Capítulo2: Shun
"Os cavaleiros de bronze eram os mais jovens e mais extrovertidos, especialmente Seiya e Jabu que eram como sempre uns tagarelas, diferente dos cavaleiros de ouro que eram mais velhos e mais reservados. Todos organizavam jogos, conversavam banalidades, trocavam conselhos, principalmente para os mais novos, bebiam e comiam, dançavam, enfim, se divertiam juntos."
POV's SHUN
Shun conversava com Afrodite sobre o andamento de seu livro que seria lançado assim que ele se formasse na faculdade, ele era muito talentoso em criar, estavam sentados em uns bancos perto de um minibar do grande salão da mansão Kido, Afrodite estava bebendo um uísque e Shun um chá. Afrodite dava ideias para seu livro, falava sem parar, parecia que o livro era dele. Shun acabou por se distrair, vez ou outra olhava de esgueira para o seu irmão que se excluía de todos num canto do grande salão perto de uma janela, bebendo umas cervejas, parecia distante a tudo, talvez pensasse em alguém, assim como ele mesmo... Estava feliz que seu irmão tenha voltado depois de um ano de viagens e que tenha decidido ficar, mas Shun sempre tinha medo que ele decidisse sumir de novo sem aviso prévio, se preocupava com o irmão, e sabia que desde que este ele sumiu por um ano algo o pertubava e percebia que a angustia dele ainda permanecia quando ele voltou, mas nunca perguntou nada, sabia que Ikki não responderia mesmo que insistisse então seria melhor deixa-lo em paz com seu sentimentos, mas ainda assim estava feliz, tudo estava em paz, e estava com seu irmão e amigos, apesar de sempre sentir muita falta de alguém muito especial para ele, Hyoga, ele sentia falta de tudo em Hyoga, seus olhos lindamente azuis... Seu corpo – e que corpo–... Seu cheiro... Sua voz... Sua inteligência... Seus cabelos loiros, que vez ou outra teve a oportunidade de tocar e sentir a maciez... Até mesmo sua arrogância de vez em quando o encantava. Mas Hyoga desapareceu desde que se mudou pros Estados Unidos para fazer faculdade, que claro deveria fazer jus a sua genialidade, e atualmente seguia carreira lá. Sempre achou surpreendente a inteligência de Hyoga, sempre foi o primeiro nesse sentido, ele começou a faculdade bem antes de todos e terminou bem antes também, e que agora era um detetive internacional muito bem sucedido. Shun sentia-se às vezes muito frustrado em não ser capaz de acompanha-lo, não que quisesse supera-lo, que a seu ver seria quase impossível, mas sim porque queria estar sempre ao lado de seu querido amor secreto... Sim, porque desde o acontecimento na casa de libra nunca deixou de pensar em Hyoga e há tempos descobriu estar imensamente apaixonado pelo loiro, mas Hyoga nunca deu pistas de que correspondia, muito menos que gostasse de GAROTOS, e isso frustrava ainda mais Shun. Hyoga sempre foi muito bonito e muito desejado por muitos inclusive garotos, mas ele só tinha olhos pras garotas, várias delas praticamente se jogavam em cima dele, e às vezes ele correspondia descaradamente a todas elas, era um mulherengo nato, mas nunca namorou nenhuma de fato, Shun sempre sentia um ódio imenso por todas elas, mas apesar de toda essa atenção o loiro ainda era muito fechado, e logo depois da batalha contra Hades parece que ele se tornou muito mais frio e calculista do que já era, claro que a batalha mudou a todos, inclusive o próprio Shun, mas ainda assim ele tinha os mesmo ideais e sonhos, o loiro porém decidiu se afastar e todos, isolado, distante e embora mantenha todos sempre informados de seu paradeiro parece que ele não quer se juntar a eles ou ser encontrado, mesmo suas cartas eram sempre formais. Ninguém mais o viu pessoalmente já faz 6 anos, além de Camus e seu pupilo Jacó, Shun sentia inveja deles pois podiam ver Hyoga frequentemente, e nem ao menos uma foto ele mandava. Assim ele só podia imaginar em como seria a fisionomia de Hyoga agora, pois não se veem desde quando eram adolescentes, Hyoga agora tem seus 20 anos, é um homem, um homem muito jovem e bem sucedido, deve estar deslumbrantemente lindo, sentia um arrepio só e imagina-lo agora. Por vezes tentou encontra-lo na Sibéria, mas sempre se desencontravam, parece que Hyoga fazia de proposito, quando Shun chegava Hyoga tinha acabado se sair, e quando Shun ia embora para Tóquio, recebia a noticia de que Hyoga acabara de chegar, era realmente frustrante, sempre pediu que Camus o convencesse de aparecer ao menos alguma vez pra todos, mas ao que parece ninguém é persuasivo o bastante para convencer o loiro, mesmo quando visitava a Sibéria para passar novas instruções a Jacó era muito rapidamente e sempre tinha a desculpa que seu tempo era extremamente precioso, por um lado era realmente ocupado, já que resolvia casos policiais por todo o mundo, apesar de que era sempre à distância, ninguém conhecia o verdadeiro rosto de Hyoga nas várias agencias de policia, sempre o contratavam de longe e mandavam todos os relatórios detalhados dos casos para que ele os resolvesse, e sempre saiam satisfeitos com seu trabalho perfeitamente impecável e rápido, talvez ele não quisesse mesmo se envolver com pessoas, poderia comprometer as investigações, sempre achou curiosa essa escolha do loiro em seguir essa carreira, talvez perguntasse o motivo a ele quando o visse de novo, mas que a cada dia se convencia de que isso não mais aconteceria. Sentia-se muito triste com isso, eles eram seus amigos droga, sua família, deveriam se ver sempre, conversar... Nem ao menos uma ligação ele fazia ou recebia, alias ninguém sabia seu telefone ou endereço, nem mesmo Camus, mas ele não precisava, já que o via sempre... Mas mesmo assim deveria tê-lo. Será que não tinha telefone onde ele estava? Estava vivendo em uma caverna por acaso? Quando deu por si, estava sendo chamado insistentemente por Afrodite, que o olhava curioso e irritado.
– Ouviu alguma coisa do que eu disse Shun? – disse irritado.
– C-Claro Afrodite... Você estava me dando ideias sobre o meu livro que por acaso são ideias muito interessantes... -tentou disfarçar seu desinteresse.
–Estava pensando nele de novo né? – Disse com um sorriso irônico.
Droga, como ele consegue? – Claro que não Afrodite, eu penso em muitas outras coisas além dele. – Digo tentando parecer ofendido e indiferente, Afrodite se tornou meu melhor amigo, conto meus segredos mais íntimos pra ele, inclusive minha paixão desenfreada por Hyoga, que por vezes soa bastante ridícula, afinal o cara não aparece faz anos, nem a Saori tem o visto faz um ano desde que lhe deu uma missão.
– Claro que estava Shun, você não consegue esconder nada de mim, é sempre muito transparente, alias não entendo porque pensou nele olhando pro seu irmão emburrado lá no canto... – disse olhando pra Ikki que parecia perdido em pensamentos olhando pela janela sozinho.
–Tá, tá você venceu... é que eles são muito parecidos então eu me lembrei dele... –digo parecendo melancólico, Ikki tem muito mais a ver com Hyoga do que eu, eles são opostos de fato em suas técnicas, um é gelo e outro é fogo, dois opostos, mas em questão de personalidade eles são muito parecidos, são arrogantes, reservados, frios, odeiam perder, principalmente um pro outro, calados e... mulherengos, embora meu irmão prefira os dois lados, e Hyoga somente um, que, aliás, eu odeio. Não entendo o porquê de eles brigarem tanto, quando os dois ficavam em uma mesma sala sozinhos, pode ter certeza saia fogo e gelo por toda parte. Gostaria que ficassem amigos, imagina se dá certo entre mim e o Hyoga, meu irmão vai ter que tolerar e... MAS QUE DROGA SHUN, pare de pensar essas coisas, enfie na cabeça que você não tem a mínima chance droga.– quanto mais penso mais triste fico - sacudo minha cabeça tentando afastar esses pensamentos.
– O quê? – Afrodite parece mais do que perdido, tenho que parar de dizer meus pensamentos em voz alta.
– Não é nada. – Digo vagamente pra tentar desviar de seu interesse crescente.
– Você tem razão... Eles são realmente parecidos em personalidade, mas parecido não é igual Shun, esqueceu-se das inúmeras brigas que eles travavam?
–É. – digo com o olhar correndo longe, lembranças começam a vagar em minha cabeça sobre as inúmeras brigas deles, a maioria delas foram por motivos ridículos, e ninguém nunca vencia, eles eram muito cabeças duras e nunca admitiam derrota, mas é bom lembrar quando estávamos todos reunidos, mesmo às avessas. Pergunto-me de onde tenha surgido essa rivalidade.
–Você parece mais distante do que de costume... – um sorriso irônico se desenha em seus lábios de Afrodite e me desperta de meus devaneios– Então você não vai querer saber da ultima noticia sobre o Hyoga, né? Está tão distraído... Não quero lhe aborrecer. – Diz com um desinteresse falso, se retirando.
– Mas o quê? Droga Afrodite não faça isso comigo, diz logo, o que é? O que é? Diz... – digo o puxando pelo pulso e em seguida o sacudindo pelos ombros, devo estar parecendo um maníaco... Mas são noticias dele, DELE... Os deuses não podem me castigar por causa disso. Todos param o que estavam fazendo para nos observar. Alguém perdeu algo aqui? Pergunto-me em pensamento, tá certo que eu sou certinho na maior parte do tempo e nunca me permito chamar qualquer tipo de atenção, até mesmo de meus amigos, prefiro ficar no meu canto e observar todos, mas todo mundo perde a cabeça de vez em quando né... E agora ouvir isso de Afrodite que tem uma boa amizade com Millo, que é namorado de Camus, que é como um irmão mais velho de Hyoga a quem ele conta tudo... é perturbador demais, tá que isso acontece sempre que ele diz alguma novidade sobre a vida de Hyoga que por acaso ele fica sabendo por Millo, e às vezes me engana e se diverte com a minha reação, que alias sempre é essa... Mas posso ver em seus olhos agora que diz a verdade, embora pareça mais ocupado em se divertir com a minha reação cômica.
–Calma, calma, vou falar. – diz irônico, e se divertindo ainda mais quando a minha expressão passa de ensandecido para irritado com a sua demora pra falar.
– Tá. – Digo limpando minha garganta e me recompondo, desviando assim os olhares curiosos sobre nós, tá certo que estamos todos entre amigos, mas há assuntos que interessam a mim e só a mim, além do mais, é só Afrodite que sabe desse meu segredo, nem mesmo Ikki sabe desse meu amor por Hyoga, e se soubesse estaria me esganando agora mesmo, por me apaixonar por quem ele não suporta estar a menos de um quilômetro. – Fala então.
– Bom... – ele ri sarcástico pra mim– O Millo me disse que o Hyoga está pensando em aceitar o pedido da policia japonesa de trabalhar aqui e... – Meu coração acelera e meu sorriso vai de orelha a orelha. Começo a ofegar descontroladamente. O que? Vou ver meu Oguinha de novo? Minha reação novamente não deve ter sido nada discreta, porque Afrodite me lança um olhar que eu entendo como: segura o entusiasmo de sair correndo pelo salão gritando e saltitando feito uma gazela manca, advertindo- me com gestos com as mãos pra que eu me acalme.
–Calma... Ele só disse que ia pensar, não é nada certo ainda... – Afrodite parece apreensivo agora com a minha reação, deve estar tentando evitar que eu me iluda inutilmente. Certo, certo, certo, é só uma possibilidade, talvez ele nem venha... Tento convencer meu cérebro da possibilidade de dele vir ser nula para que amenize as batidas do meu coração.
– Trabalhar aqui... No Japão? – Não Shun, é na Transilvânia... Que pergunta mais idiota é essa? Estou tão abobalhado assim? Imagino a cara de completo idiota que eu devo estar fazendo. DE NOVO. Afrodite é meu amigo, mas às vezes ele é irritantemente zombador.
–Sim – ele responde simplesmente, deve ter cansado de rir internamente de mim, pra deixar escapar a oportunidade de me zoar novamente com essa pergunta descabida que fiz agora a pouco– Millo me disse pra ser bastante discreto quanto a isso, segundo ele o Hyoga não quer que ninguém saiba, acho que não quer magoar ninguém caso decida não vir... – ele parece arrependido agora por me contar, mas deve ser impressão minha.
Tudo bem, tudo bem... Mais ainda assim é uma possibilidade, não vou perder as esperanças... Além do mais, há tempos não recebo noticias uteis de Hyoga, somente sobre os casos que ele anda resolvendo, com os quais sempre me impressionam, mas nunca é nada relacionado com sua vida pessoal, se esta feliz, se está namorando, mas só de pensar nessa possibilidade fico triste, mas ainda assim gostaria de vê-lo, abraça-lo, e se tiver a oportunidade... Beija-lo. Eu sei, eu sei que isso talvez nunca aconteça... Mas ainda quero vê-lo.
– E o que você acha Afrodite? Será que ele aceita?
– Há uma grande possibilidade, pois já está em tempo de terminar treinamento de Jacó, e o Camus não pode terminar isso por ele, assim ele vai ter que estar presente frequentemente, então ele vai ter que voltar pro Japão ou pra Sibéria, mas ainda assim ele vai aparecer de vez em quando, ou vai ficar onde podemos acha-lo... Mas de qualquer forma eu acho que você não deveria se iludir não se esqueça de que ele vai voltar, mas vai continuar trabalhando nos casos policiais, e pode permanecer ainda isolado, além do mais, você disse que tem certeza da opção dele... – disse isso se referindo a preferencia de Hyoga por garotas, é difícil ouvir a verdade assim, mas ainda poderei admira-lo de longe, guardarei esse sentimento dentro de mim, acho que poderia conviver com isso, não vai fazer mal a ninguém... Além de mim mesmo.
– Posso tentar a sorte. – disse com um sorriso tentando disfarçar a tristeza que cresce dentro de mim. Mas só de pensar em ver Hyoga de novo me enche de alegria.
– Você quem sabe Shun... Mas se eu fosse você não pensaria tanto nisso. – Afrodite pareceu me advertir agora, acho que ele me conhece melhor do que meu próprio irmão. Quer me proteger de certa desilusão. – Você deveria esquecê-lo e olhar em volta, há muitos bons partidos aqui... – diz olhando em volta do grande salão, a maioria dos cavaleiros tem essa opção sexual até mesmo meu irmão, na verdade são poucos heteros que temos entre nós, contando alguns de bronze, inclusive Seiya e Shiryu, o Shura, o Aldebaran, o Aioria, o Kanon e o Saga.
–Já te disse que ninguém aqui me interessa...
–É claro, somente 'ele' te interessa né... Sério Shun, você esta desperdiçando sua vida assim, deveria se divertir mais... Não estou te dizendo pra casar com ninguém, apenas que tente novas experiências, novas não né, porque você não teve nenhuma experiência até agora, só sonhos.
– Chega Afrodite... Eu não estou interessado em ninguém daqui. Eu tenho 19 anos ainda, acho que tenho tempo suficiente não acha? – respondo bruscamente com uma irritação crescente, como ele pode me dizer essas coisas, sendo que nem sei ainda da opinião de Hyoga sobre isso? Claro que obviamente ele não é preconceituoso já que seu mestre Camus tem essa inclinação, mas ele também ter essa opção são coisas completamente diferentes, além disso, ele sempre deu provas de que preferia garotas, mas nunca o vi muito tempo com nenhuma delas.
–Tudo bem, tudo bem, mas a minha opinião ainda é a mesma. – disse tentando me tranquilizar.
Esquecemos o assunto o restante da noite, e continuamos a conversar banalidades, apesar de vez ou outra os pensamentos sobre Hyoga me voltarem como um fantasma. Meu irmão foi embora mais cedo... Que novidade. Dividíamos o mesmo apartamento, mas ele só o usava pra dormir, pois quando não estava tirando fotos para jornais estava no santuario treinando seu pupilo. Só ficávamos juntos no domingo, quando ele ficava em casa pra me fazer companhia, já que não tenho saído muito ultimamente, e quando saio é pra cumprir minhas obrigações como cavaleiro, o restante do tempo eu escrevo meu livro e estudo pra faculdade. Minha vida é realmente monótona mas bastante ocupada.
Aos poucos já estavam todos indo embora. Afrodite me levaria em casa, quando cheguei estava exausto, mas ainda feliz com a última noticia. Ikki estava deitado no sofá assistindo TV e parecendo extremamente entediado mais ainda distante, nem ao menos dirigiu o olhar a mim quando abri a porta e lhe disse oi.
Sentei na poltrona ao lado do sofá, olhei a TV, e estava passando um documentário sobre animais, e coincidentemente falando sobre cisnes.
–Afrodite me disse que o Hyoga pode voltar... - disse displicentemente, porque eu disse isso? Mas houve algo estranho, Ikki dirigiu rapidamente toda sua atenção a mim, parecia realmente atento agora, e com o olhar dizia esperar que eu terminasse a frase. Quando viu que eu não falaria nada ele tentou disfarçar seu interesse.
– Aquele pato de volta, rum...
– É, mas não é nada certo ainda, ele esta pensando em trabalhar pra policia japonesa e terminar o treinamento de seu pupilo.
–Ah. - resmungou mais alguma coisa e desviou sua atenção novamente, mas acho que vi um misero sorriso em seu rosto... Mas deve ter sido minha imaginação.
–Bom, vou dormir agora, amanhã tenho uma prova, boa noite Ikki.
– Tá, boa noite Shun.
E fui dormir e sonhar com meu querido loiro.
