Capítulo 16: Relembrando o passado
Ficaram o restante da tarde na piscina até perto do anoitecer quando sairiam para se divertir.
Já no fim da tarde todos vão se retirando da piscina pra irem pra suas casas se arrumar pra sair juntos.
─Onde exatamente é esse lugar que você falou Seiya? – disse Shun.
─É perto do centro, acho que vocês já foram comigo. – disse Seiya.
─Tem que explicar melhor pra Saori saber como chegar. – disse Shiryu.
─Eu vou em casa pra me arrumar e passo aqui pra pegar ela já com a Seika. – disse Seiya.
─Mas a Marin vai vir pra cá pra ir comigo... e eu acho que ela vai demorar um pouco, já que ela não tem a velocidade de vocês, e ela vai vir do santuario, e mesmo assim acho melhor irmos com um dos meus motoristas Seiya, não confio muito em você no volante depois de beber.
─Poxa Saori, eu não sou tão barbero assim não... e você acha mesmo que um cavaleiro como nós poderia se machucar em um acidente de carro? – disse com ironia.
─Esqueceu que temos corpos frágeis quando estamos sem armadura e quando não utilizamos nossos cosmos pra nos proteger Seiya? – disse Shiryu.
─Não seja por isso, eu posso manter o meu cosmo alto o tempo todo. – disse convencido.
─Totalmente desnecessário... não liga pra ele Saori, eu sei onde é e venho te buscar... na volta você chama um de seus motoristas. – disse Shiryu.
─É melhor assim mesmo. – disse Saori.
─Aff, ninguém confia em mim. – disse Seiya indignado.
─Para de reclamar e vamos logo que você demora uma eternidade pra encontrar suas roupas naquele armário bagunçado. – disse Shiryu, já sabia como era organizada as coisas de Seiya.
─Eu venho buscar elas Shiryu. – disse Hyoga que até então estava calado.
─Mas você não sabe onde é... – disse o libriano.
─Vocês me ensinam. – disse ainda insistindo, pois queria falar com Saori a sós e não queria que ninguém percebesse.
─Mas vocês fazem o maior awê por pouca coisa mesmo heim... Deixa o pato vir buscar, ele não é tão burro a ponto de não saber se localizar. – disse Ikki.
─Como assim 'não é tão burro'? Já quer a revanche agora frango? – disse o loiro ofendido.
─O Hyoga não é burro Ikki, é a ultima coisa que ele seria. – disse Shun defendendo o amigo.
─Porque você defende tanto o pato Shun? Devia defender a mim. – disse Ikki.
─Não implica com o Shun, Ikki. Além do mais foi você que começou. – disse o loiro já aborrecido com aquela conversa.
─Ahhhh. Lá vão vocês de novo, e agora até você Shun... tá bom Hyoga, já que insiste... – disse Seiya já chamando o loiro pra explicar onde era o lugar.
E assim ficaram de se encontrar no local designado por Seiya. Hyoga ficou de passar na mansão de Saori pra busca ela e Marin.
Ele foi pra casa se arrumou muito rapidamente, vantagem de ser organizado, um dos ensinamentos de Camus que era bastante rígido nesse sentido também. Chegou bastante cedo na mansão. Estacionou o carro, entrou e dirigiu-se pros aposentos de Saori, ele ainda não tinha sentido o cosmo de Marin próximo e achou bom já que queria falar a sós com a deusa.
Antes mesmo de bater na porta Saori o chama.
─Pode entrar Hyoga. – disse Saori lá de dentro.
Às vezes até se assustava com essa habilidade dela de também sentir o cosmo das pessoas próximo.
─Er... Com licença. Posso falar com você Saori? – disse ainda na brecha da porta e um pouco envergonhado e sem olha-la, não era de ficar entrando no quarto de garotas ainda mais sendo de Saori.
─Pode sim... Entra Hyoga, estou vestida. – disse rindo da atitude do aquariano.
Quando entrou viu que ela estava vestida com uma saia rodada lilás e uma blusa branca, mas ainda não estava pronta, sem maquiagem. – é bonita até sem maquiagem. – pensou.
─Percebi que queria falar comigo antes de sair, o que é? – disse com aquele tom de mãe preocupada com o filho. Ele estava vestido com uma calça social preta e uma camisa azul escura, estava simples, mas elegante. – bastante apropriado, está bonito, os outros não vão deixar de perceber. – pensou.
─Er... é sobre o que você me falou ontem no santuario. - entrou, mas continuou na porta sem olha-la fixamente e olhando pros lados, estava bastante desconfortável em vê-la tão natural e despojada, não se sentia digno de vê-la assim.
─Olha pra mim Hyoga, não precisa ter vergonha, venha. – disse rindo e o chamando pra sentar-se ao seu lado no pequeno sofá que tinha no amplo quarto. E assim ele fez.
─Eu queria que você me explicasse melhor aquela historia de que meu retorno iria mudar muita coisa, o que exatamente você quis dizer com aquilo? – perguntou de cabeça baixa.
─Olhe pra mim. – disse levantando o queixo dele. – Você percebeu alguma coisa diferente nos outros? – disse com um sorriso.
─Sim.
─O que exatamente? – disse já esperançosa. – finalmente as coisas vão começar a andar. – Saori pensou.
Suspirou. ─Percebi coisas diferentes em todos, principalmente no Shun, Ikki e Shiryu. – disse com os pensamentos vagos, lembrando-se dos acontecimentos do dia anterior.
─Eu avisei que todos estavam mudados, mas continue. – disse sorrindo.
─O Shun anda mais emotivo do que de costume, e percebi que a maior parte das vezes é comigo... Percebi que o Shiryu se perde olhando pra mim, e eu ainda não sei por quê... O Ikki... Bom, o Ikki me propôs uma trégua que eu até achei bom, sempre quis ser mais amigo dele, apesar de que hoje nos desentendemos algumas vezes, mas propor uma trégua e ser mais suscetível, ainda mais comigo não faz o gênero dele. – disse listando as coisas que achou estranhas desde que chegou.
─É... Você percebeu muita coisa em um único dia. – disse sorrindo, pensou que ele demoraria mais pra perceber as reações dos amigos.
─O que isso tudo tem a ver com o que você me disse no santuario? Esses comportamentos são só porque eu voltei? E eles estão mesmo infelizes? Porque eu não avaliei isso ainda. – disse com esperanças que ela lhe esclarecesse tudo de uma vez.
─Não posso dizer, isso você vai ter que descobrir sozinho. – disse simplesmente.
─Ah Saori, se era pra me encher de enigmas não devia ter dito pra te procurar, eu não sou idiota, você está me escondendo alguma coisa. – disse já impaciente.
─Deixa de ser chato Hyoga, descobrir as coisas sozinho faz parte de todo o processo de harmonização que eu te falei. – disse já impaciente também, ele queria saber tudo de mão beijada. Pareciam dois irmãos, tinham esses momentos que decidiam por se tratarem informalmente até chegar a esse ponto, até mesmo a vergonha do aquariano de olha-la tinha passado.
─O que isso tem a ver com o comportamento deles? Eu só quero saber o porquê de tudo isso e o que eu posso fazer pra mudar. – disse indignado pela falta de informação.
─Eu já te falei, te dei conselhos do que deveria fazer... Você tem que conversar mais com todos eles, ouvir mais, compartilhar informações... Enfim tentar ser mais intimo deles. – disse com a maior naturalidade.
─Só isso não ajuda Saori, você tá me escondendo alguma coisa mesmo. – disse a olhando desconfiado.
─Já falei que descobrir sozinho vai te ajudar a fazer suas escolhas.
─Que escolhas? – disse surpreso.
─Ah, já falei demais, você vai descobrir com o tempo, agora sai que a Marin já chegou. – disse levantando e empurrando o loiro pra fora do quarto.
─Mas...
─Sem 'mas', sai logo. – disse rindo da impaciência do aquariano.
Chegou na porta e viram Marin pronta pra bater.
─Oi Marin, vem, entra que o Hyoga já tá saindo. – disse sorrindo e Marin não pode deixar de achar situação mais estranha.
─Oi Marin. – disse o aquariano.
─Oi Hyoga, o que faz aqui? – disse Marin tentando entender o que se passava.
─Ele vai nos levar pra boate e veio só conversar antes disso, mas já está de saída... Vamos que você ainda tem que se arrumar. – disse como uma adolescente animada, expulsando o loiro e puxando Marin pra dentro do quarto pra se arrumarem já que a amazona estava com simples roupas do dia a dia no santuario.
─Eu quero explicações depois viu Saori. – disse gritando antes dela fechar a porta na cara dele.
Suspirou. ─Mulheres... vão demorar uma eternidade pra se arrumar... vou esperar na sala de estar senão vou cansar aqui em pé. – pensou já se retirando já que Saori conseguiu se livrar dele sem responder as perguntas que ele fez.
...
Hyoga desligou o celular pra falar com Saori, mas esqueceu-se de ligar de novo depois que foi praticamente expulso do quarto dela, deitou-se no sofá pra esperar as garotas se arrumarem e descansar um pouco, não demorou muito e o cansaço do dia o atingiu, adormeceu em menos de cinco minutos. Estava com um braço embaixo da cabeça e o outro repousava em seu abdômen.
Shun recebeu uma ligação de Seiya dizendo que ele tinha passado o endereço errado pra Hyoga e que ele não atendia ao telefone, então o virginiano se arrumou rapidamente e dirigiu-se pra mansão pra leva-los ele mesmo, pois sabia o endereço certo e não conseguia falar com Hyoga que realmente não atendia o celular... Sem dar maiores explicações pro irmão, ele foi em seu carro já bastante alvoroçado com medo que Hyoga já tivesse saído com as garotas pro endereço errado.
Chegou à mansão e ficou aliviado em sentir o cosmo deles ainda lá, perguntou pra Tatsumi onde estavam exatamente e o mesmo disse que Saori ainda estava se arrumando com Marin e Hyoga estava na sala de estar esperando. Então dirigiu-se pra sala pra esperar junto dele. Chegou lá e percebeu que o cômodo estava um tanto mais frio que o restante da mansão e viu o loiro deitado no longo sofá da sala com as pernas erguidas no braço do sofá. Olhou pro telefone na mesa próxima e bateu a mão na testa.
─Porque eu não pensei em ligar pra mansão? Afff. Como eu sou idiota. – Shun pensou.
Shun aproximou-se mais e viu que o loiro adormecia profundamente.
─Mas olha só, está dormindo, depois diz: "eu sei o meu limite", "um simples treino não fará mal algum, afinal somos cavaleiros fortes", pelo visto não é tão forte assim, é um teimoso mesmo, e nem dormiu a tarde querendo dar uma de resistente, parece até o Ikki. – pensou o virginiano enquanto se aproximava do loiro adormecido.
Sentou-se no chão ao lado do aquariano, não o acordaria ainda, realmente parecia muito cansado, obviamente o excesso de trabalho o estava prejudicando muito a ponto de adormecer daquele jeito, naquela posição.
─Ele é lindo enquanto dorme, parece um anjo. – pensou enquanto acariciava os cabelos do loiro e o observando melhor aproveitando o momento, o russo estava vestido socialmente, a camisa estava com os primeiros botões abertos por causa do calor que o loiro sentia.
Passou as mãos dos cabelos pro rosto do loiro, começou a acaricia-lo, ficou um tempo assim. - afinal o que está dando em mim? – pensou enquanto suas mãos iam descendo pro pescoço do loiro e em seguida pro seu peito. – ele tem uma pele tão macia, tão boa de sentir, parece cetim, tão branca. – seus dedos mais ousados iam mais pra dentro da camisa do aquariano que ainda dormia profundamente. Parecia hipnotizado, queria mais contato, balançou a cabeça desfazendo o contato repentinamente. – Mas o que deu em mim pra ir tão longe? Droga, tenho que me controlar. – pensou martirizando-se e em seguida repousando os olhos em cima do russo de novo, ainda dormia, como consegue? Voltou a acariciar o rosto do aquariano, afastando a franja farta, passou os dedos pelos lábios, pequenos demais, rosados, ficou ali pensando em como queria senti-los. Inconscientemente foi se aproximando mais, e mais, sem nem ao menos se dar conta já estava próximo dos lábios dele e enfim o beijou. Um pequeno roçar, a boca do loiro estava entreaberta, insinuou sua língua pra entrar, mas apenas lambeu aqueles lábios, voltou pra posição original, o loiro ainda dormia profundamente, aproximou-se de novo, depois de provar uma vez o que tanto queria e que há tanto tempo queria, aproveitaria a oportunidade, mas agora estava fazendo uma leve pressão, tinha um gosto tão bom que o inebriava e não conseguia parar, ainda o beijava com cuidado pra não acorda-lo enquanto suas mãos ousavas insinuavam entrar na camisa dele desatando alguns botões.
...
Hyoga sonhava de novo, mas não era um pesadelo, era uma vaga lembrança que tinha de sua mãe. Estava em um grande salão com ela, era um salão amplo e com um grande piano bastante refinado no canto, era noite, o salão estava repleto de pessoas elegantes que dançavam primorosamente, sua mãe também estava elegante com um longo vestido branco e sentada junto ao piano e tocava uma linda melodia enquanto ele, apenas um garotinho curioso acompanhava os movimentos de suas mãos.
Ela era majestosa, seus movimentos eram sublimes e leves, tocava com perfeição e com grande sentimento, parecia querer demostrar todo seu amor através da musica, ele a acompanhava sentado ao seu lado com roupas também refinadas e bastante adoráveis pra um menino de cinco anos que se parecia muito com ela.
Ela terminou de tocar e sorriu pra ele, um sorriso terno e cheio de carinho, acariciou seus cabelos como uma mãe carinhosa, ele sorriu de volta agarrando-se na cintura dela. Todos aplaudiram assim que ela parou de tocar, podia ver os rostos de admiração deles, tudo era lindo, principalmente a linda fada que ele abraçava.
─ мама. – disse baixinho.
─ Дорогой сын. – Natássia disse com um sorriso.
Nunca mais queria sair daquele momento, era uma lembrança a muito perdida e que agora ele se alegrava muito de relembrar. Sorriu. Há muito tempo não sonhava assim.
Quando acordou daquela lembrança, ainda de olhos fechados e sonolento foi recobrando a consciência aos poucos quando sentiu uma leve pressão em seus lábios, foi se remexendo aos poucos quando sentiu aquela pressão o abandonar de súbito e então aos poucos ele foi abrindo os olhos.
Shun sentiu os lábios de Hyoga se mexer, ele sorria, mas já estava acordando. –Droga, perdi o controle. – pensou e se levantou rapidamente antes do aquariano abrir os olhos.
Hyoga acordou tonto, tinha tido um sonho maravilhoso que a muito tempo não tinha o privilegio de ter, abriu os olhos aos poucos e viu Shun que parecia nervoso de pé ao seu lado, ele olhava pros lados evitando olha-lo diretamente, mexia as mãos sem saber onde coloca-las.
─Shun? O que faz aqui? – disse sonolento, esfregando os olhos e já se sentando.
─Er, e-eu, bom... eu vim, vim buscar vocês. – disse bastante nervoso.
─Buscar? Por quê? – disse baixando o olhar e estranhando que mais dois botões da sua camisa estavam abertos.
─O Seiya te passou o endereço errado, então eu vim buscar vocês antes de irem pro endereço errado. – disse ainda sem olha-lo.
─Aquele Seiya é uma coisa mesmo heim. – disse se espreguiçando e repousando as mãos no colo para enfim prestar atenção no virginiano.
─O que você tem? – disse pendendo a cabeça pro lado um pouco desconfiado.
─Na-nada, por quê? – disse se fazendo de desentendido se sentado na poltrona ao lado do grande sofá e cutucando o estofado pra manter as mãos ocupadas.
─Sei lá, você tá estranho.
─É impressão sua Hyoga, você imagina demais. – disse olhando pro chão. – droga, será que ele percebeu? – pensou.
─Hm... Shun, er... você estava me... Não deixa pra lá. – disse balançando a cabeça. –mas que tolice, nunca aconteceria, deve ter sido minha imaginação.– pensou. Observou em como o virginiano estava vestido, com uma calça também social preta e uma camisa verde bastante escura e de seda em combinação com seus cabelos que estavam presos por um frouxo rabo de cavalo, estava vermelho e isso o deixava bastante adorável. – Está bonito. – pensou Hyoga.
Saori e Marin aparecem já lindamente arrumadas e prontas pra sair.
─E então, vamos Hyoga? – disse Saori sorridente.
─O que faz aqui Shun? – Marin perguntou.
─O Seiya passou o endereço errado pro Hyoga então eu vim buscar vocês. – disse se levantando rapidamente pra fugir do olha do loiro.
─Tinha que ser o Seiya mesmo. – disse Marin aborrecida com o pupilo.
─Mas porque você não ligou Shun? – disse Saori.
─Nem pensei nisso. – disse olhando pro nada todo avoado.
Dirigiram-se pra boate com Hyoga levando Saori e Marin em seu carro enquanto seguia Shun no outro carro.
Chegaram e viram Ikki chegando na entrada, foram ao encontro dele. Ele estava com calças sociais pretas e uma camisa branca, deixando-o bastante elegante, mas ainda com aquele ar poderoso de dono da situação que só ele conseguia transmitir até quando não tinha a intenção.
─Irmão, desculpe eu não ter explicado direito minha saída. – disse Shun já se explicando pro irmão.
─Tudo bem Shun, isso é culpa daquele jumento alado. – disse Ikki aborrecido.
─Não fala assim Ikki. – disse Shun fazendo bico.
─Eles já estão aí, o Seiya me ligou agora a pouco. – disse Hyoga colocando as chaves no bolso e vindo com as garotas ao seu lado. Marin estava com um vestido vermelho com pouco decote, mas um tanto insinuante, quanto a Saori estava com uma saia e uma blusa com decote também, era raro vê-la tão informal, mas ainda assim atraente, porém o leonino só reparou no loiro.
─Então vamos entrar. - disse Saori.
Era uma boate bastante badalada, e cara, mas eles entraram sem problemas por estarem com Saori, que era bastante conhecida e terem todo aquele ar de pessoas poderosas, Shun com aquele ar doce, mas elegante assim como Ikki que parecia um empresário poderoso, ainda mais com a dona das grandes empresas Kido, Saori que foi entrando com Marin, uma ruiva linda e Hyoga que tinha todo aquele ar russo elegante, e parecia ser um estrangeiro poderoso, então as pessoas concluíam que dinheiro não faltava, e era até verdade. Já na entrada avistaram Shiryu, Seiya e Seika em uma mesa um pouco longe da danceteria. O local estava agitado e o som alto.
Foram até eles e se sentaram.
─Até que enfim, vocês demoraram demais. – disse Seiya.
─Por sua culpa Seiya. – disse Shun.
─Você é mesmo uma figura Seiya, como é que você passa o endereço errado pro Hyoga heim. – disse Marin.
─Foi sem querer, eu pensei numa coisa e disse outra, acontece com todo mundo, ora. – disse dando e ombros.
─Foi mal Hyoga. – disse Shiryu assumindo a culpa pelo amigo.
─Tudo bem, não foi nada demais. – disse o loiro tranquilamente.
─Vocês tão estressados demais, tá bom da gente começar a beber pra passar. – disse Seiya.
─Boa ideia, tenho que me distrair senão vou querer te partir ao meio cavalo voador. – disse Ikki acenando pro garçom.
─Olha o estresse, olha o estresse. – disse Seiya.
As garotas se cumprimentaram alegremente e começaram a conversar um pouco afastadas.
O garçom chega e eles pedem as bebidas.
─Eu quero uma vodka. – disse Seiya.
─Eu também. – disse Shiryu.
─Eu quero uma cerveja. – disse Ikki.
─Eu quero um uísque, e bem gelado, por favor. – disse Hyoga.
─Eu quero leite. – disse Shun fazendo todos olharem pra ele assustados. ─hahahaha. Tô brincando, eu quero um uísque também. – disse rindo da reação de seus amigos.
─O que as garotas vão querer? – Shiryu perguntou.
─Três licores de maçã. – disse Marin em concordância com as outras, depois viraram-se e continuaram a conversar.
Enquanto esperavam as bebidas começaram a conversar também.
─A Shunrei deixou você vir numa boa Shiryu? - Hyoga perguntou.
─Bom, digamos que ela sabe que eu tô aqui... - disse o libriano.
─rsrsrsrsrs. É serio?
─Vish, acredite Hyoga aquela lá é ciumeetaaa... Ela só deixa o Shiryu sair se for com ela pendurada. - comentou Seiya torcendo o nariz, sendo que ele também tinha ciúmes do libriano, mas preferia ficar na dele, apesar de ver a toda hora Shiryu direcionando olhares pro loiro desligado, mas de Hyoga ele não tinha tantos ciúmes já que sabia que o aquariano não dava a mínima pro moreno.
─Não chega a tanto Seiya... Mas quando eu liguei pra ela avisando que íamos sair ela faltou me estrangular por telefone. – disse fazendo uma careta enquanto lembrava-se do ocorrido.
─Imagino. Lembrei-me daquela vez que saímos e ela fez você passar vexame só porque a garçonete perguntou seu nome. Rsrsrsrs - disse Ikki.
As bebidas chegaram e eles começaram a beber enquanto conversavam.
─Sem comentários Ikki. - disse Shiryu.
─É mesmo... Mas aquela garçonete tava se insinuando demais mesmo. - disse Seiya.
─Ficou com ciúmes Seiya? - Ikki comentou rindo.
─Cla-claro que não, onde já se viu eu com ciúmes do Shiryu. - disse Seiya bastante nervoso e olhando pros lados.
─Mas eu não falei me referindo ao Shiryu e sim aquela garçonete gostosa. - disse o leonino com um sorriso irônico fazendo Seiya se encolher mais na cadeira de tanta vergonha, fazendo o libriano o olhar confuso e desconfiado.
─Pelo menos a Shunrei não bateu na garçonete. - disse Shun rindo.
─Então você tá ferrado quando chegar em casa. - disse Hyoga.
─Ela saiu com umas amigas também, então não vou nem ligar, se ela pode eu também posso. - disse o libriano dando de ombros.
─Pode levar bronca também. - disse Shun rindo.
─E você Shun? Tem namorada? - Hyoga perguntou desinteressadamente fazendo Shun quase engasgar com a bebida. Até então o virginiano evitava olha-lo nos olhos com medo que qualquer olhar pudesse revelar o que ele fez com o loiro enquanto ele dormia.
─ .Coff. E-eu, er... . Na-não tenho não, mas que pergunta Hyoga. Por quê?
─Nossa Shun, foi uma simples pergunta. Que nervosismo todo é esse? - disse Seiya.
─Nada... Quer dizer, só fiquei surpreso, só isso. - disse bastante vermelho e bebendo um gole a cada palavra.
─Desculpe, te ofendi? - o loiro perguntou enquanto bebia tranquilamente. - mas que droga, porque ele sempre tinha que parecer tão educado e elegante? Isso me faz parecer pior ainda, um caipira, droga. – Shun pensou.
─NÃO. Quer dizer, você me pegou de surpresa só isso. - mais nervoso não podia estar.
─Mas porque você não tem namorada? Você é tão bonito e eu lembro que no torneio galáctico as garotas faltaram correr pra arena atrás de você. - disse Hyoga deixando Shun nas nuvens - ele me acha bonito, ele me acha bonito, ele me acha bonito. - pensou.
─É mesmo, e você não pegou nenhuma né Shun? - disse Seiya.
─Mas que vulgar Seiya, não é "pegar", são senhoritas e merecem o devido respeito. – disse com pose de cavalheiro.
─Desculpe... Mas eu nunca te vi com nenhuma garota Shun, nem mesmo com a June, acho que ela gosta de você... - disse Seiya.
Shun faltou engasgar de novo.
─Mas que ideia Seiya, eu considero a June uma irmã pra mim.
─A June é muito bonita. - Hyoga disse fazendo todos olharem pra ele.
─Quê que foi? Também sou homem ora, e eu reparei nela na reunião ontem.
─Mas você não muda mesmo né Hyoga, essa sua cara inocente não me engana mais. - disse Seiya.
─Tinha esquecido que você era mulherengo pato, essa carinha de comportado é pra enganar mesmo. - disse Ikki.
─Não posso nem olhar agora? - disse o loiro indignado.
─Sua noiva não vai gostar nada disso Hyoga, ela deve ser igual à Shunrei, mas diferente de mim com você ela vai ter toda razão. - disse Shiryu.
─Afff. Já falei que ela não é minha noiva e agora eu não posso olhar pra uma garota que já tô secando ela é?
─Bem vindo ao mundo das mulheres. – disse Shiryu.
─O que estão falando aí heim? – disse Seika que estava ouvindo um pouco da conversa.
─Nada não mana. – disse Seiya sorrindo sem graça.
─Hunf. – disse Marin e voltaram a conversar sem se importar com eles.
─De quem vocês tão falando afinal de contas? - disse Shun voltando ao assunto e já impaciente com aquele enigma.
─Da Eire. - disse Hyoga.
─Eire? A Eire do orfanato? - disse Shun.
─É. - disse Hyoga.
─Pensei que tinha terminado com aquela lá antes de partir. – disse Shun indignado como se o loiro estivesse fazendo alguma coisa errada.
─Bom, ela insistiu e acabamos voltando... Quer dizer, ainda não falei pessoalmente com ela desde que parti, mas ficamos nos falando por cartas desde então. – disse Hyoga estranhando a atitude rude do virginiano.
─Mas que tipo de relacionamento é esse pato? Se fosse comigo não ia durar nem um dia. - disse Ikki aborrecido também por saber que Hyoga estava mesmo comprometido.
─Realmente, nem se pode chamar isso de relacionamento ainda mais com aquela garota. – disse Shun mais do que aborrecido.
─Eu falei pra ele. – disse Shiryu.
─O que tem de errado em ser com ela? – disse o loiro desconfiado.
─Bom, er... ela, ela era possessiva, controladora, extremamente ciumenta, manipuladora... quer que eu continue? – disse Shun irritado.
─É verdade, ela era isso tudo mesmo. – disse Shiryu.
─Não ficaria com uma garota assim nem que ela fosse a maior gata. – disse Ikki.
─Não estou entendendo essa cisma de vocês com ela, eu já sabia que muitos dos cavaleiros não gostavam dela por ela ter sido usada por Éris, mas aí já é demais, pensei que teria pelo menos o apoio de vocês, e ela nem é tudo isso, eu sei que ela não é perfeita... Ninguém é, mas vocês já estão exagerando. – disse o loiro aborrecido mais ainda bastante frio e calmo.
─Não estamos exagerando, não gosto dela, desde que a vi pela primeira vez no orfanato... sabia que tinha alguma coisa muito errada com ela. – disse Shun com expressões bastante irritadas recordando do dia em que conheceram Eire.
─Bom, você viu errado então Shun, a Eire é uma pessoa carinhosa, gentil, doce, determinada, boa moça... quer que eu continue? – disse com ironia. - afinal qual o problema deles? – pensou.
─Você que está vendo qualidades onde não existe Alexei. – disse Shun.
─Lá vão vocês de novo me chamando pelo primeiro nome, sempre fazem isso quando estão irritados comigo. Quer saber... Olha... esquece, vocês não entendem, nem sei porque estamos falando da minha vida. – disse suspirado, odiava brigar, ainda mais com Shun.
─Deixem o Hyoga em paz gente, ele sabe o que faz. – disse Seiya que estava quieto até então pra que não sobrasse pra ele. Fazendo todos o olharem irritados e o fazendo se encolher na cadeira. – devia ter ficado quieto mesmo. – pensou.
Ficaram um tempo quietos em silencio.
─Você gosta dela? – disse Shun falando mais calmo de cabeça baixa. Suas lagrimas queriam sair mais ele preferiu segura-las, não faria essa cena na frente de seus amigos. E Hyoga estranhou mais ainda aquela pergunta.
─Er... Sim, eu acho. – disse sem confiança. Afinal muito tempo se passou desde que viu Eire, ela deve ter mudado muito também, mas deixou Shun mais triste ainda, apesar do virginiano ter notado a duvida com que Hyoga confirmou a pergunta. – ele nem sabe se gosta dela de verdade, talvez nem sinta nada muito forte... amor, parece ser longe disso. – pensou melhor e sorriu discretamente.
─Com licença, tenho que andar um pouco. – disse Ikki irritado e se levantando. Não queria mais continuar ali com a pessoa de quem gostava dizendo que gostava de outra e que por sinal nem o merecia. Mas jamais diria isso a ele, desconfiariam, então decidiu por aparentar que desgostava mesmo da garota mesmo que pouco se importasse com qual garota o loiro estivesse ele ainda estaria triste. Foi sentar-se no bar. Fazendo todos estranharem aquela atitude.
As garotas que conversavam afastadas mal perceberam o clima que se instalou entre eles.
─Desculpe gente, não queria causar isso tudo, melhor eu me retirar. – disse o loiro assumindo toda a culpa por aquele clima ter pairado sobre eles, já estava se retirando.
─NÃO. Fica Oga, nós que exageramos, desculpa. – disse Shun, não queria que o loiro fosse embora naquela situação, nunca gostou de brigar com ele o que era raro de acontecer, ainda mais porque ele não tinha culpa de nada dos ciúmes dele.
─Desculpe também Hyoga, sua vida não é da nossa conta. – disse Shiryu.
─Não digam isso, vocês são minha família, meus amigos, podem dar sua opinião porque vocês fazem parte da minha vida também, e esse tipo de coisa é inevitável que aconteça de vez em quando nas famílias, apenas temos que estar preparados pra lidar com momentos assim. – disse Hyoga ainda frio e calmo, realmente era pupilo de Camus, pra manter essa frieza inabalável.
─Tudo bem Oga, mas não vá, por favor. – disse o virginiano segurando a mão do loiro.
─Não vou, mas vou falar com seu irmão agora. – disse sorrindo acariciando os cabelos do virginiano e em seguida se levantando e indo falar com Ikki que ainda estava emburrado no bar, engraçado como ele tinha que resolver as coisas como se fosse o único responsável.
Chegou perto do balcão e viu Ikki se afundar em copos e mais copos de cerveja. Sentou-se no banco ao lado, fazendo o leonino o notar pelo frescor de seu perfume, mas preferiu fingir que o ignorava.
─Um uísque, por favor. – pediu pra garota que atendia e que insinuantemente piscou pro loiro que apenas ignorou, o leonino viu a cena e faltou partir pra cima dela. – pena que é uma garota, senão... – pensou.
─O que você quer pato? – disse dando-se por vencido o olhando de lado.
─Vai me dizer o que foi aquilo ou vou ter que adivinhar? – disse o loiro pegando o copo e levando a boca, prendendo a atenção do leonino que o observava discretamente de lado.
─Aquilo o que pato? – disse desviando o olhar e olhando pro seu próprio copo brincando com as bordas.
─Por que se irritou tanto frango? – disse se virando pro leonino que ainda estava de lado e evitava olha-lo.
─Eu não me irritei, apenas não gosto de ouvir besteiras então resolvi me retirar. – disse Ikki franzindo cenho.
─Não foi o que pareceu... Você se preocupa comigo Ikki, eu sei disso... Obrigado. – disse sorrindo e tocando no ombro do leonino.
O leonino finalmente o olhou, ficaram um tempo assim, com Ikki, com seus olhos azuis escuros e intensos, impenetráveis, que davam medo em qualquer pessoa, mas com o aquariano ele não conseguia, o loiro não tinha medo dele, nunca teve, era sempre ele que o desafiava abertamente, uma prova disso era ele ter ido falar com ele naquela situação, uma pessoa sensata não se atreveria a incomoda-lo quando via que ele estava irritado, mas com o loiro era diferente, ele enfrentava, não se importava se ele gostava ou não daquela atitude, apenas agia, e lá estava ele tentando desvendar aqueles olhos azul celestes, como era difícil saber o que ele estava pensando, era frustrante, mas até que se saia bem, muitas vezes eles tinham uma concordância muda que só com o olhar sabiam o que um e outro estava pensando. Às vezes o leonino o olhava em algumas situações e o loiro percebia, sorria e respondia a duvida que ele tinha em mente e o leonino fazia o mesmo, como ele conseguia o leonino ainda não sabia, pareciam se conhecer tão bem, mesmo com brigas e provocações ainda se entendiam melhor do que qualquer um, sabiam que era uma forma de mantê-los unidos.
─Me preocupo com você sim pato, assim como me preocupo com qualquer pessoa. – disse bastante sério depois de um tempo.
─Eu sei disso, mas comigo você se preocupa bem mais. – disse sorrindo tranquilamente bebendo um gole de sua bebida.
─Estou mole com você pato... Está convencido demais. – disse com um pequeno sorriso.
─Sou mesmo, e já temos um progresso, você está sorrindo... – ficou um pouco mais sério. ─Desculpe pelo que houve, não quis aborrece-lo Ikki, não estou cumprindo a trégua. – disse sorrindo e afastando a franja dos olhos e fazendo o leonino se prender novamente naquele gesto. – a que ponto cheguei... Como apenas um simples gesto desse loiro pode me deixar assim? – pensou.
─Tudo bem. Não foi culpa sua. Eu o provoquei muito hoje também. – disse desviando o olhar do loiro senão não conseguiria mais se concentrar.
Ficou um tempo em silencio de novo.
─Er... É serio com a garota? – disse brincando com as bordas do copo de novo, ainda triste, fazendo o loiro o olhar desconfiado e enfim se virar de novo pra sua bebida. Ficou um tempo calado, parecia escolher as palavras.
─Não sei ainda, na verdade não quis voltar com ela ou ter qualquer tipo de relacionamento tão cedo... Mas ela insistiu, então eu cedi... Estou só há tanto tempo... Então eu pensei... bom, que uma companhia não faria mal algum... mas eu não a amo se é isso que quer saber, nunca a amei pra falar a verdade, apesar de ainda achar que ela é uma boa escolha, talvez isso mude com o tempo, quem sabe se eu tentar me esforçar um pouco eu possa gostar mais dela... Além do mais se passaram tantos anos, faz dois anos que tenho me comunicado com ela frequentemente, e não acho certo dispensa-la logo agora que voltei, então vou ao menos tentar... Tenho tantas coisas pra resolver, tanto trabalho, tanto pra organizar em minha vida... Tantos problemas... – disse suspirando numa expressão bastante cansada repousando o copo no balcão, massageando as têmporas, deixando o leonino bastante surpreso por ele ter falado tanto, ele nunca foi de falar muito, viu novamente aquela dor nos seus olhos, parecia lutar emocionalmente contra alguma coisa, estava desgastado, cansado, era a mesma melancolia que viu antes dele partir.
Martirizou-se por fazê-lo lembrar daquilo, seja lá o que for, ele estava ali tentando entender o chilique que o leonino deu quando saiu da mesa, tentando fazer as pazes por algo que ele nem entendia ainda o porque e nem tinha culpa, parecia ter tantos problemas e ainda tentava manter a harmonia entre todos. Mas estava até um tanto feliz por ele ter dito que não era nada serio com a garota. ─Sou mesmo um idiota, só pensei em mim e não vi que o deixaria assim... Não quero ver tristeza nesses olhos, não quero vê-lo sofrer. – pensou.
─Tudo bem, estou aqui. – disse e inconscientemente repousou a mão na cabeça do loiro fazendo uma leve caricia em seus cabelos, e fazendo o aquariano se assustar com aquele contato, mas ele não o desfez, queria conforta-lo de alguma maneira. O russo o olhou confuso por um tempo, o leonino passou a mão dos cabelos e começou a acariciar seu rosto e sua nuca, o olhava intensamente. Passou a observar todo o rosto do loiro a sua frente, seus cabelos rebeldes emoldurando o rosto pálido, seus olhos, seu nariz, sua boca... Ficou um tempo preso naquela imagem. - Como é lindo... Gostaria de toca-lo sem limitações, sem censura, queria que ele retribuísse, que dissesse que gosta, que pedisse por mais... Que seus olhos me vissem como eu o vejo agora. – pensou ainda com a carícia e com o olhar do loiro confuso, talvez estivesse passando dos limites.
─Ikki... Hyoga. – acordou com a voz de Seiya os chamando atrás dele.
Suspirou insatisfeito com a interrupção e parando a caricia, parecia que o aquariano estava suscetível ao contato, já que não o tinha repelido ainda, afinal ele era o que menos tinha contato com o loiro, principalmente fisicamente.
─O que foi Seiya. – disse o loiro balançando a cabeça ainda tentando entender o que se passava.
─Já fizeram as pazes? O Shiryu pediu pra chama-los... Vamos logo, porque as garotas já andaram perguntando o que aconteceu, e se dissermos a verdade elas vão ficar nos dando sermões à noite inteira. – disse o sagitariano desinteressadamente.
─Tá bom, vamos frango. – disse Hyoga já se levantando e recobrando seu ar sereno e frio.
─Vamos. – disse simplesmente.
Chegaram à mesa e Marin e Saori já foram dando broncas enquanto eles se sentavam.
─Já andaram brigado e novo senhores? – disse Saori irritada olhando com uma expressão decepcionada pra Hyoga.
─Não Saori, só um desentendimento e já nos acertamos. – disse Hyoga com uma expressão de que dizia: "deixa de ser chata, mulher".
─Assim espero, não quero nada de brigas aqui, ainda mais por que viemos pra relaxar um pouco. – disse Saori.
─Saori tem razão... Do que vocês falavam? – disse Marin.
─Nada de mais. – disse Shiryu.
─Não estavam falando mal da gente né? – disse Seika.
─Não, imagineee. – disse Seiya rindo e recebendo um olhar irritado da irmã.
─Eu ouvi vocês falando da Shunrei, o que tem ela Shiryu? – disse Saori.
─Nada demais, só falávamos que as mulheres são ciumentas e curiosas demais. – disse Shiryu com um sorriso irônico.
─Não somos não viu, e pelo que eu sei a Shunrei não é nem um pouco ciumenta. – disse Seika.
Assim que ela termina de falar o celular do libriano toca.
─É ela. – disse olhando pro visor do celular e enfim atendendo.
─Oi Shunrei... Calma – disse afastando um pouco o celular do ouvido – estou na boate, eu te avisei... Sim eu sei... Mas você disse que... Tá, tá... O que têm eles?... Sim, estão... Er, ele tá aqui sim, por quê?... ahh, nem pensar, esquece, não vou passar pra ele não... Desculpa mas eu não vou passar pra ele Shunrei, não insista. – disse e ela desligou na cara dele que franziu cenho olhando pro celular.
─O que foi? – disse Seiya.
─Ela perguntou onde eu estava, com quem eu estava, que não deu certo o passeio com as amigas e estranhamente queria falar com você Hyoga. – disse olhando pro aquariano que estranhou a ultima frase.
─O que ela queria? – disse Hyoga.
─Sei lá, talvez que você ficasse de olho nele, já que ela não confia mais em mim, afinal foi eu que os levei pra boate que a garçonete deu em cima do Shiryu. – disse Seiya rindo.
─E ainda se pergunta o porquê da desconfiança né Seiya. – disse Seika sorrindo sarcasticamente pro irmão.
─A culpa não é minha se ela é uma doida ciumenta. – disse Seiya mais sério.
─Bom, talvez só esteja preocupada. – disse Shun.
─Até parece Shun, pelo jeito que ela falou com o Shiryu. – disse Ikki.
─Ela pode estar... – Hyoga ia falando quando seu celular toca. Ele olhou pro visor e estranhou o numero desconhecido.
─Oi, é o Alexei. – disse sério, talvez fosse uma ligação de trabalho da policia, embora estivessem ligando para seu numero pessoal.
─Quem?... Ah, oi Shunrei, tudo bem com você? – disse olhando pra Shiryu e rindo da situação, fazendo o libriano ficar vermelho imediatamente. – Sou eu sim, o Hyoga... É meu primeiro nome... Como foi que você conseguiu meu... Hum, sei, sei... Como assim?... Sim, estou... Ele está na minha frente agora mesmo... Ah sim, entendo... Posso sim... Não se preocupe que ele está em boas mãos... Vou ficar de olho sim. Rsrsrsrsrs... Certo, certo... De nada. Até logo. – disse finalizando a ligação e sorrindo.
─Como ela pôde? – disse o libriano com as mãos no rosto suspirando envergonhado.
─Bom, ela pegou meu numero na sua agenda e me ligou pra pedir pra ficar de olho em você, ela disse que confia em mim pra isso, já que eu sou comportado e o Seiya não. – disse rindo. – disse ainda pra você não exagerar na bebida porque ela vai te esperar acordada pra vocês conversarem. – disse rindo colocando o celular no bolso.
Todos caíram rindo. Deixando Shiryu mais vermelho ainda.
─Ela passou dos limites... Vou ligar pra ela agora. – disse se levantando e discando o numero da namorada.
─Não falei que ela era doida. – disse Seiya rindo.
─Fica quieto Seiya. – disse Marin, mas ainda tentando esconder o sorriso.
Shiryu voltou com uma expressão irritada.
─E aí? – Shun perguntou.
─Ela não atende. – disse sentando-se.
─Você vai ter que ouvir muito quando chegar... Ela vai estar sentada no sofá com as luzes apagadas, com rolos na cabeça e um batedor de carne em mãos. hahahahahahahaha – disse Ikki rindo.
─Irmão – disse Shun olhando torto pro leonino.
─Hunf. – Shiryu estava irritado demais pra responder. – onde já se vi? Ficar me monitorando e ainda por cima ligar pro Hyoga pra fazer isso, ela está passando dos limites.– pensou.
─Deixa pra lá Shiryu, podia ser pior. – disse Shun tocando no ombro do amigo.
─Tem razão, vou esquecer ela por enquanto e aproveitar a noite. – disse o moreno suspirando.
─Você tem toda razão amigo, comemore sua liberdade por enquanto. – disse Ikki levantando o copo e bebendo um gole em seguida.
─As garotas são todas iguais. – disse Seiya bebendo sua vodka e fazendo sinal pro garçom levar outra rodada pra eles.
─Ei, não generalize Seiya. – disse Marin.
─Esqueçam essa historia, vamos nos divertir mais. – disse Seika puxando Marin e Saori pra dançarem.
─Vamos gente. – disse Saori chamando os rapazes.
─Vamos Shun... Hyoga. – disse Seika piscando pro loiro, e isso chamou a atenção do irmão.
─Ei, quê isso aí heim Seika e você Hyoga? – disse o sagitariano franzindo cenho.
─Não posso fazer nada que você quer sempre me controlar Seiya. Eu é que sou a mais velha aqui, então fica quieto. – disse irritada.
─Como você é chata Seika, estou zelando pela sua honra.
─Aff. Honra? Melhor ficar quieto aí na sua Seiya. Vamos dançar Hyoga. – disse sorrindo chamando o loiro de novo.
Hyoga suspirou. ─Não sei dançar Seika, obrigado pelo convite. – disse sem dar à mínima.
─Tirado você heim Hyoga, deixou minha irmã no vácuo. – disse Seiya olhando torto pro loiro.
─Você não sabe o que quer heim Seiya. – disse Shiryu rindo.
─Enfim uma coisa que o pato metido não sabe fazer. – disse Ikki com um sorriso sarcástico.
─Então você se acha um grande dançarino é Ikki? – disse Marin sorrindo.
─Quer que eu mostre. – disse sorrindo pra ruiva.
─Deixem de conversa fiada e vamos de uma vez. – disse Seika puxando Ikki, Shiryu e Seiya pra danceteria, assim como Saori e Marin.
Ficaram somente Shun e Hyoga na mesa, o loiro parecia bastante entediado e o virginiano ainda avoado e olhava vez ou outra pro aquariano do lado oposto da mesa redonda.
─Porque não vai também Shun? – disse o loiro finalmente vendo que o virginiano estava quieto demais.
─Não sei dançar também Oga. – disse um pouco vermelho.
─Vai lá que eles te ensinam. – disse desinteressadamente olhando pros amigos que dançavam animadamente.
─Então vem também. – disse o virginiano finalmente o olhando, mas desviando o olhar logo em seguida que o loiro o olhou também.
─Estou cansado. – disse bebendo um gole de seu uísque vez ou outra.
─Finalmente admitiu. – disse sorrindo.
─É. – disse sorrindo um pouco e olhou fixamente pro virginiano, que ainda evitava olha-lo.
─Está evitando me olhar Shun? – disse simplesmente deixando o virginiano mais vermelho ainda levando o copo a toda hora na boca.
─E-eu não. – disse olhando pra mesa.
─Você está assim desde que saímos da mansão... Está nervoso. Aconteceu alguma coisa? – disse bastante tranquilo.
─Não tô não Oga. É impressão sua de novo.
─Se não estivesse nervoso já teria percebido que seu copo já está vazio faz algum tempo. – disse tranquilamente apontando pro copo do virginiano que faltou engasgar com saliva. – mas que droga, porque ele tinha que ser sempre tão direto e ainda se manter calmo. – pensou o virginiano.
─Ah, er... e-eu só estava bebendo as ultimas gotas pra garantir que tinha acabado mesmo. – disse sorrindo nervoso e acenando pro garçom pra lhe levar mais uma rodada, estava bebendo mais do que deveria e já estava começando a ficar tonto.
─Melhor pegar leve com a bebida Shun. – disse observando o virginiano que estava suando um pouco mais.
─Eu aguento Oga. – disse pegando o copo do garçom junto com a garrafa.
─Hm. – ficou um tempo observando Shun sem disfarçar e o deixando mais nervoso ainda, virava o copo de uma única vez e enchia logo em seguida.
─Você ainda não me disse o porquê de não ter namorada Shun. – disse desinteressadamente fazendo o virginiano quase engasgar de novo.
─E-eu, bom, é por que... É por que. Ah Hyoga, porque está interessado nisso. – disse olhando pros lados.
─Tudo bem se não quiser contar. – disse desviando o olhar, aparentemente aquele assunto incomodava o virginiano, então voltou a olhar pros amigos que dançavam.
─Elas não fazem o meu tipo Hyoga. – disse um pouco mais calmo.
─Como assim?
─ Garotas não fazem o meu tipo. – disse ainda nervoso por revelar aquilo.
─Como assim? Todas elas? Só se você quer dizer que... – dessa vez foi o aquariano que quase engasgou quando viu o virginiano baixando o olhar de novo depois do que disse.
─Vo-você gosta de rapazes Shun? – disse já parando de tossir.
─Sim. – disse bastante vermelho e olhando pro copo.
─Ah, bom... Não tem nada de mais nisso... Quer dizer, muitos dos cavaleiros têm essa opção, até mesmo meu mestre. Bom... er... – preferiu ficar calado agora, estava bastante constrangido pela descoberta, mas até que pensando bem Shun sempre foi sensível demais, mais prestativo... Delicado... Amigável... Gostava de moda, das coisas simples que poucos homens notavam... Agora muitas coisas faziam sentido pra ele... Pensou melhor e lembrou-se de muitas ocasiões que passou com o virginiano. ─Será que àquela hora na mansão ele... – pensou.
─Desde quando Shun? – perguntou curioso.
─Na verdade faz pouco tempo... Eu percebi que nunca senti atração por mulheres e o Ikki me aconselhou também pra que eu pudesse entender melhor. – falava bem mais calmo pelo efeito do álcool.
─O que o Ikki sabe sobre isso? – perguntou descrente.
─O Ikki é bissexual Oga. – disse o olhando agora. O aquariano engasgou de novo e olhou pra Ikki que dançava com Marin, nunca tinha imaginado isso, principalmente de Ikki.
─O Ikki? Seu irmão? – disse confuso como se estivesse em outra dimensão e tudo aquilo que ouviu fosse uma loucura.
─Sim, pensei que já soubesse. – disse simplesmente olhando pro irmão também.
─Como eu saberia? Acho que fiquei longe tempo demais mesmo. – disse bebendo sem parar agora também.
─Você acha errado? Quer dizer... Você é cristão e... Sei lá, pensei que fosse contra. – disse baixando o olhar, as reações do loiro não foram nada discretas quanto a sua surpresa.
Hyoga o olhou fixamente agora e ficou bastante sério.
─Não tenho nada contra, a decisão das pessoas são somente delas, e eu não tenho que me meter em suas vidas. Além do mais, meu mestre também é homossexual... eu nunca falei muito a serio sobre isso com ele, mas o Camus é exemplo de tudo pra mim, ele é a minha fonte de admiração e tudo nele eu respeito, não tenho nada contra a opção dele, e se eu o respeito por isso tenho que respeitar os outros também... Eu estou surpreso com você e Ikki, não posso negar, mas isso não muda a visão que eu tenho de vocês, são meus amigos e nada vai mudar isso. – disse bastante sério e confiante.
─É sério Oga? – disse o virginiano com os olhos brilhando, achava que o loiro o desprezaria depois de saber, mas acabou falando, afinal o loiro descobriria uma hora ou outra, e ele estava tendo uma atitude bastante madura, e era o que mais admirava em Hyoga, ele falava o que pensava mesmo que a verdade doesse, era bastante sincero, e não tinha nada contra sua opção e isso o alegrava muito... Ficou até com uma pontada de esperança.
─Sim claro. – disse sorrindo.
─Obrigado Oga, você é um amigo incrível. – disse bastante feliz levantando-se e indo de encontro ao loiro pra abraça-lo.
─Não é pra tanto Shun. – disse recuperando o folego pelo susto do virginiano ter praticamente se jogado pra cima dele.
─É sim, você é demais. Gosto muito de você Oga. – disse lhe dando um beijo na bochecha e se aconchegando mais. A bebida já estava fazendo efeito e ele já estava ficando um tanto mais ousado, mas ainda assim sonolento.
O virginiano ficou sentado ao lado do aquariano o abraçando por vários minutos, tempo até demais, o loiro acabou estranhando e desfez um pouco o contato e notou que Shun tinha cochilado sorrindo no peito dele.
─Aff, esse Shun exagerou na bebida mesmo, é só encostar pra cochilar. – pensou surpreso pelo estado do virginiano. Começou a observa-lo dormindo, era tão bonitinho, parecia um garoto adolescente apesar de já ter dezenove anos. Tinha as bochechas rosadas e sorria, seus lábios eram cheios e avermelhados, parecia um anjinho. Começou a acariciar sua face pouco exposta e o virginiano foi despertando aos poucos de novo e levantou-se meio tonto.
─Ai minha cabeça. – disse fazendo uma careta e massageando as têmporas.
─É efeito da bebida... Eu falei que você estava exagerando. Foi só encostar-se em mim que você cochilou – disse segurando o virginiano pelos ombros.
─É que você é muito confortável. – disse se encostando no peito do loiro de novo que suspirou, Shun já estava ficando bêbado.
─Então tá, mas não se acostuma. – disse dando-se por vencido, mas o virginiano já tinha adormecido de novo e não o ouviu, tinha que segurar o virginiano senão ele ia acabar caindo da cadeira, voltou a beber seu uísque percebendo que já estava ficando sonolento de novo.
Todos voltaram rindo da dança animada que tiveram, chegaram à mesa e viram Shun dormindo encostado no peito de Hyoga e o abraçando pela cintura e o loiro que também dormia com a cabeça deitada na do virginiano, pareciam exaustos, o lugar que estavam era um pouco afastado e escuro, então ninguém os viu pra incomodar.
─Mas olha só, já estão bêbedos. – disse Seiya rindo.
─Owwwnnn. Eles dormiram. – disse Saori.
─Estão tão bonitinhos. – disse Seika.
─O Hyoga está cansado desde o treino de manhã então a bebida foi a dose final e o Shun não aguenta nem dois copos que já tá caindo e hoje ele exagerou. – disse Shiryu olhando um pouco desgostoso com aquela imagem do virginiano abraçado a Hyoga.
─Mas é melhor acorda-los. – disse Marin.
─Acorda Shun. – disse Ikki sacudindo o virginiano pelo ombro que foi acordando aos poucos e foi esfregando o rosto no peito do loiro que ainda dormia.
─Quê que foi?
─Levanta, já percebeu onde está? – disse Ikki.
─Tô em casa, na minha cama, abraçando meu travesseiro. – disse apertando mais a cintura de Hyoga e o fazendo acordar.
─Hã? Mas o que... – disse acordando tonto com Shun o apertando forte a cintura e viu que todos os olhavam esquisito. ─Shun, acorda. – disse tentando tirar os braços do virginiano de sua cintura.
─Ah, espera, fica quieto aí. – disse o apertando mais ainda e o fazendo gemer.
─Oh frango, dá uma ajuda aqui. – disse chamando Ikki que ainda olhava torto pra aquilo, era só se afastar um pouco que Shun já tirava vantagem pra cima do loiro, mesmo inconcientemente. – pensou.
─Quem mandou você deixar... Quando o Shun dorme pesado não tem quem o faça acordar. – disse já puxando os braços de Shun da cintura do loiro, chegando perto do rosto do loiro com esse ato, mas o russo mal percebeu por ainda estar tonto.
─Mas se eu o soltasse ele ia cair. – disse Hyoga.
Quando finalmente conseguiram solta-lo o loiro levantou se ajeitando antes do virginiano o agarrar de novo.
─Mas ele tem uma força heim... – disse olhando pro virginiano que já estava sentado com Ikki cuidando dele, mas ainda sonolento. ─Vou ao banheiro jogar uma agua no rosto pra ver se desperto. – disse Hyoga esfregando os olhos, estava tão cansado foi um dia agitado, embora ele não tenha se divertido nada naquela boate.
─Vai lá mesmo e vê se volta acordado viu. – disse Seiya.
─Tá, tá. – disse já se retirando.
─Acorda Shun. – disse Ikki dando leves tapinhas na face do irmão.
─Hã? O Que foi irmão? – disse esfregando os olhos.
─Mas você é uma criança mesmo heim Shun, você sabe que não aguenta beber e acabou exagerando. – disse Ikki segurando o irmão na cadeira que parecia que ia cair.
─Ah, deixa de ser chato Ikki... você sabe que eu te amo né? – disse o virginiano ainda de olhos fechados.
─Leva ele pro banheiro pra lavar o rosto também Ikki. – disse Saori.
─Tá, vou levar. – disse o leonino levantando Shun e se dirigindo pro banheiro.
─Isso que dá sair com criança. – disse Seiya.
─Deixa de ser convencido Seiya que você tem a mesma idade que o Shun. – disse Marin.
─Mas sou mais resistente à bebida do que ele. – disse convencido.
─Disso você tem orgulho de dizer né Seiya. – disse Shiryu dando um leve tapa na cabeça do sagitariano.
Continuaram bebendo e conversando e esperando os outros voltarem do banheiro.
Hyoga usou seu cosmo pra gelar a agua e joga-la em seu rosto, por sorte não tinha ninguém no banheiro além dele. A agua gelada sempre o reanimava, e dessa vez não foi diferente. Estava relativamente desperto e começou a se enxugar com as toalhas de papel quando Ikki aparece segurando Shun pelo braço ainda sonolento.
─Deixa que eu te ajudo frango. – disse segurando Shun pelo outro braço.
─Tenho que leva-lo pra casa logo, antes que ele comece a vomitar. – disse o leonino preocupado com o irmão, mas evitava olhar pra Hyoga por causa da cena que presenciou, estava irritado com o loiro e com Shun, mesmo que não tivesse sido nada demais.
─Dá um antiácido e joga agua gelada no rosto dele que ele desperta. - disse o aquariano bastante tranquilo agora.
─Você não conhece o Shun tão bem assim pato, quando ele bebe demais ele fica mais emotivo do que de costume, ele vai vomitar daqui a pouco e quando despertar vai querer chorar por qualquer coisa, e amanhã não vai lembrar-se de nada do que aconteceu, mas é melhor ter cuidado com o que você for falar pra ele senão a choradeira vai ser pior. – avisou o leonino levando Shun pra um dos boxes do banheiro e o segurando pela cintura, não deu outra e Shun já estava vomitando com Ikki o auxiliando pra que não se sujasse.
─Hm. Isso já aconteceu alguma vez? – disse o loiro encostado na porta do boxe, vendo os dois irmãos.
─Já, ele só bebeu até chegar a esse ponto uma única vez. – disse o leonino.
─E quando foi isso? – disse o aquariano pensando no que levaria Shun a beber tanto daquele jeito.
─Foi no dia que você partiu. – disse o leonino depois de um tempo que Shun parou de vomitar e olhou pro aquariano que estava surpreso com aquela informação.
─E-eu, não sabia... foi por minha causa? – disse o aquariano olhando pro virginiano que agora parecia mais frágil do que de costume.
O leonino fixou o olhar no dele por um tempo, o loiro parecia bastante preocupado agora, mas não mentiria pra ele.
─Quer mesmo que eu diga? – disse bastante serio.
─Er... Sim. – disse já com medo de ouvir.
─Ele bebeu além da conta naquele dia, eu não estava na mansão e quando eu cheguei a noite e perguntei por ele, me disseram que ele não tinha saído do quarto desde manhã... Fui pro quarto dele e vi duas garrafas de vodka vazias no chão e ele estava no banheiro vomitando... Fui cuidar dele, mas ele não parava de chorar dizendo que tinha perdido você... Que nunca mais o veria, que você só pensava em si mesmo pra abandona-lo daquele jeito... Chorou a noite inteira até o amanhecer e eu fiquei com ele o tempo todo. Ele dormiu e só acordou à tarde sem lembrar-se de nada. Mas ainda estava triste, não comeu nem dormiu direito por duas semanas, ele emagreceu muito, parou com os treinamentos e estudos... ele entrou numa depressão muito séria, então tive que leva-lo a um especialista que Saori recomendou... Depois de dois meses de angustia ele melhorou, mas não completamente... todos os dias eu ouvia ele chorando em seu quarto em silencio, mas fingia que não sentia nada pra que eu não me preocupasse. Você tem ideia da felicidade dele quando soube que você ia voltar pato? – concluiu e permaneceu olhando pro aquariano pasmo com a historia.
Ficaram em silencio, Hyoga não sabia o que pensar ou dizer depois do que ouviu. Shun realmente sofreu muito quando ele partiu, nunca, em nenhum momento ele pensou que causaria esse tipo de reação em seu amigo, ainda mais em Shun que era tão sensível. Olhou pro amigo que já tinha parado de vomitar e estava quase dormindo naquela posição, naquele lugar... Sentia-se a pior criatura da face da terra, queria pegar todo o sofrimento pelo qual o virginiano passou e senti-lo em seu lugar pra que ele nunca tivesse sentido aquela dor.
Ikki observava as reações do loiro, ele tinha os olhos marejados e olhava fixamente pra seu irmão, arrependeu-se de ter dito tudo aquilo, lembrou-se que o aquariano partiu com uma tristeza imensa no coração que ele podia sentir emanando, apesar de que na época todos estavam em paz e quase ninguém notou o sofrimento do russo. Ainda mais depois que ouviu uma conversa de Saori com o aquariano antes dele partir, ele iria embora pra evitar que sua tristeza acabasse afetando os outros, e assim o fez... Obviamente o loiro não tinha nenhuma intenção de afeta-los tanto assim, e ele também sofreu muito quando o loiro partiu, por isso não estava na mansão naquele dia, não suportaria vê-lo partindo. Tinha ido pra bem longe e nem lembrava exatamente onde foi chegar, só sabia que queria livrar-se daquela dor de alguma forma e indo pra bem longe de tudo aquilo que fazia lembrar o aquariano. Quando já estava longe demais arrependeu-se, queria ver o loiro pessoalmente antes dele partir, afinal não sabia quando isso seria possível de novo, mas quando chegou já era tarde demais, Hyoga já tinha partido, talvez nunca mais o visse, nunca mais poderia admira-lo em segredo, nunca mais poderia toca-lo, senti-lo mesmo em meio as brigas... Foi quando ele procurou o irmão pra ver como ele estava e o encontrou naquela situação, chorou tanto quanto Shun naquele dia, mas em silencio, discretamente, e mais ainda quando viu o sofrimento que seu irmão passava e que ele não poderia aliviar já que também estava sofrendo, foi uma época muito triste para os dois e de muito sofrimento.
Hyoga não disse mais nada, virou-se e Ikki pensou que ele tinha ido embora de novo, ouviu a porta batendo indicando que ele tinha ido mesmo. Olhou de novo pro irmão ainda sonolento, tonto e alheio a toda aquela conversa.
─Parece que voltamos pro passado meu irmão. – disse acariciando os cabelos do virginiano.
Ficaram um tempo ali, com Ikki relembrando o passado, quando sentiu uma presença atrás de si, virou-se e viu que Hyoga tinha voltado com um pano e um copo com agua gelada.
─Vamos tira-lo daí Ikki. – disse se posicionando pra ajudar o leonino a erguer o irmão. Ikki não tinha reação pra aquilo.
─Ele voltou, está aqui pra todos nós de novo, ele finalmente voltou. – pensou e sorriu pra Hyoga que sorriu de volta.
