Capítulo 12: Visitas
Camus estava irritado esperando por seu pupilo que já estava muito atrasado, e até estranhou, pois Hyoga sempre foi assíduo e fazia o máximo pra agrada-lo como mestre, mas ele já estava muito atrasado para a reunião que seria pra comemorar seu retorno, pensou até que o cisne estivesse temeroso em aparecer pros outros depois de seu sumiço, mas sabia que isso não era possível, pois o loiro já sabia o que teria que ouvir de todos e jamais fugiria de nada, então o aquariano ficou pensando no que poderia ter atrasado seu pupilo e Millo já estava ficando irritado com aquilo, afinal todos iam até eles perguntar por Hyoga e ele tentava responder já que Camus estava emburrado e ignorava quem quer que fosse.
–Calma Camus, ele deve ter um bom motivo pra estar atrasado. – disse Millo tentando acalmar o namorado tentando beija-lo enquanto ele reclamava a toda hora.
–Para com isso Millo, o que foi que combinamos heim? – disse tentando afastar o escorpiano.
–Tá, tá... "sem demonstrações de afeto na frente dos outros", mas como você é puritano heim... Não tem nada de mais no que fazemos... além do mais todos já sabem que estamos juntos há tempos.
–Sabe o que quero dizer... Quando você começa não consegue parar. – disse com um sorriso insinuante.
–Mas olha... Depois reclama do que eu faço se você fica me atiçando com essa cara de safado. – disse sorrindo também e roubando um beijo rápido do aquariano que não reclamou, mas ficou vermelho e olhou pro namorado com uma expressão de aviso pra parar e Millo só riu, aquilo tudo era porque o aquariano era tímido demais.
–Fique aí... e você quase me fez esquecer que eu tenho que puxar as orelhas daquele garoto. – disse recobrando a postura e lembrando-se de Hyoga.
Millo suspirou, Camus era um cabeça dura mesmo. – Como você é chato Camus, o Hyoga vai chegar logo, logo. – disse cruzando os braços também já emburrado.
–Hunf... Não foi assim que eu ensinei aquele garoto Millo, ele não está só atrasado, ele está MUITO atrasado.
–Ele deve estar preso em algum congestionamento ou deve ter demorado no santuario ou sei lá o que mais, há tantos motivos que nem sei qual dizer primeiro.
–Isso não é desculpa afinal ele é um cavaleiro, oras. - disse cruzando os braços, com uma expressão de puro descontentamento com aquela conversa.
–Percebeu que você exige muito do Hyoga? – suspirou quando o aquariano fechou a cara de vez com o comentário. - Ele se esforça tanto pra agradá-lo e você nunca dá incentivo.
–Só exijo tanto dele porque sei que ele pode se tornar melhor do que já é. – tentou se explicar já irritado, mas mantendo o mesmo tom de voz frio.
–Percebe o que está falando seu iceberg? O Hyoga melhorou muito, segue todas as suas malditas regras e ensinamentos, é super educado, super inteligente, é gentil com todos, um grande cavaleiro, inclusive um legendário, um excelente mestre pra Jacó, e um ótimo amigo, você deveria estar orgulhoso dele, afinal ele é praticamente uma cópia sua.
–Não é pra tanto Millo. Falando assim até parece que você conhece mais o Hyoga do que eu.
– E conheço mesmo, ele é meu amigo, eu também o considero um irmão mais novo pra mim, até mesmo um filho, e ele tem conversado mais comigo do que com você, e eu sei o que ele tem passado ultimamente, apesar de não demostrar nada com toda aquela frieza que ele herdou de você, ele até deixou de ser sentimental como antes e agora está tão frio e insensível quanto você, se eu não os conhecesse bem até acharia que vocês têm pedras de gelo se batendo no lugar do coração. – disse fazendo uma careta enquanto olhava pra Camus, sabia que ele gostava muito do pupilo e só fingia parecer irritado quando na verdade estava preocupado com a demora do rapaz.
–Hunf... coração de gelo... só nessa sua cabeça mesmo. – depois percebeu o que o escorpiano falou – Hã? Como assim? O que ele tem passado? Ele te disse alguma coisa? E que historia é essa de que ele tem conversado mais com você do que comigo heim? – disse já um pouco enciumado, afinal não queria perder seu lugar quase paterno na vida de Hyoga.
Calaram-se antes do escorpiano considerar aquele amontoado de perguntas, quando sentiram o cosmo de Hyoga já próximo.
–Ele chegou. – disse Millo sorrindo. – Vou até lá, senão você vai brigar com ele antes dele cumprimentar a todos. – falou já se retirando sem dar tempo do aquariano reclamar.
...
Passou-se um tempo e Camus pode ver cada movimentação de seu pupilo e tudo em volta, percebeu o comportamento de todos os amigos do loiro e achou um tanto estranho da parte deles.
Viu quando Shun se aproximou do cisne mesmo quando ele mesmo não tinha notado. Como Ikki observava tudo de longe... a reação do cavaleiro de dragão depois que viu o cisne de novo... Mas quando seu pupilo foi conversar com ele procurou ignorar todos os olhares pra cima do russo e não economizou em sermões, mas Hyoga não pareceu ter se aborrecido, ele realmente tinha uma frieza parecida com a sua e apenas se explicou, foi aí que ele considerou os comentários de Millo, eles realmente eram muito parecidos. Observou como Hyoga cumprimentou a todos e ouviu tudo que lhe disseram sem se abalar, estava bastante calmo mesmo sabendo que seu pupilo odiava toda aquela atenção. Estava um pouco confuso com as reações dos amigos mais próximos do loiro, Shun, Shiryu e Ikki, pois eles pareciam diferentes dos demais, então prestou mais atenção nos três especificamente, percebeu cada expressão e conversas de cada um deles com o loiro de longe, e aos poucos foi notando algo mais em tudo aquilo.
–Hum, então é isso... Será que Hyoga já notou? – pensou depois de uma analise.
...
Acordou com os lábios de alguém dando beijos em sua face e pescoço, era frio e quente ao mesmo tempo, virou-se e encontrou o autor daquele carinho e que abriu um lindo sorriso para ele, sorriu de volta, era incrivelmente fácil pra ele ficar feliz com o simples gesto daquele loiro deitado ao seu lado. O aquariano lhe acariciou a face, retirando as mechas de seu cabelo verde de seus olhos, admirando aqueles intensos olhos cor de esmeralda, parecia uma criança e um homem ao mesmo tempo, a pele rosada os lábios cheios, o jeito angelical, era realmente adorável. O loiro se aproximou mais e tocou seus lábios com os dele, apenas um simples roçar, o garoto de cabelos verdes não esperou mais todo aquele cuidado e intensificou o beijo que foi prontamente correspondido pelo loiro. Exploravam a boca um do outro com suas línguas se tocando continuamente até perderem o folego, separaram os lábios já ofegantes e ficaram um tempo se encarando e admirando a beleza um do outro.
Shun estava vislumbrado com a imagem do cisne a sua frente, ele era incrivelmente encantador, os olhos azuis claros e os cabelos loiros emoldurando seu rosto lhe dava a aparência de um anjo.
–Lindo. – disse tocando a face do aquariano que curvou os lábios finos em um sorriso terno.
–Lindo é você meu garoto. – disse com uma voz sedutora e voltou a beija-lo intensamente. Shun correspondeu enlaçando o pescoço do loiro e o trazendo pra junto de si. O loiro o agarrou pela cintura e ficou por cima, passando a beijar o pescoço do virginiano, e descendo cada vez mais, retirou rapidamente a camisa verde que Andrômeda usava, e passou a beijar seus mamilos, fazendo o virginiano ter espasmos com todo o prazer que estava recebendo, o quarto ficou quente assim como os corpos que se tocavam.
Shun não ficou por menos, queria muito ter aquele loiro tentador de uma vez, retirou a camiseta branca dele tão rapidamente que até o surpreendeu, este esboçou um sorriso insinuante.
–Está apressado meu anjo.
–Claro você é simplesmente uma tentação. – disse sorrindo mais ainda e passou a acariciar aquele peitoral na sua frente.
–Então não vou fazê-lo esperar. – dito isso agarrou o membro já desperto do virginiano por cima do short leve que ele usava, e mesmo com o tecido impedindo o contato direto não impediu o virginiano de gemer longamente.
O loiro começou a masturba-lo desse jeito mesmo, até deixar o menor no limite. Este já arfava sem parar, era prazeroso demais.
–Hyoga... por favor... eu preciso.
–Como quiser meu anjo.
Retirou a mínima peça que o menor usava de uma única vez, esboçou um sorriso maior ainda ao observar que o virginiano estava extremamente excitado, desceu mais e sem mais delongas colocou o membro dele todo na boca e passou a suga-lo de uma forma faminta, levando o menor à loucura, este depois de um tempo não aguentou mais e despejou-se na boca do loiro, estava sem folego, fechou os olhos tentando recobrar o ar que lhe faltava, o loiro subiu e voltou a beija-lo intensamente, acariciando seu corpo mais uma vez.
–Te amo meu anjo.
–Também te amo muito Hyoga, muito, muito mesmo. – fechou os olhos e agarrou o loiro mais forte como se ele fosse fugir ou desaparecer a qualquer momento.
Quando abriu os olhos o loiro não estava mais em seus braços, estava sozinho em seu quarto como sempre, fora apenas mais um sonho, as lágrimas começaram a brotar em seus olhos, a tempos tinha esses sonhos com o loiro que tanto amava e desejava, queria muito que fosse ele a dar-lhe prazer e não se imaginava com nenhum outro homem, passou a fantasiar em como o loiro seria na cama, afinal ele era sempre muito tímido, contatos físicos eram sempre raros, e sempre era Shun quem os dava, pois o loiro nunca foi muito afetivo, apesar de nunca evitar que o tocassem e a maioria das vezes era o virginiano que se atrevia e rompia as barreiras que o aquariano impusera.
Mas nunca deixaria de fantasiar com ele, queria muito ouvir dele que o amava e que o desejava tanto quanto ele desejava o loiro, apesar de ser muito difícil faze-lo se expressar mais. Depois que o viu na reunião foi inevitável deixar de pensar naquele loiro a noite toda, ele estava mais lindo ainda, fazendo o virginiano deseja-lo ainda mais. Lembrou-se de quando eram crianças Hyoga era desejado por muitas garotas do orfanato, mas ele pouco se importava, era apenas uma criança e não tinha esse tipo de pensamento, alias a única coisa que o loiro falava é que queria ver sua mãe novamente, e essa determinação foi o que o manteve sempre disposto a enfrentar os desafios. Diferente de Shun que sempre teve o irmão para protegê-lo e então não se preocupava com nada. Foi muito bom vê-lo de novo, e como sentia falta de estar ao seu lado, sentir sua presença reconfortante, ver seu sorriso novamente, apesar de que teria que limitar-se a isso, foi aí que se lembrou do que combinaram na reunião, que iriam visitar o loiro no dia seguinte.
Apesar de achar que seria bastante improprio visitar Hyoga àquela hora da manhã, mas iria mesmo assim, queria matar toda a saudade que sentiu do russo por tanto tempo e apenas vê-lo por uma noite não era o suficiente. Levantou-se um pouco desanimado com o sonho que teve ser apenas isso, um sonho, mas recompôs-se ao lembrar que veria Hyoga logo,logo.
Levantou todo apressado e foi tomar um banho e limpar os vestígios do sonho molhado que teve com o loiro e acabou acordando Ikki com o barulho que fez derrubando as coisas com a pressa ao se vestir.
–Mas o quê? QUE DROGA QUE VOCE TÁ FAZENDO AÍ SHUN? FICA QUIETO QUE EU QUERO DORMIR DROGA. – gritou de seu quarto, afinal não tinha conseguido dormir por causa da noite anterior em que viu o cisne.
–Calma Ikki, só derrubei umas coisas e já tô arrumando, e se você tivesse mesmo com sono já teria voltado a dormir logo depois.
–Arrg. Pra quê isso tudo? Vai pra onde? – disse já se levantando e indo pro quarto do irmão pra ver o que era todo aquele barulho, pois não conseguiria dormir de novo depois disso.
–Vou visitar o Hyoga. – disse arrumando seu armário, já muito bagunçado, pois ele era sempre muito ocupado e não tinha tempo de arrumar, por causa dessa bagunça amontoada que derrubou tudo que estava embilhado no armário de uma vez, livros, cadernos, roupas, sapatos, e quando foi procurar uma roupa pra vestir a pilha caiu pra cima dele e terminou de bagunçar de vez.
–Eu não já te mandei arrumar esse quarto moleque, e que historia é essa de visitar o pato a essa hora da manhã? Ainda são 7:00 h garoto. - disse cruzando os braços e olhando pro despertador do irmão no criado mudo.
Shun ainda estava de toalha, encontrou uma roupa e deixou a bagunça do jeito que estava e foi pro banheiro vestir-se.
–Tenho certeza que ele não se importa Ikki, afinal ele sempre acorda cedo, e eu quero ir lá antes que ele arrume planos pra sair. – gritou do banheiro.
Ikki ficou pensativo com aquela informação afinal não seria de todo mal visitar o loiro no domingo que deveria ser o único dia em que não estaria ocupado.
–Então eu vou com você. – disse baixo, mas o suficiente pra que Shun pudesse ouvir.
–O quê. – disse saindo do banheiro e ainda incrédulo com a última frase de Ikki.
–Eu disse que vou com você ora. – disse já vermelho desviando dos olhos do irmão.
Shun ficou um tempo observando as expressões de Ikki, que já estava ficando incomodado.
–Hum... É sério? Digo... er, essa trégua de vocês?
–É claro que é Shun, eu não brinco com essas coisas.
–E quem a propôs isso afinal de contas?
–Ah... er, fui eu.
–Hum, e por que fez isso? Pensei que detestasse o Hyoga... Quer dizer, pelo modo que você implicava com ele pensei que nunca se entenderiam. – falou fazendo pose de psicólogo, com uma expressão desconfiada.
–Foi por isso que propus uma trégua, não queria mais continuar com todas aquelas brigas infantis. E qual o problema? Não posso ir com você? – disse tentando disfarçar seu constrangimento evidente.
–Ah, claro que pode Ikki, vamos... O Hyoga iria gostar muito que você fosse também, acho que ficaria até mais feliz ainda se Seiya e Shiryu também fossem, principalmente o Shiryu, eles sempre foram bons amigos. - disse franzindo cenho, nunca gostou muito do libriano ter a atenção do loiro tanto quanto ele mesmo, mas era diferente, pois quando era com ele o aquariano mais ouvia do que falava, mas com chinês ele falava bem mais, e isso o enciumava um pouco, afinal também queria que Hyoga falasse mais do que três palavras com ele. - Será que eles vão? Combinamos isso, lembra?–
–Er, sei lá, acho que sim... mas então tá, vou me arrumar. – disse já se retirando.
Shun observou o irmão ficar vermelho com o comentário, ele estava agindo estranhamente desde que soube que Hyoga iria voltar. Mas por hora não se preocuparia com aquilo.
Ikki se arrumou em uma velocidade impressionante, seu quarto era tão bagunçado quanto de Shun, mas ele não arrumava mesmo por pura preguiça, e sabia onde tudo ficava, era uma espécie de bagunça organizada que só ele entendia, então não tinha problemas em achar tudo que precisava naquele tumulto de objetos. Quando já estavam prontos foram pra casa do loiro, pararam em uma padaria mais por insistência de Shun pra comprar um café da manhã que serviriam junto a Hyoga.
Foram de encontro ao mesmo endereço de semanas atrás quando tiveram que fotografar a casa do aquariano. Passaram pelo porteiro e bateram a porta. Ficaram um tempo esperando e até acharam que Hyoga ainda estivesse dormindo, mas quando Shun ia bater de novo a porta se abre e o frio de dentro chega até eles e o loiro aparece.
...
Acordou cedo de novo, mais uma noite mal dormida e a sensação estranha de estar em um novo ambiente, mesmo que seja bastante confortável, conformou-se afinal com o tempo se habituaria a seu novo lar. Era domingo, a reunião era sempre no sábado pra ser favorável ao tempo de todos. Ainda estava cansado de tudo que aconteceu na noite anterior, depois que se encontrou com todos de novo, as reações de seus amigos e toda aquela nova realidade enchia sua mente, ainda estava assimilando os últimos acontecimentos, afinal estava muito feliz em comprovar que todos realmente estavam bem, e isso o aliviou um pouco, pois estava preocupado com eles depois da conversa que teve com Saori, mas juntando tudo ele ainda estava com a mente bastante sobrecarregada.
Levantou e foi tomar um banho, o contato com a agua gelada sempre o reanimava, não importava a situação, terminou e vestiu suas calças azuis folgadas, pegou uma camisa e a jogou pra cima do sofá da sala,não ia vesti-la ainda, não com aquela temperatura, pois ainda sentia um calor insuportável, tentaria ficar confortável, e já tinha colocado mais uma central de ar pra esfriar mais o ambiente que pra ele estava até tolerável, mas qualquer outra pessoa normal acharia o ambiente congelante. Fez um café simples, continuando sua rotina de todas as manhãs e preparando-se para mais um dia de trabalho de investigações mesmo que fosse domingo, afinal já era acostumado a trabalhar em qualquer ocasião, e já tinha recebido vários casos a distancia mesmo depois que saiu da policia americana, pois tinha previsto que não tiraria folga mesmo que ainda não tivesse se apresentado a força tarefa japonesa, além do mais o trabalho o distraia de problemas pessoais. Mas ainda tinha que arrumar todo seu espaço de trabalho e seu sistema de monitoramento global remoto, um sistema que ele mesmo desenvolveu burlando os vários sistemas internacionais em segredo e o ajudando nos casos em que trabalhava afinal antes ele trabalhava independente da ajuda das forças tarefa e havia muitos dados que lhe eram ocultados pela própria policia, mas até entendia, afinal não confiariam cegamente em alguém de quem não conheciam nem o rosto. Preparou os equipamentos em seu novo QG, papeladas, arquivos confidenciais dos casos, monitores, computadores enfim, até mesmo um arsenal ele tinha, mas o escondeu muito bem de todos, afinal para as pessoas normais ele não podia entrar em ação usando seus poderes de cavaleiro, teria que manter as aparências até mesmo nessas horas, era especialista em investigações mas só as vezes entrava pessoalmente em ação pra buscar e interrogar suspeitos, afinal não era necessário pois depois que ele deixava as investigações já quase concluídas só restava a própria policia prender os suspeitos, mas já houve casos quando ainda trabalhava nos EUA em que ele mesmo tinha que buscar e interrogar os suspeitos, e isso o colocava em perigo, pois era um cavaleiro e mesmo com um cosmo poderoso e a armadura que ele não poderia usar nessas ocasiões por motivos óbvios, ele ainda era uma pessoa normal quando baixava a guarda e corria riscos como qualquer um, mas era necessário pra manter o segredo de todos os cavaleiros. Então se submeteria a isso, pois mesmo tendo um corpo tão vulnerável como qualquer humano quando baixava a guarda e diminuía seu cosmo propositalmente, ele ainda tinha a agilidade e a foça de um cavaleiro, e esse treinamento era o diferencial, mesmo com os riscos que corria ainda era bastante improvável que corresse perigo iminente.
Estava quase terminando de arrumar tudo e tomando um simples café ao mesmo tempo quando ouviu a campainha, esperou um pouco pra ver se desistiam caso fosse engano, afinal quem poderia ser se ele tinha acabado de se mudar e não conhecia ninguém por perto, mas a pessoa estava insistente então foi atender a muito contragosto queria terminar aquela arrumação pra que logo voltasse a trabalhar. Deu-se por vencido, realmente era pra ele, e então foi atender.
–Ah, são vocês... Bom dia, o que fazem aqui tão cedo?
Shun e Ikki ficaram um tempo parados olhando de boca aberta pra aquela figura, o loiro estava apenas com uma calça moletom azul e larga caindo levemente nos quadris e aparecendo o elástico da boxer branca que usava e sem camisa, de banho tomado com o cabelo úmido e solto e lhe caia um pouco nos ombros, e puderam notar o corpo definido dele, a pele branca tênue, os cabelos dourados em combinação com os olhos azuis claros, e os lábios finos, rosados e convidativos. Parecia uma provocação explicita, mas o olhar confuso do loiro os denunciou que eram eles mesmo que tinham más intenções naquele imagem, mas claro que cada qual com seus pensamentos impuros.
–Er... tudo bem com vocês? – disse bastante confuso com a expressão deles enquanto o olhavam. Será que é alguma emergência e estão sem coragem pra me contar? – pensou.
–B-bom dia Hyoga, é que, nós combinamos de te visitar hoje, esqueceu? Ah, e trouxemos o café da manhã. – Shun disse bastante vermelho e acordando do transe e estendendo a cesta com coisas que compraram na padaria pelo caminho.
–Hum, é mesmo... Obrigado. Podem entrar, ou preferem ficar aí fora? Ah, oi frango. – disse direcionando o olhar pro leonino e sorrindo abertamente e os encantando ainda mais com aquele simples gesto.
–O-oi pato. – disse vermelho e desviando do olhar do loiro.
Entraram e Hyoga lhes indicou o sofá pra sentar.
A casa estava muito organizada, era estranho, afinal quando alguém faz uma mudança leva semanas pra arrumar tudo, então se lembraram que Hyoga era obcecado por organização, talvez pela educação que recebeu de Camus, e com a decoração que Afrodite fez deixava o local bastante elegante, tudo era harmonizando até mesmo os mínimos detalhes. Mas o detalhe era que o local estava congelando, quando o loiro abriu a porta puderam sentir o frio que saia, parecia a porta de uma geladeira sendo aberta, era incrível como o corpo humano pode se adaptar a situações extremas, afinal Hyoga estava sem camisa, obviamente sentia calor mesmo com o frio dos ar-condicionado e o do seu próprio cosmo.
–Vocês vieram bastante cedo, pensei que estivessem cansados de ontem e dormiriam até tarde hoje. – disse pegando a cesta que Shun lhe ofereceu e dirigiu-se pra cozinha com o virginiano o seguindo de perto, colocou sobre a mesa.
–É que achávamos que você acordava bastante cedo e viemos antes de você sair pra algum lugar. – Shun disse ainda vermelho, e olhando Hyoga de costas.
–Tudo bem, já faz muito tempo que não tenho companhia no café da manhã... na verdade eu nunca tomo café da manhã, quer dizer nunca como nada, mas o café eu tomo, me mantem desperto.
–É, o Ikki é viciado em café, mas eu prefiro chá, só que quando eu tenho que estudar até tarde também apelo pro café mesmo. – disse um pouco mais calmo agora e já tirando as coisas da cesta, mas ainda continuava vermelho, estava bastante desconfortável em como Hyoga estava, e não conseguia desviar o olhar daquele corpo por muito tempo. E percebeu que sempre que falava o loiro o olhava atentamente, era bastante educado e mostrava que prestava atenção em cada palavra que dizia, mas naquela situação já estava incomodando.
–E-e você acordou faz tempo Hyoga?
–Faz um tempo sim, acho que umas duas horas, eu estava arrumando meus equipamentos de monitoramento.
–Oh pato... – foram interrrompidos por Ikki que estava sentado na poltrona da sala e se pronunciou depois de um tempo observando a conversa do loiro com Shun, na verdade observava mais o corpo do russo do que a conversa em si.
–Diga Ikki. – deixou Shun terminando de colocar o café na mesa e voltou pra sala.
–Porque você não abaixa esse seu cosmo heim? Você tá pegando fogo por acaso? Aqui dentro tá congelando. – disse esfregando as mãos nos braços pra tentar se aquecer.
–Ah, desculpe, é que estou tão acostumado a fazer isso que nem percebo mais. – disse e foi baixando o cosmo completamente. – Pronto.
–É mesmo Hyoga, mas ainda tá muito frio aqui dentro. – disse Shun da cozinha.
–É o ar-condicionado que tá ligado no máximo. Espera um pouco... – aproximou-se de Ikki que estava sentado perto da poltrona da sala e pegou o controle do ar na mesa de centro. – Pronto. – Ikki observava cada gesto do loiro hipnotizado, o corpo dele apesar de ter aquela pele alva que parecia delicada mas não tinha nada de feminino, era do jeito que ele gostava, ficou olhando pra ele por um bom tempo e dessa vez o loiro percebeu.
–Algum problema Ikki?
–Er... Nada não... Por quê? – desviou o olhar.
–Você tá me olhando de um jeito estranho, lhe incomodo estando assim?
–N-na verdade sim, não dá pra parecer mais decente, pato descarado, tem pessoas que não são acostumadas com isso? – disse cruzando os braços e fazendo uma expressão fingida de desaprovação.
–Rsrsrsrsrs. Como você é implicante frango, é que está muito calor, principalmente pra mim, e até parece que nunca viu um homem sem camisa. – disse ainda sorrindo, não sabia que o leonino se importasse com as vestimentas que usava. – Mas se te incomoda tanto vou me vestir, me dê licença então. – disse fazendo sinal pra que Ikki se levantasse da poltrona que foi onde ele jogou sua camisa, quando o leonino não se levantou ele aproximou-se mais pra pegar com ele ali mesmo, pensava que era alguma birra do fênix pra irrita-lo como sempre.
Ikki levou um susto quando viu o aquariano se aproximar muito e ficou sem reação, ele se inclinou pra pegar a camisa que estava no alto da poltrona e com um pedaço em baixo de Ikki. Se não se segurasse poderia puxar aquele loiro gostoso pela cintura naquela mesma hora e tocar e beijar aquele peito desnudo que estava na altura de seu rosto. Mas a aproximação foi mais breve do que ele queria, o russo puxou a camisa de uma única vez de baixo dele e começou a vestir-se e ele então acordou daquela proximidade.
–Poderia ter pedido pra sair né.
–Eu pedi e você não saiu. – disse ignorando os comentários do leonino e virando-se de volta pra cozinha ajudar Shun.
–Pronto Hyoga, venha tomar café... vem também Ikki. E o que é isso? Já iam começar de novo? O que aconteceu com a tal trégua? – disse Shun com tudo pronto, e foi até fácil arrumar tudo, o loiro tinha tudo muito organizado, e foi logo repreendendo os dois, aparentemente a implicancia deles não tinha parado.
–Hm. - Hyoga ignorou o comentário de Shun, ele não entendia que tratando-se assim era normal para os dois, essas implicancias eram até uma forma nescessaria para mante-los próximos, que só eles entendiam.
–Não é nada Shun, voce tá paranóico. - disse Ikki.
–Sei, sei.
Sentaram-se e quando iam começar a servir-se a campainha toca novamente.
