Capítulo 8: Encontrando os amigos
Os dois meses que se seguiram pareceram absurdamente longos para Hyoga. Infelizmente o caso em que estava trabalhando se complicou, era um caso de assassinatos em série, um sádico por crianças, não gostava nem de estar presente no local dos assassinatos, era horrível, mas tinha que estar. Como a maioria dos casos eram desse tipo, de difícil solução, porventura ele teve que mostrar seu rosto pra policia americana pra poder trabalhar sempre presente e checar pessoalmente os locais do crime. Atualmente estava trabalhando efetivamente na policia americana, podia dizer ainda que aquele era um país repleto de casos assim, por isso decidiu voltar a trabalhar lá, precisavam muito de ajuda, muitos casos não eram solucionados principalmente por falta de atenção nos detalhes, por isso muitos crimes passavam impunes. Ele estava mais pro lado forense, e eram raras as vezes que entrava em ação, eventualmente isso não era necessário. Teve que isolar-se novamente de seus amigos no Japão para poder concentrar-se melhor no caso, estava quase pegando o culpado, por isso a prisão do assassino deixou a cargo dos agentes de campo.
Sua transferência dependia do superintendente da policia americana e do FBI, obviamente o chefe de policia de Nova York e o Departamento Federal de Investigação Americana não queriam perder um de seus melhores agentes da força tarefa. Alexei Hyoga Yukida, um nome muito conhecido por várias forças policiais no mundo, estavam honrados e satisfeitos com seu trabalho e por ele ter aceitado trabalhar pessoalmente com eles, por isso eram poucos da policia que conheciam sua verdadeira identidade, apesar de trabalharem com ele, pois chamaria muita atenção, apenas sabiam que o famoso detetive Alexei estava junto deles mas não sabiam quem era realmente, e os que conheciam sua identidade ficavam impressionados em como alguém tão jovem podia ser tão brilhante. Ele já tinha pedido a transferência há tempos, mas estava praticamente sendo pressionado a ficar, como decidiu entrar definitivamente na equipe era difícil lidar com a burocracia que andava propositalmente a passos lentos, pois se ainda estivesse trabalhando particularmente com certeza não teria tantos problemas com a transferência, mas juntar-se definitivamente como um agente era necessário para solução mais rápida dos casos, além do mais não gostava de ficar só sentado observando dados, gostava também de agir.
A policia japonesa não podia estar mais satisfeita, ter um detetive conhecido internacionalmente por sua competência era extremamente satisfatório, e o admitiram de imediato. Hyoga não revelou seus reais motivos pra pedir transferência, isso iria comprometer o segredo dos cavaleiros, apenas informou que sua família estava no Japão e ele queria ficar junto dela, acharam bastante estranho já que ele era russo sua família obviamente deveria estar na Rússia e não no Japão, claro que obviamente seus dados eram falsos, mas não chegaram a investigar, seria praticamente uma ingratidão suspeitar de alguém que os ajudaria, então supunham apenas que ele queria proteger alguém. E ele também estava temeroso em deixar a policia americana, ainda precisavam muito dele, mas acabaram cedendo, pois ele já os tinha ajudado muito. E assim que a transferência foi aprovada e o caso quase resolvido que ele organizou sua mudança, iria mandar tudo pro Japão, ainda pretendia ajudar nos casos policiais americanos, mesmo a distancia, como fazia antigamente com casos que resolvia de todo o mundo, mas seria oficialmente um agente da policia japonesa.
Teria ainda que ver se Afrodite já tinha preparado o local pra sua chegada. Não voltaria pra mansão, pois precisava de um lugar só pra ele, pra poder se concentrar nos casos, pois não tinha a mínima intensão de tirar folga quando voltasse, e seus amigos e principalmente Seiya não iria deixa-lo em paz pra trabalhar se ele fosse pra lá, mas ainda assim ficaria mais perto da Sibéria pra treinar Jacó e isso compensaria o tempo extra, além de que precisaria de privacidade, pois Eire iria morar com ele por um tempo, não queria apressar nada com a garota, mas ela insistiu tanto que ele acabou cedendo, inclusive falou sobre isso com um amigo por telefone, Shiryu que não pareceu menos surpreso com sua ligação.
Flashback
–Oi Shiryu aqui é o Hyoga.
–HYOGA. - disse derrubando uns papeis que tinha em mãos pra assinar.
–Que houve? Estava ocupado? - perguntou receoso.
–Não, não... Er... Eu fiquei surpreso só isso, você nunca liga. - estava muito feliz por ouvir a voz de seu amigo. - Mas o que houve? Porque ligou?
–Tem certeza que pode falar? Eu ouvi um barulho. Espero não estar atrapalhando nada.
–É só uns papeis... Pode falar.
–Bom. Primeiro como você está amigo... Como vai a Shunrei também?
–Estou bem... e a Shunrei também está. - disse aborrecido - porque Hyoga tinha que ter lembrado dela? - pensou. - Mas diga o que houve pra ligar?Pensei que ligaria só no dia da sua chegada.
–Como você deve se lembrar eu vou voltar em alguns dias...
–Sim, sim... Eu sei... A que horas vai chegar? Eu posso busca-lo se quiser e...
–Não é necessário Shiryu, eu só quero que me faça um favor, claro que só se não for incomoda-lo.
–NÃO, quer dizer... Não estarei tão ocupado. Pode pedir o que quiser, o que é?
–Quero que receba minha mudança... Eu pediria a Afrodite, mas ele já me fez muito por mim e não quero incomoda-lo mais ainda, e o Seiya não seria uma boa escolha ele é meio enrolado, muito menos Shun que eu sei que tem andado muito ocupado e meu mestre Camus e Millo estão em missão do Santuario. Então resolvi pedir a você, eu sei que você tem pouco tempo também, mas é em quem eu mais confio, pode se recusar se quiser, posso pedir a outra pessoa e...
–Tudo bem, eu posso receber sua mudança.
–Tem certeza que não vai atrapalha-lo?
–Tenho sim, mas e você como vai? É bom ouvir sua voz de vez em quando, sabia que existe a telefone e internet né?
–Sei, sei, lá vem você com isso de novo. E já disse que telefone só pra trabalho e não acho prudente conversar pela internet.
–Você é muito desconfiado sabia? Tá ficando paranoico depois de trabalhar tanto tempo pra policia.
–É você já me falou isso também, e eu conheço os riscos, tudo que pudéssemos conversar poderia ser rastreado se isso fosse necessário e eu sei que isso é possível, pode me chamar de antiquado, mas ainda acho que o correio é o método mais seguro de enviar qualquer tipo de mensagem, principalmente no nosso caso.
–Não tem nada de mais nisso Hyoga poderíamos falar em códigos... Tinha que ser loiro mesmo... Mas não vou discutir isso com você agora. Mas diga como vai você e a Eire nesse relacionamento a distancia? Aposto que ela já reclamou desse seu método de contato... E deve estar pulando de alegria agora em saber que você vai voltar. - disse franzindo cenho, pois sabia do relacionamento do loiro, mas não gostava de falar muito sobre isso, por isso perguntou dela, pra saber por alto se os dois ainda estavam juntos, não ousava perguntar diretamente. Ainda mais porque não gostava nem um pouco da garota, apesar de nunca tê-la destratado não suportava tê-la perto, pois ela já era um grude quando Hyoga e ela começaram a namorar antes de ele ter ido morar longe, diria até possessiva, separaram, mas reataram por insistência dela, mesmo a distancia, e querendo ou não ela era uma adversária.
–Como assim loiro? Acho que já estou longe tempo de mais mesmo, você até já perdeu a noção do perigo. - disse sorridente, gostava muito de Shiryu, eram realmente grandes amigos e sempre se entendiam muito bem, Shiryu sempre foi bastante compreensivo e atencioso, era um excelente amigo. E sempre que se falavam eram como irmãos e sabiam tudo da vida um do outro, apesar de que cada qual sempre zelava por seus segredos mais profundos. - E a Eire já reclamou sim, mas com ela eu me entendo, ela esta muito feliz, afinal atendi ao pedido insistente dela pra voltar.
–E ela vai voltar quando mesmo?
Eire trabalhava em uma empresa que lidava com informações de dados populacionais em vários países e eventualmente fazia trabalhos voluntários, depois que trabalhou no orfanato decidiu seguir essa profissão, pois conhecia muitos lugares e gostava de unir trabalho com causas sociais. E ainda tinha a chance de ir pra países que geralmente os turistas evitam, conhecendo um lado do mundo que poucos têm chance ou vontade, e no momento estava em uma dessas viagens. Mas normalmente ela ficava no Japão fazendo trabalhos de escritório para ficar perto pra ajudar Mino no orfanato, pois ainda considerava os órfãos sua família, e esse foi um dos motivos de Hyoga gostar dela, adorava esse lado humanitário da loira. Eram poucos que sabiam desse relacionamento deles, incluindo Shiryu, Camus e Millo, não que eles quisessem esconder, mas queriam evitar exaltações de quem quer que fosse contra, já que Eire foi encarnação de Éris, uma vilã em uma batalha que tiveram, e que querendo ou não isso causou uma espécie de desgosto dos cavaleiros em relação à pessoa que a encarnou, apesar da garota não ser má como Éris, mas poucos a conheciam bem e achavam que a personalidade dela foi um fator para torna-la suscetível a personificação da Deusa da discórdia.
Hyoga achava isso um absurdo de todos em trata-la com indiferença já que qualquer pessoa poderia ter sido escolhida pra ser possuído por um deus, como o próprio Shun, mas o tratamento com ele foi diferente já que ele era um de seus companheiros de batalha, todos o conheciam muito bem e ele já tinha sido escolhido desde quando era um bebe.
Mas Hyoga não se importou com os comentários e ele e Eire começaram a namorar, principalmente pelo grande afeição que Hyoga tinha pela garota bem antes dela ter sido usada por Éris, mas que todos achavam que tinha acabado com os anos de afastamento do rapaz, e Hyoga não sentia mais do que um amor fraternal pela loira, e o relacionamento só persistia por insistência dela que realmente gostava dele, embora não se encontrassem e só mantivessem contato por cartas a desgosto da garota, assim como ele fazia com Shiryu.
–Ela volta uma semana depois e mim, e vai morar comigo até que o apartamento dela esteja em ordem que acredito que vá demorar um pouco.
–MORAR COM VOCE?
–É, algum problema?
–Nada, quer dizer, ela não podia ficar no orfanato, afinal ela gosta de lá, não é?
–Bem que poderia, mas ela insistiu em ficar perto de mim por causa do tempo em que ficamos separados, e eu só aceitei com a condição de ela não me atrapalhar, mas o que tem de errado? Afinal ela é minha namorada.
–Eu sei, mas ela é muito grudenta Hyoga, não sei como você a aguenta.
–Até parece que você não tem alguém assim, o que me diz da Shunrei hein? -Pela descrição que você me passou dela acho até que elas são muito parecidas.
–Sem comentários... E vamos ficar falando de garotas? Deixe isso pra quando você já estiver aqui, e diz logo quando você vai voltar pra eu te buscar no aeroporto. - queria mudar logo de assunto, falar de relacionamentos não era uma ideia muito boa, ainda mais porque o dele não ia muito bem, e não queria comentar isso por telefone com o amigo.
–Já disse que não precisa Shiryu, vamos voltar nisso? Já falei que você é insistente demais.
–Como você tá estressado heim. Deveria relaxar um pouco mais sabia? Melhora do estresse.
–Não estou estressado.
–Tá sim. Quando você voltar vou te dar umas aulas de yoga.
–Sei, Hyoga fazendo yoga.
–rsrsrsrsrs. Para de fazer graça que eu tô falando serio.
–Não estou fazendo graça é só você que tá rindo aqui, você não disse que estava falando sério?
–É... você não muda mesmo né... Nem voltou ainda e já tá me irritando com sua lógica.
–Parece que você também não. E você ainda não viu nada.
Isso é um aviso?
–É.
–Ótimo, vou me preparar então. rsrsrsrsrsrs
–Certo. Rsrsrsrs Vou desligar agora, ainda tenho trabalho a fazer.
–Ok, até a volta então.
–Certo. Até logo.
Fim do Flashback
Passados mais dois dias ele ainda precisava ligar pra Afrodite pra perguntar como estavam as coisas pra sua chegada, assim como prometeu. Estava receoso, pois deixara Afrodite fazendo tudo sozinho ainda mais depois que disse que ia acompanhar o progresso dele de longe, mas foi inevitável, afinal apesar de estar com saudades ainda teria muito tempo pra ver a todos, e no momento os casos policiais eram mais importantes. E assim contatou o amigo.
–Afrodite falando. - estava em casa fazendo uma planta baixa de uma casa, afinal era seu trabalho.
–Oi. É o Hyoga... Estarei de volta em dois dias como eu disse... Como vão as coisas? Tudo pronto?
–Oi Afrodite, como vai? Tudo bem com você? Desculpe te enganar e deixar você na mão com um ridículo e-mail dizendo pra você fazer tudo sozinho, mas não se preocupe quando eu estiver de volta você vai poder me chutar pessoalmente. - satirizou a forma de o amigo ligar e falar daquele modo como se nada tivesse acontecido.
–Desculpe. - realmente estava arrependido pelo que fez, mas já esperava esse tipo de reação e sabia que não importava o que dissesse que a bronca seria inevitável.
–É só isso que você tem pra me dizer?
–É.
–Ótimo. - e desligou irritado na cara dele.
Hyoga só riu da reação do amigo, ele estava sendo um tanto infantil e dramático demais. Ligou de novo.
–Afrodite, você esta parecendo uma namorada ressentida com o namorado que esqueceu seu aniversario. - disse divertindo-se.
–E o que você queria? Que lhe respondesse com o maior açúcar? - parecia realmente magoado.
–Não. -suspirou - Entendo como se sente, sei que te deixei na mão, e sinto muito por isso, pode me perdoar? - Hyoga sabia que se tratando de Afrodite era só ser um pouco mais doce que uma hora ele acabaria cedendo.
–Tá, mas pode esperar pelo chute... Você não atendeu minhas chamadas então eu fiz tudo do meu jeito, viu.
–Como assim do seu jeito? Eu te passei um modelo de decoração naquele e-mail.
–Detalhes Hyoga, detalhes. Era isso que eu tinha pra falar com você nas chamadas que você não atendia.
–Desculpe, eu não estava atendendo qualquer chamada do Japão, estava em um caso importante e não podia ser interrompido, além de preparar toda a mudança. Mas como ficou então?
–Sei, sei... Caso... Bom, o que eu estava em duvida eu perguntei pro Camus, afinal ele te conhece muito bem, então não se preocupe, não coloquei nada extravagante. Esta tudo pronto, terminei faz duas semanas, acredito que está de acordo com o que você queria.
–Obrigado Afrodite, nem sei como agradecer, você me ajudou muito.
–É eu sei... O que seria de você sem mim, né. Pode contar comigo sempre que precisar garoto... E você vai voltar em dois dias mesmo?
–Não sou um garoto e sim já mandei a mudança pro Japão, Shiryu vai recebê-la, e vou de avião pra acompanhar o restante da bagagem.
–Hum... Ah, o Shun tá muito bravo com você viu... Você disse que ele podia ligar, mas não o atendeu desde então. Ele tá muito chateado, prepare-se pra ouvir muito dele também. E você é um garoto sim, comparado comigo você é um PIRRALHO.
–Hunf... Não vou discutir isso. E já imagino o quanto o Shun tá chateado, mas ele supera... Mas isso é tudo Afrodite, obrigado mais uma vez e até a volta, ainda tenho muita coisa pra arrumar, então até logo.
–Mas já? Bom, até mais então. Espera... Er... Alguém vai busca-lo no aeroporto?
–Não é necessário.
–Mas por quê?
–Eu ainda sei andar pelo Japão sozinho Afrodite.
–Bom... É que... O Shun poderia pega-lo no aeroporto quando chegar se assim preferir.
–Sei que o Shun também é muito ocupado, não quero incomoda-lo. Cuidar de assuntos da ilha de Andrômeda, estudar pra faculdade e escrever um livro deve ser bastante cansativo.
–Nossa você tá sabendo muito sobre ele né.
–Obviamente. Camus me mantém informado sobre tudo.
–E o que sabe sobre mim? ficou curioso de repente sobre o que Camus tenha falado sobre ele. - o que será que os cubos de gelo andaram fofocando? - pensou.
–Já disse que estou sem tempo Afrodite.
–Tá... Dessa você escapa, mas é serio o Shun com certeza arranjaria um tempo pra você, ele ia adorar te buscar no aeroporto, juro. - teria que persuadi-lo, foi um pedido do Shun pra ele convencer Hyoga a aceitar que ele o levasse.
–Vou pensar... Qualquer coisa eu ligo pra ele. Obrigado Afrodite e até logo.
E assim desligou sem mais nem menos deixando Afrodite irritado de novo.
–É claro que não vou incomodar o Shun sabendo que ele não tem tempo, já incomodei o Shiryu a grande custo. - pensou.
Já tinha decidido que voltaria sem avisar ninguém, pra não incomodar quem quer que seja.
...
Pegou o avião, desembarcou e pegou um taxi e foi pra sua nova casa... Era madrugada ainda em Tóquio, decidiu chegar nesse horário pra evitar alvoroços. Além do mais, sua volta já tinha se tornado publica, e todos já o aguardavam, e ele realmente detestava chamar qualquer tipo de atenção e sabia que Shiryu iria ficar ligando a todo o momento pra saber se ele já tinha chegado e insistir pra pega-lo e ele realmente não queria incomodá-lo. Chegou ao endereço, e o lugar era realmente calmo e um pouco distante, exatamente o que ele queria. Afrodite tinha deixado às chaves na portaria, ele se identificou e pegou as chaves e foi pro seu novo lar, descarregou a bagagem, e entrou. O lugar era ideal, e a decoração estava ótima, do jeito que ele tinha pedido a Afrodite, ele tinha feito um excelente trabalho e quanto aos detalhes ele deve ter pedido ajuda a Camus mesmo, já que seu mestre o conhecia muito bem e estava exatamente de acordo com seu gosto. Estava tudo em seus devidos lugares, não precisava arrumar nada além de sua própria bagagem, aparentemente Shiryu avisou Afrodite da mudança e ele voltou pra arrumar isso também, ele o agradeceria depois, Afrodite foi muito atencioso e o ajudou muito, fez ainda muito mais do que lhe foi pedido.
Juntou a bagagem em um canto no quarto, arrumaria aquilo depois, estava muito cansado há dias não dormia direito, se bem que ele nunca conseguiu, mas os últimos dois meses foram realmente estafantes, e não conseguiu descansar no avião. Só teria que se apresentar na policia japonesa em três dias, e ainda teria que se apresentar no santuario, pois querendo ou não ainda era um cavaleiro ativo e tinha que cumprir com suas obrigações perante Atena.
Arrumou a cama e ligou o ar-condicionado no máximo.
–Terei que instalar um mais potente ou pelo menos mais dois - pensou, já era acostumado com climas frios, seu apartamento nos EUA era sempre um ambiente gelado quando ele estava presente, e o clima em NY também era ameno, em contrapartida clima no Japão nessa época do ano já estava o sufocando.
Deitou e não demorou muito a adormecer, aproveitaria o cansaço e se tivesse sorte seus pesadelos não o incomodariam aquela noite, mas estava tão cansado que acabou baixando a guarda, deixando seu cosmo fluir naturalmente e deixando que o percebessem, mal sabia que todos seus amigos já tinham sentido seu cosmo já próximo e estavam muito felizes.
...
Shiryu sentiu o cosmo de Hyoga próximo, ele finalmente tinha chegado e ainda naquele horário, ele tinha se recusado a aceitar sua recepção e decidiu chegar naquele horário pra não chamar atenção - bem a cara dele pensou. - mas não deu certo - o cosmo de Hyoga estava tranquilo, deve ter baixado a guarda e agora estava dormindo, mas agora era ele que não conseguia mais dormir, já estava inquieto com a chegada de seu amigo, e saber que ele estava tão perto agora o inquietava mais ainda, Shunrei ainda perguntou o porquê de ele estar tão alvoroçado com a chegada de Hyoga, já que eles sempre conversavam por cartas. Mas ele não se importou, ela não tiraria sua alegria, seus pensamentos estavam em outro lugar agora.
Shun e Ikki também sentiram o cosmo de Hyoga.
Shun estava até tarde estudando pra faculdade, sentiu a presença do seu loiro e não conseguiu se concentrar mais.
Ikki era outro. - Idiota, baixou a guarda, como pode se deixar ser notado? Como vou trabalhar agora sabendo que ele esta tão perto?- estava trabalhando concentrado, mas sem deixar de pensar em seu cisne, sabia que ele chegaria, mas achava que só seria de dia. E agora sabia que ele já estava no Japão e que poderia vê-lo em algumas horas.
Saori ficou feliz em saber que Hyoga já estava no Japão, ele iria vê-la no santuario em breve, pois ele tinha que se apresentar ao mestre do santuario Dohko e a ela, assim teria que se apressar pra preparar uma reunião mais animada de cavaleiros, e nessa ela ia comparecer. E não eram só eles, todos já sabiam que o cavaleiro de cisne estava de volta, e dessa vez era pra ficar.
Aparentemente somente o cavaleiro de cisne dormiria aquela noite.
...
Acordou cedo com mais pesadelos. Estava suando e agitado.
–Droga, até quando isso vai durar? - não tinha uma noite de sono tranquila há tempos e a anterior não foi diferente.
Levantou-se e percebeu que tinha perdido o controle de seu cosmo enquanto dormia que agora fluía naturalmente, obviamente todos já sabiam que ele já estava no Japão, martirizou-se, não queria que o percebessem ainda, então tinha que se apressar, alguma hora alguém iria aparecer. E mais tarde teria de ir pro santuario, teria de ver Saori e aquela visita prometia muito.
–Mas primeiro tenho que ver alguém.
Arrumou-se com uma roupa simples, mas social. Ficou feliz em ter pensado em mandado seu carro junto com a mudança afinal precisaria muito dele agora, e assim saiu.
...
Shiryu estava feliz em saber que Hyoga já estava perto, queria vê-lo assim que percebeu, mas sabia que o loiro não iria gostar de uma visita tão tarde da noite, pois com certeza estava cansado com a viagem, obviamente esse era o motivo dele ter chegado naquele horário. Então resolveu ir vê-lo mais tarde, assim tentou se comportar normalmente pelo menos algumas horas controlando a ansiedade, despediu-se de Shunrei com quem morava provisoriamente em um apartamento e dirigiu-se ao escritório como sempre. Era o diretor geral das empresas Kido, então todos o respeitavam e o admiravam muito, Seiya já o ajudava em algumas funções na fundação mesmo antes de formado, e também era bom no que fazia e adquiriu a mesma admiração de todos mesmo que não fosse efetivamente um empresário, mas que já prometia ser, porém era muito hiperativo e sempre se distraia muito e isso atrapalhava um pouco no trabalho, mas ele se esforçava pra ajudar Shiryu.
Shiryu sempre o pegava em seu apartamento perto do porto pra irem juntos ao escritório. Já na esquina podia ver Seiya acenando na porta de entrada. Entrou no carro e estabanado como sempre já foi abrindo a boca.
–SHIRYU, SHIRYU. JÁ SABE QUEM CHEGOU?
–É claro Seiya - suspirou, ele já estava fazendo muito esforço pra não pensar nisso por enquanto. - Eu percebi ontem.
–Pois é, foi o que eu estranhei, Hyoga é sempre cuidadoso, mas deixou-se perceber. Mas estou feliz que ele já esteja aqui. Estamos todos reunidos de novo. - disse animadamente, como sempre.
–Vamos visita-lo agora? Onde ele mora mesmo? Será que já esta nos esperando?
–Calma Seiya, provavelmente ele não vai querer visitas nessa hora da manhã, e vamos esperar quando ele decida aparecer, apenas aguarde que não vai demorar muito. - disse apaziguando o amigo, apesar de ele também estar se segurando de ansiedade. Sabia que quando Seiya começava a ficar muito hiperativo ele tagarelava sem parar, mas Shiryu lidava muito bem com Seiya, também eram grandes amigos e Shiryu o conhecia muito bem, até gostava do amigo ser assim, sempre animava a todos com sua alegria constante.
–Eu sei, eu sei. Mas acho que ele não vai se importar. Estou com muitas saudades, como será que ele tá agora? Todos nós crescemos tanto... Você acha que eu cresci Shiryu?
–Claro Seiya, você está bem mais maduro agora, ou pelo menos um pouco né. - disse com um sorriso, todos amadureceram, passaram-se seis anos desde a ultima batalha, todos estavam mais maduros e mais responsáveis também. Agora eram homens, mas algumas coisas nunca mudam, Seiya era um exemplo, sempre foi muito animado e alegre e isso não mudou com o tempo. Mas não deixou de pensar no comentário do amigo... - Como será que Hyoga está agora? - pensou.
–Não pense tanto... Como você disse, nós o veremos em breve. - disse Seiya ainda sorrindo e o despertando de seus devaneios, o conhecia a ponto de perceber seus pensamentos só observando a expressão do libriano.
–Ah... É sim.
–A reunião vai ser bem mais animada hoje. Pode esperar... Acha que ele vai gostar?
–Espero que sim. Ele nunca gostou muito de alvoroços lembra?
–É mesmo, mas essa ele supera afinal é pra ele mesmo. - falava tão naturalmente e animadamente que dava inveja, Seiya parecia sempre tão livre de preocupações, não importava a situação, seu animo nunca acabava.
Ficaram conversando mais sobre seus tempos de cavaleiros até chegarem à empresa. Foram em direção ao escritório enquanto todos os cumprimentavam, Seiya era o assistente de Shiryu por enquanto, isso o ajudava a aprender sobre tudo e o preparava pra assumir seu cargo de vice-diretor quando se formasse e já era conhecido por todos.
Chegando perto da sala da diretoria a secretária de Shiryu o abordou pra deixa-lo a par de sua agenda, Shiryu e Seiya a escutavam atentamente já que Seiya também acompanhava todas as atividades do diretor.
–Ah sim S.r. Shiryu, tem um rapaz que está o aguardando em sua sala, ele disse que era importante e que o conhecia S.r. muito bem, disse que não se importaria. Então o deixei entrar. - essa informação despertou o interesse dos dois.
–Qual o nome dele?
–Alexei.
–Alexei? disseram em uníssimo.
–Esse nome não me é estranho. - disse Seiya pensativo.
–É o Hyoga. - disse Shiryu o interrompendo e dirigindo-se rapidamente pra sua sala, sem disfarçar sua alegria.
Entrou com tudo na sala que bateu a porta, viu um homem de costas em uma cadeira de frente pra sua mesa, a cadeira era grande então não se via muito bem a pessoa, mas só uma cabeleira loira, que pareceu impassível com o baque da porta e não se virou de imediato. Quando sentiu o cosmo do amigo agitado ele virou-se, que pra Shiryu pareceu em câmera lenta.
Agora o moreno o via completamente. Um rapaz de cabelos loiros, ondulados e um pouco mais curtos que estava preso por uma trança frouxa [N/A - estilo Edward Elric], de olhos azuis claros e pele muito clara também, era da sua altura e com um ótimo físico, nem muito musculoso nem muito magro que dava pra perceber por baixo da camisa social azul escura e um paletó preto com uma calça social também preta. Ele se levantou e mostrou um pequeno sorriso ao ver seu observador.
–Olá. - disse simplesmente.
Shiryu estava paralisado, nem soube quanto tempo ficou ali observando aquela figura, até que sentiu um empurrão no ombro que foi quando Seiya entrou com tudo e praticamente gritando.
–HYOGA, AMIGO.
Correu em direção ao loiro e o abraçou, como quem não vê o irmão mais velho à anos.
–Oi Seiya, tudo bem? seu sorriso cresceu um pouco e retribuiu o abraço do sagitariano. - Era muito bom revê-lo, sempre tão alegre sem demostrar qualquer constrangimento de nada, suas reações eram sempre previsíveis, mas ainda assim eram fascinantes.
–Eu tô bem, e você seu pato sumido? - disse depois de um tempo, desfazendo o abraço e bando um leve soco no braço de Hyoga.
–Estou bem também, mas você me parece mais que ótimo Seiya, você cresceu bastante heim. Tá quase da minha altura. Virou um homem. - falava como que com um irmão mais novo, bagunçando os cabelos do amigo. Seiya pareceu todo cheio de si agora.
–Cresci mesmo... Devia me ver em combate agora, posso acabar com você facilmente. - disse cheio de confiança, e ainda sorridente. Desafios era algo que nunca faltava na convivência deles. Seiya tinha crescido muito, mas ainda parecia um garoto, talvez fosse pelo jeito meio infantil e alegre dele, e realmente parecia mais forte, podia-se perceber pela intensidade de seu cosmo, alias todos eles pareciam que tinham ficado muito mais poderosos, agora que estava mais perto podia sentir o cosmo de Shiryu, Ikki e até mesmo o de Shun bem mais intenso.
–Não teria tanta certeza cavalo voador. - disse piscando pro amigo e ainda sorrindo. - E você Shiryu, não vai cumprimentar um velho amigo?
Foi ai que o moreno que ainda estava distraído com a visão do loiro acordou do transe.
–Eu... Er... Mas é claro meu amigo.
E andou em direção ao loiro, percebeu que suas pernas estavam bambas, mas se manteria firme, já tinha pagado mico demais o olhando daquele jeito, nem parecia que tinham se falado animadamente alguns dias atrás. Abraçou forte o loiro, tinha esperado tanto pra vê-lo e agora ele estava ali em seus braços. Tinha um sorriso bobo enorme no rosto. Estava tão feliz e abobalhado que mal conseguia se manter de pé. Nunca tinha sentido nada parecido. Aproveitou e enterrou-se nas medeixas loiras e aspirou o perfume que exalava dali - como é bom pensou, parecia um sonho, ele estava ali, ele finalmente estava ali em seus braços. Ficou um tempo assim até que o loiro desvencilhou-se do abraço e o segurou pelos ombros com um protesto mental do moreno, e o observou melhor.
–Você está ótimo. - disse ainda com um leve sorriso, Hyoga parecia muito mudado, nunca foi tão sorridente e alegre quanto Seiya, mas agora parecia bem mais sério igual ou até mais do que Camus e isso já se podia perceber de primeira.
–Você também... Está... Diferente. - disse referindo-se ao que parecia ser a nova personalidade do amigo, este apenas continuou o olhando fixamente e sorrindo.
–Deve ser só impressão sua. - respondeu depois de um tempo observando o amigo.
Shiryu parecia ter ganhado mais corpo, antes ele era bastante magro, agora parecia ter ganhado mais músculos, provavelmente deveria estar treinando muito, assim como ele, afinal também se tornou um homem, tinha sua idade, mas parecia um pouco mais velho pelo ar de primazia que ele transmitia. Seus cabelos ainda estavam do mesmo tamanho e presos por um rabo de cavalo, estava vestido socialmente também, só que bem mais formal, estava de terno fechado e com gravata, parecia realmente alguém poderoso, e não era pra menos, administrar a monopólio das grandes empresas Kido não era pra qualquer um. Porém, parecia um pouco abatido, talvez fosse o excesso de trabalho. - pensou Hyoga na hora que observou melhor o amigo.
–Mas vamos, sente-se, vamos conversar melhor. Teve que esperar muito por nós? - disse recobrando sua postura e Seiya fez o mesmo e sentou-se ao lado de Hyoga em outra cadeira.
–Não, na verdade acabei de chegar.
–AAAHHHH... Agora que eu lembrei S.r. Hyoga, porque o senhor nunca apareceu pra nos visitar heim? Já faz seis anos seu oxigenado. - disse Seiya de súbito como quem se lembra-se de algo surpreendente. Dando um leve tapa no ombro do loiro, surpreendendo até Shiryu pelo quase grito que deu.
–SEIYA, que susto. - repreendeu Shiryu. - Além do mais você já sabe por que o Hyoga não aparecia.
–Tudo bem Shiryu, eu já sabia que levaria muitas broncas de todos daqui pra frente. - disse Hyoga.
–Mas Hyoga...
–Ah Shiryu... Desculpa Hyoga, mas você poderia aparecer pelo menos algumas vezes, não custava nada, pelo menos no Natal, eu sei que essa data é importante pra você, afinal você é cristão não é mesmo? Você ao menos ia à igreja e pensava na gente?
[N/A os japoneses comemoravam o natal, embora o conceito deles sobre essa data seja assimilado ao comércio, e Hyoga era cristão, alias era o único dentre eles, meio contraditório, mas ele decidiu seguir a religião da mãe, apesar de lutar por Atena].
–SEIYA, pare de interrogar o Hyoga.
–Tudo bem Shiryu. E eu sou cristão sim Seiya... E acredite que essa era a data em que eu mais sentia falta de vocês, mas eu trabalhava nesses dias também, inclusive no ano novo.
–Minha nossa, você estava sendo feito de escravo?
–rsrsrsrsrsrs. Não seja tolo Seiya, eu apenas não gosto de acumular trabalho, e além do mais nessas datas ocorrem muito mais crimes, não poderia tirar folga em um momento em que precisavam tanto de mim. Mas não se preocupe, quando eu podia eu ia à igreja e rezava por todos vocês. Rsrsrrsrsrsrs - Parecia calcular o mais mínimo gesto que fazia, mantinha sempre o mesmo tom de voz calmo e frio. Estava rindo, parecia divertir-se com o questionário de Seiya, e como era lindo sorrindo, mais sorria do que ria, apenas curvava os lábios pequenos e finos, como ele conseguia ser tão hipnotizador com esse simples gesto? - pensou Shiryu que mais prestava atenção no loiro do que nas perguntas de Seiya.
–Isso ainda não é desculpa... Você treina o Jacó regularmente. Se for capaz de fazer isso também é capaz dar uma passada aqui de vez em quando.
Mas você esquece que estamos à maioria do tempo espalhados Seiya, vezes ou outra estamos no santuario ou na mansão, e Shun também vai pra ilha de Andrômeda, é difícil localizar todos nós juntos. - disse Shiryu.
–É mesmo... Mas você não tem recebido missões do santuario Hyoga?
Não. Saori me designou a ultima missão faz um ano em Asgard, mas depois disso ela me dispensou por um tempo, pois eu expliquei a situação e ela entendeu, e eu ainda tinha que ficar de olho no Jacó, apesar de meu mestre treina-lo também, então isso tomava muito meu tempo.
–Hum... Tá... Mas ainda tô irritado com você viu. - disse fazendo bico, mas essa atitude só divertiu mais Hyoga, Seiya era realmente um bom amigo, só estava preocupado, assim como todos, então decidiu que responderia qualquer pergunta sem rodeios, todos seus amigos mereciam seu apreço, e ele já sabia que teria que responder muita coisa pra muita gente.
–Entendo que agi mal também e agradeço sua preocupação comigo.
–E quando você vai se apresentar na policia japonesa Hyoga? - Shiryu perguntou.
–Daqui a três dias. Ainda faltam algumas coisas pra acertar minha transferência com eles.
–E no santuario? - Seiya perguntou.
–Lá eu vou hoje mesmo, faz muito tempo que não vejo a Saori, preciso muito falar com ela.
–Sobre o que? - Seiya perguntou.
–Não seja tão indiscreto Seiya. - repreendeu Shiryu.
–Tudo bem... Seiya continua o mesmo. Mas o que vou tratar com a Saori são assuntos particulares, e não envolve vocês, fiquem tranquilos.
–Você não vai embora de novo vai? - Seiya perguntou um pouco temeroso.
–Espero que não.
–COMO ASSIM? Você pode ir embora ainda? Pensei que tinha voltado pra ficar de vez. - dessa vez foi Shiryu que questionou exaltado.
–Talvez eu precise viajar a trabalho Shiryu, mas eu volto, calma. - agora foi Hyoga quem pareceu surpreso com a atitude do libriano, que pareceu bastante envergonhado agora e tentou disfarçar mudando de assunto. Seiya só se fazia de bobo, mas observava tudo.
–E você já visitou mais alguém hoje?
–Não. Vim aqui primeiro.
–Vai pra onde depois? Seiya perguntou.
–Santuario.
–Hum... Ah é mesmo Hyoga, temos uma reunião de cavaleiros hoje. - disse Seiya.
–É eu sei.
–Você vai né? Todos já sabem que você está aqui mesmo, vão esperar que você apareça.
–Eu vou, não posso mais adiar isso. E onde vai ser dessa vez?
–Na mansão. Todos vão comparecer. Acho que até o cabeça dura do Ikki.
–Ikki? - Hyoga pareceu surpreso em ouvir aquele nome, já fazia um bom tempo que ele não o ouvia, e também nunca se interessou em saber muito a respeito do leonino, sempre que falava com seu mestre ele perguntava como todos estavam, mas nunca sobre ninguém especificamente. Shun mandava cartas pra ele também informando como ele e todos estavam, mas ele nunca respondia diretamente pro amigo, só mandava cartas direcionadas a todos como sempre e dizia que estava feliz por todos estarem bem, e eventualmente Shun falava de Ikki, mas só dizia que ele estava bem e nada mais, e ele também não tinha interesse na vida do cavaleiro de fênix, ainda mais porque era a pessoa que sempre tentava irrita-lo, quando se lembrava dele era só das brigas que travavam, talvez Ikki pudesse até mesmo se irritar se ele perguntasse alguma coisa a seu respeito, então procurou ignorar qualquer informação sobre ele, tinha até virado um habito, poderia até parecer egoísmo, mas era assim que pensava que o leonino fazia com ele, então não seria diferente da sua parte.
–Sim, de vez em quando ele aparece, e sempre é arrastado pelo Shun, mas de nada adianta se ele fica isolado num canto.
–Hum... Faz um tempo que não sei nada dele, mas isso não importa, o importante é que esta vivo. - falou como quem não quer nada.
–É, posso até imaginar vocês se estranhando de novo, ao menos não destruam a mansão, por favor. - falou Shiryu advertindo o loiro de imediato.
Os três riram juntos.
–Não se preocupe, procurarei não causar nenhum dano, mas não depende só de mim, você sabe que eu não tolero desaforo dele.
–É... Mas vocês dois sempre foram de pavio curto, pareciam galos de briga. Mas por favor Hyoga, seja mais paciente com ele, essa reunião é importante pra nós, e é especialmente pra receber você, e ele melhorou muito o temperamento, se dermos sorte ele não vai nem chegar perto de você. Além do mais você vai estar muito ocupado respondendo milhares de perguntas de todos.
–Vocês falam como se nós fossemos partir pra cima um do outro assim que nos virmos.
–E não era assim?
–Não, só brigávamos quando discordávamos de alguma coisa, o que acontecia com certa frequência, mas eu mudei e acredito que o Ikki tenha mudado também, e amadurecido, não somos mais adolescentes, e não acho que possamos brigar por qualquer coisa como antes, não nos odiamos apenas nos desentendemos algumas vezes. - tentava amenizar as advertências dos amigos. - Qual seria a imagem que teriam deles pra falarem assim? -pensou.
–Bom, vou confiar em você Hyoga. - disse Shiryu.
–Não se preocupe Shiryu o Hyoga vai se comportar.
–Assim espero.
Hyoga só franziu cenho, que Shiryu é esse de agora, autoritário. Seiya percebeu a expressão do loiro e foi logo consertando.
–Não se preocupa não Hyoga, ele é assim comigo o tempo todo. É o jeito dele agora. Pergunta pra qualquer um daqui que vão confirmar.
–Tô vendo.
–Como assim? Vocês tão falando que eu tô como heim?
–Nada não. - falaram juntos rindo.
Pareciam se entender muito bem, e sempre haviam esses momentos em que brincavam, e era sempre Seiya que ajudava a descontrair.
Ficaram conversando mais algum tempo sobre tudo até Hyoga ter de ir. Afinal se veriam mais tarde na reunião de cavaleiros. Assim Hyoga despediu-se e dirigiu-se ao santuário.
