Capítulo 11: Reunião – III

Voltou na pior época do ano pra um cavaleiro do gelo como ele, há um mês antes de seu retorno o inverno tinha acabado, dando lugar ao clima quente que ele custava a habituar-se, lembrou-se que sempre tinha dificuldade de se acostumar quando ainda morava no Japão e quando chegava essa estação parecia que ia derreter, mas tentava manter sua temperatura fria com seu cosmo, mas mesmo para um cavaleiro como ele essa era uma tarefa estafante, pois exigia concentração constante e um nível maior para intensificar o cosmo, usava 15% de sua energia pra isso, mas ainda assim era realmente cansativo, pois era o tempo todo. Tentava estabilizar sua energia quando ouviu uma voz grave o despertando.

–Oi pato.

Hyoga levou um susto, não tinha notado Ikki ali, e não se virou de imediato até voltar a sua inexpressão.

–Oi frango. – virou-se rebateu a provocação sorrindo, mas antes já se tratavam assim, tinha até virado hábito.

Continuava calado, Hyoga estranhou aquela situação, sempre que se viam Ikki não economizava em provocações, e a ele só restava rebater ou ignorar, e saia-se bem na maioria das vezes, porém o leonino era muito insistente às vezes, e o fazia perder sua imaculada calma, daí surgiam às várias brigas deles, mas agora ele estava bem quieto e não desviava o olhar parecia um tanto hipnotizado.

–Ikki? - falava serio agora, o que será que ele tinha?

Ikki não disse mais nada, e Hyoga estranhou seu silencio, somente ele ousava chama-lo de frango e normalmente ele surtava com isso. Ele o olhava de uma forma estranha. Era totalmente diferente de Shun, bem mais alto e forte, o rosto mais másculo e a pele mais bronzeada, praticamente a personificação da masculinidade, estava vestido formalmente com uma camisa azul escura e calça social preta deixando-o mais bonito ainda. Parecia ótimo.

Esse idiota tá mais bonito que antes, como ele consegue? Desde que o vi entrar não tiro os olhos dele, quase não me segurava pra ir lá abraça-lo como todos faziam, mas se eu fosse todos iriam estranhar então eu teria que esperar. Fiquei inquieto a cada segundo de espera, mas o que eu não gostei nada foi da cena que meu irmão fez... que historia era aquela de abraçar você daquele jeito? Eu sabia que ele sentia alguma coisa por você, mas ele nem disfarçou e pareceu muito obvio, todos devem ter percebido que ele gostava de você, afinal isso não era reação pra se ter com um amigo, e o pior foi que você retribuiu a todo aquele carinho, mas que droga, isso deveria ser pra mim, mas o que me acalma um pouco é que seu olhar estava muito confuso, como você é ingênuo, nem percebeu o que estava acontecendo, aparentemente sua inteligência não se aplica aos assuntos do coração... Mas o que? Olha só como eu tô falando agora... Tô ficando todo meloso depois que te vi, mas como não ficaria... Você parece um anjo, sua pele de porcelana, seus cabelos loiros e seus olhos tão azuis, nunca me esqueci deles, mas eles parecem um tanto vazios, e você me parece bastante abatido, triste, do mesmo modo que te vi pela ultima vez antes de partir, o que será que te aconteceu? Não sei como, mas posso sentir sua tristeza também e ela dói muito. Obviamente algo lhe perturba, eu sei por que também fiquei assim quando sai da Ilha da Rainha da Morte, depois da morte de Esmeralda fiquei um bom tempo me martirizando pelo que houve e foi assim que o ódio me consumiu... Se não fosse o apoio de Atena, Shun e de todos vocês nem sei como eu estaria hoje... E seus olhos me dizem que você esta sentindo o mesmo, pois transmitem a mesma tristeza que eu tentava reprimir quando perdi a Esmeralda. Fiquei observando cada passo seu desde que entrou, mas ninguém percebeu, todas as atenções estavam voltadas pra você, quando você foi conversar com o Shun um tempo pude ver o quão perto vocês estavam, e a pior parte foi quando o Shun tentou se aproximar mais ainda, o que deu na cabeça daquele moleque? Ele esqueceu que eu estava ali e poderia surtar com aquela cena? Ainda bem que você não o deixou terminar o que ia fazer. Shun é meu irmão querido, e eu sei que não deveria estar tão contra se vocês um dia pudessem ficar juntos, mas não posso evitar, não estou mentindo quando digo que gosto muito de você, e vê-lo depois de tanto tempo também é emocionante pra mim, mas nos braços de outra pessoa mesmo que seja meu próprio irmão é muito doloroso... Depois te levaram pro meio de todos pra enchê-lo de novo, se fosse eu já tinha mandado todos pro inferno... tá, tá eu exagerei, mas com certeza eu não teria toda a paciência que você tem, já estava ficando tarde e aquele povo não te liberava e você também parecia incomodado, nunca gostou de chamar muita atenção, é até parecido comigo, mas diferente de mim você era um poço de tranquilidade, e até pensei que não conseguiria falar com você hoje, mas aí você conseguiu sair daquele meio e veio justamente pra onde estou mas mal me notou, fiquei te observando ali tão perto e tão distante ao mesmo tempo, tão imaculado... vi que tentava concentrar seu cosmo pra esfriar o ar a sua volta, e até entendo, esse calor não é nada pra mim, mas no seu caso com certeza deve ser um forno. Nem sei quanto tempo fiquei ali o olhando... Como é lindo, acho que até entendo o que o Shun sentiu naquele momento que o viu, você é realmente hipnotizante, como eu gostaria de abraça-lo também e aperta-lo contra mim como o Shun fez. Mas eu não posso, você não permitiria. Então resolvi me pronunciar, e como foi bom ouvir você dizer meu nome num tom de preocupação. Eu devo estar parecendo um bobo agora e você percebeu, então eu teria que dizer alguma coisa, só que não pensei muito e acabou saindo aquela idiotice...

–E-Eu... Er, só estava... Só estava vendo o quanto você cresceu pirralho, já dá até pra chamar de gente. – sorriu pra tentar disfarçar seu nervosismo, mas estava fracassando mesmo depois de ter treinado sua atuação quando estivesse diante de Hyoga.

–Hunf. – suspirou, ele nunca mudava, parece que jamais se entenderiam. - É bom te ver de novo também Ikki.

–É bom te ver também marreco. – disse com um sorriso irônico.

–Acho que você se refere a minha constelação Cygnus ou cisne que é referente a uma ave muito semelhante ao pato e ao ganso da família Anatidae, mas sua denotação rude quanto aos cisnes que têm como marca registrada o pescoço alongado e o porte majestoso em nada tem a ver com a origem mitológica de minha constelação e a ave palmípede da qual você chamou-me, designada marreco. E seis anos são mais que suficientes pra que eu tenha crescido como você disse, assim como você que cresceu também, mas pelo visto o cérebro continua do mesmo tamanho, não amadureceu em nada. – adora demostrar sua inteligência colocando um discurso monótono e complicado que deixava o leonino confuso e mais irritado ainda.

–O quê? Ah, que se dane. Cala boca, mal começamos a conversar e você já tá me irritando, nunca muda mesmo, por isso não te suporto, não consegue agir como uma pessoa normal pelo menos uma vez na vida? E eu amadureci muito, apenas prefiro tratar quem me irrita do mesmo modo de sempre. – fingia estar irritado, mas já estava com saudades dos discursos sagazes do loiro pra irrita-lo, como fazia antes pra deixa-lo sem argumentos pra discutir mais, além de estar com saudades de ouvir aquela voz. Mas não queria ter falado aquilo, tinha dito sem pensar.

Era incrível, eles mal começaram a conversar e já estavam brigando como antigamente.

–Sou perfeitamente capaz de me comportar normalmente, inclusive estou fazendo isso agora, mas acredito que tenho que ser mais claro quando falo com você ou com uma criança de cinco anos, que é a mesma coisa. Será que vou ter que desenhar pra que você entenda? – estava desafiando fênix mais ainda, queria vê-lo perder a calma como sempre, não queria começar uma briga logo que o visse, mas foi Ikki que tinha começado e ele não ficaria por baixo.

–Não me desafie pato idiota que vai acabar se queimando, inclusive vi você tentando se esfriar... rsrsrsrsrs, ridículo um cavaleiro como você tendo problemas com um tempinho um pouco mais quente... como você é fraco. Chega até a ser cômico. – agora foi Hyoga que se irritou e fechou a cara.

–Olha só... Não é que ele sabe demostrar alguma coisa, até pensei que fosse um robô. Rsrsrsrsrs – disse Ikki ao perceber que tinha conseguido deixar Hyoga irritado como antigamente.

–Hunf... Cala boca frango estupido, não sou um robô e posso demostrar mais do que você imagina, e quero ver você se habituar a um frio de 100° negativos quando eu te congelar, já que você é tão resistente assim acho que não vai ter problema. E posso fazer isso agora mesmo se assim preferir.

–Só se for mais rápido, posso cozinha-lo em questão de segundos, não teria tanta confiança em suas habilidades ridículas.

–Vamos ver quem é ridículo então, vai se arrepender de ter dito isso.

–rsrsrsrsrsrs. Calma, não quero deixar seu belo rosto com um olho roxo logo hoje. – só depois que percebeu o que disse.

–O quê? Belo rosto?

–Hã... Eu... Er... Cl-claro que eu não disse isso, você está ouvindo demais, deve ter congelado o cérebro de vez.

–Ouvi claramente o que você disse frango.

–Esquece isso droga... Devo ter falado sem pensar só isso, como você é irritante pato idiota, jamais acharia você bonito, você deve ter batido a cabeça e tá ouvindo coisas só isso.

–Hum. – muito estranho.

–E como foram as ferias? - falou olhando pros lados querendo mudar logo de assunto, como pode ter deixado aquele comentário sair tão displicentemente?

–Não estava de ferias galinha flamejante. Estava trabalhando.

–Pra variar né, você só vivia encostado lendo alguma coisa.

–Isso se chama alimentar o cérebro, mas não acho que você seja capaz de entender.

–Hunf, isso se chama é ficar a toa, já deve ter até amolecido, se é que isso ainda é possível, já pensou em treinar mais? Esta meio franzino pato, se cozinhar vai não dá carne nenhuma. - falou o inverso do que pensava, na verdade achava que o loiro não podia estar em melhor forma.

– E você deveria treinar menos, tá parecendo uma arvore e se plantar vai crescer galinhas.

–Crescer galinhas... Hunf... Só pode estar querendo apanhar mesmo pato. Como você é insuportável e desprezível, nem sei como te aguentam...

Hyoga ficou em silencio de repente, lembrou-se daquela voz que o atormentava e o castigava todas as noites com pesadelos e lhe diziam as mesmas palavras que Ikki pronunciou.

– É... Você tem razão, eu sou desprezível, também não sei como me toleram. – disse com um pequeno sorriso e baixando o olhar, se fênix insistia tanto em dizer aquilo então deveria ser verdade.

Ikki o encarou mais intensamente e viu a tristeza crescendo naqueles olhos azuis claros, então se arrependeu instantaneamente pelo que disse, não queria ser o causador de novas tristezas naquele olhar, então mudou os planos, tentaria não brigar mais com o aquariano e o ajudaria a tirar aquela dor que parecia ter crescido mais ainda desde que ele partiu e não sumiu agora que voltou, mesmo sendo tão querido por todos, e aquelas palavras pareciam feri-lo mais ainda.

–Olha... Eu não quis... – tentou corrigir o que disse.

–Chega... Não vou discutir mais com você Ikki, prometi pra nossos amigos que não brigaria com você, então poupe saliva que não vou mais discutir. – achava que o fênix continuaria descarregando ofensas em cima dele, e ele não discutiria, mas não ficaria pra ouvir, já estava indo longe demais, e ele tinha feito uma promessa pra seus amigos de não causar confusão, e também tinha prometido pra Saori que tentaria manter a paz com todos sem exceção, mesmo que Ikki o atormentasse muito. Já estava se virando pra entrar quando sentiu um puxão no braço.

–Hyoga... Espera.

Agora que ele estranhou mesmo, Ikki estava de cabeça baixa e ainda segurava seu braço, e o mais estranho é que ele o chamou pelo nome, dificilmente ele fazia isso.

–O que foi Ikki? Já disse que não quero mais discutir.

–De-desculpa... eu, bom ... sinto muito. Você não é desprezível. Não vá...

–Hã?

–Fique aqui... Va-vamos conversar. Prometo que não vou te provocar mais. – falou levantando o rosto, e Hyoga pode ver que ele falava com uma expressão bastante séria e de suplica ao mesmo tempo.

Aquilo era o cumulo, o que ele tinha afinal? O silencio mais cedo e esse pedido de agora... Não havia duvidas que tinha alguma coisa errada com ele, afinal o Ikki de antigamente jamais diria aquilo.

–Tudo bem com você Ikki?

–S-sim.

–O que há de errado então? Você não é assim... Se for mais uma de suas provocações...

–Só cansei e brigar Hyoga, eu lhe provoquei de inicio pra ver se ainda continuávamos os mesmos e fico feliz que não tenha mudado tanto.

–Hum. – ainda parecia desconfiado.

Ficaram em um silêncio constrangedor. Ikki estava envergonhado pelo que disse, mas não se arrependia, era a primeira vez que falava com o loiro sem nenhum tom e deboche, discursão, raiva ou qualquer coisa contraria de amigável, e Hyoga não sabia o que fazer nessa situação, que Ikki era esse afinal de contas?

–Como foi o tempo fora? – o leonino perguntou tentando desfazer-se daquele momento vergonhoso e refazendo a pergunta de antes, só que agora com um tom menos implicante.

–Er... Foi, foi bom. – entraria naquilo que ainda não fazia sentido nenhum pra ele, mas ao que parece o leonino queria conversar, então tentaria ser mais afetivo.

Ikki suspirou, Hyoga era sempre muito objetivo então seria difícil se aproximar dele desse jeito, então teria que fazer uma trégua formal, ao menos amigo do loiro ele tentaria ser. Procurou o olhar do loiro pra buscar coragem para o que iria propor.

–Olha Hyoga... Sei que eu sempre sou rude com você e eu realmente sinto muito por isso, não quero mais brigar por qualquer coisa, eu realmente amadureci e percebo que você também, então não quero voltar a mesma rotina de antes, apenas estava testando se você ainda lembrava de como éramos... Se ainda se lembrava de mim... – suspirou, estava fazendo um esforço descomunal pra dizer tudo aquilo, sempre foi péssimo em colocar em palavras tudo que sentia, corria ainda o risco de se revelar, mas a situação pedia, e estava até satisfeito por não estar gaguejando e que as palavras certas estivessem saindo. - Mas não quero voltar naqueles tempos, percebi que somos muito parecidos, o certo seria que fossemos mais próximos, mas é o contrario, nem sei por que brigamos tanto, mas não quero continuar assim, se concordar em fazer uma trégua sei que vamos descobrir muitas coisas que temos em comum e podemos nos tornar amigos, se você concordar claro. – terminou de falar e engoliu o seco, estava extremamente nervoso, tudo que disse foi improvisado, e até achou que se saiu melhor do que pensava, mas restava o loiro concordar com tudo aquilo.

Hyoga ficou em silencio e o olhava atentamente, ainda estava digerindo tudo aquilo, concordava que era demais pra ele, afinal Ikki nunca foi amigável e nunca ficavam mais de dois minutos em um mesmo lugar sem sair farpas pra todo lado, mas agora fênix estava propondo uma trégua, e ele até pensava que podia dar certo, sempre achou que tinha muito em comum com o leonino, mas nunca tentou se aproximar já que Ikki o repelia sem piedade então preferia ficar na dele, mas agora lá estava o poderoso cavaleiro de fênix se desculpando e tentando ser amigável e tolerante, era muito estranho e ainda tinha medo que fosse alguma brincadeira de mau gosto dele, afinal essa era uma mudança muito drástica pra acatar cegamente, então ainda tinha sérias dúvidas das boas intenções de Ikki.

–Está falando sério Ikki?

–Sim. – falava firmemente agora e ofereceu a mão em um gesto para que selassem o acordo e ficou esperando a reação do loiro.

Hyoga olhou pra mão que lhe era oferecida levantou a sobrancelha em uma expressão e desconfiança, ficou ainda em duvida se era alguma brincadeira, mas apertou a mão de Ikki. Tentou usar seus meios como detetive, pois ele também interrogava suspeitos, realmente fazia um trabalho de policial e se tornou muito bom em sondar e descobrir mentiras somente com o olhar, se fênix mentia ainda não sabia, pois seus olhos não pareciam fingir. Então aceitaria aquela trégua, se ele estivesse fingindo apenas voltariam às velhas brigas.

–Tudo bem então.

Ikki era só alegria, nunca pensou que inverteria toda aquela situação de anos em uma única noite, pode sentir as mãos de Hyoga em um aperto firme, era quente, macia, era o primeiro contato que tinham sem qualquer agressividade, ficou um tempo assim, com o cisne o olhando atentamente pra ver se tirava alguma coisa dali que esvaísse suas duvidas, mas ele não se importou era bastante natural que suspeitasse dele, com o tempo ele perceberia que ele falava a verdade. Adorou aquele contato, mas o loiro se desfez dele a contragosto de Ikki, não queria que tivesse acabado tão rápido.

–Então podemos conversar amigavelmente?

–Claro que sim.

–Ótimo, mas ainda vou continuar a chama-lo de pato, tudo bem? – disse sorrindo tentando descontrair.

–Tudo bem, é de praxe. Não me acostumaria em deixar de chama-lo de frango também. – disse sorrindo abertamente, e Ikki sorria também não se aguentava de felicidade, era a primeira vez que o aquariano sorria pra ele, SÓ pra ele, parecia um abobalhado em presenciar aquele simples gesto, se Hyoga soubesse tudo que ele sentia jamais duvidaria de suas intenções.

–Hyoga... Er, eu queria, bem é que... – falava passando as mãos pelos cabelos, olhando pros lados e desviando do olhar do loiro, tentando ocupar suas mãos mexendo em algo pra disfarçar, mas estava bastante envergonhado pelo que queria pedir, mas queria muito aquilo, há bastante tempo.

–O quê? Pode falar.

–Er... – suspirou – Ah... Deixa pra lá... – não tinha coragem, parecia ridículo, mas estava muito envergonhado.

–Ikki, somos amigos agora, pode pedir o que quiser. – disse curioso agora, Ikki estava muito vermelho, nunca o tinha visto assim, era até engraçado, e até bonitinho vê-lo tão sem jeito, que pedido seria esse pra deixa-lo tão envergonhado?

Ikki se prendeu em seu olhar de novo pra encontrar coragem, não entendia como o olhar daquele rapaz o fazia acreditar e criar audácia pra fazer tudo que tinha vontade.

–E-eu quero um... Um abraço. – mais vermelho não podia ficar.

–Ah. – sorriu, era só aquilo e ele estava todo nervoso, nada demais, mas também achava muito estranho ouvir um pedido desses vindo de Ikki. – Tudo bem Ikki, não precisava ficar tão nervoso. Rsrsrsrsrsrs

–Não estou nervoso. – disse olhando pro lado e fazendo bico, desviando do olhar do cisne, suas mãos estavam tremulas e tentou conte-las colocando-as nos bolsos, e olhou pelo canto dos olhos pra Hyoga que observava cada movimento do leonino divertindo-se. Mas isso não irritava o fênix, adorava aqueles sorrisos, poderia ficar o dia todo olhando pra aquele loiro sem cansar. – E então? Eu posso?

–Claro que sim Ikki, não seja bobo, venha. – disse chamando Ikki pra perto pra poder abraça-lo, estendendo os braços.

Para Ikki aquilo parecia surreal, um sonho, estava tão feliz, parecia hipnotizado, Hyoga o estava chamando pra abraça-lo, tantas vezes sonhou com aquilo, em sentir o loiro perto, se fosse um sonho seria o mais real que já tivera e não poderia perder essa oportunidade. Aproximou-se e Hyoga o abraçou de vez, pois o leonino parecia estar com medo e o loiro ainda não entendia por que.

Primeiro Ikki ficou com medo de intensificar o abraço e apenas encostou-se ao loiro, parecia ridículo, mas pensava que se o apertasse Hyoga iria quebrar de tão frágil e impoluto que parecia ser. O loiro era um pouco mais baixo, e os braços de Ikki o acolhiam completamente, assim o abraço enfim se intensificou. Ikki pode finalmente sentir o perfume que exalava dos cabelos loiros de Hyoga, como era bom, tinha um frescor suave, e sua pele era tão macia, quente, impecável, era tão confortável estar ali, tão aconchegante, parecia ter encontrado seu lugar de conforto, nunca mais queria sair dali. Inclinou-se pro pescoço descoberto do loiro, queria sentir o gosto daquela pele tão branca, mas tinha que se segurar, iria assustar Hyoga se tentasse, mas podia aos menos sentir o cheiro, o apertou mais contra si, esperou tanto por aquilo, e lá estava ele, com quem tanto amava em seus braços, embora o aquariano não tivesse ideia do que Ikki sentia por ele, pensou em como pode viver sem isso por tanto tempo e em como Shun tinha sorte de Hyoga ter sempre permitido esse tipo de contato com ele. E agora tinha mais do que certeza que tinha feito a escolha certa em propor a trégua, estava vivenciando um sonho e o aproveitaria ao máximo enquanto pudesse.

Ficaram um bom tempo assim, Ikki parecia querer matar toda a vontade que parecia ter acumulado há anos. Hyoga foi desvencilhando-se aos poucos do abraço, mas o leonino parecia que não queria solta-lo tão cedo, o loiro foi cuidadoso ao separar-se, não entendia, mas parece que Ikki ansiava por isso faz muito tempo, e ele a muito contragosto separou-se de vez do loiro. Ficaram se olhando, com Hyoga cheio de duvidas, pois aquilo não foi um simples abraço, e parecia ter significado muito para o leonino, e ele tentava entender o que teria sido exatamente, e agora estava plenamente convencido que Ikki falava a verdade e queria levar aquela trégua adiante e ele estava feliz com isso, seria muito bom ter o leonino como amigo próximo, afinal eles se dariam uma chance e realmente tinham muita coisa em comum. Quanto a Ikki, pode observar cada traço de expressão do loiro, e já tinha ideia de tudo que ele estava pensando e estava até um pouco satisfeito, aquele simples gesto de carinho conquistou a confiança do aquariano de vez e enfim poderiam se dar bem e ele não teria que agredir ou irritar Hyoga pra ter sua atenção, restava apenas pedir que teria certeza que seria concedida.

Ouviram passos logo atrás e a voz de Shiryu os acordou daquele momento.

–O quê? Já estão brigando de novo? Hyoga você me prometeu...

–Hã? Não é nada do que está pensando Shiryu, na verdade eu e Ikki fizemos uma trégua, está tudo bem, não haverá mais brigas. – disse sorrindo.

Shiryu ainda estava confuso e desconfiado, nunca achou que os dois poderiam se dar bem, só de ver o modo como se tratavam.

–É sério isso? – perguntou Shiryu.

–Isso o quê? – disse Seiya aparecendo atrás de Shiryu com Shun ao lado.

–Hyoga e Ikki fizeram uma trégua pra não brigarem mais. – explicou pro sagitariano. E todos não poderiam estar mais surpresos.

–É sério irmão? – perguntou Shun.

–É claro Shun, vamos tentar fazer prevalecer a paz. – disse sorrindo olhando pro russo.

–Estou tão feliz Ikki. – disse abraçando o irmão.

–Não é pra tanto Shun, até parece que vivíamos nos tapas. – disse Hyoga.

–Na verdade era assim mesmo Hyoga. – disse Seiya rindo. – Ao menos a Saori não vai ter que comprar móveis novos, que vocês não vão destruir nada hoje. Hahahahaha

–Podemos não quebrar nada em nós, mas podemos quebrar em você cavalo voador. – disse Ikki em tom de ameaça.

–Olha, paz e harmonia também vale pros menores. – disse se escondendo atrás de Shiryu.

E todos riram, estavam felizes, tudo estava se acertando, mas ainda havia muitos sentimentos escondidos e palavras não ditas que ainda pairavam sobre todos eles da qual dependia a felicidade de todos que ainda não estava completa, e a volta de Hyoga era só o começo que tudo que ainda iria acontecer. E esses sentimentos acumulados iriam desencadear uma serie de acontecimentos que estavam por vir.

Saori observou tudo de longe, eram raros esses momentos de todos reunidos e alegres, e como sentia falta deles, mas sabia que ainda não tinha acabado, na verdade só tinha começado, e todos ainda teriam que sofrer muito antes da felicidade plena reinasse entre todos eles.