Capítulo 5: Treinamento

Nas terras gélidas da Sibéria, Camus estava em um local bastante inóspito com Jacó que estava um pouco distante tentando concentrar o cosmo nas mãos para quebrar as paredes das geleiras eternas, enquanto treinava Camus observava Jacó corrigindo seus possíveis erros mentalmente para depois lhe dizer.

Esperavam alguém chegar, não se preocupavam em esconder o cosmo, que Jacó começava a desenvolver, e Camus deixava o seu fluir mais intensamente que o normal para que a pessoa que esperavam pudesse localiza-los mais facilmente. Não demorou muito para que essa pessoa aparecesse do nada ao lado de Camus, vindo à velocidade da luz, seu cosmo era realmente poderoso poderia chegar facilmente a qualquer lugar nessa velocidade, poder que adquiriu após despertar o sétimo sentido na batalha das doze casas, usava suas típicas roupas de treinamento no gelo, assim como Camus e Jacó, este parou o que fazia pra encontra-los.

–Está atrasado. – disse Camus sem olha-lo diretamente.

–Oi mestre, desculpe, estava resolvendo uns problemas com a transferência.

–Hum, entendo...

– Oi mestre. – disse Jacó aproximando-se muito animado em ver o seu mestre de novo – você viu? Eu melhorei bastante, mestre Camus tem me ajudado muito. – disse sorridente, esperando que seu mestre lhe desse palavras de incentivo. O que não aconteceu, pois ele só lhe direcionou o olhar frio de sempre e disse:

–Vi que você ainda tem que melhorar muito Jacó, ainda não despertou totalmente seu cosmo e isso é crucial nas batalhas, mais um motivo pra que eu venha morar aqui, se quiser conquistar a armadura de cristal terá que se esforçar mais. – Jacó apenas acenou concordando e continuou a sorrir, conhecia bem o seu mestre e sabia que ele não lhe daria qualquer demonstração de afeto, mas sabia que estava melhorando e isso o deixava feliz, gostava de deixar o mestre orgulhoso, embora já o tenha visto mais afetivo enquanto ainda era mais novo quando aspirava à armadura de cisne, mas nessa época Jacó tinha apenas cinco anos, então agora com dez anos não se lembrava muito bem. Ele aspirava à armadura de cristal, já que Hyoga era um dos cinco guerreiros legendários, intitulação utilizada por todos os cavaleiros para mencionar aqueles que lutaram nas mais épicas batalhas de Atena, era natural que aspirasse uma armadura de prata, pois seu mestre era de titulo superior e um dos cavaleiros mais poderosos que existiam.

–Mestre Camus, podemos conversar depois que eu passar novas instruções pra Jacó?

–Tudo bem Hyoga, vou esperar na cabana. – falou se retirando.

–Então vamos Jacó... – Hyoga se direcionou pra um local mais aberto e aumentou seu cosmo, movimentou as mãos e iniciou a movimentação das partículas de ar úmidas, ou seja, condensou as pequenas gotículas de ar e as transformou em agua corrente, em seguida a agua foi de juntando e tomando forma, após levantarem-se elas começaram a congelar instantaneamente, se solidificando, formando vários grandes paredões de gelo enfileirados, eram paredes grossas e firmes, embora transparentes como as grandes geleiras. Após as batalhas, Hyoga não só continuou a treinar como também desenvolveu outras técnicas, suas próprias, assim além de congelar a matéria que sempre era de forma abrupta e que exigia muito esforço físico, ele desenvolveu uma técnica para manipular o ar e a agua, ou seja, ele desenvolveu um método de manipular o estado físico da matéria como bem entendesse utilizando seu cosmo pra isso, que foi bastante útil e eficaz, se tornou uma técnica muito poderosa conforme ele a desenvolvia, mas também muito difícil, pois exigia muito cosmo e concentração, nem mesmo Camus conseguiu imita-lo ainda, mas ele tinha a expectativa que Jacó pudesse ser capaz de desenvolvê-la também, era uma nova ambição para os que almejavam ser cavaleiros do gelo, considerando assim Hyoga o verdadeiro mestre da agua e do gelo. Muitos ansiavam serem treinados por ele, mas o mesmo só aceitou Jacó como pupilo, por ele ser mais familiarizado com o frio intenso da Sibéria e as duras provas que esse tipo de lugar proporcionava, ainda que não admita que sentia um grande apresso pelo garoto que conheceu quando ainda era um bebe, embora Hyoga também fosse muito novo na época – muito bem... – baixou o cosmo de repente direcionando sua atenção para o pupilo - a partir de agora você tem que concentrar suas energias em um único ponto dessas paredes, deixe fluir o cosmo em seu interior e o exploda para separar os átomos delas, quero que as faça em pedaços, não em grandes blocos, mas sim em pequenas partículas, isso exigirá muita concentração, então dê o seu melhor, alguma pergunta? – Jacó o olhava impressionado com a facilidade de seu mestre em produzir aquelas imensas paredes de gelo.

–Sim mestre, porque não deixou que eu tentasse isso nas próprias geleiras?

–Muito simples, você não despertou totalmente seu cosmo, então é impossível que consiga destruir um bloco de gelo com massa maior. Então tem de tentar com algo menor, como essas paredes, e não se esqueça de que é preciso elevar o cosmo pra movimentar os átomos e assim destruir os objetos, mas para desmaterializa-los por completo é preciso algo mais e terá que descobrir, por hora apenas concentre-se. Agora pode começar, eu volto em duas horas. - Jacó assentiu e iniciou outro arduo treinamento.

Hyoga retirou-se e foi de encontro à cabana na qual morava em seu tempo de treinamento e que também era a atual residência de Jacó, que praticamente vivia sozinho, apesar se ser apenas um garoto ele já sabia se virar e sobreviver sem ajuda. Lá encontrou Camus sentado em uma poltrona tomando um chá, este apenas o olhou com a típica frieza e em seguida descarregou o sermão.

–Hyoga, tem de ser mais rígido com ele, está muito manso, não me lembro de ser assim com você.

–Mais ainda mestre? E eu que pensei que já estava pegando pesado demais. – disse com um meio sorriso.

–Hunf... Você quem sabe, mas não se esqueça de que seu treinamento foi mais severo, além do mais Jacó aspira uma armadura de prata, seu treinamento deve ser mais rigoroso... – tomou um pouco mais de chá e deu um suspiro pesado, tinha um semblante bastante sério, mas era normal em se tratando de Camus, e Hyoga sabia que seu antigo mestre só se mostrava assim porque queria dar o exemplo e disciplina sempre, apesar de não terem o mesmo relacionamento de mestre e pupilo, ainda tinham grandes laços de familiaridade, e pelo grande respeito que Hyoga tinha por seu antigo tutor, continuava o chamando de mestre, embora Hyoga fosse bem mais poderoso agora, mas ainda tinha muito que aprender com Camus sobre a vida, e este nunca lhe faltou em conselhos e qualquer tipo de ajuda que precisasse, pois Camus considerava Hyoga um filho, e isso nunca mudaria. – então vamos ao que interessa... Quando você vai mudar pro Japão?

– Em dois meses... – disse ainda considerando o comentário de seu mestre, afinal considerava tudo da parte dele, e eram sempre bons conselhos, ele se esforçava pra ser um bom mestre pra Jacó, assim como Camus foi pra ele - tenho muitas coisas pra resolver antes disso, terminar mais um caso pendente e arrumar toda a papelada pra policia japonesa, além de preparar a mudança, mas antes preciso achar um apartamento, por isso vou precisar muito de você mestre, pra supervisionar Jacó nesse tempo em que estarei mais ocupado... – Hyoga trabalhava em Nova York, e mesmo sendo um cavaleiro com habilidades excepcionais ainda tinha que manter as aparências de uma vida relativamente normal em frente a policia americana, pois a população não tinha conhecimento da existencia dos cavaleiros, apesar do que foi mostrado no torneio galatico, que apenas ficou no esquecimento, mais ainda tinha que supervisionar seu pupilo, então tinha que deslocar-se o continente para chegar à Sibéria, a viagem era muito estafante mesmo para um cavaleiro como ele apesar ser bastante rápido, pois utilizava sua incrível velocidade, mas isso se tornava cada vez mais incomodo, pois antes seu mestre Camus se encarregava do treinamento básico de Jacó, mas agora enquanto as habilidades dele se desenvolviam exigiam a presença constante de seu mestre efetivamente, não que Camus não pudesse faze-lo, mas sim porque o verdadeiro mestre de Jacó era Hyoga, além de que Camus ainda tinha que cumprir suas obrigações no santuario, logo seu tempo também era precioso, logo Hyoga teve que aparecer com mais frequencia e isso era muito desgastante, por isso Hyoga considerou a ideia de trabalhar pra policia japonesa, era mais perto e continuaria atuando como detetive, mas pelo menos teria mais tempo pra seu pupilo, além do mais, já era hora de voltar.

–Pode contar comigo sempre que precisar Hyoga. – disse compreensivo.

–Obrigado mestre... Mas preciso de mais um favor...

–Diga.

–Preciso de alguém que encontre um apartamento pra mim em Tóquio, não posso ir pra lá ainda, pode me indicar alguém?

–Sim, mas porque não fica na mansão enquanto isso? Pouparia-lhe bastante tempo. Aliás, já comunicou Atena?

–Sim, e tenho meus motivos pra não ir à mansão, além do mais tenho que ter um lugar preparado, ela virá também...

–Hum, entendo, então é sério mesmo?

–Sim. – eu acho– pensou.

–É um grande passo que está dando, tem certeza que quer fazer isso, deveria esperar um pouco mais, pelo menos até as coisas se acalmarem.

–Ainda tenho receio, mas acredito que tudo vai melhorar quando nos mudarmos... Além do mais, já adiei esse momento por tempo de mais... Mas mudemos de assunto, como estão todos?

–Estão todos muito bem... Mas, bem... Millo perguntou por você e ontem na reunião de cavaleiros ele...

–Sim, já imaginava que isso iria acontecer. Millo nunca soube segurar a língua. – disse apreensivo, mas divertindo-se com personalidade do namorado de seu mestre, Millo se tornou um grande amigo seu e às vezes ele os vinha visitar na Sibéria, mas ainda assim ele nunca soube ser discreto.

–É, sinto muito por isso... – disse envergonhando-se pela atitude do namorado. O retorno de Hyoga deveria ser em segredo, até que ele tivesse se acomodado no novo ambiente, mas Millo acabou revelando isso pra Afrodite, seu amigo e que também não sabia ser nada recatado, e provavelmente os rumores já corriam soltos, e todos já deviam saber que Hyoga voltaria.

–Tudo bem, isso iria acontecer alguma hora mesmo... Os rumores já começaram?

–Sim... Você já deve saber que vai ter que ouvir muito de todos, está ciente disso?

–Estou, mas é melhor acabar logo com isso. E então quem você me indica?

–Quem mais... Afrodite, claro.

...

No Santuário

Saori estava no templo de Atena, resolvendo assuntos do santuario quando chegou um mensageiro com um telegrama de um cavaleiro.

Agradeceu e leu o telegrama, deu um sorriso satisfeito e cheio de expectativa, iria começar os preparativos para a recepção de um de seus queridos defensores, que a muito não via... Aparentemente a próxima reunião terá bem mais surpresas do que ela imaginava, e mal poderia se segurar de ansiedade.