhendo os ombros.

"Bom, pensei desse jeito, você transava com James, que transou com Riley, que transou comigo! Nós praticamente transamos também" ele exclama com um sorriso forçado, tentando me fazer sentir melhor.

"Você tem uma estranha maneira de pensar" digo franzindo o cenho para ele.

"Bem, é normal se sentir assim... Desde que lancei meu CD, as pessoas ficam em cima de mim, acham que agora sou rico e querem pegar carona na pouca fama que tenho... Eu achei que com Riley seria diferente, mas aparentemente eu estava enganado. O problema é que eu ainda gosto dele, ainda penso nele".

"Por que você não pega uma dessas pessoas e tenta fazer ele ficar com ciúmes?" pergunto encolhendo os ombros, e é como se uma luz se acendesse acima de sua cabeça.

"Você é um gênio" ele exclama.

"Eu achei que fosse óbvio" franzo o cenho.

"Eu não posso simplesmente usar um dos meus fãs. Tem que ser alguém muito especial" Ele diz, e parece estar conversando consigo mesmo. Ele ergue as sobrancelhas para mim. "Acha que temos uma chance?"

Temos?

"Você quer dizer eu? Quê? Isso é um absurdo!" digo balançando a cabeça.

"C'mon, pense nisso. Nenhum dos meus fãs podem se comparar com Riley. Qual é a única pessoa que poderia deixá-lo com ciúmes? O cara que costumava namorar o novo namorado dele!" ele exclama.

"James me trocou por ele!"

"E agora eu vou trocar ele por você! Isso também vai deixar James furioso! O ex de seu atual namorado está namorando o seu ex!" ele ri, e por um momento, eu considero o que ele está dizendo. Eu me lembro da reação de James quando conhecemos Edward, ele pareceu incomodado e disse que não gostou da forma como Edward me olhou. "Me dê o seu número e eu vou manter contato com você e fazer os nossos próximos planos" Edward pega um guardanapo e uma caneta e a entrega para mim.

"Eu nunca concordei com isso".

"Você tem que olhar desolado em seu rosto. Você vai adorar ver James se contorcer de ciúmes depois do que fez com você! Além disso, se isso não funcionar, pelo menos você vai ter um bom tempo comigo" ele sorri.

"Eu nem se quer te conheço!" resmungo, mas escrevo meu número no guardanapo.

Edward o guarda em seu bolso. "Eu vou te ligar dentro dos próximos dois dias".